Tirei do meu baú um parágrafo que escrevi há vinte anos. O tempo passou mas o texto continua jovem como no dia do seu nascimento.“Eu me lembro daquelas propagandas curtinhas que se fizeram na televisão, por ocasião do “Ano da Criança Deficiente”, para provar que ainda havia alguma esperança, para dizer que alguma coisa ainda estava sendo feita. E apareciam lá, na tela, crianças e adolescentes, cada um excepcional a seu modo, desde síndrome de Down até cegueira, e aquilo que se estava fazendo com eles... Ensinando, com muito amor, muita paciência. E tudo ia bem até que aparecia o ideólogo da educação dos excepcionais para explicar que, daquela forma, esperava-se que as crianças viessem a ser úteis socialmente... E fiquei a me perguntar se não havia uma pessoa sequer que dissesse coisa diferente, que aquelas escolas não eram para transformar cegos em fazedores de vassouras nem para automatizar portadores de síndrome de Down para que aprendam a pregar botões sem fazer confusão... Será que é isso? Valemos o que fazemos? Ali estavam crianças excepcionais, não-seres que virariam seres sociais e receberiam reconhecimento público se, e somente se, fossem transformados em meios de produção. Não encontrei nem um só que dissesse: ‘Através desta coisa toda que estamos fazendo esperamos que as crianças sejam felizes, dêem muitas risadas, descubram que a vida é boa...’ Também os deficientes podem ser felizes. Se uma borboleta, se um pardal e se uma ignorada rãzinha podem encontrar alegria na vida, por que não essas crianças e adolescentes, só porque nasceram um pouco diferentes...?” (Estórias de quem gosta de ensinar, pp. 50-51, Papirus). E que dizer dos velhos, já fora das redes de produção? Trambolhos? Pesos sociais? Também eles não tem almas de criança que desejam brincar e rir? Rubem Alves
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João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
O direito à alegria
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June 15 2009, 10:04am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
Todos Somos Deficientes
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Reler Rubem Alves. Para recordar que todos somos deficientes. E que caminhamos para o ser cada vez mais. Quando aprenderemos?Viviam juntos o pai, a mãe, um filho de 5 anos, e o avô, velhinho, vista curta, mãos trêmulas. Às refeições, por causa de suas mãos fracas e trêmulas, ele começou a deixar cair peças de porcelana em que a comida era servida. A mãe ficou muito aborrecida com isso, porque ela gostava muito do seu jogo de porcelana. Assim, discretamente, disse ao marido: - Seu pai não está mais em condições de usar pratos de porcelana. Veja quantos ele já quebrou! Isso precisa parar... O marido, triste com a condição do seu pai mas, ao mesmo tempo, sem desejar contrariar a mulher, resolveu tomar uma providência que resolveria a situação. Foi a uma feira de artesanato e comprou uma gamela de madeira e talheres de bambu para substituir a porcelana. Na primeira refeição em que o avô comeu na gamela de madeira com garfo e colher da bambu o netinho estranhou. O pai explicou e o menino se calou. A partir desse dia ele começou a manifestar um interesse por artesanato que não tinha antes. Passava o dia tentando fazer um buraco no meio de uma peça de madeira com um martelo e um formão. O pai, entusiasmado com a revelação da vocação artística do filho, lhe perguntou: - O que é que você está fazendo, filhinho? O menino, sem tirar os olhos da madeira, respondeu: - Estou fazendo uma gamela para quando você ficar velho... Pois é isso que pode acontecer: se os seus filhos não aprenderem a conviver numa boa com crianças e adolescentes portadores de deficiências, eles não saberão conviver com vocês quando vocês ficarem deficientes. Para poupar trabalho ao seu filho ou filha sugiro que visitem uma feira de artesanato. Lá encontrarão maravilhosas peças de madeira... Fonte
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June 13 2009, 1:37pm | Comments »
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