É uma turma de 12º ano do Agrupamento das Artes.Muito preguiçosos, desde o 10º ano! Sempre ouvi dizer isto, ao longo dos vários conselhos de turma deste ano, e até mesmo aos pais. Agora, no 12º ano, a preguiça agrava-se e sustenta-se no currículo que confere uma preponderância às disciplinas da formação técnica sobre as quais não têm que prestar provas de índole teórica (Desenho, Oficina de Artes, Materiais…)Realizei com estes alunos uma visita de estudo ao Convento de Mafra, onde também viram a representação da peça baseada na obra que estamos a estudar, Memorial do Convento. Como é costume, sabiam que tinham de apresentar um trabalho decorrente da visita mas, desta vez, pus a fasquia acima do que era hábito fazê-lo. Arrisquei …Logo no início do percurso, distribuí um trabalho a todos os alunos realizado por um aluno de outra turma e que considero muito, muito bom, tal como também foi unanimemente considerado. Perante este trabalho, fiz a proposta: tinham de realizar um trabalho que superasse o apresentado. Não valia a pena arriscar numa proposta inferior porque não era aceite. Tinham obrigatoriamente de surpreender (-me). Confesso que, ao mesmo tempo que arrisquei, senti logo que ia ter bons resultados. Foram muitas as fotos; muitos os apontamentos; muitos os esboços que se faziam de vários ângulos da fachada do convento; muitos os comentários em surdina para que a professora não ouvisse. Não se tratava de surpreendê-la? Afinal, não podia levar a mal…No prazo estipulado ( o que já foi uma excepção porque nunca entregam nada dentro de prazos…), todos os alunos apresentaram a sua proposta: em estilos diferentes, fazendo recurso a meios diferentes, usando linguagens e estilos diferentes, todos conseguiram superar o trabalho que lhes foi inicialmente apresentado.Escusado será dizer que me apeteceu, naquele momento, que o ano lectivo não acabasse já!Aprenderam alguma coisa com isso? Claro que sim. Sai no exame? Provavelmente, não. Mas aprenderam o que está para além disso: a serem criativos, a seleccionar, a dar outros sentidos à obra, a aprender a ver e a ouvir, a respeitar prazos (pelo menos, pontualmente…), a superarem-se. Talvez não lhe peçam isso no exame nacional mas vão com certeza pedir-lho qualquer dia e isso vai ser muito mais importante do que saber identificar o estatuto do narrador na obra que estamos a estudar. (AM)
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João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
Quando a elevação das expectativas são tudo...
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May 30 2010, 9:30am | Comments »
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