O ME, através do Gabinete de Comunicação, divulgou os números que quis sublinhar do relatório anual da OCDE. Uma conclusão subliminar se retira: o sistema propicia melhores condições de aprendizagem e de sucesso do que a média da OCDE. Se os os resultados são o que são, a responsabilidade será dos actores (das escolas e dos professores que não sabem aproveitar as condições favoráveis). Mas pode tirar-se outra conclusão (também subliminar): se os resultados são o que são, a responsabilidade é de uma política educativa centralista, uniformista, cega e insensível que desconfia das autonomias e da liberdade. Com os recursos disponibilizados muito mais pode ser feito se se apostar em práticas de incremento da autonomia e responsabilidade.Já os jornais preferem destacar outras "verdades". Por exemplo, o Diário Económico destaca que "Portugal supera média da OCDE em gastos com a Educação"; "Portugal ultrapassa OCDE no financiamento da educação". E escreve, a dado passo: "Os gastos com os alunos também aumentaram. O Estado português investe em média 6.677 euros (mais 32% do que o valor referido no relatório do ano passado) em cada estudante, mais do que por exemplo, Polónia ou a Hungria. Mas menos do que a Espanha e a França. Os estudantes do ensino superior são os mais caros (cerca de 10.398 euros), os do ensino secundário custam 6. 833 e os do ensino básico representam uma despesa de 5.011 por cada aluno." Meias verdades, como ainda há pouco tempo aqui se referia. Pobre país analfabeto que se fica pela espuma dos números.Ver relatórioO relatório hoje divulgado confirma mais uma vez o aumento do número de alunos em Portugal, revelando que a percentagem de jovens matriculados, entre os 15 e os 19 anos, atingiu, pela primeira vez, a média da OCDE. O relatório confirma também que Portugal apresenta uma taxa de frequência da educação pré-escolar superior à verificada na OCDE, sublinhando a importância desta oferta para um percurso escolar de sucesso. O relatório revela, por fim, que as turmas são mais pequenas em Portugal do que nos países da OCDE, e que há menos alunos por professor.Educação Pré-escolar (3-4 anos) Portugal tem mais crianças a frequentar a educação pré-escolar do que a média dos países da OCDE. Em Portugal, 72,3% das crianças com idades compreendidas entre os 3 e os 4 anos estão inscritas em estabelecimentos de educação pré-escolar, valor superior aos 71,5% da OCDE. O resultado alcançado por Portugal beneficia do esforço do Governo e das autarquias na expansão da rede da educação pré-escolar, condição fundamental para o estabelecimento de igualdade de oportunidades no acesso à educação. Como a OCDE afirma neste relatório a educação pré-escolar é decisiva para o estabelecimento de efectivas condições de igualdade e para a concretização de um percurso escolar de sucesso. Alunos Matriculados (15 -19 anos) O número de alunos matriculados no sistema de ensino cresceu. A percentagem de jovens matriculados com idades compreendidas entre os 15 e os 19 anos situou-se nos 81%, atingindo Portugal pela primeira vez a média dos países da OCDE. A evolução registada neste domínio é sublinhada pela OCDE. Entre 1995 e 2008, a taxa de jovens matriculados no sistema de ensino subiu 13 pontos percentuais, dos quais 8 nos últimos 2 anos. A subida verificada reflecte a aposta na expansão e diversificação das vias profissionalizantes e o combate ao insucesso e ao abandono escolares. População com Ensino Secundário (25-34 anos) 47% dos portugueses com idades compreendidas entre os 25 e os 34 anos têm como escolaridade mínima o ensino secundário, mais 3 pontos percentuais do que no ano anterior. O relatório da OCDE realça a extraordinária evolução de Portugal neste domínio. Dimensão das turmas no ensino público A dimensão das turmas, em Portugal, é inferior à observada para a média dos países da OCDE. Nos primeiros seis anos de escolaridade, a dimensão média das turmas, em Portugal, é de 18,6 alunos. Nos países da OCDE, as turmas têm em média 21,6 alunos. O Japão (28 alunos por turma), o Reino Unido (25, 7 alunos por turma), os Estados Unidos (23,8 alunos por turma), a Austrália (23,2 alunos por turma), a França (22,7) e a Alemanha (21,9) apresentam turmas com uma dimensão muito superior à observada em Portugal. No terceiro ciclo do ensino básico, em Portugal, as turmas têm em média 22,2 alunos, enquanto nos países da OCDE as turmas têm 23,7. A Alemanha (24,7 alunos por turma), a França (24,1 alunos por turma), a Espanha (23,6 alunos por turma), os Estados Unidos (23,2 alunos por turma) e a Austrália (23 alunos por turma) apresentam turmas com uma dimensão muito superior à observada em Portugal. Número de Alunos por Professor O número de alunos por professor, em Portugal, é dos mais baixos dos países da OCDE. Nos primeiros 6 anos de escolaridade, o número de alunos por professor é de 11,3, contrastando com o valor de 16,4 para a média dos países da OCDE. O Reino Unido (20,2 alunos por professor), a França (19,9 alunos por professor), a Holanda (15,8 alunos por professor), a Finlândia (14,4 alunos por professor), e os Estados Unidos (14,3 alunos por professor) apresentam um maior número de alunos por professor. No terceiro ciclo do ensino básico, a relação é de 8,1 alunos por professor, enquanto nos países da OCDE a média se situa nos 13,7. Portugal regista o número mais baixo de alunos por professor no quadro dos países da OCDE. A Alemanha (15 alunos por professor), o Reino Unido (15 alunos por professor), os Estados Unidos (14,8 alunos por professor) e a França (14,6 alunos por professor) apresentam claramente um número mais elevado de alunos por professor. No ensino secundário, o número de alunos por professor é de 7,3, valor muito distante da média dos países da OCDE (13,5). Portugal regista o número mais baixo de alunos por professor no quadro dos países da OCDE. A Finlândia (15,9 alunos por professor), os Estados Unidos (15,6 alunos por professor), a Suécia (14,7 alunos por professor) e a Alemanha (14 alunos por professor) apresentam notoriamente um número mais elevado de alunos por professor.NOTA: Os dados do relatório têm como período de referência o ano de 2008 Lisboa, 7 DE Setembro de 2010. O GABINETE DE COMUNICAÇÃO do ME
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João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
OCDE - Education at a Glance 2010 - Os números que contam na leitura do ME
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September 7 2010, 1:57pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
Os fabricadores da opinião pública e política
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Transcrevo, com a devida vénia. Mais um caso da ligeireza com os media tratam os assuntos educativos. À argumentação do autor, acrescente-se apenas mais um facto: se acrescentarmos o investimento privado, a diferença de investimento entre Portugal e a Finlândia é ainda maior.Exmº SenhorDirector do ExpressoAo ler o conteúdo das páginas centrais do caderno Economia do Expresso de 24 de Julho, com o título “Falta de Educação”, instalou-se em mim uma certa indignação pela forma como se “brinca” com números e percentagens manipulando-se assim a opinião pública.Na página 13, quando se foca “O fraco retorno do investimento no ensino” pode ler-se na introdução: “Portugal gasta o mesmo que outros países em educação…” e, numa caixa do lado direito com o título “Igual nível de despesa”, vai-se ainda mais longe quando se compara directamente Portugal com a Finlândia e se fazem afirmações tais como: “Portugal gasta o mesmo e tem os piores resultados internacionais… Portugal gastou 5,3% do PIB em Educação… e a Finlândia que tem os melhores resultados do PISA, gastou pouco mais que Portugal: 6,1% do seu PIB (dados de 2006).”Exmº Senhor DirectorPorque tenho 25 anos de ensino a dar e a gostar de dar aulas, porque sou professor de Matemática, licenciado pela Universidade de Coimbra e também porque tive oportunidade em Maio último, de conhecer a realidade de uma escola comum da capital finlandesa, permita-me que apresente uma análise ligeiramente diferente destes dados.Antes de o fazer, esclareço ainda que sou filiado no partido Socialista, não sindicalizado, membro de uma assembleia de freguesia eleito por este partido, e que me entristece constatar que possivelmente estejam a ser usadas pessoas com análises deste tipo para justificar medidas puramente economicistas, implementadas pelo governo na área da educação de forma autoritária, sem diálogo nem qualquer participação das entidades que deveriam ter participado, aplaudidas (pelo menos com o silêncio) por toda a oposição de direita até mesmo pelas autarquias desse quadrante político. Falo do fecho de escolas e dos mega-agrupamentos.Estes textos, saídos no expresso, servem também, para mais uma vez denegrir a Escola pública e sobretudo o trabalho dos seus profissionais contribuindo de forma significativa para desprestigiar a nossa profissão. É lamentável.Voltemos aos números: A Finlândia gasta 6,1% do seu PIB, pouco mais que Portugal que gasta 5,3% !!! Só por estes números, significa que a Finlândia gasta mais 15,1% que Portugal [( 6,1-5,3)5,3100 = 15,1% ]. Isto não é “pouco mais”!Mesmo assim não fiquei contente e fui fazer uma investigação na net. O PIB da Finlândia em 2008 (as percentagens anteriores eram de 2006 mas estou convicto que as alterações na análise não serão significativas) foi de 287.600 milhões de dólares e em Portugal foi de 255.500 milhões de dólares. Feitas as contas, da mesma forma que as anteriores, concluímos que o PIB da Finlândia é superior ao português em 12,6%. Isto, para mim, também não é “pouco mais”.Mas, mais significativo que as duas “correcções” anteriores, é o facto de os finlandeses serem 5,3 milhões e os portugueses serem 10,6 milhões. Façamos mais um exercício: calculemos 5,3% do PIB português e dividamos pela população (não sei o número da população escolar mas estou convicto que se usássemos esse número os resultados seriam ainda mais esclarecedores) e façamos o mesmo com a Finlândia. O que se conclui, senhor Director, é que em Portugal gasta-se 1.277,5 dólares por ano e por cidadão em educação, e na Finlândia 3.310,1 dólares. Para alguns é “pouco mais” mas, na minha modesta opinião, é quase o triplo!Acresce ao que foi provado que, segundo dizem, a Finlândia investe assim em educação há pelo menos cem anos e Portugal que começou há trinta anos tem agora responsáveis que acham que se deve começar a desinvestir!Já estamos habituados a ver os nossos dirigentes desportivos a transformarem derrotas em vitórias morais mas, agora também na educação, alguém quer transformar claras derrotas (Port-1: Finl-3) em empates…Agradecia, Sr. Director e senhores jornalistas, que encaminhassem este texto ao senhor jornalista João Silvestre e agradecia receber algum feedback vosso e dele.Com os melhores cumprimentosEduardo Manuel Marques do Rego
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September 2 2010, 12:30pm | Comments »
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