Pergunta de partida: "por que razão, apesar de existirem indícios claros que apontam no sentido de um desempenho profissional do director de turma bastante aquém daquilo que prescreve o "plano das orientações formais-legais para a acção organizacional", o papel deste gestor pedagógico intermédio continua a ser recionhecido como muito importante por uma grande pluralidade de discursos (políticos, normativos e pedagógicos)?" (...) "Hipótese nuclear: - o director de turma desempenha funções que estão bastante para além (e eventualmente em contradição) das atribuições formais-legais determinadas pelo enquadramento jurídico-normativo dos sucessivos diplomas legais.Sub-hipóteses: H1 - A criação do cargo de director de turma insere-se dentro de uma estratégia de legitimação da organização escolar;H2 - O director de turma, perante uma situação de conflito entre os professores e os pais/encarregados de educação, adopta uma postura de protecção da organização, momedamente dos professores;H3 - O discurso sobre a pedagogia centrada no aluno serve funções de legitimação da organização perante o seu público;H4 - O dierctor de turma desempenha o papel de amortecedor/filtro das exigências do público sobre a organização, mantendo-as a um nível gerível;H5 - A valorização da figura do director de turma foi reforçada pela difusão da ideologia do handicap sócio-cultural." (...) Conclusões:"(...) os dados do nosso estudo permitem defender que para além da face humanista subjacente (...), a intervenção do director de turma ganha maior inteligibilidade se considerarmos que, pelo menos em certos contextos, ela se orienta mais para a resolução dos problemas dos professores (sobretudo de controlo disciplinar) do que para a defesa dos interesses dos alunos. (...) É um protagonismo que não resulta tanto do prestígio do cargo que ocupa mas antes ed uma demissão dos outros intervenientes do processo educativo que delegam (...) no director de turma a gestão desses conflitos. (...) O Papel do director de turma ao nível do relacionamento com os alunos é de grande importância porque dota a organização de uma aparência de consistência com os valores que proclama publicamente (...). Dos pais espera-se que prolonguem em casa a acção educativa da escola, reforçando e legitimando as suas opções pedagógicas, fornecendo todos os elementos que possam facuilitar a acção quotidiana dos professores. Neste sentido, o papel do pai não se afasta muito do que era desempenhado pelo escravo que na Grécia antiga acompanhava o filho do cidadão à escola e em casa repetia com ele as lições.A importância conferida à participação dos pais, conjugada com o facto de estes participarem pouco na vida da escola, poderia levar-nos a pensar que os directores de turma valorizam muito a ida dos pais à escola sobretudo porque de facto eles não vão. Deste modo, poderia produzir-se um discurso congruente com os valores democráticos, com os ganhos simbólicos daí decorrentes, sem os custos de uma partilha efectiva de poder. (...) Como compreender que durante um século uma estrutura pensada para coordenar os professores de um determinado agrupamento de alunos tenha sido tão regularmente ineficaz na prossecução desse objectivo? (...) As estruturas não são sobretudo criadas com a finalidade de coordenar a actividade organizacional, reflectindo antes os valores e as crenças e, no caso da escola, as ideologias pedagógicas, que em cada momento definem o ambiente institucional em que cada organização desenvolve a sua actividade. Nesta pespectiva, o sucesso da organização depende, em boa medida, da capacidade de reflectir na sua estrutura as crenças, ideologias e normas socialmente construídas (...). O director de turma não coordena de facto os professores da turma, no entanto, ao participar num conjunto de rituais cerimonialmente conduzidos reactualiza e renova a crença de que o processo está a ser conduzido com seriedade e profissionalismo. Entretanto, o controlo efectivo do que ocorre quotidianamente na sala de aula é dispensado em nome do "nito do profissionalismo" e da "lógica da confiança" que a partir dele se desenvolve.(...) Acresce ainda que ao respeitar a sala de aula como espçao sagrado e inviolável, ao retirar da mesa do debate os temas mais sensíveis, desde logo as práticas profissionais, a organização preserva um "bom ambienet" no relacionamento entre os seus membros, com ganhos ao nível da sua imagem pública. (...) Deixando a actividade instrutiva fora do controlo e inspecção regulares, a escola oculta eventuais inconsistências ou desvios que uma vez oficialmente reconhecidos minariam a sua credibilidade e legitimidade e, mesmo que localizados, instalariam um clima d egeneralizada desconfiança, aumentando os conflitos com o público. (...) Deste modo, a infrequência da inspecção e controlo passa a ser um indicador de que todos estão a agir com profissionalismo e boa fé (...). Concluímos afirmando que o director de turma desempenha, de facto, um papel muito importante na escola portuguesa, mas não apenas (nem sobretudo) por aquilo que faz, mas sim pelo que representa."(*) O presente post constitui-se como uma sequência de citações que pretende dar conta do essencial da investigação realizada por Virgínio Sá. A referência usada é a seguinte: Sá, Virgínio (1997), Racionalidades e práticas na gestão pedagógica - O Caso do director de turma, Lisboa: IIE (Dissertação de mestrado apresentada no Instituto de Educação e Psicologia, Universidade do Minho)
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João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
O Director de turma, a lógica da confiança e a retórica de legitimação (*)
http://terrear.blogspot.com/2011/01/o-director-de-turma-logica-da-confianca.html
January 5 2011, 5:35am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
Contributos do director de turma para a relação escola-família
http://terrear.blogspot.com/2009/12/contributos-do-director-de-turma-para.html
O presente artigo pretende divulgar os resultados de uma investigação desenvolvida numaescola básica em que se construíram e aplicaram instrumentos; questionários, entrevistas e análise de alguns documentos produzidos pela escola que permitissem perceber que iniciativas toma o director de turma para conhecer as famílias dos alunos. De uma maneira geral, todos os actores educativos consideraram que o director de turma pode contribuir para que a escola conheça melhor as famílias dos alunos. Como estratégias propiciadoras de resultados positivos os directores de turma referiram: os atendimentos individuais, as reuniões de encarregados de educação e os inquéritos realizados aos alunos.Descritores – Relação escola-família; director de turma, estratégias de aproximação às famílias.Texto integral
December 1 2009, 2:29pm | Comments »
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