Mais um contributo de Joaquim Azevedo para sustentar um debate. Porque, muitas vezes, como parece ser agora o caso, as soluções ofuscam e desviam do necessário combate ao problema.Esta deriva securitária tem agora mais uma expressão concreta, que vale a pena combater, em nome da convivência, da democracia, da sociedade de direito e da política como regulação pessoal e sociocomunitária, muito antes de ser regulação estatal.A Fenprof invoca um parecer do CNE, de 2002, “Para combater a indisciplina nas escolas”, para vir agora propor que as agressões aos professores sejam consideradas agressões e ofensas contra autoridades públicas. Mais até já se invoca que os professores possam dar voz de prisão a um aluno, um pai ou uma mãe, um autarca, sei lá.Primeiro, do ponto de vista jurídico, o novo quadro legal (Código Penal) instituído em 2007, veio tornar isso mesmo claro ao consagrar como ofensa qualificada a que seja cometida contra “docente ou membro da comunidade escolar”, o mesmo sucedendo se se tratar de difamação e ameaça. Logo, dizem os penalistas, é crime público (apesar da jurisprudência ser ainda escassa, como é óbvio). Basta, por isso, agir em conformidade e accionar a lei.Segundo, do ponto de vista social e comunitário, é bem evidente que este não é o caminho, pois a lei até já existe e as situações de indisciplina e violência na escola existem e continuam a existir. E se mais normas vierem a ser instituídas, como fuga para a frente, as “lixeiras sociais” continuarão com o mesmo lixo. Andamos a empurrar os problemas com a barriga e colocamos a cabeça e a palavra, o diálogo uns com os outros, de lado, secundarizados e até bem escondidos. Instituimos a ideia de que se castigarmos bem dois ou três alunos, de modo exemplar, expulsando-os das escolas, de preferência com a pena máxima e com direito a “prime-time” nos telejonais, resolvemos o problema. Se conseguirmos mudar as normas, então é que os problemas da violência e da indisciplina ficam mesmo resolvidos!Foi assim em 2002, será assim em 2010 e será pior ainda em 2015, muito pior, não só porque nenhum dos problemas sociais que existem actualmente se resolverá por esta via, mas também porque as escolas irão ter de acolher obrigatóriamente todos os jovens não só até aos 15, mas até aos 18 anos.Dei o exemplo, nos textos anteriores (aqui inseridos) , do Agrupamento de Beiriz e da Escola da Damaia. Há muitas outras escolas que fazem o que vale a pena ser feito, com muita determinação e coragem: criar um clima escolar rigoroso e construído sob a ética do cuidado, com professores muito bem preparados e com bons e eficazes sistemas de trabalho em equipa, pois estes caminhos são muito exigentes; estabelecer ambientes de boa comunicação entre os alunos, os professores e os pais-famílias, pois estes circuitos de comunicação, por mais difíceis que sejam, são os que têm de ser accionados, para que quando algo falhe seja possível imediatamente agir, ou seja, actuar sempre preventivamente e muito pouco correctivamente; envolver todos estes actores nos debates dos problemas e nas principais decisões a tomar, estabelecendo-se regras claras e sanções precisas, que todos entendam e cumpram e façam cumprir; criar pontes permanentes entre as escolas e outros agentes sociais locais, desde os assistentes sociais aos técnicos da justiça e da solidariedade social, desde o pessoal técnico da saúde às instituições de solidariedade social; nunca deixar ninguém pelo caminho (mesmo que “cheire mal e fique ali sentada a um canto da sala”, como disse a professora da criança de dez anos que lhe mordeu o braço, “negra” que bem mostrou à televisão), accionando todos os dispositivos de alerta, de encaminhamento e de solução social dos problemas de violência e agressão mútua que estão instalados no nosso quotidiano (a articulação com as CPCJ, a proximidade das respostas sociais com as famílias e o trabalho interprofissional são bens sociais inestimáveis a preservar e a desenvolver).Se, mesmo assim falharem as respostas que existem instituídas, é preciso criar outras, muito mais flexíveis e abertas à inspiração humana, instituídas sob o signo do máximo cuidado e da máxima atenção a cada pessoa que mora em cada aluno, a cada situação envolvente, e dirigidas à edificação de novos projectos de vida, que só os próprios podem construir, passo a passo, com muita paciência, resistência e determinação. Temos tantos técnicos tão capazes de o fazer, que já o fazem e que o podem fazer ainda melhor! É só incentivar e proporcionar os meios! Os governos e os líderes locais são orquestradores e não solistas!Ninguém pode cair da malha que temos de saber tecer, com laços sociais fraternos, com muito trabalho e esperança. Os seres humanos são capazes de milagres quando se unem na procura da satisfação do bem comum. É certo que hoje, em todos os concelhos do país, há adolescentes e jovens que passam esta malha, e habitam o que alguns chamam a “exclusão social”. É isso que temos de corrigir, na escola e nas comunidades, dando as mãos.Deixem lá a juridização dos problemas, porque perdem tempo e nada resolvem!Deixam lá de alimentar o jogo daqueles que querem desviar a atenção da população para violências, crimes e situações extremas, para que os cidadãos esqueçam as magnas questões que eles e todos temos de resolver!Deixem lá as derivas autoritárias e securitárias e vamos dar força, energia, coragem e esperança a quantos reconstroem e constroem esses difíceis laços sociais e relações entre todos os membros das nossas comunidades locais!
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Crime público, disse ela! E todos parece que querem ir atrás…
http://terrear.blogspot.com/2010/03/crime-publico-disse-ela-e-todos-parece.html
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March 28 2010, 10:37am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
Da Construção da (In)Disciplina na Sala de Aula
http://terrear.blogspot.com/2010/01/da-construcao-da-indisciplina-na-sala.html
Saber a nossa quota parte de responsabilidade.(...)De acordo com os resultados do estudo uma prática pedagógica que envolvaactivamente os alunos e em que os critérios de avaliação sejam explícitos e asinteracções professor-alunos sejam de natureza pessoal parece ser propícia a um climade disciplina. Esta relação pode ser devida ao facto de, por um lado, os alunosgostarem deste tipo de prática, podendo ficar mais motivados para a aprendizagem e,por outro lado, porque esta prática tem características que facilitam a aquisição daorientação específica de codificação dos alunos para essa prática, condição essencialpara que possam ter um desempenho adequado no contexto regulador, ou seja, paraque possam ser disciplinados. Esta evidência, embora contrária à opinião de muitosprofessores que consideram que a disciplina se mantém essencialmente à custa de umcontrolo imperativo, tem sido já referida por vários autores, entre os quais se destacaAmado (2000) e Estrela (1992). Segundo Woods, citado em Amado (2000), os alunosconsideram que “o trabalho pode ser, ao mesmo tempo, pesado, odioso e agradável eque a diferença tem menos a ver com o conteúdo da actividade do que com asrelações com o professor [...]”. Este autor salienta o facto das relações do professorcom os alunos serem marcantes e conduzirem a um clima relacional positivo sefacilitarem a confiança mútua entre ambos, de modo a não haver receios de parte aparte ou, ainda, se conduzirem a uma aproximação afectiva que facilite oconhecimento, a ajuda e a cooperação. Também Estrela (1992) salienta a importânciada interacção pessoal na criação de uma verdadeira auto-disciplina. Diz a autora que,se não houver uma confiança mútua entre professor e alunos, apenas se pode verificara “passagem da disciplina imposta à disciplina consentida”, sem que a verdadeiraauto-disciplina seja alcançada.(...)O que leva os alunos a serem (in)disciplinados?Uma análise sociológica centrada em contextosdiferenciados de interacção pedagógicaMaria Preciosa SilvaIsabel Pestana NevesCentro de Investigação em EducaçãoFaculdade de Ciências da Universidade de Lisboa
January 7 2010, 4:39pm | Comments »
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Questions sensibles et sujets tabous
http://terrear.blogspot.com/2009/12/questions-sensibles-et-sujets-tabous.html
Dossier coordonné par Élisabeth Bussienne et Michel TozziProblèmes existentiels longtemps tabous à l'école (la mort, la sexualité), contestation de certains sujets « sensibles » (l'évolution des espèces, le conflit israélo-palestinien), comportements sexistes, racistes, homophobes : comment réagir face à ces élèves qui veulent être reconnus comme des personnes et pas seulement comme des « apprenants » ?Comment pouvons-nous répondre en tant que professionnels qui faisons la part de ce qui nous touche personnellement ? Ce dossier s'appuie sur de nombreux témoignages ; il s'intéresse à la façon dont on peut analyser et anticiper les difficultés. Il montre comment donner la priorité, dans ces situations délicates, à l'éducatif sur le moralisme ou l'argument d'autorité. La présentation complète du dossier Les articles à lire en ligne Le sommaire du dossier L'éditorial du dossier
December 18 2009, 5:51am | Comments »
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Luzes e Sombras na organização escolar
http://terrear.blogspot.com/2009/11/luzes-e-sombras-na-organizacao-escolar.html
Procurando visibilizar as lógicas que caracterizam a ação da escola, e com o objetivo de desvelar os dispositivos disciplinares que se criam, se repetem, se inovam e se renovam na prática escolar, articulamos uma brincadeira das crianças na hora do recreio e uma situação de conselho de classe, flashes que nos forneceram pistas para pensar os mecanismos de interdição e controle praticados no cotidiano da escola. Historicamente, as práticas escolares têm utilizado a escrita manuscrita como um mecanismo de domesticação de corpos e mentes; em contrapartida, ao não reconhecer a complexidade do brincar de merece, a escola naturaliza e aproxima práticas disciplinares que produzem mecanismos de subjetivação. A ação pesquisadora que vimos desenvolvendo com professoras do ensino fundamental tem procurado investir na formação do investigador coletivo – o grupo. Assim sendo, como num jogo de luz e sombras, exercitamos, coletivamente, a leitura pelo avesso das situações apresentadas, o que nos permitiu, a partir da discussão sobre a violência na escola, desvelar a violência da escola sobre as crianças.Palavras-chave: cotidiano escolar; violência; disciplinaTexto integral
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November 29 2009, 1:17pm | Comments »
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Quanto mais há o que vigiar, mais vigilância é necessária
http://terrear.blogspot.com/2009/11/quanto-mais-ha-o-que-vigiar-mais.html
Este texto, apoiado em narrativas de livro de ocorrência utilizado em uma escola pública de 1ª a 4ª série do ensino fundamental, visa problematizar a dimensão de vigilância exercida pelo tipo de lógica disciplinar que neles se apóia, articulando-a com um certo tipo de tradição pedagógica, ainda fortemente localizável no cotidiano escolar. A perspectiva é a de que tal tradição, apoiada em pressupostos de infantilização das crianças - que enfatizam características universais e necessárias, acentuando traços de dependência, imaturidade e desprestígio - acabam por gerar a necessidade de constante vigilância e controle sobre elas por parte das autoridades escolares. Quanto mais há o que vigiar, mais vigilância é necessária e mais se estende o campo para as transgressões e para a produção da criança indisciplinada.DISCIPLINA - COMPORTAMENTO - ESCOLAS PÚBLICAS - PEDAGOGIATexto integral
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November 29 2009, 7:03am | Comments »
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O Respeito como Condição Básica de Aprendizagem
http://terrear.blogspot.com/2009/10/o-respeito-como-condicao-basica-de.html
RespectChapter 1 excerpt: Respect on the Inside (includes the 7 Respect Basics)Respect_Chapter1_7Rules.pdfEducator Handout: 10 Ways to Use RESPECT in SchoolsRespect_TeacherTips.pdf
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October 7 2009, 1:44pm | Comments »
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Os Castigos Físicos Reduzem o Quoticiente Intelectual das Crianças
http://terrear.blogspot.com/2009/10/os-castigos-fisicos-reduzem-o.html
Pueden generar un estrés crónico que acaba afectando al desarrollo mental Un estudio realizado en Estados Unidos y en otros 32 países del planeta ha revelado que el castigo físico sufrido en la infancia condiciona el desarrollo mental de los pequeños. Las mediciones del cociente intelectual de miles de niños revelaron que aquéllos que no habían sufrido este tipo de castigos tenían entre 2,8 y 5 puntos más de CI que los que sí los habían padecido. Según los investigadores, estos resultados ponen de relieve la necesidad de ilegalizar esta costumbre en todas las naciones. Texto completo
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October 3 2009, 12:17pm | Comments »
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Relatório TALIS - Falta de Motivação e Indisciplina
http://terrear.blogspot.com/2009/06/relatorio-talis-falta-de-motivacao-e.html
Trois enseignants sur quatre indiquent manquer de motivation pour améliorer la qualité de leur enseignement, tandis que le mauvais comportement des élèves en classe perturbe les cours dans trois écoles sur cinq, selon un nouveau rapport de l'OCDE.Basé sur la nouvelle Enquête internationale sur les enseignants, l’enseignement et l’apprentissage de l’OCDE (TALIS), le rapport Creating effective teaching and learning environments, fournit pour la première fois des données comparables à l’échelle internationale sur la situation des enseignants dans les établissements scolaires de 23 pays participants.Le principal message politique est que les autorités chargées de l’éducation doivent proposer des mesures d’incitation plus efficaces aux enseignants. En effet, de nombreux pays ne font aucun lien entre l’évaluation des résultats des enseignants et les récompenses et reconnaissance dont ils bénéficient, et lorsque ces liens existent, ils sont souvent ténus.Um Novíssimo relatório da OCDE - TALIS - alerta para a falta de motivação e para a degradação dos ambientes de aprendizagem em contexto de sala de aula.Fonte(com agradecimento a jmt)
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June 17 2009, 3:29am | Comments »
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