Minha crónica no "Diário de Coimbra". Vivemos de facto tempos simultaneamente entusiasmantes e estranhos.Entusiasmantes, porque a novas tecnologias de informação e os agentes do “mass media” permitem, a qualquer um de nós, assistir quase em directo ao processo científico e ao resultado de determinada experiência. Entusiasmantes, compaginadamente, porque pressentimos a emergência de novas descobertas, em diversas áreas científicas, que podem mudar paradigmas actuais.Não é de hoje. Foi assim com o Homem na Lua, há mais de 40 anos. Nesse caso, não se tratou só da transmissão de uma experiência científica (a comprovação de que as nossas leis da gravidade estão, a esta escala, mais ou menos correctas) mas também a concretização de um feito tecnológico.Desde então, verificamos a massificação do fenómeno informativo. Não me espantaria se determinado canal de informação televisivo transmitisse em directo uma certa experiência, com os resultados a serem comentados pelos próprios investigadores e enquadrados, no conhecimento geral, por um comentador científico, sentado no estúdio com o pivot do programa informativo.Mesmo “sem saber ler nem escrever”, qualquer um de nós poderia compreender o que se estaria a passar se o comentador conseguisse traduzir por miúdos a necessária terminologia científica.Uma vez que alguma da investigação científica é financiada por todos os contribuintes, o cidadão poderia verificar, em directo, antes da telenovela das nove, as dificuldades, os sucessos, os erros, as angústias, os resultados e as suas eventuais aplicações na resolução de problemas comuns. Por exemplo, na “luta” contra um determinado tipo de cancro que estivesse a corroer a vida do personagem principal da telenovela!É claro que o processo científico é longo e não me parece muito exequível agendar directos para ver o resultado final. Por outro lado, como sabemos, em ciência não há resultados finais. Mas há sempre resultados, mesmo que muitas vezes indiquem que chegamos a um beco sem saída, ou que a pergunta directriz da hipótese inicial foi mal formulada. Compreendo que um “não”, a verificação de um erro, não seja muito estimulante. Mas faz parte da verdade. E seria muito formativo transmitir a verdade, em palavras simples e tangíveis. Não tenho dúvidas de que o cidadão comum se interessaria e se entusiasmaria com esta demanda pelo conhecimento verdadeiro e útil.Na arena da ciência em directo, mesmo que em diferido, chamo a vossa atenção para "Journal of Visualised Experiments", revista em formato Web onde os cientistas demonstram e comentam os resultados das suas experiências utilizando todo o potencial que emerge dos "new media".Vivemos tempos estranhos. Para captar a atenção de todo o mundo, a NASA antecipa a publicação de um artigo na revista Science criando falsas expectativas que são instantaneamente disseminadas, com avidez de espectáculo, por todas as agências de comunicação. É compreensível que a agencia espacial norte-americana precise de se evidenciar “galacticamente” para captar financiamentos. Com a leitura do artigo em causa, a análise do que é novo mostra que há novidade. Uma bactéria é capaz de substituir fosfato por arsénio. Contudo, é muito interessante comprovarmos mais uma vez que as bactérias, seres unicelulares, continuam a ter esse potencial intrínseco à vida, o de esgrimir todos os argumentos bioquímicos para sobreviver. É assim, há pelo menos 3,6 mil milhões de anos.Brevemente, abordarei a interacção do elemento arsénio e seus compostos com os seres vivos. António Piedade
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A CIÊNCIA EM DIRECTO?!
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December 3 2010, 5:14am | Comments »
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TRILHOS
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Informação recebida do Museu de Ciência da Universidade de Coimbra:Aproveite os seus Domingos e saia de casa com a sua família e amigos para fazer um passeio pedestre pelos lugares à volta do Museu da Ciência e da Universidade de Coimbra à procura da surpreendente ciência que podemos encontrar fora dos edifícios, nas ruas e nos jardins.As sessões são orientadas por especialistas de diversas áreas do conhecimento.PRÓXIMA SESSÃO: 05 DE DEZEMBRO | 11H00PASSEIO COM OS PÁSSAROSJaime Ramos (Departamento de Ciências da Vida da FCTUC)Sabes o que é uma trepadeira?Não, não é a planta... É a ave com unhas grandes e bico curvo que caminha nas árvores à procura de insectos.Vem descobrir esta e outras aves florestais que vivem no Jardim Botânico durante o Inverno.Se tiveres binóculos em casa, podes trazê-los!MAIS INFORMAÇÕES- 11H00-12H00- participação gratuita (marcação prévia)- inscrições limitadas (25 participantes)- Aconselhamos os participantes a trazerem chapéu de chuva e calçado confortável.
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November 30 2010, 9:20am | Comments »
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VIDEO: Cientistas de Pé no Jardim Botânico Tropical
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Vídeo com o resumo do espectáculo de stand-up comedy com cientistas na Noite Europeia dos Investigadores 2010, no Jardim Botânico Tropical, em Belém:
November 29 2010, 5:54am | Comments »
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INTERVALO CRESCENTE
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Crónica escrita a partir do poema "Máquina do Mundo", de António Gedeão (in Máquina de Fogo, 1961), e elaborada para o Exploratório Infante D. Henrique, Centro de Ciência Viva de Coimbra, no âmbito da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, a decorrer entre 22 e 28 de Novembro de 2010.[α,∞)?Que intervalo de tempo e de espaço, de matéria e de energia, é esse Universo em que a nossa vida pontua? Em que singularidade se originou? Quando é que foi t = 0? Há cerca de 13,7 biliões de anos, quando todo o Universo, conhecido e desconhecido, estava reunido num único ponto infinitesimamente compacto, imensurável, adimensional!? Foi Georges Lemaître, padre e cientista, o primeiro a propor, em 1927, um início assim para o Universo. Sem dimensões de tempo nem de espaço, uma singularidade. Chamou-lhe a “hipótese do átomo primevo” e baseava-se em assumpções decorrentes da teoria da relatividade geral de Einstein. Anos mais tarde, em 1949, Fred Hoyle haveria de baptizar, ainda que pelo ridículo, esse momento com a designação “Big Bang”. O modelo do “Big Bang” não descreve a singularidade, mas sim o que aconteceu imediatamente a seguir a ela e que acabou por nos dar origem. Segundo a teoria mais corrente do “Big Bang”e a teoria da inflação, a partir da singularidade, esse nada absoluto grávido de tudo, o universo expandiu-se, súbita e incontrolavelmente e, em cerca de 0,0000000000000000000000000000001 segundos, emergiram as forças da gravidade, do electromagnetismo, as forças nucleares fortes e fracas. Sob acção destas forças, uma revoada de partículas elementares, fotões, electrões, protões, neutrões, resultantes de outras fundamentais como os quarks, polvilharam o nada em todas as direcções, num número de partículas de cada tipo na ordem de 1 seguido de 89 zeros!Em 1929, Hedwin Hubble observou que a distância aparente de galáxias distantes era tanto maior quanto maior fosse o desvio para o vermelho dos seus espectros luminosos observáveis. E, espantosamente, verificou que quanto mais distantes se encontravam maior era a velocidade a que se afastavam da nossa posição aparente.Constatamos que as galáxias mais longínquas se afastam umas das outras a velocidades tanto maiores quanto mais longe estiverem de nós. Afastam-se de quê? Da singularidade inicial. Vão para onde? Para o nada infinito no tempo, finito num intervalo de espaço em expansão! Até onde podemos ver, e ver permite-nos calcular distâncias no espaço e no tempo, através dos actuais radiotelescópios, a fronteira do Universo visível encontra-se algures a 145 biliões de triliões de quilómetros (14 000 milhões de anos-luz) de distância aparente! Universo visível? …O espanto esmaga-nos com o peso do Universo que não é visível, “preenchido” por matéria dita negra e que corresponde a 85% de toda a matéria do Universo. Viajamos num mar de escuridão que não emite radiação electromagnética! E por isso esse oceano cósmico é indetectável pelos nossos olhos, adaptados que estão a sentir uma pequena fresta, um intervalo suficiente do espectro da luz solar. E que vazio? Incomensurável! Num átomo de hidrogénio, o combustível das estrelas e o elemento mais abundante do Universo, 99,9999% é vazio! O seu núcleo, constituído por um único protão, ocupa apenas 0,00001% do volume de todo o átomo. O resto é nada e uma certa probabilidade de encontramos um electrão, num determinado estado quântico. E é pelo balanço delicado entre repulsão e atracção electrostática entre nuvens electrónicas e núcleos atómicos, “coreografias” magnéticas e tudo o mais que se expressa nos princípios colombianos, quânticos e de exclusão, que as indiscerníveis partículas fundamentais dos átomos interagem, dando-nos esta sensação de matéria, quando apertamos as mãos. E, paradoxalmente, é esse intervalo cheio de vazio que permite interacções entre átomos diferentes, gerando compostos que arquitectam a vida tal qual a conhecemos. Somos então um intervalo vazio semeado de partículas e energia, cerzidos no tear sempre crescente de tempo e de espaço.E neste intervalo assim crescente, somos o resultado de uma singularidade de gente.António Piedade
November 26 2010, 10:08am | Comments »
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A Galileu
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Crónica a partir do "Poema Para Galileu”, de António Gedeão, in Linhas de Força, 1967, e elaborada para o Exploratório Infante D. Henrique, Centro de Ciência Viva de Coimbra, no âmbito da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, a decorrer entre 22 e 28 de Novembro de 2010.Limpe os olhos da luz do dia e, ao entardecer, projecte o olhar para o horizonte, contemple a abóbada celeste. Nesta semana, o leitor pode observar a face visível da Lua totalmente iluminada pela luz solar. Mesmo à vista desarmada de lentes de ampliar, conseguirá notar certas sombras, nuances de crateras no mar prateado do único satélite natural da Terra. Também pode facilmente identificar o planeta Júpiter, a “estrela da tarde” em serviço por estes dias e que se destaca brilhante ao lado da Lua terrestre. Se observar com atenção, verá que esse astro se move no horizonte no sentido retrógrado, isto é, no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio. Se o seu relógio for digital, não se preocupe: verifique se a estrela da tarde descreve um arco no firmamento da direita para a esquerda. Comprova?Há pouco mais de 400 anos, em Março de 1610, Galileu Galilei fez as primeiras observações científicas dos astros utilizando um telescópio, instrumento por ele melhorado. A sua luneta, permitia-lhe aumentar o tamanho aparente de um objecto até cerca de 30 vezes. Por isso, terá sido o primeiro ser humano a contemplar com admiração, as crateras lunares com um detalhe que deixou desenhado nas suas ilustrações, registos científicos das suas observações. Também na aurora do século XVII, e ao observar o planeta Júpiter, Galileu descobriu, para seu grande espanto, que outros corpos celestes orbitavam ao redor desse planeta gigante: Júpiter também tem Luas, só suas! Esse momento, que o leitor pode imaginar e reviver hoje ao contemplar a “estrela da tarde”, é um marco da história da ciência e logo da humanidade. O facto de corpos celestes rodarem à volta de outros corpos celestes que não a Terra, fez ruir concepções anteriores, baseadas na primeira aparência das coisas. Com a simples atitude de registar o que observava, Galileu reuniu dados suficientes para corroborar um determinado modelo mais aproximado do comportamento do Universo então observável: o modelo heliocêntrico proposto antes por Copérnico.As observações sistemáticas dos corpos celestes, efectuadas sucessivamente por diversas gerações de cientistas, adicionaram novos dados e conhecimentos às observações e registos precedentes, o que permitiu elaborar teorias sobre o universo distante, mas também válidas à nossa escala mais humilde e humana. Por exemplo, é pela mesma interacção gravítica que faz com que os astros se movam uns à volta dos outros, que uma qualquer maçã, golden ou bravo de esmolfe, tanto faz, é atraída e atrai o chão. O leitor, quer experimentar, se faz favor? Ponha de lado os preconceitos e, por sua vez, experimente deixar cair da mesma altura e ao mesmo tempo duas moedas diferentes: uma de um cêntimo e outra de um euro. Está assim a repetir uma outra experiência, a dos graves, que Galileu Galilei terá feito no cimo de uma torre e com outros objectos. Se o leitor quiser estar mais alto, suba, com cuidado, para cima de uma cadeira e repita a experiência. Os dois objectos não voltam a chegar ao chão ao mesmo tempo? Pois é. Mesmo que repita vezes sem conta até se cansar, verá que o resultado é sempre o mesmo. E se não fosse?Saberá porventura o leitor que esta experiência também foi realizada na Lua, que agora observa em fase cheia, por astronautas da missão Apolo 15, em 1971: o comandante David Scott deixou cair da mesma altura e ao mesmo tempo, uma pena de ave e um martelo. E não é que também caíram ao mesmo tempo no chão lunar! Como teria gostado Galileu de ter observado, através da sua luneta, a réplica da sua experiência na Lua…O facto é que a mesma experiência, feita por pessoas e em locais e épocas diferentes, tem dado sistematicamente o mesmo resultado. O conhecimento que resulta desta atitude experimental é, assim, reprodutível nas mesmas condições e isto é uma das características do conhecimento que resulta do método científico.Deixe cair o cansaço rotineiro e descanse o olhar no céu estrelado. Deixe o tempo estender-se no espaço, até ao infinito e deslumbre-se com a aparente serenidade da astronómica noite semeada de miríades de constelações de estrelas. Seja humano. Sonhe. Ponha questões e experimente.António Piedade
November 25 2010, 1:41pm | Comments »
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Uma Lágrima
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Crónica a partir do poema “Lágrima de Preta”, de António Gedeão, in Máquina de Fogo, 1961, e elaborada para o Exploratório Infante D. Henrique, centro de Ciência Viva de Coimbra, no âmbito da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, a decorrer entre 22 e 28 de Novembro de 2010.De tanto rir, uma lágrima cai na palma da mão de António. Espantado com a gotinha de líquido translúcido na mão, António aproxima-a dos olhos para melhor a contemplar. É uma gotinha que parece repousar suavemente sobre a pele, tão perfeita na sua redondeza. Olha através dela e vê uma miríade de pequenos arco-íris num festival de luz e cor. - É a luz solar a ser refractada no interior da lágrima e reflectida para os teus olhos. – Diz uma voz familiar. Orientado pelo som, António foca o seu olhar na superfície da lágrima e vê a imagem nela reflectida do seu tio Rómulo, que acaba de chegar.- Olha tio Rómulo, uma lágrima minha na palma da minha mão. – Diz António elevando a mão até à altura do olhar de seu tio.- Parece uma bola colorida, cheia de arco-íris! – Brinca Rómulo, e pergunta. – Sabes de que é feita? - De água…- responde António hesitante. – …e são salgadas, as lágrimas…- Sim. – Confirma o tio Rómulo. – Água (H2O), quase tudo, e cloreto de sódio (NaCl). – Acrescenta com um sorriso. - E nada mais? – Inquire António com ar desconfiado.- Sabes António, as lágrimas têm propriedades ópticas excepcionais devido a uma mistura complexa de muitos átomos e moléculas que não só a água e o cloreto de sódio.- Quantos átomos e moléculas diferentes numa única lágrima? – Pergunta António, curioso a olhar mais de perto para a lágrima que tem na mão?- Um número astronómico de átomos de oxigénio e hidrogénio; um nada menos de carbono, nitrogénio e enxofre; algumas pitadas de potássio, sódio, cloro, cálcio, ferro e manganésio; vestígios de outros elementos, quanto baste. Enfim, podemos dizer que a tabela periódica dos elementos está muito bem representada numa lágrima.- Tudo isso numa única lágrima? – Insiste António. – Como é que sabemos isso, como é que conseguimos ver tantos elementos nesta lágrima se ela é assim tão transparente e sem cor?- As ciências analíticas, qualitativas e quantitativas, avançaram muito. – Começa a explicar o tio Rómulo – Os cientistas têm hoje, ao seu dispor, inúmeras técnicas e equipamentos muito sensíveis que são capazes de desvendar, pela análise de uma diminuta amostra de lágrima, a sua composição elementar. - Podes começar? – Desafia António.- Em pouco mais de um grama de lágrima, cerca de um mililitro de emoção, e através de espectroscopias, electroforeses e cromatografias, somos capazes de chegar à seguinte observação: para além da água, que pressentimos, encontramos gorduras, proteínas e peptídeos de vários tamanhos e funções, alguns açúcares, sais e muitos outros compostos com baixos e altos pesos moleculares. - Tanta coisa num pedacinho de água? Para quê? – Questiona António espantado.- Sabes António, a lágrima tem como principal função limpar e lubrificar os olhos. Os cientistas descobriram que os componentes do líquido lacrimal se dispõem em três camadas sobre o olho. A primeira é rica em mucina, uma proteína ligada a açúcares, que forma um gel cheio de água e que protege a córnea do olho de forma homogénea e transparente à luz visível. - E a segunda camada? – Interrompe António ávido de saber.- A segunda é uma solução aquosa verdadeira. Contem proteínas como a lisozima, lactoferrina, albumina e outros complexos imunológicos solúveis em água, que atacam micróbios e protegem os olhos de infecções. E é também nesta camada aquosa que encontramos a maioria dos sais, cuja presença permite a regulação da pressão osmótica entre o interior e o exterior do olho. Aliás, a composição em sais faz eco da noite uterina amniótica e é semelhante à do plasma do sangue. É como se fosse uma onda do nosso mar interior a banhar a superfície ocular!- E a última, a que está, se bem entendi, por cima de todas? – Pergunta António atento.- A última camada é feita de óleos, gorduras próprias de lágrima, que criam uma barreira que reduz a evaporação da sua água. Para os olhos não secarem!- É como se fosse azeite por cima de uma gotinha de água? – Comparou António.- Sim, mas são outras as gorduras produzidas pelas glândulas de meibómio. – Especifica Rómulo.- E as lágrimas são todas iguais? – Pergunta António introspectivo.- São iguais entre humanos, diferentes entre os vários animais. As do crocodilo têm outras proteínas, óleos e diferentes concentrações de sais.- E esta que saltou do meu riso é diferente daquelas que escorrem em carreiros quando choro? – Indaga António.- Pouca diferença há, pois essas lágrimas estão armazenadas no mesmo saco lacrimal. Quando choras ou ris, os músculos faciais, que modelam a expressão do teu rosto, apertam o saco e assim são expulsas as lágrimas. – E continua o Tio Rómulo depois de uma breve pausa – Os cientistas descobriram que numa lágrima de emoção há mais de umas hormonas e outras moléculas cerebrais, como a acetilcolina. E se estiveres doente, ainda outras diferenças haverá no grupo proteico da albumina.- Quer dizer que as lágrimas reflectem a saúde do meu corpo e se estou triste ou contente? - Questiona António desconfiado.- Sim. – Responde Rómulo, com um brilho no olhar. – As lágrimas são impressões bioquímicas de um momento do teu ser. Como estão em contacto com todos os líquidos corporais, pela continuidade do plasma sanguíneo, são transparentes na verdade que contam, se as analisarmos em tubos bem esterilizados, claro está. - E eu que pensava que as lágrimas eram só água e sais, nada mais! – Exclama António.- Tudo o que hoje sabemos é pouco, comparado com o que amanhã podemos vir a descobrir! – Diz Rómulo ao tocar com um dedo na lágrima na palma da mão do António.António Piedade
November 24 2010, 8:22am | Comments »
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Avaliação da estratégia do Millennium Ecosystem Assessment
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Informação recebida do Museu de Ciência da Universidade de Coimbra:CONFERÊNCIA02 DE DEZEMBRO | 15H00Entrada livreECOSSISTEMAS PORTUGUESES: ESTADO ACTUAL E PERSPECTIVAS PARA O SEU FUTUROHenrique Pereira, Centro de Biologia Ambiental da Faculdade de Ciências da Universidade de LisboaO nosso estilo de vida actual permite-nos viver de uma forma aparentemente isolada dos ecossistemas. Na realidade dependemos dos ecossistemas para serviços tais como a produção de madeira e a regulação do clima. Aqui apresentamos os resultados da Avaliação para Portugal do Millennium Ecosystem Assessment (ptMA). Os ecossistemas portugueses produzem uma riqueza económica notável. Por exemplo, o nosso país é responsável por mais de metade da produção de cortiça mundial. No entanto muitos dos nossos ecossistemas estão degradados. Cerca de 40% dos meios hídricos superficiais estão em mau estado, muitos recursos pesqueiros marinhos estão sobre-explorados, e os ecossistemas florestais têm sido fustigados pelos incêndios. Assim, não é surpreendente constatar que a biodiversidade está num estado preocupante. Cerca de 30% das espécies de vertebrados terrestres encontram-se ameaçadas. A mitigação destes problemas ambientais passa por uma atitude pró-activa da sociedade e pela incorporação do valor económico dos serviços de ecossistema nos processos de decisão.BIODIVERSIDADE: UM COMPROMISSO GLOBALHelena Freitas, Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de CoimbraA biodiversidade é a matéria-prima dos ecossistemas. Captura carbono e energia, recicla a água e os nutrientes do solo. Estes processos, e a estrutura dos ecossistemas que os controlam, beneficiam a sociedade, prestando serviços e bens como os alimentos, os combustíveis, a água potável ou a regulação do clima. De acordo com a avaliação do Millennium Ecosystem Assessment, cerca de 60% dos serviços dos ecossistemas sofreram uma acentuada degradação à escala global, a maioria nos últimos 50 anos. Serão apresentados e discutidos alguns compromissos políticos e científicos considerados necessários para contrariar este ciclo insustentável.Mais informações aqui.
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November 24 2010, 4:44am | Comments »
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POEMA PARA GALILEU DITO POR INVESTIGADORES
http://dererummundi.blogspot.com/2010/11/poema-para-galileu-dito-por.html
Como hoje é o Dia Nacional da Cultura Científica, no dia de aniversário de Rómulo de Carvalho, recuperamos um vídeo feito pelo "Público on-line" há dois anos em ocasião semelhante.
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November 24 2010, 4:32am | Comments »
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Ciência e Técnica: a todo o vapor
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Crónica elaborada para a Associação Viver a Ciência, no âmbito da Semana Nacional da Ciência e da Tecnologia.Observar, Interagir e modificar o ambiente envolvente para melhor sobreviver e resistir às fúrias dos elementos, é uma constante, essência própria da vida. A complexidade, progressivamente crescente, da organização dos seres vivos, no seu diálogo íntimo com o Universo, apresenta hoje sistemas biológicos com linguagens e arquitecturas diversas. A evolução dotou o cérebro com estruturas funcionais, cuja base é comum a muitos animais, e permitiu aos nossos antepassados longínquos utilizar e manipular objectos, para facilitar o garante da sobrevivência. Milhões de anos passaram entre esse momento mágico, revoada de espanto numa sinapse recompensadora, em que um ramo vegetal na mão de um hominídeo, descreveu um arco e facilitou a obtenção de alimento, e este premir o polegar oponível num botão para controlar, à distância, um tecnológico braço robótico, mais ou menos antropomórfico, para reparar uma antena na Estação Espacial Internacional a cerca de 350 Km da superfície da Terra, e à velocidade média de 27 000 Km/h.Nessa janela de tempo, o homem inventou a roda e as velas dos moinhos, construiu caravelas, aviões e foguetões, inventou bolhas de vidro contendo vácuo e iluminou as noites com tungsténio incandescente, descobriu como transformar materiais e inventou o transístor, descobriu a intimidade atómica e inventou a internet. Continuamos a utilizar o olhar, outros sentires e as mãos, mas somos substancialmente diferentes.A observação atenta de como as coisas acontecem na natureza, integrada cerebralmente por sucessivas gerações de homens e mulheres, forjou a cultura humana com o conhecimento necessário para realizar obras úteis, a todos.A ciência permite o conhecimento, explica o espanto, dissolve a aparência das coisas e desvenda os fundamentos dos fenómenos que nos intrigam. A aplicação do conhecimento científico em coisas concretas e definidas permite a técnica. Por sua vez, a tecnologia explica e compreende os fenómenos técnicos. Com as ferramentas e o conhecimento a jusante da técnica, o Homem descobre novos mundos para explorar, e alimenta a ciência a montante. De facto, assistimos ao longo da história da humanidade a um diálogo incessante entre ciência e técnica, entre técnica e ciência. Por vezes em monólogos aparentes, antecâmaras de rupturas de paradigmas, por vezes indistinguíveis num esforço conjunto para resolver problemas concretos. Por exemplo, a técnica de saber fazer pão, primeiramente a partir de um conhecimento empírico, explicada progressivamente pela ciência de saber como as leveduras, seres vivos unicelulares e microscópicos, transformam os açúcares da farinha dos cereais. Por exemplo, a descoberta do efeito fotoeléctrico por Hertz, explicado mais tarde por Einstein, e a sua tecnológica aplicação posterior em materiais semicondutores emissores de luz, fototransístores, LEDs, utilizados nos monitores modernos e que permitem ver a ilusão tridimensional. Se a água líquida é uma constante da vida, o conhecimento de como domesticar o vapor de água, para dele retirar trabalho útil, mudou radicalmente a sociedade e vida humanas. A máquina a vapor, engenho técnico, galvanizou e permitiu a revolução industrial, em meados do séc. XVIII. Entre suor e copos de água, a relação entre as pessoas mudou e uma nova forma de organização social emergiu, com a ciência e a técnica como denominadores comuns, imprescindíveis. De facto, hoje vivemos numa sociedade baseada na tecnologia e na ciência. Mais do que nunca, impõe-se a aprendizagem e a divulgação dos conhecimentos que nos permitem entender e descodificar como é que a ciência nos ajuda a tornar seres mais humanos, mais íntegros e verdadeiros, como é que podemos usufruir das potencialidades tecnológicas para melhorar a nossa qualidade de vida.Ciência e técnica celebram-se e vivem-se hoje em simultâneo. São a realização maior da capacidade neuronal em percepcionar o mundo envolvente e integrar as diversas observações sentidas numa solução. E não esqueçamos que a consciência emocional modelou esta empresa científico-tecnológica desde o primeiro instante. A humanidade é científica e tecnológica desde o primeiro espanto, que é observar o mundo e tentar perceber um porquê, um como e o que é. E é com emoção que recebemos a compreensão do que não conseguíamos explicar antes. E se antes um relâmpago nos inundava de receio e iluminava a galeria das divindades primevas, hoje o maravilhamento da compreensão do seu fenómeno é sossegado por um pára-raios concreto, ainda que instalado na torre sinaleira de um templo qualquer. António Piedade, Coimbra, 23 de Novembro de 2010
November 23 2010, 9:39am | Comments »
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TEATRO: A máquina dos genes
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Informação recebida da FNAC:A FNAC e o Instituto Gulbenkian de Ciência celebram a Semana da Ciência e Tecnologia com uma peça de teatro, encenada e interpretada por três cientistas: Mónica Dias, Zita Santos e Catarina Júlio. Esta peça fomenta o debate sobre as questões científicas, sociais e éticas associadas à utilização da informação contida nos nossos genes.A MÁQUINA DOS GENESTeatro seguido de debate promovido pelo Instituto Gulbenkian de CiênciaDomingo, 28 de Novembro19hFnac Vasco da Gama, LisboaEntrada Livre
November 23 2010, 7:47am | Comments »





