Informação recebida do Observatório Astronómico de Lisboa:O Observatório Astronómico de Lisboa (OAL) promove Palestras públicas mensais que têm lugar no Edifício Central, pelas 21h30 da última sexta-feira de cada mês.A próxima sessão decorrerá no dia 31 de Outubro e terá como tema:"À procura de outros planetas: quantas terras existem na nossaGaláxia?", por Nuno Santos, CAUPNesta palestra vamos rever alguns dos principais resultados da procura e estudo de planetas extra-solares. Partindo dos resultados observacionais, complementados com estudos teóricos, vamos em seguida tentar perceber quantas estrelas de tipo solar têm planetas de tipo terrestre em órbita. A partir daí podemos estimar grosseiramente onúmero de planetas que orbitam estrelas da nossa galáxia e que podem ter desenvolvido vida.VIDEODIFUSÃO DA PALESTRA PÚBLICAComo vem sendo hábito anunciamos que o OAL fará a transmissão da sua Palestra Mensal através da Internet. No dia 31 de Outubro a partir das 21h30 visite o seguinte endereço:´http://live.fccn.pt/oal/A entrada na Tapada da Ajuda faz-se pelo portão da Calçada da Tapada, em frente ao Instituto Superior de Agronomia.No final de cada palestra, e caso o estado do tempo o permita, fazem-se observações dos corpos celestes com telescópio. Convida-se o público a trazer os seus binóculos ou mesmo pequenos telescópios caso queiram realizar as suas próprias observações ou ser ajudados com o seu funcionamento.Para mais informações use o telefone 213616730, ou consulte: http://www.oal.ul.pt/palestras
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À procura de outros planetas
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October 29 2008, 7:37pm | Comments »
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"TOP TEN" DE "POP SCIENCE"
http://dererummundi.blogspot.com/2008/10/top-ten-de-pop-science.html
O físico John Barrow escreve na última revista "Physics World", do Instituto de Física britânico, um artigo sobre a publicação de livros de divulgação científica. O artigo intitula-se sugestivamente "Pop science's big bang". Neste ano assinalam-se 20 anos sobre a publicação de "Uma Breve História do Tempo" de Stephen Hawking e também 20 anos sobre o aparecimento da revista.Para acompanhar o artigo de Barrow, ele próprio escritor de livros de divulgação, equipa editorial de "Physics World" escolheu 10 livros de "popular science" virados para as ciências físicas publicados nestes últimos 20 anos:1. "A Brief History of Time", Steophen Hawking, 1988.2. The Elegant Universe", Brian Greene, 1999.3. "A Short History of Nearly Everything", Bill Bryson (2003)4. "Longitude", Dava Sobel (1996)5. "The Physics of Star Trek", Lawrence Krauss (1994)6. "Strange Beauty", George Johnson (1999)7. "Just Six Numbers", Martin Rees (1999)8. "The Emperor's New Mind", Roger Penrose (1989)9. "What do you Care what Other People Think", Richard Feynman (1989)10, "The Trouble with Physics", Lee Smolin (2006).À atenção dos editores: salvo erro, os livros 5,6,7 e 10 ainda não foram publicados em Portugal...
October 21 2008, 8:58am | Comments »
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UMA ILUSTRADORA CIENTÍFICA PORTUGUESA
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Veja-se aqui o sítio de Diana Marques, uma ilustradora científica portuguesa a trabalhar nos Estados Unidos.
October 19 2008, 5:53pm | Comments »
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À LA RECHERCHE DU THÉORÈME PERDU
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Informação recebida do Institut Franco-Portugais:O Instituto Franco-Português de Lisboa recebe a palestra "A la recherche du théorème perdu" na quinta-feira, dia 16 de Outubro pelas 19 h. O matemático Jorge Buescu falará sobre o Teorema de Fermat, no "Bar des Sciences". A palestra decorrerá em francês e as perguntas serão em francês e em português.Resumo:“No entanto, é impossível dividir um cubo numa soma de cubos, ou uma quarta potência numa soma de quartas potências. Descobri uma demonstração maravilhosa deste facto, que infelizmente esta margem é demasiado estreita para conter”.Com estas palavras rabiscadas em meados do século XVII numa edição de Bâchet da Aritmética de Diofanto, o jurista (e matemático nos tempos livres) francês Pierre de Fermat enunciava o problema mais famoso da história da Matemática: aquele que ficou conhecido com o Último Teorema de Fermat.Não sabemos, nem provavelmente nunca saberemos, se Fermat tinha chegado a uma demonstração correcta. Nos 350 anos que se seguiram centenas de matemáticos profissionais e milhares de amadores tentaram, sem sucesso, (re)encontrar uma demonstração. Pelo caminho ficaram histórias extraordinárias, por vezes românticas, por vezes dramáticas, a que nem a demonstração da Teorema de Fermat por Andrew Wiles em 1995 pôs ponto final.É em torno destas histórias da Matemática que decorrerá a conversa.
October 15 2008, 8:23am | Comments »
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O LIVRO SOBRE O LIVRO DE DARWIN
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Informação recebida da Gradiva:Lançamento do livro "A Origem das Espécies de Darwin" de Janet Browneseguido da conferência proferida por Carlos Marques da Silva, da Universidade de LisboaCiclo de Conferências da Gulbankian sobre DARWIN: No Caminho da EvoluçãoHOJE, Quarta-feira, 15/10/2008, 18h00Auditório 2 da Fundação Calouste GulbenkianEntrada livre
October 15 2008, 8:16am | Comments »
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ESPAÇO: A ÚLTIMA FRONTEIRA
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Informação recebida da Ciência Viva sobre exposição a inaugurar na sexta-feira (clicar na figura para ver melhor).
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October 7 2008, 10:29am | Comments »
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O PÊNDULO DE FOUCAULT
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Como a revista "Sábado" reeditou a esta semana, a um euro apenas, o livro "O Pêndulo de Foucault" do escritor italiano Umberto Eco (livro publicado pela primeira vez há 20 anos), transcrevo, embora encurtado, um texto meu de divulgação científica sobre o referido pêndulo, que saiu na extinta revista "Futuro". O texto foi escrito em colaboração com João Fonseca, na altura meu aluno e hoje professor do secundário, com a particularidade interessante de o meu co-autor ter construído ele próprio um grande pêndulo de Foucault no vão das escadarias do Departamento de Física da Universidade de Coimbra. O pêndulo rodou, mostrando que a Terra gira em torno do seu eixo!Desde tempos imemoriais que o homem olha as estrelas com um entusiasmo indisfarçável. Actualmente sabe-se que a matéria de que somos feitos, isto é, os átomos que nos constituem, proveio, na sua maioria, do interior das estrelas. Já alguém disse que o nosso encanto pelas estrelas é um reconhecimento e homenagem às nossas origens. Ao observar o céu nas noites límpidas vêem-se configurações que se movem ordenadamente. Todas as estrelas se movem no sentido retrógrado, descrevendo uma órbita circular em cada dia. Foi este facto que despertou a atenção humana, mostrando que existem regularidades na Natureza e que podemos desenvolver teorias para as descrever.Os gregos da Antiguidade criaram um modelo para descrever e explicar o movimento das estrelas e dos outros astros. Imaginaram que a Terra estava fixa no centro do Universo envolvida por uma esfera negra, a que chamaram "esfera celeste". As estrelas estavam incrustadas nesta esfera, todas equidistantes da superfície da Terra, e giravam continuamente em torno de um eixo que passa pelo centro da Terra, dando uma volta completa em cada dia, no sentido retrógrado. Daqui resulta que todas as estrelas têm de se mover com movimento circular e uniforme, no sentido dos ponteiros do relógio, exibindo sempre as mesmas configurações. Mas, para descrever o movimento do Sol, da Lua e dos outros planetas visíveis a olho nu, tiveram que imaginar muitas outras esferas a rodar, dezenas de esferas, resultando um modelo assaz complicado e que não se ajustava completa e satisfatoriamente à realidade. Esse modelo só conseguia reproduzir de um modo grosseiro o movimento dos astros. Para explicar o movimento nos céus admitiram que a matéria celeste, a que chamaram "quinta essência", era diferente da que existia na Terra e que apenas se podia mover eternamente em volta desta.Embora este modelo tenha sido aceite durante muitos séculos, actualmente está abandonado, em virtude das contradições que encerrava. O homem aprendeu a medir a distância que nos separa das estrelas, por paralaxe trigonométrica e por método fotométricos. Quando verificou que a referida distância, para estrelas diferentes, pode diferir de milhares de anos-luz, deixou de aceitar a hipótese segundo a qual as estrelas estão todas equidistantes da Terra. Com o aperfeiçoamento dos telescópios, acabou por descobrir que as estrelas mais próximas de nós fazem parte de um sistema estelar gigantesco com uma forma espiral, a que foi dado o nome de Galáxia ou Via Láctea. As viagens tripuladas à Lua, as sondas enviadas aos outros planetas, assim como observações telescópicas possibilitaram a conclusão de que os materiais que constituem os planetas, os cometas, os asteróides, assim como a poeira e o gás interestelar, são feitos de substâncias que nos são familiares aqui na Terra. Abandonou-se, portanto, a dinâmica baseada na hipótese da "quinta essência". É assim que a ciência progride: as ideias são submetidas à prova e emenda-se tudo o que não esteja de acordo com as observações.O cepticismo em relação ao modelo das esferas celestes não é, porém, recente. Já no século III a.C. Aristarco propôs um outro modelo, um modelo heliocêntrico, que, na sua opinião, era mais adequado para descrever o movimento dos astros. Aristarco observou o tamanho da sombra da Terra sobre a Lua, durante um eclipse lunar. Com base nas dimensões dessa sombra, realizou um cálculo que o levou a pensar que o Sol é muito maior do que a Terra e que está muito mais afastado desta do que a Lua. Considerou, também, que o Sol é uma estrela, que brilhava mais e parecia maior do que as outras apenas por se encontrar mais próxima de nós. Assim, achava absurdo que as estrelas, com dimensões tão grandes comparadas com as da Terra e tão afastadas desta, girassem em seu redor, dando uma volta completa em cada dia. Para ultrapassar estas dificuldades, Aristarco pensou que seria mais conveniente imaginar o Sol fixo no centro do Universo, com a Terra e os outros planetas a girar em seu redor. Para explicar o movimento diário dos céus propôs a hipótese segundo a qual a Terra possui um movimento de rotação, em torno de um eixo de simetria, no sentido directo. Segundo esta hipótese, o movimento dos céus no sentido retrógrado é aparente, sendo devido ao movimento de rotação da Terra em torno do seu próprio eixo, em sentido contrário. Os contemporâneos de Aristarco e os que viveram nos séculos seguintes não aceitaram essa hipótese. É mais fácil admitir que são as estrelas que se movem, porque as vemos mover, do que a Terra, de cujo movimento de rotação em torno do seu eixo não nos podemos aperceber directamente. Algum misticismo e más interpretações das observações também contribuíram para refutar o modelo de Aristarco, que, apesar de tudo, permitia explicar a variação anual da inclinação das trajectórias dos astros, o movimento retrógrado dos planetas e o aumento da intensidade do seu brilho durante o movimento retrógrado.Em finais do século XV, um monge polaco, Nicolau Copérnico (1473-1543) propôs um novo modelo também heliocêntrico, de algum modo semelhante ao de Aristarco, mas contendo novas demonstrações e recorrendo a novas observações. Copérnico, no seu livro "As Revoluções dos Orbes Celestes", escreveu: "E porque não havemos de admitir que a rotação diária aparente no Céu mas real na Terra? E assim que as coisas se passam na realidade, como disse o Eneias de Virgílio: 'Nós saímos do porto e a Terra e as cidades recuam' [Eneida, III,72]". Mais tarde Galileu, Kepler e Newton adoptaram este ponto de vista, tendo este último conseguido uma explicação unificada do movimento, isto é, uma explicação do movimento nos céus e na Terra à luz do conceito de força gravitacional, uma força universal a que estão sujeitos todos os corpos com massa.Poder-se-ia em princípio dizer que as afirmações "A Terra roda em torno do seu eixo uma vez por dia" e "Todos os astros rodam em torno da Terra uma vez por dia" são ambas verdadeiras. A escolha de um referencial para descrever um movimento é arbitrária: qualquer referencial pode ser escolhido porque não há movimento absoluto. Contudo, convém escolher aquele que torna a descrição o mais simples possível!Assim, para estudar o movimento dos astros e também outros movimentos, temos toda a conveniência em optar por um referencial ligado ao Sol e às outras estrelas. Neste referencial, a Terra roda em torno do seu eixo uma vez por dia, enquanto o Sol e as estrelas permanecem fixos. Esta opção permite-nos explicar o movimento com base na interacção gravitacional, permite interpretar certos fenómenos como o achatamento da Terra nos pólos e a variação da aceleração da gravidade com a latitude, e evita situações conflituosas, como as que acontecem quando escolhemos a Terra como referencial. Vejamos dois exemplos concretos. Conhecemos a massa das estrelas e sabemos que é muito maior que a da Terra. Consequentemente, a Terra não tem "meios" para obrigar as estrelas a girar à sua volta. Num referencial ligado à Terra só podemos explicar o movimento das estrelas em termos do antigo conceito de "quinta essência". Por outro lado, sabemos que as estrelas mais próximas da Terra são as do sistema estelar triplo chamado Alpha Centauri, a cerca de 4,3 anos-luz de distância. Todas as outras estrelas estão mais afastadas da Terra do que estas, muitas a milhares de anos-luz. Num referencial ligado à Terra, todas as estrelas descrevem uma órbita circular em torno desta em cada dia, o que entra em contradição com o resultado fundamental da teoria da relatividade, que afirma que a velocidade da luz não pode ser ultrapassada. Aplicado a conhecida equação do movimento circular e uniforme (v=wr) ao movimento das estrelas, considerando a distância r que as separa da Terra e a sua velocidade angular w correspondente a um ângulo de uma volta inteira por dia, chegamos conclusão absurda de que a velocidade das estrelas é milhares, ou mesmo milhões, de vezes superior à velocidade da luz. Em suma: é mais vantajoso admitir que o Sol e as estrelas estão fixos e que a Terra roda do que o contrário.Em meados do século XIX foi construído um aparelho, tão simples quanto notável, com a ajuda do qual pode ser realizada uma experiência cujos resultados só podem ser explicados com base no movimento de rotação da Terra em torno do seu eixo. Chama-se pêndulo de Foucault. Mesmo que a Terra estivesse sempre coberta de espessas nuvens, como acontece no vizinho planeta Vénus, impossibilitando aos terrestres a observação do movimento dos astros, este aparelho bastaria por si só para mostrar que é verdadeira a afirmação de que a Terra roda em torno do seu eixo.Um pêndulo de Foucault é um sistema constituído por uma esfera com massa de vários quilogramas, suspensa por um fio metálico que pode ter várias dezenas de metros de comprimento, e que, como qualquer outro pêndulo, pode oscilar em torno duma posição de equilíbrio. Este pêndulo tem o nome do físico francês Jean Baptiste Leon Foucault (1819-1868), porque foi ele quem idealizou e montou um destes pêndulos pela primeira vez, em 1851. A experiência foi realizada na enorme abóbada do Panthéon, em Paris. O pêndulo original de Foucault era constituído por um fio de 67 m de comprimento no qual estava suspensa uma esfera oca de cobre, cheia de chumbo, cuja massa era de 28 kg. Quando realizou a experiência, Foucault distribuiu um texto anunciando os resultados. Em 1855, a Royal Society de Londres homenageou Foucault com a Medalha Copley reconhecendo o alto mérito do seu trabalho.Se uma pessoa caminhar em cima do carrocel, ao longo do raio deste, da borda para o eixo, sente que uma força misteriosa a empurra para o lado, perpendicularmente à trajectória. Se a pessoa se deslocar ainda ao longo de um raio, mas em sentido contrário, isto é, do centro para a borda, sente a actuação duma força igual em intensidade mas com sentido oposto: a pessoa é empurrada para o lado indicado pela seta, no interior do círculo. Podemos concluir que, quanto maior for a velocidade com que o sujeito se desloca dentro do carrocel e quanto maior for a velocidade com que o carrocel roda, maior será a intensidade da força que actua no sujeito. Também se observa experimentalmente que, se o carrocel rodar em sentido contrário, a força sobre o sujeito terá sentido inverso. Do mesmo modo, se pusermos um berlinde a oscilar, dentro de uma superfície esférica (por exemplo, uma bola de plástico cortada ao meio), a projecção da sua trajectória num plano horizontal é um segmento de recta. Todavia, se o sistema for colocado num prato dum gira-discos a rodar, a projecção da trajectória do berlinde já não será um segmento de recta tendo uma forma complicada. Tal como o sujeito no carrocel, o berlinde será empurrado para um lado, quando se deslocar num determinado sentido, e empurrado para o lado contrário, quando se deslocar em sentido inverso.O movimento do pêndulo de Foucault tem a seguinte característica especial: O seu plano de oscilação roda directamente no sentido horário (no hemisfério norte). Se for posto inicialmente a oscilar na direcção norte-sul, por exemplo, o seu plano de oscilação vai rodar no sentido dos ponteiros do relógio.A rotação do plano de oscilação do pêndulo pode ser atribuída a uma força que, actuando no pêndulo perpendicularmente à sua trajectória, o empurra para a direita quando este se desloca de sul para norte, e o empurra para a esquerda quando este se desloca de norte para sul. Se analisarmos, com atenção, esta força, que modifica a trajectória do pêndulo, verificamos que ela é semelhante à dos exemplos anteriores: é perpendicular à trajectória e inverte o seu sentido quando o corpo onde actua se passa a mover em sentido oposto. Se admitirmos que o pêndulo oscila em cima dum sistema em rotação, isto é, se admitirmos que a Terra roda em torno do seu eixo, encontramos uma explicação para o movimento do pêndulo de Foucault por analogia com os exemplos que foram apresentados: o plano de oscilação do pêndulo de Foucault roda num determinado sentido porque está a oscilar em cima de um sistema que roda em sentido contrário, a Terra; nestas condições, sofre a acção duma força peculiar, perpendicular à trajectória, que inverte o seu sentido quando o sentido do deslocamento é invertido, e que provoca a rotação do plano de oscilação.Esta explicação intuitiva para o movimento do pêndulo de Foucault levanta uma questão importante: De que tipo a força que falamos para explicar o movimento do pêndulo?Para explicar o movimento usamos o conceito de interacção ou força, tendo sido necessário introduzir quatro tipos diferentes de força para descrever o comportamento da natureza. Esses quatro tipos de força receberam os seguintes nomes: força nuclear forte, força nuclear fraca, força electromagnética e força gravitacional. A força que encurva a trajectória do pêndulo de Foucault não se enquadra em nenhum destes tipos de força. Será que devemos propor um novo tipo de força para explicar o movimento do pêndulo de Foucault? Não, porque este fenómeno não pode ser compreendido com base no conceito de interacção. Uma interacção é uma acção recíproca entre dois ou mais corpos e não conseguimos atribuir o encurvamento da trajectória do pêndulo à acção de um ou vários corpos sobre este. Dizemos, portanto, que a "força" de que falamos para explicar o movimento do pêndulo é uma "força fictícia", ou "força de inércia". Trata-se de uma simples artimanha cujo uso se deve à impossibilidade de explicar de outra forma o movimento dos corpos em certos referenciais. Estes referenciais, nos quais temos que usar o "truque" das "forças fictícias" para explicar o movimento dos corpos, chamam-se referenciais não inerciais. Um referencial em rotação é não inercial. Pelo contrário, os referenciais onde isto não é necessário, isto é, onde possível explicar o movimento dos corpos com base no conceito de interacção, denominam-se referenciais inerciais. O pêndulo de Foucault mostra que a Terra é um referencial não inercial. Pelo contrário, usando o Sol e as outras estrelas como referencial, não necessitamos de recorrer a quaisquer forças fictícias. Para um hipotético observador no Sol é a Terra que roda, em vez do plano de oscilação do pêndulo. De facto, o Sol constitui um referencial inercial para o estudo de um número maior de fenómenos do que a Terra. A rotação lenta do pêndulo de Foucault constitui uma prova inequívoca que a Terra gira em torno do seu eixo.
September 28 2008, 3:54am | Comments »
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DO OUTRO LADO DA SIDA
http://dererummundi.blogspot.com/2008/09/do-outro-lado-da-sida.html
Agora que Thabou Mbeki, líder da África do Sul e campeão da ignorância científica, devido às suas posições sobre a SIDA (AIDS no Brasil) saiu de cena, é altura de recordar o que sobre a SIDA e sobre ele escrevi no meu livro "A Coisa Mais Preciosa que Temos" (Gradiva). Porém, o futuro líder pode não ser melhor, como relata este post.Convidaram-me na Semana Mundial de Combate à SIDA realizada em Novembro de 2000 para participar numa mesa-redonda intitulada “Do outro lado da SIDA”. Tratava-se de reunir pessoas que, em princípio, não são especialistas na doença, nem no seu estudo nem na sua prevenção e tratamento, não estavam portanto “do lado da SIDA”, mas sim do “outro lado”, o lado dos leigos. Juntaram-se assim, além de um físico, uma socióloga, um psicólogo e um filósofo. O desafio, pela novidade, era aliciante. Assim como era aliciante poder contribuir de alguma maneira para o melhor esclarecimento público sobre a terrível doença. Que tem um físico a dizer sobre a SIDA? Sobre o assunto ele não sabe mais do que aquilo que é divulgado publicamente, em folhetos e nos “mass media”, que a SIDA, síndroma de imunodeficiência adquirida, é uma doença transmitida por vírus, o HIV ou outros do género, que necessitam de um contacto íntimo para se transmitir. Uma vez instalado, fica-se seropositivo: o vírus pode demorar algum tempo a executar a sua missão mortífera, mas acaba em geral por destruir as defesas do organismo, falecendo o seu portador por uma debilitação progressiva. Tal é conhecido de toda a gente, assim como os meios de evitar contactos transmissores de doença. Se acaso houver alguém que ainda não saiba, fica a informação que o vírus não atravessa um preservativo! Também é conhecido que, apesar de não haver actualmente nem vacina nem cura para a SIDA, existem meios de tratamento com relativa eficácia: algumas drogas químicas como o AZT, combinadas e em doses que não deixam de provocar efeitos secundários, podem em muitos casos adiar, mesmo indefinidamente, as manifestações da doença. Em todo o mundo, enquanto a SIDA cresce (nomeadamente em África) são procurados em institutos e laboratórios meios eficazes de prevenir e tratar a doença. E há a esperança que os cientistas consigam um dia vencer o vírus, antes que o vírus nos vença a nós. Um físico, porque conhece por dentro os mecanismos de funcionamento da ciência (e da sua filha, a tecnologia, apesar desta ser uma filha pródiga que saiu de casa e leva uma vida por vezes pouco recomendável), acredita no vírus sem nunca o ter visto, nem mais novo nem mais velho. Sabe que ele foi identificado nos anos oitenta por colegas seus cientistas. Lembra-se bem de ter lido em revistas de divulgação e também nos media o debate sobre a prioridade da descoberta, entre o francês Luc Montagnier e o norte-americano Max Gallo. Sabe que essa identificação passou por um crivo muito apertado que é o reconhecimento dos pares e que só depois disso ela foi publicada em revistas científicas especializadas. Sabe que depois da descoberta esta foi escrutinada e confirmada em numerosos laboratórios e que os novos meios de tratamento se baseiam obviamente na natureza e acção dos microorganismos portadores da doença. Apesar de ser uma doença letal, que chega a todos (e não apenas a homosexuais e drogados, como muita gente julgava), a que alguém já chamou uma “praga do fim do século”, trata-se apenas de um efeito desregulador causado por vírus, que está ser, cada dia que passa, mais bem conhecido e, por isso, mais bem combatido. Mas será que toda a gente sabe que a SIDA vem de um vírus, pequeníssimo e invisível a olho nú, e que, baseado no conhecimento que advém desse facto, actua em conformidade com o nosso melhor conhecimento sobre a propagação viral nos humanos? Infelizmente não... Este é um dos muitos casos de ignorância científica que pululam no mundo moderno. A sociedade moderna é dominada pela ciência mas parece que a mente humana teima em não reconhecer esse domínio. E o pior é quando a ignorância científica está instalada no governo das nações, ampliando devastadoramente os seus resultados a uma escala colectiva. É isto, a falta de cultura científica nos cidadãos e nos governos, que mais pode preocupar um físico, a propósito da SIDA. É um facto que a generalidade dos governos tem actuado de acordo com aquilo que é o nosso melhor conhecimento da SIDA, realizando campanhas públicas de prevenção, fornecendo meios de diagnóstico e modernizando os meios de tratamento. Mas um contra-exemplo que vale a pena apontar como “campeão” da ignorância científica é o actual governo da África do Sul, personalizado na pessoa do presidente Thabou Mbeki. Mbeki, infeliz sucessor do grande Nelson Mandela, diz não acreditar que a SIDA seja causada por vírus. Atribui a doença ao subdesenvolvimento e à má-nutrição, chegando a sugerir que são os próprios meios de tratamento (o AZT e outros) que causam a doença. Morrer-se-ia não da doença mas da cura! O seu pensamento radica numa ideia muito “sui generis” e muito errada de ciência, que faz lembrar a “ciência alemã” do tempo da Segunda Grande Guerra. O que é africano ou sul-africano é bom, o que vier de fora é necessariamente mau. A tal ponto que, quando alguns médicos sul-africanos propuseram um remédio absurdo para a SIDA (o viroderme, que tanta controvérsia deu mas de que já ninguém fala, e que apareceu associado ao nome de uma médica portuguesa), tal solução foi imediatamente apoiada por autoridades sul-africanas em detrimento de outras que, apesar de cientificamente mais sólidas, não eram africanas. Mbeki chegou a patrocinar reuniões sobre a SIDA em que cerca de metade dos convidados eram vozes heterodoxas dos meios médicos e farmacêuticos, que são ultra-minoritários na comunidade científica, procurando auxílio científico às suas teses. Pode parecer estranho a um leigo que a ciência contenha contradições e contraditores. Pois não é a ciência certa? Não, a ciência não é certa, mas contém em si, no seu método, um caminho para nos livrarmos progressivamente da incerteza. Para nos livrarmos do erro. E o método científico tem o seu juiz no consenso da própria comunidade científica especializada num dado assunto, perante todo o conjunto de provas produzidas. Não é de maneira nenhuma necessária unanimidade para se chegar a um resultado científico mas tão só e simplesmente maioria (quantos disparates se ouvem por aí por não se conhecer a metodologia científica: veja-se o caso português da co-incineração!). Há uns, poucos, cientistas que não acreditam no vírus: um deles é muito conhecido, Peter Duesberg, professor de Biologia Molecular na Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos. Não são necessariamente pessoas estúpidas, apesar de também o poderem ser. E têm todo o direito a expandir a sua opinião (fazem-no de resto muito bem na Internet). É bom que a exprimam porque a ciência vive da disputa viva, do choque dos contrários. Mas a esmagadora maioria dos cientistas da SIDA reconhece a descoberta do vírus como a maior e melhor peça de conhecimento sobre a SIDA disponível até hoje, desenvolvendo a sua actividade em conformidade. Na África do Sul continua-se a morrer estupidamente de SIDA. Actualmente, cerca de 15% dos adultos de sexo masculino estão infectados e tal número tem uma tendência muito perigosa a crescer. Morre-se por ignorância própria (promiscuidade sexual, por exemplo) mas também por ignorância do governo (que dificulta a experimentação de fármacos anti-SIDA). Morre-se até inocentemente como as numerosas crianças que recebem o vírus no ventre ou dos seios de mãe seropositiva, sem que o governo e as autoridades de saúde lhes dêem qualquer atenção e prioridade. Morre-se – e é uma das piores mortes – de ignorância científica. Saber alguma ciência, reconhecer o valor e o poder da ciência, actuar de acordo com o que a ciência actual diz pode ser uma questão de vida ou de morte. E é isto o que um físico tem a dizer sobre a SIDA.
September 28 2008, 3:33am | Comments »
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DIAS DO SOM
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Informação recebida do Museu de Ciência da Universidade de Coimbra:O Dia Mundial da Música (1 de de Outubro) vai ser celebrado no Museu da Ciência, com a iniciativa "Dias do Som". para mais informações ver aqui.
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September 27 2008, 10:15am | Comments »
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LIVROS QUE MUDARAM A CIÊNCIA
http://dererummundi.blogspot.com/2008/09/livros-que-mudaram-cincia.html
Eis dez “Livros que mudaram a ciência” sobre os quais o Nuno Crato e eu vamos falar logo na Biblioteca Municipal de Oeiras (ver aqui ): - Aristóteles (384-322 a.C.), Do céu (c. 300 a.C.)- Euclides (c. 330 a. C. - 260 a. C.), Elementos (c. 300 a.C.)- Cláudio Ptolomeu (c. 83 – 161), Almagesto (c. 150)- Nicolau Copérnico (1473-1543), De revolutionibus orbium coelestium(Sobre as revoluções das orbes celestes) (1543)- Pedro Nunes (1502-1578), De crepusculis (Do Crepúsculo) (1542)- Johannes Kepler (1571-1630), Epitome astronomia Copernicanae(Compêndio de Astronomia de Copérnico) (1617-1621)- Galileu Galilei (1564-1642), Sidereus Nuncius (Mensageiro das estrelas)(1610)e Dialogo di Massimo Sistemi del Mondo (Diálogo sobre os maiores sistemas do mundo) (1632)- Isaac Newton (163-1727), Philosophiæ Naturalis Principia Mathematica(Princípios Matemáticos de Filosofia Natural) (1687)- Charles Darwin (1809-1902), The Origin of Species (A Origem das Espécies)(1859)- Albert Einstein (1879-1955), Über die spezielle und die allgemeineRelativitätstheorie, gemeinverständlich (Sobre a relatividade restrita e geral,ao alcance de todos) (1917)
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September 25 2008, 9:56am | Comments »







