Crónica publicada no "O Despertar"A maior parte do Universo cósmico que conhecemos, ou melhor, que mal conhecemos, não é visível! 85% da matéria que se calcula existir no Universo não se comporta como o Sol, por exemplo, irradiando radiações electromagnéticas. Essa matéria tem composição desconhecida. Pressupõe-se, hipoteticamente, que seja constituída por partículas fundamentais que, por ora, são virtuais, sendo principais candidatos as WIMP (partículas massivas que interagem fracamente) e as MACHO (objecto com halo compacto e grande massa) e, eventualmente, o Bosão de Higgs. Refira-se que a matéria negra do Universo também não reflecte qualquer tipo de radiação electromagnética: nem na zona do espectro visível, nem ondas de rádio, nem microondas. Nada. Só sabemos que existe pela sua acção gravitacional sobre a restante matéria, estrelas e outros astros e aglomerados deles, em que nos incluímos.Experiências recentemente efectuadas no Grande Acelerador de Hadrões do CERN, o maior acelerador de partículas do mundo, e comentadas pelo Físico Teórico Gianfranco Bertone (ver aqui o seu livro sobre as partículas da matéria negra) no último número da prestigiada revista Nature (aqui), indicam que estamos na antecâmara da descoberta sobre a constituição desta matéria negra. Na esquina de uma próxima colisão de partículas, poderá estar o nascimento de uma renovada compreensão do Universo, ruptura e emergência de novos paradigmas, comprovação e eliminação das inúmeras hipóteses e teorias que hoje gravitam no humano pensamento.Vivemos hoje, nesta era das tecnologias da informação, esta sensação de estarmos sentados na plateia do mundo, expectantes, a observar, quase em directo, o resultado de experiências que podem mudar o entendimento da matéria e da energia que somos feitos. Vivemos, nesta era feita de ciência e tecnologia, um momento único de argúcia cósmica e sub-atómica, numa amálgama de rigor, de espanto e de emoção. É também esta a nossa humanidade.António Piedade
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85% de matéria...
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November 23 2010, 6:44am | Comments »
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CIÊNCIA NO BENFICA TV
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Hoje, entre as 11 h e as 12 h, no canal de cabo Benfica TV, o físico Armando Vieira, autor de um artigo publicado na "Physics Teacher" sobre a física do pontapé, fala sobre ciência e futebol.
November 23 2010, 3:20am | Comments »
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DOIS ANOS DO CENTRO CIÊNCIA VIVA RÓMULO DE CARVALHO
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Informação recebida do Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho, em Coimbra:O Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho convida a brindar pelo segundo aniversário, quinta-feira, 25 de Novembro, pelas 18h, na sala 7, do rés-do-chão do Departamento de Física, da Faculdade de Ciências e Tecnologia, pólo I, da Universidade de Coimbra. Serão recitados, na ocasião, poemas de António Gedeão.Na imagem: Rómulo de Carvalho / António Gedeão, cuja data de nascimento, 24 de Novembro, foi escolhida para a assinalar o Dina Nacional da Cultrura Científica.
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November 22 2010, 10:43am | Comments »
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SEMANA DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA
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Informação recebida da Agência Ciência Viva:A partir de hoje, dia 22, e até 28 de Novembro, a ciência e a tecnologia vão estar na ordem do dia em centenas de instituições científicas, universidades, escolas, associações, museus e Centros Ciência Viva de todo o País. Assinala-se a Semana da Ciência e da Tecnologia 2010.O Pavilhão do Conhecimento-Ciência Viva associa-se a esta iniciativa com um conjunto de actividades de divulgação científica para todas as idades. Estes são alguns exemplos das acções que pode encontrar neste centro de ciência ao longo dos próximos sete dias.Na terça-feira, dia 23, saiba como gerir as suas finanças em tempos de crise. Assista ao debate Economia - Portugal vale a pena com o director-adjunto do jornal Expresso e economista Nicolau Santos, às 18.00, no Café Ciência. A entrada é livre.Na quarta-feira, 24, celebre connosco o Dia Nacional da Cultura Científica e Tecnológica. A entrada é gratuita. Participe em diversas actividades experimentais e aproveite para conhecer as nossas sugestões de presentes científicos na Loja do Pavilhão. Este Natal coloque a ciência no sapatinho dos seus familiares e amigos.Na quinta-feira, dia 25, participe nos ateliês de construção de robots do Instituto Superior de Robótica de Coimbra e assista a uma partida de futebol robótico. E não se esqueça de passar pelo nosso Laboratório para explorar o mundo das nanotecnologias.Na sexta-feira, dia 26, marque presença na apresentação dos livros Breve História da Ciência em Portugal, de Carlos Fiolhais e Décio Martins, e Treze Viagens pelo Mundo da Matemática, de Jorge Buescu, Carlos Correia de Sá, Jorge Rocha e António Machiavelo. Saiba também porque razão é importante Ler + Ciência com a PARSUK - Associação de Jovens Investigadores do Reino Unido. Assista ainda à Dança Robótica: Jess.ISR.uc.pt, concebida por um grupo de estudantes do Ensino Secundário que este ano se sagraram campeões mundiais da classe 15-19 anos do RoboCup, Singapura.No sábado, dia 27, quem manda no Pavilhão do Conhecimento é Rui Horta, coreógrafo e director do centro multidisciplinar de pesquisa e criação O Espaço do Tempo. Das 11.00 às 20.00, as artes performativas vão misturar-se com a ciência numa programação para todas as idades. O bilhete de entrada, válido para todo o dia, custa 1 euro.Descubra que a electrónica pode ser divertida construindo robots solares em família, ou arme-se de paciência e faça uma mini-horta com caixas de ovos. Assista à performance de uma "bailarina bizarra" e ao espectáculo Local Geographic, uma metáfora de Rui Horta que tem por base a ideia de que "a melhor maneira de nos encontrarmos é perdermo-nos".Durante o fim-de-semana visite A Ciência Portuguesa Ilustrada, uma exposição de fotografia promovida pelo Pavilhão do Conhecimento e a National Geographic que dá a conhecer os dez projectos de energias renováveis que estão a tornar o nosso país mais verde e junte-se à conversa com os investigadores.Sábado e Domingo não vai resistir a entrar na Garagem do Pavilhão do Conhecimento. Seguindo o lema de que a necessidade aguça o engenho, convidámos um grupo de engenheiros, artistas e inventores a transformar um monte de resíduos tecnológicos em máquinas fabulosas com as mais diversas finalidades. Participe você também neste encontro de Engenho & Engenhocas.Marque a Semana da Ciência e Tecnologia no seu calendário. Esperamos a sua visita!Programa completo em http://www.pavconhecimento.pt.Na imagem: espectáculo do coreógrafo Rui Horta.
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November 22 2010, 10:32am | Comments »
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Teatro científico na Universidade Nova de Lisboa
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23 Novembro, em celebração do Dia Nacional da Cultura Científica que se comemora a 24 de Novembro, sobem ao Auditório da Biblioteca da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa os espectáculos de teatro Nascer da evolução (criado para a Noite dos Investigadores 2009) e Método Bosão de Higgs (criado para a Noite dos Investigadores 2010).O espectáculo será seguido de conversa com os autores dos textos.17h3023 de NovembroAuditório da Biblioteca da Faculdade de Ciência e Tecnologia Universidade Nova de LisboaMonte da CaparicaEntrada LivreO MÉTODO DO BOSÃO DE HIGGSVenha conhecer um método desenvolvido nos melhores e maiores aceleradores de partículas do mundo e que o pode ajudar a viver melhor. O método do bosão de Higgs contempla uma dieta que segue os mais avançados princípios da física de partículas, uma farmacologia quântica que permite tratar a maioria das patologias (incluindo a melancolia invernal), um creme anti-rugas relativista com partículas à velocidade da luz e um escudo iónico que protege da radiação cósmica (tão prático como um vulgar guarda-chuva). Um espectáculo que aumenta a sua longevidade média, recomendado por 9 em cada 10 físicos teóricos. Os espectadores deste espectáculo têm menos 0,5% de probabilidades de partir uma perna.De: David MarçalEncenação: Amândio PinheiroCom: Sara PazDirecção técnica: Filipe PinheiroVídeo: Patrícia SaramagoCom a participação especial dos investigadores da Universidade de Coimbra: Ângelo Tomé, Carlos Fiolhais, Ercília Sousa, Filipa Heitor, Inês Morte, João Rodrigues, Paulo Gama Mota, Raquel Ferreira, Rui Carvalho e Sílvia Barbeiro.NASCER DA EVOLUÇÃOA acção decorre num mundo futurista não muito distante em que as teorias do criacionismo e do desenho inteligente prevaleceram sobre a Evolução, que é vista como uma teoria retrógada e obsoleta. Neste contexto, um médico e investigador (o Dr. João Honório), acaba por descobrir através das sua prática clínica que as bactérias podem desenvolver resistência a antibióticos - o que é um exemplo de evolução. Cai em desgraça na comunidade científica e vê-se remetido ao seu corpo, como último reduto para prosseguir os seus trabalhos de investigação.O espectáculo faz uma alusão implícita aos movimentos crescentes, especialmente nos EUA (felizmente ainda com uma expressão limitada em Portugal) que procuram fazer passar o Desenho Inteligente (a ideia de que a biodiversidade resulta de uma criação inteligente) como uma teoria científica. É também uma abordagem sobre a capacidade de as bactérias desenvolverem resistência aos antibióticos, e a importância da utilização responsável de antibióticos.De: André Levy, a partir de uma ideia de David MarçalEncenação: Amândio PinheiroCom: Carlos AntónioCenografia e figurinos: Maria GonzagaDirecção técnica: Filipe PinheiroVídeo: João Leal e José Pedro MaganoParticipação especial em vídeo dos investigadores: Adérito Araújo, Ângelo Tomé, Ana Luísa Cardoso, Ana Rita Álvaro, Alexandrina Ferreira Mendes, Carlos Fiolhais, Cláudia Cavadas, Elisabete Augusto, Elsa Henriques, Raquel Ferreira, Paulo Gama Mota, Sara Trabulo, Sónia Duarte, Teresa Girão, Teresa RoseteProdução: cqd e CAUSA.ACApoios: Comissão Europeia, Museu da Ciência da Universidade de Coimbra
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November 21 2010, 3:52pm | Comments »
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O IMPACTO DAS PESCAS NA BIODIVERSIDADE MARINHA
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Informação recebida do Museu de Ciência da Universidade de Coimbra:CICLO DE CONFERÊNCIAS - BIODIVERSIDADE 2010No âmbito do Ano Internacional da Biodiversidade 2010, o Museu da Ciência, em colaboração com o Jardim Botânico da Universidade de Coimbra, organiza um conjunto de conferências sobre biodiversidade destinadas ao público em geral. Mensalmente, entre Maio e Dezembro, cientistas convidados abordarão diversos temas relacionados com os factores que afectam a biodiversidade e os desafios que se colocam à sua conservação. PRÓXIMA CONFERÊNCIAO IMPACTO DAS PESCAS NA BIODIVERSIDADE MARINHA18 DE NOVEMBRO | 15H00Entrada GratuitaOS IMPACTOS HUMANOS NOS OCEANOS: A FALÊNCIA DA GESTÃO DE PESCASEmanuel Gonçalves, Unidade de Investigação em Eco-etologia do Instituto Superior de Psicologia AplicadaÉ hoje facto assente que uma das acções mais visíveis do processo de globalização verificado no último século foi o delapidar dos recursos naturais do Planeta a escalas nunca antes imaginadas. Em particular, nos Oceanos onde esse assunto esteve sempre mais invisível dada a natureza remota dos habitats aí explorados, estes impactos atingiram proporções inconcebíveis. Existem no entanto diversas razões para que este assunto tenha estado ausente da agenda política e, ainda hoje, encontre a nível dos decisores resistências muito significativas à mudança de práticas. Parte dessas razões são culturais, outras pertencem ao domínio da mitologia colectiva e outra parte relacionam-se com a falência do modelo de gestão de pescas que se impôs no último século. Exploram-se nesta palestra as principais consequências dos impactos humanos no Oceano, com especial ênfase às formas de extracção de recursos biológicos e apontam-se alguns caminhos para o futuro.A BIODIVERSIDADE MARINHA E AS PESCASTeresa Borges, Faculdade de Ciências do Mar e do Ambiente da Universidade do AlgarveDurante a actividade de pesca, para além da captura das espécies comerciais alvo, são capturadas outras espécies denominadas de captura acessória, de que fazem parte espécies na sua maioria com valor comercial baixo ou nulo, o que leva a serem rejeitadas ao mar. Esta captura acessória é inevitável devido à pouca selectividade das artes de pesca, podendo, muitas vezes ser quase toda ou toda rejeitada ao mar.Estudos recentes indicam que das mais de 1 100 espécies capturadas pelas principais artes de pesca a actuarem no Algarve (arrasto, cerco e redes de emalhar), cerca de 69% são sempre rejeitadas, 27% frequentemente rejeitadas e somente 4% são ocasionalmente rejeitadas.Estes estudos demonstram que o número de espécies rejeitadas é muito superior ao das espécies comercializadas, sendo a maior parte das espécies não só completamente desconhecidas do público em geral, como até pouco ou nada se saber sobre a sua biologia e ecologia, o que constitui um perigo real para a gestão e manutenção da biodiversidade e equilíbrio ecológico marinho.Mais informações aqui
November 17 2010, 8:56am | Comments »
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O Lobo, um bicho “cada-vez-menos-mau”?
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É a única espécie da fauna que tem, a nível nacional, uma legislação específica pela qual é estritamente protegida. É também um dos poucos animais míticos que persiste no imaginário popular e na tradição oral portuguesa.O Museu da Ciência da Universidade de Coimbra junta na próxima sexta-feira, 12 de Novembro, uma dezena de especialistas das artes e das ciências para partilharem com o público a sua experiência acerca do Lobo.O que se esconde para além das características biológicas e comportamentais do Lobo? Que imagem do Lobo é hoje transmitida pela memória colectiva portuguesa? Espécie em perigo, considerada prioritária de interesse comunitário pela Directiva Habitats, o Lobo ainda é controverso.Mais informações aqui e aquiA entrada é livre.
November 10 2010, 4:23am | Comments »
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CASULOS, FIOS DE SEDA E BORDADOS DE CASTELO BRANCO
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Acaba de sair na Bizãncio o livro .º 10 da colecção "Ciência a Brincar", intitulado "Ciência no tempo dos nossos avós", de Dolores Alveirinho, Helena Margarida Tomás e Margarida Afonso. Por amável da editora publicamos uma das experiências do livro destinado a um público infantil:CASULOS, FIOS DE SEDA E BORDADOS DE CASTELO BRANCO“Que bonitos são os bordados de Castelo Branco! O fio do bordado é deque material, avó? É tão brilhante…”- “Os bordados são de seda natural que é obtida a partir dos casulos dobicho-da-seda.”"Sabes que o casulo é um fio de seda enrolado e que o fio de seda é a babado bicho-da-seda? Pois é! O bicho-da-seda segrega uma baba que, em contactocom o ar, solidifica formando um fio muito fino e muito brilhante, comcerca de 1000 metros de comprimento. É este fio que é o fio de seda.Queres agora saber como se extrai o fio de seda do casulo? Então vamosexperimentar! Com esta experiência vais perceber por que razão o fio éextraído a quente.Enche de água, até cerca de dois terços, dois copos de alumínio e introduzum casulo em cada um. Aquece a água de um deles até cerca de 60 ºCe deixa o outro à temperatura ambiente. Passados cerca de 10 minutos,com um pauzinho, faz movimentos circulares e tenta encontrar o início dofio em ambos os casulos. Vês como é fácil desenrolá-lo em água quente? Ena água fria, conseguiste? Observa a cor da água dos dois copos. É igual?Repara que, ao mesmo tempo que enrolas o fio de seda no pauzinho,desenrolas o casulo: estás a desfazer o bonito novelo de seda brilhanteque o bicho-da-seda fez!E por que será que só conseguiste extrair o fio de seda a quente? A respostaestá na constituição do próprio fio. Uma das substâncias que o formapossui propriedades adesivas, como a cola, mantendo o fio de seda unido.Para desenrolar o fio do casulo temos que dissolver essa cola, mas isso sóé possível em água quente. É a presença da cola na água que lhe confere acoloração amarelada. A frio, não o conseguimos e o fio parte-se.É esta a razão porque, no tempo das nossas avós, para extrair o fio de seda,se faziam grandes lumes e os casulos eram mergulhados em grandes panelasde cobre, chamadas caldeiras. Quando a água aquecia, para encontraro início do fio, mexiam-se os casulos com uma vassourinha de ramossecos de uma planta chamada carqueja."Dolores Alveirinho, Helena Margarida Tomás e Margarida Afonso
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November 9 2010, 5:10pm | Comments »
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"JÁ NÃO TEREI TEMPO" DE HUBERT REEVES
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Minha curta apresentação em vídeo do último livro de Hubert Reeves, "Já não terei tempo" (Gradiva): aqui.
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November 9 2010, 4:43pm | Comments »
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OS LIVROS DE RÓMULO DE CARVALHO
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Aproxima-se - é já a 24 de Novembro - outro aniversário de nascimento de Rómulo de Carvalho, o patrono do Dia Nacional da Cultura Científica. Recupero, por isso, um texto meu sobre os seus livros, que tanto admiro, saído no meu livro "Curiosidade Apaixonada" (Gradiva, 2005):Para além da sua obra poética e de ficção (da pena de António Gedeão), Rómulo de Carvalho deixou-nos uma vasta e variada bibliografia ensaística, que inclui livros de divulgação científica, obras de história da ciência e manuais escolares. A primeira categoria engloba os livros da colecção “Ciência para Gente Nova” e os dois tomos de “Física para o Povo”, inicialmente editados pela falecida editora Atlântida, de Coimbra, e alguns dos quais foram reeditados pela editora Relógio d’Água, de Lisboa, na sua colecção “Ciência”. Inclui ainda os finos “Cadernos de Iniciação Científica” da Sá da Costa, que entretanto foram também reeditados pela Relógio d’Água num único volume. A segunda abrange um vasto número de títulos à volta da prática científica no Portugal do século XVIII, de que merecem destaque os três pequenos livros de resenha publicados pelo Instituto de Cultura e Língua Portuguesa “A Física Experimental em Portugal no Século XVIII”, “Astronomia em Portugal no século XVIII” e “A História Natural em Portugal no Século XVIII” (Rómulo escolheu para grande tema de estudo a ciência setecentista já que a ciência dos Descobrimentos tinha sido foco da atenção de outros autores e a ciência em Portugal do século XIX pouco mais foi do que inexistente). Merecem ainda referência especial a “História do Gabinete de Física da Universidade de Coimbra”, publicado pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, e os dois grandes volumes, um publicado nos últimos anos de vida e outro mesmo póstumo, “Actividades Científicas em Portugal no Século XVIII” (colecção de memórias da Academia de Ciências de Lisboa) e “Colectânea de Estudos Históricos” (estudos vários de história da ciência), ambos do prelo da Universidade de Évora. Por último, de entre os manuais escolares, quase todos em co-autoria e de qualidade não uniforme, merecem destaque os volumes “Ciências da Natureza” para o ciclo preparatório do ensino secundário. Como ensaios não classificáveis no esquema apresentado mas de grande fôlego refiram-se dois, relativamente tardios e ambas editados pelo Serviço de Educação da Fundação Calouste Gulbenkian, “História do Ensino em Portugal” e “O Texto Poético como Documento Social”. É obra!Vejamos com mais pormenor cada um desses compartimentos bibliográficos.- Livros de divulgação científicaRómulo de Carvalho fez divulgação científica - e da melhor! - quando entre nós quase não havia divulgação científica. Embora as suas aulas, conta quem foi seu aluno, tenham ficado inolvidáveis, os livros aumentaram de maneira extraordinária o raio de acção do Professor. Houve quem quis ser cientista para saber os mistérios da física moderna que não apareciam nos manuais de física de antanho (ainda hoje quase não aparecem...) Para além de ter examinado alguns instrumentos baseados na ciência clássica, como o balão, Rómulo levantou a ponta do véu do pequeno átomo e do pequeníssimo núcleo no seu seio nos livros “História do Átomo”, “História da Radioactividade”, “História dos Isótopos” e “História da Energia Nuclear” da colecção “Ciência para Gente Nova”. É nítido logo a partir do título o valor pedagógico da história: a ciência é uma construção humana e aprende-se melhor se se conhecer o modo como ela se desenvolve. Nos livros do Mestre é claro ainda o primado da observação e da experiência: as coisas são como são porque alguém viu e experimentou, e nós, se formos suficientemente curiosos e hábeis, também podemos ver e experimentar. A linguagem, apesar de algo clássica, é sugestiva e motivadora, o que só se consegue por uma mistura das artes da retórica e da imaginação que não está ao alcance dos escritores menores. Por isso, esses livros conservam a frescura inicial e, se o leitor os encontrar numa feira do livro de ocasião, considere-se feliz por os poder levar consigo para sua leitura privada.A atitude experimental, que é inimiga da especulação gratuita e do preconceito falacioso, transparece também nos dois tomos de “Física para o Povo” a propósito dos fenómenos da física clássica (os dois tomos foram fundidos num só, na moderna edição da Relógio d’Água, intitulada “A Física no Dia-a-Dia”, com prefácio de José Mariano Gago e patrocínio do Instituto Camões e do Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro). Trata-se de uma prosa didáctica, escrita a pensar directamente no cidadão comum, a quem o autor gentilmente trata por “meu caro amigo”. Elucidativo sobre a omnipresença da ciência nas nossas vidas é o modo como são colocadas questões e dadas respostas sobre os mais fenómenos do nosso quotidiano. A Física não é uma actividade exótica mas tão só a tentativa de descrever e explicar o mundo onde vivemos. A “Física para o Povo” é um conjunto de aulas particulares, explicações, só para o “caro amigo”, o leitor que não quer ficar alheio ao mundo que o rodeia.Finalmente, os “Cadernos de Iniciação Científica”, da Sá da Costa, que se destinam em primeira linha a jovens (a nova edição, da Relógio d’Água, junta todos os cadernos num só, prático, volume), “pretendem ser um meio de informação atraente, pela simplicidade da linguagem e pela apresentação gráfica, de conceitos fundamentais das ciências físicas” (do texto de apresentação da colecção). São, com os manuais escolares, os mais ilustrados dos livros de Rómulo, mas estes livrinhos, ao invés dos manuais, não querem seguir programas mas sim contar histórias, discutir ideias e prazentear leitores.- Livros de história da ciênciaDesde muito cedo Rómulo de Carvalho se interessou pela história da ciência em Portugal, nomeadamente o século XVIII. Os seus três livros da colecção Biblioteca Breve do Instituto de Cultura e Língua Portuguesa são inescapáveis a qualquer estudante que se queira iniciar na época iluminista em Portugal. Em Coimbra, trabalhou na catalogação do Gabinete de Física, hoje Museu de Física, e escreveu várias memórias sobre peças desse rico acervo. E deixou um volume notável “História do Gabinete de Física da Universidade de Coimbra”, onde, em mais de sete centenas de páginas de aspecto austero e salpicadas de gravuras antigas, se descrevem os preciosos instrumentos científicos da colecção do Museu de Física. Essa colecção, que hoje pode ser visitada “in situ” remonta ao Colégio dos Nobres, em Lisboa. Foi Rómulo de Carvalho quem nos contou a “História do Colégio dos Nobres”, num volume da editora Atlântida muito anterior à “História do Gabinete...”. O actual catálogo do Museu (“O Engenho e a Arte”), que no essencial retoma o catálogo (“Les Mécanismes du Génie”) da exposição da Europália na Bélgica, seria impossível sem o trabalho meticuloso e paciente que Rómulo de Carvalho realizou no belo edifício pombalino quando ele ainda estava fechado à curiosidade e à admiração de todos. Também o Museu Maynense da Academia das Ciências deve muito (quase tudo) a Rómulo de Carvalho, que foi seu director. Dedicou a esse Museu e à Academia boa parte dos seus derradeiros anos, como é certificado pelo volume “Actividade Científica em Portugal no Século XVIII”, publicado em Évora por ocasião do doutoramento “honoris causa” concedido justamente pela universidade local. É especialmente útil para os estudiosos a bibliografia muito completa sobre história da ciência em Portugal, que se encontra nesse volume.- Manuais escolaresO lema dos compêndios “Ciências da Natureza”, que têm capas do conhecido “designer” Sebastião Rodrigues, vem logo na Introdução: “Atrás do aprender vem o saber, e o saber é uma riqueza que por mais que se use nunca se gasta”. O melhor elogio que se pode fazer a estes livros é que por vezes não parecem manuais escolares. Com efeito, se noutros manuais de Rómulo de Carvalho a sua prosa mais característica se encontra abafada, aqui ela solta-se, trazendo para o universo da escola a indagação e a curiosidade que muitas vezes estão apartadas dele por motivos inexplicáveis. Há quem testemunhe que Rómulo era um professor austero, difícil, autoritário. Estes compêndios testemunham o contrário. Há um poeta escondido dentro do professor, e, se o rigor era seu apanágio, ele não aparecia dissociado do encantamento e da sedução que é uma marca dos verdadeiros poetas.- Outros livros de ensaio“A História do Ensino em Portugal”, com o subtítulo “Desde a fundação da nacionalidade até ao fim do regime de Salazar-Caetano”, é uma obra verdadeiramente enciclopédica, contendo informação factual cuja “secura” é contrabalançada amiúde pelo comentário e opinião. O livro é obrigatório para todos os que se interessam pelo ensino em Portugal. O ensino de hoje é, afinal, resultado de um passado feito de mil incidentes e circunstâncias que não podem ser ignorados se o queremos compreender e, acima de tudo, modificá-lo. Rómulo de Carvalho não foi apenas um dos nossos maiores pedagogos mas também um dos maiores estudiosos da nossa pedagogia.O “Texto Poético como Documento Social”, ensaio sobre a poesia como arma de documento e crítica, termina, tal como “A História do Ensino em Portugal”, com a revolução de 25 de Abril de 1974. Apesar de lhe ter sobrevivido 23 anos, Rómulo de Carvalho foi, por natural formação, um homem marcado pelo tempo anterior, um homem com uma revolta intelectual algo contida que apenas extravasava em textos poéticos de clara revolta social. Em “O Texto Poético...” procurou dissecar esse poder oculto da poesia que é o poder de transformar o mundo.
November 6 2010, 4:44am | Comments »






