Apontamento do bioquímico António Piedade:A semana que passou desvendou-nos avanços no conhecimento científico e tecnológico resultantes da nossa capacidade de ver muito para além daquilo que o nosso sentido da visão permite. Foi notícia a identificação e confirmação de um sistema solar semelhante ao nosso, com sete planetas a orbitar em torno da estrela HD 10180, a cerca de “só” 127 anos-luz de distância, na constelação da Hidra visível no hemisfério Sul (ver aqui). Foi publicado na revista “Science” um próximo sub-microscópio com resolução nanométrica do adenovírus, vírus com ADN que nos causa doenças nas vias respiratórias. Esta resolução de 3,5 Ångström permite segundo os autores mapear nunca como dantes as relações moleculares entre os distintos constituintes do vírus, abrindo assim novas portas para o conhecimento fino do seu ciclo viral, assim como para a detecção e desenvolvimento de novas alvos e estratégias terapêuticas contra esta família de vírus ( aqui).Os olhos são epicentros do nosso sistema de visão e logo da nossa capacidade em observarmos o mundo que nos rodeia. Também por isso, realço uma notícia importante para a visão e que foi a publicada na revista “Science Translational Medicine”. No último número são apresentados os resultados obtidos nos ensaios clínicos de fase 1 de aplicação de uma córnea biossintética e suas potencialidades como alternativa à substituição da correspondente estrutura ocular natural, na falta de dadores humanos. (aqui).António Piedade
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Ver Melhor Tão Longe e Tão perto
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August 30 2010, 10:50am | Comments »
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NOITE DOS INVESTIGADORES 2010
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Informação recebida do Museu de Ciência da Universidade de Coimbra (UC):Dia 24 de Setembro: Cientistas regressam à ribalta para nova edição da Noite dos InvestigadoresEvento promovido pela Comissão Europeia chega a Coimbra graças ao Museu da Ciência da UCAs actividades são muitas, mas o objectivo é um só: aproximar os cientistas do público em geral. No dia 24 de Setembro, a partir das 15 horas e até à meia-noite, o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra acolhe a “Noite dos Investigadores” e uma nova performance dos “Cientistas ao Palco”.Qual é o impacto da ciência na nossa sociedade? Em que consiste o quotidiano dos investigadores? Para o saber, nada melhor do que falar directamente com os cientistas. Na sexta-feira, 24 de Setembro, a “Noite dos Investigadores” começa em Coimbra às 15 horas, com “Conversas com Cientistas”, e prolonga-se pela noite dentro com uma sessão de ‘Speed Dating’, onde as pessoas podem ver as suas questões esclarecidas em curtos diálogos com os investigadores da Universidade de Coimbra.Dirigidas ao público escolar, as conferências abordam diversas temáticas. Nuno Empadinhas (Centro de Neurociências e Biologia Celular - CNC) irá falar d’‘O Planeta das Micobactérias’, João Fernandes (Dep. de Matemática, FCTUC) de ‘Um universo cheio de planetas’ enquanto que Emília Duarte (Dep. de Ciências da Vida, FCTUC / CNC) fechará as “Conversas com Cientistas” com uma intervenção sobre a ‘Vida longa para os neurónios – protecção e regeneração’.Para perceber melhor a ciência, reflectir e discutir sobre o trabalho desenvolvido pelos investigadores, os participantes também poderão pôr mãos à obra, através das experiências interactivas e observações astronómicas promovidas pelo Museu da Ciência da UC. O teatro será outro meio de comunicação dos cientistas com o público, graças aos “Cientistas ao Palco”.A ciência também explicada graças ao teatro“Cientistas ao Palco” é um dos projectos portugueses seleccionado pela Comissão Europeia para a Noite dos Investigadores. Decorre pela segunda vez em Coimbra e convida cientistas a subir ao palco para interpretar peças produzidas para o evento.Serão apresentados em Coimbra, este ano, os espectáculos “Método Bosão de Higgs”, de David Marçal (às 21h30 e às 23h00) e “As Moscas são Ratos que Voam”, uma produção da companhia MARIONET (às 18h00 e às 21h30).O Museu da Ciência da Universidade de Coimbra conta, na iniciativa, com o apoio do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC), do Departamento de Ciências da Vida e do Departamento de Matemática da FCTUC, da companhia de Teatro MARIONET e da associação Alpha Centauri.A iniciativa “Cientistas ao Palco - 2010” tem lugar no próximo dia 24 de Setembro em Coimbra, Porto, Lisboa e Olhão. É desenvolvida pelo Museu da Ciência da UC em paralelo com mais 8 instituições nacionais de investigação e de divulgação da cultura científica, entre as quais o Instituto de Biologia Molecular e Celular, o Centro de Astrofísica da Universidade do Porto, o Instituto Gulbenkian da Ciência (Fundação Calouste Gulbenkian) e a Universidade do Algarve.Mais informações: aqui e aquiPrograma:TEATRO (18h00 – 23h30)- Método Bosão de Higgs | de David Marçal (21h30 e 23h00)- As Moscas são Ratos que Voam | MARIONET (18h00 e 21h30)CONVERSAS COM CIENTISTAS (15h00 – 18h00)Cientistas de diferentes áreas falam sobre a investigação científica que desenvolvem, numa conversa dirigida ao público escolar.15h00: O Planeta das Micobactérias | Nuno Empadinhas (CNC)16h00: Um universo cheio de planetas | João Fernandes (Dep. de Matemática, FCTUC)17h00: Vida longa para os neurónios – protecção e regeneração | Emília Duarte (Dep. de Ciências da Vida, FCTUC / CNC)SPEED DATING (21h00 – 24h00)Cientistas da Universidade de Coimbra estarão disponíveis para curtas conversas com o públicoCIÊNCIA AO VIVO (21h00 – 24h00)Assista a demonstrações ao vivo de experiências científicasEXPERIÊNCIAS INTERACTIVAS (15h00 – 24h00)Actividades hands-on (mãos na massa) para todosEXPOSIÇÕES (15h00 – 24h00)Conheça os Segredos da luz e da matériaOBSERVAÇÕES ASTRONÓMICAS (21h00 – 24h00)Venha observar o céu e conhecer os seus segredos
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August 27 2010, 3:29pm | Comments »
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SUPER-RESISTENTES
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Crónica do bioquímico António Pidade saída no "Diário de Coimbra":As bactérias, formas de vidas unicelulares procariótas, existem no planeta Terra há pelo menos 3 biliões de anos. Foram pela primeira vez identificadas pelo Homem através do microscópio de Leeuwenhoek em 1676, apesar de o nosso organismo sempre ter convivido com elas e depender de algumas delas para o bom estado de saúde. Devemos a Louis Pasteur e Robert Koch as primeiras provas de que estes microrganismos podem causar doenças nos organismos que as “hospedam” (hospedeiro) e causar-lhes paradoxalmente a morte. Isto é válido para vermes, insectos, animais selvagens e domésticos e, naturalmente, para o homem. As bactérias encontram nestes organismos as condições apropriadas para a sua sobrevivência e propagação. Mas o que para elas é um “paraíso”, para nós pode tornar-se um inferno com temperaturas elevadas, chagas e outras maleitas que ainda hoje termina na morte.Ao longo da evolução inúmeras espécies de bactérias desenvolveram um arsenal químico de substâncias e estruturas biomoleculares com o objectivo de ganharem vantagens na luta pela sobrevivência. Muitas dessas substâncias, designadas genericamente por Antibióticos, “matam” bactérias de outras espécies, diminuindo assim a competição por alimentos moleculares como a glicose.A nossa luta científica contra as bactérias iniciou-se com a compreensão destes mecanismos naturais de guerra química bacteriana de que resultou o desenvolvimento do primeiro antibiótico por Paul Ehrlich, em 1910.Foi o início de uma luta permanente contra as bactérias. Permanente, porque as bactérias têm a habilidade “inata” em contornar os obstáculos moleculares à sua sobrevivência, ao fim de algumas gerações que, caso geral, duram entre horas a alguns dias. Daqui a importância em fazer a terapia antibiótica até ao fim, para minimizar que uma eventual geração encontre a forma de resistir ao antibiótico agressor.Mas a resistência bacteriana aos antibióticos desenvolvidos pelo Homem é impressionante e muitas vezes estirpes resistentes são identificadas. Ou então, são identificadas novas estirpes de bactérias que emergem do mar bacteriano como se estivessem estado a fazer estágio contra os antibióticos e apresentam resistências insuspeitas. É o caso de bactérias do género das enterobacteriaceae, que causam infecções no aparelho gastrointestinal entre outros órgãos, identificadas recentemente no Reino Unido, mas com epicentro localizado em Nova Deli (Índia) e no Paquistão. A espionagem bacteriana genética desenvolveu uma “nova” enzima, a NDM-1 (de New Delhi metallo-β-lactamase 1) que confere a estas estirpes uma “super-resistência” aos antibióticos que actuam pela “destruição” da parede externa feita de peptidoglicano protecção essencial das bactérias classificadas por gram-negativas.O estudo descrevendo a sua identificação e alertando para um possível problema mundial na luta contra as super-resistentes bactérias acaba de ser publicado na revista “The Lancet” (aqui).António Piedade
August 17 2010, 11:26am | Comments »
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A FÍSICA DO FOGO
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Minha crónica no "Sol" de hoje:Para o filósofo grego Heráclito de Éfeso, que viveu nos séculos VI e V antes de Cristo, tudo provinha do fogo e tudo seria consumido pelo fogo. Mas o que é o fogo? Na Antiguidade era um dos quatro elementos. O conceito só ficou, porém, claro quando emergiram a física e a química. A meio do século XVIII, a Academia de Ciências de Paris anunciou um prémio para a melhor memória sobre a natureza do fogo. Embora o primeiro lugar tenha sido ganho pelo maior matemático da época, o suíço Leonhard Euler, aconteceu algo inédito: um escrito da autoria de uma mulher foi pela primeira vez galardoado pela Academia com a respectiva publicação. A autora de “Dissertação sobre a Natureza e a Propagação do Som” era a francesa Madame de Châtelet, amante do filósofo Voltaire, o qual, tendo também concorrido, viu o seu trabalho ser igualmente distinguido.Para se perceber o que era uma combustão foi preciso, no entanto, esperar pelos trabalhos do químico francês Antoine-Laurent Lavoisier (muito ajudado por sua mulher, Marie-Anne), que identificou o oxigénio, quase ao mesmo tempo que dois outros cientistas. O oxigénio, esse sim, é que é um elemento químico, sem o qual o fogo não pode existir. Quando uma árvore arde, compostos de carbono das fibras da madeira combinam-se com o oxigénio da atmosfera, produzindo dióxido de carbono e água, numa reacção que liberta energia, manifesta pela emissão de calor e de luz. No século XIX, de posse dessa explicação, o inglês Michael Faraday já podia descrever “a história química de uma vela”, em conferências populares que procuravam tornar simples o que é um fenómeno extremamente complexo.Um fogo é, portanto, química. Mas, mostrando que química e física andam juntam como duas irmãs siamesas, a propagação de um fogo só se consegue explicar com a ajuda da física. Tomemos um fogo florestal, esse mal infelizmente tão comum no nosso país em tempo de Verão. Para explicar o modo como progride um desses fogos, já temos de falar de fenómenos físicos como difusão, convecção, radiação, etc. Ora, se uma chamazinha de uma vela já é uma coisa muito complicada, o que dizer de um imenso e demorado braseiro como o que há poucos dias alastrou nas encostas da Serra da Gralheira, em S. Pedro do Sul? Os físicos são, porém, engenhosos: criaram modelos cujo objectivo é captar o essencial dos muitos e variados processos que ocorrem num grande incêndio. Curiosamente, esses modelos, que são explorados em simulações computacionais, servem não só para descrever fogos florestais mas também o espalhamento do petróleo derramado no mar ou ainda o avanço de uma epidemia como a gripe. Tudo males que podem ser mais bem atacados se se fizer melhor ideia do modo como avançam. Como já alguém disse: “Prever é prover!”
August 13 2010, 3:48am | Comments »
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Uma Mina de Ciência
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Recebi do geólogo Fernando Barriga esta excelente sugestão para uma viagem ao Alentejo durante as férias, que tenho todo o gosto em divulgar (logo que possa vou lá!):"No passado dia 30 de Junho foi inaugurado o mais recente Centro da Rede Ciência Viva: a Mina de Ciência - Centro Ciência Viva do Lousal. Trata-se de um Centro moderno e fascinante, com conteúdos interactivos e espaços dedicados às Ciências Naturais e Exactas - Geologia, Biologia, Fisica, Química e Matemática - e às Ciências do Virtual e Computação Gráfica. Poderá descobrir o novo centro em http://www.lousal.cienciaviva.pt/home/.Os conteúdos científicos disponibilizados neste Centro foram desenvolvidos por investigadores e docentes da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, Museu Nacional de História Natural e Museu de Ciência da Universidade de Lisboa, entre várias outras instituições. A equipa do Centro inclui monitores - licenciados e mestres - especialmente preparados nas áreas científicas em causa.O Lousal é uma antiga aldeia mineira do Concelho de Grândola, situada apenas a 1.15h de Lisboa, cujo programa de reabilitação, verdadeiramente exemplar a vários níveis, inclui, para além do Centro Ciência Viva, várias outras iniciativas já concluídas, que incluem um Museu Mineiro, um Centro de Artesanato, uma moderna Albergaria e um excelente Restaurante Regional.Durante as férias ou ao longo do próximo ano lectivo, convidamo-lo a divulgar ou a ponderar a possibilidade de planear uma visita pessoal, familiar ou com alunos ao Mina de Ciência - Centro Ciência Viva do Lousal .Contactos para esclarecimentos e marcações de grupos deverão ser feitos através do número 269 508 160 (número provisório), ou do e-mail: info@lousal.cienciaviva.pt - contacto preferencial Dr.ª Mafalda Abrunhosa."
August 12 2010, 6:15am | Comments »
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CAMINHOS NEURONAIS
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Nova crónica de António Piedade saída no "Diário de Coimbra": Caminho adentro um trilho florestal debruado por pinheiros e eucaliptos. As folhas acompanham-me com os versos do poeta andaluz, Manuel Machado: “…caminante no hay camino, se hace el camino al andar”. De facto, só ao caminhar desvendo o fluir do caminho, os seus trilhos efluentes, as suas sendas que ficam inexoráveis para trás.Caminho à beira-mar com a água salina a ondular a areia em vagas pulsantes. A cada onda, desaparecem os rastos dos meus passos. É como se a água levasse o caminho feito. A cada onda, renova-se o areal horizonte de meus passos futuros, como se uma nova folha se esbranquiçasse para receber, novamente virgem, o traço seguinte.Caminho ao longo de um axónio imaginário, prolongamento celular nervoso que nasce do corpo neuronal e se espraia até à enseada da sua ligação, ou sinapse, com o neurónio a quem passa o testemunho de uma mensagem que flui. Flui como uma onda salina de potássio e sódio, propulsionada por uma acção potencial de natureza electroquímica. A passagem de testemunho tem cambiantes químicos que modelam a mensagem com neurotransmissores específicos: serotonina e noradrenalina associadas ao “humor”; dopamina ao controlo motor; acetilcolina à aprendizagem e memória; ácido gama-aminobutírico à inibição; glutamato e aspartato à estimulação; et cetera.A vaga neurotransmissora banha o neurónio pós-sináptico, passo seguinte, e uma nova onda se espoleta e conflui com milhares de outras vindas de tantos outros neurónios, numa raiz dendrítica que encorpa no integrante corpo celular.E assim, de sinapse em sinapse, passo a passo, a mensagem faz o seu caminho e a via neuronal se estabelece, consequente, numa acção causal de efeitos complexos ainda pouco estabelecidos, porque muitos são os caminhos e muitas as suas intercomunicações em rede.Constelações neuronais em estruturas cerebrais específicas, delineiam caminhos e destinos ainda por identificar e relacionar com acções e sensações, com pensamentos e palavras.Alguns peregrinos, como Xim Jin e Rui M. Costa, encontraram em faróis banhados por vagas dopaminérgicas, os contornos iniciais e finais de gestos sequenciais (aqui). Outros peregrinos, como Vivien Chevaleyre e Steven A. Siegelbaum, percorreram os caminhos definidos por diferentes tipos de neurónios piramidais que se alinham no hipocampo e que se sabiam estarem envolvidos, de alguma forma, no estabelecimento de uma memória espacial essencial à repetição do gesto (aqui). Especificamente, identificaram que neurónios piramidais, do tipo CA2, desempenham um papel que inverte a força das vagas no palco sináptico: “dão” mais ímpeto às mensagens longínquas vindas do córtex e “abafam” as dos seus vizinhos piramidais do tipo CA3, neurónios também do hipocampo.Um dia, se o sonho tiver natureza neuronal, peço emprestado o verso ao poeta luso António Gedeão e digo que “Eles nem sabem nem sonham, que o sonho comanda à vida” e que é pelo sonho que caminhamos!
July 31 2010, 4:29am | Comments »
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Reinos esquecidos
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Informação recebida do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra:Plantas e animais! Até aqui, nada de novo para ti! Estamos a falar de dois grandes grupos de seres vivos, mas será que existem outros?No ano Internacional da Biodiversidade, as Férias no Chimico do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra convidam-te a explorar o mundo destes seres esquecidos. Embarca nesta aventura e vem aprender coisas novas de uma forma muito original!Vamos falar de…- seres esquisitos que nos rodeiam- quais as suas características- qual a sua importânciaQUANDO PODES PARTICIPAR?13 a 16 de Julho27 a 30 de Julho24 a 27 de Agosto7 a 10 de Setembro10H00 - 13H00 (5-7 anos)14H30 - 17H30 (8-12 anos)30 eurosInscrição préviaMais informações aqui
July 9 2010, 4:21am | Comments »
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Boa Noite no Chimico
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Informação recebida do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra:EM BUSCA DOS ANIMAIS PERDIDOS19 de Junho21H00 às 9H00A ideia de dormir num museu fascina-te? E se essa experiência inesquecível acontecesse no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra? Ainda mais?Então, prepara o teu saco-cama e vem passar uma noite diferente no primeiro laboratório de química construído em Portugal.7 - 11 anos40 EurosMarcação prévia
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June 17 2010, 3:27am | Comments »
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A FÍSICA DO MIAU
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Informação recebida da Editora Presença, que está a comemorar os seus 50 anos, sobre um livro in fanto-juvenil acabado de sair:"A Física do Miau", de Monica Marelli Sinopse:Quem melhor para explicar os raios infravermelhos que a serpente, ou a gaivota para revelar os segredos do voo? Talvez não gostes muito de aranhas, mas sabes que os cientistas estão muito empenhados em estudar as suas teias? Aqui encontrarás curiosas entrevistas feitas a peixes, borboletas, morcegos... para ficares saber mais sobre a iridescência, polímeros, magnetismo e muitas outras coisas... Com divertidas experiências, no fim de cada entrevista!A autora:Monica Marelli (na foto com o seu gato) nasceu em Milão em 1968. Desde sempre apaixonada pelos fenómenos da natureza, a autora formou-se em Física. Em 2001, recebeu um prémio atribuído a um artigo de divulgação científica e, em 2009, A Física do Miau valeu-lhe a atribuição do prémio Frascati Scienza na categoria «La Scienza per i piccoli».Excerto"Olá a todos, sou a Quica! Sou uma física. Deveria conhecer a ciência como as palmas das minhas mãos; mas, pelo contrário, tenho um montão de dúvidas. Por exemplo, poderei explicar o princípio de Arquimedes, mas já não percebo como fazem os peixes para subirem e descerem dentro de água. Sei como funciona a força da gravidade, mas já não é muito claro para mim como fazem os adoráveis gatinhos, quando caem, para aterrarem nas quatro patas sem se esborracharem como ovos. E as aves? Como fazem para se aguentarem «lá em cima»? Foi por isso que decidi pedir esclarecimentos a quem usa de facto a física, todos os dias, para sobreviver: os animais, precisamente. Entrevistei--os, de todos os tipos: quadrúpedes, rastejantes, peludos e flutuantes. Todos têm uma característica comum: são professores fantásticos!"
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June 17 2010, 2:43am | Comments »
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Excelsa Bio-Sinergia (2)
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Nova crónica do bioquímico António Piedade, saída antes no "Diário de Coimbra" (continuação de anterior sobre o mesmo tema):Estamos algures e abstractamente, num charco lamacento no nosso planeta, há muitas centenas de milhões de anos atrás. Inúmeras variações de seres unicelulares competiam pela sua sobrevivência. Tinham ao seu dispor diversas moléculas, elementares e compostas que assimilavam como fonte de matérias-primas para os seus processos bioquímicos. A energia geotérmica de um planeta geologicamente ainda muito activo, deveria catapultar uma grande variedade de compostos inorgânicos e orgânicos que alimentavam inúmeras formas de vida celular, muitas delas verificando-se inviáveis na árdua competição. O campo electromagnético terrestre protegia (e protege) as formas vivas de muita radiação cósmica letal. Entretanto, a atmosfera do planeta inicialmente redutora, aumentava a sua concentração em oxigénio molecular, produto de excreção (“lixo” molecular) de bactérias, as cianobactérias, que tinham conseguido utilizar a energia solar em reacções fotoquímicas para, a partir dos abundantes dióxido de carbono e água, sintetizarem os seus próprios blocos de construção e assim ganharem “uma independência” vantajosa na competição unicelular por "alimento". Para além disso, o oxigénio molecular que excretavam para o meio ambiente, revelava-se, para as outras células, uma substância altamente perigosa e destruidora. Ionizado quer pela radiação ultravioleta solar, quer reacções químicas intracelulares, o oxigénio oxidava os componentes celulares alterando-lhe a forma e função.Neste momento crítico da evolução da vida no nosso planeta a poluição, na forma de oxigénio, causada pelas cianobacterias modelou o futuro. O carácter oxidante e electrofílico do oxigénio progressivamente difundido pelo planeta (o oxigénio é um gás nas condições de pressão e temperatura que se pensa terem se verificado nos últimos milhões de anos na Terra), fez com que só sobrevivessem aquelas células que lhe adquirissem tolerância (ditas hoje ou aeróbias tolerantes) e/ou que dele tirassem algum proveito (aeróbias).De entre elas, hoje sabemos, a partir de estudos sobre os ácidos nucleicos (ADN e ARN - ver por exemplo: Andersson SGE et al., The genome sequence of Rickettsia prowazekii and the origin of mitochondria. Nature 1998, 396:133-140.) que existiram umas bactérias ancestrais das que hoje designadas por alfa-proteobacterias, que apresentam a capacidade de utilizar o poder oxidante do oxigénio e fazer dele a força motriz para a produção de energia bioquímica.Análises comparadas dos ácidos nucleicos presentes nas mitocôndrias comprovam que estes organelos das nossas células eucarióticas, descendem daquela linhagem bacteriana. Isto suporta a hipótese endossinbiótica, da bióloga norte-americana L. Margulis (formulada em 1981), para a incorporação de precursores da mitocôndria (ver, por exemplo: Yang D. et al., Mitochondrial origins. Proc Natl Acad Sci USA 1985, 82:4443-4447) no interior das formas ancestrais das nossas actuais células eucarióticas. Repare na vantagem competitiva desta associação primordial: o antepassado do actual organelo mitocondrial, não só reduzia o perigoso oxigénio como fornecia à célula "hospedeira" uma substancial quantidade da tal moeda energética bioquímica de que já falamos: o ATP. Em troca, a ancestral célula eucariótica conferia protecção contra predadores celulares ao seu interessante hóspede e inundava-o de matéria-prima derivada de açúcares, estes produzidos ou sendo constituintes de cianobactérias assim como de outros seres unicelulares potencialmente sujeitos a predação (mais em rigor poderíamos dizer endocitados, ou melhor ainda, fagocitados).Progressivamente, esta relação de cooperação foi sendo afinada no sentido de uma maior eficiência com benefícios mútuos.Contudo, isto foi conseguido à custa da perda das identidades originais. É que hoje não conseguimos definir uma célula eucariótica sem nos referirmos como condição a de possuírem mitocôndrias, nem conseguimos encontrar mitocôndrias “naturalmente livres". Esta incorporação das identidades primevas ocorreu profunda e intrinsecamente. Hoje verificamos, que alguns dos genes inicialmente pertença do ancestral mitocondrial foram incorporados no genoma nuclear da célula eucariótica. Isto significa, num exemplo muito interessante, que cerca de uma dezena das proteínas que formam os quatro complexos da cadeia respiratória mitocondrial (a tal que utiliza o oxigénio) são codificadas por genes que se encontram nos cromossomas nucleares! Ou seja, a mitocôndria não consegue “montar” sozinha a sua cadeia respiratória!E vice-versa. Sabemos hoje que a mitocôndria é um organelo muito sensível ao estado de saúde e á funcionalidade da célula estando envolvida no desencadear dum processo de morte celular programada conhecido por apoptose (é também por apoptose que se formam as fendas que dão origem à abertura da boca, dos olhos, narinas, etc.).O seu papel chave na bioenergética celular e na determinação do “fado" celular exige uma elevada estabilidade genómica entre o cromossoma circular mitocondrial e os 46 cromossomas nucleares da célula. Pode ser este um dos factores que impõem a destruição selectiva pelo óvulo das mitocôndrias presentes no espermatozóide aquando da fecundação. O resultado final é que herdamos só do lado materno todas as mitocôndrias que possuímos e, portanto, a capacidade de respirarmos oxigénio! António Piedade
June 14 2010, 12:46pm | Comments »



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