Nova crónica de António Piedade, saída antes n' "O Despertar":Neurónios são as células do sistema nervoso responsáveis pela transmissão dos impulsos ditos nervosos (em rigor, devemos falar da propagação de potenciais de acção, quais ondas de sais que se propagam entre neurónios). Mas igualmente importante é a sua função integradora e processadora das informações transportadas através desses impulsos, ao longo de milhares de milhões de neurónios que formam as designadas redes neuronais. Em cada neurónio podem convergir em dendrites centenas de ramificações provenientes de milhares de neurónios, localizados em zonas diferentes do cérebro. Do resultado, num determinado momento, do processamento que um dado neurónio faz dos impulsos que a montante lhe chegam, resulta o desencadear de um potencial de acção, impulso nervoso, que envia através de um filamento especializado, designado por axónio, até à jusante de um delta de terminações nervosas que desaguam essa informação, quer a outros neurónios, quer a outras células diferenciadas como sejam células musculares.Imagine o percurso que é feito pela informação que os seus olhos estão a captar neste momento: da retina dos seus olhos, através do nervo óptico, até diferentes zonas do seu cérebro, para que o seu cérebro descodifique e perceba o que está a ver e ordene, por exemplo, também através de impulsos nervosos que chegam até aos músculos que controlam o movimento dos seus olhos, que estes se devem contrair e relaxar coordenadamente para que as suas duas pupilas convirjam sincronizadamente numa direcção e sentido que permita a leitura e a mudança de linha ou de parágrafo.Agora pense na tarefa inversa, ou seja, a detecção de movimento. Os seus olhos estão “parados” fixando o horizonte que os banha com informação luminosa (radiação electromagnética) que será “traduzida” para informação química (que envolve uma mudança, reversível, na forma de uma proteína especifica) e, novamente traduzida para impulsos nervosos, enviada até cérebro através de ondas de sais ao longo dos axónios que compõem o nervo óptico. Se nada se mexer no nosso horizonte, o cérebro traduz a informação nervosa que lhe chega para a imagem estereoscópica que é aquilo que estamos a ver. Mas e se algo se move no nosso campo visual? Como é que o cérebro, ou melhor, os milhares de neurónios que dão sentido ao que estamos a ver, percebe que algo se moveu e se isso tem importância, por exemplo, para a nossa segurança? Será uma abelha? Estará a afastar-se ou a aproximar-se? Tudo deve tornar-se ainda mais complexo se nós nos estivermos também a mover. Neste caso, o cérebro terá de ter em conta o nosso movimento ou então poderá iludir-nos e isso poder-nos-á ser fatal.O trabalho efectuado, ao longo das últimas três décadas, pelos investigadores norte-americanos J. Anthony Movshon e William T. Newsome sobre este processo de processamento e interpretação espacial do que nos chega à retina, foi agora premiado pela Fundação Champalimaud (aqui).De facto, nós precisamos do cérebro não só para ver mas, e principalmente, para perceber e dar significado ao que vemos. E neste processo complexo estão envolvidos diferentes tipos de neurónios em zonas específicas do nosso cérebro. E estes cientistas identificaram circuitos de neurónios numa zona do cérebro (Lobo Temporal Médio) que são responsáveis por analisar a informação que lhes é transmitida a partir dos olhos e detectar que algo se move no nosso campo visual. São uma espécie de neurónios agrupados funcionalmente num circuito neuronal e que “apreciam” o movimento. Julgo que deverão estar especialmente activos quando percepcionamos um filme (o que vemos é uma sucessão de uma trintena de fotogramas por segundo). São por isso, digo eu, neurónios “cinéfilos”, ou seja, que são particularmente sensíveis e dedicados aos movimentos, mesmo que de longos planos fixos se trate… Mas também são eles que nos iludem relativamente ao aparente movimento do Sol em volta da Terra. E contudo, eles estão fixos, em constelações neuronais no nosso cérebro.António Piedade
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“Neurónios Cinéfilos”
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June 14 2010, 11:40am | Comments »
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Procuram-se Cientistas para fazer teatro!
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Cientistas ao PalcoNoite dos investigadores 2010"De que falamos quando falamos de cientistas?" no Teatro Municipal de Bragança a 12 de Setembro de 2009O projecto Cientistas ao Palco nasceu no ano passado, no âmbito da Noite Europeia dos Investigadores 2009. Os cientistas, o seu trabalho e a sua vida, foram celebrados através do teatro, subindo literalmente ao palco - como dramaturgos e actores dos espectáculos apresentados em quatro cidades, dirigidos por encenadores e criativos.Mais sobre os Cientistas ao Palco aqui.Este ano os Cientistas ao Palco estão de volta, com novos espectáculos que serão apresentados no dia 24 de Setembro no Porto, Coimbra, Lisboa e Faro. Em Lisboa a Noite decorrerá no Jardim Botânico Tropical.AUDIÇÃO - LISBOAÀ procura de cientistas para fazer teatro!Está aberta uma audição para cientistas (homens) para ingressarem no espectáculo O Último dos Texugos, escrito por Bruno Pinto (investigador/biólogo) e encenado pelo actor Romeu Costa.A audição será realizada no próximo dia 20 de Junho. Os interessados deverão preencher e enviar a ficha de inscrição para cientistasaopalco@gmail.com até dia 18 de Junho.A audição consistirá em exercícios simples de grupo e a leitura de uma cena da peça (que será enviada depois de recebida a inscrição). Se é investigador e gostava de participar num projecto de Teatro, mesmo que não tenha qualquer experiência, esta é a oportunidade. O elenco será formado exclusivamente por investigadores.Quem são os parceiros do projecto Cientistas ao Palco 2010?Universidade do Porto (coordenador nacional), Instituto de Biologia Molecular e Celular, Centro de Astrofísica da Universidade do Porto, Instituto de Investigação Científica Tropical, Associação Viver a Ciência, Universidade do Algarve, Natura Algarve, Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, Instituto Gulbenkian de Ciência.O que é a Noite Europeia dos Investigadores?A Noite dos Investigadores 2010 é uma iniciativa do Programa Marie Curie no âmbito do Sétimo Programa-Quadro da Comissão Europeia (FP7-People). Tem como objectivo aproximar os cientistas dos cidadãos e decorrerá em simultâneo em várias cidades europeias no dia 24 de Setembro.Mais sobre a Noite Europeia dos Investigadores aqui.
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June 14 2010, 6:38am | Comments »
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Ciência na UL: O que nos contam os ossos
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June 14 2010, 6:35am | Comments »
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PATENTES DE GENES?
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Minha crónica no "Sol" de hoje:A notícia correu mundo. A 20 de Maio último a equipa do norte-americano Craig Venter (na imagem), líder de um instituto que tem o seu nome, publicou na revista Science um artigo em que anunciava uma grande proeza da biologia moderna: a síntese in vitro do genoma de uma bactéria, acrescentando algumas modificações (que incluíam os nomes dos cientistas e um endereço de e-mail), e a sua inserção numa outra bactéria, que se conseguiu reproduzir rapidamente como se fosse um organismo normal. Mal comparado é como se se obtivesse uma receita de um prato a partir dele, se alterasse esta pontualmente, e, a partir de produtos químicos avulsos, se conseguisse criar um novo prato muito parecido com o primeiro.Venter não perdeu tempo e solicitou já várias patentes relativas à experiência realizada, uma vez que ela abre perspectivas a numerosas e lucrativas aplicações. Mas poderá ele obter uma patente do genoma codificado (que mais não é do que um código feito de quatro letras)? De facto, apesar de não estarem autorizadas patentes de organismos vivos, cerca de vinte por cento do genoma humano, descodificado com a ajuda do próprio Venter e muito mais complexo do que o de uma bactéria, encontra-se patenteado. Por estranho que possa parecer há mesmo patentes de genes. Mas esse tipo de procedimentos pode ter os dias contados…Dois meses antes do anúncio da “vida sintética”, um juiz federal de Nova Iorque deferiu uma acção apresentada pela União dos Direitos Civis Americanos e pela Fundação de Patentes Públicas no sentido de cancelar as patentes dos genes BRCA1 e BRCA2 (as iniciais são de Breast Cancer), cuja mutação é responsável por certas formas hereditárias de cancro da mama e dos ovários. A posse dos direitos pela empresa Myriad Genetics e por uma fundação ligada à Universidade de Utah permitia a exclusividade da realização de testes genéticos. Qualquer pessoa tem de lhes pagar três mil dólares para saber o seu factor de risco. O juiz considerou que as patentes tinham sido atribuídas “de forma imprópria” por os genes fazerem parte do DNA humano e estar envolvida uma “lei da Natureza”. As partes prejudicadas pela sentença vão recorrer. Mas, se a batalha jurídica for ganha por quem agora ganhou a guerra, entrar-se-á numa nova era do direito da biomedicina.Esta questão das patentes na biotecnologia é extraordinariamente quente. De um lado está o interesse público e do outro o interesse de empresas particulares. Parece simples, mas não é. As empresas reclamam que o progresso da ciência e da tecnologia ficará prejudicado se os inovadores não forem devidamente recompensados. Aguardam-se os próximos capítulos desta novela científico-legal.
June 11 2010, 2:30am | Comments »
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NOITE DOS MORCEGOS
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Informação recebida do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra:"Noite dos Morcegos" no Paço da Escolas12 de Junho | 21H00-24H00Entrada livreCom o objectivo de quebrar as barreiras entre seres humanos e morcegos para promover a conservação das populações de morcegos, o Museu da Ciência associa-se à Noite Europeia dos Morcegos, organizada ao abrigo do Acordo sobre a Conservação das Populações de Morcegos Europeus (EUROBATS).Em Portugal existem 26 espécies de morcegos e 9 encontram-se em perigo. Na Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra existe uma colónia de morcegos que tem um papel activo no controlo das traças do papel.Venha participar na Noite dos Morcegos no Sábado, 12 de Junho, no Paço das Escolas, onde vamos receber dois cientistas que nos vão contar tudo sobre os morcegos.PROGRAMA:21H00A FADA PALAVRINHA E O GIGANTE DAS BIBLIOTECASCONTO / CAMALEÃOBiblioteca JoaninaPúblico-alvo: crianças21H00 – 22H00À PROCURA DE MORCEGOSDETECÇÃO DE MORCEGOS COM DETECTORES DE ULTRA-SONSPaço da Escolas22H00CONVERSAS COM CIENTISTASA VIDA (ÍNTIMA) DOS MORCEGOSLuísa Rodrigues (ICNB) e Hugo Rebelo (CIBIO)Biblioteca Joanina23H00MORCEGOS E VAMPIROSCONTO / CAMALEÃOPaço da EscolasPúblico-alvo: jovens e adultos21H00 às 24H00EXPOSIÇÃOMORCEGOS E ILUSTRAÇÕES HISTÓRICAS DAS COLECÇÕES DA UNIVERSIDADE DE COIMBRABiblioteca JoaninaACTIVIDADES SOBRE MORCEGOSPaço das Escolas- QUEM COME MAIS? A ALIMENTAÇÃO DOS MORCEGOS- ULTRA-SONS. COMO COMUNICAM OS MORCEGOS- VER COM O ECO. EXPERIÊNCIAS DE ECOLOCAÇÃO- ASAS E BRAÇOS. COMO VOAM OS MORCEGOS- ABRIGOS. ONDE VIVEM OS MORCEGOS E CONSTRUÇÃO DE UM ABRIGO- ARTE COM MORCEGOS. PINTURAS FACIAIS E ARTES PLÁSTICASOLHAR O CÉU. OBSERVAÇÕES ASTRONÓMICASPaço das EscolasOrganização: Museu da Ciência da Universidade de CoimbraColaboração: Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra; Universidade de Coimbra; Camaleão (contadores: Helena Faria, José Geraldo, Marco Paulete, Pedro Correia); e Alpha CentauriAgradecimentos: FAPAS - Fundo para a protecção dos animais selvagens.
June 8 2010, 7:41am | Comments »
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Evolução no Teatro da Trindade
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No próximo dia 17 de Junho serão apresentados os espectáculos Stupid Design e Nascer da Evolução no Teatro da Trindade, em Lisboa, a partir das 20h30. Estes espectáculos foram inicialmente criados para o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, no ambito da Noite Europeia dos Investigadores, e contam com a participação em video de cientistas da Universidade de Coimbra.Informações e reservas213420000/927982834bilheteira.trindade@inatel.pt18h Tertúlia dedicada ao projecto “CIENTISTAS AO PALCO”Conversa com David Marçal, André Levy, Joana Lobo Antunes e Romeu Costa.O projecto “Cientistas ao Palco” inseriu-se na Noite dos Investigadores 2009 e envolveu 4 cidades (Lisboa, Porto, Coimbra e Faro). Utilizando técnicas teatrais como o teatro de marionetas, teatro do movimento, teatro fórum, stand-up comedy, os próprios cientistas -dirigidos por profissionais e especialistas em cada uma das áreas abordadas - foram actores e dramaturgos.20h30 h STUPID DESIGN E NASCER DA EVOLUÇÃOCausa A.C e C.Q.D.Espectáculos em formato conferência que, partindo do conhecimento científico e da polémica sobre a Evolução, divulgam a ciência de uma forma insólita: projectam, no futuro, um mundo onde a humanidade se desvia da prática cientifica para voltar a mergulhar nas trevas.textos: David Marçal, André Levyencenação: Amândio Pinheirocom: Carlos António, Cláudio Silvaprodução: Causa A.C e C.Q.DMais sobre o Nascer da Evolução e Stupid Design aqui Toda a programação do Teatro da Trindade aqui
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June 8 2010, 3:44am | Comments »
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EXCELSA BIO-SINERGIA
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Nova crónica de António Piedade, saída no "Diário de Coimbra":A cooperatividade é ubíqua à vida. Isto quer dizer, que é os seres vivos cooperam entre si, desde os as primeiras células, ao longo de pelo menos 3400 milhões de anos. Cooperam para quê? Para resolverem problemas que de outra forma e sozinhos não seriam capazes de resolver, pelo menos tão eficazmente. Ou de outra perspectiva, cooperam para se ajustarem finamente às adversidades ambientais, tendencialmente no sentido de uma maior eficiência energética, com um resultado final sempre na mira: conseguirem sobreviver e propagar os seus genes. Por outras palavras, garantir uma eficiente organização e transmissão de informação bioquímica/biofísica com um mínimo de gastos energéticos e de assimilação de matéria-prima, como sejam biomoléculas ou radiação electromagnética (luz solar, exemplo principal).Há muitas evidências que a célula evoluiu no sentido de manter um estado de energia interno mínimo, com um determinado desequilibro químico dinâmico, de forma a produzir a maior quantidade de trabalho útil para a sua sobrevivência. Trabalho significa aqui, entre outras coisas, a assimilação de matéria-prima criteriosamente seleccionada para o seu interior, o movimento de um cílio que propulsione a procura de alimento ou a fuga do perigo, a síntese de biomoléculas próprias e necessárias a uma função específica e competitivamente valiosa, a duplicação da sua informação genética e estrutural para originar duas cópias idênticas de si. E tudo isto com um concomitante aumento de desordem (entropia) no meio envolvente. Aliás, a segunda lei da termodinâmica mostra que a seta do Universo aponta para o aumento da entropia. Logo, à manutenção de uma estrutura extremamente “arrumada”, como é a célula, tem que corresponder um aumento de desordem no exterior dela. Quando a célula já não consegue manter este estado “livre” de aumento de entropia, morre.É interessante verificar que a evolução da vida está salpicada com exemplos de cooperação para executar melhor está “transacção termodinâmica”. Células que se associam em colónias, inventando seres pluricelulares, com distintas diferenciações (células protectoras – pele; células contrateis – músculos; etc.) para a execução de trabalhos ou funções especificas. Numa cooperação dita sinergética. Isto é, uma cooperação em que o efeito retroactivo do trabalho minuciosamente regulado e coordenado de vários subsistemas celulares permite executar tarefas progressivamente mais complexas com um mínimo de energia, impossíveis de realizar com eficácia igual por cada uma das partes isoladamente. Como se costuma dizer, o resultado é “maior” do que a soma das partes e, tal como escrevi noutro lugar, a vida tem uma álgebra própria.É possível encontrar na natureza muitos exemplos dessa cooperação sinergética. Entre eles, há um fascinante em múltiplos aspectos: o da relação simbiótica entre as células eucariotas e as mitocôndrias.Apresento as mitocôndrias por aquilo que quase toda a gente sabe: São organelos intracelulares responsáveis pelo processamento final das substâncias ricas em energia (açúcares, gorduras) para uma forma de energia bioquímica “universal”, o ATP (trifosfato de adenosinia, um nucleótido), que a célula e o organismo de que faz parte (se for o caso) utilizam para os trabalhos mais diversos. Por exemplo, cerca de 25% do ATP produzido é “gasto" para manter os neurónios (células do sistema nervoso) activos, sem que o organismo “pense nisso"!São autênticas centrais de transformação energética (“nada se cria, tudo se transforma”, para citar Lavoisier). Através de vias metabólicas conhecidas por ciclo de Krebs (ou dos ácidos tricarboxílicos), cadeia respiratória acoplada a uma fosforilação oxidativa e a beta-oxidação dos ácidos gordos, as mitocôndrias permitem às células retirar o máximo rendimento na conversão de combustíveis como a glicose em energia na forma de ATP. E fazem isso “libertando” dióxido de carbono e água. Como oxidante, ou carburante, o próprio oxigénio molecular. Aliás, precisamos de respirar oxigénio para que as mitocôndrias consigam operar na máxima eficiência.Mas afinal, onde é que está a anunciada cooperação sinergética? É que, parece, as mitocôndrias foram outrora seres unicelulares. Algures na história da vida, parecem ter sido “capturadas” por células com núcleo como as nossas. E, em vez de uma digestão apetitosa, teve início uma “bela amizade" muito vantajosa para ambas as partes.Mas esta é a história da próxima crónica.António Piedade
June 7 2010, 6:13pm | Comments »
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Ciência na UL: A cultura Portuguesa em Negativo
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Mais uma palestra do ciclo Ciência na UL - Ciência em Português. Informação recebida da Universidade de Lisboa:Sexta-feira, 4 de Junho de 201018:30 - 20:00Museu da Ciência da Universidade de Lisboa (Anfiteatro Manuel Valadares)José Eduardo FrancoCentro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias, Faculdade de Letras da Universidade de LisboaTema: A cultura Portuguesa em Negativo: “Anti-semitismo, antijesuitismo, antiprotestantismo, antimaçonismo, anticomunismo, antifeminismo,...”Sinopse: Abordaremos de uma forma analítica algumas das mais significativas correntes e discursos centrados numa percepção negativa de um ‘Outro’ (p. ex. antisemitismo, anticlericalismo, antifeminismo, anticomunismo, antimaçonismo, antiamericanismo, …) no âmbito da história da cultural portuguesa. Neste sentido, procuraremos compreender de que modo os discursos propagandísticos e intolerantes criaram e demonizaram as diferenças. Lançaremos, pois, um olhar hermenêutico sobre a história da cultura através de imagens em ‘negativo’, para empregar uma metáfora fotográfica.
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June 3 2010, 12:55am | Comments »
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Início do "Big Bang"
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Início do livro "Big Bang" de Simon Singh, recentemente publicado pela Gradiva:No princípioA ciência deve começar com os mitos e com a crítica dos mitos.Karl PopperNão me sinto obrigado a acreditar que o mesmo Deus que nos dotou de bom senso, racionalidade e intelecto quisesse que renunciássemos ao seu uso.Galileu GalileiViver na Terra pode ser caro, mas inclui uma viagem anual grátis à volta do Sol.AnónimoA física não é uma religião. Se fosse, teríamos muito mais facilidade em conseguir financiamento.Leon LedermanO nosso universo é pontilhado por mais de 100 mil milhões de galáxias, cada uma delas com mais ou menos 100 mil milhões de estrelas. Não sabemos ao certo quantos planetas existem na órbita destas estrelas, mas sabemos, com certeza, que num desses planetas se desenvolveu vida. Em particular, há uma forma de vida que teve a capacidade e a audácia de especular sobre a origem deste vasto universo.Os seres humanos olham para o espaço há milhares de gerações, mas nós temos o privilégio de pertencer à primeira geração que pode afirmar ter uma descrição respeitável, racional e coerente da criação e da evolução do universo.O modelo do Big Bang oferece-nos uma explicação elegante da origem de tudo o que se vê no céu nocturno, o que constitui um dos maiores feitos de sempre do intelecto e do espírito humanos. É a consequência da nossa curiosidade insaciável, de uma imaginação fabulosa, de observações apuradas e de uma lógica implacável.O que é ainda mais maravilhoso é que o modelo do Big Bang pode ser entendido por todos. Na adolescência, quando ouvi falar pela primeira vez do Big Bang, fiquei fascinado com a sua simplicidade e beleza, e por ter sido construído com base em princípios que, em grande medida, não iam além da física que estava a aprender na escola. Da mesma forma que a teoria da selecção natural de Charles Darwin é simultaneamente fundamental e compreensível para a maioria das pessoas inteligentes, também o modelo do Big Bang pode ser explicado em termos que façam sentido para os não especialistas, sem ser necessário distorcer os conceitos essenciais da teoria.Mas antes de irmos ao encontro dos primórdios do modelo do Big Bang necessitaremos de algumas bases.O modelo do Big Bang do universo foi desenvolvido nos últimos cem anos. No entanto, as conquistas do século XX só foram possíveis porque se apoiaram em alicerces da astronomia construídos em séculos anteriores. Por sua vez, estas teorias e observações do céu foram sendo introduzidas numa estrutura científica laboriosamente criada ao longo de dois milénios. Recuando ainda mais no tempo, o método científico como via para a verdade objectiva sobre o mundo material só floresceu quando o papel dos mitos e do folclore começou a declinar. No fundo, as raízes do modelo do Big Bang e o desejo de uma teoria científica do universo recuam ao declínio da antiga visão mitológica do mundo.
June 2 2010, 3:40am | Comments »
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Um nascimento para a Ciência há 2595 anos!
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Nova crónica de António Piedade saída antes no "Diário de Coimbra":Cidade de Mileto, colónia na Ásia Menor (actual território Turco) da antiga e clássica Grécia, que tanto nos moldou, que tanto conhecimento nos legou, num dia solarengo, naquilo que hoje seria o 28º dia do nosso actual mês de Maio, mas no ano de 585 antes de Cristo (A.C.).Um cidadão grego, conhecido por Tales (de Mileto), primeiro filósofo ocidental, também matemático, de quem temos alguma e suficiente informação, um dos “Sete Sábios” da Grécia Antiga. Passeava, com o seu discípulo Anaxímenes, ao longo da margem de um curso de água. Discutiam, entre outras coisas, sobre a evolução da natureza. Tales argumentava que o “elemento” água era o primaz de todas as coisas. Anaxímenes contrapunha que era o ar a “substância” primeva. Discutiam ideias, olhos argutamente atentos às transformações do Universo. Em determinado momento, o caminho começou a ser ensombrado pelo escurecimento do céu. Olhando com dificuldade para o astro rei, verificaram que algo o estava a escurecer, como se um disco obscurecesse progressivamente o Sol radiante. Pacientes e perseverantes, esperaram o tempo necessário para verificarem que, o que é que fosse que estivera a encobrir o Sol, acabará por se afastar, descobrindo o astro radiante pelo lado contrário do seu encobrimento.Tales não procurou neste fenómeno causas outras que não naturais. Pelo contrário, e partindo do princípio de que cada acontecimento observável era o efeito de uma causa física inteligível, elaborou com os dados que tinha disponíveis uma causa hipotética para aquele acontecimento.Até aqui, romanceei um pouco.Mas de facto, e tanto quanto sabemos, Tales de Mileto foi o primeiro ser humano a explicar o eclipse total do Sol como um fenómeno natural, pois de nenhuma outra coisa se tratava, utilizando a observação por ele recolhida, de que a Lua era por ele iluminada e que era a Lua a responsável pelo seu escurecimento ao “colocar-se à sua frente".Na realidade, existem relatos que confirmam que este arguto pensador teria “previsto" um eclipse solar do Sol em 585 A.C. Por isto, muito historiadores da filosofia e da ciência consideram este como o momento fundador da “ciência empírica” e, principalmente, da filosofia.É o caso do reputado físico estado-unidense Robert Lee Park, notável divulgador de ciência que se tem dedicado a desmascarar pseudociências e abusivas medicinas ditas alternativas.Numa das suas últimas crónicas, na sua coluna “What’s New”, Park comemora os 2595 anos da “ciência”, chamando à ribalta da actualidade uma pertinente questão: que problema se espalharia pelo mundo se a educação de cada criança começasse com o ensino da casualidade?Que mal viria ao mundo se os infindáveis porquês que todas as crianças fazem, com a maior das naturalidades e genuidades, fosse acompanhado por um esforço “adulto” em responder à questão com a certeza de que há uma causa para cada efeito observável. Mesmo que não conheçamos a resposta, já seria intelectualmente honesto da nossa parte, pelo menos, mostrar um pouco de humildade perante a capacidade da criança em se admirar e saber colocar questões.Sem medo de errar, de mão dada a um método rigoroso e não perigoso, espantarmo-nos com elas com o esplendor do mundo em que vivemos e soprarmos a vela desta efeméride no bolo do nosso conhecimento. E depois, batermos palmas por termos conseguido explicar, não só a vela apagada, mas a Lua a ensombrar o Sol ou a brincar com ele aos aniversários… Sem temermos “fins de mundos ensombrados por forças afísicas” e embarcando na viagem gratificante da ciência. Parabéns intelecto humano.
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May 31 2010, 10:49am | Comments »






