Destaque para a crónica de J.L.Pio de Abreu no último "Destak":Suponha o leitor que acaba de descobrir que terá uma vida curta. Tem vários seguros de vida mas precisa do dinheiro agora. Pode então nomear algumas pessoas como beneficiários, com a condição de lhe pagarem. Como a indemnização estará próxima, elas pagarão bem o benefício que lhes oferece. Mas a venda dos seguros de vida fará com que os compradores fiquem atentos à sua saúde: se um médico certificar que está mais doente, os seguros valerão mais, e mais gente se dispõe a comprá-los. A revenda começa então a ser um negócio. Quanto mais doente estiver, maiores os lucros de quem aposta na sua morte rápida. Imagina agora o que lhe pode acontecer?Se este cenário é ficção, ele existe com os seguros sobre a vida económica de empresas e nações, os CDS (Credit Default Swaps). Compram-se e vendem-se num mercado desregulado e deixaram de cumprir os objectivos para que foram criados. Várias vozes, incluindo as de Obama, Alan Greenspan, Warren Buffet e Myron Scholes, que participou na organização dos swaps, avisaram para o perigo que representam e clamam por regulação. George Soros tem demonstrado que o seu valor, agravado pela especulação, já não reflecte a saúde das empresas e nações, sendo antes factor de destruição que pode gerar novas crises.Da influência dos CDSs na crise actual, já ninguém se lembra. Estes produtos tóxicos estão de novo a enriquecer os ex-falidos Bancos de Investimento e a destruir a saúde das nações. Contam com a ajuda das agências de rating que, para já, nos diagnosticaram uma "morte lenta"
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CDSs
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January 23 2010, 6:27am | Comments »
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SOLUÇÕES À PROCURA DE PROBLEMAS
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Post convidado de José Luis Pinto de Sá:Numa crónica de Julho passado num jornal diário, Pacheco Pereira recordava como, nos seus tempos de estudante universitário de Filosofia há 40 anos, era regra os Professores ensinarem o que lhes interessava pessoalmente e até, em particular, o que tinham investigado longamente nos seus doutoramentos, com pouca ligação com o que faria sentido do ponto de vista de uma licenciatura coerente.Não pude deixar de sorrir ao ler isso porque essa situação é também uma tendência nas tecnologias. Não é assim em todas as escolas, não era assim no tempo de estudante de Pacheco Pereira, e mesmo ultimamente a coisa melhorou com a maturação do corpo docente, mas há uns anos nas engenharias também era vulgar um recém-doutorado criar pelo menos uma disciplina de opção sobre o tema que investigara e, em alguns casos, criar até especialidades inteiras de Mestrado e mesmo licenciaturas. A multiplicação de cursos basicamente similares resultou dessa proliferação de doutorados, todos à procura do seu "espaço" próprio, assumida pelas estratégias de algumas escolas.Como disse, nos últimos anos a coisa melhorou, mas há um domínio em que esse subjectivismo persiste e tem cura difícil: o dos temas de investigação. É frequente o recém-doutorado, sobretudo se o seu doutoramento foi um desses tradicionais "à francesa" que o ocupou 6 anos a investigar um assunto muito especializado, quase tudo sobre quase nada, como ironizam alguns, enquanto ia esquecendo o resto que aprendera, é frequente, dizia, continuar a investigar o mesmo tema depois do doutoramento, concorrendo a subsídios e fundos públicos ou europeus por muitos anos.E, quando confrontado com o reparo de que deve procurar ligações à sociedade, aí vai ele à procura de problemas a que possa aplicar os temas que conhece e em que deseja continuar a publicar, dada a importação do lema americano do publish or perish. E muitas vezes conclui que a tal sociedade é atrasada e não o merece, visto não apresentar nenhum problema para a solução que ele domina e que lhe parece evidente ser o centro do mundo. E, se quando fez o doutoramento não era já docente universitário, vira-se para o Estado e exige-lhe emprego.Claro que é possível inverter os termos deste binómio solução-problemas. Mas para isso é preciso que o Estado que financia os doutoramentos incorpore as entidades empregadoras na própria definição dos seus temas. Há muitos países avançados onde o Estado só financia investigações universitárias em tecnologia se houver comparticipação empresarial nesses financiamentos. Claro que para tal é preciso que as empresas (privadas e públicas) tenham estratégias tecnológicas, e para ter estratégia tecnológica é precisa segurança financeira, sem o que uma empresa vive obcecada pelas vendas e compromissos de pagamentos, a prazo não superior a um ou dois anos; e é preciso que, se for pública, não viva apenas para fazer boa figura perante a tutela governativa, que tem um ciclo de vida não superior ao ciclo eleitoral.Ora nenhum desenvolvimento tecnológico leva tão pouco tempo a criar e a chegar a frutos, a não ser que consista na simples compra "chaves na mão" de algo feito lá fora, para eleitor ver...Mas, também nas áreas não-tecnológicas o Estado pode promover uma maior ligação entre os temas de Investigação e as necessidades sociais. Porque há-de o Estado português financiar bolsas de doutoramento em História sobre a representação material da realeza assíria, por exemplo, quando não temos nenhuma base de conhecimento particular nem interesses estratégicos no Iraque, e deixar a outros a investigação histórica sobre a formação das cidades angolanas, coisa que devia interessar ao nosso Ministério de Negócios Estrangeiros (nos EUA é a CIA que muitas vezes apoia essas investigações)? Ou porque não se relacionam os doutoramentos em Sociologia às necessidades de integração das minorias étnicas imigrantes, com o apoio das Câmaras Municipais, como nos EUA?Tenho um colega mais novo que se doutorou nos EUA há uns anos sobre a aplicação da teoria dos jogos e em particular dos conceitos de Nash à formação de preços em mercados competitivos de energia. O projecto era financiado por uma entidade interessada, e provavelmente a primeira em que pensarão será numa qualquer petrolífera. Mas não. Quem financiava esse projecto era o equivalente ao nosso Ministério Público, que queria ter meios para a detecção de fenómenos de cartelização na referida formação de preços. Imaginem termos também um Ministério Público assim...
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January 19 2010, 5:56pm | Comments »
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SOBRE A INVESTIGAÇÃO CIENTÌFICA
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Outro excerto da entrevista que dei a Fábio Rodrigues, aluno de Comunicação Social da Universidade de Coimbra:FR- O que é que o preenche mais: passar o seu saber a novos alunos ou desbravar novo conhecimento?CF- A nível do ensino superior, não se pode simplesmente ser professor sem ser também investigador porque estamos a tentar passar conhecimento ao mais alto nível. Para fazer isso temos de estar não só actualizados, mas também familiarizados com o método científico, com a maneira de chegar ao conhecimento. Não podemos servir aos alunos coisas feitas e acabadas e dizer “isto é assim e acabou-se”, temos de dizer “isto é assim e vocês, pelo menos alguns de vocês, têm a possibilidade de fazer mais”. Isto não pode ser dito por alguém que não tem capacidade para fazer mais, de acrescentar ele próprio pedras ao edifício científico. Para mim perguntarem-me se gosto mais do ensino ou da investigação é como perguntarem-me se gosto mais do pai ou da mãe... Tive uma altura que me dediquei com maior intensidade à investigação do que hoje, mas é sempre uma actividade apaixonante. Quando dou aulas, o que também é apaixonante, isso permite-me estar equipado não só com os conhecimentos mas também com as capacidades que adquiri e adquiro na investigação. Também na relação professor-aluno deve passar uma outra coisa muito importante, a atitude de prevenção perante o erro. O cepticismo é uma das coisas fundamentais que temos de transmitir na ciência, ensinar a não acreditar naquilo que o próprio acredita, porque, muitas vezes, o segredo da ciência está em descobrir erros em pequenas coisas. No fundo, ensinar só aquilo que se sabe sem ensinar como se pode saber mais é ensinar muito pouco.FR- Falando de investigação científica, já afirmou publicamente que, em Portugal, este sector estava ainda pouco desenvolvido...CF- Estava e, se compararmos com os países mais desenvolvidos, ainda está. Tem havido progresso, com cada vez mais pessoas a fazer ciência, mas a situação era tão má há umas dezenas de anos atrás, que pior era difícil. Quando dizemos que não somos um país avançado, devíamos dizer, para sermos mais rigorosos, que não somos um país tão avançado como devíamos ser. Não se trata aqui de uma mera competição, não se trata de ganhar uma medalha como nos Jogos Olímpicos. De facto, não é coincidência que os países mais avançados na ciência sejam também os países mais ricos, é algo que faz sentido. Não será uma relação directa e imediata, mas as pessoas que geram mais riqueza são também as detentoras de maior conhecimento. Se quisermos tomar o caminho adequado para nos tornamos mais ricos temos de, necessariamente, tomar o caminho para nos tornarmos mais sábios.FR- Devido a esse baixo nível de desenvolvimento comparado, há cientistas que se auto-limitam por escolherem trabalhar em Portugal?CF- A questão de trabalhar em Portugal é uma falsa questão porque em ciência não há fronteiras. Por exemplo, na física o objecto de estudo é todo o Universo, e este é único, habitado por todos, pelo que a física é a mesma para um chinês ou para um americano ou para um português. A ciência é um trabalho internacional: não há ciência portuguesa, mas sim ciência feita por portugueses ou ciência feita em Portugal. Como é evidente sendo a ciência feita em conjunto em todo o mundo, uma das molas da investigação é a circulação de pessoas. As pessoas têm de circular, é a forma que temos para evitar erros, haver uma comunicação permanente de resultados. Não havendo fronteiras físicas, há pessoas que saem e que entram do país. Contudo tenho a impressão que esse saldo nos tem sido positivo nos últimos tempos. Houve um tempo que para fazer ciência se tinha de emigrar e ficar lá por fora, mas, hoje em dia, a situação é bem diferente. Há evidentemente uma questão de mercado e alguns dos profissionais com maiores capacidades são naturalmente chamados para trabalhar nos países mais desenvolvidos a nível científico. Também é importante perceber que a ciência feita aqui nos é mais relevante, porque nos vai chegar mais depressa e se pode tornar mais rapidamente em riqueza. Nesse ponto de vista, todo o estímulo que puder ser dado para manter cientistas aqui será uma maneira de permitir uma mais fácil comunicação entre criação científica e bem-estar material.FR- Falando de mercado, qual pensa ser o papel que os privados devem ter na investigação científica?CF- Essa é uma questão interessante, porque um dos progressos que fizemos nos últimos tempos foi o aumento de empresas privadas a apostar na investigação, ainda que a percentagem de participação dos priovados no investimento em ciência ainda seja baixa, comparando com os países mais desenvolvidos. Nesses países, uma parte importante de investimento é público, mas há outra parte ainda mais importante de investimento privado. Essa parte pode e deve crescer mais entre nós. Um dos meios para o desenvolvimento passa pela percepção das empresas privadas de que apostar na investigação é algo lucrativo para elas. O problema, desde logo, é que algumas das empresas que trabalham entre nós são multinacionais, o que significa que o controlo e a investigação não estão aqui. Quanto às tão faladas Pequenas e Médias Empresas, muitas delas têm a ver com a ciência e tecnologia, mas a sua preocupação, e isso é muito típico dos empresários portugueses, é a procura do lucro imediato. Uma forma para tornar uma empresa sustentável e lucrativa a longo prazo é investir na investigação científica. Para isso, tem de se abdicar de pequenos lucros imediatos, em favor do futuro, o que é uma questão de mudança de mentalidade. É preciso saber planear e investir, distinguindo o curto e longo prazo, pois uma solução para o curto prazo pode não ser a melhor opção para o longo prazo. Em geral, não é.
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January 5 2010, 1:45am | Comments »
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Sobre o consumismo desenfreado
http://dererummundi.blogspot.com/2009/12/contra-o-consumismo-desenfreado.html
Postal electrónico de Natal realizado no âmbito da cadeira de Projecto II, do curso Design da Universidade de Aveiro. Este postal visa os problemas do excesso de consumo que se vão apoderando desenfreadamente da nossa sociedade, tendo por base o conceito de "prosumer".
December 24 2009, 6:53am | Comments »
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Da Asfixia Mercantil
http://terrear.blogspot.com/2009/12/da-asfixia-mercantil.html
Partilho com os meu leitores um texto interessante de um professor aluno de mestrado.Talvez com um pouco mais de ética, como diz o professor Cassiano Reimão…. (diria muito mais...)1. O Homem na sua já longa caminhada rumo ao progresso social, prosperidade económica e investigação científica, tem trilhado um percurso sinuoso, alternado períodos de glória e luz, como por exemplo na Antiguidade greco-romana e na época do Renascimento, com períodos de trevas e de terror, como por exemplo na Idade Média.2. O homem moderno do século vinte experimentou vários modelos de sociedades, criou aberrações monstruosas como o fascismo de Adolph Hitler e o comunismo de Joseph Stalin, criou o capitalismo oligopolista liberal tipo norte-americano, e criou as sociais-democracias da Europa Ocidental, com preocupações de justiça económica e equidade social.3. Derrotados os regimes ditatoriais de cariz nazi e afastada a ameaça comunista, entrámos nos novo milénio sob o signo da globalização, com a hegemonia absoluta dos EUA e do modelo económico e social de matriz teórica (e na prática) neoliberal, que é tão eficiente na produção de bens e serviços como o é na produção de desequilíbrios regionais e ambientais, na criação de desigualdades, na produção da exclusão social, na extinção da fauna e flora… Os cifrões são idolatrados, a mão de Adam Smith foi substituída por pés invisíveis, não se olhando a meios para atingir os fins: lucros, mais lucros, maximização dos lucros!4. A palavra especulação foi varrida do dicionário mas passou a ocupar posição dominante na actividade económico-financeira mundial sob o manto diáfano dos eufemismos “produtos estruturados complexos”, “desregulamentação dos mercados”, “futuros”, “opções”, e outros que tais. Neste frenesim ultra liberal nem os bens essenciais para a humanidade como o petróleo, os cereais, o trigo – o pão -, escaparam à insaciável gula especulativa, fazendo correr à velocidade da luz rios de dinheiro que invariavelmente vão desaguar nos paraísos fiscais designados offshores. Paulatina e sorrateiramente, as democracias vão-se fragilizando ficando reduzidas à mínima dimensão política eleitoral, a corrupção prospera e o poder económico vai-se sobrepondo ao poder político, em suma as democracias vão cedendo o lugar às plutocracias, quando não às cleptocracias.5. Tudo parece indicar que a crise que assolou o planeta já está financeira e economicamente debelada (não socialmente), e um novo ciclo de crescimento se adivinha. Mas será que tirámos as devidas ilações dela? Francamente, parece-nos que não! Com efeito, a principal causa da crise que atravessamos reside no facto de na maioria dos sectores produtivos existir um excesso de capacidade instalada, excesso esse induzido e suportado por uma overdose de consumo apoiado numa overdose de crédito bancário, o que nos conduz indubitavelmente à expressão economia drogada!6. Efectivamente, a criação monetária pelas instituições bancárias através do chamado multiplicador de crédito monetário veio criar uma situação de excessiva liquidez nunca antes registada: as reservas bancárias obrigatórias que até há três décadas atrás eram de 33%, passaram apenas para 2% na actualidade, o que é altamente arriscado e de perigosidade extrema: por cada cem euros depositados os bancos apenas são obrigados a reservar dois; um depósito bancário de mil euros vai gerar moeda fictícia de cinquenta mil euros. Uma mini corrida aos depósitos bancários pode fazer despoletar o pânico generalizado; seria o caos completo, uma catástrofe de proporções dantescas, como efectivamente teria acontecido não fosse a pronta e massiva intervenção dos bancos centrais das potências mundiais. Poucas pessoas no mundo tiveram essa percepção, mas em Novembro de 2008, a coisa esteve por um fio…e na próxima, como será?(J Augusto Rodrigues)
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December 17 2009, 1:03pm | Comments »
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NO PAÍS DA SUCATA
http://dererummundi.blogspot.com/2009/11/no-pais-da-sucata.html
Minha crónica no "Público" de hoje:Jorge Coelho, presidente-executivo da Mota-Engil, a maior empresa de construção nacional, deu uma entrevista ao semanário “Sol” em 18 de Setembro passado que talvez nos ajude a entender as nebulosas relações entre negócios e política no nosso país. Quando lhe foi perguntado se achava que a empresa que dirigia era beneficiada ou prejudicada nas adjudicações, disse: “Muito do que se passa na política, por detrás de coisas que são feitas... se os portugueses soubessem ficavam com ainda menos respeito pela vida política.” Os jornalistas quiseram saber se ele se referia a todas as alas políticas, ao que ripostou: “Tudo, tudo, tudo”. Interrogado quando é que tudo isso se ia saber, a resposta foi curta: “Nunca”.Ele, que antes de ser empresário foi político durante quase 30 anos (“conheci muita gente e tenho conhecimentos ao nível da banca portuguesa e internacional que são fundamentais na minha profissão”, informou noutro passo da entrevista), deve saber do que estava a falar. Nós, que não sabemos, temos de nos limitar a imaginar. E não é difícil imaginar, porque o ex-ministro de Estado e do Equipamento Social de um governo do PS, não dizendo nada de concreto, disse mais do que diria dizendo. A mim, pelo menos, não me custa muito imaginar que Jorge Coelho converse, pelo telefone ou ao vivo, com os seus amigos e conhecidos no governo ou na banca e não tenha de esperar para ser não só atendido como bem atendido.Certo é que, à data da entrevista, pouco antes das eleições legislativas, as acções da Mota-Engil estavam a subir a pique, tendo continuado a subir até atingirem, em 9 de Outubro, nas vésperas das eleições autárquicas, o máximo de 4,53 euros (mais do dobro do mínimo registado este ano, em 5 de Março). A cotação da Mota-Engil constituiu, para alguns analistas, um bom previsor dos resultados eleitorais. Essa foi, de facto, uma verdadeira sondagem, cuja margem de erro se revelou menor do que a das sondagens convencionais.Nada disto é novo. A promiscuidade entre negócios e política é entre nós antiga e será uma das razões pelo desrespeito que os portugueses têm pela vida política, desrespeito que Jorge Coelho aliás reconhece. Esse mal-estar não é uma impressão difusa e não quantificável, pois há dados sociológicos que exibem com clareza a nossa desconfiança em relação ao funcionamento das empresas e instituições. A organização Transparency Internacional acaba de divulgar o seu relatório anual sobre a percepção da corrupção num grande número de países, e continuamos em queda nesse “ranking” mundial da corrupção. Se no ano transacto tínhamos caído do 28.º para o 32.º lugar (eram invocados os casos do “Apito Dourado” e do financiamento ilícito da Somague ao PSD), agora caímos do 32.º para o 35.º lugar, onde estamos a par com Porto Rico e logo antes do Botswana (não foram desta vez adiantadas explicações, mas pode-se adivinhar quais são).Receio que o caso “Face Oculta” recentemente trazido à luz do dia – o caso das ligações perigosas das empresas do sucateiro Manuel Godinho a instituições públicas ou privadas de algum modo próximas da política, como a REN, a REFER, a Galp, a EDP e o Millennium BCP - nos venha a custar, no próximo ano, a continuação da queda. A palavra “sucata”, com etimologia árabe, significa “o que cai, coisa sem valor” (recorro ao Dicionário Houaiss). Ora, o que está a cair com esse caso, o que está a ficar cada vez mais sem valor, é uma das coisas que mais devíamos valorizar, por ser uma das marcas maiores dos países desenvolvidos: a confiança. Não se trata apenas da diminuição da confiança que os cidadãos têm na política, mas, o que é mais grave, também da diminuição da confiança deles na justiça, que devia tratar rápida e exemplarmente este tipo de casos em vez de deixar avolumar controvérsias. Até já ouvi um médico comentar que, se na saúde estivéssemos tão mal como na justiça, se os prazos de atendimento nos hospitais fossem tão grandes como nos tribunais, já estaríamos quase todos mortos há muito tempo...
November 20 2009, 2:09am | Comments »
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CRÍTICA DO NACIONALISMO ECONÓMICO
http://dererummundi.blogspot.com/2009/11/critica-do-nacionalismo-economico.html
Informação recebida da Antígona sobre um novo livro:CRÍTICA DO NACIONALISMO ECONÓMICOKarl MarxTradução de José Miranda JustoPrefácio de José NevesNovidade Novembro 2009141 pp | pvp €14,00 | ISBN 978-972-608-208-8Este volume inclui dois textos de Karl Marx: o primeiro é um dos seus escritos menos conhecidos, redigido em 1845, e, em rigor, não é mais do que um esboço de uma recensão crítica à obra O Sistema Nacional da Economia Política, volumoso livro da autoria de Friedrich List, publicado na Alemanha em 1841, e que rapidamente alcançou sucesso editorial a nível internacional.O segundo texto é o discurso proferido por Marx em Janeiro de 1848, «Discurso Sobre a Questão do Comércio Livre». Aqui, Marx procura desmontar o argumento de acordo com o qual o comércio livre, na medida em que aumentaria os salários e diminuiria o preço do pão, beneficiaria o partido dos trabalhadores. De acordo com Marx, em qualquer dos casos – proteccionismo ou comércio livre –, a liberdade era entendida como a liberdade de um explorar um outro, a liberdade de um país explorar um outro país ou de uma classe explorar uma outra classe, uma ideia já veiculada no primeiro texto.No início do século XXI, é digno de atenção o regresso a um Marx que censura o proteccionismo com tanto ou maior empenho do que o que empresta à crítica do comércio livre.Imagem: from Die Brennessel, http://www.calvin.edu/academic/cas/gpa/brenn1.htmCaption: "A Scene from the 'Good Old Days.'"The claim is that Marxism was leading German workers to their destruction before Hitler's takeover.(23 January 1934)
November 17 2009, 1:53am | Comments »
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Descubra os ERROS!
http://dererummundi.blogspot.com/2009/11/descubra-os-erros.html
Parece que a "Face Oculta" está para durar. Mas não era sobre isso que queria falar. Queria só que jogassem comigo ao "descubra os erros".Armando Vara enviou um carta ao conselho superior de supervisão do BCP pedindo "suspenção"/suspensão dos seus mandatos no banco. Mas teve o cuidado de dizer: é uma "suspenção"/suspensão e não uma "renuncia"/renúncia, pois isso poderia ser interpretado como "assumpção"/assunção* de culpa.Veja a carta aqui e descubra os erros de ortografia do administrador do BCP que pelos vistos também suspendeu o Português.:-( É a vida.Isto faz-me lembrar um livrinho muito engraçado que ofereci há dias à minha filha mais nova (a Beatriz de 7 anos). Intitula-se "A menina que não gostava de livros", da autoria de uma senhora indiana a viver no Canadá (Manjusha Pawagi). Muito interessante, fácil de ler e que incentiva a ler. Pode custar no início, como ao gato Max que ficou marcado na cauda com a forma de um grande livro que lhe caiu em cima :-)Mas ajuda pela vida fora, e é uma enorme fonte de prazer.De vez em quando ofereça um livro ao seu filho(a). E leia-o com ele(a), substituindo algum do tempo em frente à televisão. Vai fazer toda a diferença. *assumpção é uma variante de assunção
November 10 2009, 4:25am | Comments »
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Estratégia para o conhecimento
http://dererummundi.blogspot.com/2009/11/estrategia-para-o-conhecimento.html
Dizia-me um responsável de uma grande empresa tecnológica nacional que os saltos tecnológicos registados na empresa foram sempre o resultado da intervenção de pessoas que estavam na empresa há menos de um ano. Ou seja, foram o resultado da actividade de pessoas que eram relativamente livres para serem disruptivas e sugerirem alterações ou mudanças inesperadas para os outros. Pessoas criativas, com capacidade de inovar e de colocar em prática as suas ideias. É muito significativa e talvez surpreendente esta observação.Portugal não tem dimensão suficiente para gerar escala, isto é, as empresas nacionais não podem contar com o mercado nacional para se desenvolverem e serem competitivas. Nem sequer para sobreviver. Por isso, precisam de se aventurar em novos mercados, por esse mundo fora, tirando partido da sua criatividade e capacidade empreendedora. Isto é, devem distinguir-se pela qualidade dos seus produtos, pelos serviços que oferecem, pela sua disponibilidade e pela forma como se apresentam ao mundo: têm de ser diferentes e melhores. Não é só design e ergonomia, é também funcionalidade, tecnologia, serviços, integração, novidade ou, numa frase, projecto criativo de produtos e serviços tendo por base a satisfação de interesses do mercado. Para atingir estes objectivos é costume dizer-se que precisamos de inovar, conceito que tem sido usado até à exaustão. Mas as empresas percebem que isso necessita de pessoas criativas que constantemente procuram melhores soluções, mas que também são capazes de se organizar para as colocar em prática. É por aí que tem de começar um plano coerente de desenvolvimento do país: chamem-lhe plano tecnológico, ou mais adequadamente, estratégia para o conhecimento. Pelas pessoas. Pelas novas gerações, em particular. Com o objectivo de criar a consciência colectiva da necessidade de esforço, iniciativa pessoal e original como forma de encarar a vida e planear o futuro. Este esforço é particularmente necessário junto de escolas secundárias onde é importante fazer chegar o exemplo de empreendedores e respectivos trajectos de vida, bem como demonstrar formas alternativas e originais de trabalhar, para que os jovens possam alargar horizontes e se apercebam que dependem de si, da qualidade da educação que tiveram, mas também, em grande medida, da sua atitude perante a vida. Será esse binómio que lhes permitirá aproveitar as oportunidades que a vida lhes proporcionará, mas também criar as suas próprias oportunidades, seja por conta própria ou por conta de outrem. Os cursos de empreendedorismo, o contacto com empresas inovadoras e a relação das escolas com a universidade e centros de saber são ainda mais críticos nestas faixas etárias. Conhecimento, espírito empresarial e empreendedor são valências essenciais ao nosso futuro colectivo.
November 5 2009, 12:17am | Comments »
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Prémios Nobel
http://dererummundi.blogspot.com/2009/10/premios-nobel.html
Como de outras vezes, destacamos a coluna de J. Pio de Abreu no"Destak":A atribuição dos Prémios Nobel pela Real Academia Sueca das Ciências tornou-se um acontecimento central da aldeia global. Há muito tempo que a Academia Sueca sabe que os seus prémios não se dirigem ao passado, mas têm um impacto notável na visibilidade dos galardoados e na aceitação das suas mensagens. Foi assim que a atribuição do prémio a Ramos Horta e Ximenes Belo, não só reconheceu a sua luta, mas influenciou decisivamente o nascimento da primeira nação do século XXI e terminou com um possível genocídio do povo de Timor.Este ano, houve quem criticasse a "precoce" atribuição do prémio da paz a Barack Obama. Curiosamente, os críticos vieram das fileiras dos saudosos da beligerância de direita de Bush, ou dos beligerantes teóricos da esquerda radical. Talvez ignorem que a eleição de Obama restituiu a dignidade à humanidade não branca e sem olhos azuis. E também não repararam que todo o percurso de Obama se baseou no estabelecimento de pontes e contactos não beligerantes.Pouco se falou do Prémio Nobel da Economia, que pode ser mais significativo. A Elionor Ostrom, foi-lhe reconhecido o seu trabalho sobre a administração de empresas cooperativas. Oliver Williamson notabilizou-se pelo estudo das transacções contratuais e negociais nas margens de empresas de carácter diverso. Ambos trabalharam sobre economias alternativas fora dos mercados convencionais. Se algum prenúncio existir, ele tem a ver com o fim do absolutismo do mercado e das teorias económicas predadoras.J.L. Pio Abreu
October 30 2009, 8:06pm | Comments »



