Como neste blogue as opiniões são livres, trazemos a opinião do nosso colaborador Rui Baptista sobre o debate televisivo Sócrates-Louçã: “A cura está ligada ao tempo e às vezes também às circunstâncias” (Hipócrates, 460 a.C.- 337 a.C)O recente debate televisivo entre José Sócrates e Francisco Louçã (RTP1, 8/09/2009) fez-me recuar aos tempos da minha juventude. Mais precisamente aos saudosos filmes de “cowboys” em que aparecia a personagem de um pregador que, na praça pública, tentava convencer os ouvintes da bem-aventurança que aguardava as suas almas no paraíso que ele defendia com a convicção da sua “própria fé” .Neste caso, o pregador da coboiada nacional que passou nos ecrãs televisivos foi personificado por Francisco Louçã, o festejado líder do Bloco de Esquerda, quando no referido debate defendeu que as despesas com a saúde - consequentemente, as consultas médicas em consultórios privados - deixassem de contar para efeitos de desconto no IRS.Sabendo nós que os recibos passados pelos médicos aos seus clientes constituem uma parcela importante do total que é taxado a estes profissionais para pagamento de IRS, o referido desaparecimento de recibos constituiria uma perda evidente de rendimentos para a fazenda pública criando uma forma de economia paralela que vigora nas profissões que não passam recibo porque o cliente assim não o exige, porque não ganha nada com isso e porque não quer amontoar papelada para lançar no lixo.Este um aspecto da questão. Outro, e não menor, é o facto de o pregador Francisco Louçã julgar estar a viver, no "ledo e doce engano" de um mundo idílico em que o utente de uma consulta estatal não tem que se deslocar pela madrugada a um posto médico ou hospital para ser atendido ou simplesmente marcar uma consulta. Sem comentários por desnecessários, suponhamos, por hipótese, tratar-se de um doente com uma pneumonia e sem meio de transporte próprio que tem de se deslocar em transporte público... O terrível dilema das pessoas que se encontram fragilizadas fisica e animicamente por uma doença grave dá azo à seguinte opção popular: vão-se os anéis e fiquem-se os dedos. O doente tem de ir à privada se não quer morrer já.Pode ser que o ridículo nem sempre mate, mas que faz perder votos fá-lo sempre. Será que Francisco Louçã, na sua ânsia cega de tudo tornar público, se não apercebeu do mau serviço que estava a prestar a si e ao partido que representa? Quer se tenha apercebido ou não, o mal está feito e pode ter consequências, venham as justificações de onde vierem. Se vierem, claro.
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Francisco Louçã, o pregador
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September 10 2009, 4:59pm | Comments »
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DIÁLOGO SOBRE "PORTUGAL DESIGUAL"
http://dererummundi.blogspot.com/2009/09/dialogo-sobre-portugal-desigual.html
O meu artigo "Portugal Desigual" publicado no "Público" e também neste blogue publicou a seguinte reacção do leitor António de Andrade Tavares, que ele me autoriza a reproduzir aqui (evito que fique perdido no fundo de uma caixa de comentários):"Transmito-lhe uma pequena reflexão sobre o artigo "Portugal Desigual", que li com interesse. Em minha opinião faz sentido que nos interroguemos da razão de tamanha desigualdade social existente em Portugal. Será que a sua causa está, como parece, no egoísmo dos privilegiados?A despesa do Estado representa, grosso modo, 50% do PIB, e seguramente muito mais de 50% do RNB (o PIB que fica no País após pagarmos os juros e dividendos daquilo que os estrangeiros “investiram” em Portugal) com base no resultado financeiro obtido pelo nivelamento induzido pela cobrança pública de impostos, outras taxas e das contribuições para a Segurança Social (11% + 23,75% dos salários).Tendo em conta esta enorme parte que o Estado gere, julgo ser legitimo interrogarmo-nos se "a verdadeira razão do problema não estará na péssima gestão pública" dessa metade da riqueza produzida.Quanto a desigualdades sociais, será caso para perguntar se o resultado seria melhor se o Estado não gerisse apenas os 50% do PIB, que em grande medida desbarata, mas tivesse a seu cargo a gestão duma maior percentagem, a retirar suplementarmente ao sector produtivo.Atrevo-me a imaginar qual seria a igualdade obtida se viéssemos a permitir que o Estado gastasse, a seu gosto, não 50%, mas a totalidade da riqueza produzida e/ou consumida?Para usar um conceito expresso por Marx, não estará o Estado com a conivência irresponsável de todos nós, a apropriar-se em auto consumo e a delapidar "a mais-valia" criada pela parte do país que é produtiva, que gera rendimento e poupança e é, provavelmente, tida por egoísta?Quanto à alusão que faz ao "sector da educação" não resisto a pedir-lhe que me acompanhe num cálculo elementar:Para calcularmos o gasto público por aluno (do pré-escolar ao fim do secundário) do Ministério da Educação, teremos que dividir 6652 milhões € por 1,477 milhões de alunos (usei documentos oficiais), o que dá cerca de 4500 € por aluno.Atrevo-me a pedir-lhe que compare este custo com o preço das melhores escolas privadas em Portugal. E repare que estamos a comparar não um custo com um custo, mas um custo com um preço! Estamos a esquecer o valor da construção das escolas públicas e cada um reflectirá sobre a qualidade do ensino, comparando as escolas públicas com as privadas.Será que o “cheque educação” não seria a verdadeira forma de permitir a todos uma verdadeira igualdade de acesso a boas escolas - públicas ou privadas - segundo a escolha de cada um?"Respondi:"Agradeço muito o seu texto e peço desculpa da minha resposta tardia devido a sobrecarga de tarefas. Sim, concordo que o nosso Estado gere mal a "res publica", por vezes mesmo muito mal. Mas já não lhe sei responder se o cheque-educação seria um remédio. Mesmo encontrando alguns méritos na solução, não penso que possa ser uma panaceia. Até porque o problema não se resume à dimensão económica. Interrogo-me de resto por que razão outros países europeus têm sido tão pouco lestos como nós a adoptar uma solução desse tipo. Eu sei que o mercado funciona, em geral, bem, mas tem tempos e sectores em que não funcionará tão bem... E desculpar-me-á se eu recear a competição desenfreada que poderá estabelecer-se entre escolas privadas para receber os ditos cheques."Em réplica, Andrade Tavares acrescentou:"Efectivamente o mercado não é perfeito e no curto prazo pode permitir situações indesejáveis, o ajustamento muitas vezes só acontece no médio, longo prazo. Mas, para responder a essa dificuldade, a regulação é sempre um meio disponível, se dirigida por entidade mais sábia que os milhares, neste caso 1,4 milhões que teriam que escolher, como escolhem coisas quase tão importantes como a educação: a casa, a alimentação, a profissão, o frigorífico, o cinema, o restaurante, ou mesmo o cônjuge. Certamente cometendo muitos erros, que procuram corrigir na próxima oportunidade.O receio do mercado faz-me lembrar - permita-me a comparação - o receio da democracia. E esta, às vezes, funciona mal; acontece é que é sempre (muito) arriscado tentar uma alternativa...A competição é, em geral, muito desagradável para quem tem que competir, sem nisso ter gosto. É, normalmente, muito vantajosa para quem é disputado, por exemplo como consumidor. Não seria mal recordar que foi apenas a competição, com momentos de alguma sorte (cuja relevância se esbate ao longo de milhões de anos de evolução), que permitiu a maravilha da vida na Terra e o aparecimento da inteligência.Julgo que na Europa, como por cá, se endeusou a escola pública como notável contraponto à "não-escola", esquecendo a alternativa da "escola-livre" com autonomia e com exames nacionais, única forma efectiva de verdadeira medida dos resultados. "Escola-livre", pelas mesmas razões que a universidade livre e autónoma. A muitos professores não agrada a competição, compreendo-os perfeitamente! E está provado que é muito difícil reformar em oposição aos profissionais assumidamente organizados na defesa do seu interesse, mesmo que profundamente egoísta e interesseiro."Pensei que este debate, em vez de ser privado, pode ser público...
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September 8 2009, 12:41pm | Comments »
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AS UNIVERSIDADES E A CRISE ECONÓMICA
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Do artigo de Drew Gilpin Faust (na imagem), Reitora da Universidade de Harvard, sobre o papel das universidades no mundo de hoje, com o título "The University’s Crisis of Purpose " e publicado no "New York Times" de 1 de Setembro (ver aqui) respigamos a parte final:"Universities are meant to be producers not just of knowledge but also of (often inconvenient) doubt. They are creative and unruly places, homes to a polyphony of voices. But at this moment in our history, universities might well ask if they have in fact done enough to raise the deep and unsettling questions necessary to any society.As the world indulged in a bubble of false prosperity and excessive materialism, should universities — in their research, teaching and writing — have made greater efforts to expose the patterns of risk and denial? Should universities have presented a firmer counterweight to economic irresponsibility? Have universities become too captive to the immediate and worldly purposes they serve? Has the market model become the fundamental and defining identity of higher education?(...) As a nation, we need to ask more than this from our universities. Higher learning can offer individuals and societies a depth and breadth of vision absent from the inevitably myopic present. Human beings need meaning, understanding and perspective as well as jobs. The question should not be whether we can afford to believe in such purposes in these times, but whether we can afford not to."
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September 4 2009, 5:55pm | Comments »
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Ao fim do dia de ontem, balanço objectivo da suspensão do Jornal Nacional
Ao fim do dia de ontem podemos fazer um balanço objectivo da suspensão do Jornal Nacional. Uma decisão que, recordo, foi justificada pela administração da TVI por razões económicas, as quais uma parte significativa do país eleitoraleiro preferiu ignorar. Financeiramente: 1. A Impresa, rival da Prisa, foi a principal beneficiada com a decisão. As suas acções no mercado de capitais registaram ontem, depois da notícia da suspensão, uma valorização de 10%. 2. A decisão da Prisa foi penalizada pelo mercado: a Media Capital perdeu 15% do seu valor. 3. A Ongoing, onde pontifica o marido de Manuela Moura Guedes e ex-director-geral da TVI, saiu a ganhar duplamente com a suspensão do Jornal Nacional: directamente, porque encaixou o seu quinhão de valor na subida da Impresa, onde detêm uma fatia considerável; indirectamente, por sair fragilizado um dos seus objectivos. Politicamente: 4. O PSD, partido que concorre contra o PS de José Sócrates, foi o beneficiado, politicamente, com a suspensão do referido jornal. 5. O PS e o Governo foram os mais prejudicados com a decisão de suspender o jornal televisivo que lhes era mais crítico. E um balanço subjectivo? 1. Os comentaristas (que eu li) ficaram-se a debater os aspectos irracionais do caso e, alguns, muito alegremente, quiseram fazer pender para o Governo a responsabilidade de uma decisão que objectivamente só prejudica este. Compreendam-nos: foram possuídos pel’A Verdade. 2. Ninguém se lembrou de Pina Moura e da sua recente aproximação ao PSD. 3. Ninguém quis seguir a pista do dinheiro. O JN foi a (tímida) excepção. Pergunta: 1. Se a suspensão tivesse origem no Governo, o dia tinha sido diferente? Sim. Tal significaria que a TVI obtinha algum tipo de vantagem do Governo, como uma promessa de licença, favores nalgum negócio ou empreendimento, ou outro. O mercado de capitais recompensaria a acção, na perspectiva de que o valor da Prisa subiria por força dessa vantagem. As acções da Prisa subiam e as do grupo rival provavelmente desciam, na proporção. Cenário: O caro leitor dirige 1 empresa cotada em bolsa, depois de ter saído o director-geral. Este saiu há 1 mês para um grupo rival, que quer comprar e controlar a sua empresa. Deixou na sua empresa a mulher, num cargo de chefia onde tem acesso a informação classificada. Você: 1. despede-a na primeira ocasião; 2. deixa-a ficar, correndo o risco de passar informação ao seu ameaçador rival. Não se coiba, leitor amigo. Diga-me nos comentários o que fazia.
September 3 2009, 7:37pm | Comments »
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PORTUGAL DESIGUAL
http://dererummundi.blogspot.com/2009/08/portugal-desigual.html
Minha crónica no "Público" de hoje:Agora que se aproximam eleições legislativas, vale a pena interrogar-nos sobre quais são os nossos principais problemas. Se o fizermos, será inevitável a conclusão de que uma das questões que mais nos devem preocupar é a enorme disparidade de rendimentos que persiste entre os mais ricos e os mais pobres. Somos um país de enormes contrastes sociais e há fortes indícios de que a recente crise económica internacional (que se soma à crónica crise nacional) veio aumentar ainda mais o desnível entre os grupos sociais com mais e menos rendimentos.Um livro recente publicado na Grã-Bretanha – The Spirit Level: Why More Equal Societies Almost Always Do Better (Allen Lane, 2009), de Richard Wilkinson e Kate Pickett, epidemiologistas das Universidades de Nottingham e York – veio chamar a atenção para a relevância desse indicador. Dentro de um grupo de vinte países desenvolvidos, Portugal aparece no topo da escala da desigualdade, entre o Reino Unido e os Estados Unidos (neste último, a desigualdade social ainda é maior do que entre nós, mostrando que se pode ser um país rico e, ao mesmo tempo, ter a riqueza distribuída de uma forma muito assimétrica). Do outro lado, no fundo da escala da desigualdade, encontram-se o Japão e os países nórdicos, como a Suécia e a Noruega. Não há, porém, razões para estarmos satisfeitos com a companhia em que estamos. Aqueles autores, baseados num cuidadoso estudo estatístico de uma série de índices, chamam a atenção para o facto de ser nos países onde há maior desigualdade de rendimentos que há também mais problemas sociais e de saúde, designadamente maiores taxas de criminalidade, de obesidade, de doenças mentais, de gravidez na adolescência, de insucesso escolar, etc.: os vários indicadores relativos à incidência desse tipo de maleitas estão bem correlacionados com a desigualdade social. Claro que correlação não implica uma relação de causa-efeito, mas Wilkinson e Pickett dizem-nos que essa desigualdade coloca um país sob uma grande tensão, gerando dificuldades acrescidas para todos: não são só os pobres, que sofrem sempre com o seu estado de marginalidade social, mas é também o resto da população de um país – classe média e ricos - que fica pior. Como resume o subtítuto: Sociedades mais igualitárias funcionam quase sempre melhor.O jornal The Guardian de 13 de Março, num artigo sobre desigualdade social suscitado pela publicação do referido livro, chama a Portugal e Espanha um “par estranho”, por serem “países com muitas semelhanças culturais e paralelos nas suas histórias recentes – ambos se tornaram democracias nos anos 70 após a queda de regimes autoritários”. Mas, nota o jornal,“a Espanha está a meio da tabela da desigualdade, enquanto Portugal está quase no cimo”, registando-se aqui “muitos mais problemas sociais”.Haverá esperança de que esta situação mude, a oeste da Península, com as próximas eleições? O depósito do voto na urna deveria ser sempre um acto de esperança. Mas, faltando um mês para o sufrágio, não parece que esse venha a ser o sentimento dominante. Por um lado, pode-se pensar que, dos dois maiores partidos, o Partido Socialista, em princípio mais à esquerda, seja mais sensível às questões tão prementes das desigualdades sociais. Mas, por outro lado, a sua política no sector da educação, aquele onde a sociedade, com maior eficácia, pode concentrar esforços no sentido do seu nivelamento, tem-se revelado desastrosa. A escola portuguesa actual não constitui para os pobres um meio seguro e expedito de promoção social. De facto, na ausência de uma escola pública qualificada e exigente os ricos conseguem encontrar alternativas, ao passo que os pobres estão condenados à exclusão. Seja qual for o partido que ganhe as eleições (aliás ganhar pode, a curto ou médio prazo, significar perder), muitos eleitores receiam que se venha a aplicar mais uma vez a famosa frase de Giuseppe di Lampedusa, o escritor italiano autor de O Leopardo: "Se queremos que tudo fique como está é preciso que tudo mude".
August 27 2009, 6:14pm | Comments »
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PORTUGAL, DISFUNCIONALIDADE SOCIAL E RELIGIÃO
http://dererummundi.blogspot.com/2009/08/portugal-disfuncionalidade-social-e.html
Na revista Newsweek de 24-31 de Agosto, Sharon Bagley, no artigo intitulado "(Un) wired for God. Religioun beliefs may not be innate", refere Portugal como um país próximo dos Estados Unidos, por ser ao mesmo tempo socialmente muito disfuncional (medido por taxas de homicídios, abortos, gravidez de adolescentes, doenças sexualmente transmissíveis, desemprego e pobreza) e muito religioso (medida pela auto-afirmação da fé, frequência da igreja, hábitos de oração, etc.). A autora baseia-se em Paul Gregory, um paleontólogo interessado por assuntos de sociologia e de religião. Transcrevo:"In brief, the number of American non-believers has doubled since 1990, a 2008 Pew survey found, and increased even more in some other advanced democracies. What's curious is not so much the overall decline of belief (which has caused the Vatican to lament the de-Christianization of Europe) as the pattern. In a paper last month in the online journal Evolutionary Psychology, Gregory Paul finds that countries with the lowest rates of social dysfunction—based on 25 measures, including rates of homicide, abortion, teen pregnancy, sexually transmitted disease, unemployment, and poverty—have become the most secular. Those with the most dysfunction, such as Portugal and the U.S., are the most religious, as measured by self-professed belief, church attendance, habits of prayer, and the like.I'll leave to braver souls the question of whether religiosity leads to social dysfunction, as the new breed of public atheists contends. More interesting is the fact that if social progress can snuff out religious belief in millions of people, as Paul notes, then one must question "the idea that religiosity and belief in the supernatural is the default mode of the brain," he told me. "Fui consultar o artigo recente de Gregory e que está aqui (há um sítio do autor sobre o assunto: aqui). Não encontrei nenhuma referência directa a Portugal. Contudo, num artigo anterior (aqui) do mesmo autor sobre o mesmo tema, Portugal é, de facto, mencionado como um país ao mesmo tempo socialmente disfuncional e religioso. Claro que correlação não significa causalidade... Aliás, o artigo anterior de Gregory foi criticado por vários autores, usando argumentos técnicos relativos ao tratamento dos dados.Deixando de lado a questão da religião, vale a pena acrescentar que a proximidade de Portugal aos Estados Unidos do ponto de vista social também aparece num livro recente dos ingleses Richard Wilkinson e Kate Pickett, The Spirit Level: Why More Equal Societies Almost Always Do Better, Allen Lane, 2009) (ver recensão do Guardian aqui, que refere Portugal). Em ambos os países existe maior número de problemas de saúde e sociais e também maior desigualdade social, considerando apenas os países mais desenvolvidos (ver o gráfico de cima, extraído do livro, que relaciona problemas de saúde e sociais com desigualdade social: Portugal está no canto superior direito, entre o Reino Unido e os Estados Unidos). Para usar uma expressão que Gregory usou, Portugal parece ser um país do "segundo mundo". Somos, de facto, um "case study", por estarmos no extremo de algumas escalas com que se medem os países desenvolvidos...
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August 25 2009, 3:21pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Confissões de um empreendedor
http://dererummundi.blogspot.com/2009/07/confissoes-de-um-empreendedor.html
Artigo de Armando Vieira, CEO da empresa Sairmais.com, que saiu no jornal OJE:Vivemos tempos excelentes para inovar. A necessidade aguça o engenho, e a crise actual é um grande catalisador da inovação. Baixar os braços e resignar-se numa apatia fatalista é deixar que o nosso destino seja traçado pelos outros. Há que aproveitar as virtudes de trabalhar em contra-ciclo e acreditar num futuro promissor. Bem vistas as coisas, nunca vivemos num período tão próspero e com tantas oportunidades como o actual.O fosso que separa o nosso país dos Estados Unidos não é o facto de sermos mais pobres ou termos menos ideias que eles. Vivemos uma sociedade do conhecimento, um conhecimento universal e aberto a todos. O factor diferenciador do sucesso não é somente o dinheiro que se possui, mas sobretudo a criatividade e a capacidade de materializar as ideias em produtos. Por outras palavras, o empreendedorismo.É precisamente aqui que se encontra o grande fosso entre estas duas culturas. Embora criativo, o português é amordaçado pelo medo atávico de falhar, de cair no ridículo, da "humilhação" pública. Nos EUA, pelo contrário, arriscar é algo natural; perder não é um estigma mas um sinal que dinamismo.Portugal tem uma enorme quantidade de pessoas talentosas, talvez superior a outros países mais ricos, como a Finlândia. O problema é transformar esse talento e essas ideias em produtos e saber vendê-los num mercado global. Aí as nossas escolas falham, mas falham redondamente. Moldamos os alunos para serem bons funcionários, obedientes e ordeiros. Poderão ser excelentes funcionários públicos, mas serão certamente péssimos empreendedores.Grandes investimentos em obras públicas ou injectar dinheiro em empresas moribundas, que não souberam modernizar-se em competir num mercado global, não é o caminho para o nosso país sair da crise. Acreditar no talento natural dos jovens, incentivá-los a criar empresas, apoiar as empresas de base tecnológica existentes e ajudá-las a entrar em mercados competitivos (como o caso do programa UTEN), isso sim, poderá ser determinante.A nova economia é sobretudo uma economia de talentos e Portugal é um povo cheio de talento. Infelizmente, confundimos talento com graus académicos. Nas Universidades portuguesas, incentiva-se os jovens a passar nos exames, enquanto a sua criatividade se vai desvanecendo de grau em grau até que o ciclo se repita.Cansado deste modelo, que em nada me revejo, hoje despedi-me (para já provisoriamente) do Ensino Superior. Deixei para trás as aulas de rotina para me dedicar a 100% a um projecto inovador, mas de alto risco, e no qual acredito convictamente. Não sei se irei triunfar, mas se fracassar, tenho a certeza que não me arrependerei um segundo que seja.Armando VieiraArmando.vieira@sairmais.com
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July 28 2009, 10:59am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
HUMOR- GRIPE 1
http://dererummundi.blogspot.com/2009/07/humor-gripe-1.html
July 16 2009, 8:26am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
Manifesto de 51 economistas e cientistas sociais
http://pauloquerido.pt/economia/manifesto-de-51-economistas-e-cientistas-sociais/
O mercado como o conhecíamos morreu. Bem sei que muita gente prefere ignorar o avanço inexorável das modificações do meio ambiente, da propriedade dos meios de produção, da demografia e da transferência do capital de conhecimento. Há quem se possa dar ao luxo de se manter ignorante. Mas a maioria não se pode dar a tal capricho. Não tem como. Francamente, acredito que o impulso económico do lucro, que arrastou as sociedades ao longo dos 2 últimos séculos com os resultados qoe conhecemos, é insuficiente para fazer mexer as forças económicas hoje e nas próximas décadas. Vivemos num refluxo. Daí republico este manifesto de 51 economistas e cientistas sociais. O debate deve ser centrado em prioridades: só com emprego se pode reconstruir a economia Estamos a atravessar uma das mais severas crises económicas globais de sempre. Na sua origem está uma combinação letal de desigualdades, de especulação financeira, de mercados mal regulados e de escassa capacidade política. A contracção da procura é agora geral e o que parece racional para cada agente económico privado – como seja adiar investimentos porque o futuro é incerto, ou dificultar o acesso ao crédito, porque a confiança escasseia – tende a gerar um resultado global desastroso. É por isso imprescindível definir claramente as prioridades. Em Portugal, como aliás por toda a Europa e por todo o mundo, o combate ao desemprego tem de ser o objectivo central da política económica. Uma taxa de desemprego de 10% é o sinal de uma economia falhada, que custa a Portugal cerca de 21 mil milhões de euros por ano – a capacidade de produção que é desperdiçada, mais a despesa em custos de protecção social. Em cada ano, perde-se assim mais do que o total das despesas previstas para todas as grandes obras públicas nos próximos quinze anos. O desemprego é o problema. Esquecer esta dimensão é obscurecer o essencial e subestimar gravemente os riscos de uma crise social dramática. A crise global exige responsabilidade a todos os que intervêm na esfera pública. Assim, respondemos a esta ameaça de deflação e de depressão propondo um vigoroso estímulo contracíclico, coordenado à escala europeia e global, que só pode partir dos poderes públicos. Recusamos qualquer política de facilidade ou qualquer repetição dos erros anteriores. É necessária uma nova política económica e financeira. Nesse sentido, para além da intervenção reguladora no sistema financeiro, a estratégia pública mais eficaz assenta numa política orçamental que assuma o papel positivo da despesa e sobretudo do investimento, única forma de garantir que a procura é dinamizada e que os impactos sociais desfavoráveis da crise são minimizados. Os recursos públicos devem ser prioritariamente canalizados para projectos com impactos favoráveis no emprego, no ambiente e no reforço da coesão territorial e social: reabilitação do parque habitacional, expansão da utilização de energias renováveis, modernização da rede eléctrica, projectos de investimento em infra-estruturas de transporte úteis, com destaque para a rede ferroviária, investimentos na protecção social que combatam a pobreza e que promovam a melhoria dos serviços públicos essenciais como saúde, justiça e educação. Desta forma, os recursos públicos servirão não só para contrariar a quebra conjuntural da procura privada, mas também abrirão um caminho para o futuro: melhores infra-estruturas e capacidades humanas, um território mais coeso e competitivo, capaz de suportar iniciativas inovadoras na área da produção de bens transaccionáveis. Dizemo-lo com clareza porque sabemos que as dúvidas, pertinentes ou não, acerca de alguns grandes projectos podem ser instrumentalizadas para defender que o investimento público nunca é mais do que um fardo incomportável que irá recair sobre as gerações vindouras. Trata-se naturalmente de uma opinião contestável e que reflecte uma escolha político-ideológica que ganharia em ser assumida como tal, em vez de se apresentar como uma sobranceira visão definitiva, destinada a impor à sociedade uma noção unilateral e pretensamente científica. Ao contrário dos que pretendem limitar as opções, e em nome do direito ao debate e à expressão do contraditório, parece-nos claro que as economias não podem sair espontaneamente da crise sem causar devastação económica e sofrimento social evitáveis e um lastro negativo de destruição das capacidades humanas, por via do desemprego e da fragmentação social. Consideramos que é precisamente em nome das gerações vindouras que temos de exigir um esforço internacional para sair da crise e desenvolver uma política de pleno emprego. Uma economia e uma sociedade estagnadas não serão, certamente, fonte de oportunidades futuras. A pretexto dos desequilíbrios externos da economia portuguesa, dizem-nos que devemos esperar que a retoma venha de fora através de um aumento da procura dirigida às exportações. Propõe-se assim uma atitude passiva que corre o risco de se generalizar entre os governos, prolongando o colapso em curso das relações económicas internacionais, e mantendo em todo o caso a posição periférica da economia portuguesa. Ora, é preciso não esquecer que as exportações de uns são sempre importações de outros. Por isso, temos de pensar sobre os nossos problemas no quadro europeu e global onde nos inserimos. A competitividade futura da economia portuguesa depende também da adopção, pelo menos à escala europeia, de mecanismos de correcção dos desequilíbrios comerciais sistemáticos de que temos sido vítimas. Julgamos que não é possível neste momento enfrentar os problemas da economia portuguesa sem dar prioridade à resposta às dinâmicas recessivas de destruição de emprego. Esta intervenção, que passa pelo investimento público económica e socialmente útil, tem de se inscrever num movimento mais vasto de mudança das estruturas económicas que geraram a actual crise. Para isso, é indispensável uma nova abordagem da restrição orçamental europeia que seja contracíclica e que promova a convergência regional. O governo português deve então exigir uma resposta muito mais coordenada por parte da União Europeia e dar mostras de disponibilidade para participar no esforço colectivo. Isto vale tanto para as políticas destinadas a debelar a crise como para o esforço de regulação dos fluxos económicos que é imprescindível para que ela não se repita. Precisamos de mais Europa e menos passividade no combate à crise. Por isso, como cidadãos de diversas sensibilidades, apelamos à opinião pública para que seja exigente na escolha de respostas a esta recessão, para evitar que o sofrimento social se prolongue. Publiquem nos vossos vossos blogues. Abaixo os subscritores Manuel Brandão Alves, Economista, Professor Catedrático, ISEG; Carlos Bastien, Economista, Professor Associado, ISEG; Jorge Bateira, Economista, doutorando, Universidade de Manchester; Manuel Branco, Economista, Professor Associado, Universidade de Évora; João Castro Caldas, Engenheiro Agrónomo, Professor Catedrático, Departamento de Economia Agrária e Sociologia Rural do Instituto Superior de Agronomia; José Castro Caldas, Economista, Investigador, Centro de Estudos Sociais; Luis Francisco Carvalho, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL; João Pinto e Castro, Economista e Gestor; Ana Narciso Costa, Economista, Professora Auxiliar, ISCTE-IUL; Pedro Costa, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL; Artur Cristóvão, Professor Catedrático, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro; Álvaro Domingues, Geógrafo, Professor Associado, Faculdade da Arquitectura da Universidade do Porto; Paulo Areosa Feio, Geógrafo, Dirigente da Administração Pública; Fátima Ferreiro, Professora Auxiliar, Departamento de Economia, ISCTE-IUL; Carlos Figueiredo, Economista; Carlos Fortuna, Sociólogo, Professor Catedrático, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; André Freire, Politólogo, Professor Auxiliar, ISCTE; João Galamba, Economista, doutorando em filosofia, FCSH-UNL; Jorge Gaspar, Geógrafo, Professor Catedrático, Universidade de Lisboa; Isabel Carvalho Guerra, Socióloga, Professora Catedrática; João Guerreiro, Economista, Professor Catedrático, Universidade do Algarve; José Manuel Henriques, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL; Pedro Hespanha, Sociólogo, Professor Associado, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; João Leão, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL; António Simões Lopes, Economista, Professor Catedrático, ISEG; Margarida Chagas Lopes, Economista, Professora Auxiliar, ISEG; Raul Lopes, Economista, Professor Associado, ISCTE-IUL; Francisco Louçã, Economista, Professor Catedrático, ISEG; Ricardo Paes Mamede, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL; Tiago Mata, Historiador e Economista, Universidade de Amesterdão; Manuel Belo Moreira, Engenheiro Agrónomo, Professor Catedrático, Departamento de Economia Agrária e Sociologia Rural, Instituto Superior de Agronomia; Mário Murteira, Economista, Professor Emérito, ISCTE- IUL; Vitor Neves, Economista, Professor Auxiliar, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; José Penedos, Gestor; Tiago Santos Pereira, Investigador, Centro de Estudos Sociais; Adriano Pimpão, Economista, Professor Catedrático, Universidade do Algarve; Alexandre Azevedo Pinto, Economista, Investigador, Faculdade de Economia da Universidade do Porto; Margarida Proença, Economista, Professora Catedrática, Escola de Economia e Gestão, Universidade do Minho; José Reis, Economista, Professor Catedrático, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; João Rodrigues, Economista, doutorando, Universidade de Manchester; José Manuel Rolo, Economista, Investigador, Instituto de Ciências Sociais; António Romão, Economista, Professor Catedrático, ISEG-UTL; Ana Cordeiro Santos, Economista, Investigadora, Centro de Estudos Sociais; Boaventura de Sousa Santos, Sociólogo, Professor Catedrático, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; Carlos Santos, Economista, Professor Auxiliar, Universidade Católica Portuguesa; Pedro Nuno Santos, Economista; Mário Rui Silva, Economista, Professor Associado, Faculdade de Economia do Porto; Pedro Adão e Silva, Politólogo, ISCTE; Nuno Teles, Economista, doutorando, School of Oriental and African Studies, Universidade de Londres; João Tolda, Economista, Professor Auxiliar, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; Jorge Vala, Psicólogo Social, Investigador; Mário Vale, Geógrafo, Professor Associado, Universidade de Lisboa.
June 27 2009, 10:24am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
A FÍSICA DOS MERCADOS FINANCEIROS
http://dererummundi.blogspot.com/2009/06/fisica-dos-mercados-financeiros.html
Interessante artigo com este título, da autoria de Marta Daniela Santos e publicado originalmente pela Gazeta de Física, foi publicado no sítio "Think Finance": aqui.
June 5 2009, 4:14am | Comments »






