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HUMOR: "GANDAS OPORTUNIDADES"
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July 23 2010, 6:47am | Comments »
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A educaçãorrota
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O (extracto do) texto que se segue, da autoria de Santana Castilho e publicado no jornal Público, tem quase um mês, mas (infelizmente) não perdeu actualidade.Aos Magalhães, aos quadros interactivos e a toda a corte de gadgets electrónicos, enganosos salvadores da ignorância que floresce, acrescentam-se agora os gadgets pedagógicos e organizacionais do momento: a learning street e os megagrupamentos de escolas. Sob os auspícios da Parque Oculta (...) as direcções regionais iniciaram a fusão dos agrupamentos existentes. Trata-se de arrebanhar crianças de tenra idade, retirá-las do seio familiar contra a vontade dos progenitores e abandoná-las numa comunidade de milhares de alunos com idades que vão até aos 18 anos (apontam os 3000 como limite, mas com a credibilidade que lhe conhecemos, só eles sabem onde a loucura os pode deter).Perfilam-se surreais ligações administrativas e pedagógicas de escolas separadas por dezenas de quilómetros, com projectos educativos tão idênticos como a velocidade e o toucinho. Adivinham-se os inerentes megagrupamentos de docentes e a megamobilidade dos ditos, com o primeiro tempo da tarde a quilómetros do local onde leccionaram de manhã (...). Com esta desumana fórmula de gerir escolas, a decantada qualidade do ensino deteriorar-se-á ainda mais. Desaparecerá a gestão de proximidade que o acto educativo não pode dispensar. O que restava da pedagogia cederá passo ao centralismo administrativo que, sendo já mau, agora fica gigantescamente deplorável. O caciquismo vai refinar-se, a burocracia expandir-se e a indisciplina aumentar. Não esperem que se aprenda mais ou que o abandono e o insucesso escolar diminuam. Só florescerá a aldrabice das estatísticas e a crista dos galos que permanecerem nos poleiros.Toda a lógica gestionária, entronada há apenas um ano como a (e sublinho o artigo definido) solução, já vai de arrasto, directores às urtigas, órgãos dos agrupamentos às malvas. Não é exequível qualquer projecto educativo com tais loucos ao leme. Não são criminosos no sentido penal do termo. Mas são hediondos criminosos pedagógicos. Não só escaqueiraram o que encontraram, como deixam armadilhado o caminho dos que se seguirem, que outra alternativa não terão senão voltar a virar tudo do avesso, salvo se forem tão insanos como eles.O sistema educativo não aguenta tamanha instabilidade. Tudo o que possa ser sério e válido é visceralmente incompatível com este tumulto. Para fazer o que a nação reclama que seja feito, quem se seguir tem que se alicerçar num diálogo social e num pacto político que gere estabilidade à volta do que é estruturante. Doutra forma o sistema soçobra. Percebo bem que os portugueses se preocupem com a bancarrota. Não entendo que não reajam à "educaçãorrota". Depois de lhes sacrificarem os filhos, ainda não se dispõem a defender os netos? O ano lectivo vai terminar de forma grotesca. De fanfarronada em fanfarronada, os sindicatos foram ao tapete: cederam na aberração da avaliação do desempenho; aguardam com a paciência dos desistentes um estatuto de carreira por promulgar que, em boa verdade, só muda as moscas; assistiram ao sacrifício dos contratados e ao adiamento de tudo o que libertasse os professores da escravidão em que caíram. Pactuaram quando tinham que ser firmes. Persistiram no erro quando puderam reconhecê-lo. E, não contentes, espadeiraram contra os que estavam do seu lado, cegos pela ganância de não partilharem o protagonismo das negociações eternas. Cabe aos professores rejeitarem vigorosamente o papel de simples sujeitos mercadoria que o gadgetismo irresponsável lhes reserva, impondo-lhes, como se desejo seu fosse, toda a sorte de porcaria perniciosa. Mas não cabe só aos professores. É tempo de (...) dizer (...) a dissimulada mas escandalosa privatização do Ministério da Educação, que o polvo da Parque Escolar vai sorvendo; dizer, com urgência, se acompanha ou não a subalternização da sala de aula e a substituição do ensino pelo entretenimento atrevido e ignorante do "eduquês" pós-moderno (...).
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July 14 2010, 4:24am | Comments »
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O Ensino da Fraude
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Em comentário, o leitor Gil Fonseca enviou-nos o link de um artigo de que é co-autor. Nesse artigo, com quase uma década, está patente a visão de muitos professores, independentemente do nível de ensino em que se situem. Dele deixamos algumas passagens:"O presente artigo foi escrito em 2000/2001 por dois professores, ligados ao ensino secundário e superior (...). Destina-se a alertar a sociedade Portuguesa relativamente ao estado catastrófico em que o sistema de ensino se tem vindo a encontrar, e das razões que justificam essa situação. Se na leitura do mesmo ocorrer uma sensação de ter estado a dormir durante as últimas décadas, será então a altura de acordar. Este assunto diz-nos respeito a todos, e as consequências desta fraude politicamente correcta a que continuamos a chamar ensino serão irremediáveis.""Muito se tem discutido, nos últimos anos, acerca da qualidade do ensino em Portugal. Não é segredo para ninguém que, após o 25 de Abril, o sistema de ensino sofreu profundas remodelações e que a própria filosofia do sistema de ensino se tenha modificado de uma maneira irreversível (...). Essencialmente, a política demagógica dos últimos governos está a transformar o ensino numa espécie de fábrica de diplomas, onde são observadas como determinantes as estatísticas de progressão e de aprovação dos alunos, sem que haja a preocupação com a qualidade do ensino, onde a autonomia e o poder dos professores é reduzida ao mínimo, de modo a que possa haver o máximo controle destes por parte do estado; onde são aprovadas leis que dão ao ensino uma imagem de pseudo-democracia e pseudo-humanismo, à custa da transferência das responsabilidade de pais e de alunos para professores e de poderes de professores para pais e para alunos, mas onde em vez de se promover a autonomia, a criatividade e a qualidade dos alunos, se procura neles integrar, de uma maneira medíocre, uma filosofia de aceitação, de seguidismo, de estupidez intelectual, sem que haja a mínima preocupação com a qualidade dos conhecimentos que adquiriram ou desenvolveram.Sem que haja, de nossa parte, um particular esforço em inventar expressões politicamente-correctas para descrever o estado de profunda catástrofe em que este e anteriores governos mergulharam o ensino, a expressão «fábrica de diplomas» adequa-se de uma forma perfeita aquilo que é hoje o ensino em Portugal; essencialmente, uma ferramenta política, manipulada pela mesquinhez de políticos desonestos de modo a satisfazer as primeiras necessidades dos eleitores, e onde os professores são cada vez mais transformados, de facto, em impressores de diplomas (...).Urge então perguntar porquê o sucesso da manipulação estúpida de argumentos estatísticos? Uma escola é considerada bem sucedida quando a percentagem de aprovações é elevada, mesmo que à custa do facilitismo descarado que o sistema impõe aos professores e que professores mais acomodados incutem nos mais novos. A resposta é que é fácil. De facto, é mais simples implementar uma política vergonhosa de facilitismo e aumentar artificialmente a quantidade de alunos com o diploma do 9.º ano do que melhorar a qualidade do ensino. É mais fácil aumentar o número de vagas no ensino superior do que criar condições justas para que as pessoas possam aprender ou exercer uma profissão após finalizarem os estudos. É mais fácil, também, diminuir o grau de dificuldade dos exames do 12.º ano, de modo a que as estatísticas «demonstrem» que os alunos são bem preparados...Gil Fonseca. Professor contratado no Ensino Secundário entre 1997 e 2000."A minha experiência no ensino está essencialmente ligada às engenharias e às ciências. No entanto, penso que a minha descrição também é válida nas áreas das artes, letras, gestões, medicinas e outras. Isto porque todas as áreas do ensino pressupõem o mesmo desejo de aprender, melhorar, escapar à mediocridade e atingir a excelência. Ora é precisamente neste aspecto que reside o engano. Actualmente, ter um curso superior já não traduz uma competência superior. Diria até que ter um curso superior é mau sinal. Na grande maioria dos casos (actuais) significa apenas que não se arranjou nada melhor para fazer. É provável que ache incrível uma afirmação destas. Nunca encontrei ninguém que não ficasse espantado ao ouvi-la. Perguntam-me:- Uma pessoa que queira aprender, para onde vai, então?- Se aprender é realmente aquilo que quer fazer então, está bem, deve ir para a universidade mas, cuidado, você vai sentir-se muito sózinho. Actualmente, um diploma de curso superior não significa sucesso na aprendizagem mas sim sucesso na ultrapassagem dos exames, em que "ultrapassagem" contém todos os respectivos sentidos perjorativos incluindo o de ser dolosamente permitida. Claro que há excepções mas enquanto que há uns anos atrás era difícil encontrar um curso que não valesse a pena, hoje é difícil encontrar um que valha. A grande maioria dos estudantes não tem acesso aos poucos cursos superiores que ainda valem a pena. Apenas os privilegiados que estudaram em colégios particulares é que lá chegam. Por isso, se quiser preparar-se para a vida profissional então o melhor é empregar-se. Ao fim de cinco anos terá muito mais competência que um recém-licenciado. Se, por outro lado, o seu objectivo é obter um "canudo" ou fazer a vontade aos seus pais então a universidade é mesmo o melhor caminho. Neste caso prefira uma universidade pública pois nessas sai muito mais barato.- O que me diz!!? Conheço vários licenciados que estão em empregos muito bons! -Acredito que sim mas em quantos desses é que confia? Em quantos médicos é que confia? Por quantos é que passou antes de encontrar esses? Faço a mesma pergunta para engenheiros, arquitectos, advogados, gestores, tradutores, etc. Algum é licenciado há menos de cinco anos?- Olhe, lá na firma está agora um rapaz muito novo que instalou os computadores em rede e os ligou aos telemóveis. Não demorou muito tempo e não tem havido grandes problemas. Nele confio.-Tem a certeza de que ele é licenciado? Não, desculpe, tem a certeza de que ele é português?Estes pequenos diálogos têm acabado em silêncio, sinal de dúvida ou de medo. Caro leitor, espero que quando acabar de ler este texto tenha passado do medo ao terror. É que estes pequenos diálogos não descrevem as causas profundas do problema nem transmitem a natureza catastrófica dos seus efeitos (...).Caro leitor, já que chegou até aqui, permita-me ainda que foque um aspecto importante: a Educação tem um impacto determinante na cultura e, por consequência, na economia duma nação a longo prazo. Por esta razão é muito grande a responsabilidade dos professores. Essa responsabilidade não pode ser escamoteada por causa de políticas de curto prazo. Note, caro leitor, não pretendo regressar ao passado, apenas lembro que, mais tarde ou mais cedo, seremos todos obrigados a tomar decisões difíceis e que nessa altura convirá estarmos devidamente preparados. Confesso que me sinto envergonhado por só agora divulgar o engano que ajudei a perpetuar. Luís Gonçalves, Docente do Departamento de Física da FCT/UNL desde 1994.
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July 4 2010, 5:06am | Comments »
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O Maior Pecado é a Estupidez
http://terrear.blogspot.com/2010/06/o-maior-pecado-e-estupidez.html
(...)También ha caído en mis manos otro libro, recientemente publicado, que se titula “El Poder de la estupidez”. Su autor es Giancarlo Livraghi., licenciado en filosofía y experto en cultura humana y comunicación.Livraghi habla en uno de sus capítulos sobre el círculo vicioso de la estupidez. En él dice: “Donde se impone la estupidez, todo el sistema se torna estúpido”. Y añade: “Las estrategia basadas en la estupidez y el engaño son perjudiciales para quienes las practican, pues crean un círculo vicioso que en realidad es una espiral degenerativa”.Los programas del corazón, por ejemplo, tratan de estúpidos a los espectadores, pero estos los siguen viendo, de modo que siguen haciéndose de forma insistente y perfeccionada.A mi juicio, la finalidad de la educación es ayudar a pensar. No hacer que las personas piensen como nosotros sino que sean capaces de pensar por sí mismas. La persona educada es capaz de descubrir los hilos ocultos que mueven los mecanismos de esta sociedad, de saber que se mueven por intereses, de investigar y descubrir quiénes salen beneficiados de su existencia. Saben también que esos hilos se pueden romper (no están ahí por azar o como fruto de la voluntad divina) y que se pueden instalar otros que responsan a los intereses generales. Educar es un proceso que ayuda a la mosca a salir del cazamoscas.De algunas actuaciones podría deducirse que no interesa que haya una buena educación. De otras que sería bueno reducirla a un simple mecanismo de domesticación o de indoctrinación. Educar es enseñar a pensar. No está en nuestras manos el evitar que nos quieran engañar, pero sí el no ser engañados. Dice Oscar Wilde que “no hay más pecado que la estupidez”.Miguel Santos Guerra, crónica de hoje, texto integral
June 26 2010, 6:42am | Comments »
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Computadores e/ou livros?
http://dererummundi.blogspot.com/2010/06/computadores-eou-livros.html
Miguel Pires, leitor do De Rerum Natura, fez-nos chegar um interessantíssimo artigo sobre a influência dos computadores no desempenho académico dos pré-adolescentes e adolescentes bem como do efeito benéfico de ter livros em casa.Esse artigo pode ser lido aqui.
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June 21 2010, 4:52am | Comments »
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A Sexualidade dos Adolescentes
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Informação chegada ao De Rerum Natura.Título: A Sexualidade dos Adolescentes Contada por eles PrópriosAutor: Didier DumasEditora: BizâncioInstalado que está o modelo médico na educação sexual que deve ter lugar em contexto escolar (assente na explicação da reprodução e nos riscos inerentes à sexualidade), são bem vindos contributos que abram perspectivas complementares, que se detenham, por exemplo, em aspectos da ordem dos sentimentos (De Rerum Natura).Sobre o livro: Em matéria de sexualidade, apesar de tudo ter mudado, nada se alterou na educação dos jovens. Embora a nossa sociedade se considere livre e a sexualidade já não seja considerada tabu, os pais de hoje silenciam tanto o assunto como os pais de antigamente. A explosão das técnicas da imagem, porém, faz com que os jovens se confrontem cedo demais com a pornografia. Este paradoxo entre o exibicionismo vulgar, por um lado, e o silêncio parental, por outro, surge como a causa mais importante da angústia dos adolescentes.Sobre o autor: Didier Dumas dá-lhes a palavra, e os jovens, dos 14 aos 22 anos, confiam-lhe as suas experiências, problemas e medos, exprimindo-se com todo o à-vontade, sem tabus, sobre este assunto delicado e íntimo. Para que os nossos adolescentes e os das gerações vindouras possam ter uma vida sexual mais equilibrada, é urgente ensiná-los a falar de sexualidade. Porém, ao contrário do que se pensa, tal não se resume a explicar a reprodução e os diferentes riscos que correm. Pressupõe que se possa falar de amor e de desejo, desde a mais tenra idade. Um livro essencial que alternadamente dá a palavra aos jovens e ao adulto.
June 21 2010, 4:34am | Comments »
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A nossa "tragi-comédia"
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Dum artigo de opinião, da autoria de Áurea Sampaio publicado na revista Visão no passado dia 9 de Junho, transcrevemos uma passagem incidente na educação escolar e no seu contexto:"Outra linha definidora desta nossa "tragi-comédia" é o que se está a passar no ensino. Como se não bastasse essa outra dimensão do problema, que é o facto de estarmos a desaparecer enquanto povo devido à baixíssima taxa de natalidade, quem nos governa só ajuda a que cada vez mais casais desistam da ideia de ter filhos. Sem urgências nem maternidades e com cada vez menos serviços públicos de proximidade, fora dos centros mais populosos do litoral, as populações vão definhando. Agora, foi anunciado o encerramento de mais de 900 escolas com menos de vinte alunos, quase todas do interior. Eis uma medida que claramente brotou da mente de um daqueles génios incompreendidos que vagueiam pelas alcatifas do poder. Em vez de remeter os génios à procedência e assim contribuir para a poupança, o Governo acolhe estas visões mesquinhas de curto prazo sem pensar no amanhã. E o amanhã é um deserto, porque as pessoas não se resignam ao abandono e ao esquecimento. Agora, já se percebe para que estão a ser construídas tantas auto-estradas: é para todos se virem embora mais depressa."
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June 13 2010, 1:44pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Os ideólogos são perigosos
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No final dos anos oitenta, o sucesso do filme O clube dos Poetas Mortos, realizado por Peter Weir, despertou o interesse pela pessoa que teria inspirado a personagem do professor. Essa pessoa é Sam Pickering, ex-professor de Tommy Schulman, o argumentista do dito filme.Numa entrevista à World Media, feita por Shoshana Gilbert, e publicada entre nós, em 1993, pelo jornal Público num caderno temático de grande interesse sobre educação, esse professor mostra uma visão, mais do que crítica, politicamente incorrecta relativamente às correntes "pedagógicas" vigentes nos Estados Unidos. Passados quase vinte anos as suas palavras continuam a ter sentido em Portugal, por isso aqui reproduzimos algumas das passagens:World Media: Acha que o objectivo da educação deve ser o dar aos indíviduos um sentido comunitário mais forte?Sam Pickering: Ensino há muito anos, mas não sou capaz de fazer grandes declarações acerca da educação. Estou sempre a ler artigos sobre como a educação molda o adulto, e simplesmente não acredito nisso. Acho que mais educação é melhor do que menos educação, e que se lermos livros, aprendemos coisas que enriquecem a nossa vida. Mas os livros não contêm receitas para viver, não resolvem os problemas do mundo. Se você for um ideólogo, a sua literatura torna-se um meio destinado a um fim. Quando ensino Milton, trago à baila as questões contemporâneas para tentar dar vida à literatura, mas vou servir-me da literatura como um meio para falar das questões contemporâneas. Recomendamos livros para crianças com base no que está mal na sociedade e, por isso, recomendamos livros onde há um bairro com uma pessoa verde, uma pessoa cor-de-laranja, uma pessoa branca e uma preta, mas só os recomendamos às crianças. Ora, se, de facto, estivéssemos convencidos de que eles têm poder para destruir os males da sociedade, recomenda-los-íamos aos adultos. Se uma mulher estivesse envolvida num caso de adultério, dar-lhe-íamos a "Ana Karenina" a ler, mas não fazemos isso, damo-los às crianças.World Media: E o que acha do valor cada vez maior que se dá ao multiculturalismo nas escolas? Pickering: É bom pensarmos que sim, mas, na realidade, não acredito que funcione. O multiculturalismo é muito superficial. Não sei se ele existe e de certaza que não acredito estou convencido de possa ser ensinado (...) temos tendência a falar de banalidades. O que pode realmente aprende, quando a primeira história que você lê é da autoria de WASP (branco protestante de origem anglo-saxónica) do Mississipi, a segunda é de uma índia americana lésbica, a seguinte, é de um Amã sobrevivente do Holocausto e, outra, de um escritor sul-americano? Fartamo-nos de ler histórias e os garotos não se lembram delas. Nem chegam sequer a afectá-los. Todos os anos, em todas as turma, os meus alunos embirram com a matéria sobre os americanos índios, fartam-se daquilo, desprezam-nos, não querem ouvir falar dos índios. Em vez de os tornarmos mais sensíveis, macamo-los.Nunca demos nada sobre os lituanos, os estónios, os ucranianios e, no entanto, temos montes de gente com essas origens.World Media: Mas acha que a educação desempenha algum papel “mais elevado” no progresso da sociedade?Pickering: Falamos muito sobre a educação poder curar a sociedade e sabemos que ela não cura. Eu gostaria que ela tornasse as pessoas mais consciencientes das responsabilidades que têm em relação aos outros, mas creio que não é isso que acontece. Torna os indivíduos conscientes das possibilidades, mas será que os torna melhores? Veja os alemães: eram provavelmente a sociedade mais educada da época, e veja o que eles fizeram, veja para que lhes serviu que utilizaram a educação. É assustador. Temos uma sociedade educada e não sabemos como convertê-la de uma economia em tempo de guerra para uma economia em tempo de paz, sem que as pessoas percam os seus empregos. Estamos a construir submarinos de que não necessitamos para as pessoas não perderem os seus empregos.World Media: Ensinar a ser "politicamente correcto" serve a algum objectivo social?Pickering: Os ideólogos são perigosos. O problema do multiculturalismo é que não se torna multiculturalismo, torna etnocentrismo-se. As pessoas deixam de falar umas com as outras porque ficam nervosas com medo de que a outra pessoa se ofenda. Hoje, quando falamos com alguém de uma raça diferente, a conversa é tão vazia que nunca conversamos sobre as coisas que interessam, pelo receio de ofendermos a pessoa. Costumo dizer à minha turma que até ao fim da aula, vou insultar todos os grupos étnicos e todas as religiões. Na realidade, não faço tal coisa, mas afirmo-lhes isto porque não quero que concordem com o que eu digo. Não me importo que me odeiem, quero que tenham alguém contra quem testarem as suas ideias. Peço-lhes que procurem aprofundar um pouco para além das banalidades. Acho que há muitas outras coisas que são realmente importantes. Um determinado assunto pode ser importante para as classes médias altas, mas não tem nada a ver com os garotos das ruas de Harlem. Temos uma sociedade em que as drogas abundam, a violência abunda, a Sida se propaga, as pessoas estão desempregadas, os miúdos não comem o suficiente.World Media: Há muitas pessoas que pensam que foi precisamente em relação a esses garotos, que vêm de meios desfavorecidos, que a educação fracassou. Que fazer?Pickering: Emprega-se a todo o momento, a palavra crise, há anos que se emprega e eu estou cansado dela, é uma litania do tipo “Perdoa-nos meu Deus, perdoa-nos meu Deus”; sempre que alguém faça de educação e quer obter mais dinheiro, é a palavra-chave, hás empre uma crise. A maior parte das respostas à questão de como educar os alunos desfavorecidos são mero paleio. Estarmos aqui sentados e pontificarmos acerca do que é bom para os bairros pobres seria prova da maior arrogância do mundo. Não sei o que a escolas podem ensinar aos garotos que vivem em bairros em que os amigos deles levam tiros. Não conseguem aprender e eu não tenho nenhum tipo de solução para isso.World Media: Há quem pense que é necessário mudar o modo como se ensina e começar a juntar, na mesma aula, crianças de origens diferentes. Defendem o ensino "colaborativo" e o deixar uma abordagem centrada no professor. Isso é positivo?Pickering: É uma grande frase, soa maravilhosamente conseguirmos pôr pessoas com aptidões diferentes a trabalharem juntas. Mas o meu filho está numa dessas turmas e a verdade é que é excelente para os que não são lá muito bons, mas é terrível para os alunos espertos, sobretudo porque acabam por ser eles a fazerem o trabalho todo. É como no altetismo: ninguém quer ficar com os piores atletas da equipa, mesmo que eles tenham outros talentos. Chegámos a um ponto em que a sociedade não quer fazer de juíz. Mas acho que há muitas maneiras de ser “dotado” e penso que os programas educacionais se deviam concentrar mais em identificar o conjunto de talentos que um aluno pode ter.
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June 13 2010, 11:32am | Comments »
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"TOMA LÁ EDUQUÊS" DE MANUEL ANTÓNIO PINA
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Foi lançado na feira do Livro do Porto o novo livro de crónicas do escritor Manuel António Pina:- "Por Outras Palavras e Mais Crónicas de Jornal", Modo de Lerque reúne muitas das suas bem pensadas e melhor escritas crónicas saídas no "Jornal de Notícias" (JN) e outros jornais.Não resisto a transcrever uma, que saiu no JN a 14 de Junho de 2007 e que se intitula "Toma lá Eduquês":O ex-ministro Marçal Grilo cunhou o termo "eduquês" para caracterizar a langue de bois, ou cassete, usada no Ministério da Educação (ME) e nas chamadas Ciências de Educação, cujo jargão afectado, confuso e obscuro passa por profundidade de "pensamento educativo". Como escreve Nietzsche, as águas profundas são sempre escuras; logo, o obscurecimento da linguagem passa facilmente por profundidade e densidade, mesmo que o que se diz tenha a profundidade da piscina de Charlot nos tempos Modernos.Leia-se o que consta do site do ME sobre o Plano Nacional para a Matemática, agite-se, esprema-se e verifique-se o que fica: trivialidades: Mas, lá que parece "ciência" parece. E da "difícil"...O "eduquês" manda há anos no ME (os ministros vão mudando mas o "eduquês" fica) e a ele fundamentalmente se deve o estado de catástrofe a que chegou a educação em Portugal. Os sucessivos ministros têm sido impotentes para contrariar a situação, reféns, como na série Yes, Minister, de "cientistas" da Educação a quem não é exigível qualquer responsabilidade política. Se a verificação experimental é o critério da verdade de qualquer teoria científica, olhe-se em volta e veja-se no que tem dado a experimentação desta espécie de ciência.
June 10 2010, 8:07am | Comments »
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Em Portugal, avalia-se mal
http://dererummundi.blogspot.com/2010/06/em-portugal-avalia-se-mal.html
Publicado no "Público", um artigo de Nuno Crato (Presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática):Temo-lo dito inúmeras vezes: seria bom que o Ministério da Educação promovesse uma avaliação honesta, rigorosa e consistente dos alunos e que desse liberdade aos professores e às escolas para orientarem, responsável e livremente, os processos de ensino. Aparentemente, ninguém o contesta, mas na prática passa-se exactamente o contrário. O Estado controla ao pormenor o ensino público e privado, contrata e coloca centralmente os professores, preocupa-se em normalizar as durações das aulas e dá orientações de pormenor sobre os métodos de ensino. Mas pouco avalia. E, quando avalia, avalia mal.Um exemplo do controlo centralizado seguido pelo Ministério é a forma como estão a ser postos em prática os novos programas de matemática do Ensino Básico. Começou por ser encomendado um simples “reajustamento” dos programas. Mas a equipa que fez esse “reajustamento” passou pouco depois a falar em “novos programas”. E agora, que a anterior ministra homologou as alterações — no meio de críticas gerais, nomeadamente da Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) —, a equipa ou parte dela está a coordenar uma “formação” centralizada sobre esses programas. Por todo o país são destacados professores que irão formar outros professores. Há reuniões regulares, pedem-se relatórios de implementação e questionam-se os que não convencem devidamente os seus colegas.Imaginar-se-ia que se estaria a explicar por que se insiste mais na Geometria e como se pode introduzir o raciocínio dedutivo. Mas não. Montou-se uma gigantesca operação de conversão dos professores a uma crença pedagógica. O que parece ser central é saber se os formadores dos diversos pontos do país conseguem ou não convencer os seus colegas a adoptar uma antiquada ideologia, que é apresentada como se fosse nova. A preocupação é saber se os professores adoptam ou não a crença de que a máquina de calcular deve ser colocada nas mãos de crianças que ainda não sabem a tabuada, de que a matemática deve ser toda ensinada com base em actividades dispersas, de que dessas actividades surgirá interesse pela matéria e de que é, sobretudo, a partir de “actividades de exploração e de investigação” e de “problemas não rotineiros” que os alunos “constroem o seu conhecimento”.O problema, claro, é que estes exageros são altamente nocivos. Os bons professores sabem há muito que esta crença pedagógica não funciona. Mas os mais novos ficam confusos. Outros fingem acreditar. A realidade é que toda a investigação da psicologia cognitiva moderna tem vindo a revelar o contrário: a aprendizagem deve ser bem estruturada, o ensino directo tem um papel importante e a escola torna-se muito ineficiente se usar predominantemente actividades dispersas, passando a ser difícil, se não impossível, aprender matemática. Os mais prejudicados, como sempre, serão os alunos com mais problemas e sem recursos alternativos. Todos vêm isso, menos os que estão fora das salas de aula e perderam contacto com a realidade.A juntar a tudo isto, recomenda-se uma nova notação para a geometria (felizmente, é apenas uma recomendação!). Mas as alterações de notação e de terminologia apenas devem ser feitas quando isso é indispensável, e devem ser coordenadas de forma a evitar incongruências de ano para ano e de escola para escola. Não é o caso. A dita “nova notação” é tudo menos consensual — e é infantilizadora. Por isso, legitimamente, muitos manuais decidiram não a adoptar. E muitos professores decidiram manter a notação consagrada pela prática. A larga maioria está em desacordo com a mudança.A propagação desta ideologia pedagógica é o resultado de um revoltante abuso de poder. Usurpou-se uma tarefa de reajustamento de conteúdos curriculares, logrou-se uma indiferença do Ministério e aproveitou-se a ocasião para tentar uma propagação autoritária de uma crença ideológica sectária. Além dos problemas éticos, é duvidoso que não haja em tudo isto uma flagrante ilegalidade.O problema seria ultrapassável, embora a prazo e com prejuízo de gerações de estudantes, se o Ministério fizesse o que devia, que é promover a avaliação dos alunos de forma rigorosa, independente e consistente. Se isso fosse feito, rapidamente se veria que estes exageros da antiquada pedagogia romântica conduzem ao desastre.Mas a avaliação foi transformada numa caricatura. Não há exames externos até ao 9.º ano de escolaridade e, mesmo nesse, a nota de exame representa apenas 30% na classificação final. Antes disso, há umas provas ditas de “aferição” que não têm peso nas notas, com excepções das raras escolas em que os professores assim o decidem. Mais grave ainda: essas provas, que antigamente eram feitas por amostragem e de quase nada serviam — sendo apenas usadas por alguns responsáveis para tentar “mostrar” que não vale a pena aprender a fazer contas —, foram transformadas em provas gerais sem serem devidamente adaptadas. Antigamente, poderiam ser normalizadas (“norm-based”), tendo perguntas muito elementares para aferirem o real estado do ensino. Mas, quando foram generalizadas e publicitadas, tornando-se inevitavelmente em provas de referência, deveriam ter alinhado o seu nível de dificuldade com os programas, os manuais e as práticas (“criterion-based”), para poderem solidificar, confirmar, ou mesmo elevar os níveis de exigência da escola. Isso não aconteceu, de forma que se tornaram num instrumento de desmoralização pedagógica, perguntando a alunos de 6.º ano de escolaridade quanto é cinco mais dois ou quanto é oito a dividir por quatro, com recurso à máquina de calcular.No meio de tudo isto, torna-se praticamente impossível avaliar os resultados das práticas lectivas. Como tudo seria diferente se, em vez de controlar processos, o Ministério promovesse a avaliação de resultados! Como tudo seria mais justo se os professores pudessem ajustar com liberdade os métodos que melhor funcionam e se, ao fim dos anos, fosse visto, pelos resultados dos alunos, quais são as melhores maneiras de progredir! Mas não: em Portugal controla-se muito, mas avalia-se mal.Nuno Crato
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June 7 2010, 5:05am | Comments »




