Novo post sobre educação de Rui Baptista (na foto, tomada de posse de Ana Maria Bettencourt do lugar de presidente do Conselho Nacional de Educação):“Há alunos do 1.º ciclo do ensino básico que saem sem saber fazer contas” (entrevista, em 23/Outubro/1996, à RTP do então Primeiro Ministro António Guterres).As duas vestais chamadas Ana são ambas do Partido Socialista. Uma, Ana Benavente, em decadência política depois de ter sido secretária de Estado da Educação (1995-2001) dos governos de António Guterres quando este declarou publicamente a sua paixão pela educação sem correspondência pela sua então compagne de route que a transformou em fogo fátuo. Outra, Ana Maria Bettencourt, recentemente eleita presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE).Embora dando o desconto de se tratar de comadres desavindas, a propósito da actuação de Ana Benavente no referido cargo governamental cito a análise que da sua acção governativa fez o actual secretário de Estado da Educação Valter Lemos: “A actuação de Ana Benavente nos governos de Guterres ‘resultou nos piores resultados escolares da Europa’ em matéria de sucesso escolar e, na base deste falhanço, esteve uma cedência permanente aos interesses da Fenprof” (Público, 29/Fevereiro/2008).Irmanadas não apenas pelo nome próprio, mas também pelas suas opiniões pedagógicas, corria o ano de 2008, na revista “Opinião Socialista”, escrevia Ana Benavente um artigo em que “salientava que a escola não funciona para dar programas mas sim para assegurar as aprendizagens”. Defende, agora, Ana Maria Bettencourt um “ensino não centrado no programa, mas no aluno, porque o programa é pouco útil se os alunos não aprenderem” (Público, 05/Junho/2009).Pareceres antigos deste órgão colegial denunciavam já uma vontade de dar às Escolas Superiores de Educação um estatuto que se não coaduna, de forma alguma, com a génese que presidiu à sua criação, apenas, para a formação de educadores de infância e professores do 1.º ciclo do ensino básico (antigo ensino primário). Assim, em título à largura de toda a página, foi publicada a seguinte notícia: “Parecer provisório do CNE defende que as Escolas Superiores de Educação formem professores para o secundário” (Público, 30/Janeiro/97). Este parecer atentava contra uma longa e exigente formação científica dos professores do ensino secundário e punha em risco a sua tradicional formação universitária.Avant la lettre, em artigo de opinião, perante uma notícia saída no Público (26/Maio/96), alertava eu para a intenção do governo em “as Escolas Superiores de Educação passarem a formar professores até ao 9º ano de escolaridade”, apesar de “recém-licenciados pela Faculdade de Letras de Coimbra nem sequer terem tido acesso ao respectivo estágio pedagógico, desencadeando uma crise que podia pôr em causa a sobrevivência da própria escola” (Correio da Manhã, 16/Junho/96).Nessa mesma altura, perante o clima de desastre que se aprestava a abater sobre a Academia portuguesa, mostrando grande preocupação com o rumo que as coisas estavam a tomar, o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas chamou a si a defesa de direitos e deveres seculares de natureza cultural e científica dos claustros universitários. Para o efeito, elaborou um dossiê, intitulado Repensar o Ensino Superior, em que defendia “a consolidação de um sistema dual, politécnico e universitário” e a necessidade em proceder “rapidamente à análise das funções das Escolas Superiores de Educação, considerando-se a oportunidade da sua reconversão, por exemplo, em centros de formação contínua dos docentes do ensino superior [o que retiraria uma parcela substancial a um rendoso mercado dominado pelos sindicatos] ou em escolas com outra vocação”. Esta última sugestão de reconversão logo foi abusivamente aproveitada por esses estabelecimentos de ensino para se transformaram em “universidadezinhas”, com um amplo e variado leque de cursos a ministrar sem qualquer identificação com a finalidade que presidiu às respectivas criações. Por seu turno, como que espicaçada no seu brio de docente da Escola Superior de Educação de Setúbal, Ana Maria Bettencourt logo replica, sem medir as palavras, que, “em matéria de formação dos professores, o pensamento dos reitores é pré-histórico” (sic).Hoje, a própria Ana Maria Bettencourt reconhece, em entrevista ao Público (05/Junho/2009), embora “sem generalizar” (como teve a diplomacia de referir), mas certamente baseada na sua experiência pessoal, que “as escolas superiores não preparam os professores para o mundo complexo que é a educação”. Investida, agora, como responsável máxima por “um órgão colegial” de consulta do Ministério da Educação, resta saber quais as modernices da sua lavra destinadas a fazer sair da mediocridade o actual sistema educativo nacional. É tudo uma questão de esperar para ver...
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As duas vestais do sagrado altar do eduquês
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June 7 2009, 4:32pm | Comments »
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A lei do silêncio
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O último número do semanário "Sol" numa reportagem muito esclarecedora sobre o que é Portugal hoje descreve o ambiente em Cinfães de Douro. Por lá podemos verificar não só o considerável atraso do país, relativamente à Europa, mas também ficar a saber que algumas escolas estão pior do que estavam. No Norte de Portugal, o ambiente nalguns sítios parece ser o de um filme de terror: reina o medo dos processos disciplinares. O regime democrático, parece, ainda lá não chegou."(...) No jardim-de-infância e na escola primária as crianças vão aprendendo as lições. A conversa do SOL com uma funcionária é interrompida aos gritos pela "responsável", uma mulher gorda e antipática, de voz bruta.- "Ó Maria Irene, o que é que se passa?"- "São uns senhores. Estão a fazer-me uma entrevista:"- "Não se pode fazer entrevistas dentro da escola: Isto está pior do que antes do 25 de Abril. Ainda levamos com um processo disciplinar".Dito isto virou as costas, esbaforida, como se visse o demónio. E Maria Irene nada mais disse. Antes do raspanete tinha ainda confessado que pensava que as eleições do próximo mês eram para a junta de freguesia. Depois de ouvir falar no Parlamento Europeu, também não ficou muito mais esclarecida. "Então devem servir para escolher outro Governo". "
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June 3 2009, 6:20am | Comments »
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PARA QUE SERVEM OS EXAMES?
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Agora que os exames se aproximam, esta é a pergunta que o "Guia do Estudante" distribuído com o semanário "Expresso" fez a Leonor Santos, que, no subtítulo, é chamada "uma das maiores especialistas em avaliação das aprendizagens" e que, em caixa, é apresentada como coordenadora científica do Mestrado em Desenvolvimento Curricular na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.A resposta? Pois, basicamente, para nada. Portanto, quem não sabe fica a saber que a política ministerial de diminuir e desvalorizar os exames tem uma sustentação teórica. Conforme está resumido no subtítulo, a entrevistada "questiona, ponto por ponto, os pressupostos que sustentam a existência de exames, tal como os conhecemos actualmente". Textualmente, a entrevistada responde à pergunta do título do seguinte modo:"Os exames têm por função seriar. Mas até que ponto é que essa seriação permite ter alguma confiança?"O leitor poderá pensar que se trata de uma opinião de fim de semana. Pois nem isso. O jornalista informa-nos que a entrevistada "sentiu necessidade de impor a si própria que jamais trabalharia ao domingo. E, ao sétimo dia, aproveita para jogar golfe e tentar melhorar o seu actual handicap de 22 pancadas. "Para que serve o "handicap" no golfe? Fornece uma seriação, claro. Avalia o desenvolvimento realizado, evidentemente. Eu, que tenho confiança nessa seriação e acho esse desenvolvimento útil, felicito a Professora Leonor Santos pelo seu progresso desportivo e faço votos para que continue a melhorar.Fonte da figura: http://golf99.org/.../03/ladies_golf-257x300.jpg
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June 1 2009, 8:47am | Comments »
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A luta sindical dos professores
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Novo post de Rui Baptista sobre a luta dos professores (na imagem um dos cartazes divulgados por professores descontentes): “Insanidade: fazer as mesmas coisas repetidamente esperando resultados diferentes” (Albert Einstein)A luta dos professores encontra-se contextualizada num ataque cerrado e num lavar de culpas entre o Ministério da Educação e a Plataforma Sindical. Ou melhor dito, entre a ministra Maria de Lurdes Rodrigues e o sindicalista Mário Nogueira. Trata-se, portanto, essencialmente, de uma luta político-partidária entre o Partido Socialista e o Partido Comunista pela posse de um território que o poder político sempre soube ser importante controlar: a Educação.Em analogia, colho numa mensagem de Laurent Lafforgue, tido como um dos maiores matemáticos contemporâneos, dirigida ao presidente do Alto Conselho para a Educação de França (em 16 de Novembro de 2007), a seguinte opinião acerca dos sindicatos dos professores e dos peritos da educação do seu país:“No que diz respeito aos sindicatos maioritários no seio dos professores ou dos pais dos alunos, todos (animados das melhores intenções, como podemos facilmente imaginar) ajudaram à destruição da escola, e penso que não são mais dignos de confiança de que os peritos da Educação Nacional”.Para se compreender o estado calamitoso a que chegou o sistema educativo português deve ser-se suficientemente isento para procurar a sua etiologia em anos recentes. No findar de cada ano civil, as casas comerciais fecham as suas portas para balanço, ou seja para avaliar o stock da mercadoria existente e providenciar as necessidades futuras. O sistema educativo nacional tem prescindido desses tão úteis balanços não tendo conseguido, como tal, “programar o sistema que foi ao sabor das ondas e, assim, resolveu problemas em vez de programar politicamente um sistema”, como escreveu Isidro Alves, ao tempo reitor da Universidade Católica.Basta recordar a Lei de Bases do Sistema Educativo, publicada no tempo do ministro Roberto Carneiro, num clima de exigências conflituosas de trinta sindicatos e organizações afins a favor dos seus associados menos habilitados em que foi conseguido que a diferença entre um licenciado universitário e indivíduos habilitados apenas com um curso médio ou mesmo secundário se cifrasse tão-só em um escalão: O 10.º escalão para aquele e o 9.º para estes, separados, em remuneração, em escassos contos de réis mensais.Mas mesmo isso foi sol de pouca dura. Logo foram criadas escolas privadas que lhes venderam, enquanto o diabo esfrega um olho, diplomas de “licenciatura”. Daqui nem sequer viria grande mal ao mundo não se desse o caso de ter havido um sistema de avaliação de professores que os tornou numa espécie de “clones” de uma profissão na qual nunca se separou o trigo do joio. E não digo isto de ânimo leve. Várias vezes lancei o repto de ser dada a conhecer publicamente a percentagem de professores que não atingiram o topo da carreira docente sem ser por abandono voluntário ou involuntário da profissão ou por se terem reformado antes. Sintomaticamente, quer o Ministério da Educação, quer os sindicatos têm-se fechado em copas “não penetrando eu na razão deste silêncio” (uso a bela expressão de Aquilino Ribeiro). Será que a mensagem que se quer fazer passar para o exterior é a de que os professores são uma classe fora de série, numa sociedade com imperfeições humanas em que há bons e maus políticos, bons e maus médicos, bons e maus advogados, etc.? Mas esta mensagem soa a falso mesmo nas almas mais crédulas por só encontrar eco no nacional-porreirismo que preside, por exemplo, à avaliação dos alunos para fins meramente estatísticos. A antiga avaliação de professores deixava, de facto, muito a desejar. Todavia, como sói dizer-se, pior que o soneto é a emenda, isto é, a avaliação proposta pelo Ministério da Educação que tentou fazer de uma burocracia pesadíssima uma espécie de solução milagrosa para os males de que enformava a antiga avaliação.Os problemas da educação não se resolvem com o culto de personalidade de um porta-voz a fazer um discurso sindical como que a modos de campanha eleitoral (a uma semana das eleições europeias, que é prelúdio das próximas legislativas) que possa dar votos a um determinado partido ou que possa satisfazer aspirações políticas próprias, citando, ainda, Lafforgue, “fugindo às suas responsabilidades e, consequentemente, escondendo a todo o custo as dimensões do desastre”.Seja a que pretexto for, a profissão docente não se pode nem deve esgotar em manifestações de massas em frente de palanques, como o faziam os sindicatos da era industrial que tiveram a sua época. Actualmente, em nome de uma dignidade muito própria, e que a opinião pública justamente lhes reconhece, devem os professores procurar uma representatividade e uma acção que denunciem inequivocamente o forte propósito de estarem ao serviço da sociedade portuguesa e não de interesses de um sindicalismo retrógrado e ultrapassado.
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May 31 2009, 7:55pm | Comments »
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O Lego como brinquedo
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O Lego foi inventado nos anos de 1930 pelo dinamarquês Ole Kirk Christiansen, que o apresentou como um brinquedo para "brincar bem”.Trata-se, como toda a gente sabe, de um conceito inovador que consiste num conjuntos de peças que encaixam umas nas outras, possibilitando inúmeras combinações, permitindo às crianças obter formas várias, em função da sua imaginação e/ou da reprodução que fazem do real.Este brinquedo de madeira foi um sucesso logo nos primeiros anos da sua comercialização, sucesso que aumentou quando, na década de 50 do séc. XX, passou a ser fabricado em plástico e em larga escala, tendo sido divulgado um pouco por todo o mundo.Coincidiu esta divulgação com a aceitação generalizada de princípios educativos a que vulgarmente chamamos princípios da pedagogia moderna.Um desses princípios – que não é moderno, mas muito antigo –, afirma que as crianças aprendem melhor se lhe forem proporcionadas situações lúdicas, que permitam o divertimento. Luís António Verney, por exemplo, escreveu que “seria preferível o estudo entrar na cabeça dos meninos, sem parecer que estudam mas que se divertem.”.Acresce que os anos de 1960 e seguintes foram muito marcados pela pedagogização do brinquedo. Estratégias comerciais e outras fizeram pais, avós, professores e educadores em geral acreditar que, caso os brinquedos tivessem certas e determinadas características, desenvolveriam a inteligência.Ora, como os adultos estavam nessa altura, e ainda estão, legitimamente preocupados com o desenvolvimento da inteligência das crianças e jovens, o Lego foi rapidamente apropriado pela escola, desde os níveis mais básicos de educação de infância até à universidade, ainda que com fins diferentes.Quando as crianças estão nos primeiros anos de escolaridade, o Lego é recomendado para estimular a concentração, a criatividade, a motricidade, a orientação espacial, a percepção, a cognição. Mas também remete para o conhecimento do mundo, uma vez que incide na construção de objectos (torres, carros, comboios etc.) e de contextos físicos e sociais (cidades, estações de serviço, castelos). Isto no que diz respeito aos módulos mais tradicionais.Módulos mais recentes, criados a partir de histórias clássicas (como A pequena sereia, ou A rainha das neves), ou de histórias mais actuais (como Harry Potter) e de aventuras (como A guerra das estrelas), são recomendados para explorar aspectos morais, afectivos, emocionais...Para anos de escolaridade avançados têm sido criadas, por exemplo, linhas tecnológicas específicas, para que os sujeitos adquiram ou aperfeiçoem competências de design ou de robótica, que requerem um grau de abstracção elevado. Nesta linhas, contam-se criações Lego bastante arrojadas, como aquelas que recriam obras de Maurits Cornelis Escher (na figura).Mas voltando aos primeiros anos de escolaridade, o que podemos dizer acerca da validade do Lego como brinquedo?Ante de mais que, como brinquedo, apresenta uma mais-valia inquestionável que é aquela pela qual se afirmou: permitir que as crianças se confrontem com objectos inacabados, que os manipulem, construam e reconstruam, e que, neste exercício, testem ideias, inventem formas e, eventualmente, criem histórias…Os aspectos questionáveis surgem quando transpomos este brinquedo e a sua lógica de brinquedo para o contexto de sala de aula, sem o integrarmos numa estratégia pedagógica estruturada, crendo que o simples contacto da criança com ele proporciona aprendizagens várias, nomeadamente as que se referem à matemática.Neste particular, parece-nos importante clarificar pelo menos três aspectos:1. A recomendação por idades, que é uma das características do sistema Lego pode levantar problemas, se dermos à criança apenas o que se estabelece que é para a sua idade, não a deixando confrontar-se com desafios cognitivos e emocionais de idades mais avançadas;2. É preciso ter bem presente que aprender em contexto de sala de aula é diferente de brincar. Nas aprendizagens formais é preciso recorrer a metodologias muito direccionadas para o que se pretende que os alunos saibam, devendo, neste caso, o ensino ser muito bem organizado em função dos conteúdos e nas competências que estão estabelecidas no currículo. A ideia de que se aprende a brincar, complementada com a ideia de que se brinca a trabalhar em actividades ligadas às aprendizagens formais, são muito discutíveis e não tem encontrado sustentação em estudos teóricos e empíricos. De facto, a aprendizagem implica esforço e trabalho, o que é muito diferente de brincar. É preferível apostar num modelo educativo que contemple tempos de aprendizagem e tempos de brincadeira. Estes tempos devem estar separados para que a criança tenha a noção de que há um espaço/tempo de trabalho e outro em que pode e tem o direito de brincar livremente.3. Nos guias Lego para professores, faz-se frequente apelo ao aprender fazendo e pela descoberta. O aprender fazendo faz sentido, pois sabemos que o treino/fazer é necessário, mas só se houver subjacente um objectivo muito preciso a orientar o que o aprendiz faz. Por outro lado, sabemos que a descoberta, sobretudo se for deixada à livre e espontânea iniciativa das crianças, se não for guiada pelo professor, tem muitas limitações.Em suma: O Lego poderá contribuir para desenvolver certas aprendizagens escolares – no que respeita ao desenvolvimento de competências cognitivas, sociais e motoras, bem como à aquisição de conhecimentos em várias áreas disciplinares, nomeadamente na matemática – mas não podemos esquecer que estas aprendizagens desenvolvem-se com uma boa didáctica delas próprias. Didáctica que, ela sim, que poderá incluir o Lego e outros recursos.Maria Helena Damião e Maria Isabel Festas
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May 25 2009, 3:51am | Comments »
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Carta aberta ao Ministro Mariano Gago
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Post de Rui Baptista sobre o candente problema das equivalências universitárias causado pelo Acordo de Bolonha: “Há lágrimas espremidas pelas mãos da prepotência e a lei acobarda-se de levar aos olhos dos fracos o lenço que vela os olhos da Justiça” (Camilo Castelo Branco).No seguimento do “Acordo de Bolonha”, as entidades oficiais portuguesas, ao contrário dos países anglo-saxónicos que atribuíram aos três primeiros anos de estudos superiores o grau académico de bachelor (em tradução para português, bacharel) resolveram “alcunhá-lo” de licenciado contra a opinião de sectores importantes da vida cultural nacional. E isto é tanto mais insólito por o grau de bacharel ter longa tradição em terra lusitana (Eça de Queirós era bacharel em Direito), tendo sido recuperado décadas atrás, ainda que em existência efémera de crisálida, em algumas faculdades para os três anos iniciais de estudos.Com a intenção, reconhecida por Adriano Moreira, de “estar nas decisões para não vir a ser apenas objecto delas”, levou a efeito o Conselho Nacional das Profissões Liberais, nos dias 12 e 13 de Novembro de 2004, em Coimbra, um seminário intitulado Reflexos da Declaração de Bolonha. Neste evento, a que assisti como convidado, todos os presentes, em parte representados por docentes universitários de todo o país, manifestaram-se contra a atribuição do grau de licenciado para o ciclo inicial de estudos superiores defendendo o de bacharel. A este clima, não deve ter sido estranho ter pairado no espírito dos presentes uma licenciatura, como disse, também, Adriano Moreira, “com o prestígio da Universidade que lhe deu a primeira credencial de título académico nobilitante”.No ano seguinte, em crítica ao poderes públicos por não terem tido em conta este importante seminário, escrevi em artigo de opinião: “Começo a convencer-me que em Portugal, à sombra de princípios tidos como democráticos, há um prazer sádico dos seus governantes em auscultar os parceiros sociais, mesmo que possuidores de um estatuto de ‘interesse público’, para decidir precisamente o contrário” (Público, 13/06/2005).Em disparates sucessivos, numa altura em que era pedido pelas instâncias europeias “a adopção de um sistema de graus comparável e legível”, viria a ser adoptado, em território nacional, a terminologia de licenciado colocando, com isso, em dificuldade qualquer indivíduo que pretenda estabelecer a comparação e legibilidade entre este nosso grau e o grau de bacharel extra-fronteiras. Deste statu quo dei conta, quando escrevi:“Assim ,julgo – e penitencio-me se estiver errado! - que se desatendeu a uma possível solução a dar aos actuais mestrados outorgados pela universidade, após estudos complementares com a duração de dois anos e apresentação de uma tese. É compreensível o prejuízo que daqui poderá advir passando a haver mestrados com igual ou menor duração das actuais licenciaturas universitárias (Diário de Coimbra, 14/12/2004).E porque, como escreveu George Canning, “para cada problema há uma solução que é fácil, clara e…errada”, não poucas vezes, o desejo de querer ser diferente ou original tem o seu quê de caricato!Corre actualmente na Net a recolha de assinaturas para uma petição a apresentar na Assembleia da República para que aos mestrados universitários antes de Bolonha - quatro ou cinco anos de licenciatura e mais dois anos de estudo com apresentação de tese - seja dada equivalência aos actuais mestrados, em verdadeiro escândalo alguns deles obtidos no ensino politécnico em quatro anos apenas!...Trata-se de uma atitude em que aparece a pedir quem se encontra, como escreveu Jorge de Sena, “privado em extremo de justiça justa”. Assim, a petição deveria incidir, no mínimo, sobre a equivalência das antigas licenciaturas universitárias aos actuais mestrados e a atribuição de uma espécie de pós-graduação aos antigos mestrados universitários que os superiorizasse relativamente aos mestrados actuais. Se outros motivos de qualidade e exigência curricular não houvesse, uma simples conta de somar justificaria uma petição destas e a sua mais que justa aprovação na Assembleia da República. Mas menos do que isto deixará um travo amargo na boca por transportar para os dias de hoje o desalento de Manuel Laranjeira : “Num povo onde essa minoria intelectual, que constitui o capital de orgulho de cada nação se vê condenada a cruzar os braços com inércia desdenhosa, ou a deixá-los cair desoladamente sob pena de ser esterilmente derrotada” (in Jornal “O Norte”, 1908).Mas a proposta desta praxis (ou seja, aquilo que os filósofos gregos tinham como “a acção comum tendo em vista os melhores objectivos para a cidade” ) devia ser assumida pelo próprio ministro Mariano Gago para libertar o Portugal democrático da má sina em procastinar um problema nacional que deveria já ter merecido uma solução justa, rápida pronta, eficaz por parte dos homens com assento na Assembleia da República com o voto do povo. A dignidade dos antigos diplomas da universidade portuguesa assim o deve exigir como um princípio ético e um direito inalienáveis!Rui Baptista
May 25 2009, 12:49am | Comments »
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O dever de educar para a Matemática
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Décima quarta sessão do ciclo O dever de educar, no próximo dia 26 de Maio, pelas 18h15, na Livraria Minerva Coimbra.Centramo-nos nesta sessão no dever de educar para a matemática, uma das prioridades dos sistemas educativos actuais. Esta prioridade tem sentido? Estaremos a assumi-la correctamente? E, o que podemos fazer para melhorar a educação das crianças e dos jovens nesta área?A convidada é Natália Bebiano, professora do Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra, responsável por diversas iniciativas de divulgação e educação matemática.Local: Livraria Minerva (Rua de Macau, n.º 52 - Bairro Norton de Matos), em Coimbra.Próxima sessão: 9 de Junho.As sessões deste ciclo são abertas ao público.
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May 24 2009, 11:58am | Comments »
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Saiotes e decotes
http://dererummundi.blogspot.com/2009/05/saiotes-e-decotes.html
Texto de João Boavida, antes publicado no semanário As Beiras, sobre um curioso episódio da nossa animada realidade social e educativa.Na semana passada alguns jornais noticiaram, em grande, que a Escola Básica de Pinhal Novo tinha proibido saias curtas em excesso, decotes demasiado promissores e calças a cair, como agora muita malta nova abusa e usa. Tratava-se de uma emenda ao regulamento interno da escola «resultado de situações verificadas na sala de aula», e que refere como deveres do aluno «apresentar um aspecto asseado e limpo, vestindo-se de forma adequada ao espaço da sala de aula». Não faltou logo quem aproveitasse este facto, como o da Loja do Cidadão, de Faro.Desde logo fazer disto uma grande notícia, puxando ao escândalo, é disparate, porque todos vemos e percebemos a razão da coisa. Depois, era inevitável, alguns políticos, cavaleiros de triste figura do politicamente correcto, porque está em perigo a liberdade individual et cetera e tal. E, inevitavelmente, um ou outro programa dessa televisão deslavada e sem miolo, que anda para aí aos caídos e não sabe o que fazer a tantas horas de emissão.Como não há meio de aparecer ninguém por cá com a gripe porcina, por mais que o desejem e a puxem, toca a inventar notícias e a tentar meter a ridículo uma escola que decide não fechar os olhos às situações inaceitáveis.Ó meus amigos, deixem-se de coisas, uma escola tem obrigação de ter um regulamento interno. E como é sempre possível aparecer quem queira andar vestido de modo impróprio para a maioria, e muitos até fazem gala nisso, a direcção da escola tem o direito (e o dever) de não permitir que nela as pessoas andem como lhes apetece, visto nem todas saberem comportar-se em público. Sobretudo jovens, sobre quem as modas e os media e toda uma infernal indústria e um diabólico consumismo pressionam e condicionam até ao ridículo puro e à parvoíce completa, impondo uma moda anti-anatómica, fatalmente estúpida, que aperta onde devia alargar e dá largas ao que devia cingir. Embora com armas muito desiguais e lutando contra impérios, os educadores, se o são, têm o direito de impor o bom senso a quem não o tem.É engraçado que não se vê nenhum partido político denunciar os fabricantes que por força querem impor outro corpo aos jovens, nem os atacam pela situação ridícula a que os sujeitam promovendo e pondo a circular calças e outra farpelas que são um desastre a todos os níveis. Nem a exploração descarada que é venderem, por alto preço, produtos previamente degradados, ou fragilizados, impondo-os como um must. Nem o que significa para certas famílias terem que ceder, com o dinheiro que muitas vezes não têm, às exigências de muitos jovens, de cabeça feita por um consumismo descabelado e sem quaisquer preocupações sociais. Era contra essas multinacionais do ridículo e da parvoeira, e que se estão borrifando para o mal que provocam, que certos partidos à esquerda deviam avançar a direito, como gostam de se mostrar. Seriam úteis e ficaríamos gratos.Ganhar (?) votos e tentar entalar o Governo à custa de uma escola que procura, com quantas dificuldades, aguentar alunos e problemas, é baixa política. É certo que os pais é que devem habituar os filhos às boas maneiras, mas a própria notícia nos diz que foi preciso convencer alguns de que não era muito correcto o modo como os próprios filhos se apresentavam. E, sendo assim, será preciso dizer mais alguma coisa?A escola e os professores têm obrigações para com a comunidade e são agentes de formação pagos pelo Estado. Até pode ser que a Escola não tenha razão, que não haja motivo, que aquele conselho executivo exagerou. Mas não custa acreditar que tem razão, pelo que se vê nas ruas. Portanto.João Boavida
May 21 2009, 1:28pm | Comments »
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HUMOR - EVOLUÇÃO DO ENSINO
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May 18 2009, 6:46pm | Comments »
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Vital Moreira e as Ordens Profissionais
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Numa altura em que muitos professores, ao receberem instruções para as provas de aferição, sentem que são tratados como "atrasados mentais", eis novo post de Rui Baptista sobre a criação da Ordem dos Professores, uma ideia que ele tem defendido desde há muitos anos e que tem vindo a encontrar eco: “Os factos são sagrados e as opiniões são livres” (postulado do jornalismo anglo-saxónico)Desde longa data me fiz defensor acérrimo da criação da Ordem dos Professores, tendo-me confrontado com situações aparentemente quixotescas de lutar contra moinhos de vento com velas enfunadas por uma feroz oposição de uns tantos sindicalistas e docentes que, por vezes, não cumprem os requisitos académicos havidos como necessários à inscrição em ordens profissionais. E, como tal, uns estão receosos de perda de influência no panorama político, outros de um possível futuro à margem de uma organização de direito público.Entretanto, em declarada terra de ninguém, sindicatos como a Fenprof e a FNE, os mais representativos da classe docente usando o critério da filiação, puseram-se ao serviço pressuroso de clientelas (e até, nalguns casos, de alguns dos seus dirigentes) que viam neles uma arma poderosa no favorecimento do demérito em igualar desiguais. Julgo que este statu quo se pode enquadrar na opinião do professor Eugénio Lisboa sobre o sindicalismo: “Para tudo isto os sindicatos têm dado uma eficaz mãozinha, não raro, intervindo, com desenvoltura, em áreas que não são nem da sua vocação nem da sua competência”. No intuito de encontrar analogias que defendessem direitos adquiridos pelos docentes em muitos anos de exercício profissional, mesmo que durante o período conturbado que se seguiu a 25 de Abril, folheei documentos amarelecidos pelo tempo que pudessem iluminar os perfis académicos de profissões tuteladas por Ordens Profissionais. Cedo me apercebi estar a percorrer um desgastante trabalho de Sísifo em consultas que me facultaram elementos valiosos para publicar um artigo de opinião com o desfecho encontrado para o problema. Escrevi então:“Os primeiros Estatutos da Ordem dos Médicos (Decreto-Lei 29.178/38, de 24 de Novembro) admitiram como seus membros diplomados pelas extintas Escolas Médicas de Goa e do Funchal, ‘com as restrições de âmbito profissional previstas na lei’. Ademais, colhi o exemplo mais recente dos diplomados com o curso profissional das extintas Escolas de Farmácia de Coimbra e de Lisboa a quem foi permitida a respectiva inscrição na Ordem dos Farmacêuticos, criada pelo Decreto-Lei, n.º 334/72, de 23 de Agosto, ‘unicamente para o exercício da direcção técnica de farmácia, com exclusão das actividades farmacêuticas especializadas do âmbito exclusivo dos licenciados” (in “A legalização do título profissional de professor”, Correio da Manhã, 28/6/1996). Esclareça-se que no ano em que foi criada a Ordem dos Farmacêuticos o único curso universitário que habilitava para o exercício desta profissão se situava na Universidade do Porto.Todavia, ultrapassado este obstáculo, logo outro surgiu pela pena do professor universitário e político Vital Moreira quando há anos escreveu que [as Ordens Profissionais] “têm proliferado no nosso país apesar de terem a sua origem no sistema corporativista do Estado Novo” (Público, 05/07/2005). Curiosamente, o labéu da gestação das ordens profissionais em ventre licencioso do Estado Novo foi um dos argumentos mais usados, igualmente, por todos aqueles que, em desespero de causa, se opuseram, às claras ou na penumbra, à criação de uma Ordem dos Professores e que, desta forma, passou a ter um aliado de peso em contributo de natureza política.Embora possa estar a contrariar o filósofo Ortega y Gasset, para quem “há tantas realidades como os pontos de vista”, cotejo esta opinião de Vital Moreira com o estudo que realizei sobre esta temática passando as conclusões a letra de forma:“Defensor público, e desde a primeira hora, desta forma de associativismo profissional, entendi a necessidade de ir à procura das suas raízes em Portugal coetâneo. E daí surgiu-me um facto relevante e pouco conhecido. A criação da Ordem dos Advogados (Decreto 13.909/27, de 22 de Junho) é anterior à Constituição Política da República Portuguesa de 1933, que só seis anos mais tarde estabeleceu o regime corporativo no nosso país. Acresce que, no ano seguinte, ao ser atribuída representação na Câmara Corporativa a este órgão de classe, os advogados ‘não aceitaram esta medida por a acharem deprimente’. Este acervo legislativo demonstra que as ordens anteriores a 25 de Abril, ao contrário do que é dito, por vezes, não tiveram, todas elas, a sua génese no Estado Novo” (Correio da Manhã, 17/11/1995).São estes factos que trago à presença do leitor, acrescentando apenas uma citação do psicanalista Sigmund Freud: “a maior paixão da humanidade é iludir a realidade”!Rui Baptista
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- educação escolar
May 18 2009, 5:39am | Comments »





