Hoje continua o "diálogo de surdos" entre o Ministério de Educação e os sindicatos dos professores. Parece cada vez mais claro que nenhum deles quer uma avaliação pedagógico-científica. O Ministério da Educação excluiu a ideia logo à partida com uma divisão de base apenas burocrática entre "professores titulares" e "professores". De resto, a própria ministra esclareceu já que mestrados e doutoramentos não contam para nada... Quanto aos sindicatos, eles desde há muito são contra qualquer distinção dentro da classe profissional, o que é uma maneira de beneficiar os medíocres e de prejudicar os excelentes. A última proposta deles, anunciada tarde e a más horas, é afinal burocrática tal como as propostas do Ministério: auto-avaliação com base na "assiduidade" e no "serviço atribuido".Tanto o Ministério como os sindicatos têm mais em comum do que possa parecer, o que talvez faça com que os "surdos" se ouçam. Um secretário de estado até já foi sindicalista durante muito tempo. Se falarem "eduquês" até pode ser que se ouçam, pois é uma linguagem comum. Ambos, por acção e inacção, são afinal co-responsáveis por uma boa parte das deficiências da nossa escola. Infelizmente, depois de tudo o que se tem passado, não penso que possam surgir grandes melhorias no ensino de um eventual entendimento entre anos (lembro que já houve um entendimento há pouco tempo e, num "arrufo de namorados", houve zanga logo a seguir). Esperemos por uma avaliação externa do nosso ensino, que a OCDE ou outro organismo internacional não pode deixar de fazer. Internamente, o governo tem a indiscutível legitimidade das eleições e haverá em breve oportunidade para o julgar. Quanto às organizações sindicais, pode ser que um dia os professores, que são o baluarte das escolas (o Ministério devia saber isso, mas parece que não sabe!), se organizem de modo a ter representantes credíveis e com ideias claras dobre o que deve ser uma escola melhor.
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DIÁLOGO DE SURDOS
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December 11 2008, 4:03am | Comments »
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A ministra, a Fenprof e a luta dos professores
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O nosso colaborador habitual Rui Baptista dá a sua opinião sobre o estado actual da crise relacionada com a avaliação dos professores: “Que importa a linha do horizonte? O que eu vejo é o beco” (Manuel Bandeira). Há uma expressão popular que define o impasse que se vive no interminável braço-de-ferro protagonizado pela ministra da Educação e pela Fenprof: “serrar serradura”. Sem qualquer linha de horizonte à vista, neste autêntico diálogo de surdos, chegou a hora de os professores, directamente implicados numa guerra que está longe de ser de “alecrim e de manjerona”, nela participarem activamente sem terem Mário Nogueira como cabeça de cartaz de uma assumida luta político-partidária que reencontrou nas manifestações de rua a sua encenação e nos professores os seus intérpretes. Se dúvidas houvesse a este respeito, elas deixaram de ter lugar com as palavras de Jerónimo de Sousa, na abertura do Congresso do PCP, ao confessar a sua conhecida linha marxista-leninista, com exortação à “luta de massas” e ao caminhar “rumo à democracia avançada no limiar do século XXI” (“Sol”, 29/11/2008). O statu quo da actual crise serve indiscutivelmente os desígnios de Mário Nogueira em vir a ser deputado pelo PCP, depois de desaires sucessivos em eleições anteriores. Por outro lado, o vento da oportunidade enfuna-lhe as velas na via sindical com a anunciada resignação do moderado e bem preparado academicamente Carvalho da Silva (“Expresso”, 29/11/2008). Mas o mais espantoso desta situação tão espantosa foi a criação de uma Plataforma Sindical que congregou em volta da Fenprof, e dela se fez correia de transmissão, organizações sindicais com objectivos programáticos diametralmente opostos e com uma massa associativa que parecia impossível subscrever um pacto que faria corar de vergonha o próprio Fausto.Se é bem certo que a ministra da Educação se tem mostrado pouco conciliatória em todo este processo, Mário Nogueira não lhe fica atrás. Em falta de coerência vence-a aos pontos ao ter assinado um memorando de entendimento em Abril deste ano para, há poucos dias, ter abandonado a mesa de negociações com o ministério e entrando num beco sem saída depois de ter anunciado uma proposta na comunicação social que deixou ficar na manga. O estertor desta batalha em nada ajuda a memória do passado recente e pode mesmo levar ao esquecimento de matéria factual da maior importância. Seja como for, a parcela de indiscutível razão que assiste aos professores em todo este processo em momento algum pode ser posta em causa. Mas, por outro lado, ela não os deve conduzir a greves consecutivas que lhes afectam as bolsas e prejudicam ainda mais o clima profissional que se tem deteriorado dia-a-dia. Muito menos este conflito deverá ter como desfecho a cabeça da ministra como uma espécie de troféu de guerra apresentado pelo dirigente máximo da Fenprof por serviços prestados na sua luta partidária.Dado que a Fenprof jura a pés juntos que não é sua intenção voltar à situação anterior, o ministério fez cedências que, porém, não satisfizeram nem sindicatos nem professores. Em casos como este de insanáveis litígios, é costume recorrer-se a arbitragens. Em ultima ratio, porque não ter o “soberaníssimo bom senso” de recorrer à colaboração de académicos das diversas áreas do conhecimento científico e humanístico, incluindo as ciências da educação, e de docentes do ensino não superior que convivem no seu dia-a-dia com os problemas das escolas para encontrar uma solução para a quadratura do círculo em que se transformou a avaliação dos professores? O país dificilmente acreditará na loa de que os professores são todos bons por igual. O discutível processo de nomeação dos professores titulares veio mostrar que os próprios docentes deixaram de acreditar na clonagem da classe defendida por medíocres que dessa clonagem queriam retirar dividendos. E em que o verdadeiro mérito não ocupa o lugar que lhe compete de jure e de facto.
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December 1 2008, 7:19pm | Comments »
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A escola pública está ameaçada?
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Depoimento meu sobre a qualidade das escolas públicas que foi publicado no último "Jornal de Leiria":Temos algumas boas escolas públicas, com bons professores. Mas, hoje, há razões para estar preocupado com o futuro dessas escolas, dado o ambiente geral de facilitismo nas escolas e a sobrecarga burocrática que pende sobre os professores, com manifesto prejuízo do bom ensino que eles podem fazer. Olhando para os “rankings” de escolas verifica-se que o ensino público está a perder para o privado e as pessoas, como eu, empenhadas na defesa do ensino público, devem reflectir sobre isso e procurar actuar. Nomeadamente apoiando a posição dos professores e dos pais da escola pública mais bem classificada, a Infanta D. Maria de Coimbra, contra uma avaliação que não é séria nem competente. Seria muito mau se os pobres estivessem condenados à pobreza por a escola pública se degradar.
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November 22 2008, 7:24pm | Comments »
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O MONSTRO DA 5 DE OUTUBRO
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Minha crónica no "Público" de hoje:A palavra “monstro” para designar o Ministério da Educação é muito anterior ao mandato dos actuais ocupantes da Avenida 5 de Outubro. Numa entrevista ao “Expresso” o Eng.º Belmiro de Azevedo usou-a há anos sem papas na língua: “O Ministério da Educação sempre foi um monstro dentro de outro monstro que é a administração pública. Esse Ministério é o maior empregador nacional e deve possuir o maior teor de burocratas no sistema. Continua a gerir numa lógica de continuidade aquilo que existe, em vez de gerir numa lógica de base zero, por reformular o sistema por completo. Não têm existido verdadeiras reformas educativas.” Inquirido sobre a solução, respondeu: “Devia haver uma reforma que abrisse e descentralizasse o sistema de ensino. O Ministério devia ser um regulador, validador de currículos, da qualidade do exame e deixar o sistema funcionar, descentralizado.”Mas o problema é que pouco mudou nos últimos tempos: o monstro continua monstruoso, com DREs, despachos, circulares, grelhas, etc. A pseudo-avaliação burocrática de professores que ele pretende impor a todo o país provém de uma velha e enorme máquina, que já devia ter sido esboroada. Parafraseando Kafka, burocrata é alguém “que escreve um documento de dez mil palavras e lhe chama sumário”. E os “sumários” não cessam de jorrar...Os professores, que, na sua esmagadora maioria, marcharam em protesto em dois fins de semana sucessivos (num com e no outro sem sindicatos) pelas ruas de Lisboa, vieram dizer uma coisa muito simples: querem ensinar sem o monstruoso sufoco de que são vítimas. De facto, ensinar é o que sabem e gostam de fazer e é, aliás, o que é preciso que eles façam. O Ministério devia querer isso deles, mas a palavra parece banida do seu vocabulário. Se ele quisesse ensino, então precisaria mesmo deles, pois não há, obviamente, ensino sem professores.Entre os professores, os melhores são os mais precisos. Para o seu apuramento é mister um processo de destrinça e de recompensa. Quero crer que a maioria dos docentes aceita um método de avaliação sério e competente, mas esse método terá pouco a ver com o caos que, burocraticamente, o monstro está a instalar nas escolas. Por outro lado, parece-me claro que os sindicatos não querem avaliação nenhuma, quanto mais não seja porque muitos dos seus dirigentes já não ensinam há muito tempo, e ficariam decerto chumbados se a qualidade do ensino fosse o factor decisivo na avaliação. O governo tem todo o direito de combater os sindicatos, cujos desígnios políticos estão bem à vista. Mas já não tem o direito de confundir reiteradamente os sindicatos com os professores e de agredir indiscriminadamente os segundos descarregando a sua raiva aos primeiros. Governo e sindicatos são dois monstros em luta pelo poder e nem professores nem alunos deviam ser vítimas dessa luta.Certo é que muitos dos nossos melhores professores, para preservar a sua saúde mental, estão a abandonar a profissão, com manifesto prejuízo da qualidade do ensino público. O Ministério, ao deixar que os melhores mestres se afastem, comete um erro que irá custar caro ao nosso ensino, que irá custar caro a todos nós. Permite que o privado se distancie mais do público. Que os alunos mais desfavorecidos fiquem ainda mais desfavorecidos.A Escola Infanta D. Maria, em Coimbra, que é a melhor escola pública de acordo com os "rankings" dos exames do 12.º ano, já decidiu suspender o processo de avaliação para não se degradar. Se todas as escolas seguissem esse exemplo, o actual impasse poderia cessar com a vitória das escolas e do ensino, e não dos sindicatos. O monstro da 5 de Outubro, por muitos tentáculos que estendesse, não conseguiria chegar a todo o lado e punir a esmo. De realçar que, ao arrepio de falsas divisões que foram cultivadas, os pais confiam nos professores e estão com eles. A Associação de Pais do D. Maria foi bastante clara: “Não queremos que esta escola perca a qualidade que tem”. Seria trágico se um processo que pretende assegurar a qualidade acabasse afinal com ela.
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November 20 2008, 5:56pm | Comments »
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A Educação e o seu Mi(ni)stério
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Post convidado de Armando Vieira, Professor Coordenador do Instituto Superior de Engenharia do Porto:O tema da educação é recorrente na comunicação social: baixos salários dos professores, violência, "rankings" de escolas. Acho justificável que se fale de um tema tão importante. Mas o que me preocupa é que se discutam problemas relacionados com a educação sem nunca se falar de educação.Gostaria que se falasse da qualidade dos manuais escolares, da relevância dos programas escolares arcaicos, mais adaptados à realidade do século XIX do que aos alunos do século XXI. Seria interessante perceber porque se ensinam tantas horas de matemática e os alunos chegam ao ensino superior quase sem saber fazer uma conta de dividir. Poderia ainda ser esclarecedor saber porque não se ensina mais informática nas escolas ou não se realizam trabalhos laboratoriais, essenciais ao desenvolvimento do espírito crítico e de reflexão. Perceber, enfim, porque continuamos na cauda da Europa no que respeita ao desempenho dos alunos em várias matérias e que, por mais invenções que se criem para iludir as estatísticas, o nosso sistema de ensino falha redondamente.Mas já que estes temas parecem despertar pouco interesse, falemos então do que tem estado na ordem do dia. As escolas estão novamente em guerra, desta vez por causa do processo de avaliação dos professores. Embora partilhe alguma da antipatia dos professores por esta ministra, acho, que desta vez, o problema não é dela. É importante separar o trigo do joio, incentivar os melhores professores e penalizar os piores. É um princípio elementar de justiça.O problema é quando o Ministério da Educação (ME) tenta passar da teoria à acção. Não é preciso ser muito sábio para avaliar a qualidade de uma padaria, de um banco ou de um hotel, e das pessoas que lá trabalham. Escolhe-se simplesmente aquele que prestar o melhor serviço. Mas parece que o ME tem uma resposta mais completa a este problema. Segundo o ME, estas entidades deviam ser avaliadas preenchendo toneladas de formulários com todo o tipo de questões, desde a pontualidade dos funcionários à cor do seu uniforme. Formulários esses, preenchidos por outros funcionários, que se revezam entre si. Os clientes, esses, não são tidos nem achados no processo. Neste caso, quem decidiria sobre o melhor restaurante do seu bairro seria um imaginário Ministério da Restauração. Talvez a criação desse Ministério fosse uma boa ideia para acabar com uma das poucas coisas boas que ainda nos resta: a comida.Maria de Lurdes Rodrigues é uma excelente profissional mas uma péssima ministra. Acho que qualquer pessoa, por mais sensata e inteligente que seja, seria sempre um péssimo ministro da educação. Isto porque o maior problema da educação em Portugal é o próprio ME. A educação não se decreta por leis ou regulamentos mas faz-se com empenho e dedicação. É uma tarefa árdua que cabe a todos e que de todos merece um sentimento hoje totalmente alienado do ensino: reconhecimento. Educar constrói-se também de baixo para cima e não só de cima para baixo.Senhora ministra, deixe os professores fazer o que eles sabem, e querem, fazer: ensinar. Deixe de os tratar como se fossem meninos irresponsáveis e indisciplinados. Em vez de transformar os professores em obedientes funcionários públicos, que passam o dia a preencher papeis, dê-lhes autonomia e espaço para a criatividade. Dê autonomia às escolas e deixe que sejam elas a recrutar e gerir o seu corpo docente. A questão da avaliação do desempenho dos professores fica naturalmente resolvida.Ao transferir responsabilidades para as escolas e para os pais, conseguiria reduzir para uma décima parte os funcionários da 5 de Outubro e para uma milésima parte as suas dores de cabeça.Já agora, senhora ministra, em vez de criar guerras desnecessárias canalize as suas energias para fazer uma coisa importantíssima: definir uma estratégia de educação nacional com pés e cabeça, não para um, mas para dez anos.Armando VieiraArmando.vieira@kanguru.ptProfessor Coordenador do ISEP
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November 20 2008, 5:27pm | Comments »
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PORQUE PROTESTAM OS PROFESSORES?
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Com o título de cima, a professora Maria Regina Rocha, da Escola Secundária de José Falcão de Coimbra, publicou um artigo no semanário "Sol" de sábado passado, que, depois de enumerar dez razões de protesto, termina assim:"Este modelo de avaliação é, pois, propiciador de injustiça e da deterioração do ambiente de trabalho nas escolas, comprometendo a desejada melhoria do sistema de ensino.E, com apreensão, verificamos, por um lado, que os sindicatos continuam com um discurso sem alternativas concretas adequadas (que mostrem que os professores querem ser avaliados e que não deixem cair a ideia de que querem uma guerrilha sem fim) e com atitudes francamente discutíveis, como o abandono da comissão paritária; e, por outro, que a ministra da Educação afirma que já foram avaliados 20000 professores, mas não refere que o foram por meio de um avaliação simplificada, e não por este decreto que se pretende impor, e defende que não há alternativa a este modelo de avaliação. Ora, é óbvio que há alternativas".Maria Regina Rocha
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November 16 2008, 6:10pm | Comments »
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No rescaldo da manifestação do dia 8 de Novembro
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Regressa a opinião, como sempre desassombrada, do nosso colaborador Rui Baptista, cuja pena se tem distinguido no comentário a assuntos de educação: "Mário Nogueira reconhece que está a travar 'um combate político-partidário' " (Jornal de Notícias, 8/Novembro/2008). Pela interpretação à letra desta frase conclui-se estarmos em presença de uma desastrada confissão a que a embriaguez de uma vitória havida como fácil conduz. Ele certamente sabe, como soube Eça, que “quando se quer fazer marchar um regimento não se lhe explica com a subtileza de um protocolo os motivos que levam à guerra: desdobra-se uma bandeira, faz-se soar um clarim e o regimento arremete”. Resta saber qual o verdadeiro papel da Plataforma Sindical no meio do cheiro acre da pólvora por se fazer representar através do seu porta-voz de sempre, Mário Nogueira, que, sem qualquer peias que o bom senso e o tacto político recomendariam, transforma a justa luta dos professores num braço-de-ferro entre o Partido Socialista e o Partido Comunista. E quando o mar bate na rocha… Dias atrás, David Justino, ex-ministro da Educação e assessor da Presidência da República para questões sociais, afirmou: “Enquanto transformarmos a Educação num campo de batalha, será difícil encontrarmos soluções e um rumo que possa unir as pessoas no sentido de tornar a educação uma educação de excelência”. Ou seja, uma mensagem de apaziguamento por parte desta assessoria teve como resposta uma guerra total com os prejuízos que isso sempre acarreta numa luta sem quartel. Num pacto em que a conveniência se fez rainha e os princípios programáticos dos sindicatos se fizeram servos, a Fenprof teve uma jogada de mestre ao conseguir uma “santa aliança” com os outros sindicatos da Plataforma conotados, ou mesmo com ligações umbilicais, a partidos políticos como o PS e o PSD. Há, ainda, que reconhecer a tenacidade da Fenprof em ser igual a si própria na “instrumentalização dos sindicatos como ‘correia de transmissão do PCP’” (Mário Soares, Diário de Notícias, 29/Janeiro/2008). Mas valerá o preço a pagar futuramente pelos outros sindicatos por essa medida? Ou seja, o “day after”, com a Fenprof dona e senhora de um futuro que deveria ser de todos os professores, independentemente de serem ou não sindicalizados, apenas, pelo empenho, pelo brio, pela entrega entusiasta à importante profissão social que desempenham e que o Ministério da Educação desastradamente tem posto em causa como se não se tratasse de exemplos de uma esmagadora maioria. Outrossim, há que reconhecê-lo, a Fenprof tem, em todo este processo ,feito grandes jogadas. Assinou o memorando da discórdia e sacode a água do capote dessa contestada tomada de posição que provocou o descontentamento geral dos professores e conduziu a educação a um “statu quo” desastroso de disputa permanente. Outros que não ela, os professores, levarão, mais tarde ou mais cedo, de vencida a teimosia do “staff” do Ministério da Educação porque a causa porque lutam nas escolas contra o actual sistema de avaliação, em atitudes pessoais de muita coragem e determinação, é justa, porque justo é pugnar por um ensino digno e de qualidade que retire Portugal da cauda da Europa em comparações isentas do “Programme for International Student Assessment” (PISA). No meio deste caos, que tal pararmos uns instantes para reflectirmos sobre a mensagem de Albert Camus, em O Homem Revoltado? "O absurdo, tal como a dúvida metódica, fez tábua rasa do passado. Deixou-nos num beco sem saída. Mas tal como a dúvida, pode, mudando de atitude, orientar uma nova busca". E, nessa nova busca, deverá, forçosamente, ter lugar destacado a manifestação do próximo dia 15 de Novembro, ultrapassada, em condenável oportunismo, pela manifestação da Fenprof do passado fim-de-semana.Rui Baptista
November 11 2008, 11:07am | Comments »
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"QUEREMOS ENSINAR"
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Os professores portugueses, que na sua maioria, marcharam em protesto no sábado passado pelas ruas de Lisboa, fizeram bem em dizer que queriam ensinar. De facto, é isso que sabem fazer e é isso que é preciso que eles façam. O Ministério da Educação devia também querer isso deles, mas a palavra "ensinar" parece estranha ao seu vocabulário. Se o Ministério quer que haja ensino, precisa mesmo dos professores, pois não há ensino sem professores. E devia precisar mais dos melhores professores, procurando apoiá-los e incentivá-los.Para saber quem são os melhores professores é preciso um processo de destrinça. Quero crer a maioria dos professores aceita um método de avaliação competente, mas esse método terá pouco a ver com o caos burocrático com que a 5 de Outubro está a sufocar as escolas. Por outro lado, parece-me óbvio que os sindicatos não querem avaliação nenhuma, quanto mais não seja porque muitos dos seus dirigentes já não ensinam há muito tempo e ficariam decerto mal avaliados se a qualidade do ensino fosse o factor mais importante para a progressão na carreira. O governo tem todo o direito de contrariar os sindicatos. Mas já não tem o direito de confundir os sindicatos com os professores e de persistir em agredir indiscriminadamente os professores, de uma maneira que dói por ser brutal. Receio que muitos dos nossos melhores professores, profundamente feridos, estejam a abandonar a profissão, com manifesto prejuízo da qualidade do ensino público. O erro de deixar ir embora os professores mais experientes, desprezando o seu imprescindível contributo, vai, infelizmente, custar caro ao nosso ensino, vai-nos custar caro a todos.
November 10 2008, 8:17pm | Comments »
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AS TURMAS PORTUGUESAS
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Fui ver, tal como aqui foi sugerido, o filme francês "A Turma", que tinha ganho a Palma de Ouro do Festival de Cannes (no vídeo o regresso às aulas dos jovens actores depois do prémio). Uma das minhas curiosidades era a de conhecer as semelhanças entre a realidade escolar francesa e a portuguesa. Há óbvias semelhanças, pois os adolescentes da mesma idade são muito semelhantes em qualquer parte do mundo. Mas há também algumas diferenças. Realço três:1- Numa das cenas do filme, um professor discute com outro seu colega a escolha da matéria que vai dar. Isso em Portugal é muito difícil, praticamente impossível, dada a obrigatoriedade e rigidez dos programas ditados de cima, do Ministério da Educação. Os professores portugueses não têm a mesma liberdade dos franceses, pelo que não poderão obter os resultados franceses.2- Na escola em questão, quem manda é o director da escola, um senhor de gravata. Repare-se que no filme os professores não o tratam por tu, sendo claro o respeito por ele e pelas suas decisões, que ele, apesar da autoridade que desfruta, procura tomar em conjunto com os professores. Em Portugal reina ainda uma certa desresponsabilização, uma vez que a figura do director está tomada pelo chamado "conselho consultivo". Convenhamos que, embora o conselho possa ter um presidente, está-se perante uma diluição de responsabilidades. Um aluno indisciplinado não é levado ao gabinete do director mas sim à sala do conselho executivo.3- Perante uma infracção grave, como o comportamento violento de um aluno dentro da sala de aula, o conselho disciplinar reuniu-se rapidamente e o veredicto, depois de ouvido o aluno e a sua mãe, é o mesmo que das outras vezes em que reuniu por razões similares: expulsão da escola. Compare-se com a burocracia e a dificuldade que os procedimentos disciplinares do mesmo tipo nas escolas portuguesas em situações tão ou mais graves do que essa...
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November 3 2008, 8:17pm | Comments »
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O dever de educar para os Jesuítas
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Segunda sessão do ciclo de Conferências O dever de educar, no próximo dia 4, pelas 18h15, na Livraria Minerva Coimbra.A preparação do aluno para ser autónomo e participar no mundo de forma responsável, a sua centralidade na tarefa educativa, o respeito pela sua pessoa, a aula como um laboratório de vida, a necessidade de "aprender a aprender", parecem-nos ideias novas, mas... não são.Uma incursão histórica pode fazer-nos atribuir essas ideias à pedagogia jesuíta, pois elas estão já presentes nos seus primeiros passos. Porém, o seu mentor, Santo Inácio de Loyola, admitiu não ter inovado grandemente, uma vez que procurou inspiração noutros autores, na altura, tradicionais…Para falar da influência dessa pedagogia na actualidade foi convidada Margarida Miranda, professora do Instituto de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra que, além de ter realizado a primeira tradução moderna em Portugal da Ratio Studiorum (o currículo que presidiu à primeira rede escolar internacional com que os Jesuítas educaram a Europa), tem publicado diversos estudos sobre a pedagogia dos Jesuítas, nomeadamente sobre o papel que o teatro teve e tem nessa pedagogia.Local: Livraria Minerva (Rua de Macau, n.º 52 - Bairro Norton de Matos) em CoimbraAs sessões deste ciclo são quinzenais, e estão abertas ao público.Próximas sessões: 18 de Novembro e a 2 e 16 de Dezembro.
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October 30 2008, 2:48pm | Comments »




