Caos nas salas de aulas é a tradução portuguesa do documentário Classroom Chaos, produzido pela BBC, da autoria é Angela Mason, uma ex-professora do ensino secundário, que depois de um inderregno de cerca de três décadas voltou ao ensino.Tendo, nesse intervalo de tempo, trabalhado na área do audio-visual, nunca deixou de se interessar por aquilo que se passa na escola. Como tantas outras pessoas, preocupada com o comportamento indisciplinado dos alunos, resolveu dar a conhecer as suas características e dimensões em escolas londrinas.Actualizou as suas credenciais como docente de substituição, tendo, assim, tido acesso a várias turmas de diversos anos de escolaridade, filmando algumas delas com recurso a câmaras ocultas, tendo sempre o cuidado de não identificar contextos nem sujeitos..Em 2005 o documentário resultante dessa abordagem foi dado a ver em Inglaterra, provocando acesas polémicas, nas quais se envolveram várias entidades educativas, que inclusivamente, desencadearam contenciosos institucionais.Os motivos que levaram à sua realização, o impacto que teve na sociedade, os argumentos que apoiam o seu interesse ou a sua inadequação, as questões que levanta sobre as opções educativas contemporâneas, a análise que faz da organização dos sistemas de ensino, a dúvida que levanta sobre a validade da avaliação das escolas, a interrogação que coloca em torno da (im)possibilidade de investigar objectivamente o ensino e a aprendizagem em sala de aula, justificam que partilhemos o essencial com os leitores do De Rerum Natura, uma vez que tudo o que nele se evidencia nos parece próximo da nossa realidade educativa.Primeira escola documentada Professora: “Não te importas de largar a bola? Não te importas de te sentar no teu lugar?”Tive de me beliscar para acreditar que era mesmo assim, que as salas de aula britânicas, em 2004, eram mesmo assim….Chamo-me Angie Mason. Já dei aulas em escolas secundárias públicas, nos anos 70. Bons tempos, esses! Mais tarde, deixei de dar aulas e tornei-me uma produtora de rádio e televisão especializada na área educativa. No início do ano passado, estava envolvida num projecto interescola de caridade e decidi que podia fazer muito mais com a minha experiência nas salas de aula. Frequentei um curso de “reciclagem” para professores e inscrevi-me como professora substituta em várias empresas de recrutamento. De forma aleatória, estas agências mandavam-me para várias escolas como professora substituta, e não quis acreditar no que vi. Não consigo descrever o que vi. Como professora substituta, passei a fazer parte de um “exército” de 15 mil docentes, que vão preenchendo as faltas de professores que adoecem ou se ausentam para formação.As pessoas que, como eu se inscrevem nessas agências podem ser enviadas para qualquer estabelecimento da rede escolar. Como professora substituta não tenho como influenciar as escolas para onde sou destacada.Para voltar a dar aulas, precisava de uma cópia da declaração da tutela atestando que ainda estou inscrita como professora no Estado. Felizmente para as crianças, só isso não bastava. Precisava de dois comprovativos de residência, do meu currículo, um certificado de habilitações com formação nessa área e, mais importante, precisava do registo criminal, atestando que não era uma criminosa. Nos meses que se seguiram, exerci em várias escolas e fiquei cada vez mais decepcionada à medida que assistia ao nível de perturbação nas salas de aula, que tornavam totalmente impossível ensinar alguma coisa. Decidi então regressar à sala de aula com duas câmaras ocultas para mostrar a realidade às pessoas. Toda a gente fala em indisciplina nas salas de aula, mas a maioria das pessoas nunca a testemunhou. Pode ser que este documentário ajude a “chamar a atenção”.Estou bastante nervosa em relação a tudo isto. Já é bastante mau entrar numa sala de aula com alunos que não conhecemos, ensinar matérias que eventualmente nunca demos. Porém, estou muito nervosa por causa das câmaras e não sei se vou ser apanhada, se elas vão funcionar bem. É bastante assustador.Vejam, estamos num bairro da classe média, não é um bairro social, não são casas degradadas. É uma zona residencial de qualidade. Algumas celebridades moram neta zona, pessoas com dinheiro a viver aqui. Vou passar uma semana nesta escola da zona. Não pretendo culpar exclusivamente as escolas que aparecem neste documentário. A meu ver, estas escolas poderiam estar em qualquer lugar do país, tendo em conta a amplitude do problema de indisciplina. A primeira escola que vou filmar é uma escola de grandes dimensões na zona de Londres. Na minha primeira aula, vou ensinar Inglês a alunos com 13 anos.Fiquei verdadeiramente chocada logo no primeiro dia, do meu regresso às aulas. Pensava que seria como nos bons velhos tempos, em que dizia: “Bom dia. Pode, tratar-me por Sra. Mason. Estou aqui para dar aulas de Inglês, Francês, o que for”…Só que não foi nada assim.Entrei numa sala de aula, em que faltava muita gente. Os atrasados continuaram a chegar, ao fim de 10-15 minutos. Tentei chamar a atenção batendo palmas. Simplesmente ignoraram-me. Ignoraram-me. Não paravam quietos, gritavam, recusavam-se a fazer trabalhos… Não prestavam atenção a nada. No que dependesse deles, estar ali ou não era igual.O simples facto de pedir para abrirem os livros era uma tarefa árdua.Lembro-me de tentar perceber o que estava a acontecer ali, por que é que não me prestavam atenção. Estou ali para os ajudar, para lhes ensinar.Foram precisos quinze minutos para me darem atenção. Quando cheguei a casa nesse dia, estava rouca. Tive de levantar a voz e tentar repor a ordem inúmeras vezes. Acabei em lágrimas. Soluçava do fundo do coração só de pensar no rumo que a Educação tinha tomado.A minha história tinha começado numa grande escola, na zona de Londres, a dar aulas de Inglês a rapazes de 13 anos.Professora: “Pronto. Está bem. Acalmem-se. Abram os vossos livros de Inglês. Os amarelos… sim?”Aluno: “Não tenho esse livro, stôra.”Professora: “Podes partilhar com ele? Por que é que não te calas?”Aluno: “Calem-se, pá!”Professora: “Não se importam de abrir os livros amarelos na página… Desculpem, mas vão ter de me ouvir. Não se importam de virar? Há quem queira estudar.”Perde-se tanto tempo! Quando parece que conseguimos finalmente acalmá-los, basta um pequeno incidente para os “atiçar” de novo.Professora: “Podes parar de lhe bater?”Aluno 1: “Ele estava a socar-me.”Aluno 2: “Foi ele que começou.”Aluno 1: “Foste tu!”(...)Professora: “Vamos retomar o trabalho e acabar esta história… A viúva de Paolo Severini cuidou sozinha do filho… Desculpa, mas não quero ouvir palavrões na sala de aula… Eu ouvi. Não volto a avisar. Não te importas de sentar ali? Podes começar a ler. Quem é que tem o livro? Então!?”Aluno: “Não sei ler, stôra!”Professora: “Se não sabes ler, não devias estar aqui.”Algumas crianças fazem um grande esforço para aprender e alguns ajudam mesmo a manter a ordem…mas não têm sorte.Professora: “Quero silêncio para conseguir ouvir o vosso colega… Senta-te! Obrigado. Podes continuar.”Nessa turma havia rapazes que não queriam ou não sabiam ler. Antigamente, as crianças com necessidades especiais ou com problemas de indisciplina frequentavam escolas diferentes. Actualmente, dá-se primazia à integração, mas devo dizer por experiencia própria, que essa opção não é benéfica nem para as crianças com necessidades especiais, nem para os outros.Professora: “Estás deliberadamente a perturbar. Sai e vai para a sala de onde não devias ter saído.”Aluno 1: “Quero lá saber.”Prof.: “Queres lá saber?... Está bem. Tu é que sabes. Levem-no. Não te quero na minha aula. Não te quero cá enquanto estiveres a fim de perturbar.”Aluno 2: “Se não saíres, vou pessoalmente buscar-te a casa e expulso-te!”Prof.: “Vamos… Faltam cinco minutos para o intervalo. Ou seja os “desgraçados” que estiveram à espera de ler vão ficar para trás, à semelhança dos restantes.”Tem piada ver que os inspectores estão em actividade. Estão em todo o lado. E os professores estão num frenesim para saber se têm a papelada em ordem, os objectivos, os programas, os planos e toda a parafernália que estão agora no centro do sistema educativo.Pergunto-me se chegam a ouvir a algazarra da escola ou sequer se isso vai aparecer nas avaliações, que vão ser publicadas daqui por algumas semanas.Professora: “Acabámos de perder mais cinco minutos. Vamos ler esta história, quer queiram quer não, porque não conseguimos prosseguir com o resto do trabalho enquanto não lermos tudo.” (...)Depois de ter tido bastante dificuldade para os pôr a fazer alguma coisa, começou uma briga na sala. Alguns destes rapazes são fortes, mais altos e mais fortes do que eu. Ainda tenho bastante presente as directivas da tutela para contendas físicas que dizem que os professores não devem intervir, sempre que houver um grupo de alunos “à bulha”. Felizmente, alguns dos colegas dos dois alunos conseguiram separá-los, pondo fim “à bulha”.Professora: “O que é que vem a ser isto? O que é que se passa?”Mas, quando a primeira contenda foi dada como sanada, eclodiu uma segunda briga. Felizmente, apareceu um auxiliar que retirou o pau de plástico ou de borracha de um dos rapazes.Auxiliar: “Pára! Pára! Dá-me isso! Dá-me!”Há 30 anos, não havia cá isso dos auxiliares. Conseguia manter a minha turma sob controlo. E mais, se algum aluno fosse expulso da sala, já não voltava. Não consigo recordar casos de vandalismo como estes contra o material escolar ou de alunos com mau génio, e nem sequer cheguei a precisar da ajuda do responsável. Julgo que é desolador sentir que, na maior parte do tempo que passei como professora substituta, naquelas turmas, era para “controlar multidões”.Professora: “Nunca pensei. Não faças isso! Não se faz!”Pouco depois, foram publicadas as avaliações...Escola 1: A nível disciplinar, a avaliação é satisfatória(Outubro de 2004).Sinto que a escola não ganhou nada com a minha passagem lá. Se virmos o dia de hoje, dei seis aulas. Parece-me que a aula mais produtiva foi com a turma dos mais novos, com os alunos do 7.º ano, porque são mais “suportáveis” e não apresentam os vícios de indisciplina dos mais velhos. Os alunos do 8.º ano não estiveram mal.Professora: “Não quer dizer que um seja bom e o outro mau.”Este foi o grupo que mais trabalho me deu durante a semana. Parece-me que começam agora a acalmar e, para além de uma briga, o trabalho realizado foi produtivo. Em relação ao resto, mais vale esquecer. Hoje dei seis aulas, quatro das quais são “para esquecer”.Professora: “Quero deixar bem claro aos rapazes que, caso não se portem bem…A qualquer sinal de perturbação vou falar com a Direcção, visto que não vou aceitar mais barulho e falta de respeito.”Queriam que ficasse mais uma semana, mas recusei. Já não tenho força nem capacidade – a sério – para aturar aquilo tudo outra vez.Compilação do texto: Ana Cunha.Imagem: http://www.thisislondon.co.uk/news/article-23403380-suspended-teacher-insists-filming-classroom-behaviour-was-right.do
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"Caos nas salas de aulas": Primeira escola
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April 24 2010, 5:43am | Comments »
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Ordem dos Professores: breve historial das ordens profissionais
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“O tempo passado e o tempo presente, fazem todos parte do tempo futuro” (T.S. Elliot, 1888-1965).O prometido é devido. O meu último post -“Uma ordem dos Professores?” (19/04/2010) – suscitou uns tantos comentários que agradeço porque, como defendeu Emerson, “todo o homem que encontro é-me superior em alguma coisa; e, nesse particular, aprendo com ele”.Seis meses após a publicação da lei fundamental saída da Revolução de 28 de Maio, é publicada legislação para os diversos organismos representativos de profissões e seus destinatários, determinando que “as Ordens para as profissões liberais surgem ao lado dos grémios para industriais e comerciantes, sindicatos para operários e casas do povo para profissões não diferenciadas”. Reza ainda esta legislação que “os sindicatos nacionais dos advogados, dos médicos e dos engenheiros podem adoptar a denominação de Ordens” (Decreto-Lei 23.050/33, de 23 de Setembro).Sempre que vem à baila a criação de uma Ordem dos Professores surgem vozes com o argumento volátil como o éter de que esta forma de organização profissional de direito público teve a sua etiologia no Estado Novo, sendo, consequentemente, atentatória da vivência democrática. Aliás, esta tese encontra cómodo respaldo na roçagante toga académica de Vital Moreira quando argumenta “que as ordens profissionais tiveram a sua origem no sistema corporativista do Estado Novo" (Público, 05/7/2005).Dias mais tarde, este professor de Direito de Coimbra e eurodeputado do Partido Socialista, reforça o seu parecer com o argumento de que “a Ordem dos Advogados foi criada num dos primeiros governos da Ditadura que precedeu e preparou o Estado Novo, sendo depois integrada na organização corporativa juntamente com as demais criadas” (ibid., 26/07/2005).Aceitar o argumento de tempos de governação que precederam o Estado Novo – dos primórdios da II República ao começo da I Dinastia – poderá responsabilizar D. Afonso Henriques, também ele, de ter sido o precursor do Estado Novo e, com isso, da Ordem dos Advogados. Acontece que “a Ordem dos Advogados foi criada sete anos antes da implantação do chamado Estado Novo, e uma escassa quinzena de dias após a Ditadura Militar que o antecedeu, pelo Decreto n.º 11.715/26, de 12 de Junho" (cf. site da Ordem dos Advogados, "Resumo histórico da Ordem dos Advogados”). Esclarece-se que as ordens dos Advogados, dos Médicos e dos Engenheiros “foram depois representadas na Organização da Câmara Corporativa (Decreto-Lei 24.083, de 27.XI, 1934), representação que a Ordem dos Advogados repudiou por considerar deprimente, da sua corporação, a subordinação” (“Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira", vol. XIX, p. 577). Ainda segundo esta fonte, “todas as três ordens funcionam, mas somente a dos Advogados continua excluída da Câmara Corporativa”. Só anos mais tarde surge a Ordem dos Engenheiros (Decreto-Lei 27.888/36, de 24 de Novembro) e a Ordem dos Médicos (Decreto-Lei 29.178/38, de 24 de Novembro), sujeitando-se ambas a ter assento na Câmara Corporativa. Após um prolongado hiato de 34 anos, é criada uma nova Ordem: a dos Farmacêuticos (Decreto-Lei 334/72, de 23 de Agosto). Embora seja apresentada pelos seus opositores mais encarniçados, v.g., sindicalistas afectos ao Partido Comunista e não só, como uma espécie de “ultima ratio” ou, mais prosaicamente, tábua de salvação, o óbice de natureza política antifascista de terem tido as ordens profissionais a génese durante a vigência do Estado Novo, esta falácia desmorona-se qual baralho de cartas viciadas se for tomada em linha de conta as inúmeras ordens profissionais criadas depois de 25 de Abril, que cito de memória e sem a preocupação de as alinhar em função da data da respectiva criação: Ordem dos Médicos Veterinários, Ordem dos Médicos Dentistas, Ordem dos Arquitectos, Ordem dos Economistas, Ordem dos Revisores Oficiais de Contas, Ordem dos Biólogos, Ordem dos Psicólogos, Ordem dos Notários, Ordem dos Nutricionistas, Ordem dos Enfermeiros e Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas. Ou seja, quase o triplo das ordens profissionais criadas antes de 25 de Abril.De interesse me parece, outrossim, a referência ao facto da filosofia que, inicialmente, presidiu à criação de ordens profissionais apontar inequivocamente estas associações profissionais de direito público exigindo, como condição sine qua non de inscrição plena uma licenciatura universitária responsável pela qualidade dos actos profissionais prestados à comunidade pelos respectivos membros.No caso de profissionais sem este grau académico, era, apenas, facultada a inscrição de forma condicionada. Por exemplo, aos diplomados pelas antigas escolas médicas de Goa e do Funchal (escola com vida efémera e pouco conhecida) só era permitido o exercício profissional no então Ultramar Português. Aos diplomados pelas escolas de farmácia de Coimbra e Lisboa (a licenciatura era apenas ministrada na Faculdade de Farmácia do Porto) era vedado o exercício de análises clínicas, sendo-lhes apenas consentida a direcção técnica das farmácias. Foi, portanto, com uma certa estranheza, ou mesmo estupefacção, que, em desrespeito por este modus faciendi, tomei conhecimento de que a então Associação Nacional dos Professores do Ensino Básico, constituída maioritariamente por professores diplomados pelas antigas Escolas do Magistério Primário, anunciar num seminário, realizado em Viseu, o firme propósito de se transformar em Ordem (Diário de Coimbra, 07/05/91). Hoje, com a posterior criação das ordens dos Enfermeiros e dos Técnicos Oficiais de Contas a exclusividade da exigência de uma licenciatura universitária passou a letra morta. A título de informação a latere, só em 83 foi criada no ensino politécnico a primeira escola superior de educação para ministrar, tão-só, cursos a nível de bacharelato para a formação de professores do 1.º ciclo do ensino básico e educadores de infância.Em destacada notícia do Público (12/04/2010), é-nos dado conta que a antiga Associação Nacional dos Professores do Ensino Básico, hoje Associação Nacional de Professores ,passando a englobar professores de outros graus de ensino, “volta a pedir a criação da Ordem”.Quando o Sindicato Nacional dos Professores Licenciados apresentou na Assembleia da República, em 25 de Fevereiro de 2004, uma petição para a criação de uma Ordem dos Professores, subscrita por cerca de oito mil assinaturas, que não foi votada sob a alegação do Partido Socialista de estar para breve a publicação de uma lei-quadro, por coincidência ou não, viviam-se resquícios do tempo agitado do não reconhecimento pela Ordem dos Engenheiros da licenciatura em engenharia de José Sócrates, obtida na extinta Universidade Independente, em 1996. Essa legislação viria a ser publicada em 2008, Lei n.º 6, de 13 de Fevereiro, especificando no ponto 2 do respectivo artigo 2.º, destinar-se a regulamentar o exercício da profissão quando essa regulação “envolver um interesse público de especial relevo que o Estado não deve prosseguir por si próprio”. Mas não terá a Educação “ interesse público de especial relevo” na formação daqueles que, por exemplo, irão exercer a medicina ou a advocacia ou, ainda, a engenharia?Defensor público, desde a primeira hora, desta forma de associativismo entendi a necessidade de mergulhar nas raízes das ordens profissionais, suas exigências e suas finalidades em Portugal contemporâneo sem o descuido de o fazer de “pena ao vento”, como diria Eça. Em face deste statu quo, continuo na firme convicção – de cabeça fria e sem arrebatada paixão – que só a criação duma Ordem dos Professores poderá definir com toda a propriedade os deveres e os direitos dos docentes com a carne sofrida pelo azorrague da descriminação de que têm sido vítimas relativamente a outros profissionais de posse de uma ordem profissional criada, por vezes, por processos pouco claros na intenção, equivocados na atribuição e desqualificados pela menor preparação académica dos seus membros a nível de bacharelato ou, por vezes, nem isso.Ainda mesmo sem querer assumir o papel de profeta da desgraça, uma classe que se não organize devidamente na defesa dos seus lídimos direitos, continua a caminhar para uma triste e vil servidão. E, de certeza, ninguém se deseja prefigurado em caricata sombra do prestigiado professor liceal de outrora ou numa triste e fragilizada figura de um forte e combativo Espartaco, agora, exangue para continuar a luta pela dignificação duma carreira docente liberta dos grilhos de prepotentes medidas oficiais em prejuízo dos professores e da própria Educação em geral.Ou será que os professores portugueses, em nosso tempo, como escreveu o poeta francês de finais do século XIX, Jean Rimbaud, “acabam por achar sagrada a desordem do seu espírito?” P.S.: Tenho na forja um novo post em que será abordada a temática da profissão liberal, uma espécie de Fio de Ariadna.
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April 20 2010, 5:50pm | Comments »
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A LEI DA ESCOLA SEGUNDO O EDUQUÊS
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Texto de Guilherme Valente que acaba de sair no jornal "Público":1. Contra o silêncio e a indiferença, é preciso dizer que as duas mortes agora acontecidas são extremos dramáticos, picos na violência que cresce em muitas das escolas públicas. Mas nem estes casos extremos obrigaram o eduquês a mudar o discurso:No caso do docente de Sintra, a DREL terá colocado psicólogos na turma em causa «com medo de que haja um sentimento de culpa». E não deveria haver? Não é esse o único sentimento aceitável, o mínimo que na circunstância se deve esperar? Não deve esse sentimento ser mesmo suscitado em todos aqueles jovens e nos responsáveis da escola e do ministério? Ou a escola deixou de ser, de repente, a tão badalada «comunidade educativa»?«Trata-se de jovens que são na sua generalidade bons alunos e que não podem transportar na sua vida uma situação de culpa que os pode vir a condicionar pela negativa», disseram.Nem mesmo a morte obriga o eduquês a pôr a mão na consciência. Ou será que estas mortes devem ser atribuídas à natureza?2. Também Daniel Sampaio (DS), escreveu o inimaginável sobre o assunto (Pública do dia 14 de Março).Apesar de conhecermos as suas ideias, lemos com perplexidade o que seguramente terá indignado a generalidade dos pais que diariamente são obrigados a deixar os filhos nas escolas públicas e dos professores que nelas resistem ao intolerável.«Querer uma escola controlada pela polícia [quem é que alguma vez defendeu isso?] em que ninguém possa desobedecer ou contestar as regras, é acabar de vez [pasme-se!] com esse território de liberdade segura que caracteriza o nosso sistema educativo (…)». (Sublinhados meus).Mas vale a pena continuar a citar DS:«É que há em todas as escolas comportamentos que podem ser considerados violentos, mas que não são bullying [cabe ao especialista, portanto, dizer se é dor a dor que deveras sinto – meu Deus!]: a escola reproduz a sociedade [a escola do eduquês sim, até agrava mesmo o pior da sociedade; a boa escola que queremos, pelo contrário, enfrentaria o que na sociedade não é desejável] e esta não é serena [serena?], por isso são frequentes as piadas, as troças e até um insulto passageiro ou um empurrão, sem que isso seja muito grave.»Passaria por humor, não fosse experiência de medo de tantos jovens, a preocupação de tantos pais, o receio de tantos professores, relatados todos os dias pela comunicação social. Gostaria de saber em que escola estudaram os filhos de DS.A mansa palavra de (omitir?) clínica não consegue esconder o gelado alheamento da realidade. E, a seguir, DS prescreve a receita fácil para o caos… que também ele próprio, porventura sem se aperceber, tem ajudado a instalar.Eu sei que o psicólogo é DS, mas desta vez sou eu a fazer o diagnóstico: continuamos perante uma estranha dificuldade do homem inteligente que é em ver a realidade. Quanto à cura, sinceramente, gostaria de não perder a esperança de boas notícias.4. Estes textos chocantes, nas circunstâncias quase pornográficos, são, como tantos outros do mesmo teor, exemplos reveladores: o eduquês gosta da indisciplina, e, assim, vai encorajando a sua manifestação.E assim vão fazendo o seu tricot teórico os mais ou menos discretos companheiros de jornada do eduquês, ajudando, voluntária ou ingenuamente, a impor a escola má que todos os dias atira para a ignorância, a desqualificação, o abandono e a exclusão gerações e gerações de crianças dos estratos sociais mais desfavorecidos, agravando assustadoramente as desigualdades, privando-as do ascensor cultural e social único que um bom ensino público - condição da sociedade civil - seria para elas.Quem disse ser preciso muito tempo para se verificar o resultado do que se faz na educação?Acolhidas e cultivadas na escola do eduquês, a ignorância e a violência explodem na sociedade. Mas não era isso o que o eduquês pretendia?Guilherme Valente
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April 20 2010, 1:56am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
O EDUQUÊS NO SEU PIOR
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A última revista "Sábado" consagra três páginas a um entrevista a um dos gurus do "eduquês" puro e duro: Roger Shank, que é referido como especialista em Inteligência Artificial e professor de Ciências da Computação e de Psicologia e director de uma empresa de consultadoria na área da aprendizagem para empresas, governos e escolas. Pois o governo português escusa de contratar os seus serviços pois o Ministério da Educação já está desde há alguns anos a pôr em prática os seus ensinamentos (ups!, esqueci-me que o "eduquês" não gosta de nada que tenha a ver com ensinar, devia antes ter dito que está a pôr em prática os "processos de ensino-aprendizagem" que ele recomenda).O título é "A escola ensina coisas estúpidas como a Matemática". E o conteúdo vai todo nessa linha. Algumas pérolas, difíceis de escolher pois todo o conteúdo é interessantíssimo para se perceber bem em que fontes é que a ideologia que se exprime em "eduquês" vai beber:"- P- (...) Os governos deviam sair desta área, deixar de financiar a educação?- R- Deixar de financiar não, mas de gerir, com certeza. O governo tem de deixar de dizer o que nós devemos aprender. (...) aprendem-se coisas verdadeiramente estúpidas por causa dessa intromissão dos governos [no ensino da História]. O mesmo com a Matemática. Os governos tem uma obsessão com a Matemática. E, na maior parte dos casos, ela não interessa para nada".(...) P- Então o que é que se pode ensinar?R- O que é verdadeiramente importante ensinar são capacidades, competências, como as coisas funcionam. Algumas competências são transversais, como por exemplo comunicar, relacionar-se com outras pessoas, interagir. Estas coisas têm de ser exercitadas em qualquer sistema de ensino. Mas as matérias, as disciplinas clássicas, não interessam. História, Ciências, Matemática, Literatura são tudo coisas inúteis.P - Como é que ensinaria a comunicar?R- As aulas de língua actualmente são estúpidas. (...) Aprende.-se a língua a falar,a fazer discursos. As regras da gramática estão lá, de forma inconsciente, não interessa aprendê-las."E por aí fora! As crianças é que devem dizer o que querem fazer na escola, de acordo com os seus interesses e gostos. E chega mesmo a dizer: "o que se deveria perguntar era se devia haver escolas". Entre nós, algumas pessoas pensam o mesmo, só não se atrevem a dizê-lo. Mas que têm tentado, por várias maneiras, destruir a escola, lá isso têm...
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April 19 2010, 5:37am | Comments »
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Temos de confiar naquilo que os nossos filhos dizem
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Este texto é sobre um caso concreto, ainda não (completamente) apagado das nossas memórias. O leitor facilmente o reconhecerá, mas omito a sua identificação e a dos intervenientes, por entender que, mais do que um caso, ele traduz um modo de pensar, um preocupante modo de pensar.Numa reportagem da SIC - Quando a violência entra na sala de aula - dizia-se o seguinte acerca de um professor: “… deixou uma nota escrita em que atribuía a sua depressão à indisciplina que não conseguia controlar.”Os jornais noticiarem o teor dessa nota: "se o meu destino é sofrer, dando aulas a alunos que não me respeitam e me põem fora de mim, não tendo outras fontes de rendimento, a única solução apaziguadora será o suicídio". Noticiaram também que fez "pelo menos sete" participações à direcção da escola, "alertando para o comportamento de um aluno em particular".Como se sabe, tudo acabou da pior maneira possível: o professor em causa faleceu.A comunicação social questionou a escola onde trabalhava, a Direcção Regional de Educação de pertença, e o Ministério da Educação. Muita cautela e silêncio foram as mensagem destas três instâncias.Mas os encarregados de educação dos alunos do professor mobilizaram-se de diversas maneiras. Uma delas foi escolher uma representante “para defender a maior dos adolescentes”. Essa representante declarou na reportagem da SIC:“Eles também são indisciplinados com outros professores… Um aluno é conversador, tanto é numa aula como é na outra.SIC: Pode não ser…Depende do professor que estiver à frente, se o professor conseguir controlá-los ou não. Aquele professor, pelos vistos, ou não conseguia ou não queria…. Há aqui uma grande incógnita, nós não estávamos presentes, mas é assim: temos de confiar naquilo que os nossos filhos dizem (…). Tudo o que foi dito não é verdade e é injusto para eles, alunos, estarem a ter um rótulo que não é verdade. E as participações que houve, que o professor fez, as participações por escrito, era de que os alunos, esses mais problemáticos, entravam com o phones nas orelhas, ligavam o telemóvel ou o MP4 durante a aula, e ele não gostava disso e foram as participações que ele fez porque achava isso inadequado.”Posteriormente, manifestaram-se perto da escola (ao que parece, com professores) por se sentirem “indignados com a associação entre o suicídio de um docente e a indisciplina dos alunos, argumentando que o caso está a perturbar os estudantes e pais”. Isto pode ler-se nos jornais, onde também se pode ler as declarações de alguns deles:Um disse: "Quando cheguei à escola vi adolescentes muito revoltados. Os alunos (…) dizem que é mentira, que não tiveram responsabilidades no suicídio do professor" (…) "é impossível que o professor se tenha suicidado por causa dos alunos". "Alguém que pratica um ato destes tem que ter antecedentes. Ninguém se suicida por causa de uma turma. Nunca ouvi falar de violência nas aulas". Porém, outro disse: "Nesta escola há insegurança, como há noutras. Há situações de bullying com colegas do meu filho, e um deles levava tareias todos os dias".Mais recentemente, foi notícia, pela voz de um responsável pela educação, que os alunos estão "perturbados" e, como tal, "têm de ser objecto" de preocupação. "Temos de nos esforçar para que estas situações possam ser ultrapassadas. Tratam-se de jovens que são na sua generalidade bons alunos e que não podem transportar na sua vida uma situação de culpa que os pode vir a condicionar pela negativa". Ao que parece, "uma equipa de psicólogos (…) está a articular" com a escola o acompanhamento mais adequado.Com base nos dados (talvez poucos) acima apresentados, não se pode afastar a hipótese da inexistência de uma ligação entre o sofrimento extremo do professor (que, ao que sei, nunca teve acompanhamento psicológico ou outro) e as características do contexto laboral, mas também não se pode afastar a hipótese contrária, ou seja de existir uma ligação, que pode até ser uma ligação próxima.Afastar-se esta hipótese, não a querer considerar por se pensar que ela pode perturbar psicologicamente alguns dos intervenientes, será, sob o ponto de vista moral e afectivo, a melhor opção educativa? Conduz ela ao sentido da responsabilidade individual que deve caracterizar a inteligência adulta?Reproduzo aqui a melhor resposta que já ouvi para estas perguntas e que foi dada por um professor num documentário da BBC intitulado Classroom chaos: "Alguns jovens parecem conhecer bem os seus direitos, mas são poucos os que conhecem os deveres e as obrigações. Ainda assim, as crianças não deixam de ser crianças. Querem que lhe sejam impostos limites, elas querem ser controladas, ser tratadas como crianças. Não é fácil lidar com isso. É preciso ter segurança e calma."Ver notícias referidas no texto aqui e aqui.
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April 4 2010, 4:37pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
O medo de exercer autoridade
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No último programa de televisão, Prós e Contras, Helena Matos pôs a seguinte pergunta: Alguém que resolva, de facto, exercer autoridade na escola, o que é que arranja? E, respondeu, pondo a tónica num fenónemo estranho que talvez se possa designar por "realidade paralela". e cuja existência se vai detectando através de vários indícios: a imagem que a escola se esforça por dar para o exterior (e para o interior?), a desistência (por múltiplas razões) de quem tem responsabilidade de educar, os eufemismos da linguagem que se usa...A propósito do suicídio daquele professor da escola de Fitares, a questão da acta é importante, porque a acta que ficou, independentemente das razões que o levaram àquela decisão desesperada (...) tinha deixado para acta as suas opiniões sobre o que acontecia naquela turma, e a acta que foi assinada não tinha nada disso (...). Entretanto, os professores, os mesmos que assinaram a tal acta em que isso não constou, já acham que deve constar lá as queixas que ele fez sobre aquela turma. Mas, simultaneamente, a dita acta terá desaparecido.O que é que constava da acta que foi aprovada? Visitas de estudo (…) ou seja, uma realidade mais ou menos radiosa, que não trás problemas a ninguém, que dá ideia que está tudo a correr bem, que estamos todos a cumprir os objectivos (…).É esta opção por uma fantasia, é sobre este manto diáfano da fantasia que se escondem as mais terríveis das verdades. (…)A ideia de que não existe autoridade é falsa, pois quando alguém que deve exercer autoridade não a exerce porque já não quer, porque não pode, porque já não está para isso, porque está cansado, porque é ridicularizado, porque é vexado, impõe-se a lei do mais forte.É preciso perceber que em qualquer escola, pública, privada, laica, religiosa, militar podem acontecer casos de suicídio, casos de agressão, casos de indisciplina. É como nas nossas casas, pode acontecer tudo. O que é diferente, o que mostra a nossa lucidez é a forma como se lida com o problema.Quando escondemos o problema, quando deliberadamente escondemos o problema, e quando se cria uma própria linguagem… O Ministério da Educação há anos que tem uma linguagem, que é o celebre eduquês (são os comportamento disruptivos, as disfuncionalidades...), as coisas deixam de ter os nome reais. Aquilo que é sintomático da indisciplina é mau comportamento, não é o bom comportamento (…). E depois quando uma pessoa pretende chamar a atenção para certas coisas, é rotulagem excludente (…) Esta terminologia faz toda a diferença, é o mesmo que dizer que não há mentira, que há inverdades. A inverdade não existe: existe a verdade e existe a mentira.
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March 31 2010, 3:02pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
A EDUCAÇÃO SEGUNDO ANTÓNIO CÂMARA
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Destaco da entrevista dada por António Câmara, professor da Universidade Nova e CEO da YDreams à revista "Executive Digest" de Março de 2010:P- Em termos de educação, como é que vê e analisa este quase admirável mundo novo num país onde, paralelamente, ainda existe muita ardósia e giz?R- Não são mundos incompatíveis. Um dos grandes problemas de Portugal é que se esqueceu por completo a língua... Repare, uma das avaliações que fazemos internamente é saber qual é a diferença entre nós que estudámos em Portugal, e também lá fora, e os líderes mundiais nas diferentes áreas...A primeira vez que percebi e entendi a verdadeira diferença foi em 1998 quando fui viver para Boston para um bairro judeu e coloquei o meu filho mais velho numa escola pública mas dominantemente judia. A educação nesta escola era simplesmente fantástica e tinha três componentes completamente diferentes da educação em Portugal. A mais chocante delas, aquela que nos deixava a anos-luz, era o ensino da língua que era a um nível perfeitamente superior. Qualquer miúdo de 12 anos lia um livro por semana, aprendia 400 palavras novas por semana e escrevia um livro no final do ano.Aprendi a falar em público, aprendia a expor, aprendia a consultar livros numa biblioteca,m aprendia a criticar, aprendia todos os estilos de exposição... Nós nunca aprendemos isto em Portugal. O máximo que aprendemos foi a análise morfológica das frases, mas não jamais a fazer a transição entre as frases.Depois de perceber como é que funcionava o ensino da língua naquela escola, tive imensa curiosidade em conhecer o professor que, dois anos depois, estava em Harvard.P- Mas este tipo de educação não é comum mesmo nos Estados Unidos...R- Não, não é. Esta é a educação de uma elite específica que tem um poder nos Estados Unidos perfeitamente gigantesco, exactamente porque te, uma educação incomparavelmente superior. O domínio da língua consegue-se através da leitura e da escrita. É fundamental e o computador, seja ele qual for, vem no fim.Por isso, e para concluir, a elite portuguesa quando comparada com a elite mundial está a anos-luz e esbarra, logo à partida, no domínio da língua.A segunda componente tem a ver com a imaginação. Em Portugal ninguém percebe o que é a imaginação e a criatividade. Numa universidade, analisando as cadeiras que os estudantes têm, quantas é que apelam à imaginação? Talvez duas em 50! Ou seja, a maior parte das pessoas que cumpre as licenciaturas são, eventualmente, muito bois naquilo que os professores ensinam, são bons a resolver charadas... mas não há nada que estimule a criatividade, a imaginação.(...)P- E a terceira componente?R- É algo que verdadeiramente nunca pensei que acontecesse. Quando o meu filho estava nessa escola, comecei a perceber que ele tinha exercícios completamente diferentes. Durante um mês vinha com problemas desse género: "quantas lâmpadas existem no estado do Massachusetts?"; no dia seguinte, "diga quantas pessoas vão à praia da sua cidade"... Ou seja, comecei a perceber que estes exercícios estavam ligados ao "back of the envelope engineering", isto é , como é que lidamos com a incerteza, com aproximações, quando não temos os dados todos.É que este tipo de análise está sempre presente nas nossas vidas profissionais e pessoais e daí que seja tão importante ser estimulada desde cedo.(...)P- O problema da educação em Portugal é meramente político?R- Há várias coisas... Nos não damos liberdade às diferentes escolas para fazerem o que lhes apetece. está tudo centralizado numa avenida de Lisboa... Claro que é uma questão política. E de liberdade."
March 18 2010, 2:56am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Um lugar impossível
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Tem sido notícia o suicídio de um aluno de doze anos e de um professor de cinquenta e um. É o tipo de notícia que esperaríamos que viesse de fora e não de dentro deste país, que temos por pacato.A razão apontada é a violência a que, tanto um como outro, estariam sujeitos nas suas escolas.Não posso, obviamente, afirmar que essa tenha sido razão determinante, mas também não ficarei admirada se se vier a concluir nesse sentido.Não ficar admirada significa que, desde há muito tempo, admitia que, mais cedo ou mais tarde, este tipo de tragédias começassem a acontecer. Na verdade, estando frequentemente em contacto com escolas, não posso deixar de perceber os sinais evidentes do problema global, enorme, assustador que envolve toda a educação formal, desde o ensino básico até ao superior.Eu diria que o primeiro aspecto desse problema, que dita todos os outros, é de cariz filosófico, e tem a ver com os fins da educação, aqueles que uma sociedade elege como os melhores para preparar as nova gerações, e que se traduz numa pergunta tão simples como esta: para que vão as crianças e jovens à escola?Os discursos, sabe-se, dão respostas variáveis, mas, no seu conjunto, fazem passar a ideia de que as crianças e jovens vão à escola, não para adquirirem conhecimentos nem para desenvolverem a inteligência, mas para, autonomamente, aperfeiçoarem competências (que, a nova gíria pseudo-pedagógica, não esclarece nem o significado nem o sentido). E é para as competências sociais que se inclinam, com o argumento que isso lhes proporcionará a integração em contextos vários.Trata-se de um aspecto que não podemos desligar das contingências políticas e sociais, pois, é a primeira que o acolhe e legitima, e é a segunda que lhe dá força. Por exemplo, a pressão para se produzirem rapida e eficazmente diplomas-independentemente-do-valor-que-têm, não sendo aplaudida por todos, é tolerada por muitos.Deste aspecto não podemos excluir o pensamento epistemológico dominante, no qual todo e qualquer saber disciplinar e axiológico, se relativiza, se subjectiva e, portanto, se faz equivaler, não havendo outra possibilidade a não ser tomar cada sujeito como o referencial das e para as suas próprias aprendizagens, que se afirma terem de decorrer dos seus interesses e necessidades e de serem significativas, em função da sua individualidade.Este quadro traça as opções curriculares que se tomam ao nível do ministério e de cada escola: os conteúdos (que tendem a chamar-se temáticas) são aligeirados, tornados práticos, com ligação à realidade concreta dos alunos; os objectivos (que tendem a chamar-se competências) são vagos, circulares, devendo ser sempre negociados ao nível de turma, de escola, de comunidade; os métodos (que tendem a chamar-se experiências de aprendizagem) são os da resolução de problemas com recurso à pesquisa que permita a descoberta e a construção do conhecimento pelo próprio aprendiz; a avaliação que deverá ser holística, dará conta do evoluir do aluno, nunca assentado na testagem da memória.De tudo isto deriva o papel do aluno que se quer activo, pois trata-se de alguém emancipado, que sabe o que quer aprender e determinar os caminhos para o conseguir, chegando, nessa medida, a opções e opiniões que têm de ser respeitadas. Correlativamente, o papel do professor, é o de(mero) animador, acompanhante... e sempre com dinamismo, jovialidade e cara alegre...São estes os ingredientes (todos patentes em documentos que por aí circulam, sem grandes sobressaltos) que tornaram a escola num lugar impossível, tanto para alunos como para professores.
March 14 2010, 1:20pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
BULLYING, Guerra na Escola
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Informação recebida da Gradiva:BULLYING, Guerra na Escolade Nora Ethel RodríguezUma onda de violência parece sacudir todos os dias, de maneira invisível e silenciosa, os colégios e escolas secundárias de grande parte da Europa e dos Estados Unidos, e Portugal não é excepção.Que podemos fazer para melhor entendermos o que se passa?O Bullying é um processo de abuso e intimidação sistemática de uma criança sobre outra (apoiada por um grupo), geralmente nas escolas, e cujas consequências podem ser devastadoras, se não forem travadas a tempo.ESTE LIVRO É FUNDAMENTAL PARA PAIS E EDUCADORES PODEREM EVITAR SEQUELAS IRREVERSÍVEIS.Com exemplos da vida real, a autora propõe diversas chaves da solução para o problema.Uma edição Sinais de Fogo que pode ser adquirida aqui com 25% de desconto.
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March 9 2010, 3:03pm | Comments »
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Decisão certa ou errada?
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Contava há algum tempo que o programa de Língua Portuguesa para Ensino Básico, aprovado e publicado em 2009, seria, mais dia menos dia, suspenso ou adiado, em virtude de se estar a desenhar mais uma reorganização curricular para este nível de ensino (a última data de 2001).Porém, as acções de formação destinadas a preparar os professores para o usarem continuavam e, ao que sei, ainda não terminaram.Uma notícia do jornal Público de ontem, da autoria de Bárbara Wong, veio tirar dúvidas que restassem: o programa não entra em vigor no próximo ano, por decisão do Ministério da Educação.A questão é: estamos perante uma decisão certa ou errada? Uma resposta, que congrega diversos olhares, é dada por Ana Soares aqui.
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February 13 2010, 7:46am | Comments »





