A iniciativa do Instituto Nacional de Estatística relativa ao Censos 2011, aprovada pelo Ministério da Educação e a que me referi em dois textos anteriores, não pode deixar de constituir um intolerável desrespeito:- pelas funções da escola, que se deve concentrar na leccionação do currículo pré-estabelecido, de modo a cumpri-lo da melhor maneira, sem a constante interferência de solicitações avulsas como esta;- pela profissionalidade docente, em cujo âmbito cabe a elaboração autónoma de planos e a gestão das aulas, o que, neste caso, é ignorado ou, mesmo, negado;- pelas famílias, que, nesta mobilização nacional, são envolvidas indirectamente, por interposta pessoa – os professores que, de modo mais ou menos consciente, influenciam os alunos que, por sua vez, influenciam os pais e encarregados de educação;- pelos alunos, que são desviados das suas actividades de aprendizagem, para, de modo uniforme e cego, realizarem tarefas que em nada contribuem para o seu desenvolvimento cognitivo;- pela relação família-aluno, que, numa inversão de papéis, se atribui à criança ou o adolescente, a função e a responsabilidade de sensibilizar os adultos e os ajudar a responder à dita mobilização.Isto para não falar do controle institucional que se insinua neste envolvimento das escolas-professores-alunos-famílias, e que é tão declaradamente evidente nas tarefas da aula do 1.º Ciclo.
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Os Censos vão às Escolas - O que está nas entrelinhas
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February 24 2011, 8:03pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Os Censos vão às Escolas – “Tu também contas”
http://dererummundi.blogspot.com/2011/02/os-censos-vao-as-escolas-tu-tambem.html
Na sequência de texto anterior, apresento neste os planos-prontos-a-usar que os professores terão de aplicar nas suas aulas, da responsabilidade do Instituto Nacional de Estatística (que, tanto quanto sei, não é uma entidade pedagógica nem tem qualquer legitimidade para determinar o que os alunos devem aprender na escola) com o total apoio do Ministério da Educação.Para a aula do 1.º Ciclo recomendam-se “duas ligações curriculares” – “Estudo do Meio” e Área de Projecto” –, e estabelecem-se três objectivos que, apesar de conterem erros, parecem ser dirigidos ao professor: dar a conhecer aos alunos dos diversos graus de ensino: o que são, para que servem e como se fazem os Censos; mobilizar os pais e familiares dos alunos para a participação nos Censos 2011; incentivar os alunos para ajudar os pais na resposta aos Censos 2011 pela Internet.De seguida, vêm os conteúdos, mas agora já dirigidos aos alunos: explica-se-lhes muito claramente o que é são os Censos, para que servem, quem os faz, e como se fazem.Logo a seguir, em cor diferente, apresenta-se-lhes uma mensagem envolvente: “Nestes Censos vais ter um papel decisivo: Incentiva e ajuda os teus familiares a responder pela internet. Quantas mais respostas tivermos pela internet mais rápido iremos ficar a saber quantos somos, o que fazemos e como vivemos!” E a rematar: “Tu também contas!"Muda o registo para o professor e surge a tarefa que ele deve prontamente executar: dar a preencher aos alunos a ficha “O Meu Censo” e, de seguida, apurar os seguintes resultados da turma: Quantos são os rapazes e as raparigas? Quantos têm 6, 7, 8, 9 ou 10 anos? Quantos nasceram em determinado local? Quantos têm irmãos?Em anexo está a ficha com "bonecos" coloridos, onde cada menino deve escrever o seu nome completo, a idade, o sexo, a morada, o local de nascimento, quantas pessoas vivem na sua casa e se tem ou não irmãos.Para a aula dos 2.º e 3.º Ciclo recomendam-se outras “ligações curriculares” – “História e Geografia de Portugal; Geografia, História, Matemática; Área de Projecto; Formação Cívica – mas os objectivos são os mesmos.Os conteúdos, mais extensos, incluem uma abordagem histórica que começa antes de Cristo e termina em Portugal, em 2001.A mesma mensagem para envolver os alunos e, passando-se por cima do professor, apresenta-se-lhes as tarefas com desenhos e outras representações gráficas como é normal em manuais e exames, pressupondo que eles só conseguem resolver problemas muito concretos. Convido o leitor a dar uma vista de olhos porque… só visto!Não resisto, no entanto a deixar um exemplo: O Presidente da Câmara de VilaCensos pretende construir uma nova infraestrutura num bairro da vila, onde foram demolidos prédios velhos. Este espaço deverá ser utilizado pelas pessoas que moram nessa zona. O Presidente está indeciso entre construir um parque ou um centro comercial. Se o número de crianças e de idosos for superior a 50% do total da população a opção será construir um parque. Caso contrário, os adultos estarão em maioria e o Presidente irá construir um centro comercial. Ajuda o Presidente da Câmara de VilaCensos a tomar a decisão do que construir no espaço identificado na Figura 1, calculando o número de crianças, adultos e idosos que vivem na vizinhança, nas casas A a J.Para a aula do Secundário recomendam-se as “ligações curriculares” de História, Geografia, História e Economia, mas a estrutura do conteúdo mantém-se, complexificando-se ligeiramente em relação à aula anterior.De notar que, neste ciclo os alunos deixam de ser tratados por “tu” para serem tratados por “você”. Afinal, é outro patamar… o que se percebe nas tarefas (que… para uma aula... bem, não estou a ver como se poderão concretizar, mas talvez o dito Instituto possa explicar), que são:- um teste de conhecimentos:- um inquérito nas suas várias fases: definição das questões, recolha de dados, tratamento dos dados e apresentação dos resultados. Sugere-se como temática do inquérito “Planos de Futuro”, relacionada com o futuro escolar e profissional dos alunos das turmas do secundário da escola e- um pequeno estudo sobre os Censos em Portugal de 1864 a 2001. Para tal, aceda ao site http://censos.ine.pt/ , onde pode consultar também a informação recolhida e apurada nos Censos já realizados. Seleccione um ou mais indicadores e analise a evolução desses indicadores ao longo do tempo. Por exemplo, considere a variável população residente; comece por registar numa tabela os dados relativos à população portuguesa residente em Portugal, no período de 1864 a 2001; represente graficamente os dados e analise a evolução da população ao longo deste período de tempo. No final, elabore um relatório com as principais conclusões desse estudo.A conclusão desta extensa descrição será: com tão esmerados planos, não têm os professores qualquer trabalho acrescido, basta que os apliquem e, assim, contribuirão para o sucesso do Censo 2011!?(continua)
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February 24 2011, 6:27pm | Comments »
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Educação de tigresa
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Uma professora de Direito de Yale, de nome Amy Chua (na foto ao lado, do New York Times e reproduzida no Público) deu à estampa recentemente um livro que tem por título Battle Hymn of the Tiger Mother, onde explica com detalhe os métodos que os pais usaram para a educar e que ela, como mãe, usa para educar as suas cinco filhas.Isto seria conversa, não fosse o caso de a sua ascendência chinesa a ter inclinado para métodos educativos que os ocidentais "bem pensantes" há muito catalogaram como perversos.Nada de imposição de regras nem de castigos, pois as crianças estão direccionadas para o Bem e todas as situações educativas se resolvem com diálogo e argumentação; nada de repetição nem de esforço, pois as crianças são intuitivas e criativas, foram dois dos lemas mais fortes do Século da Criança..Ora, é a isso mesmo a que a dita senhora não dá muito crédito e... a América estranhou. Em sequência, como habitual neste tipo de assuntos, uns defendem-na e outros acusam-na abertae entusiastamente..Inclinemo-nos, por lá ou que por cá, para um lado ou para outro, estou com a dita senhora quando diz: "Acho óptimo que exista uma conversa nacional sobre isso. Parece uma conversa que precisava de acontecer. Sinto que [o livro] ganhou vida própria.".Vale a pena ler a entrevista que o Público lhe fez aqui.
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February 24 2011, 4:24am | Comments »
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Telémaco, filho de Ulisses
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Não bastaram aos Gregos dez anos de combate junto às muralhas de Ílion para tomarem a cidade de Príamo. Não bastaram os esforços de grandes guerreiros como Diomedes, Ájax, Agamémnon, Menelau, Pátroclo ou Nestor, nem sequer as inigualáveis qualidades bélicas de Aquiles (que tiraria a vida a Heitor, o combatente mais emblemático do lado troiano), para fazer com que Páris expiasse o sacrilégio de haver raptado Helena, a bela esposa de Menelau, seu antigo anfitrião.O que a força bruta das armas não havia conseguido, irá ser alcançado pelo subtil recurso à imaginação: os Aqueus fingem desistir da campanha, que já inúmeras vidas tinha ceifado, queimam as tendas e zarpam nas suas côncavas naus. Na praia troiana deixam, como oferta aos deuses, em aparente sinal de capitulação, um cavalo de madeira. Iludidos pela expectativa de verem o fim a tamanhas tribulações, os Troianos dividem¬ se quanto ao destino a dar à insólita oferta: deveriam rachar¬ lhe a madeira com o bronze impiedoso dos machados, precipitᬠla num abismo, ou antes acolhê¬ la no interior da cidade?Mas a pressurosa esperança é irmã gémea da imprevidência. Prevaleceu o terceiro parecer e, juntamente com o cavalo, os súbditos de Príamo trouxeram até si a morte ruinosa. Levados por um incauto sentimento de vitória, não se aperceberam de que o interior oco da besta se encontrava recheado com a elite dos guerreiros gregos, que em breve iriam sair, a coberto da noite e da cega embriaguez do inimigo. Sepultados pelo vinho abundante dos festejos, foram muitos os Troianos que logo passaram do torpor do sono à frigidez eterna da morte. E com eles, perecia também Ílion.Este relato, que marca o fim de Tróia, não o ficamos a conhecer na Ilíada, mas somente na Odisseia (canto VIII, vv. 469-520), pela boca de Demódoco (o aedo da corte dos Feaces), a pedido de Ulisses. E são as lágrimas do herói, emocionado ao escutar o belo canto, que levam o rei (Alcínoo) a desconfiar da verdadeira identidade do esgotado hóspede que acolhera no palácio.O valor mais cultivado pelo herói homérico é a noção de excelência (arete, em grego), um conceito que se traduz, na prática, na forma como cada guerreiro se distingue no campo de batalha e no hábil uso que faz da palavra, quando se encontra reunido com os seus pares. A estas qualidades, que marcam todos os grandes guerreiros tanto do lado grego como troiano (o tratamento positivo de Heitor é o exemplo máximo da imparcialidade de Homero), Ulisses vem acrescentar a astúcia, visível tanto na destreza diplomática como na capacidade para deslindar situações difíceis. É isso que justifica o seu epíteto específico de ‘herói dos mil artifícios’ (polymetis ou polymechanos) ou, para dizer de outra forma, o que faz dele a ilustração mais paradigmática dos poderes da imaginação. É isso, também, que torna a Odisseia na grande precursora de todo o tipo de literatura de viagens e de aventuras.No entanto, a epopeia homérica constitui, igualmente, um poema de saudade (de nostos), a expressão de um desejo imenso de regressar à segurança de Ítaca, ao ponto de partida. Assim, a mesma imaginação fulgurante que torna Ulisses na incarnação da curiosidade e do espírito agónico característico da mentalidade grega — e, por extensão, do ser humano em geral — comporta de igual modo um processo de sujeição ao perigo, pois a aventura do conhecimento pressupõe sempre uma exposição aos riscos da incerteza, à experiência do sofrimento vivido. E de novo o paradigma homérico se revela esclarecedor: Ulisses, o inventor dos mil expedientes, é também o ‘herói que muito sofreu’ (polytlas), pois não hesitou em aceitar novos desafios, mesmo que deles viesse a resultar um prejuízo pessoal imediato, mas que o tempo saberia compensar.Alem de Penélope, Ulisses deixou em Ítaca também um filho, que o não conhece e por isso mesmo tem de partir, para saber de fonte segura, junto de outros heróis que tenham combatido na longínqua planície troiana, os notáveis feitos que o pai havia cometido. É que não bastava ao jovem ser Telémaco, para se afirmar como pessoa: precisava de ser Telémaco – o filho de Ulisses. Também uma civilização que não tenha consciência do seu passado, das suas raízes linguísticas, do seu património cultural, em suma da própria natureza matricial, não pode obviamente ter futuro, pois está condenada a andar numa constante deriva identitária. Já a Odisseia nos faz compreender essa realidade, ao fazer Telémaco sair de Ítaca – em busca do pai, em busca do seu lugar na aventura do conhecimento.Delfim Leão
February 17 2011, 4:51am | Comments »
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Kineo – um tablet Android para educação
http://lerebooks.wordpress.com/2011/02/01/kineo-um-tablet-android-para-educacao/
Como previsto, 2011 vai ser o ano dos tablets, com inúmeras propostas direccionadas a diferentes segmentos do mercado, onde a educação se encontrará certamente em lugar de destaque. Este tablet em particular é produzido pela Brainchild, chama-se Kineo e está equipado com SO Android. Tem comercialização prevista para o início do mês de Março, com um preço indicativo de 299 dólares. Com um ecrã de 7″ (800×480),CPU 800MHz , 2GB Flash, HDMI, Wifi e leitor de MP4, tem como mercado preferencial a educação (sobretudo o ensino básico) e é anunciado como tablet e ebook reader. Aqui fica o vídeo de apresentação:
February 1 2011, 7:54am | Comments »
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Convite: Debate sobre a Educação
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January 20 2011, 9:29am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
Novas Oportunidades - Velhas conclusões
http://terrear.blogspot.com/2011/01/novas-oportunidades-velhas-conclusoes.html
Mais confiantes e com maior capacidade de comunicação. Estas são as principais mudanças sentidas por adultos que concluíram o processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC), uma das principais vertentes do programa Novas Oportunidades. A constatação está patente num estudo que será hoje apresentado em Coimbra. Foram inquiridos 358 adultos que ficaram com a equivalência ao 9.º ano. A maioria concluiu aquela formação em seis meses. Cerca de 83 por cento dão como certo que este processo provocou uma série de alterações das quais destacam um aumento da auto-estima, um maior sentimento de realização e valorização pessoal e uma melhoria da capacidade de comunicação e de relação com outros. "Antigamente sentia-me inferiorizada por não ter estudos, agora não... agora não me sinto inferior a ninguém", resume uma das entrevistadas para o estudo desenvolvido pela Escola Superior de Educação de Coimbra (ESCE) e apoiado pela Agência Nacional de Qualificações, responsável pela iniciativa Novas Oportunidades.Coordenado por Lucília Salgado, professora da ESEC, este projecto tentou identificar em que medida esta experiência dos adultos poderá ter um impacto no percurso escolar dos seus filhos.(...)FonteQue aumentou a auto-estima e a valorização da imagem da escola enquanto entidade certificadora é o que todos os estudos já concluíram. Agora que promoveu os saberes, as capacidades de intervir em termos sociais e laborais e que compensou em termos de mobilidade social e de retorno económico já é outra questão. Será sensato advogar uma maior exigência e uma efectiva promoção de aprendizagens socialmente relevantes e significativas. As novas fronteiras estarão bastante aquém do prometido e do necessário.
January 14 2011, 3:52pm | Comments »
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O que explica os resultados PISA?
http://dererummundi.blogspot.com/2011/01/o-que-explica-os-resultados-pisa.html
Pergunta de Pedro S. Martins, professor de Economia em Londres, aqui.
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January 6 2011, 7:51pm | Comments »
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Para Além das Regras e dos Incentivos...
http://terrear.blogspot.com/2011/01/para-alem-das-regras-e-dos-incentivos.html
January 2 2011, 12:24pm | Comments »
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Sentidos da escola
http://terrear.blogspot.com/2010/12/sentidos-da-escola.html
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December 19 2010, 10:16am | Comments »




