Excelente artigo de Nuno Crato.:-)
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Econometria da educação
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September 29 2010, 4:52am | Comments »
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Analfabetos com aulas de dança
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Com a devida vénia, e porque versa o tema da educação aqui tão discutido transcrevemos a coluna de Pedro Lomba (jurista) que saiu hoje no "Público":"É uma das nossas grandes certezas: a necessidade de aprendizagem, deeducação, o progresso do nosso conhecimento através do ensino paciente emetódico. Mas a educação é um problema e, evidentemente, um problemapolítico sério. Quase sempre, reduz-se qualquer insuficiência individuala uma questão de falta de educação e de ensino. Rousseau foi um pensadorimportante por isso mesmo. O seu Émile tornou-se uma obra tão ou maistransformadora que o Capital de Marx. O que nos disse Rousseau é que adesigualdade, a imperfeição e o conflito entre pessoas só se podematenuar através de uma educação pública e igualizadora. Por isso, aeducação do jovem Émile segue um programa optimista e abstracto. Émilenão aprende com o passado, não aprende para triunfar sobre os outros,para resistir à violência ou para preservar um mérito. É educado paraser um bom cidadão, igual a outros. É educado para essa harmonia socialque é a igualdade entre todos os seres humanos, superadora da alienaçãoe das diferenças. O programa de Émile é, no entanto, uma ilusão. Aprimeira ilusão que comanda a nossa esperança na aprendizagem universalé a educação igualitária. A verdade é que a educação não consistenecessariamente numa experiência feliz ou vitoriosa. Porque os nossoslimites são revelados por aquilo que aprendemos e não aprendemos.Claro que a cultura do "eu" com a qual vivemos, tão marcada peloromantismo, não aceita com facilidade esta limitação. É curioso comotodos somos românticos, emotivos, individualistas. Estamos metidos atéaos pés no meio desse imperialismo dos sentimentos. Da literatura desalão ao prosaísmo da imprensa mais idiota, da iliteracia musical aomundanismo público, somos e queremos ser românticos. Eu não aspiro a serum cidadão exemplar ou um homem virtuoso. O que eu quero é satisfazer aminha vontade romântica, criadora e expressiva. Aprender a ser eu mesmo.A exprimir a minha autenticidade.Pode a educação clássica estar em crise. As pessoas não lêem Camões, nãoescrevem um português rigoroso, não dominam a arte da oratória. Masnunca foi tão grande a disposição de todos para essa educação emotiva.Paradoxalmente ou não, o ser humano tem um irrefreável impulso de querersaber mais e mais sobre os assuntos que lhe interessam. A oferta é amplaPodemos aprender design de moda e as técnicas orientais de sublimação.Aprender o feng-shui ou receitas vegetarianas. Aprender a suportar aconjugalidade e a neurose. A arte da paternidade e a técnica do parto.Línguas previsíveis ou esotéricas. A dançar e a escrever. Numa históriado escritor americano Donald Barthelme, Snow White, uma mulher aplica-secom esmero a estudar as seguintes disciplinas: A mulher moderna: os seusprivilégios e responsabilidades, guitarra clássica, os poetas ingleses,as bases da psicologia, a pintura a óleo.Na verdade, conhecemos bem esta mulher. Ela não se educa para nada, anão ser para o seu próprio prazer emotivo. É uma vítima dos seus desejose da vulgarização da educação. Esta sua aprendizagem não é nada e,provavelmente, ela nem a usa. Limita-se a exprimir a sua personalidade,o seu "eu" sentimental e carente de informação.Na era do ensino emotivo, vivemos entre estes dois extremos: a igualdadee a individualidade. Mas não estamos, curiosamente, nem mais iguais, nemmais autênticos. Nem ainda mais educados. Estamos mais sozinhos. Estaeducação construída à nossa imagem representa toda uma nova ignorância e criou uma legião de analfabetos. De analfabetos com aulas de dança."Pedro Lomba
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September 23 2010, 4:39am | Comments »
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Educar porquê e para quê?
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Informação recebida no De Rerum NaturaConferência a realizar no próximo dia 29 de Setembro, no Pavilhão do Centro de Portugal, em Coimbra; às 14h30m.Com a presença de: António Coutinho, do Instituto Gulbenkian de Ciência; D. Manuel Clemente, Bispo do Porto; e Vasco Graça Moura, Ensaista.Entrada livre, solicitando-se confirmação até dia 28 (secretariado@fle.pt)
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September 21 2010, 11:41am | Comments »
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CICLO DE OUTONO: QUESTÕES-CHAVE DA EDUCAÇÃO
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Informação recebida no De Rerum Natura.A Fundação Francisco Manuel dos Santos considera que a educação é um pressuposto e um factor de desenvolvimento do País, e reconhece a necessidade de basear os debates e escolhas educativas em informação de base empírica e científica.Nesta linha, organiza um ciclo de conferências, destinadas a especialistas, professores, pais e todos os interessados no problema da educação que contam com a presença de investigadores de diversas áreas, contribuíndo para a difusão no nosso país de estudos recentes que permitirão debater a educação que temos. 11 de Outubro: O valor de educar, em Faro, com Fernando Savater, Ricardo Moreno Castillo e Nuno Crato12 de Outubro: O valor de educar, em Lisboa, com Fernando Savater, Ricardo Moreno Castillo e Nuno Crato 9 de Novembro: Fazer conta ajuda a pensar? em Lisboa, com Michel Fayol, Andrei Toom e António Bivar Weinholtz10 de Novembro: Fazer conta ajuda a pensar? em Lisboa, com Michel Fayol, Andrei Toom e António Bivar Weinholtz6 de Novembro: Como se aprende a ler?, em Coimbra, com Roger Beard, Linda Siegel e Isabel Leite7 de Novembro: Como se aprende a ler?, em Lisboa, com Roger Beard, Linda Siegel e Isabel LeiteA entrada é livre mediante inscrição prévia.
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September 17 2010, 1:05pm | Comments »
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JUSTA HOMENAGEM
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Novo texto recebido de Guilherme Valente:José Sócrates, no início do mandato anterior, preconizou e foi apregoando algumas medidas acertadas na área da educação. Medidas que há muito tempo, aliás, vínhamos defendendo. Algumas dessas medidas foram sacrilégio para os «especialistas», os ideólogos, a nomenclatura que manda no Ministério. Percebeu-se logo, portanto, que tais medidas iriam ser sabotadas. Foi o que aconteceu.Que medidas foram essas? José Sócrates enumerou-as na homenagem recente à Doutora Maria de Lourdes Rodrigues: directores nas escolas; cursos profissionais; avaliação dos professores; educação ao longo da vida. E mesmo medidas mais específicas, como, por exemplo, o Plano de Acção para a Matemática.Vejamos as medidas e a respectiva sabotagem:1. Os directores nas escolas. Uma medida essencial. Mas foi sabotada, com a conivência ou a permissão da ex-ministra: quem decide na escolha a do director? Que autoridade lhe é confiada e que autonomia tem para a sua acção? Mesmo assim, os efeitos benéficos dessa medida logo começaram a manifestar-se, facto que, evidentemente, ameaça o poder controlador do "eduquês" e, por isso, sabe-se agora, com a criação criminosa dos mega-agrupamentos, preparam-se para desfazer tudo, substituindo a figura do director por comissões de instalação. Designadas por quem?2. A formação profissional. Desde logo não fazendo o que devia ter sido feito, como estou farto de escrever: a oferta criteriosa, a tempo de prevenir o abandono, de uma via técnico-profissional, de exigência e dignidade iguais à via de acesso ao ensino superior, via que, na Finlândia é frequentada, aliás, pela maioria dos estudantes. O que passou a existir, predominantemente pelas antigas escolas industriais e comerciais, foi em larga medida criado e oferecido por iniciativa de directores e professores, graças ao seu espírito de iniciativa e dedicação, mas sem o empenhamento autêntico, muito pelo contrário, do ministério. Cursos improvisados aos quais não foram dadas condições mínimas de funcionamento, meios humanos e materiais indispensáveis, sem reconhecimento e dignificação pelo ministério. Há professores a ensinarem disciplinas de marcenaria sem saberem pregar um prego. Afinal, como afirmou um dia a Senhora que a Ministra agora homenageada colocou na presidência do Conselho Nacional de Educação, «todos os meninos podem ser doutores» (alguns até nem querem, mas enfim…).3. Quanto à avaliação dos professores, não foi necessário encomendar um modelo com a recomendação de que fosse tonto, absurdo e impraticável, para não funcionar. Bastou pedir aos especialistas que elaborassem um modelo.4. Quanto à iniciativa das Novas Oportunidades, que na mente do Primeiro-Ministro poderá ter surgido como o embrião de uma imperativa formação ao longo da vida, nem vale a pena referir no que, na sua esmagadora generalidade, o Ministério da «Educação», a tornou. É o que se sabe.5. O Plano de Acção para a Matemática, promovido alegadamente para resolver os problemas que os responsáveis pelos programas, pelas orientações curriculares e pela formação de professores tinham causado, foi confiado pela ex-ministra a quem? Precisamente aos mesmos, aos mesmíssimos responsáveis pela tragédia no ensino da Matemática.A Senhora Doutora Maria de Lourdes Rodrigues mereceu bem a homenagem que lhe fizeram.Guilherme Valente
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September 6 2010, 8:45am | Comments »
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Humberto Maturana e o espaço relacional da construção do conhecimento
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Muitas são as definições que pretendem explicar o que seja o conhecimento. Certamente, cada uma delas apresenta avanços e limites neste intento. Merecem atenção, entretanto, as definições que, em sua estrutura, histórico de pesquisa e vivência englobam mais amplamente as áreas da vida humana. Atualmente, o pensamento de Humberto Maturana parece ser um dos mais significativos na procura pelo fenômeno do conhecimento. Para este biólogo chileno, o conhecimento é uma construção da linguagem. A noção de linguagem trabalhada pelo autor é a referenciada e construída nas relações, que, por sua vez, são emocionadas. Nos parágrafos seguintes apresento alguns tópicos do pensamento de Maturana a fim de compreender sua inserção no cenário mais amplo da educação e, em particular, na contribuição que oferece à organização do conhecimento que, no espaço escolar, considere a formação do sujeito numa perspectiva mais inteira em sua constituição como tal.Leitura integral
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September 1 2010, 4:39pm | Comments »
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Cognição, Afectividade e Educação - para ir além do senso comun
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O dossiê Cognição, Afetividade e Educação proveio de uma notória demanda presente atualmente no âmbito educacional: pensar a educação além do sentido puramente cognitivo. Assim, a temática maior desta série de artigos versa sobre o papel da dimensão afetiva no desenvolvimento e na formação humanos, ou seja, na importância de se considerar o humano em seu caráter integral, superando as dicotomias presentes na contemporaneidade, principalmente no que se refere à dualidade razão-emoção. Assim, a tese principal que margeia a e dá unidade aos artigos é a ideia de que a afetividade tem papel fundamental na construção e exercício da vida humana, logo não podendo ser ignorada nas esferas educativas.Dessa feita, os trabalhos aqui inseridos foram selecionados de forma a contemplar diversas facetas e perspectivas teóricas da temática proposta. Os autores convidados a participar foram escolhidos, em parte, devido à sua reconhecida competência no estudo do referido tema. Por outra parte, por representarem, estrategicamente, possibilidades de convergir, em um único volume, recentes reflexões teóricas e discussões empíricas oriundas de pontos de vista que podem contribuir efetivamente para o progresso na área.Estudos sobre o autoconceito, a autoestima e as crenças de autoeficácia, bem como sobre as estratégias de aprendizagem – entendidos enquanto recursos internos que potencializam as possibilidades de aprendizagem – têm ganhado, nos últimos anos, reconhecida importância devido ao seu papel na autorregulação cognitiva e emocional dos indivíduos. Nessa direção, seguem os trabalhos de Izabel Hazin, Cristina Frade e Jorge Tarcísio da Rocha Falcão; e de Liliane Ferreira das Neves Inglez de Souza.Subsídios da arte são resgatados em um ensaio visando à integração com a perspectiva interacionista de Vigotski no trabalho proposto por Maria Eunice de Oliveira e Tania Stoltz.As contribuições de renomados teóricos como Henri Wallon e Urie Bronfenbrenner para as discussões acerca das relações entre cognição e afeto, e suas implicações para o desenvolvimento humano, serão sistematizadas nos artigos de Aurino Lima Ferreira e Nadja Acioly-Regnier e de Eva Diniz e Silvia Helena Koller, respectivamente.O papel das interações interpessoais – particularmente daquelas que se dão no âmbito familiar – enquanto potencializadoras da regulação afetiva e cognitiva dos indivíduos na tenra idade será tema de discussão no artigo de Andrea Garvey e Micheline Silva.O assunto será, ainda, discutido em uma perspectiva que busca combinar psicologia, filosofia, arte e educação no trabalho de René Simonato Sant'Ana, Helga Loos e Márcia Cristina Cebulski. Nesse caso, o que se coloca em questão são os paradigmas perscrutados ao longo da tradição do pensamento ocidental, pondo-se em reflexão os pressupostos assumidos pela contemporaneidade.Assim, entendendo que a proposta aqui apresentada atinge os critérios para se contribuir para um profícuo diálogo científico, mais precisamente na área da educação, convidamos o leitor para a apreciação dos esforços dos autores aqui preocupados com a temática em questão: a afetividade como suporte humano, logo cognitivo e educacional. Pois, somente desse modo, com esforço, reflexão e interlocução, poderemos repensar os procedimentos que estão atualmente em voga e que, muitos concordam, parecem nos distanciar dos anseios presentes na real condição humana: rever constantemente, por meio da inteligência, as circunstâncias da vida. Afinal, como já bem o dizia Sófocles: "Ó deuses! Que maior prazer poderia haver no mundo do que este, proporcionar ao homem reformar seus costumes?".Acesso ao número temático sobre Cognição, Afectividade e Educação.
September 1 2010, 12:42pm | Comments »
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Educação de Adultos - um número a reter
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L’éducation des adultes, entre le biographique et le curriculaireÉducation et francophonieVolume XXXVIII, numéro 1, printemps 2010Número completo.
September 1 2010, 12:05pm | Comments »
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UMA CARTA SOBRE A AVENTURA DA EDUCAÇÃO
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Transcrição do Jornal i de 2010/08/24"iCorreio - UMA AVENTURAFace à facilidade com que se adquire no mercado o 9.º ou o 12.º ano de escolaridade (este último comprava-se por 500€... mas devido à crise o seu preço baixou já para os 400€ - isto se não conseguir um centro Novas Oportunidades que na "excelência" de "produzir" mais certificados tenha um ou dois formadores graciosamente a coisa), não se entende muito bem o porquê de tanta algazarra por o Ministério da Educação ir encerrar mais 701 escolas do 1.º ciclo!Afinal elas estão abertas para quê? Para os professores terem de passar a garotada independentemente de eles saberem ler, escrever, saberem ser ou estar?O Ministério da Educação, em vez de andar a rabiscar "uma aventura ... às mijinhas", devia era encerrar de vez a totalidade das escolas do 1.º e 2.º ciclos, e, em vez de prometer aos recém-nascidos um cheque de 200 euros, fornecer-lhes, no acto do registo, um diploma (a rosa ou azul-bébé) atestando os seus conhecimentos, que pouco menos serão que aqueles que viriam a adquirir se frequentassem as tais "escolinhas"!Sarcasmos à parte, porque a educação é um dos pilares máximos de uma sociedade moderna e desenvolvida, é desmotivador e preocupante olhar para toda uma elite de iluminados e vê-la entretida, na maior das escuridões, a tentar juntar as peças de um puzzle que não faz a mínima ideia do que seja!O secretário de Estado talvez imagine uma paisagem corriqueira de Punta Cana a quinhentas e tal peças! A senhora ministra, um cenário helvético de neve e relógios de cuco a outras tantas peças!E o primeiro-ministro, embora indiferente a quase tudo, talvez vislumbre "o menino que chora" (aquela deprimente visão de Giovanni Bragolin que uma vez na vida a todos calhou em sorte no sorteio anual da Comissão Fabriqueira) a mil e muitas mais!Enfim: no meio de tanta dissensão, resta aos portugueses o consolo de olhar para o seu timoneiro e ver que, apesar de tudo, através de novas oportunidades, se pode chegar sempre mais além!António Carvalho - Gouveia (email)"
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August 31 2010, 11:08am | Comments »
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BREVES COMENTÁRIOS AOS COMENTÁRIOS
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Resposta recebida de Guilherme Valente aos comentários ao artigo "A MISTELA DO EDUQUÊS" publicado no "Expresso" e aqui:1. É objectivamente incontroverso que a legislação privilegia a «graduação» em «ciências» da educação. Foi feita para isso pelos membros da seita. A resposta do comentador que tentou contestar a demonstração que Fartinho da Silva fez dessa evidência é um exemplo perfeito da qualidade intelectual e da atitude do «eduquês».2. É preciso dizer claramente que a generalidade dos mestrados e doutoramentos nas ditas «ciências» da educação não produziram conhecimento relevante, que possa justificar, honrar, a atribuição desses títulos. Na sua generalidade trata-se de banalidades, frequentemente ridículas, «descobertas da pólvora», em «circuito fechado», revelando uma significativa indigência de referências realmente científicas e culturais. São irrelevantes para o conhecimento, para o ensino, a escola e os alunos. E tudo se tornou pior e mais fácil para eles quando passaram a poder reproduzir-se hermafroditamente, isto é, a constituírem júris só com gente da seita.A melhor prova é o estado a que conduziram a educação.3. Como sabem pouco e o que sabem está errado, a generalidade dos «especialistas» da educação escondem-se nos diplomas. Quando, raramente, se atrevem a falar, brandem o «argumento» de autoridade, isto é o diploma, ou desviam-se do assunto.4. O que pode parecer surpreendente é o facto de quase nunca aparecerem frontalmente, "assinadamente", a defenderem o seu projecto. Mas percebe-se bem porquê: a) a natureza do projecto (de que muitos deles, aliás, não têm sequer consciência) é inconfessável; b) dominando mal as fontes fontes inspiradoras, geralmente com grandes limitações culturais, não conseguem integrar numa exposição minimamente coerente e argumentadamente sustentável o sincretismo ideológico e teórico irracionalista e obscurantista que vão impondo. Por outro lado, a nossa «obsessão» parece ter dado frutos: alguns aparentam começar a ver e parecem recuar nas suas posições (ver, a esta luz, no Jornal de Letras, a opinião de Rui Canário sobre a possibilidade estúpida de ser decretado o fim das retenções). Claro que a maior parte não assumirá o erro pois isso seria perderem o poder o estatuto e o emprego.5. De facto tenho uma «obsessão»: combater o obscurantismo.E não se justifica persistir no combate? Os resultados melhoraram? Depois de trinta anos de degradação da situação, mudaram as concepções, as teorias, a política, os métodos, os teóricos, os que dirigem o sistema? Não é óbvio, portanto, a continuidade que referi? Obsessão tem o eduquês, têm os «especialistas» da educação, que insistem em destruir a escola e o país, sem compaixão pelas crianças e jovens que todos os anos condenam à ignorância e à boçalidade, roubando-lhes a esperança de um futuro de realização profissional e cidadã. Porque não de afastam?Alguém imagina uma equipa de futebol a perder todos os jogos desde há mais de trinta anos sem que se mude de treinador? Pois é isto que acontece em Portugal na área da educação.6. Faço afirmações muito concretas: «Quando não se aceita a prova da realidade, entra-se no reino da irracionalidade». Não é isto, com toda a evidência, que se verifica na educação?O fim das retenções é a todos os títulos idiota, porque mesmo que fosse adoptado não deveria ser, evidentemente, declarado obrigatório. A menos que se deseje mesmo que ninguém se preocupe em não aprender e…em não ensinar nada. Não é mais um passo na escalada da ideologia que julgo ter vindo desde há muito a caracterizar?Respondam-me com argumentos. Expliquem e defendam o vosso projecto. Porque não o fazem nunca?Quanto ao controlo do sistema, à opressão e à repressão, querem que refira as estruturas e as pessoas, as situações e os testemunhos?7. Quanto às soluções, não temos feito outra coisa que não seja sugeri-las. E não será preciso inventar nada. É tudo óbvio.Guilherme Valente
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August 30 2010, 11:00am | Comments »



