Texto de João Boavida antes publicado no diário As Beiras.Segundo parece «em Mirandela não se fala noutra coisa», dizem as televisões do escândalo, salivando de gula. Pudera!É a história da professora do 1.º Ciclo, ou seja, de crianças, que posou nua para a Playboy, pelo que foi suspensa das suas funções. Não tardou que se organizasse uma multidão de defensores, via Net, clamando contra a “perseguição”, a “repressão” e a mentalidade retrógrada dos provincianos, etc. e tal.Já, porém, se disse e escreveu que não poderia ser outra a atitude de qualquer responsável educativo, fosse de uma escola, em Mirandela, ou do Colégio Moderno, em Lisboa. E fosse em Portugal ou no estrangeiro. E porquê? Porque não podia ser.Saberão estes cavaleiros do direito individual por cima de toda a folha o que é a educação? É certo que há um processo poderosíssimo de sexualização (e até de pornocratização) da sociedade levado a efeito por dois princípios. Um, libertador, dos “preconceitos”, outro comercializador, seja do que for. O sexo, como se sabe, é mercadoria privilegiada e negócio seguro. Mas, não tenhamos ilusões – Freud explicou-o e nem seria preciso que o explicasse – o sexo sempre foi bastante controlado, isto é, sempre criou as suas regras, nem sempre sensatas, é certo, mas em todo o lado as criou, e tudo indica que vai continuar assim. Por outro lado, como toda a sociedade tem normas (sociais, psico-afectivas, morais), apesar de um capitalismo ganancioso que tudo explora e de tudo faz tábua rasa, ainda há quem pense que deve reagir, que sente ser sua obrigação fazê-lo.Uma professora que vende a sua nudez – para uma revista que é ponta de icebergue de um submundo onde ninguém inteligente e sensível acha que as crianças devam ser integradas – pôs-se a jeito. Ou seja, uma professora que não tem consciência da dimensão sociocultural da educação, do lugar onde está, do que a sociedade lhe pede e da contradição em que cai, não deve ser professora. Demonstrou ipso factu que não está preparada, que lhe falta tanto ou mais que a indispensável competência científica e cultural. Como se quisesse ensinar música sem saber o que é uma pauta.É claro que a sociedade dá sinais contraditórios e a “inocente” Bruna devia andar confusa entre a promoção de uma sexualização, que “liberta” e facilita, segundo dizem, a entrada no estrelato, e os sentimentos e ideias que a envolvem, e que vigoram na sociedade. Uma sociedade que quer a “libertação sexual”, que interesses económicos promovem de todas as formas, por um lado, mas que, por outro, continua a viver do que pensam e sentem as pessoas comuns.Os óbvios do costume, os profissionais da solidariedade politicamente correcta e do individualismo mais “prafrentex”, deviam pensar no serviço que prestam aos que não pensam senão em fazer dinheiro por todas os meios. Os que falam e pensam pelo que lhes mandam ou pelo que julgam que está a dar, sem disso se darem conta, e que acusam os outros disso mesmo de que sofrem, deviam ter alguma consideração por aquilo que os mantém, lhes dá voz e os deixa até dizer disparates: o colectivo e os sentimentos e normas que o sustentam. Por isso é que a educação não pode ser uma brincadeira de inconscientes. É também revelador que o protagonista profissional Mário Nogueira venha defender a Bruna e falar sindicalmente de atentado aos seus direitos e liberdades. Será que não percebe que a questão não é sindical?João Boavida
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A educação a nu
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May 27 2010, 3:48am | Comments »
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O PESO DA IGNORÂNCIA
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O escritor Pedro Rosa Mendes, cujo livro sobre Timor "Peregrinação de Enmanuel Jhesus" (D. Quixote) acaba de sair, deu uma entrevista ao "Semanário Económico", publicada em 22 de Maio último, do qual destaco o seguinte extracto:P- A dificuldade de se libertar dessa condição de oprimido é onde reside a grande dificuldade de Timor crescer como país?R- Acho que conheço relativamente bem as paragens do nosso ex-império e Timor é o espelho mais límpido e mais doloroso para ler Portugal.P- Porquê?R- Qual foi a persistência maior da nossa ditadura? A ignorância. Essa foi a parte da ditadura que não acabou em 25 de Abril de 74. Quem pensa o ciclo longo de Portugal, quem quiser ler Portugal não através da legislatura, ou do tempo actual, ou da conjuntura exconómica, ou das alianças de bloco central, etc., quem quiser ver mais longo constata que o maior problema e a coisa mais insidiosa da ditadura salazarista não era a PIDE, não foi o Tarrafal. Foi o facto de termos vivido tanto tempo debaixo de de uma ditadura de ignorância que se perpetua.O grande problema de Timor não foi a opressão política, não foi a perda demográfica. Em termos colectivos morreram mais de 200 mil timorenses. A maior persistência disso é, por um lado, a do trauma, que é muito operativo nas relações sociais, nas relações pessoais, na relação de trabalho. Há ali feridas que têm de ser saradas, mas por outro lado a construção e a viabilidade do novo estado esbarra com o peso do atraso, o peso da ignorância.P- O que se pode fazer?R- Educação, educação, educação. O que se passa em Timor é que colectivamente há uma sociedade sem capacidade de auto-crítica."
May 26 2010, 8:05pm | Comments »
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HUMOR: Exames nacionais não são fáceis, críticos é que optam por resoluções simplistas
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Recupero um texto antigo do Inimigo Público, que continua actual.Facilitismo, tem sido a palavra usada sempre que o tema são os exames nacionais deste ano. Mas o problema não são os enunciados demasiados fáceis, mas sim uma mentalidade retrógrada e simplista que falha em chegar ao âmago das questões e desenvolvimentos implícitos. Alguns exemplos."O João tem cinco laranjas e comeu duas. Com quantas laranjas ficou o João?"Resposta simplista: 3Resposta dentro das expectativas contemporâneas: "Ocorre actualmente uma procura crescente por alimentos, principalmente oriunda dos países asiáticos emergentes, que inflacionam os mercados internacionais. Este factor real, associado a uma componente psicológica colada à galopada do petróleo e à incerteza quanto à evolução da crise hipotecária americana, coloca pressão nos géneros alimentares. Se o João tinha cinco laranjas, uma quantidade irrazoável para consumo pessoal, e anunciou ter ingerido duas, possivelmente não o fez. Apenas criou no mercado a percepção da escassez de laranjas, para inflacionar artificialmente o seu preço. Sendo o João um especulador, no final ficou sem nenhuma laranja, já que terá vendido a totalidade pelo preço de 20 laranjas na semana passada.""Estás sentado numa..."Resposta simplista: CadeiraResposta dentro das expectativas contemporâneas: A vida na Terra tal como a conhecemos é possível graças ao efeito de estufa, que permite reter na atmosfera parte da radiação solar e sem o qual a temperatura média da superfície seriam 19 graus negativos. As principais moléculas responsáveis pelo efeitos de estufa são a água, ozono e dióxido de carbono. Com o advento industrial, causas antropocêntricas têm causado o aumento da concentração deste último na atmosfera, incrementando a retenção dos raios infravermelhos e temperatura terrestre. Como a massa vegetal, nomeadamente as arvores de onde é extraída a madeira para fazer cadeiras, é responsável pelo sequestro do dióxido de carbono atenuando o efeito de estufa, eu não estou sentado numa cadeira mas sim num puff azul em pele de cabra enchido com a roupa suja da semana passada.
May 8 2010, 11:44am | Comments »
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Quantos são 5+2 ?
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A Sociedade Portuguesa de Matemática emitiu um parecer sobre o extremo facilitismo das provas de Matemática do 6.º ano. De uma notícia do "Público" cuja totalidade se pode ler aqui transcrevemos:“Há em ambas as provas um número muito exagerado de questões demasiado elementares para o nível de escolaridade dos alunos a que se destinam”, afirma a SPM num parecer divulgado há pouco.A SPM chama a atenção de que “uma larga maioria das questões é de resposta imediata, ou requerem apenas uma operação de cálculo”.A SPM considera particularmente grave a situação da prova do 6.º ano. Das 24 questões, 13 diziam respeito a matéria do 1.º ciclo. Duas das perguntas colocadas aos alunos do 6.º ano: “Qual é a quarta parte de 8?”; “Quantos são 5+2?”Este era o raciocínio a que os alunos tinham de responder, embora as questões não estejam assim formuladas. No primeiro exemplo refere-se que o Rui partiu um chocolate em oito bocados iguais e comeu 1/4 , perguntando-se depois quantos bocados comeu ele.No segundo exemplo, apresenta-se uma tabela com o número de alunos que pratica natação, andebol, basquetebol e karaté e pergunta-se quantos jogam andebol, devendo os estudantes, para o efeito, contar os sete tracinhos que lá estão – um grupo de cinco e outro de dois.“Provas destas não valorizam o empenho, o rigor e o conhecimento, desorientando tanto os alunos como os professores. Os alunos, por estarem habituados a outro tipo de questões, com um grau de dificuldade mais avançado e adequado ao seu nível etário. Os professores por ser um desincentivo ao seu trabalho. Esta continuada tendência não pode deixar de causar reflexos muito negativos”, alerta a SPM.
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May 7 2010, 12:20pm | Comments »
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O "sr." e o "Doutor"
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Destaco da caixa de comentários ao post relativo ao programa "Plano Inclinado" com Guilherme Valente o seguinte do leitor Luís Neves:"(...) Só um País subdesenvolvido como o nosso pode ter como Professores universitários consagrados pessoas como o sr. Medina Carreira, sr. Nuno Crato, e este inenarrável sr. Guilherme. Dar crédito a qualquer uma das ideias deste trio de aposentados da razão, seria certamente o aniquilar de qualquer ideia de Futuro para Portugal e Abandonar a ideia de Escola Pública moderna.Venha antes o Doutor Salazar ou Prof. Marcelo Caetano... chiça... (...)"E a resposta de Guilherme Valente:"O meu Pai morreu quando eu tinha oito anos. Era advogado. A minha Mãe contava-me que quando era preso pela PIDE o tratavam por Sr. Valente, retirando o Dr., cujo uso era costume. Essa tentativa odiosa de humilhação ficou gravada a fogo na minha memória.O meu nome é Guilherme Valente. Apenas. E um homem vale o que valerem os seus argumentos."Luís Neves que trata o editor da Gradiva por "sr. Guilherme" e o ex-presidente do conselho por "Doutor Salazar" é, ele próprio o confessa, um saudosista do Estado Novo. Hoje, porque há liberdade de expressão, pode dizer o que quiser, o que não acontecia antigamente. Mas convém realçar uma diferença importante entre os esbirros da PIDE e os saudosos dela: os primeiros tinham um rosto, os segundos nem isso.
May 6 2010, 1:37pm | Comments »
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Humor: A função do esqueleto
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Circula na Internet esta resposta de um aluno a uma questão numa prova de Biologia:- Qual a principal função do esqueleto?- É invadir o Castelo de Greyscow!!!Ainda na Internet encontra quem não sabe a explicação sobre o que é o Castelo de Greyscow:"He-Man e os Defensores do Universo (em Inglês, He-Man and the Masters of the Universe) é um desenho animado produzido entre 1983 e 1985 pela Filmation Studios. He-Man, o personagem principal, e seus amigos defendem o planeta Etérnia e o Castelo de Greyscow (em Inglês, Greyskull) das forças malignas comandadas pelo vilão Esqueleto. Enquanto o planeta é comandado pelo justo rei Randor, o vilão Esqueleto tenta dominar o castelo Greyscow e assim ter o controle de todo o universo."
May 6 2010, 6:06am | Comments »
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Prova de aferição do 4.º ano (Excerto)
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Parte da prova de aferição de Língua Portuguesa do 1.º ciclo do ensino básico:"Lê a seguinte descrição de uma experiência.A FORÇA DA GRAVIDADEA força da gravidade puxa todos os objectos na vertical, para baixo, em direcção ao centro da Terra. Podes perguntar: e então a Lua não está sujeita à força da gravidade? Sim, claro que está. Mas então porque é que a Lua não cai sobre a Terra?Para descobrires porque é que a Lua não cai, vais fazer uma experiência bastante engraçada. Vais fazer girar um copo com feijões, sem que os feijões caiam!Para isso, tens de abrir dois buracos na boca de um copo de plástico e passar por eles um fio, de modo a fazeres uma asa (como se fosse um pequeno balde). Deita uma mão cheia de feijões no copo e, agarrando pela asa, põe o copo a girar. Os feijões caem durante o movimento?Da mesma maneira que os feijões não caem quando pões o copo a girar, também a Lua não cai. Tal como o copo, a Lua não está parada: ela gira em volta da Terra, demorando 27 dias (ou melhor, 27 dias, 7 horas e 43 minutos) a dar uma volta completa. Sabes a que velocidade a Lua se move em torno da Terra? Move-se a quase 4000 km por hora!Constança Providência, Nuno Crato, Manuel Paiva, Carlos Fiolhais,Ciência a Brincar 4: Descobre o Céu!, Lisboa, Editorial Bizâncio,2005 (texto adaptado)7. Faz a lista do material referido no texto como necessário à realização da experiência descrita._______________________________________________________________________________________________________________________________________8. Ordena, de 1 a 5, de acordo com o texto, as fases da experiência descrita. Repara que a primeira fase já está numerada. Deitar uma mão cheia de feijões no copo.1. Abrir dois buracos na boca de um copo de plástico. Agarrar o copo pela asa. Passar um fio pelos buracos, para fazer uma asa. Pôr o copo a girar.9. Assinala com X a opção que permite completar a afirmação, de acordo com o sentido do texto. A Lua e os feijões da experiência não caem, porque estão bem amarrados. dão voltas incompletas. giram à mesma velocidade. estão em movimento.10. Lê alguns dos conteúdos e dos títulos que fazem parte do livro de onde foi retirada a descrição da experiência apresentada.Associa cada um dos conteúdos ao respectivo título. Segue o exemplo.CONTEÚDOS1 Gratidão dos autores pela ajuda e colaboração que receberam.Descrição de uma experiência sobre a força da gravidade.Apresentação dos assuntos abordados ao longo do livro.TÍTULOS1 Agradecimentos2 Introdução3 Quantas estrelas há no céu?4 Porque é que a Lua tem manchas?5 Porque é que a Lua não cai?"
May 5 2010, 7:20pm | Comments »
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A FRASE DO DIA
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Nuno Crato, Presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática, citado pelo jornal "Público", sobre as provas de aferição de Matemática dos 4.º e 6º anos, da responsabilidade do Ministério da Educação:"Seria óptimo se nas provas houvesse perguntas de Matemática".
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May 4 2010, 1:31am | Comments »
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PLANO INCLINADO COM GUILHERME VALENTE
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Quem não viu, pode ver aqui.
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May 3 2010, 1:39pm | Comments »
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PLANO INCLINADO COM GUILHERME VALENTE
http://dererummundi.blogspot.com/2010/05/plano-inclinado-com-guilherme-valente.html
A intervenção lúcida, clara e corajosa de Guilherme Valente, editor da Gradiva, no último programa "Plano Inclinado" da SIC Notícias sobre o estado da educação nacional tem motivado vários textos na Internet. Ver, por exemplo, este, este outro, ainda este outro, e, por último, este.Lembro que este blogue publicou, há três anos, uma entrevista com ele: aqui. Afirmava lá:"Os professores começaram a perceber o logro de que têm sido vítimas. Não só os professores, também os alunos mais esclarecidos e responsáveis. (...) O logro do facilitismo, de se considerar, hipocritamente, aliás, que as desigualdades diminuem com o nivelamento por baixo, da falta de exigência, a ideia de que a escola é uma brincadeira, e não um esforço pelo qual tem que se passar para se poder progredir pessoal e socialmente. O logro do conjunto de teorias que temos designado pelo termo «eduquês», que, agora, toda a gente percebe o que é e considero estarem hoje, com a actual ministra (melhor, com o actual ministério, porque a ministra me parece não perceber muito bem o que anda a fazer) -- mais à solta do que nunca."Louve-se-lhe não só a coerência como a persistência. A ex-ministra não sabia bem o que andava a fazer. E a actual saberá?
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May 3 2010, 6:00am | Comments »




