No passado dia 14, um leitor do De Rerum Natura - Wegie - enviou-nos, em comentário, uma passagem do livro Este País não É para Velhos de Cormac McCarthy. Aqui lhe damos destaque pelo facto de pôr em evidência manobras relativistas e subjectivistas a que muito se recorre quando se analisa a educação, desvalorizando os problemas, por mais graves que eles se afigurem, em vez de os encarar, estudar e procurar superar.“Há uns tempos li nos jornais que um grupo de professores encontrou por acaso um inquérito que foi enviado nos anos trinta a um certo número de escolas de todo o país. Incluía um questionário sobre quais os problemas mais graves que aconteciam nas escolas. E encontraram também os formulários de respostas, que tinham sido preenchidos e devolvidos dos quatro cantos do país. E os problemas mais graves que os professores apontavam eram coisas como conversar nas aulas e correr pelos corredores. Mascar pastilha elástica. Copiar os trabalhos de casa. Coisas desse género. Então eles policopiaram uma data de exemplares e enviaram-nos para as mesmas escolas. Passados quarenta anos. Bom, algum tempo depois receberam as respostas. Violações, fogo posto, homicídio. Drogas. Suicídios. E eu ponho-me a pensar nisto. Porque muitas das vezes que eu digo que o mundo está a ir direitinho para o Inferno ou alguma coisa do género, as pessoas limitam-se a fazer-me um sorriso e dizem-me que eu estou a ficar velho. Que este é um dos sintomas. Mas cá no meu entender, se alguém não vê a diferença entre violar e assassinar pessoas e mascar pastilha elástica é porque tem um problema muito mais grave do que o meu. Quarenta anos também não é assim tanto tempo. Talvez os próximos quarenta anos façam acordar algumas pessoas da anestesia em que caíram. Se não for demasiado tarde.”
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"Se alguém não vê a diferença..."
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March 17 2010, 4:24pm | Comments »
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ENTREVISTA NO NOTÍCIAS MAGAZINE
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Entrevista que dei a Catarina Pires para a rubrica "Todos os nomes" da revista "Notícias Magazine" e que foi publicada no número 929 de 14 de Março, que saiu ontem a acompanhar o "Diário de Notícias" e o "Jornal de Notícias":Todos os nomes - Carlos FiolhaisNão sabe em que caldeirão caiu em pequenino, mas deve ter caído em vários: o dos livros, o da curiosidade, o do bom humor, o do optimismo. Só assim se explica que este físico, director da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, nos faça perder as noções de tempo e espaço estabelecidas por Einstein, quando nos pomos à conversa com ele.P- É cientista, director da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, contador de histórias, um pouco historiador...R- Historiador e contador de histórias são coisas diferentes. Historiador não me importava de ser. Contador de histórias? Não invento histórias, quanto muito reconto algumas histórias que me contam.P- Reconta-as bem, daí chamar-lhe contador de histórias.R- Mas quem conta um conto acrescenta um ponto e eu tenho sempre esta mania de cientista de não acrescentar muitos pontos. Pelo contrário, um cientista, pela sua preocupação com o rigor, às vezes tem de tirar pontos à história.P- Mas fazendo tantas coisas ao mesmo tempo, em que caldeirão caiu quando era pequenino?R- Bem, agora é que me está a contar uma história... Tanto quanto me lembro não caí em nenhum. Os meus pais dizem-me que tive uma infância normal, nasci na Maternidade Alfredo da Costa, onde nasce toda a gente, uma verdadeira fábrica de portugueses, e onde não há caldeirões. A minha infância, foi passada em Lisboa, nos anos cinquenta e sessenta, com uma linda vista para o Tejo, talvez tenha sido esse o caldeirão... Aos sete anos mudei-me para Coimbra, que tem uma linda vista para o Mondego.P- É um optimista?R- Sou, militante. Há todas as razões para ser pessimista, logo sou optimista...P- Mas tem sido difícil manter o optimismo, não?R- Não é difícil. Quanto pior a situação, mais optimista penso que é necessário ser para se sobreviver, é quase uma decisão de vida. A verdade é que não vale de nada sermos pessimistas: se dizemos que algo vai correr mal, isso ajuda a que corra. De modo que tento contrariar o pessimismo instalado. Temos, em Portugal, uma visão muito escura das coisas e eu gosto de luz. Quando a situação está negra, há muitos sítios onde podemos lançar luz...P- Também é um crítico e isso é claro nas suas crónicas, reunidas em livros como Curiosidade Apaixonada e A Coisa Mais Preciosa que Temos.R- Ser crítico é uma maneira de ser optimista. A única forma de inventar um futuro melhor é dizer que não queremos que seja como no passado. Isso vem de outro caldeirão que frequentei, nos quatro anos que passei na Alemanha. A minha condição de estrangeirado levou-me a ter uma consciência bastante crítica em relação a certos aspectos do nosso país. Sei que se pode fazer melhor porque vi fazer melhor e porque fiz melhor noutro lado. Se noutros lados se faz, porque não se faz aqui? Sou crítico quando vejo razões de crítica. Há coisas que me indignam e nos deviam indignar a todos. Se expresso publicamente a minha crítica é para ver mais gente indignada ao meu lado.P- Um dos maiores alvos da sua crítica é o sistema de ensino português.R- Ah sim, é o meu alvo preferido.P- Porquê?R- Porque é de algum modo a mãe de todos os problemas. Temos uma formação que deixa muito a desejar e não nos prepara devidamente para a vida. E não tem de ser assim. A boa escola é algo que estamos a dever a nós mesmos. Se queremos futuro, temos que apostar na escola, que é a instituição que a humanidade inventou – e já foi há muitos anos – para nos garantir o futuro. Se não temos um futuro melhor é porque não o estamos a promover na escola.P- O que é que está mal? Está tudo mal?R- Não, temos bons professores, que fazem, a maioria deles, por cumprir a sua obrigação profissional num ambiente que não é nada fácil. Se me pergunta o que está mal, dou-lhe um exemplo: o Ministério da Educação é – vou usar uma palavra brutal para fazer jus à minha fama de crítico – um monstro. É um aparelho criado pelo Estado, que está por todo o lado em demasia, retirando liberdade aos bons professores. Há regulamentos para tudo e mais alguma coisa, os programas não são bons, os livros têm que se ater aos programas, os horários são o que se sabe, há disciplinas que não são disciplinas nenhumas. Enfim, não tenho dúvidas de que é possível fazer melhor e que isso passa por uma menor intervenção do Estado. Será precisa toda aquela burocracia? Será preciso aquela linguagem em que se exprime o monstro e que eu e outras pessoas designamos por «eduquês»? Não se pode falar claro? A actual ministra domina bem o português, é uma boa escritora, não poderá pôr aquele Ministério a falar claro?P- O que é que é preciso, então, para melhorar?R- É preciso que os professores tenham mais poder na escola. Nos últimos anos, assistimos a lutas entre o Ministério e os professores, em que os destroços da batalha são os alunos. O que a ministra está a fazer – e desejo-lhe sorte – é limpar o campo da batalha, o que demora algum tempo. O tempo que se perdeu e que se perde... Não tenho dúvidas de que a nossa escola pode melhorar e isso faz-se pelo exemplo, por procurar e premiar as melhores práticas, por recompensar mais do que punir. É preciso valorizar a criatividade. O que eu gostava de ver era uma escola mais aberta, fora do espartilho do governo. Neste momento, a escola está refém do Ministério da Educação.P- A máquina ministerial condiciona a criatividade de alunos e de professores?R- Condiciona a criatividade dos professores, que são a chave do sucesso da escola. Diminuir o papel dos professores foi o pior que se podia ter feito. Portanto, tudo o que possamos fazer para valorizar este papel, para lhes dar importância e autoridade, é útil. Há uma palavra que não se tem usado muito em Portugal e que se devia usar mais (o Ministério da Educação, então, foge dela como o diabo da cruz) que é ensinar. A escola é um sítio onde se ensina. Claro que também é um sítio onde se aprende, mas para aprender é preciso que se ensine. Quase tudo aquilo que sei foi porque alguém me ensinou. A partir de certa altura já fui capaz de aprender por mim próprio, mas devo muito à escola e aos meus professores. Porque é que os jovens de agora não hão-de poder dizer o mesmo? Estamos a desviar-nos do essencial e o essencial é preparar para a vida. Não estaremos a alienar os nossos jovens da capacidade de saber mais, de decidir, que não devia ser apenas de alguns, mas de todos?P- Esse sistema, tal como o descreveu, é a razão por que Portugal não tem sido um país de ciência?R- A nossa educação científica é uma área em que podemos progredir. A ciência devia estar presente mais cedo na escola, e não se trata tanto de falar de ciência, mas mais de ver como ela se faz. A ciência devia estar presente no jardim-escola e no ensino básico. A palavra ciência quase não aparece nos programas, aparece uma coisa chamada “estudo do meio”. O que é isso? Um cientista é um "estudioso do meio"? Percebo a ideia de que o meio não é só o meio material, é também o meio social. Muito bem, é evidente que vivemos num meio social, mas antes disso pisamos um planeta que nos puxa para baixo, respiramos ar, bebemos água, e é bom que no básico façamos experiências que nos permitam compreender o que é o planeta, o que é o ar, e o que é a água. A descoberta do mundo pela criança tem de começar por aí. A junta de freguesia e outras construções sociais, por muito importantes que sejam, vêm depois do ar e da água.P- Apesar de Portugal não ser um país de ciência, está a preparar uma história da ciência em Portugal. O que tem para contar?R- Nós ainda não temos suficiente ciência em Portugal porque não tivemos escola em quantidade e qualidade suficiente. Mas isto vem de trás, há um lastro. Portugal tem 800 anos de história e tem também 800 anos de dificuldades. Também a nossa ciência tem uma história de dificuldades que me interessa conhecer. Desde quando há cá ciência? Será que há cá ciência desde que há ciência no mundo? A ciência moderna começa com Galileu, comemoram-se agora os 400 anos da publicação de O Mensageiro das Estrelas, em que ele anuncia a descoberta dos primeiros satélites de Júpiter. Chamou-lhes estrelas de Medici, que era o nome do patrão (é sempre bom dar o nome do patrão!). Na época dos Descobrimentos, que foi um pouco antes, Portugal era um país rico, não só em bens materiais, como em bens imateriais, em conhecimento. A nossa história nesse período devia ser mais conhecida. Portugal foi então um entreposto de ciência. As descobertas marítimas só foram possíveis com a ajuda da ciência e da tecnologia.P- E depois o que aconteceu?R- Precisamente. Onde é que a nossa ciência, tendo esse começo tão auspicioso, se perdeu? Por que fomos outrora grandes e deixámos de o ser? É um tema que me interessa e que procurarei expor num livrinho que se intitula Breve História da Ciência em Portugal. Por incrível que pareça não há no nosso país nenhuma obra do género. Sobre a decadência, há aquela frase do poeta Carlos Queiroz: «Só fazemos bem Torres de Belém.» Fernando Pessoa também disse algo parecido: «Pertenço àquele género de portugueses que depois de a Índia descoberta ficaram sem trabalho». Somos, portanto, os desempregados dos Descobrimentos. A ciência de algum modo desapareceu quando regressámos da Índia. A nossa história nesta matéria, como noutras, está cheia de avanços e recuos. Por um lado, sempre tivemos pessoas com valor, por outro lado convivemos mal com o valor dessas pessoas. Hoje, penso que há razões para se ser optimista a respeito do futuro da ciência: um jovem cientista pode fazer ciência em Portugal como em qualquer outro sítio do mundo. Espero, por isso, que a história que se escreva daqui por muitos anos seja bem melhor. A história até agora tem alguns sucessos, mas ficámos a dever muito à ciência e é bom que paguemos essa dívida.P- A história é uma das suas paixões?R- De algum modo sim, cada vez mais, porque estou aqui na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, que é uma arca de tesouros, um rico legado da história, um sítio onde se preserva a memória. Os livros, os documentos, estão à mão de semear e é uma tentação à qual não consigo resistir, a de ver originais com séculos de idade. Não o faço sem uma certa comoção. Por exemplo, falava dos Descobrimentos, temos aqui um dos livros de D. João de Castro e quando o abrimos é como se fizéssemos uma viagem no tempo. Esta universidade tem tesouros inigualáveis como este.P- Como foi passar do Centro de Física Computacional, onde trabalhava no maior computador português e com as mais modernas tecnologias, para uma biblioteca quinhentista?R- O novo e o velho não são incompatíveis. Aliás, as novas tecnologias estão a melhorar as bibliotecas. Tornando-as digitais, abre-as ao mundo, torna-as universalmente acessíveis. Esse tem sido o meu trabalho aqui: casar o novo com o velho. O novo aliás ajuda a preservar o velho: uma vez digitalizados, os documentos escusam de ser tão manipulados. Aqui na Universidade de Coimbra estamos a desenvolver o projecto de uma biblioteca digital e temos já cerca de cinco mil livros e documentos antigos nesse formato. Queremos que a universidade seja uma antena para o mundo.P- Este futuro dos livros e das bibliotecas numa plataforma digital pode levar a que as bibliotecas passem a ser uma espécie de museu, com o acesso aos seus conteúdos a ser feito de forma virtual?R- Esse movimento é imparável, os livros tendem a estar todos online, acessíveis por computador, por telemóvel, etc. A nossa biblioteca, por exemplo, fez um acordo com o Google, que põe os livros que aqui editámos à disposição de todos. Isso é bom, facilita a vida aos leitores. Mas questão que põe é muito interessante: será que as bibliotecas se vão transformar em museus? Bom, a palavra museu tem aqui uma carga pejorativa que não devia ter. Questiona-se também a continuidade do livro como objecto físico...P- Exacto.R- O objecto livro parece-me insubstituível. De facto, na biblioteca de Alexandria não havia livros, havia rolos. A Hipátia guardava rolos, mas a certa altura apareceram livros. Este formato tem séculos de provas dadas, é como a roda, ainda não se inventou nada melhor para a substituir. Estou convencido de que os livros são eternos, assim como as bibliotecas. Não sei muito sobre o futuro, mas sei que as bibliotecas vão lá estar. A Biblioteca Joanina, que tem quase 300 anos, possui uma inscrição latina sobre a porta que diz: “Esta é a coroa que orna a testa da cidade”. Vai continuar a ornar.P- Considera-se um guardião de livros?R- Sim, faço as vezes de Hipátia, apesar de ela ser bem mais bonita. Há um relógio de luxo cuja publicidade é qualquer coisa como «nunca é verdadeiramente nosso», no sentido em que o possuímos apenas durante o tempo para o transmitir às próximas gerações. Com os livros antigos acontece a mesma coisa. O meu papel aqui é insignificante à escala do tempo, mas acrescenta algo à minha biografia. Quando me perguntarem o que fiz pela minha cidade, pelo meu país, pela minha civilização, poderei dizer: «guardei livros, se os têm é porque os guardei». O amor aos livros é para mim um leitmotiv. Vivo bem rodeado por eles. Devo ter caído num caldeirão de livros quando era pequenino... John Ruskin, autor inglês do século XIX, dizia que quando queremos falar com alguém poderoso, esbarramos sempre com as maiores dificuldades, temos de esperar e por vezes fazemo-lo em vão. No entanto, os livros, escritos pelos maiores autores, pessoas mais importantes do que reis, estão nas bibliotecas, à nossa espera e é imediato sermos recebidos.P- Voltando à ciência, de onde na verdade nunca saímos, foi divertido escrever a Física Divertida e a Nova Física Divertida?R- Sim. A Física trata do conhecimento do Universo e conhecer é divertido. O que fiz foi, mostrar, contando histórias, como chegámos ao conhecimento do mundo físico. No liceu, tive uma certa reacção à ciência pelo facto de ela me aparecer já feita, pronta a servir, era só comer. Mas depois, através de leituras que fiz, descobri, com prazer, que a ciência era feita por homens e mulheres que tinham histórias, que eram filhos de alguém e tinham eles próprios filhos, e só não viam telenovelas porque na altura não existiam.P- Está a querer dizer que os cientistas são pessoas normais?R- [Ri] Só são extraordinárias no facto de acharem divertido saber mais. O prazer de saber foi a molas que me empurrou para a ciência. O que é isso do átomo, o que há no coração das coisas? E o que é o Universo, como foi o início, como será no fim? São perguntas que toda a gente pode fazer e às quais alguns procuram as respostas. É isso que fazem os cientistas, sendo sua obrigação transmitir as respostas A ciência consiste em acrescentar alguma coisa àquilo que já se sabe. Newton disse, numa imagem muito bonita, que se conseguiu ver mais longe foi porque estava aos ombros de gigantes. Ou seja, sabemos hoje mais porque alguém antes de nós o soube e no-lo transmitiu. Essa grande aventura do conhecimento continua. E quem não se interessa por ela estão a perder uma importante parte da experiência que é estar no mundo.P- Aquela ideia de que os cientistas estão sempre à procura do erro para o corrigir é interessante. É isso que define um cientista?R- Sim, de certo modo. Não há muitas profissões em que uma pessoa ande à procura dos erros, seus ou de outros. Reconhecer que errou e emendar o erro é uma das marcas muito profundas da ciência. O pensamento crítico é inerente à ciência. Um cientista que comete um erro grave e não o reconhece deixa de ser cientista. Não há outra profissão em que o indivíduo que deliberadamente engane seja tão penalizado. Dizem-me por vezes e eu gosto de ouvir: «estás sempre a emendar, vê-se mesmo que és cientista». É sinal que tenho emenda...P- Em ciência, o crivo do certo e do errado é muito apertado?R- Alguém disse que é preciso ter a cabeça suficientemente aberta para entrarem coisas novas, mas não tão aberta que caiam os miolos. Há coisas que a dada altura parece absurdo deixar entrar, mas que os génios da Física deixaram entrar e hoje são ideias estabelecidas. O caso de Einstein, por exemplo: dizer que a matéria e a energia estão relacionadas, ou que o espaço e o tempo estão ligados entre si pode parecer absurdo, mas é verdade, tanto quanto sabemos. Já passaram mais de cem anos, e o que Einstein disse não foi desmentido por esse verdadeiro crivo que é a realidade. A Natureza é que diz o que está certo e o que está errado.P- Em ciência, a verdade é sempre temporária?R- Sim e não há mal nenhum nisso. A verdade descobre-se por aproximações sucessivas. Mas pode ser perigoso afirmar isso assim sem mais porque há coisas que não serão modificadas. Por exemplo, quando lhe digo que o seu corpo é feito de células ou que vivemos num planeta que é a terceira pedra do sistema solar, pode estar certa de que nenhum cientista demonstrará o contrário.P- Quem são os seus heróis?R- Einstein com certeza: é alguém que conseguiu chegar à realidade só com o pensamento, uma coisa mesmo espantosa. Como é que pôde imaginar o vasto mundo dentro do cérebro? Em actos que bem se podem dizer heróicos, concebeu modelos da realidade que a experiência veio confirmar. Entre nós, Rómulo de Carvalho foi alguém que me influenciou muito pelas leituras que fiz em jovem. Era o autor de livros – Ciência para Gente Nova – através dos quais percebíamos que a ciência era para nós. Escrevia de uma maneira tão clara que percebíamos tudo. Além disso, era polifacetado. Foi professor, historiador da ciência e da cultura, divulgador científico e poeta. Penso que tudo o que pudermos fazer em sua memória é pouco. Uma das coisas que fiz aqui em Coimbra foi o Centro de Ciência Viva Rómulo de Carvalho, um lugar moderno onde apetece estar para ler livros de ciência. Há livros de divulgação científica dele e de outros autores, livros para jovens e também para crianças. Sim, temos livros infantis de ciência na universidade, porque é de pequenino que se torce o destino.
March 15 2010, 4:48am | Comments »
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ÚLTIMO PLANO INCLINADO
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Já está disponível o vídeo do último programa "Plano Inclinado" da SIC Notícias no qual participei.
March 10 2010, 11:16am | Comments »
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A EDUCAÇÃO NO PLANO INCLINADO
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Hoje, pelas 22 horas, na SIC Notícias, o programa "Plano Inclinado", moderado por Mário Crespo, aborda questões da educação, incluindo os casos de "bullying" em escolas portuguesas.
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March 6 2010, 5:19am | Comments »
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Roboparty: uma festa da Robótica
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Realizou-se em Guimarães, na Universidade do Minho, mais uma edição do Roboparty. A edição deste ano teve a participação de 440 alunos, ficando mais do dobro em lista de espera por falta de espaço no evento para acomodar tanta gente.A alma deste evento é o Fernando Ribeiro, docente da Universidade do Minho e especialista em robótica móvel. Pensou este evento tendo por imagem as lanparties muito populares no público jovem. As características do Roboparty são estas.Vejam vídeos desta grande festa da robótica nacional neste linkFotos dos vários dias do festival aqui.Parabéns Fernando Ribeiro por mais este grande evento.You're the man...:-)
March 3 2010, 3:28am | Comments »
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Apoios do ensino especial
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Com a devida vénia, reproduzimos um texto da autoria de João Lopes, professor da Universidade do Minho, enviado ao jornal Público, a propósito de editorial recentemente publicado sobre os Apoios do Ensino Especial.Não pretendendo discutir a questão do ensino especial propriamente dito, parece-me importante questionarmo-nos sobre a razão pela qual se procura sistematicamente e com tanto afinco incluir a hiperactividade e a dislexia na educação especial? E porquê misturar isso com o slogan da escola inclusiva?A resposta mais óbvia é que se insiste, contra toda e qualquer evidência empírica disponível, em favorecer uma perspectiva médica do ensino/aprendizagem, em particular no que diz respeito aos problemas de aprendizagem da leitura e escrita (não vou ocupar-me aqui da hiperactividade, embora aconselhe as pessoas a, antes de se pronunciarem peremptoriamente sobre este assunto, consultarem a literatura especializada, portuguesa e estrangeira).Por outro lado, seria interessante que alguém explicasse que tipo de apoio tinham os alunos com problemas da leitura (os erradamente chamados disléxicos) antes da alteração legislativa referida na notícia. A sugestão de que o apoio existia e foi retirado, é simplesmente falsa. De forma organizada (organizacional) esse apoio não existia, não existe e muito provavelmente continuará a não existir. Ainda assim, neste momento, em muitas escolas, há uma maior preocupação de sinalização e de intervenção junto de alunos com dificuldades, felizmente sem ter que se esperar por diagnósticos de dislexias, nem por autorizações de Direcções de Educação. E muito menos – felizmente – sem ter que se esperar por um ensino especial que vem tarde e a más horas e cuja utilidade é desconhecida (seria interessante que fossem fornecidos dados sobre os brilhantes resultados que o ensino especial obteve nos anos em que “havia apoio”).Por ora e para não ocupar demasiado espaço, pretendo apenas demonstrar que os modelos médicos aplicados às questões de aprendizagem constituem, eles sim, uma verdadeira patologia social, incapaz de ajudar os alunos quando eles precisam. A medicina nada tem a dizer sobre este assunto, tornando-se simplesmente inaceitável que haja tanta gente a tentar patrocinar má ciência e caricatos modelos em que causas, características e intervenção nunca casam e nunca casarão. A este propósito, cinco pontos têm que ser devidamente realçados:(a) não existe qualquer evidência de afecção cerebral (brain injury) em alunos com problemas de aprendizagem;(b) os modelos explicativos da denominada dislexia não representam mais do que uma hiper-generalização a partir de sujeitos atípicos e adultos;(c) a neuropsicologia (área da medicina que com maior persistência invade este território) tende a considerar como clinicamente significativos (de dislexia) sinais ou sintomas que têm uma taxa de incidência tão elevada, que virtualmente todos os sujeitos apresentam pelo menos um ou dois desses sintomas;(d) a perspectiva neuropsicológica da dislexia e das dificuldades de aprendizagem é caracterizada por um elevado nível de inferência que se auto-dispensa de demonstrar a sua validade;(e) não se conhece qualquer sugestão inerentemente neuropsicológica que apresente eficácia igual ou superior às já há muito tempo conhecidas estratégias eficazes de instrução (com filiação na educação e não na medicina, evidentemente).Por tudo isto e ainda por razões que por falta de espaço não se desenvolvem aqui, as abordagens neuropsicológicas aos problemas de aprendizagem, de entre as quais a “dislexia” constitui porventura a mais representativa categoria, são irrelevantes para uma classificação eficaz, imateriais para uma intervenção eficaz, fornecem uma ideia errada sobre condições do cérebro para as quais não existe evidência sólida, e são potencialmente prejudicais, porque sugerem erradamente que processos ou estruturas físicas disfuncionais são a causa dos problemas de aprendizagem.O arrastamento da questão da leitura para a genética e para a neurologia, tem-na desviado do seu campo óbvio e do único que plausivelmente a ela pode conduzir: o acto social do ensino-aprendizagem. E este desvio é tão acentuado e apriorístico que quando se postula que o mau ensino deve constituir factor de exclusão da dislexia, ninguém se dá ao trabalho de verificar se o sujeito foi bem ensinado. Parte-se simplesmente do princípio de que, se o sujeito esteve num grupo onde a maioria aprendeu a ler, é porque o ensino foi bom. E se o ensino foi bom, o aluno é que é mau (genética ou neurologicamente mau, bem entendido). Dir-se-ia que esta visão retrata um verdadeira fé em que o ensino grupal chega a todos da mesma maneira, desde que os sujeitos sejam minimamente inteligentes.A dislexia, enquanto categoria ou doença não existe, porque a leitura se distribui num contínuo, não existindo pontos de corte que separem grupos de leitores entre si. Isto é simplesmente um facto, que muita gente reconhece (muita outra nem disto se apercebe) mas que finge ignorar, insistindo na mirífica ideia de um grupo de pessoas que comete erros que ninguém mais comete e que, enquanto grupo, apresenta característica únicas e idênticas.Infelizmente, o que se vislumbra no estudo referido pelo Público, é um desejo de injectar mais professores no sistema de ensino. É um desejo legítimo, porque parte de organizações sindicais cuja obrigação é defender os interesses dos seus associados. O Estado, porém, tendo em conta as melhores práticas nesta área, deve rejeitar liminarmente as perspectivas médicas que inspiram estudo e deve ainda afirmar com todas as letras que as dificuldades de aprendizagem constituem um problema do ensino regular e não do ensino especial (o mesmo se deve dizer, aliás, da hiperactividade).Termino lembrando que durante anos a fio houve muita gente no ensino especial que se empenhou em evidenciar que este não servia para nada e que tudo tinha que ser ensino regular (ou ensino inclusivo). Essas mesmas pessoas não se coíbem porém de clamar por ensino especial para disléxicos e hiperactivos, sem que consigam explicar onde está a patologia e qual o grau conhecido de eficácia do ensino especial na intervenção com estes sujeitos. No meio disto, continua-se a discutir os problemas dos professores, não dos alunos.João Lopes
March 2 2010, 7:12am | Comments »
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Que vida, que mundo?
http://terrear.blogspot.com/2010/02/que-vida-que-mundo.html
nos_enfants_nous_accuserontEnviado por beloutte. - Veja filmes em destaque e emissoras de televisão inteiras
February 25 2010, 7:06am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
As fracturas morais
http://dererummundi.blogspot.com/2010/02/as-fracturas-morais.html
Novo texto de João Boavida, antes saído no diário As Beiras.Há poucos dias ocorreu no Instituto de Educação da Universidade de Lisboa o XVIII Colóquio da AFIRSE (Associaction Francophone Internationale de la Recherche Scientifique en Education) cujo tema foi Deontologia, ética e valores na Educação – utopia e realidade. Talvez não haja hoje tema mais actual e mais pertinente, mas o subtítulo - utopia e realidade - dá que pensar. «Considerado por uns como um caminho de esperança fundamentada para um mundo melhor e mais equilibrado, embora considerado por outros como uma utopia inócua, o apelo ao reforço ou retorno à reflexão ética tem-se multiplicado em várias instâncias da vida social. Este apelo ganha particular pertinência perante a actual crise que assola o mundo em que a quebra de ética e de valores desempenha um papel considerável». Foi esta a ideia com que os organizadores apresentaram e justificaram o congresso. É uma ideia já corrente: A actual crise económica, que tantos dramas está a provocar em todo o Mundo, é o resultado da quebra de regras, da falta de prudência, da ganância sem limites, da total falta de consideração pelas necessidades e direitos dos outros, etc. Enfim, coisas que no ultra liberalismo económico nada contam, porque os mercados tudo mandam, apesar de, afinal, estarem a destruir-se a si próprios.Durante três dias, portugueses, franceses, brasileiros, espanhóis fizeram conferências, debateram em mesas redondas, discutiram em simpósios, num total de mais de duzentas comunicações. Tudo à volta dos valores no ensino, do básico ao superior, nas empresas, nos serviços, nas comunidades, segundo as mais variadas perspectivas e experiências, mas todos com a mesma preocupação e pressupondo a mesma ideia: sem moral nem bons costumes não é possível viver.Os que pensam, que tudo isto é conversa de moralistas (termo hoje pejorativo) de retrógrados (como se a fuga em frente fosse solução) ou de reaccionários (como se não fosse necessário, em certas situações, reagir, lutar contra) devem perceber que o mundo só funciona porque há regras e porque a maioria as vai cumprindo, e vai tendo noção do justo e do injusto, do correcto e do incorrecto, do bem e do mal.E os educadores ao debaterem e analisarem situações, casos, experiências, investigações, procuram contribuir para melhorar as coisas, aliviar o mundo dos negros presságios. Mais uma vez está na mão deles trabalharem para um mundo que vá melhorando. Se todos, aos mais diversos níveis em que se situassem, tivessem consciência da sua responsabilidade e bom senso suficiente para educar bem, a utopia tornar-se-ia realidade.Mas as coisas não são bem assim. E, portanto, é mais fácil aos gananciosos sem moral alcançar o poder e ter força, dando maus exemplos e deseducando, que aos justos e compreensivos mostrarem e imensa vantagem das suas acções.Uns impõem a si mesmo as regras da justiça, os outros não. Portugal é hoje um bom teatro desta eterna guerra do Mundo.
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February 23 2010, 6:44am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
o poder de organizar e de dirigir a escola
http://terrear.blogspot.com/2010/02/o-poder-de-organizar-e-de-dirigir.html
Quem tem o poder de organizar a escola? E de a dirigir? O debate a que Philippe Perrenoud nos convida no capítulo quarto (pp. 105-136) remete para a questão inicial sobre o "poder organizador" das escolas que, em muitos países, pertence a colectividades ou a associações diversas. Mas aborda igualmente o debate sobre a autonomia e a gestão das escolas. Em Portugal, todos conhecemos as "resistências" para pôr em prática propostas que, no plano formal, têm suscitado importantes consensos. Uma das dificuldades principais tem sido a incapacidade de transformar a "máquina" do Ministério da Educação, confiando-lhe essencialmente missões de acompanhamento (o que implicaria mais investigação) e de regulação (o que implicaria mais avaliação). Nada será feito se não confiarmos no julgamento dos pais para escolherem a melhor educação para os seus filhos, na capacidade das comunidades locais para organizarem a escola e na competência dos professores para assumirem as suas responsabilidades como "profissionais autónomos".António NóvoaPrefácio a Perrenoud (2003). Aprender a Negociar a Mudança em Educação. Porto:ASA
February 20 2010, 12:20pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Educação no Regime Democrático
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Informação recebida pelo Rerum Natura.O Fórum para a Liberdade de Educação associa-se às comemorações do centenário da República com o Ciclo de Encontros: 100 Anos de República e o Futuro da Educação.No próximo dia 24 de Fevereiro às 9h30, na Fundação Calouste Gulbenkian, realiza-se o segundo intitulado A Educação no Regime Democrático - Direito à educação ou Estado Educador? Três convidados - Jorge Miranda e Viriato Soromenho Marques, da Univeridade de Lisboa, e Mário Pinto da Universidade Católica Portuguesa - analisarão a organização constitucional e jurídica do nosso sistema de ensino, bem como o papel reservado ao Estado, aos pais e às comunidades na educação. Em que medida está, nessa organização, respeitada a prioridade dos pais na livre escolha da escola dos filhos?A entrada é livre, mas agradece-se confirmação até dia 23 de Fevereiro, através do endereço infor@fle.pt.
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February 14 2010, 11:49am | Comments »

