Tive oportunidade de arguir uma dissertação de Mestrado de Filomena Ramos que versa sobre a recente introdução dos cursos profissionais nas escolas secundárias. A investigação incide sobre duas escolas secundárias e sobre duas escolas profissionais, foi realizado junto de alunos e professores, em entrevistas semiestruturadas, no ano lectivo 2007/08, e foi defendida no ISPA – Instituto Superior de Psicologia Aplicada.Deixo aqui, pela sua actualidade, algumas conclusões e reflexões deste trabalho, que são apenas da minha responsabilidade. A comparação dos resultados das entrevistas entre escolas secundárias e profissionais fornece dados muito interessantes.Verifica-se haver uma maior motivação de alunos e professores nas escolas profissionais. Quanto aos alunos, a razão da sua frequência deste tipo de ensino encontra-se fragilmente suportada em projectos vocacionais e resulta mais, nas escolas secundárias, de trajectos escolares prévios e precocemente orientados para vias alternativas de formação, rotuladas como vias para os “meninos do insucesso”.Sobre a criação dos cursos profissionais nas ES verifica-se, em concreto:– a existência de várias dificuldades na implementação destes cursos (pedagógicas, de equipamentos, de formação dos docentes, de ligação ao meio socioeconómico, de saída para o mercado de trabalho…);– que os cursos profissionais (CP) tendem a destinar-se prioritariamente aos “alunos do insucesso”, em boa medida como continuidade dos cursos CEF;– que não houve preparação prévia (ou um processo experimental e incremental), no que respeita sobretudo aos docentes e às escolas como organizações nunca vocacionadas para este tipo de ensino;– que os CP contribuem hoje para reduzir o abandono escolar, estancar os jovens nas escolas, mas não estão a reduzir o insucesso, o que remete para questões de fundo não resolvidos, relativas ao acompanhamento escolar dos percursos de cada aluno e de todos os alunos;– que os serviços de Psicologia e Orientação intervêm muito nas escolas em causa, mas a sua acção é criticada e pouco eficaz;– que a criação dos CP nas ES veio resolver um problema de progressiva falta de alunos e de excesso de professores, o que agrada a várias partes, mais do que corresponder a uma decisão interiorizada pelas escolas secundárias.Como notas finais para discussão no espaço público, deixo também três notas:a) Corre-se um grande risco de perda das virtualidades históricas do ensino profissional, ao transpô-lo para as escolas secundárias sem o devido cuidado, sem a criação de condições “culturais” e por ruptura, imposta pela administração (na maioria dos casos). O risco é de perda de identidade do ensino profissional, identidade essa que se forjou ao longo de 21 anos, com sucesso;b) O mercado de trabalho pode vir a criar uma forte clivagem entre os diplomados pelas EP e pelas ES, desvalorizando o “valor facial”dos diplomados por estas, o que pode vir a agravar a procura e aumentar ainda mais o insucesso. Nesse caso, será que a solução criar CP nas escolas secundárias é uma boa solução educativa na sua escola?c) Se não se redefinir uma rede concelhia e interconcelhia que evite canibalismos na rede (entre escolas profissionais, escolas secundárias, centros de formação profissional, etc.), as escolas profissionais (porque privadas e responsabilizadas por “roubarem” os alunos às ES) serão conduzidas ao seu progressivo encerramento. A autora afirma:” considerando esta nova conjuntura, afigura-se-nos que a sobrevivência das escolas profissionais pode estar em perigo. Torna-se, por isso, imperioso que o Estado defina sem ambiguidades qual o papel que lhes reserva”. Eu acrescentaria, o Estado e todos nós.Joaquim Azevedo, Fevereiro 2010
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Ensino Profissional nas escolas secundárias
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February 6 2010, 10:17am | Comments »
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Parar com a cegueira, destruir a lógica da soma negativa
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Texto de Joaquim Azevedo:Estive em Trancoso, na sexta-feira passada, para celebrar com a comunidade escolar da Escola Profissional de Trancoso os vinte anos da celebração e homologação do contrato-programa que criou esta escola, justamente no dia 13 de Novembro de 1989. Foi um momento particularmente agradável, em que recordamos boas memórias e o muito trabalho realizado em conjunto, entre muitos e bons parceiros locais e os serviços do Ministério da Educação. Esta escola nasceu inflamada pelo entusiasmo de promover o bem comum na comunidade local, pela mão de quatro instituições locais, talvez as mais activas há vinte anos, cresceu contra o vento (que ali sopra muito forte e desabrigado), hoje tem mais de trezentos alunos e um bonito edifício, que dorme junto à velha muralha, num colorido de tijolo que namora o escuro granito que o tempo docemente endureceu.Mas tinha de aparecer o momento da quebra do entusiasmo, como que uma fatalidade que surge sempre que se celebra um avanço social neste país. Percebi, pelo que disseram os responsáveis da Escola, nas suas intervenções públicas e privadas, que esta Escola acolhe jovens de vários concelhos da Guarda e ainda outros de Concelhos de Viseu e de Bragança. E que a Escola corre o risco de perder a sua procura e definhar, pois está a ser remetida para o modelo de uma escola meramente concelhia, em termos de raio da sua acção, ao mesmo tempo que se estão a abrir agora cursos profissionais em escolas secundárias, em concelhos limítrofes, em áreas idênticas e em escolas estas que muito poucas condições reúnem para criar esta oferta. Importa parar para pensar. Disse para comigo: isto não pode(ria) ser verdade! O Ministério da Educação tutela os dois tipos de escolas e ordena o que é entendido como sendo as “duas redes” de cursos de nível secundário. Os serviços regionais do ME conhecem melhor que os centrais aquilo que estão a fazer e as consequências daquilo que estão a fazer. Não tem havido encontros inter-concelhios, a rede de nível secundário não é pensada em conjunto, articuladamente, explorando complementaridades, na procura de boas taxas de procura e de mais sucesso escolar. Até quando se persiste neste erro? Não há “duas redes”, há o mesmo ME e a mesma rede de “serviço público de educação”, neste caso de ensino de nível secundário. A principal pergunta que deve presidir a todo o planeamento da rede escolar de nível secundário será sempre: que condições temos de criar, em qualquer local do país, o Estado, o sector solidário e as instituições privadas, para acolher todos os jovens que terminam o ensino básico, proporcionando-lhes percursos que os possam conduzir a uma formação de qualidade e a um bom clima de realização pessoal e elevados níveis de desempenho escolar? A resposta não pode ser esta: primeiro, nem sequer dialogar nem provocar o diálogo entre os principais actores locais (o sistema ditatorial deixou marcas muito profundas na actuação da administração pública!); segundo, sobrepor ofertas, retirando o “tapete” a escolas (sejam estatais ou privadas ou do terceiro sector) que construíram os seus percursos com imensas dificuldades, criaram o seu corpo docente, construíram instalações, apetrecharam-se com equipamentos e edificaram sólidas relações com as comunidades locais (o desrespeito é confrangedor, a resignação dos actores locais também, o medo das represálias da administração ainda mais o é!); terceiro, não aproveitar todas as riquezas existentes para andar para diante e criar ainda melhores possibilidades de desenvolver respostas educativas para todos os jovens, entre os 16 e os 18 anos (agora incluídos também na dita “escolaridade obrigatória”). Somos um país rico, que esbanja recursos de um modo que arrepia, e de tal modo o faz que caminha, ano após ano, para uma pobreza crescente que vai oprimir o quotidiano das próximas gerações. Não posso calar o que vejo e pressinto e que tanto compromete o presente e o futuro do nosso país. E não colhem argumentos como o de que as escolas secundárias também têm direito (e até têm o dever, digo eu) de oferecer cursos profissionais (e até outras ofertas mais flexíveis, quando quiserem mesmo criar oportunidades educativas de qualidade para todos os jovens). Todas as instituições que podem contribuir para que estas oportunidades educativas sejam criadas para todos os jovens portugueses, sem qualqur excepção, devem ser chamadas a intervir no “serviço público de educação”, através de processos participados, do envolvimento social e do debate no espaço público. Sejam elas privadas, estatais ou do terceiro sector. Mais, melhor será que o sejam, na sua mais variada expressão social e organizacional, pois é em grande parte da capacidade de juntar estes sectores da sociedade portuguesa que as respostas podem vir, de facto, a melhorar de qualidade. Como também não colhe o argumento de que é a DRE ou é o ME que “obrigam” a fazer assim. Muitas vezes este argumento funciona como uma boa desculpa! Mas, se for esse o caso, temos de desobedecer, com inteligência e elegância, com participação e reconhecimento, no espaço público e não em negociatas e trocas de favores e influências, com propostas construtivas, com responsabilidade social, com maioridade cívica, com muito empenho e sentido de convocação e com a união dos esforços de todos os interessados. Por favor, não destruam a pouca e tão ténue riqueza que já existe no país, em todos os sectores. Aproveitem tudo e somem as partes. Juntos podemos fazer muito mais do que de costas voltadas ou a caminhar em paralelo. O resultado será sempre maior do que a soma das partes envolvidas. Quem tem responsabilidades de regulação que as assuma, aos diversos níveis, que participe e convoque à participação, que apresente soluções e não apenas problemas, que congregue e estimule, pois precisamos de muito mais actos democráticos para sobrevivermos como democracia. Temos de resistir e combater estas loucuras que crescem diante dos nossos olhos. Amanhã será sempre tarde. Joaquim Azevedo15 de Novembro de 2009
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November 16 2009, 2:52am | Comments »
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Vagas do Ensino Profissional
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Todos deveriam saber que não é a Oferta de Vagas no ensino profissional que determina a procura social. Passar de 90 000 vagas para 125 000 pode não significar coisa alguma. Apenas enviesamento de ver. Já aqui explicamos o que faz activar esta procura. O Governo bem pode decretar o aumento da oferta e a valorização escolar. De pouco adiantará se não se activarem os dispositivos de valorização familiar, social e profissional.
July 15 2009, 5:09pm | Comments »
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Do Inesperado num Curso Profissional
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São várias as razões e os sentimentos (quase secretos) que me fazem destacar este artigo publicado no último Número do Correio da Educação. Aqui.
May 20 2009, 3:15pm | Comments »
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Ver para além dos números
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Oferta passou de dez para 60,3 por cento em quatro anosEnsino profissional está a ser usado para “mascarar insucesso”, denuncia Fenprof A explosão da oferta de cursos profissionais no ensino secundário público serve, sobretudo, para “mascarar o insucesso e o abandono escolar”, denunciou ontem, em conferência de imprensa, Anabela Sotaia, da Federação nacional de Professores, que chamou a tenção não só para a dimensão deste “boom”, como para o “reduzido tempo” em que foi concretizado: a oferta, nas escolas públicas, “passou de 10 para 60,3 por cento” em apenas quatro anos.Fonte: PúblicoFace à notícia 3 notas: a) convirá não mistificar e enviesar os números. Este aumento astronómico faz-se à custa da extinção administrativa dos Cursos Tecnológicos. Conviria ser transparente e prezar a verdade.b) dizer que serve para "mascarar o insucesso e o abandono escolar" é uma muito grave afirmação, obviamente redutora e impossível de provar.c) mas mesmo que o ensino profissional esteja a "servir" para "impedir" o abandono e "produzir" um certo sucesso, a ética educativa obrigar-me-ia a analisar os factores de exclusão do ensino liceal e a não compactuar com o fatalismo do insucesso e do abandono. A luta "política" não deveria servir para usar os alunos como "carne para canhão".
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March 25 2009, 5:35am | Comments »
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Reforma da educação profissional e crise das identidades pedagógicas e institucionais
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Tendo como base pesquisa sobre o processo de elaboração dos projetos pedagógicos em três instituições de educação profissional e suas decorrências para a reconstrução das identidades pedagógicas e institucionais em um contexto de transição nas políticas curriculares implementadas no anos 1990 no Brasil, o artigo analisa macrorrelações a partir de microrrelações: as falas dos representantes das equipes pedagógicas, dos professores e gestores das instituições estudadas. Em que pesem os esforços isolados de docentes e professores, falta clareza ao papel das referidas instituições, reguladas por mecanismos de avaliação das competências formadas, por redefinição de procedimentos administrativos e financeiros, bem como pela ampliação de encargos e responsabilidades que, ao fim e ao cabo, direcionam para um modelo que atende aos imperativos do mercado e, com isso, formulam exogenamente as identidades pedagógicas e institucionais.ENSINO PROFISSIONAL - EDUCAÇÃO - REFORMA DO ENSINO - IDENTIDADEFonte
February 5 2009, 4:06pm | Comments »
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GETAP e ANESPO
http://terrear.blogspot.com/2009/01/getap-e-anespo.html
No âmbito do Seminário Nacional sobre 20 Anos de Ensino Profissional, a ANESPO - Associação Nacional das Escolas Profissionais - decidiu homegenear as pessoas que em 1988 começaram a construir o GETAP - Gabinete de Educação Tecnológica, Artística e Profissional e que foi responsável pela coordenação e execução dos programas e projectos de revitalização da educação teconológica,
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January 24 2009, 10:59am | Comments »
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Do Ensino Profissional
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Enquanto não volto ao tema, um registo da intervenção de MLR, hoje, no Porto: Ensino profissional essencial para escolaridade obrigatória de 12 anos Durante o seminário "Analisar o Passado e Olhar o Futuro - 20 anos de Ensino Profissional", a ministra destacou que a generalização do ensino profissional e o alargamento da sua oferta permitiu hoje a existência de 90 mil alunos a frequentar esta
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January 23 2009, 4:50pm | Comments »
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Adiamento
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Forçado a estar hoje e amanhã em Lisboa, não pude acompanhar presencialmente o segundo dia so seminário sobre o ensino profissional. A este tema voltarei no fim de semana. Para registar alguns aspectos que me parecem essenciais.
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January 23 2009, 3:42pm | Comments »
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20 Anos de Ensino (Tecnológico e) Profissional
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Começa amanhã, na UCP-Porto, o Seminário Nacional de balanço e perspectiva sobre o Ensino Profissional hoje generalizado às escolas secundárias.
Quase 500 participantes, mais de 40 autores, dezenas de comunicações, 10 posters, mais de uma centena de alunos em actividades de apoio ao evento são as evidências de uma grande iniciativa que marca o início de 2009 e que esgotou completamente a
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January 21 2009, 3:26pm | Comments »
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