A jornalista Bárbara Wong perguntou a Ana Maria Bettencourt o seguinte: “Os professores queixam-se por acumular muitas competências como ser psicólogo, assistente social, terapeuta...”. A actual presidente do Conselho Nacional da Educação respondeu: “Mas, os professores têm que ser um bocadinho disso tudo. Há três componentes na missão do professor. Uma é mudar o paradigma do trabalho dentro da sala de aula: mais trabalho e mais acompanhamento aos alunos. A segunda é que o professor tem que ter função de tutoria, de enquadramento e apoio ao aluno; ajudar um aluno com crise pessoal ou que não consegue aprender. A terceira componente é o trabalho em equipa.”Não, não "têm que ser um bocadinho disso tudo". Os professores não podem ser psicólogos, nem assistentes sociais, nem terapeutas… nem outra coisa qualquer. Os professores têm de ser professores.E nem sequer devem tentar ser outra coisa a ser não professores, pois, caso contrário, estarão a interferir ilegítima e ilegalmente na esfera de actuação profissional de outrem. Além disso, por certo, vão cometer erros, uma vez que, para desempenharem tarefas que não lhe competem, disporão apenas do amável bom-senso, que, em matéria de educação, vale muito pouco.Como está estabelecido, cada uma destas profissões requer formação específica e certificada, que, uma vez obtida, autoriza os profissionais a exercê-la, com exclusão de outrem.Os professores são formados para serem professores e é isso que, como sociedade, lhe temos de pedir e nada mais do que isso.E o que é que isso significa?Significa, antes de mais, ensinar conhecimentos (científicos, artísticos, literários, filosóficos, axiológicos…), com intenções cognitivas, relacionais, morais… muito precisas, e recorrendo a metodologias eficazes.Nessa função de ensinar, obviamente que têm de acompanhar e apoiar os alunos, mas esse acompanhamento, mesmo que tutorial, e mesmo que requerendo trabalho em equipa, é do foro pedagógico-didáctico e não de outro. Por exemplo, “ajudar um aluno com crise pessoal” será da competência do psicólogo, não da sua.Não tem o professor o dever de estar atento aos seus alunos? Sim, tem. Trata-se, aliás, de um especial dever de cuidado que, à semelhança de outros profissionais que lidam com pessoas, de forma alguma pode negligenciar. Mas esse dever circunscreve-se à identificação de sinais de risco e à colaboração com outros profissionais, quando tal se justificar, não é a essência da sua profissão.
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Os professores têm de ser professores
http://dererummundi.blogspot.com/2009/06/os-professores-tem-de-ser-professores.html
- Tags:
- Ensino
- professores
June 6 2009, 12:32pm | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
Combater a visão monista da inteligência
http://terrear.blogspot.com/2009/04/combater-visao-monista-da-inteligencia.html
O ensino deveria mobilizar todos os meios de combater a visão monista da "inteligência" que leva a hierarquizar as diferentes formas de realização das capacidades em relação a uma delas, devendo assim multiplicar as formas de excelência cultural socialmente reconhecidas. Pierre Bourdieu (1987) Propostas para o ensino do futuro. Cadernos de Ciências Sociais, 5: Julho de 1987Esta proposta (e outras...) tem mais de vinte anos. Mas contém uma grande actualidade (como as outras). Pena termos de estar sempre a reler e a redizer.
April 11 2009, 6:50am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Livros e ensino
http://dererummundi.blogspot.com/2009/04/livros-e-ensino.html
Eis a minha habitual crónica das terças-feiras do Público:Nas sociedades pré-literárias transmite-se oralmente tudo o que as novas gerações precisam de saber para enfrentar o seu meio social e natural, o que implica uma indistinção entre facto e fantasia, e o desprezo pela precisão e pelo rigor. Fala-se do que se ouviu falar, sem conhecimento das coisas, e despreza-se o trabalho intelectual cuidadoso porque se vê toda a comunicação sob o modelo da comunicação oral de historietas e balelas, que servem para passar o tempo. Talvez porque a sociedade portuguesa é parcialmente pré-literária — à parte o poemazinho fácil, o romance morno e em geral o que se pode escrever nos intervalos da novela — a importância dos livros de qualidade para o ensino de excelência tende a ser esquecida.O livro cuidadosamente escrito, rigorosamente revisto e corrigido por várias mãos e sob diversos aspectos, é a base de uma cultura sofisticada que produza filosofia ou ciências, história ou geografia, em vez de se limitar a importá-la do estrangeiro. Sem livros de qualidade para estudantes, toda a aprendizagem fica refém do imediatismo, da oralidade superficial e fantasiosa, da balela e do disse que disse. Surgem então livros que se limitam a reproduzir no papel a mesmíssima mentalidade da balda oral de contornos imprecisos; surgem autores, tradutores e editores que desconhecem o trabalho genuíno de escrever e publicar com tino, procurando fontes, testando métodos, mudando parágrafos, corrigindo erros, investigando os assuntos. Numa sociedade em que os materiais produzidos para o ensino são feitos à balda, copiados daqui e dali, sem rigor nem referências bibliográficas, sem preocupações de rigor científico nem de sensatez didáctica, o livro é visto como uma extensão da balda oral. Fazem-se afirmações sobre a lógica de Aristóteles ou a estética de Hegel só porque se ouviu dizer, não se distingue fontes primárias de fontes secundárias, nem fontes secundárias de qualidade de fontes secundárias feitas a martelo.Neste clima, é natural que não se tenha consciência da importância do livro de qualidade — nem dos seus custos. O mundo digital de hoje não ajuda, pois caracteriza-se precisamente pela balda editorial: o Projecto Gutenberg oferece livros de borla, mas não há qualquer garantia de que não faltem palavras, frases ou até parágrafos nas suas transcrições; a Wikipédia oferece o conhecimento universal de borla, mas cada qual escreve o que lhe apetecer sem qualquer vontade de rigor nem de investigação de fontes que dêem mais trabalho do que usar o Google. E o professor usa o que lhe aparece pela frente, com palmadinhas nas costas do Ministério da Educação, porque é moderno e usa as Novas Tecnologias (são assim tão novas?).Os bons livros são cruciais para a solidez de uma cultura, e sem eles não pode haver ensino de qualidade. O gosto pela precisão e pela qualidade editorial é simultaneamente causa e consequência de uma cultura que ultrapassou a fase da oralidade vaga e sem rumo. Um gosto que tarda a chegar entre nós.
- Tags:
- Ensino
April 7 2009, 7:10am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
PARÁBOLA DO PROFESSOR
http://terrear.blogspot.com/2009/03/parabola-do-professor.html
Já não é a primeira vez que recebo esta parábola (que agora expando um pouco na sua caricatura). Mas o tempo é de quaresma e a Páscoa está aí. Haverá por aí uma Passagem? Um sinal de redenção? Uma lucidez no olhar? Naquele tempo, Jesus subiu ao monte seguido pela multidão e, sentado sobre uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem.Depois, tomando a palavra, ensinou-os dizendo:Inicio de bloco de citaçãoEm verdade vos digo, bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serãosaciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles...Fim do bloco de citaçãoPedro interrompeu: Temos que aprender isso de cor?André disse: Temos que copiá-lo para o caderno?Tiago perguntou: Vamos ter teste sobre isso?Filipe lamentou-se: Não trouxe o papiro-diário.Bartolomeu quis saber: Temos de tirar apontamentos?João levantou a mão: - Posso ir à casa de banho?Judas exclamou: Para que é que serve isto tudo?Tomé inquietou-se: Há fórmulas, vamos resolver problemas?Tadeu reclamou: Mas porque é que não nos dás a sebenta e pronto!?Mateus queixou-se: eu não entendi nada, ninguém entendeu nada!Um dos fariseus presentes, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada, tomou a palavra e dirigiu-se a Ele, dizendo:Inicio de bloco de citaçãoOnde está a tua planificação?Qual é a nomenclatura do teu plano de aula nesta intervenção didáctica mediatizada?E a avaliação diagnóstica? E a avaliação prognóstica? E a avaliação diferencial? E a avaliação sumativa?E a avaliação institucional?Quais são as tuas expectativas de sucesso? Quais as mais valias desta aula? Qual a previsão das aprendizagens de cada aluno?Tendes para a abordagem da área em forma globalizada, de modo a permitir o acesso à significação dos contextos, tendo em conta a bipolaridade da transmissão?Quais são as tuas estratégias conducentes à articulação e recuperação dos conhecimentos prévios?Respondem estes aos interesses e necessidades do grupo de modo a assegurar a significatividade do processo de ensino-aprendizagem?Incluíste actividades integradoras com fundamento epistemológico produtivo?E os espaços alternativos das problemáticas curriculares gerais?Propiciaste espaços de encontro para a coordenação de acções transversais e longitudinais que fomentem os vínculos operativos e cooperativos das áreas concomitantes?Quais são os conteúdos conceptuais, processuais e atitudinais que respondem aos fundamentos lógico, praxeológico e metodológico constituídos pelos núcleosgenerativos disciplinares, transdisciplinares, interdisciplinares e metadisciplinares? E quais os conteúdos declarativos que sustentam toda a progressão vertical? E a articulação com o projecto curricular de turma, projecto curricular de ano, projecto curricular de escola, projecto educativo de escola e agrupamento?Fim do bloco de citaçãoCaifás, o pior de todos, disse a Jesus:Quero ver os resultados finais de cada aluno do ano passado. Quero ver as avaliações do primeiro, segundo e terceiro períodos e reservo-me o direito de, no final, aumentar as notas dos teus discípulos, para que ao Rei não lhe falhem as previsões de um ensino de qualidade e não se lhe estraguem as estatísticas do sucesso. Serás notificado em devido tempo pela via mais adequada. E vê lá se reprovas alguém! Lembra-te que ainda não és titular e não há quadros de nomeação definitiva.... E Jesus pediu a reforma antecipada aos trinta e três anos...
March 20 2009, 4:52am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Praticando! Praticando! Praticando!
http://dererummundi.blogspot.com/2009/03/praticando-praticando-praticando.html
Reproduz-se, de seguida, um artigo de Nuno Crato, publicado no Semanário Expresso do passado dia 15 de Março, dada a pertinência do tema e a actualidade das referências bibliográficas."Há em Nova Iorque muitos locais famosos dedicados à música. Mas não há nenhum tão venerado e vetusto como Carnegie Hall. Construído em 1891, nele residiram algumas das companhias e orquestras mais famosas do mundo. Tocar nessa imponente sala de espectáculos é, ainda hoje, uma ambição de muitos grandes músicos.Conta-se que, um dia, quando Arthur Rubinstein se passeava pela Sétima Avenida, nas redondezas do teatro, foi abordado por um transeunte perdido, que lhe perguntou como se ia para Carnegie Hall. O grande pianista terá respondido Praticando! Praticando! Praticando!.O dito ficou famoso e tornou-se uma piada predilecta de alguns educadores norte-americanos. Apesar de desaconselhada por algumas correntes pedagógicas hoje antiquadas, que consideram a prática e a memorização como contraproducente, a importância da repetição organizada tem sido reforçada por muitos estudos modernos sobre o funcionamento da mente humana. Henry L. Roediger, um dos psicólogos norte-americanos que mais se têm dedicado à investigação do sucesso das práticas de estudo, esteve esta semana em Portugal e proferiu uma conferência sobre o tema na Universidade de Lisboa.Roediger reconhece a importância da prática de memorização repetida. Tem feito estudos experimentais sobre diferentes maneiras de memorizar o vocabulário de uma língua estrangeira e sobre temas de estudo mais complexos em sala de aula.Uma das conclusões mais interessantes dos seus estudos é que os conhecimentos ganham em ser recapitulados e reavivados, mesmo quando estão já memorizados ou assimilados. A ideia muito comum de que, uma vez estudados uns assuntos, o estudante deve progredir para outros, sem revisitar as matérias aprendidas, parece ser errónea.Alguns psicólogos, nomeadamente David Geary, que também esteve entre nós há algum tempo, corroboram esta ideia e falam em sobreaprender, dizendo que os estudantes não devem parar depois de terem assimilado o estritamente necessário de determinada matéria, mas devem prosseguir, estudando mais, de forma a reterem o máximo da própria matéria original.Outros psicólogos e estudiosos da cognição, como Nathaniel Lasry (Science 320, p. 1720), interpretam estes resultados no quadro das descobertas recentes sobre o carácter activo e adaptável (labile) da memória. Ao contrário do que por vezes se pensa, cada vez que um facto é relembrado, a memória transforma-se e reforça-se, recriando-se em novas versões.Mas a revelação mais interessante dos estudos apresentados por Roediger é o papel dos testes. Sendo importante que os estudantes sejam capazes de ter uma noção do seu estado de aprendizagem, parece que essa noção é geralmente limitada e dificilmente leva a que os estudantes reforcem o estudo no que mais necessitam.A avaliação organizada parece ser um factor determinante na consolidação dos conhecimentos. É importante que o estudante seja avaliado de forma repetida e espaçada. Ao testar os conhecimentos, procede-se a uma recuperação activa da memória, que reforça os conhecimentos. Como diz Roediger "o factor decisivo para a aprendizagem de longo prazo é a introdução de testes" (Science 319, p. 967, 2008). Estes trabalhos científicos fornecem novos argumentos aos modernos estudiosos de pedagogia. Reforçam o papel da instrução dirigida e põem em causa as velhas recomendações românticas de um estudo puramente autónomo, conduzido ao ritmo do aluno."
- Tags:
- Ensino
March 16 2009, 12:32pm | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Agendas, novelas romanceadas e o Magalhães
http://dererummundi.blogspot.com/2009/03/agendas-novelas-romanceadas-e-o.html
A mais recente polémica sobre os erros de português incluídos no computador Magalhães oculta dois aspectos interessantes. Em primeiro lugar, a discriminação que as pessoas tendem a fazer entre o mundo digital e o mundo indigital, e entre o mundo educativo e o mundo real. Em segundo lugar, um erro fundamental de compreensão do que é a qualidade.Os jornais, revistas e livros populares, assim como muitos artigos científicos, estão pejados de erros de português. Se no passado os portugueses copiavam os tiques da língua francesa, hoje copiam-nos da inglesa. Fala-se de agendas políticas, coisa que nenhuma pessoa que não domine o inglês compreende correctamente, pois quer pura e simplesmente dizer objectivos políticos, e não as agendas onde os políticos apontam os telefones das namoradas. Fala-se de novelas, mas em português chama-se romance ao que em inglês se chama novel e novela ao que em inglês se chama romance. Se vivemos rodeados de um mundo indigital linguisticamente absurdo, fruto do abandalhamento, não podemos exigir outros padrões no mundo digital.Mas o segundo aspecto é mais importante. As pessoas têm tendência para olhar para os erros como anormais, quando na verdade estatisticamente é a qualidade que o é. A precisão, o apuro, o brio profissional são itens raros. A maior parte da humanidade contenta-se com o mais ou menos, o tanto faz, e não revela qualquer sensibilidade pela precisão. E isto é tanto assim na escola como fora dela, no mundo digital como fora dele. Há alguma edição de Os Maias, de Eça de Queirós, que seja fidedigna? Isto é, que não tenha sido copiada à balda de outras edições anteriores, mas antes comparada cuidadosamente com as primeiras edições e com as anotações do autor, como se faz quando se edita com cuidado? E alguém se preocupa com tais pormenores, além de uns palermas como eu?A maior parte do que a maior parte das pessoas faz é à balda. Por isso, a balda, o erro e o desleixo não podem ser surpreendentes. O que é genuinamente surpreendente, e sempre bonito de se ver, é o cuidado, a precisão e o brio que algumas pessoas têm — sejam elas cozinheiros ou filósofos, poetas ou engenheiros informáticos. Há uma passagem de O Amor Nos Tempos de Cólera, na qual o Doutor Juvenal Urbino se recusa a comer uma refeição dizendo que foi cozinhada sem amor. Isto pode parecer conversa fiada, mas não é. Quando pego num livro, numa revista, num texto, vejo logo se foi feito com amor, ou se foi feito à balda. E infelizmente a maior parte das coisas são feitas à balda, com falta de amor pela precisão e pelo pormenor. Manuais escolares que citam textos à balda, sem referências bibliográficas adequadas, e que papagueiam mitos orais sem verificar fontes são infelizmente muito comuns. Quanto à baldice, não foi portanto o Magalhães que inovou.É uma tentação defender que num contexto educativo se deve precisamente cultivar a precisão e o cuidado, e se deve ensinar os alunos a prezar essas coisas. Mas quando se cultiva tais coisas apenas no ensino estamos apenas a contribuir para a mentira educativa, pois o aluno cedo descobre que afinal no resto do mundo, digital e indigital, reina a lei do vale tudo, do tanto faz e do desmazelo generalizado. Se queremos cultivar a precisão e o cuidado, o amor pelo que fazemos e o fazer bem, temos de o cultivar e defender em tudo e não apenas no contexto educativo. E se o fizéssemos, talvez mais professores defendessem esses valores, coisa que hoje não fazem.
- Tags:
- Ensino
March 9 2009, 6:19pm | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Os poucos erros detectáveis
http://dererummundi.blogspot.com/2009/03/os-poucos-erros-detectaveis.html
Soubemos, através do Semanário Expresso de hoje, que uma “aplicação” instalada no “Magalhães” está repleta de erros de Português a que se somam instruções absurdas. Vale a pena ver a sua sistematização aqui.O facto de se tratar duma “aplicação” para os primeiros anos de escolaridade, torna a circunstância especialmente gravosa, porquanto se sabe que as crianças não devem ser expostas a erros de ortografia e de gramática quando se iniciam na leitura e na escrita, dado que tais erros perturbam a aquisição e consolidação das regras que estão subjacentes a essas aprendizagens.Ouvido o secretário de Estado Jorge Pedreira a propósito do assunto, afirmou: “Uma coisa é certa: não é pelo facto de um programa de jogo didáctico ter erros, que isso diminui, em alguma coisa, a utilidade e a importância do projecto do computador Magalhães”.O senhor secretário de Estado está profundamente enganado: um equipamento e/ou suporte educativo (computador, manual, quadro preto, quadro interactivo…) não valem por si. A sua utilidade e importância advêm das aplicações, dos conteúdos que nele se incluírem, os quais devem ser intocáveis do ponto de vista científico e pedagógico-didáctico.A esta nota acrescento outra ainda mais preocupante: os erros anunciados pelo Expresso e de que toda a gente fala, apesar da sua seriedade, são, infelizmente, os poucos que poderemos detectar no “Magalhães”, pois em tudo o resto que ele contiver não conseguiremos perceber correcções ou incorrecções. E isto porque:1. Não há qualquer teoria de aprendizagem subjacente ao uso do computador. E, deveria haver.2. Em sequência, não foi delineado qualquer modelo e estratégia de ensino para orientação dos professores. E, devia ter sido.3. Assim sendo, os “conteúdos” já disponibilizados ou a disponibilizar decorrem do puro acaso. E, não deviam decorrer.
March 7 2009, 12:55pm | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Escola e exclusão social
http://dererummundi.blogspot.com/2009/03/escola-e-exclusao-social.html
Eis a minha habitual crónica das terças-feiras do Público:Uma notícia publicada no passado dia 5 de Janeiro de 2009 no site do Ministério da Educação revela em tom congratulatório o sucesso do ensino profissional público. Ao passo que em 2004 apenas 3 676 alunos estavam inscritos nos cursos profissionais, em 2008 esse número passou para 54 899. Isto parece um sucesso, mas não é.Não é um sucesso porque os actuais Cursos Profissionais promovem ainda mais evidentemente a exclusão social do que os seus silenciosamente abandonados antecessores, os Cursos Tecnológicos. Isto porque no segundo caso os alunos tinham ainda um percurso paralelo ao ensino corrente, o que lhes permitia prosseguir os estudos e entrar numa universidade, mas isso não acontece nos novos Cursos Profissionais. Dada a imensa diferença de nível de vida que existe entre quem tem e quem não tem um curso universitário, quantos mais alunos houver nos Cursos Profissionais mais cidadãos se virão privados do acesso à escola, tal como esta é tradicionalmente concebida pela esquerda: como, entre outras coisas, um instrumento de mobilidade social. Temos assim uma mentira política brilhante: mantêm-se os alunos na escola sem que na realidade estejam na escola.O governo toma este tipo de medidas por duas razões, igualmente inaceitáveis. Primeiro, porque quantos mais alunos culturalmente carenciados saírem do percurso escolar normal, menores serão os indícios de insucesso escolar; estes são os alunos que, por não virem ensinados de casa nem sensibilizados para o valor da escola, precisam que a escola faça esse trabalho — e a escola é incapaz de o fazer. Segundo, porque subsiste a crença falsa de que os alunos culturalmente carenciados são maus alunos por serem estúpidos, e não por provirem de meios culturalmente pobres. Se pensarmos que os maus resultados destes alunos não se devem a estupidez mas a carências culturais, vê-se imediatamente que um dos deveres centrais da escola é precisamente colmatar essas carências culturais, para pôr estes alunos tanto quanto possível ao nível dos outros.Os mais de cinquenta mil alunos dos Cursos Profissionais são outros tantos cidadãos a quem não se reconhece o direito ao ensino de qualidade, nem à mobilidade social. São crianças e jovens a quem o governo desistiu de cultivar, isolando-os cuidadosamente dos conhecimentos de história e química, artes e economia, filosofia e matemática. Conhecimentos que além do valor intrínseco que têm, têm ainda o valor económico de lhes dar estatisticamente uma vida melhor do que os seus pais tiveram. Não tive acesso a dados estatísticos sobre a proveniência económica e social destes mais de cinquenta mil alunos vítimas da mentira política, mas a minha previsão é que será reduzidíssimo o número dos que provêm de famílias cujos pais têm doutoramentos, por exemplo, ou rendimentos 200% acima da média.A escola tem de aprender a ensinar os jovens provenientes de famílias culturalmente carenciadas. Desistir de o fazer por ser difícil é uma perversidade inaceitável.
- Tags:
- Ensino
March 3 2009, 6:58am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
Ensinar ou o Ofício de Aprender
http://terrear.blogspot.com/2009/02/ensinar-ou-o-oficio-de-aprender.html
O início da crónica de hoje de Miguel Santos Guerra:A fuerza de insistir en la importancia de la calidad de la enseñanza, los profesores y profesoras corremos el riesgo de olvidar la necesidad que tenemos de aprender. Una línea divisoria parece separar la etapa de ser alumno y la de ser profesor. Durante la primera se aprende y durante la segunda se enseña. Lo que voy a plantear en este artículo es la necesidad que tenemos los profesores de franquear esa raya para convertirnos en aprendices crónicos, la absoluta conveniencia de estar abiertos al aprendizaje.Graciela Simari es una magnífica docente argentina. Me envía un relato muy significativo que ejemplifica muy bien lo que pretendo decir en estas líneas. Se trata de la experiencia de una maestra que acude por primera vez al trabajo. Como acaba de recibir su título de maestra piensa que ahora le toca enseñar. Ya se acabó para ella el período de aprendizaje. Pronto descubre que no es así. Que ella también puede aprender.Texto completo.
- Tags:
- Ensino
- aprendizagem
- professores
February 21 2009, 7:20am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
Mudar o ensino, mudar as práticas
http://terrear.blogspot.com/2009/02/mudar-o-ensino-mudar-as-praticas.html
Aqui.
- Tags:
- Ensino
- práticas
- aprendizagem
February 14 2009, 2:38am | Comments »

