Eis a minha habitual crónica das terças-feiras do Público:As políticas e atitudes dos actuais responsáveis do Ministério da Educação (ME) rebentaram com um singular argumento que há uns anos se ouvia nas escolas contra os exames nacionais: que os exames serviam para avaliar os professores. O argumento sugeria que os professores não deviam ser avaliados. As políticas do actual ME tornaram os professores milagrosamente favoráveis à sua avaliação — mas “não a esta”. Na verdade, só há boas razões para avaliar os professores caso se mostre que tal avaliação tem uma influência causal benéfica e razoavelmente directa na qualidade do ensino; caso contrário, é mais uma mentira política.A maneira mais simples e eficaz de avaliar os professores de um modo que tenha eficácia causal na qualidade do ensino é através de exames nacionais. Contudo, a prestação dos estudantes em exames nacionais depende de vários factores, alguns dos quais alheios aos professores. Por exemplo, se os exames não tiverem consequências sérias na carreira escolar do estudante, a sua prestação será pior porque não se prepara. Por outro lado, o ME sabe que se fizer exames rigorosos e com consequências sérias, aumentam os temidos índices de abandono e insucesso escolar. Este problema nunca pode ser adequadamente resolvido, mas pode-se ir na direcção correcta caso se permita que o aluno transite de ano independentemente das classificações nos exames, ao mesmo tempo que fica obrigado a aulas especiais de recuperação se tiver classificações inferiores ao desejável.Outro factor alheio aos professores é a origem do estudante. Os estudantes oriundos de famílias que prezam a escola têm prestações melhores do que os outros. Claro que o dever profissional do professor é encontrar estratégias que motivem os estudantes mais desmotivados e que os façam passar a valorizar a escola. Um professor que só sabe ensinar quem já vem motivado de casa para estudar é um mau profissional. Estatisticamente, contudo, os resultados dos exames nacionais permitem saber com razoável rigor se um professor é melhor ou pior, porque se pode cruzar dados. Assim, se um mesmo grupo de alunos tem boas classificações em exames nacionais de uma disciplina, mas más classificações nos exames de outra, algo poderá estar errado com os métodos desse professor; se além disso outros grupos análogos de estudantes da mesma escola ou de escolas vizinhas têm boas notas na disciplina desse professor, quase de certeza que esse professor está a trabalhar mal. Comparando os desvios estatísticos não é difícil ver se as classificações dos alunos, boas ou más, se devem ao trabalho do professor. E não seria difícil pôr os professores com bons desvios estatísticos a dar formação aos outros.Nem exames nem avaliação de professores podem garantir a qualidade do ensino. Esta depende da vontade genuína dos professores, sem a qual será sempre possível furar o sistema. Mas algumas medidas na direcção certa poderão ter impacto causal relevante na qualidade do ensino.
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Exames e avaliação
http://dererummundi.blogspot.com/2009/02/exames-e-avaliacao.html
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February 10 2009, 9:53am | Comments »
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Desenvolver Competências
http://terrear.blogspot.com/2009/02/desenvolver-competencias.html
Um Número Temático da Revista Profesorado sobreLAS REFORMAS EDUCATIVAS BASADAS EN EL ENFOQUE POR COMPETENCIAS: UNA VISIÓN COMPARADA. Vol 12, núm. 3. (Diciembre, 2008)Sobretudo para aqueles que falam sobre o que não sabem.
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February 1 2009, 10:57am | Comments »
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Melhorar o ensino
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Eis a minha habitual crónica das terças-feiras do Público:As sucessivas reformas educativas a que temos assistido desde 1974 mudaram muito o ensino. Mas o que precisávamos, então como hoje, era melhorá-lo. Infelizmente, as reformas mudam o ensino, mas não o melhoram. Quando se imagina como seria o ensino hoje se nenhuma reforma se tivesse feito — excepto a natural actualização dos conteúdos dos programas — não se vê o que estaria pior comparando com o que efectivamente temos.O ensino não se melhora com catadupas de legislação, reformas, novas regras, novas fantasias educativas. As políticas mediáticas de que os responsáveis educativos tanto gostam não têm geralmente qualquer impacto causal visível na qualidade do ensino. Infelizmente, são precisamente essas políticas que lhes dão currículo. Por outro lado, estes responsáveis são incapazes de escrever um artigo de vinte páginas sobre física ou história que ajude estudantes ou professores destas matérias a compreender melhor a física ou a história. Por isso, temos reformas que se sucedem, mas o trabalho de qualidade, quando é feito, passa ao lado dos responsáveis educativos, que até o vêem com maus olhos.Como se melhora então o ensino? Com dois tipos de coisas, e ambas são demasiado humildes e quotidianas para serem mediáticas e consequentemente são desinteressantes para os políticos. Em primeiro lugar, melhora-se o ensino escrevendo e traduzindo bons livros para estudantes e professores, com uma linguagem clara e directa, e que sejam cientificamente sólidos e didacticamente lúcidos. Estes materiais podem então ser usados para estudar, discutir em sala de aula, manusear. É um sinal da miséria a que chegámos que seja preciso recordar às pessoas que os livros de qualidade são a base do ensino de excelência.Em segundo lugar, estimulando uma mentalidade que permita a professores e estudantes melhorar o seu trabalho. Isto implica deixar de usar a escola e a cultura como instrumentos que servem para oprimir as pessoas que não sabem dizer “epistemologicamente” sem gaguejar; implica parar de encarar a história ou a física quântica como instrumentos de opressão social, como tem sido tradição entre as classes letradas portuguesas.Finalmente, é preciso abandonar o preconceito aristocrático segundo o qual os pobres são geneticamente idiotas e por isso só podem interessar-se por rap e jogos de computador, mas não por medicina ou astronomia. Os exames de fantasia e a eliminação das disciplinas e dos conteúdos vistos como “difíceis” resultam deste preconceito quase racista. Se abandonarmos este preconceito, fazemos então a pergunta educativa crucial: “Como mostrar aos estudantes culturalmente mais carenciados a importância de coisas de que eles infelizmente nunca ouviram falar em casa?” E uma parte da resposta leva-nos outra vez para a importância dos livros; livros de contornos bem definidos, com uma linguagem simples, acessíveis, mas cientificamente rigorosos e capazes de transmitir o gosto pelo estudo. É disso que precisamos no ensino, e não de mais reformas.Imagem: "Old Steps, High Tide", de BURИBLUE
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January 27 2009, 3:41am | Comments »
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O dever de formar com ou contra a sociedade?
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Sétima sessão do ciclo O dever de ensinar, no próximo dia 27 de Janeiro, pelas 18h15, na Livraria Minerva Coimbra.No presente, aceita-se como verdadeira a ideia de que a educação escolar deve seguir os desígnios da sociedade circundante, os seus anseios e necessidades e acompanhar a sua evolução. Desta maneira, alega-se, preparam-se-ão os mais jovens para essa mesma sociedade. Poderá ter esta ideia discussão?É convidado Carlos de Sousa Reis, professor do Instituto Politécnico da Guarda, investigador na área da filosofia da educação, que conhece como poucos os valores que norteiam (parte d)a nossa sociedade, uma vez que se tem dedicado à sua identificação e análise. De entre os trabalhos de referência que publicou sobre o assunto, fazemos referência ao seguinte: O Valor (Des)educativo da Publicidade.Local: Livraria Minerva (Rua de Macau, n.º 52 - Bairro Norton de Matos), em CoimbraPróxima sessão: 10 de Fevereiro.As sessões deste ciclo são quinzenais e estão abertas ao público.
January 26 2009, 12:38pm | Comments »
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"Magalhães" e o País
http://dererummundi.blogspot.com/2009/01/magalhes-e-o-pas.html
O Magalhães publicitado, elogiado, enaltecido, elevado a solução para a educação de um País, para a solução de um País... é aqui comentado como espelho desse País por Medina Carreia.
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January 18 2009, 12:39pm | Comments »
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O Início de debate antes de ser desfeito pela espuma dos dias
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A propósito do excelente texto de Rui Canário que aqui ontem evoquei, trago para a primeira página dois comentários:
O António disse: Excelente texto. Imprimi, li, sublinhei. Sofri. Mas destacaria a ideia de «construir uma escola onde se aprenda pelo trabalho...». Há não muito, num conselho de turma, um colega queixava-se e distribuía negativas. Do discurso do colega concluía-se que nada mudou
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January 18 2009, 5:35am | Comments »
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Tecnologia ou metodologia?
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Um conjunto de folhas brancas encadernadas ou um quadro preto sem nada escrito não se traduzem em recursos didácticos. O mesmo acontece com essa máquina extraordinária que é o computador comum.Para o serem, precisam de veicular conhecimentos, e de uma certa maneira. Há regras a seguir para se construirem os manuais, se usar o quadro, se produzir software para computador.Ainda assim, nenhum destes recursos dispensa o professor.Na verdade, o computador, tal como o manual ou quadro, pode ser um excelente recurso educativo, mas, para isso, é preciso ter ideias concretas acerca de como o programar e usar em função do que sabemos acerca de "como se aprende". É preciso também integrar conteúdos e recorrer a estratégias eficazes.O que não tem sentido é substituir os manuais e o quadro pelo computador, para ensinar as mesmas coisas da mesma maneira.O humor ajuda a perceber esta ideia: clique o leitor aqui
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January 17 2009, 9:41am | Comments »
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Errar é humano
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Um dos obstáculos à excelência do ensino e da investigação, que se reflecte na vida pública e económica do país, é uma atitude errada em relação ao... erro. O tipo de atitude de que vou falar está entranhada na cultura portuguesa e é uma das raízes mais profundas dos problemas estruturais que afectam o país em muitas áreas, impedindo o desenvolvimento. Essa atitude caracteriza-se por considerar todo o erro um escândalo, uma vergonha, uma nódoa indelével a ensombrar para toda a eternidade a alma de quem errou. Esta atitude cultural tem os efeitos perniciosos que passo a descrever. Em primeiro lugar, torna impossível a discussão crítica de ideias. Na cultura nacional, discordar de alguém é visto com maus olhos. Porquê? Porque se entende que se duas pessoas discordam, pelo menos uma delas tem de estar errada — o que é verdade. Mas como estar errado é um escândalo, a cultura portuguesa desliza logo para a pluralidade de «perspectivas», para o relativismo fácil em que tudo vale, para a riqueza de «problematizações opostas» — recursos desesperados para evitar que se pense o escandaloso: alguém de nós os dois está a fazer um erro qualquer.Esta atitude cultural implica imediatamente a troca de elogios mútuos sempre que duas pessoas que se prezam discordam, para garantir que não estamos afinal a dizer que pensamos que a outra está errada. O efeito disto é a paralisação da discussão racional de pontos de vista opostos. E o efeito disto é o empobrecimento cultural, pois é precisamente da discussão racional frontal, e sem tabus, de ideias opostas que nascem ideias melhores.Na vida académica e escolar, o efeito desta atitude cultural perante o erro é devastador. Se alguém escreve um artigo ou um livro, é escandaloso que possa ter erros. Como tal, os autores apressam-se a usar todos os recursos possíveis para disfarçar os erros: muitas notas com centenas de referências, muitas citações, uma redacção embrulhada e falsamente erudita para desencorajar o leitor a pensar por si, etc. O resultado é precisamente o almejado: em Portugal, não há discussão filosófica entre pares. As pessoas publicam livros e artigos em português, mas ninguém discorda das ideias desses artigos e livros, que em qualquer caso estão enterrados em centenas de páginas de meros relatórios bizantinos do que os outros dizem. E assim a cultura filosófica nacional é uma quimera.Em segundo lugar, esta cultura de intolerância ao erro tem um efeito paralisante. Se qualquer erro é um escândalo, tenho de garantir que o que escrevo não tem erros. Mas para garantir isso, tenho de levar anos a fazer o que poderia fazer em dois meses. Mas ao fim de anos a fazer a mesma coisa, uma pessoa aborrece-se. Por isso, mais vale nada fazer e ir ver futebol.Felizmente, há cada vez mais sinais de que esta cultura paralisante e retrógrada está prestes a ser substituída por uma cultura escolar e académica desempenada, frontal, que encara a discordância e a discussão de ideias opostas como natural. No site de apoio ao manual A Arte de Pensar, há uma secção que encoraja as pessoas a expor aos autores os erros que encontrarem no manual. As pessoas da velha cultura ficarão chocadas: «Mas então estes idiotas escrevem um manual e admitem que tem erros? Que escândalo!» Sim, os autores admitem que o que fazem tem erros porque não são deuses nem daqueles académicos falsamente eruditos que por terem medo da discussão crítica escondem o que pensam por detrás de uma barragem de citações, palavras caras e parágrafos bizantinos. Ora, o que é irónico é que a probabilidade de haver menos erros quando se tem esta atitude é... maior. Porque esta atitude não bloqueia a análise crítica, a discussão frontal. Porque esta atitude é incompatível com a ideia peregrina de que cada qual é perfeito e sabe tudo e não erra. Porque com esta atitude as pessoas aprendem, corrigem-se, levam a sério as críticas e as críticas são feitas com seriedade e não com um ar de escândalo e incredulidade, dando a entender que, porque se fez um erro, a pessoa não tem qualquer valor intelectual ou académico. Não há livros nem artigos sem erros. Platão errou, Aristóteles também, e Descartes, Santo Agostinho ou David Hume, Saul Kripke ou Donald Davidson e Quine. E Einstein, Fernando Pessoa e Mozart. Toda a gente comete erros. Tudo o que podemos fazer é ser tolerante mesmo para com os erros que consideramos muito graves, e esclarecer frontalmente por que razão pensamos que são erros, e como podemos corrigi-los. Claro que ao fazer isto podemos também estar a errar, e é assim que se gera o diálogo crítico racional: a outra pessoa pode dizer «Isto não é um erro, estás a ver isto mal porque te enganaste no seguinte...». E nada disto é escandaloso; pelo contrário, é encarado como a actividade principal e normal numa escola ou numa academia. É isto que, em grande parte, é uma escola ou academia, por oposição a uma confissão religiosa.Compare-se a cultura escolar que encara o erro como um escândalo com uma cultura escolar que encara o erro como parte integrante do processo de aprendizagem. Se um erro é um escândalo, então o estudante será descontado por qualquer erro que fez, ainda que tenha feito outras coisas de muito valor. E isto é castrador. Pois se o aluno está a escrever um ensaio e sabe que qualquer erro será descontado na sua cotação, tudo o que ele irá procurar é fazer um relatório anónimo, que copie tão fielmente quanto possível as coisas que estudou. Esta é uma cultura escolar do copianço sofisticado: uma tese de mestrado, um livro ou um ensaio é apenas uma forma sofisticada de copiar fielmente e anonimamente as ideias dos livros alheios. No máximo, serve unicamente para exibir, tantas vezes com ademanes pavoneantes, que se compreendeu o que se leu. O que é manifestamente pouco.Em contraste com esta cultura escolar, veja-se o que acontece aos meus estudantes. No meu departamento, os erros dos ensaios dos estudantes não contam. Só o que tem valor nos ensaios deles conta; e a originalidade é encorajada. Se o estudante escreve um ensaio com ideias boas que são fruto da sua reflexão, terá uma boa classificação, mesmo que tenha cometido erros algures. O estudante só tem notas negativas se nada do que disse, depois de excluídos os erros, tem qualquer valor. Isto não significa que os erros não sejam corrigidos; são-no, claro. O tutor corrige o estudante verbalmente ou por escrito; mas não o penaliza pelo erro. Deste modo, o estudante sente-se livre para tentar pensar por si e sabe que só isso lhe poderá dar boas classificações. Relatórios anónimos das ideias alheias nunca merecem mais de 50% quando são classificados. Por outro lado, os erros são eliminados naturalmente, no decurso da discussão aberta; o próprio estudante percebe que, para poder pensar correctamente sobre seja o que for, o seu pensamento não pode basear-se em erros. Mas ao mesmo tempo não fica paralisado com a perspectiva de cometer erros escandalosos; sabe que pode contar com a comunidade escolar para lhe corrigir os erros com bonomia.Evidentemente, há erros e erros. Há erros muito graves e erros pouco graves. Mas quando se adopta a cultura do escândalo, todos os erros são escandalosos — todos são inacreditavelmente graves e quem os comete deveria cometer hara-kiri e desaparecer de circulação. Esta cultura é avessa ao desenvolvimento e é paralisante. Urge livramo-nos dela e passarmos a encarar o erro de forma natural, como uma oportunidade de ouro para entrarmos em diálogo com os nossos pares, com a alegria de quem sabe estar a dar a sua contribuição para fazer progredir a correcta compreensão das coisas. Se errar é humano, sabê-lo e assumi-lo é o que nos resgata do mais tosco provincianismo.
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January 16 2009, 4:31pm | Comments »
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Petição e inquérito
http://dererummundi.blogspot.com/2009/01/petio-e-inqurito.html
Os professores portugueses que se opõem ao modelo de avaliação imposto pelo actual Ministério da Educação colocaram online um original inquérito que é simultaneamente uma petição. Aqui.
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January 14 2009, 1:08pm | Comments »
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Escola e mentira
http://dererummundi.blogspot.com/2009/01/escola-e-mentira.html
Eis a minha habitual crónica das terças-feiras do Público:Uma das mentiras políticas mais persistentes no nosso país é a ideia de que a escola não dá dinheiro: que não tem valor instrumental como produtora de riqueza. A difusão desta mentira política serve os interesses das pessoas endinheiradas e lixa as outras.Pedro Portugal mostrou em 2004 que isto é mentira. Com base num inquérito a cerca de dez mil trabalhadores realizado pelo INE em 2003, vê-se a realidade que seria de esperar: quem tinha concluído o secundário mas não tinha uma licenciatura e estava na casa dos trinta anos ganhava em média 778 euros por mês — ao passo que os licenciados da mesma faixa etária ganhavam cerca de 400 euros a mais por mês. E a diferença aumenta com o passar dos anos: na casa dos cinquenta anos um licenciado ganhava em média quase dois mil euros, ao passo que quem tinha apenas o secundário mal passava dos mil euros — ganhando apenas 800 euros por mês se tivesse só o 9.º ano, ou seja, menos 16 mil euros por ano comparando com um licenciado.É claro que a escola compensa, economicamente. Mas os filhos de pessoas como eu valorizam a escola em qualquer caso, porque os seus pais valorizam o estudo intrinsecamente. Quem precisa de saber que a escola dá dinheiro para a valorizar são as pessoas economicamente desfavorecidas. A mentira política de que a escola não dá dinheiro prejudica-as gravemente, pois desperdiçam a oportunidade que têm de melhorar a sua situação. O estudante desfavorecido paga caro a sua rebeldia ignorante.Também o país fica prejudicado; pois em vez de termos os melhores médicos, empresários ou professores, temos apenas os que não precisam de competir com os mais talentosos, que não vêm necessariamente das famílias mais ricas. No sistema actual desperdiça-se um dos bens mais preciosos: o talento. O João até poderia ser um empresário ou engenheiro mais talentoso do que o Josué, mas como é filho de pobre despreza o estudo — e o Josué passa-lhe à frente. E assim perdemos um profissional superlativo para ficarmos apenas com um coitadito que até se desenrasca à custa de muito marranço; mas quando a realidade se revela mais complexa do que vem nos livros, o Josué fica atarantado e limita-se a repetir que a realidade não devia ser daquela maneira porque não é isso que os livros dizem. (Este é o discurso dos reformistas educativos: as reformas educativas não produzem resultados, mas as teorias que estão na origem dessas reformas nunca estão erradas — é o país que está errado.)Caso as políticas educativas fossem pensadas por pessoas com sensibilidade social — em vez de pessoas que fingem que a têm — uma das prioridades seria fazer ver aos desfavorecidos a importância económica da escola. A tendência do actual governo, que se diz socialista mas não é, foi precisamente a inversa: meter os pobres no gueto do ensino profissional, vendendo-lhes a ilusão de que é isso que dá dinheiro e não a universidade. Mas quantos dos filhos dos governantes vão para esse maravilhoso ensino profissional?
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January 13 2009, 11:00am | Comments »
