Sexta sessão do ciclo O dever de educar, no próximo dia 13 de Janeiro, pelas 18h15, na Livraria Minerva Coimbra.Prosseguindo o raciocínio da última sessão, dedicada ao dever de educar do professor, mas avançando nele, discute-se, agora, a formação de quem ensina, para poder assumir tal dever com responsabilidade. Questiona-se, em particular, que princípios devem nortear essa formação? Como se deve concretizar? Quem a deve assumir?...É convidado Rui Marques Veloso, professor aposentado da Escola Superior de Educação de Coimbra que colaborou na formação de várias gerações de professores, mantendo o seu interesse e trabalho nesta área.Local: Livraria Minerva (Rua de Macau, n.º 52 - Bairro Norton de Matos), em CoimbraPróxima sessão: 21 de Janeiro.As sessões deste ciclo são quinzenais e estão abertas ao público
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
O dever de formar para educar
http://dererummundi.blogspot.com/2009/01/sexta-sesso-do-ciclo-o-dever-de-educar.html
January 11 2009, 8:33am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Falta de educação?
http://dererummundi.blogspot.com/2008/12/falta-de-educao.html
Eis a minha habitual crónica das terças-feiras do Público:A indisciplina é um dos problemas com que se debatem alguns professores do ensino secundário. Contudo, nem sempre se compreende que um dos factores que explicam alguns casos de indisciplina é a desvalorização da escola. É interessante comparar o comportamento de um mesmo estudante na escola e num clube de futebol, por exemplo. O mesmo estudante que na escola é mal-educado, falsamente rebelde e uma dor de cabeça para os professores, é um aprendiz normal no clube de futebol, dedicando-se com afinco a aprender o seu desporto favorito. E no clube de futebol as regras de comportamento podem até ser mais rígidas do que na escola.A diferença é que o valor do futebol é para esse estudante óbvio, ao passo que vê a escola como uma imposição sem sentido. A menos que a escola seja valorizada no seu meio familiar, o estudante vê as aulas e o estudo como uma tolice que tem burocraticamente de cumprir antes de ir à vida que a morte é certa.Ora, nada tem sido feito por parte dos responsáveis educativos para tornar óbvio o valor do estudo, dos livros e da escola a quem não aprende em casa a valorizar essas coisas. Pelo contrário: ao obrigar cada vez mais os professores a fazer as vezes de dinamizadores culturais, para não dizer palhaços, retirando da escola a sua dignidade própria e tentando transformá-la em entretenimento mentecapto, os responsáveis educativos pioraram a situação. Pois quando se encara a escola desta maneira é porque se pensa que a física, a matemática, a geografia, a história, a literatura ou a filosofia não são realmente interessantes.O oposto desta atitude é a conversa dos senhores de olhar severo que usam palavras caras na televisão para repetir sem quaisquer argumentos que essas são as coisas mais importantes do mundo, para toda a gente. Acontece que isto é uma mentira. A maior parte da humanidade nunca teve o mínimo interesse em física, matemática, história ou filosofia, e vive bem assim. Tal como a maior parte da humanidade nunca teve o mínimo interesse em saber fazer pão, saber fazer electricidade ou saber curar uma perna partida. Pessoas diferentes interessam-se por coisas diferentes.Para a escola ser respeitada por estudantes e pais não precisamos de pregar a mentira evidente de que a matemática ou a história interessam a toda a humanidade. Tal como o estudante que aprende futebol não pensa com certeza que aquilo é a coisa mais importante do mundo; basta-lhe que seja interessante para ele, e que sinta ter talento para isso. Esta é a atitude que temos de ter na escola. A filosofia, a música erudita ou a matemática não são as coisas mais importantes do mundo. São apenas importantes para algumas pessoas. Mas para sabermos se somos uma dessas pessoas, temos de passar pela escola e estudar essas coisas da melhor maneira possível. Se não o fizermos, não saberemos se realmente nos interessa ou não. O papel da escola universal é dar a todos os estudantes esta oportunidade única, sobretudo aos que não a têm em casa.
- Tags:
- Ensino
December 23 2008, 2:43am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Avaliar a Educação - II
http://dererummundi.blogspot.com/2008/12/12-verdades-para-um-ensino-de-qualidade.html
Transcrevemos o artigo de opinião de Maria Regina Rocha, publicado no sítio do "Sol", e que surge na sequência de outro publicado no De Rerum Natura.A solução: 12 verdades para um ensino de qualidade em PortugalEstamos em 2008, no século XXI, e não nos idos anos 70 do século passado: a experiência de todos estes anos leva-nos a considerar que é preciso ter a coragem de dizer 12 verdades, se queremos realmente que se faça uma reforma na Educação, para que haja um ensino de qualidade.1.ª – O ensino unificado (5.º ao 9.º ano) não serve. Deveriam existir, pelo menos, dois currículos (eventualmente três), um deles com uma maior componente técnica, currículos diferentes não só no que respeita ao número, natureza das disciplinas e carga horária das mesmas como aos respectivos programas.2.ª –A ausência de reprovações não responsabiliza nem alunos, nem pais, nem professores e compromete negativamente toda a aprendizagem dos alunos com dificuldades, mas a reprovação por si só também não tem a desejada eficácia. Por isso, a partir do 4.º ano, as disciplinas deveriam ter os programas organizados por níveis de aprendizagem, progredindo o aluno em cada disciplina de ano para ano por níveis, não podendo aceder ao nível seguinte sem o domínio do que é essencial do nível anterior.3.ª – A abolição dos exames foi um erro. A existência de exames (provas de avaliação externa) com um peso de 50% é essencial para a responsabilização de todos os intervenientes no processo educativo, desde o 4.º ano de escolaridade e a todas as disciplinas (no 4.º, no 6.º, no 9.º no Ensino Básico; em cada disciplina terminal no EnsinoSecundário).4.ª – Os currículos estão desajustados. É necessário que tenham um número equilibrado de disciplinas, devendo desaparecer do mesmo disciplinas instrumentais como, por exemplo, «Área de Projecto» e «Estudo Acompanhado».5.ª – Os programas são responsáveis por muitos dos problemas da falta de competência dos nossos alunos. Deveriam ser claros, com os conteúdos muito bem explicitados (nomeadamente quanto ao grau de aprofundamento) e os objectivos muito bem definidos, sendo referidos os graus mínimos de consecução em cada ano.6.ª – A escala de classificação de níveis de 1 a 5 aplicada do 5.º ao 9.º ano é má, pois propicia o laxismo e não incentiva as realizações dos alunos. Na escala de 0 a 20, um aluno que tenha 10 valores esforça-se e vê o seu esforço recompensado, passando a sua nota, por exemplo, para 12 ou 13, mas, na escala de 1 a 5, o mesmo esforço num aluno que tenha obtido 3 não o faz mudar de nível (continua no 3), o que, naturalmente, o desmotiva.7.ª – O número de alunos por turma é outro dos problemas: turmas de 24 a 28 alunos não são compatíveis com uma aprendizagem de qualidade no tempo presente. As turmas deveriam ter 20 alunos.8.ª – Os tempos lectivos de 90 minutos e de 135 minutos não servem. É mais adequado cada aula de uma disciplina ter apenas 50 minutos, havendo um intervalo de 10 minutos entre a aula de uma disciplina e a de outra, para que os alunos possam vir até ao pátio de recreio, respirar fundo, falar à vontade, correr, brincar, ir à casa de banho, voltando para a aula seguinte com a capacidade de concentração e de trabalho renovada (exceptuam-se, naturalmente, as disciplinas de cariz laboratorial: 50 minutos + 50 minutos).9.ª – O absentismo dos alunos e a indisciplina são factores que comprometem a sua aprendizagem. O recente estatuto do aluno não foi feliz nas soluções propostas. É fundamental a incidência da responsabilização nos alunos e nos pais e encarregados de educação.10.ª – A formação inicial de natureza pedagógica e de natureza didáctica deveria obedecer a directrizes muito claras da responsabilidade do Ministério da Educação, nomeadamente a indicação das disciplinas de pedagogia, das de didáctica e seu conteúdo (por exemplo, em Português, como se ensina o aluno a desenvolver a competência de leitura ou a competência de escrita, entre outras), bem como dos aspectos a ter em conta no estágio, uniformemente em todo o país.11.ª – A formação contínua tem sido muito heterogénea. Também aqui deveria haver uma intervenção directa do Ministério da Educação no que respeita aos objectivos e conteúdos, bem como à organização e à qualidade.12.ª – A avaliação de professores deve ser feita tendo como referente um perfil de bom professor no quadro dos grandes objectivos do Sistema Educativo – definido pelo Ministério da Educação, e não deixado ao arbítrio de cada escola, com o pretexto da autonomia. A Educação é um desígnio nacional: a tutela não pode alhear-se desta responsabilidade.Maria Regina Rocha
December 16 2008, 4:06pm | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Avaliação e mentira
http://dererummundi.blogspot.com/2008/12/avaliao-e-mentira.html
Eis a minha habitual crónica das terças-feiras do Público:Há quem pense que a avaliação de professores imposta pelo Ministério da Educação visa melhorar o ensino, mas isto é falso. Pior: nem é por essa razão que os responsáveis ministeriais querem avaliar os professores. Pois se o fosse, a maneira mais óbvia de os avaliar, com menos custos e menos complicações processuais, seria através do tratamento estatístico dos resultados dos alunos em exames nacionais, cientificamente rigorosos e pedagogicamente lúcidos.Há duas razões, oriundas de sectores diferentes do Ministério da Educação, que fazem os responsáveis insistir tanto na avaliação dos professores. Por um lado, a própria ministra afirmou desde que tomou posse que a situação no ensino era intolerável porque a um investimento crescente ao longo das décadas não tinha correspondido um aumento do sucesso escolar. Assim, as suas duas preocupações são diminuir custos e inventar um sucesso escolar de fantasia. Por isso, a avaliação dos professores tem, para a ministra, a finalidade única de poupar dinheiro, impedindo a muitos professores o acesso ao topo da carreira.Por outro lado, muitos responsáveis educativos querem implantar nas escolas as suas ideias educativas pretensamente científicas. Estes responsáveis vêem então na avaliação uma maneira de impor aos professores os seus modelos pedagógicos positivistas. Neste caso, não se trata de desejar poupar dinheiro, mas apenas de uma crença lírica de que tais métodos são o segredo do sucesso escolar. Daí as grelhas infinitas, com itens absurdos, impondo um modelo pedagógico rígido e universal, quando o bom senso educativo nos diz que as estratégias educativas que funcionam com uma turma e numa escola, não funcionam com outra turma e noutra escola, não havendo receitas pedagógicas universais — excepto em estudos teóricos pretensamente científicos, alheados da realidade escolar.Que a avaliação de professores nada tem a ver com a qualidade do ensino torna-se óbvio se pensarmos nos estudantes, directamente. Para um dado estudante, tanto faz que um professor seja titular ou não: se for mau, é mau, e nada mais há a fazer; acontece apenas que não chega supostamente ao topo da carreira. Mas continuará a contribuir para a falta de qualidade do ensino — e para o sucesso escolar de fachada, não reprovando alunos e dando notas elevadas, ao mesmo tempo que preenche fichas infinitas.O que é relevante para um estudante é que o seu professor, titular ou não, seja competente. E isso significa duas coisas: dominar as matérias que tem de leccionar e saber dar aulas. Para dominar as matérias, tem de estudar, actualizar-se, rodear-se da melhor bibliografia da sua área; tem de ter curiosidade intelectual, hábitos de estudo e de raciocínio. Para saber dar aulas, tem de saber pôr-se do ponto de vista cognitivo, social e psicológico do estudante, e transmitir-lhe o gosto pelas matérias e pelas competências da sua área. Isto é o que conta para o estudante; é o que conta para a qualidade do ensino. O resto é uma mentira política.
- Tags:
- Ensino
December 16 2008, 4:26am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
O meu modelo de avaliação
http://dererummundi.blogspot.com/2008/12/o-meu-modelo-de-avaliao.html
O professor Miguel Cardoso, da escola EB 2,3/S José Silvestre Ribeiro, enviou-nos este texto para discussão pública:Como se avalia a qualidade de uma aula? Um professor circula pela sala, distribui apontamentos e ajuda a resolver exercícios, noventa minutos depois, na sala de professores, diz “hoje sim, foi uma boa aula”. Na sala ao lado, outro passa o mesmo tempo sentado à secretária, expõe matéria e debate com os alunos, sai com o ego inchado, “foi a melhor aula do ano”. Outros podem utilizar um quadro interactivo, um trabalho de grupo ou ainda uma saída para o exterior e fazer qualquer coisa de mais prático para motivar os alunos. Naquela aula, naquele momento, com aqueles intervenientes, as coisas funcionam. O que é uma boa aula?Não falamos de máquinas ou de um qualquer artigo produzido em série numa unidade fabril, embora os sucessivos ministérios da educação (assim, com letra minúscula) sonhem com uma formatação e normalização deste tipo. Não há um ideal platónico de “aula perfeita” a que todas as outras devam acercar-se. Aqui e agora a estratégia funcionou, até agora tem funcionado, vamos ver amanhã. Quando não funcionar, o professor sabe que tem de alterar. Não me venham agora com as estratégias diversificadas. Sempre as houve. Não se confunda é diversidade com imbecilidade.A quantidade de variáveis é imensa, a matéria leccionada, a qualidade e ambição dos alunos, até mesmo a hora do dia em que a aula tem lugar. Se o método expositivo funciona, se envolve os alunos e os motiva, por que razão devo mudar? Se outro entende que, naquele contexto específico, a melhor estratégia é o recurso às novas tecnologias da informação, que assim seja.O que é uma boa aula? Eu sei quando chego lá, os professores sabem.É por isso que uma avaliação de professores não pode estar centrada nas novas “tretas” evangelizadas pelas “ciências” da educação, com as suas resmas de grelhas, quadros, implementações, objectivos, observações, estratégias diferenciadas e inclusivas e outras aberrações que mais não fazem do que infantilizar o professor e retirar substância ao ensino, a ponto de o transformar num balão cheio de ar que, mais dia menos dia, nos rebentará na cara.Convenhamos, há bons professores para os quais o ensino parece algo de inato e que, sem gostar do termo, arriscaria, é quase uma vocação; outros que, com mais ou menos dificuldades, chegam lá, aprendem com os erros e melhoram a cada dia; e também outros que bem podiam tentar a sorte noutro ofício. Nenhum livro ou grelha ensina a ser bom professor.Avaliar um professor de forma objectiva (quanto possível) não pode assentar no aspecto formal da prática pedagógica, mas apenas na qualidade científica da mesma. Tudo o resto é cair no domínio do aleatório e do inútil. A minha avaliação não pode também estar dependente do abandono escolar, do sucesso dos alunos, do acompanhamento sócio-psicológico realizado ou não junto das famílias, do grau de diversão ou aborrecimento do aluno durante as aulas, de portefólios, relatórios ou de uma qualquer ficha de auto-avaliação. Se sou professor de Filosofia ou Matemática, é isso que tenho de fazer, ensinar Filosofia e Matemática. É isso que tenho de saber e é nisso que tenho de ser bom.Um modelo de avaliação que se queira justo, coerente e respeitado tem de incidir na formação científica permanente do professor. Tomem-se algumas ideias que podem servir para pôr em prática um modelo destes, talvez alguém lhes pegue e cuide de pensar nos detalhes que aqui não cabem:Para progredir na carreira, de 4 em 4 anos, por exemplo, o professor teria de frequentar uma acção de formação sujeita a avaliação rigorosa e discussão pública do trabalho desenvolvido. Chamem-lhe pós-graduação, mestrado, doutoramento ou apenas prova de actualização de conhecimentos, não interessa.A responsabilidade por ministrar essas acções caberia aos estabelecimentos de ensino superior públicos, através da apresentação de projectos às escolas e assinatura de protocolos de cooperação.Como seria inviável fazê-lo para cada estabelecimento de ensino, definir-se-ia uma área geográfica limite. Imagine-se que aos professores de Filosofia de Castelo Branco, Fundão, Covilhã e Idanha-a-Nova se apresentavam para análise projectos de formação elaborados por universidades como as da Beira Interior e Nova de Lisboa. Democraticamente, e de acordo com o número de potenciais formandos, seria(m) escolhido(s) o(s) projecto(s) que mais interessasse(m) aos professores, sempre dentro da área de leccionação.As aulas/seminários dividir-se-iam entre presenciais e não-presenciais (com predomínio destas) e seria sempre o formador a deslocar-se e não o contrário.No final da acção, o professor teria de apresentar uma tese e defendê-la perante um júri (à semelhança do que acontece num mestrado ou doutoramento).Conforme a classificação obtida (quantitativa), assim a progressão ou não na carreira e a bonificação em termos de remuneração.Os custos envolvidos não seriam significativos, pelo menos se comparados com a opulência em que boiavam os Centros de Formação espalhados por esse país fora e se tivermos em atenção que, em muitos estabelecimentos do ensino superior, escasseiam horas e sobram docentes. Seria uma forma de todos beneficiarem, para além de contribuir para estimular e consolidar as ligações entre os diversos níveis de ensino.Porque os professores não valem todos o mesmo ou têm as mesmas ambições, a selecção far-se-ia naturalmente e por mérito, não por divisão artificial e evitando que todos progredissem em rebanho (como até aqui), desvalorizando a profissão.Argumentar-se-á que o conhecimento científico não basta para fazer um bom professor ou uma boa aula! Pois não, mas também já vimos como é difícil definir um bom professor ou uma boa aula. A quantos professores que odiámos, viemos mais tarde a reconhecer o mérito e a lamentar não ter aproveitado mais?Inerentes à condição de bom professor devem estar muitas e discutíveis qualidades mas, por mais voltas que se dêem, uma estará sempre presente, a de “saber daquilo que é suposto ensinar”. Avaliem-se pois os conhecimentos dos professores e estimule-se o inconformismo com aquilo que já se sabe. Não será o modelo ideal. Não há um modelo ideal. Tem a vantagem de ser mais simples, transparente e rigoroso. Não é o que todos queremos?
- Tags:
- Ensino
December 12 2008, 6:51am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Roménia retirou evolução do curriculo
http://dererummundi.blogspot.com/2008/12/romnia-retirou-evoluo-do-curriculo.html
A menos de um mês do início do ano de Darwin, em que se celebra o bicentenário do nascimento do cientista e os 150 anos da publicação da «Origem das Espécies», descobri via Phil Plait (agora na Discover magazine) que o então ministro da Educação da Roménia, Mihail Hărdău, retirou em 2006 o ensino da evolução dos curricula escolares. À medida, que entrou em vigor no ano lectivo 2007/2008, seguiram-se inúmeros protestos, nomeadamente da sociedade humanista romena:The Solidarity for Freedom of Conscience” has proven that, amazing as it may sound, the Ministry of Education, Research and Youth is trying to misguide the public opinion regarding the elimination from public school curricula of the evolution theory and the philosophical approach to religion. The recent statements made for the Mediafax by Mihaela Suciu, the spokeswoman of the Ministry of Education, jeopardize the credibility of this institution. We request the resignation of the Ministry staff responsible for this institution’s response.As we have already pointed out, the theory of evolution was eliminated from the biology curriculum for the 11th and 12th grade (depending on the type of high school), while the chapter on “God” was also eliminated from the philosophy curriculum for the 12th grade. The chapter offered students religion-inspired philosophical opinions, as well as views coming from the critics of religion. Os dois ministros da Educação que entretanto sucederam a Hărdău mantiveram a decisão de remover não só a teoria da evolução como uma abordagem filosófica da religião dos curricula. De acordo com o comentário de um romeno ao post de Plait, há esperanças de que a decisão seja revogada depois da tomada de posse do novo governo (eleito no final de Novembro).
December 12 2008, 4:23am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Ensino de qualidade: seis factores
http://dererummundi.blogspot.com/2008/12/ensino-de-qualidade-seis-factores.html
Se estamos seriamente interessados na qualidade do ensino, temos de perguntar o que realmente tem efeitos causais na qualidade do ensino ministrado pelos professores. Não vale a pena andar com malabarismos futuristas pensando que daqui a vinte anos os piores professores terão sido afastados e substituídos por professores de excelência, por via de um qualquer sistema de avaliação. Ninguém será despedido ou afastado do ensino por incompetência ou por haver melhores professores do que eles fora do sistema. Isso não acontecerá nesta avaliação nem vai acontecer em qualquer outra. Mesmo um professor com graves deficiências de língua portuguesa, ou de cálculo, ou de conhecimento histórico, acabará por atingir a idade da reforma no sistema. É puro delírio pensar que algum professor alguma vez será afastado por incompetência ou, ainda mais delirante, por ser menos competente do que outros. Isso jamais acontecerá. É por isso que toda esta conversa da avaliação dos professores é uma mentira política.Tentando olhar para as coisas com realismo, vejo seis factores que me parece terem realmente impacto na qualidade do ensino. Outros haverá, mas estes parecem-me centrais:1) O domínio das matérias por parte do professor. Como formador de professores de filosofia, com centenas de horas de formação no meu currículo, a minha experiência é esta: são poucos os professores que procurei formar que estão em condições dar boas aulas de filosofia, a menos que recebam ajuda constante e formação contínua de qualidade. Não conhecem as bibliografias, saíram das universidades em estado virginal, não têm hábitos de estudo, e têm fortes limitações cognitivas por pura falta de treino. É preciso apoiá-los, porque ninguém os vai despedir; temos de contar com eles, e muitos deles, apesar de todas as deficiências, têm realmente vontade de fazer melhor, se alguém lhes disser claramente como se faz isso e se forem apoiados nesse esforço.2) O rigor dos programas. Estes são muito importantes, se forem bem feitos, pois ajudam os professores a fazer melhor o seu trabalho. Mas, pensando no caso da Filosofia, o programa actual tem muitas deficiências, para dizer as coisas com candura: não tem indicações de conteúdos científicos reconhecíveis como tal (limita-se a dizer “ensinem algo”), mas tem imensas prescrições pedagógicas. Devia fazer precisamente o oposto: deixar as estratégias pedagógicas ao professor — até porque estas têm de se ajustar aos contextos de aula — e tornar os conteúdos claros, precisos, rigorosos, e indicar fontes bibliográficas lúcidas. E este é um sinal das indicações emanadas da ideologia do “eduquês” que prolifera no Ministério da Educação, e que vê as coisas um pouco como os positivistas lógicos: pensam que há um Método Pedagógico que, se for aplicado, resolve todos os problemas do ensino, se aplica a todos os contextos e é independente do conteúdo das disciplinas. Infelizmente, não há tal Método Pedagógico, e a atenção devia estar nos conteúdos científicos e não nesse fantasiado Método Pedagógico.3) A qualidade dos manuais escolares. Manuais com muitos erros científicos, conversas moles sobre cidadanias, incoerências página sim página não, indecisão sobre o que se quer ensinar ao aluno, linguagens desnecessariamente vagas e complexas, falta de precisão — isto só impede o ensino de qualidade. Mas não há maneira de ter melhores manuais excepto estimulando a produção de melhores manuais, porque se fizermos um sistema de avaliação de manuais quem os vai avaliar terá deficiências científicas e didácticas tão graves quanto as pessoas que os escrevem. Não podemos entrar no delírio de pensar que há massa crítica por aí ao pontapé para fazer um bom trabalho de avaliação — se houvesse, não haveria manuais com falta de qualidade, pois essas pessoas escreveriam os manuais, nem haveria programas risíveis, pois uma vez mais essas pessoas fariam os programas. Temos de assumir de uma vez por todas as nossas deficiências formativas de base e trabalhar a partir de uma vontade humilde de fazer melhor, estudando, discutindo ideias e métodos e conteúdos, procurando bibliografias e comparando-as, para encontrar as melhores.4) A existência de boa bibliografia de apoio escolar, que ajude professores e estudantes, apresentando as matérias relevantes de maneira rigorosa e despretensiosa, numa linguagem clara, e que ajude o leitor não apenas a compreender os conteúdos da disciplina em causa (em vez de os decorar), mas também a) o gosto de estudar, b) e as competências centrais da disciplina em causa (no caso da filosofia: argumentar e teorizar, analisar teorias e argumentos alheios, traçar distinções conceptuais relevantes, formular problemas filosóficos e distingui-los dos que não são filosóficos, etc.).Estes são quatro factores internos, digamos, causalmente relevantes para a qualidade do ensino. Outros dois factores, externos, digamos, são os seguintes:5) A eliminação da identificação das matérias “nobres” (como a História ou a Matemática, a Filosofia ou a Física) com a superioridade social (ou até racial). O objectivo do ensino público é dar a todos — pobres e ricos, amarelos e azuis, rapazes e raparigas — a oportunidade de descobrir estas coisas. Não há mal algum em não gostar delas e preferir o surf, a telenovela ou jogos de computador. O mal é aluno não ter tido a oportunidade de conhecer essas matérias à melhor luz possível, para ver se isso lhe interessa ou não. Quando o ensino público não faz isso, só os filhos das famílias privilegiadas se interessam por essas coisas — os outros, ficam cativos do Big Brother e do resto, sem que tenham escolhido realmente essa via. Os actuais responsáveis educativos aprofundaram como nunca a ideia absurda de que aos filhos dos pobres não vale a pena tentar ensinar física quântica, pois estes só podem interessar-se por jogos de computadores e surf. Claro que os filhos deles mesmos se interessam precisamente por essas matérias "nobres".6) Programas de valorização do estudo, que façam as famílias mais carenciadas apoiar o estudo dos seus filhos e passar a ver o estudo como algo importante, e não como uma maneira de “depositar os filhos” para ir trabalhar. Para fazer isto é crucial o factor 5: enquanto continuarem a aparecer uns senhores de gravata na televisão com uma linguagem ininteligível para um taxista a dizer que ler livros é muito importante, a mensagem que está realmente a ser transmitida é a oposta: o taxista confirma que aquilo não é para o filho dele, até porque nunca se fala de dinheiro nem de saídas profissionais nessas conversas moles sobre a importância superlativa da “cóltura”. A história, biologia, filosofia ou matemática ou química ou música erudita devem ser encaradas como coisas com a mesmíssima dignidade social (ou racial) do que a tarefa de recolher lixo, fazer pão e conduzir comboios. O que conta é que as pessoas possam escolher, depois de conhecer, aquilo em que revelam mais talento e que se sentem melhor a fazer, pois é essa a melhor contribuição que podem dar aos outros: serem competentes na sua área, seja qual for, e fazer o que fazem por gosto. Isto no nosso país é uma meta longínqua porque há uma história social triste em que as pessoas se tornam médicos ou advogados ou professores ou seja o que for não por gostarem realmente do que fazem, mas porque era a única maneira de ter um certo estatuto social, apropriado ao estatuto social da sua família. O resultado é uma imensa distorção na nossa sociedade: a energia cognitiva e afectiva das pessoas não está na profissão que desempenham a contragosto, mas noutra coisa qualquer, na qual são então também igualmente incompetentes precisamente porque têm apesar de tudo de dar alguma atenção cognitiva à sua profissão real.Caso se estivesse a pensar seriamente na qualidade do ensino, teríamos de estar a discutir estes e outros tópicos igualmente relevantes. A conversa sobre a avaliação dos professores nada tem a ver com isto. É pura mentira política: uma maneira de poupar dinheiro, nada mais.
- Tags:
- Ensino
December 11 2008, 9:00pm | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Uma perguntinha
http://dererummundi.blogspot.com/2008/12/uma-perguntinha.html
Parece-me que uma das perguntas mais relevantes no que respeita à avaliação dos professores é a seguinte: com esta ou outra avaliação, ou sem qualquer avaliação, que diferença faz no que respeita à excelência no ensino? Que diferença faz na qualidade do ensino real, que os estudantes realmente recebem na escola?E a resposta que me parece plausível é: "Não faz qualquer diferença relevante". Não é com esta ou com outra avaliação que a qualidade do ensino será promovida. Esta avaliação tem por único objectivo poupar dinheiro, vedando o acesso ao topo da carreira à maior parte dos professores. E os protestos dos professores têm como única razão de ser a tolice burocrática e kafkiana que o processo de avaliação envolve. O que realmente conta para promover a qualidade do ensino, contudo, não é abordado. Nem os dirigentes educativos nem os professores estão genuinamente comprometidos com a tentativa de melhorar o ensino. Houvesse esse comprometimento, e o debate seria completamente diferente.
- Tags:
- Ensino
December 11 2008, 7:07am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Três problemas no ensino
http://dererummundi.blogspot.com/2008/12/trs-problemas-no-ensino.html
Eis a minha habitual crónica das terças-feiras do Público:A situação de conflito absurda a que se chegou no ensino parece resultar de três factores — outros terão o seu papel causal, mas estes parecem importantes.O primeiro factor é a falta de profissionalismo de alguns professores. Saindo das universidades mal formados, alguns professores parecem não querer assumir as suas deficiências e ainda menos estudar para poderem desempenhar com profissionalismo a sua tarefa. Comprar livros, ler, discutir ideias, estudar — estas não parecem actividades populares entre os professores. Durante décadas, alguns professores dedicaram-se exclusivamente a dar aulas pelo manual escolar, redigido por vezes por professores com iguais deficiências formativas.Quando foi criada a melhor iniciativa das últimas décadas no que respeita à educação — a formação de professores, contínua e obrigatória — os professores colaboraram na fraude: formações de fantasia em que toda a gente era aprovada, sobre matérias sem qualquer relevância para a qualidade do ensino. Professores com graves carências em física ou matemática faziam formações de teatro ou de Internet ou de jogo do pau, nas quais nada realmente aprendiam — e mesmo que aprendessem não seria relevante para a excelência do ensino. Bastaria que os professores tivessem exigido formação de qualidade e rigorosa, e um factor central da avaliação de professores estaria resolvido, pois se a formação fosse de qualidade muitos professores não teriam aproveitamento.O segundo factor é a mentira política. Não é pura e simplesmente verdade que os actuais dirigentes educativos estejam genuinamente interessados na excelência educativa. Só duas coisas os preocupam: mostrar aos organismos internacionais números felizes de sucesso escolar inventado e poupar dinheiro. Tudo o que fazem é com estes dois axiomas em mente. O objectivo dos exames de fantasia e das outras medidas educativas é impedir a reprovação por via administrativa, sem que isso resulte de melhores aprendizagens. O objectivo da avaliação dos professores é apenas poupar dinheiro.O terceiro factor é talvez o mais perverso. Porque nunca antes os dirigentes educativos mostraram tanto desinteresse pelas questões educativas, são os técnicos do Ministério da Educação que realmente governam actualmente. E fazem-no como sabem: com regras, legislações, formulários, normas, circulares. A consequência disto é a neutralização dos professores mais competentes, que agora não têm tempo para estudar nem preparar aulas; são estes professores que estão a pedir reforma antecipada pois, por profissionalismo e amor ao ensino, suportam programas idiotas, manuais tolos, colegas sem vida intelectual e estudantes mal-educados — mas não têm realmente paciência para passar a vida em reuniões e a ler legalês mentecapto.Entretanto, nada se faz de relevante para melhorar a qualidade do ensino: nem por parte dos professores, nem do Ministério, nem dos legisladores. É como haver falta de água e andarmos a discutir a cor do Rio Douro.
- Tags:
- Ensino
December 9 2008, 10:13am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Avaliar a Educação - I
http://dererummundi.blogspot.com/2008/12/avaliar-educao-i.html
O ProblemaMaria Regina Rocha opina sobre a avaliação do desempenho dos professores de que se fala, que se tenta implementar, que se altera... e de como ela constitui, no presente, um sério problema do e no sistema educativo.Parece óbvio que está instalado o caos na Educação: a Ministra da Educação critica duramente e é duramente criticada, mantendo o discurso de que «não cede nos princípios do modelo de avaliação» desenhado no Decreto Regulamentar n.º 2/2008, como se recuar numa medida polémica atendendo ao que a esmagadora maioria dos profissionais da classe diz fosse um sinal de má governação (quando é precisamente sinal de que o governante tem em consideração o que o seu povo lhe diz, como deveria sempre acontecer) ou como se aquele decreto fosse a própria essência da avaliação e não apenas um conjunto de artigos que pode, naturalmente, ser substituído por outro (o normal nas leis é precisamente o serem substituídas por outras consideradas melhores, e os bons governantes são os que as vão melhorando, de modo a que, por elas, melhorem as condições de vida dos cidadãos); os sindicatos assinaram um memorando com o qual afinal não concordam plenamente e tardam em apresentar uma alternativa clara consensual; muitos professores não se sentem representados pelos sindicatos, tanto que criam movimentos independentes e lamentam que a tutela não os ouça, sentindo-se desconsiderados, insultados, desalentados; os alunos estão descontentes; os pais, apreensivos; os partidos políticos em oposição ao Governo tentam tirar dividendos da situação, uma situação da qual nenhum partido deveria tentar tirar dividendos, pois são todos co-responsáveis. Toda a gente fala e ninguém realmente se ouve nem se entende...Mas, afinal, o que é que está realmente em causa? Porque é que o Ministério da Educação tenta instalar a todo o custo este modelo de avaliação dos professores?Já todos sabemos porque é que os professores o contestam. Das diversas razões que invocam, salientam-se as seguintes: os professores não querem ser avaliados em função dos resultados dos seus alunos ou do abandono escolar destes, visto haver muitos factores que condicionam esse insucesso, nomeadamente os próprios alunos, com o seu interesse e trabalho; os professores titulares não querem ser avaliados pelos próprios colegas, essencialmente porque essa avaliação será sempre sentida como pouco credível, dadas as relações de convivência que se estabelecem entre profissionais que desempenham as mesmas funções durante anos na mesma escola e, também, porque muitos dos avaliadores têm habilitação inferior ou diferente da do avaliado, a mesma experiência e anos de serviço ou até menos; os professores não querem ser sujeitos a quotas de Excelente e de Muito Bom, pois o mérito absoluto de cada professor deveria ser considerado, independentemente de um número artificial criado pela tutela; os instrumentos de avaliação são diferentes de escola para escola, o que cria injustiças; o processo exige grande dispêndio de tempo de todos os intervenientes de uma classe já exausta por tantas tarefas que lhe são cometidas além das de ensinar.São objecções razoáveis: porque é que a tutela não as considera?A recusa em aceitar revogar o decreto da polémica faz com que se pense que o Ministério da Educação tem, com este modelo de avaliação do desempenho docente, três propósitos: (1) conseguir melhores resultados escolares, independentemente da qualidade das aprendizagens dos alunos; (2) avaliar os professores sem custos financeiros, pois os professores avaliadores continuam a leccionar o mesmo número de turmas, a ter todo o trabalho que tinham e ainda por cima o de avaliar os colegas (no período destinado à preparação de aulas e de materiais, elaboração e correcção de testes, reuniões de conselho de turma, de departamento e outras, etc., também fazem essa avaliação); (3) fazer sentir aos professores (e à opinião pública) que, se estes não progridem mais rapidamente na carreira, não é porque o Ministério da Educação não os queira remunerar melhor, mas porque não são professores muito bons (quando, afinal, define quotas para essas classificações), o que significa responsabilizar os professores pelos males da Educação, desresponsabilizando o próprio Ministério.Este último é um aspecto muito importante, quiçá o mais determinante na tentativa de manutenção do referido decreto: parece saltar à vista que o Ministério da Educação tenta denodadamente fazer aplicar este modelo de avaliação porque pretende gastar menos no pagamento de salários aos professores que progridam na carreira. Em vez de o admitir, apresenta um modelo de avaliação que retarda a progressão, e, estrategicamente, lança o labéu da falta de qualidade sobre os professores, como se estes fossem os responsáveis pela alegada falta de sucesso dos alunos, e isto porque não têm sido avaliados.Mas os professores têm, sim, sido avaliados: o modelo era outro; havia, no entanto, quem não progredisse e quem saísse da profissão na sequência da instauração de processos pela Inspecção-Geral de Educação. Eram poucos casos, dir-se-á, mas, naturalmente, teriam mesmo de ser poucos, pois, para se desempenhar a função de professor, existe logo no início da carreira um estágio (no qual há reprovações), e todo o trabalho do professor é, nas escolas, acompanhado pelos respectivos coordenadores e órgãos de gestão, sendo os professores obrigados a cumprir os programas emanados do ministério, a cumprir todas as directrizes não só do Conselho Pedagógico como dos restantes órgãos, a apresentar aos alunos e pais os critérios de avaliação, a justificar notas, a responder a recursos dos encarregados de educação, a frequentar acções de formação contínua, etc., e a fazer periodicamente um relatório crítico da sua actividade, analisado pelos órgãos de gestão da sua escola: trata-se de uma profissão exposta, existindo diversos mecanismos de regulação directa e indirecta.Assim, foi um atentado à verdade e a esta classe profissional o Ministério da Educação ter feito passar para a opinião pública a ideia de que os professores não têm sido avaliados, que têm, em geral, desempenhado mal as suas funções e que são responsáveis pelo insucesso dos alunos. O motivo final desta avaliação – pagar menos aos professores fazendo com que o seu percurso até chegar ao topo da carreira seja mais longo, de forma a despender menos dinheiro com salários – não justifica destruir-se a imagem de uma classe que a esmagadora maioria dos profissionais abraçou por vocação.E, chegados aqui, pergunto: é avaliando assim os professores que se altera qualitativamente a Educação e o Ensino em Portugal, como se sugere nos normativos deste modelo de avaliação? É por este meio que os nossos alunos vão passar a ter melhores resultados nos programas e estudos internacionais? É assim que os alunos terão conhecimentos mais profundos, serão mais capazes, adquirirão mais competências? É questionando publicamente um pilar da sociedade, os professores, que se ganhará a Educação em Portugal?A resposta é «Não!».É que fazer crer à opinião pública que os males do ensino residem na actuação dos professores e no facto de nunca terem sido avaliados segundo este modelo revela, no mínimo, ignorância, no máximo, má fé.E isto por dois motivos: os grandes factores que influenciam os resultados dos alunos (sensivelmente 60%) não são controláveis pela escola (essencialmente aspectos pessoais e sócio-económicos) e, dos restantes, ou seja, os factores inerentes ao sistema educativo, os professores não são responsáveis por aqueles que são determinantes, ou seja, os currículos, os programas e o tipo de formação pedagógica e didáctica que lhes é proporcionada: não esqueçamos que os professores cumprem os programas e directrizes da tutela e dos órgãos de gestão (escrupulosamente, senão têm de o justificar).Assim, com verdade e serenidade, não misturemos avaliação dos professores, progressão na carreira e política salarial do governo com o que está mal no Ensino em Portugal e como resolvê-lo.Maria Regina Rocha
December 2 2008, 3:15am | Comments »



