A editora Esfera do Caos, na sua colecção Ciências da Cultura, acaba de publicar o Código Pedagógico dos Jesuítas: regime escolar e curriculum de estudos, datado de 1599, numa edição bilingue latim-português.A Nota Prévia, Introdução, Versão Portuguesa e Notas é de Margarida Miranda, professora de Estudos Clássicos da Universidade de Coimbra e especialista nos textos da história pedagógica da Companhia de Jesus. São considerados uma referência os seus trabalhos sobre a utilização do teatro no quadro do ensino dos Jesuítas. É ainda uma reconhecida tradutora de textos neolatinos, sendo especialista na tradução de documentos dos séculos XVI e XVII.O Prefácio, o Estudo introdutório e Posfácio é da autoria de Luiz Fernando Klein, José Manuel Martins Lopes e Norberto Dallabrida.Sobre o livro:Em 1599, na Ratio Studiorum, documento orientador da pedagogia jesuíta, determinou-se que os professores deveriam ser bem tratados para que pudessem ensinar bem! Lendo as recomendações feitas nesta obra, redigida no final do século XVI, torna-se claro que as normas pedagógicas que enuncia poderiam ajudar, com amplo proveito, a decidir as políticas e medidas educativas de hoje.A Ratio Studiorum é considerada a bíblia pedagógica dos Jesuítas e o segredo do seu extraordinário sucesso no plano da formação.A obra, traduzida nas mais diversas línguas onde a Companhia de Jesus instalou a sua rede multinacional de colégios, desde o Brasil até ao Extremo-Oriente, influenciou a revolução educativa da época moderna até aos nossos dias, constituindo um documento pedagógico absolutamente incontornável e ainda hoje, apesar das actualizações a que foi sujeita em relação à sua versão original de 1599, continua a ser uma fonte de inspiração paradigmática, sempre revisitada por todos os que se interessam pelo ensino e se dedicam a essa nobre actividade.Nota: Sobre a obra o De Rerum Natura publicou antes o texto Preservar o entusiasmo dos professores a partir de informação fornecida por Margarida Miranda.
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"Ratio Studiorum" da Companhia de Jesus
http://dererummundi.blogspot.com/2009/10/ratio-studiorum-da-companhia-de-jesus.html
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October 17 2009, 6:47am | Comments »
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Até onde deve chegar a Eficácia Escolar?
http://terrear.blogspot.com/2009/10/ate-onde-deve-chegar-eficacia-escolar.html
La investigación sobre eficacia escolar (IEE) ha resultado un campo de trabajo fructífero, pero en el campo de la formación en valores y del desarrollo moral tiene uno de sus retos más importantes. Debido al hecho de que la IEE ha mostrado que la escuela sí importa y que el trabajo de los docentes es muy relevante (Cf. Murillo, 2008), la expectativa de mejorar la escuela se ha incrementado, tanto por lo que ella puede hacer con el conjunto de sus recursos institucionales, como por la responsabilidad que tienen las sociedades y los gobiernos en darle el máximo apoyo para que atienda su misión, tal como lo señalan las Constituciones de los países y diversos documentos de diagnóstico y de política educativa elaborados por organismos multilaterales.¿Por qué es importante vincular la eficacia escolar y la formación en valores? Varias respuestas pueden ofrecerse. La primera es fundamental y sostiene a todas las demás: porque la idea misma de educación lo exige; realizar la educación significa darle eficacia a una palabra, a una acción que representa la emergencia de la persona, que es la encarnación de los valores. En segundo término, porque la escuela es depositaria social y política de un encargo educativo de profundo sentido axiológico, ético y moral; en tercer lugar, la naturaleza de una escuela eficaz, por la tarea cuyo logro la define, debe extenderse a la cuestión de los valores. Si por algún elemento de la acción escolar resulta desafortunado que existan escuelas ineficaces, el más significativo es el que corresponde a la formación en valores.Dicho con otras palabras, el emblema de la escuela eficaz, el indicador por excelencia de que está haciendo educación, es el proceso de asunción de valores sobre el cual descansa la personalización del individuo, esto es, el más trascendente de los aprendizajes; significa desarrollo integral, crecimiento moral, experiencia comunitaria en la escuela y apoyo a la formación de la comunidad social y política. En última instancia, la experiencia de las sociedades ha permitido un avance muy importante: la esencia del derecho a la educación no se cumple en ir a la escuela, sino en que esta sea un lugar que trabaje estructuralmente apoyada en las dimensiones de la calidad y que en lo relativo al currículo, lo fundamental sea la persona y su desarrollo.Aunque la educación tiene un sentido unitario que surge de la meta de la formación humana, en la práctica tanto la historia de la escuela como el currículo y las políticas educativas, en última instancia apoyados en las dimensiones del desarrollo humano, producen un fraccionamiento de la experiencia que conduce a poner un cuidado especial en la búsqueda de la integralidad.Por todo ello es importante indagar hasta dónde llega en la práctica la eficacia de la escuela, cuáles son los caminos más apropiados para su mejora.Texto integral
October 12 2009, 12:06pm | Comments »
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Ensino Eficaz
http://terrear.blogspot.com/2009/10/ensino-eficaz.html
The Role of Teacher Efficacy and Characteristics on Teaching Effectiveness,
October 3 2009, 3:21pm | Comments »
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O Professor
http://terrear.blogspot.com/2009/09/o-professor.html
Os alunos mais conscienciosos levantam a mão para perguntar como irei avaliá-los no fim do ano. Não lhes dei os testes habituais: escolha múltipla, ligar colunas, preencher espaços em branco, verdadeiro ou falso. Os pais estão preocupados e querem saber. Digo a esses alunos, Façam a vossa auto-avaliação. O quê? Como é que podemos fazer a nossa própria avaliação? Estão sempre a fazer isso. Estamos todos. Há um processo constante de auto-avaliação. De exame de consciência, meninos e meninas. Digam a vocês próprios, honestamente, Aprendi alguma coisa a ler receitas como se fossem poemas, a discutir a pequena Bo Peep como se fosse um verso de T. S. Eliot, a analisar "A Valsa do Meu Pai», a ouvir o James e o Daniel contarem como tinha sido o seu jantar, a fazer um festim em Suyvesant Square, a ler a Mimi Sheraton? Digo-vos uma coisa: Se não aprenderam nada com tudo isto é porque estiveram a dormir durante a soberba interpretação de Michael ao violino e a epopeia de Pam sobre o pato ou, e isto é possível, meus amigos, é porque eu sou um péssimo professor. Fazem uma festa. É isso. É um péssimo professor. Rimo-nos todos, porque em parte é verdade e porque eles têm liberdade para o dizer e eu aceito a brincadeira. Os estudantes conscienciosos não estão contentes. Argumenntam que nas outras turmas o professor diz aos alunos o que têm de saber. O professor ensina e os alunos aprendem. Depois o professor dá um teste e o aluno tem a nota que merece. Os estudantes conscienciosos dizem que é bom saber antecipadamente o que se tem de saber para poderem empenhar-se em saber isso. Nesta aula nunca sabemos o que temos de saber. Então, como é que podemos estudar e avaliar-nos a nós próprios? Nesta aula nunca se sabe o que vai acontecer. A grande questão ao fim do ano é como é que o professor nos vai dar nota? Vou dizer-vos como é que vos dou nota. Em primeiro lugar, como foi a assiduidade? Mesmo que tenham ficado sentados ao fundo da sala sem dizer nada, mas a pensar nas discussões e nas leiituras, de certeza que aprenderam qualquer coisa. Em segundo lugar, participaram? Qriseram ler às sextas-feiras? Qualquer coisa. Histórias, ensaios, poesia, peças de teatro. Em terceiro lugar, comentaram os trabalhos dos vossos colegas? Em quarto lugar, e isto é convosco, conseguem pensar sobre esta experiência e perguntar a vocês próprios o que aprenderam? Em quinto lugar, limitaram-se a estar aqui sentados e a sonhar? Se foi iss0 que fizeram, avaliem-se por isso. (...)É nesta altura que o professor fica sério e levanta a Grande Questão: Afinal, o que é o ensino? Que estamos a fazer nesta escola? Podem dizer que querem acabar o curso para irem para a faculdade e prepararem-se para uma carreira. Mas, meus caros alunos, é mais do que isso. Eu próprio tive de me interrogar sobre o que estava a fazer nesta sala de aula. Descobri uma equação. Vou escrever do lado esquerdo do quadro um M maiúsculo e do lado direito do quadro um L maiúsculo e depois faço uma seta da esquerda para a direita, de MEDO para LIBERDADE. Acho que nunca ninguém é completamente livre, mas o que estou a tentar fazer com vocês é empurrar o medo para um canto. (...)Uma professora substituta, ainda nova, sentou-se ao pé de mim no refeitório dos professores. Ia começar a dar aulas em Setembro e queria saber se eu tinha algum conselho para lhe dar. Descobre o que gostas de fazer e faz. É tão simples quanto isso. Admito que nem sempre gostei de ensinar. Era de mais para mim. Estamos sozinhos na sala de aula, um homem ou uma mulher, com cinco turmas por dia, cinco turmas de adolescentes. Uma unidade de energia contra cento e setenta e cinco unidades de energia, cento e setenta e cinco bombas-relógio. Temos de descobrir maneiras de salvarmos a vida. Eles podem gostar de nós, podem até adorar-nos, mas são jovens e a função dos jovens é expulsar os velhos do planeta. Sei que estou a exagerar, mas é como um pugilista que vai para o ringue ou um toureiro que entra na arena. Podemos ser deitados ao tapete ou levar uma cornada, e é o fim da nossa carrreira de professores. Mas, se persistirmos, aprendemos os truques. É difícil, mas temos de nos sentir à vontade na sala de aula. Temos de ser egoístas. Quando andamos de avião, dizem-nos que, se faltar o oxigénio, temos de pôr primeiro a máscara, mesmo que o nosso instinto seja salvar uma criança. A sala de aula é um lugar de emoções fortes. Nunca sabereemos o que fizemos pelas centenas de alunos que chegam e partem. Vemo-los a saírem da sala de aula: sonhadores, impávidos, trocistas, sorridentes, confusos. Ao fim de alguns anos, começamos a ter antenas. Percebemos quando conseguimos chegar até eles ou quando os afastamos. É química. É psicologia. É instinto animal. Estamos com os miúdos e, se quisermos mesmo ser professores, não há fuga possível. Não contes com a ajuda dos que fugiram à sala de aula, as pessoas dos gabinetes. Frank McCourt (2009). O Professor. Lisboa: PresençaAinda só li excertos, numa compra vivamente recomendada por um amigo. É um livro que não nos deixa indiferentes (um dos melhores elogios a um livro...), mesmo quando pudemos discordar, como é, em parte, o caso da sequência inicial sobre os critérios de avaliação (aqui substituídos por uma visão artística e holística... que também pode ter o seu lugar.)
September 24 2009, 9:45am | Comments »
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De volta à Ordem dos Professores
http://dererummundi.blogspot.com/2009/09/de-volta-ordem-dos-professores.html
Novo post de Rui Baptista (na foto, recente manifestação de professores em Portugal):“É necessário elaborar uma ideia antes de se intentar uma definição” (James Baldwin, 1887-1924). Os comentários de Helena Ribeiro e João Boaventura ao meu post anterior,“O Estatuto da Carreira Docente e a Fenprof”, pelas questões pertinentes levantadas pela primeira e pelas perspectivas interessantes apresentadas pelo segundo, sugerem-me uma resposta que não deslustre, uma vez que abordam um problema que está longe de esgotado. Ou seja, a questão da Ordem dos Professores continua na ordem do dia, tendo passado de um silêncio quase envergonhado a uma viva discussão pública.Começo pela questão da profissão liberal que continua a ser o último reduto argumentativo dos contraditores à criação dessa Ordem (como refere Helena Ribeiro). De início, eu próprio me debati com o problema do significado de profissão liberal stricto sensu (ou seja, aquela exercida por conta própria), embora mesmo nessa perspectiva não batesse a bota com a perdigota. Isto é, a fazer nela finca-pé só seria obrigatório aos médicos que trabalhassem nos seus consultórios a inscrição na sua ordem profissional. Mas a realidade é outra: ao médico, ainda que em exclusividade no serviço hospitalar (tendo como patrão o Estado), só é permitido o exercício da medicina sob essa condição.Assim, não me contentando com esta espécie de raciocínio, embrenhei-me no estudo de fontes dignas de crédito que transcrevi no meu livro de 2004 Do Caos à Ordem dos Professores (pp. 108-1099):“No desejo de encontrar o fio de Ariadne de uma controversa questão, afadiguei-me como postulante em buscas aturadas em fontes merecedoras de confiança. Deparei-me então com um parecer do Dr. Lopes Cardoso, à época bastonário da Ordem dos Advogados: É necessário que, mesmo quando exercida em regime de contrato de trabalho, essa profissão seja reconhecida socialmente como relevando de grande valor precisamente porque exigindo, pelo menos, uma independência técnica e deontológica incompatível com uma relação laboral de pleno sentido. Com efeito, como tem sido definido doutrinalmente, a noção jurídica de subordinação aparece no direito moderno como perfeitamente compatível com a independência técnica do assalariado" (Cadernos de Economia, Publicações Técnico-Económicas, ano II, Abril/Junho de 1994)”.Por seu turno, João Boaventura problematiza (e fundamenta com argúcia) uma outra forte objecção à criação da Ordem dos Professores de natureza institucional, quando escreve: “O Governo, por constituir-se como uma instituição a-científica, preocupada com a centralização da educação, perderia no confronto com a Ordem dos Professores por, contrariamente àquele, se constituir como uma instituição científica na medida em que a sua preocupação central seria a de libertar-se do jugo que tudo subverte”.Mutatis mutandi, o sindicalismo perderá terreno (igualmente, e segundo penso) com a criação da Ordem dos Professores, dando a própria Fenprof conhecimento público desse receio no seu sítio em 20/06/2008:“Em momentos particularmente agudos de ataque à classe e à profissão, tem caminho fácil a ilusão de que uma "ordem" contribuiria para unir a classe eventualmente dividida e, por essa via, aumentar a capacidade reivindicativa. É uma óbvia ilusão: a criação de uma ordem, no actual contexto, seria mais um factor de divisão. E é uma ilusão enganadora: o campo de intervenção de uma ordem restringe-se ao plano das questões éticas e deontológicas que não são, para já, as questões centrais das preocupações dos professores e das escolas - até porque há uma ética e uma deontologia historicamente construídas assumidas e respeitadas pela classe docente. Os Sindicatos de Professores têm sido e continuarão a ser espaços de análise e discussão das questões da Ética e Deontologia da profissão, conscientes que da sua clara assunção também beneficia a imagem social dos professores que só ilusoriamente seria melhorada pela criação de uma eventual ordem“.Ou seja, propõe-se a Fenprof abusivamente meter foice em seara alheia em questões de natureza ética e deontológica da pertença de ordens profissionais. Aliás, dessa sua tendência nos dá conta Eugénio Lisboa: “Para tudo isto os sindicatos têm dado uma eficaz mãozinha, não raro intervindo, com desenvoltura, em áreas que não são, nem da sua vocação nem da sua competência” (“Jornal de Letras”, n.º 964, de 12 a 25/09/2007).O Prof. António Nóvoa, reitor da Universidade de Lisboa, numa conferência realizada no Brasil, em Outubro de 2006, a convite do Sindicato dos Professores de São Paulo, intitulada “Desafios do trabalho do professor no mundo contemporâneo”, teceu valiosas considerações sobre uma melhor organização das profissões, de que faço o seguinte extracto:“O primeiro desafio é a ideia de uma melhor organização da profissão. Os modelos de organização dos professores, e em particular dos modelos sindicais – falo da Europa que conheço melhor -, não têm sido capazes de atender aos grandes debates da profissão e aos grandes debates da escola. Isto é, eles não se renovaram suficientemente ao logo dos últimos 30 ou 40 anos. Ficaram um pouco prisioneiros de um combate num plano mais macro, que é um plano importante, sobre questões salariais, sobre determinadas conquistas dos professores, um plano absolutamente essencial. Mas eles não conseguiram criar um modelo de organização mais centrado nas escolas.A profissão tem um deficit grande de organização no interior das escolas. Enquanto outras profissões conseguiram manter as duas camadas, uma mais macro, a exemplo das grandes ordens dos médicos, dos farmacêuticos ou engenheiros, que conseguiram manter um nível de debate político macro muito forte, mas isso não os impediu de terem modelos de organização nas instituições muito mais fortes do que os nossos. Os modelos de organização dentro das escolas são muito débeis, muito burocráticos. E isso tem-nos prejudicado muito”.Confrontei algumas opiniões contra a criação da Ordem dos Professores de que não comungo por ser minha forte convicção que, nos contornos contemporâneos, a profissão de professor nada tem a ver com a distinção que na Roma Antiga se estabelecia entre profissões livres e profissões servis estando destinado aos escravos gregos o papel de pedagogos dos filhos dos senhores do Império Romano ou mesmo de meros acompanhantes a caminho da escola.Rui Baptista
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September 6 2009, 6:10pm | Comments »
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Já é mais do que sabido, mas
http://terrear.blogspot.com/2009/09/ja-e-mais-do-que-sabido-mas.html
Bolívar chama a atenção para a importância das emoções no ensino, ao referir que a mudança educativa com vista à melhoria não pode ignorar as emoções, sentimentos e horizontes profissionais dos professores, colocando, assim, a ênfase na dimensão pessoal da mudança. De facto, as mudanças educativas e as reformas afectam sobretudo as relações que os professores têm no seu trabalho, uma vez que estas estão no núcleo dos processos de ensino e aprendizagem. Neste sentido, Hargreaves (2003), cit in Bolívar (2007) defende que a face pessoal e emocional da mudança educativa ocupa um lugar decisivo na prática docente.
September 6 2009, 8:48am | Comments »
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ENTREVISTA SOBRE REGRESSO ÀS AULAS
http://dererummundi.blogspot.com/2009/09/entrevista-sobre-regresso-as-aulas.html
Mini-entrevista sobre memórias escolares que dei ao "Correio da Manhã", publicada ontem:P - Como recorda o seu primeiro dia de aulas?R- O meu primeiro dia de aulas foi no início de Outubro de 1962 (mês em que se deu a crise dos mísseis de Cuba, que quase dava uma guerra mundial), na Escola Primária da Voz do Operário, na Ajuda, em Lisboa. Já não me lembro bem. Mas, pegando na expressão de Fernando Pessoa, de início estranhei, mas depois entranhei. Regressei sempre às aulas em todos os Outubros seguintes!P- O momento mais marcante que teve na escola?R- Quando entrei no doutoramento em Frankfurt, na Alemanha, em Outubro de 1979. Longe de casa, era um mundo novo que se abria para mim... Mal comparado, era como se tivesse estado na Terra e nessa altura descobrisse a Lua.P- Aquele que considera ser o professor que o mais marcou e porquê?P-Tive muitos e bons professores que me marcaram. Mas um dos que achei mais extraordinários foi um velho professor, ou melhor investigador, da Universidade de Coimbra, o Dr. Pedro Martins, infelizmente já falecido. Apesar de ser cego, ensinava, no último ano, recorrendo apenas à memória, a física teórica que ele tinha aprendido há muitos anos. Fixei aquilo tudo e ele deu-me a nota máxima no exame. Como é que não hei-de ter boa memória dele?
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September 5 2009, 6:24pm | Comments »
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Contra um código de conduta
http://dererummundi.blogspot.com/2009/09/contra-um-codigo-de-conduta.html
Em Inglaterra existe um organismo denominado General Teaching Council for England que reúne diversos actores educativos e assume várias funções no campo da educação, desde a análise de manuais escolares, ao reconhecimento de diplomas para acesso à carreira docente, passando pelo incentivo às escolas para introduzir as Novas Tecnologias da Informação. Também realiza estudos vários e, naturalmente, pareceres.Há uns tempos este organismo propôs um código de conduta para professores designado por Code of Conduct and Practice for Registered Teachers (que se encontra publicado no livro Deontologia das Profissões da Educação de A. Reis Monteiro, Almedina, 2008), que entrará em vigor no próximo mês de Outubro.Nesse código estão consagrados oito princípios:1. Pôr o bem-estar, desenvolvimento e progresso das crianças e jovens em primeiro plano;2. Assumir a responsabilidade de manter a qualidade das suas práticas de ensino;3. Ajudar as crianças e jovens a tornarem-se alunos confiantes e bem sucedidos;4. Demonstrar respeito pela diversidade e promover a igualdade;5. Esforçar-se estabelecer parcerias produtivas com pais e outros parceiros educativos;6. Trabalhar como parte integrante da escola e de equipas;7. Cooperar com outros profissionais na organização do trabalho dos alunos;8. Demonstrar honestidade e integridade e manter a confiança pública na profissão de ensino.No último ponto deste oitavo princípio preceitua-se que o professor deve: “Demonstrar padrões adequados de comportamento que permitam manter um ambiente de aprendizagem eficaz, a confiança do público e a confiança na profissão”.Ora, é sobretudo este aspecto que tem deixado os professores ingleses muito apreensivos.Chris Keates, secretário geral do maior sindicato de professores, o NASUWT (National Association of Schoolmasters and Union of Women Teachers), afirmou que o código "deu a impressão que os professores não são de confiança” e que, com base nele, é possível haver intromissão na sua vida privada, constituindo uma afronta aos direitos humanos.Concretizando, disse que, por princípio, o sindicato não está contra um código de conduta, mas que não pode estar a favor do código em causa, pois ele abre a porta a abusos. Por exemplo, se o professor falar de modo apaixonado dos assuntos que lecciona, pode ir contra o que está preceituado no código porque não estar a ser imparcial?Efectivamente, ao prescrever comportamentos e atitudes aos professores, mesmo quando eles não estão na escola, em serviço, permite um controlo de todos os aspectos da sua vida e não apenas naqueles que tocam estritamente à docência. Nessa medida, qualquer desvio da norma, em qualquer circunstância pessoal ou profissional, poderá pôr a carreira dos professores em causa.Tudo isto foi negado por Keith Bartley, que dirige o referido General Teaching Council for England, quando afirmou estar "absolutamente explícito" que o código não se intromete na vida privada dos professores.O que é certo é que o NASUWT redigiu e está a fazer correr uma petição que apela à anulação do tal código e que já reuniu milhares de assinaturas de docentes, os quais, pelos vistos, não estão muito certos de que isso seja verdade.
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September 3 2009, 5:19pm | Comments »
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Esta vida de professor…
http://dererummundi.blogspot.com/2009/08/bernard-houot-era-um-engenheiro-bem.html
Bernard Houot, era um engenheiro bem sucedido, com um salário acima da média e várias outras regalias que não estão ao alcance dos professores. Porém, quando se encontrava na casa dos quarenta, resolveu mudar de profissão e ir… para o ensino.A descoberta de como o sistema educativo e a escola funcionam e de como professores, alunos e pais convivem é relatado num livro intitulado Coeur de Prof, publicado em 1991, que a ASA traduziu para português dois anos mais tarde, designando-o por Esta vida de professor…A escrita bem disposta e aparentemente leve de Houot, remete-nos para questões sérias e profundas que permanecem actuais entre nós. Um delas é a do sucesso/insucesso dos alunos, em relação à qual mais uma vez, por vias de notícias recentes, nos interrogamos neste tempo que ainda é de férias escolares.De entre as várias passagens que remetem para o assunto escolhi a que se segue (páginas 90-92):“Sentimo-nos por vezes excedidos, como um médico de hospital, pela diversidade dos casos que se apresentam à consulta. Para recuperar a confiança, consolamo-nos com os sucessos da medicina. Porque não os terá também a pedagogia?O nosso problema, infelizmente, não é tão simples como o de um médico. Antes de mais os pacientes não se apresentam à razão de trinta e cinco de cada vez. Embora cada um tenha as suas particularidades, temos de tratar todos os casos ao mesmo tempo. Além dos nove ou dez alunos muito lentos pelos quais simplificaríamos de boa vontade a matemática, há vinte alunos médios que parecem acompanhar muito bem e dois ou três cracks capazes de terminar uma demonstração antes de nós. Todos esperam com impaciência que nos ocupemos dos seus casos pessoais.Um médico vulgar não hesita em mandar os seus pacientes para um especialista quando não tem a certeza do seu diagnóstico ou do tratamento a prescrever. Na educação não ocorreria a ninguém pensar que as nossas competências não são universais. Aí está outra diferença relativamente à profissão de médico: nós só podemos contar connosco para tratar seja o que for.Esta última exigência parece-nos bastante normal no momento em que abordamos pela primeira vez a profissão de professor. Estamos convictos que sabemos obter bom aproveitamento de todos os alunos, sem excepção, graças apenas ao nosso trabalho (…).E toca a meter mãos à obra, de fronte erguida. Quando os alunos começam a patinar tomamos a coisa como uma ofensa pessoal. Redobramos os esforços. Estamos persuadidos que os nossos fracassos se devem apenas à falta de tempo, de experiência ou de quantidade de trabalho. Somos obnubilados por um orgulhos insensato que nos remete a um trabalho solitário. Tentamos sempre fazer mais e melhor a ponto de arriscar uma depressão nervosa.É preciso algum tempo e muita modéstia para finalmente reconhecer a evidência: há alunos que não conseguiremos salvar. A nossa incapacidade relativamente a eles nada tem a ver com falta de trabalho, de formação ou de experiência. Está antes ligada à nossa personalidade, ao nosso ritmo, aos nossos métodos, aos nosso defeitos e às nossas qualidades. Ou então relaciona-se com o meio e as condições em que temos de ensinar. Esses alunos não funcionam como nós. Eles não aderem à nossa pedagogia. Eles não têm a nossa maneira de abordar a questão. Ou então não entram nos moldes que lhes propõe o estabelecimento onde ensinamos (…).Quando os alunos não têm sucesso, declara-se de bom grado que têm dificuldades. Poucas pessoas se iludem com sobre este eufemismo. São, antes de mais, os professores e os estabelecimentos que estão em dificuldades.Porque se atribui tão facilmente a responsabilidade pelo fracasso aos alunos e não ao sistema escolar? Será que os professores tiram daí alguma vantagem? Não creio. Embora a linguagem pareça desculpá-los, eles sabem que têm uma parte de responsabilidade (…). Muitos até se consideram mais culpados do que realmente são. Persuadidos de que só devem contar com eles próprios, vivem o sucesso ou fracasso dos seus alunos como uma coisa privada pessoal. Daí a sua vergonha em reconhecerem-se inaptos para tratar os casos de certos alunos, a sua hesitação em recorrer a outras pessoas, a sua recusa de alertar o estabelecimento quando se acham em dificuldades. Toda a declaração de impotência se lhe afigura uma espécie de demissão relativamente à elevada ideia que têm da sua responsabilidade.Ninguém, no seio da Educação Nacional, irá dizer-lhe que devem preocupar-se unicamente, da forma mais séria e aberta possível, com o sucesso dos seus alunos e não pretenderem fazer tudo sozinhos. Ninguém os convida a advertir a direcção do seu estabelecimento, caso experimentem dificuldades".
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August 28 2009, 7:30am | Comments »
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MEDALHAS OLÍMPICAS NA CIÊNCIA
http://dererummundi.blogspot.com/2009/07/medalhas-olimpicas-na-ciencia.html
Minha crónica no "Sol" de hoje (na imagem Pedro Vieira, que ganhou uma medalha de prata em Matemática):Que todas as gerações contêm extraordinários talentos e que esses talentos conseguem passar incólumes à acção nefasta de sucessivos Ministérios da Educação é mostrado pelo recente conjunto de medalhas ganhas por jovens portugueses nas Olimpíadas Internacionais de Matemática e de Física.Pedro Vieira, aluno do Externato Ribadouro no Porto, obteve a medalha de prata na prova de Matemática. Jorge Miranda (Escola Secundária Anselmo de Andrade, Almada), João Pereira (Escola Secundária Domingos Sequeira, Leiria) e Ricardo Moreira (Colégio Paulo VI, Gondomar) conquistaram medalhas de bronze, tendo Jorge Miranda ficado apenas a um ponto da medalha de prata. A equipa olímpica portuguesa conseguiu o seu melhor resultado de sempre, com o seu 33º lugar na classificação geral na competição realizada em Bremen, na Alemanha (a Finlândia ficou em 67º).Por sua vez, três estudantes portugueses obtiveram três medalhas de bronze nas Olimpíadas Internacionais de Física, realizadas em Mérida, no México: Henrique Cabral e Francisca Costa (os dois do Colégio Luso-Francês, Porto) e Sagar Pratapsi (Escola Secundária Carlos Amarante, Braga). Também nesta disciplina a equipa olímpica obteve a sua melhor prestação de sempre.Estes resultados não têm a ver com políticas ministeriais, que no ensino da Matemática e da Física têm sido débeis, descontínuas e inconsequentes, mas sim com o esforço porfiado de escolas de excelência sedeadas em Coimbra (a escola “Delfos” de Matemática e a escola “Quark” de Física). Para que continuem, é preciso continuar a juntar os nossos melhores jovens talentos – que os temos – e prepará-los devidamente – pois sem treino adequado não é possível ter êxito em provas extremamente duras.Mas, para além do êxito nacional, importa registar nestas duas Olimpíadas o facto de o segundo lugar na prova de Matemática ter sido alcançado por uma alemã (logo depois de um chinês e de um japonês) e de a prova de Física ter sido ganho por uma chinesa. As raparigas estão, finalmente, a aparecer nestas duas ciências.
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July 30 2009, 5:09pm | Comments »





