Fátima AlvesDoutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e professora do Departamento de Educação da PUC-RioNa perspectiva da estratificação, as escolhas familiares por estabelecimentos escolares podem ser consideradas ações voltadas à superação ou moderação da estratificação educacional. O estudo explora a ideia de que a estrutura de oportunidades para as famílias de classes populares está relacionada com determinadas estratégias de escolhas do estabelecimento escolar. Este é o caso, por exemplo, das escolas municipais localizadas a uma "melhor" distância da casa do aluno. Os resultados apresentados indicam que estas ações possuem efeitos sobre a aprendizagem dos alunos em comparação aos alunos cujas famílias fazem escolhas "mais tradicionais", de matricularem seus filhos em escolas próximas de casa.No entanto, não posso deixar de mencionar que essas ações diferenciadas das famílias podem, também, agravar o problema da estratificação para quem não faz esse tipo de escolha, já que as escolas de seus filhos perdem os alunos cujas famílias fazem determinadas escolhas em busca da qualidade, diminuindo a "positividade" do efeito de pares. Além disto, apesar de a estrutura do sistema educacional oferecer oportunidades para famílias de classes populares que buscam um diferencial de qualidade, alguns fatores irão limitar a realização de determinadas escolhas. Por exemplo, a opção por educação diferenciada no âmbito de escolas privadas possui diversas limitações: mesmo as mensalidades mais baratas constituem-se em obstáculo intransponível para famílias mais pobres, e mesmo a bolsa integral só pode ser usufruída por crianças de famílias que têm condições de fazer investimentos monetários e de lidar com os desafios culturais associados a este tipo de escolha de estabelecimento escolar.A despeito da importância que este estudo concede às mencionadas estratégias de mobilização familiar para o acesso dos filhos às escolas com diferencial de qualidade, não assumo, a priori, que elas conduzam automaticamente as crianças ao sucesso escolar, pois estudos recentes indicam diversos mecanismos que engendram desigualdades educacionais. Dentre os resultados encontrados destacam-se: a) mais variabilidade de desempenho escolar entre turmas de uma mesma escola do que entre escolas públicas (Machado Soares, 2005), indicando processo de estratificação dentro dos estabelecimentos escolares; b) indicação de que a seleção e a abordagem de conteúdos matemáticos são fortemente condicionadas por características do perfil socioeconômico médio dos estudantes das escolas e das turmas (Ortigão, 2005); e c) desenvolvimento de estratégias de fechamento (closure strategy) por parte das famílias de classe média como, por exemplo, pressionar as escolas para alocarem os alunos em turmas por nível de habilidade, por receio de que a presença de crianças de classes populares diminua o grau de exigência dos professores e, consequentemente, a qualidade do ensino (van Zanten, 2003).Os resultados apontados também contribuem para a reflexão sobre o significado do debate da existência de possibilidade de escolha de escola no setor público, particularmente intenso em alguns países. A visão prevalente entre a maior parte dos estudiosos do assunto é de que a existência de escolas públicas diferenciadas e o movimento de school choice têm como principal consequência o aumento da estratificação social e o recrudescimento de desigualdades (Adcock e Phillips, 2000; Lee, 1993). Por outro lado, tem ficado cada vez mais claro que argumentos em favor da escolha de escolas não têm origem exclusiva em setores privatistas, e, ao longo da última década, alguns pesquisadores têm produzido evidências de que a escolha escolar pode ter efeitos sobre a diminuição da segregação racial e sobre o aumento da equidade (Gamoran, 1996; Smrekar e Goldring, 1999). Sem dúvida, este é um tema polêmico, com repercussões em termos de política educacional; no entanto, no Brasil, temos poucos estudos enfocando esta temática.Texto integral
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Escolha de escola, igualdade de oportunidades e estratificação social
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November 20 2010, 11:37am | Comments »
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O contributo da teoria da equidade de ADAMS
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Diferentes teóricos tentaram analisar a noção de equidade. A teoria da dissonância cognitiva de FESTINGER inspirou a teoria de ADAMS, elaborada em 1963.[1] Para ADAMS, existe percepção de uma injustiça cada vez que existe uma desigualdade entre o rácio compensação-retribuição de um indivíduo e o rácio dos outros. A compensação corresponde ao aspecto financeiro, interesse prestado, assim como o nível de formação e de qualificação. «O sentimento de desigualdade» é fonte de tensão e de reequilíbrio do rácio contribuição-retribuição. Determina uma lógica de proporcionalidade entre esforço e recompensa. A necessidade de equidade leva os indivíduos a procurarem um certo equilíbrio, uma harmonia modificando os seus comportamentos. Cada membro da organização compara-se aos outros e todo o desequilíbrio não justificado implica uma acção de reajuste.Para ADAMS, os indivíduos têm necessidade de se sentirem tratados de forma justa e imparcial em relação aos outros, no seu intercâmbio com a organização. A teoria da equidade desenvolvida por ADAMS, teve um eco importante em matéria de psicologia do trabalho. Permite compreender o processo de comparação social no seio da organização. Para ADAMS, o sentimento de equidade é um aspecto fundamental da relação entre o indivíduo e a sua organização. O ser humano tem necessidade de se sentir tratado de forma justa e imparcial. Toda a injustiça arrasta uma acção para restabelecer o equilíbrio. O modelo teórico de Adams dá relevo ao impacto do sentimento de equidade sobre a motivação. A teoria da equidade assenta no princípio que, em toda a relação de troca, o indivíduo procura estabelecer uma relação entre o que dá e o que recebe. «O sentimento de desigualdade» cria uma tensão cuja intensidade é proporcional à importância da desigualdade sentida. A vontade de reduzir esta desigualdade afecta inevitavelmente a motivação.Para ADAMS, existe uma semelhança entre o processo de troca no quadro das relações sociais entre os indivíduos e as relações comerciais no quadro das transacções do mercado. As diferentes estratégias de redução da desigualdade variam segundo as circunstâncias. O indivíduo pode ser tentado a aumentar o seu esforço se for inferior às vantagens concedidas ou ao trabalho dos outros; de reduzir o seu esforço, se for superior às vantagens recebidas ou ao trabalho de outrem; procurar aumentar as suas vantagens se forem inferiores aos esforços que fornece e aos dos outros. Pode igualmente procurar reduzir as suas vantagens se forem superiores às dos outros e ao seu próprio contributo. Enfim, se o sentimento de desigualdade for demasiado forte, ele pode optar por deixar a sua actividade, demitindo-se.[1] J.S. ADAMS: Inequity in social exchange, New York academic press, 1965.InXavier Montesserrat, ob citada
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June 5 2009, 4:06pm | Comments »
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A noção de «desigualdade sentida»: um processo de comparação social determinante
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Toda a relação de troca inscreve-se num processo de comparação social. O sentimento de desigualdade desencadeia um comportamento que visa restabelecer o equilíbrio por uma variação da actividade ou uma modificação do nível de motivação. A percepção do sentimento de equidade ou desigualdade resulta de uma interpretação subjectiva do modo de tratamento de uma pessoa, em relação a outras na mesma situação. Esta comparação origina uma reacção de compensação da qual decorre uma desmotivação ou uma sobre-motivação. A equidade de tratamento de pessoas que exercem, nas mesmas condições, as mesmas funções, é determinante em matéria de gestão da motivação.Diferentes níveis de comparação social podem ser tidos em conta para instaurar o sentimento de desigualdade: a analogia com os outros, a comparação consigo próprio numa situação anterior, a tomada em conta do empenhamento explícito do empregador.Uma injustiça distributiva, que se segue a uma decisão, só desencadeia geralmente reacções individuais, pelo contrário uma injustiça processual relativa à percepção não igualitária dos procedimentos é susceptível de desencadear reacções colectivas. A participação no processo de decisão reforça o sentimento de equidade e reduz o risco de reacção negativa. Convém insistir no carácter muito subjectivo do sentimento de desigualdade, o que ADAMS designa por «igualdade sentida».Não basta que uma decisão seja justa e equitativa, é preciso sobretudo que seja percebida como tal. Toda a relação de troca inscreve-se num processo de comparação social que afecta a motivação.Idem, ibidem
May 29 2009, 8:18pm | Comments »
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A equidade equilibra a relação contribuição/retribuição
http://terrear.blogspot.com/2009/05/equidade-equilibra-relacao.html
«A igualdade consiste em cortar todos as espigas que ultrapassam outras» afirmava o tirano PISITRATE, apoderando-se do poder em Atenas, em 561 a.C. A equidade é uma noção diferente, é uma aspiração igualitária face a uma realidade heterogénea. Ela leva à procura, mais ou menos consciente, de uma regra de aplicação geral para resolver os problemas individuais e lutar contra o arbitrário. Em toda a organização, cada um se inscreve num processo de comparação social e considera legítimo procurar uma compensação de acordo com os seus esforços pessoais. Este processo geral de luta contra a desigualdade diz respeito às relações comerciais e não comerciais. Em matéria de gestão, a procura de equidade como fonte de motivação assenta em três princípios: «o princípio da sinceridade» que exclui toda a tentação de manipulação, «o princípio da transparência» que põe em evidência o contrato claro e «o princípio da permanência dos métodos» que garante o respeito da regra do jogo no tempo.in Xavier Montserrat, ob cit
May 28 2009, 1:48pm | Comments »
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Equidade Educativa e Teorias da Justiça
http://terrear.blogspot.com/2008/10/equidade-educativa-e-teorias-da-justia.html
(...)
El modo en que llegue a implementarse la igualdad es dependiente de cada política educativa, a su vez congruente con una ideología y con una determinada teoría de la justicia. Que todos tengan las mismas oportunidades depende de qué características de los individuos (como el talento, el mérito, el esfuerzo, la riqueza, etc.), son moralmente arbitrarias para la educación y, por tanto, debía
October 13 2008, 3:44pm | Comments »
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