Já aqui a convocámos. Já aqui a celebrámos. Porque sem esperança aprofissão docente é impossível. Sem acreditar que amanhã vai poderser um pouco melhor. Sem crer no ser humano e na suaperfectibilidade. Sem pensar que os nossos alunos vão crescer emconhecimento, sensatez, capacidade de intervir e mudar o seupequeno mundo. Sem trabalhar numa lógica de entreajuda, deconfiança e cooperação. Sem agir com um sentido de aliança,reforçando tudo aquilo que nos une (sem esquecer o que nos separa e desune).Sabemos o peso dos dias. As desautorizações, por vezes, frequentes. Asdificuldades de existir face a alunos irrequietos, alheados, turbulentos.Ou até indisciplinados e que não querem aprender. Conhecemos essa afronta maior. A extrema dificuldade de lidar ao mesmo tempo com 25 ou 30alunos – o que não acontece com nenhuma outra profissão. Semprenuma contínua exposição, sempre no risco de não saber, no fio da navalha.E no entanto. Não podemos desistir. Não podemos abdicar de pensar esentir o orgulho de sermos professores. Construtores do futuro. Construtores de humanidade. Solidários, mas longe do balido do rebanho.E de agir no sentido de nos unirmos em torno do essencial. Em torno de uma mútua securização. Em torno do fazer aprender os alunos.Em termos do reforço da confiança em nós próprios.Temos de ser os nossos principais aliados neste tempo difícil ecomplexo. Felicitando-nos pelo muito de bom que fazemos.Partilhando ideias e recursos. Enriquecendo os nossos modos deensinar e educar. Mas também não deixando de denunciar comportamentos indignos do ser professor. E temos de ser nós os primeiros a dizê-los. Em nome do nosso bom nome.E neste início de ano é esta alegria breve que temos de procuraracender. Contra a escuridão. E contra todos os mestres e ceguinhosque querem colocar nas ruas da amargura o primeiro de todos osofícios. Mesmo quando, aparentemente, estão na primeira linha da sua defesa.
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Para uma Pedagogia da Esperança
http://terrear.blogspot.com/2010/01/para-uma-pedagogia-da-esperanca.html
January 5 2010, 6:55am | Comments »
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Anjos com uma asa
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Era uma vez, há centenas de anos, um homem que uma noite caminhava pelas escuras ruas duma cidade do oriente, com uma lâmpada acesa. Encontra-se com um amigo que, surpreendido, lhe pergunta:- Que fazes tu, que és cego, com uma lâmpada acesa nas mãos?...- Responde o cego:- Não levo a lâmpada para poder ver o meu caminho. Conheço as ruas de cor em plena escuridão. Levo esta luz para que os outros, quando derem comigo, possam descobrir o seu caminho.A esperança radica na ajuda mútua, na justa convivência, na solidariedade. Li numa parede da cidade de São Salvador de Jujuy este grafito: Somos anjos com uma asa. Precisamos de nos abraçar para poder voar.(Miguel Santos Guerra. No coração da escola)
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December 27 2009, 2:48pm | Comments »
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A FELICIDADE (E A ESPERANÇA)
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Ontem senti que o inverno me havia reservado uma alegre surpresa. Revelavas meus pensamentos em voz alta. — E se a vida fosse um mistério vão? — Fica em teu exílio, não sejas cruel para com aquele vago sentido de esperança que é tudo que nos resta. Coisa diversa é a felicidade. Existe, talvez, mas não a conhecemos. Eugénio Montale (tradução de Ivo Barroso)(via Amélia Pais)
October 12 2009, 4:30am | Comments »
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Nenhuma Ferida é um Destino
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A crónica de hoje de Miguel Santos Guerra. Oportuna. Contra a desgraça, contra o fatalismo, contra o determinismo, contra a estupidez.Algunos piensan que están condenados a ser desgraciados de por vida cuando les ha ocurrido una desgracia (maltrato, violación, oprobio) en la infancia o en la juventud. No hace falta ser muy sagaces para comprobar que hay muchos niños en el mundo (y muchas niñas, sobre todo muchas niñas) que tienen una infancia atroz. Víctimas de la guerra, víctimas de los malos tratos, víctimas de vejaciones, víctimas de abandono, víctimas del desamor… Unos de manera visiblemente aterradora. Otros de manera camuflada, pero no menos cruel. ¿Tienen ya destruida su vida? ¿Están marcados para siempre? No. Hay que poner cerco al fatalismo, al determinismo, a las creencias que forjan destinos inapelables.Boris Cyrulnik subtitula su obra “Los patitos feos” con una frase que resume su tesis básica: “La resiliencia: una infancia infeliz no determina la vida”. La resiliencia, es “una propiedad que define la resistencia de un material a los choques”. El autor utiliza el concepto como sinónimo de “resistencia al sufrimiento”. Señala tanto la capacidad de resistir las magulladuras de la herida psicológica como el impulso de reparación psíquica que nace de esa resistencia.Texto integral
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October 10 2009, 11:05am | Comments »
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Recomeça
http://terrear.blogspot.com/2009/09/recomeca.html
Se puderesSem angústiaE sem pressa.E os passos que deres,Nesse caminho futuroDá-os em liberdade.Enquanto não alcancesNão descanses.De nenhum fruto queiras só metade. E, nunca saciado,Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.Sempre a sonhar e vendoO logro da aventura.És homem, não te esqueças!Só é tua a loucuraOnde, com lucidez, te reconheças…Miguel Torga(com agradecimento a AC)Quase de certeza aqui já inscrevi(vi) este magnífico Poema neste espaço. Recebido agora (como se ainda fizesse, de facto, parte do DLR - e talvez faça...) aqui o retomo. Para desejar a todas as professoras e professores um ano lectivo mais sereno, mas também mais exigente e lúcido.
September 9 2009, 1:58pm | Comments »
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O Lado Bom do Mau
http://terrear.blogspot.com/2009/04/o-lado-bom-do-mau.html
A crónica de hoje de Miguel Santos Guerra:Estamos en crisis. Unos más que otros, pero estamos en crisis. No hay persona de ningún sector de la sociedad a la que haya preguntado si estaba afectada por la situación que me haya respondido negativamente. Taxistas, libreros, comerciantes, editores, constructores, comerciantes, albañiles, fabricantes… Se habla de la crisis, se describen minuciosamente sus efectos, se maldice a los usureros que la han provocado, se hacen juicios catastrofistas, se golpea al gobierno desde la oposición como si fuese su principal artífice… Pero se habla menos de lo que se puede hacer para salir de ella, de cuál es la actitud con la que se la debe afrontar.Ya sé que llevarle ideas de esta naturaleza a quien tiene necesidades apremiantes puede considerarse una osadía y, quizás, una desfachatez. Se me dirá: Lo que necesita quien no puede comer, es comida. Lo que desea quien no tiene dinero, es dinero. Pero, si bien se piensa, acaso no es tan descabellado invitarle a esas personas a que busquen la manera de hacerse con alimento o con dinero. Más aún, acaso no es tan estúpido decirle con qué actitud se puede vivir esa temporal carestía. Es difícil persuadir a un parado que no cobra el desempleo de que su situación tiene un lado positivo. Debe satisfacer las necesidades básicas de los suyos desde una precariedad absoluta. Insoportable realidad a la que difícilmente se puede encontrar una dimensión positiva. Pero la hay. Es difícil convencer a un empresario que tiene que cerrar el negocio con el que mantenía a la familia de que en esa dramática situación puede haber una perspectiva deseable. Pero la hay.No es fácil determinar por qué y cómo se ha entrado en esta crisis que tiene dimensiones mundiales y concreciones nacionales. Si no se sabe con claridad por qué y cómo hemos entrado en crisis, más difícil es saber cómo vamos a salir y en qué plazos. Los problemas financieros tienen una estructura compleja. Jefrey Kluger, periodista de la revista Times, ha escrito recientemente un interesante libro titulado “Simplejidad”, palabra que fusiona los términos simplicidad y complejidad. En él explica por qué las cosas simples acaban siendo complejas y las cosas complejas pueden ser simples. En el primer capítulo responde a la siguiente pregunta: ¿Por qué es tan difícil predecir el marcado de valores?Crónica integral.
April 11 2009, 9:35am | Comments »
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http://terrear.blogspot.com/2009/03/ja-aqui-referi-e-citei-algo.html
Já aqui referi e citei (algo extensivamente) este livro - O Mundo da Liderança, de Thomas Sergiovanni - que glosa as duas metáforas do mundo-da-vida e do mundo-dos-sistemas (que o autor vai buscar a Habermas). Um dos nossos problemas é que nos esquecemos que tem de ser o mundo-da-vida a comandar o mundo-dos-sistemas (e não ao contrário, como largamente tem acontecido).Para todos nós, o desafio da liderança assume-se como uma tarefa formidável. A boa notícia é que, apesar de um clima de reforma que muitas vezes frustra a personalidade institucional, a personalidade continua a existir, de qualquer forma, em muitos sítios. Para além disso, a maioria das pessoas que querem melhorar as escolas reconhecem a importância dos mundos-da-vida individuais e colectivos e o seu impacto na personalidade da escola. Talvez este livro possa dar um contributo valioso centrando a sua atenção nestes assuntos e incentivando discussões que conduzam a estratégias práticas para o respeito das diferenças, embora mantendo a unidade, honrando e usando lealdades estratificadas e considerando as escolas como comunidades inseridas noutras comunidades. Em suma, o mundo-da-vida é a essência da esperança. E o mundo-dos-sistemas é o meio para atingir essa esperança. Ambos são necessários para que as escolas floresçam. As escolas e as comunidades locais podem ser as linhas avançadas na defesa dessa esperança, mantendo o equilíbrio adequado. A possibilidade de atingir este equilíbrio a todos os níveis da governação, desde o edifício governamental até ao edifício escolar, pode ser o objectivo mais importante da liderança.
March 4 2009, 11:06am | Comments »
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