Conta-se que um poeta estava um dia passeando ao crepúsculo em uma floresta, quando de repente surgiu diante dele uma aparição do maior dos poetas, Virgílio. Virgílio disse ao apavorado poeta que o destino estava sorrindo para ele e que ele tinha sido escolhido para conhecer os segredos do Céu e do Inferno. Por mágica Virgílio transportou-se e ao poeta, ainda apavorado com experiência tão súbita, ao velho e mítico rio que circundava o submundo. Entraram em uma canoa e Virgílio instruiu o poeta para remar até o Inferno. Quando chegaram, o poeta estava algo surpreso por encontrar um lugar semelhante à floresta onde estavam, e não feito de fogo e enxofre nem infestado de demônios alados e criaturas nojentas exalando fogo, como ele esperava.Virgílio pegou o poeta pela mão e levou-o por uma trilha. Logo o poeta sentiu, à medida que se aproximavam de uma barreira de rochas e arbustos, o cheiro de um delicioso ensopado. Junto com o cheiro, entretanto, vinham misteriosos sons de lamentações e ranger de dentes. Ao contornar as rochas, depararam-se com uma cena incomum. Havia uma grande clareira com muitas mesas grandes e redondas. No meio de cada mesa havia uma enorme panela contendo o ensopado cujo cheiro o poeta havia sentido, e cada mesa estava cercada de pessoas definhadas e obviamente famintas. Cada pessoa segurava uma colher com a qual tentava comer o ensopado. Devido ao tamanho da mesa, entretanto, e por serem as colheres compridas de forma a alcançar a panela no centro, o cabo das colheres era duas vezes mais comprido do que os braços das pessoas que as usavam. Isto tornava impossível para qualquer uma daquelas pessoas famintas colocar a comida na boca. Havia muita luta e imprecações enquanto cada pessoa tentava desesperadamente pegar pelo menos uma gota do ensopado.O poeta ficou muito abalado com a terrível cena, até que tampou os olhos e suplicou a Virgílio que o tirasse dali. Em um momento eles estavam de volta à canoa e Virgílio mostrou ao poeta como chegar até o Céu. Quando chegaram, o poeta surpreendeu-se novamente ao ver uma cena que não correspondia às suas expectativas. Aquele lugar era quase exatamente igual ao que eles tinham acabado de sair. Não havia grandes portões de pérolas nem bandos de anjos a cantar. Novamente Virgílio conduziu-o por uma trilha onde um cheiro de comida vinha de trás de uma barreira de rochas e arbustos. Desta vez, entretanto, eles ouviram cantos e risadas quando se aproximaram. Ao contornarem a barreira, o poeta ficou muito surpreso de encontrar um quadro idêntico ao que eles tinham acabado de deixar; grandes mesas cercadas por pessoas com colheres de cabos desproporcionais e uma grande panela de ensopado no centro de cada mesa. A única e essencial diferença entre aquele grupo de pessoas e o que eles tinham acabado de deixar, era que as pessoas neste grupo estavam usando suas colheres para alimentar uns aos outros.Robert B. Dilts e outrosNo livro Neuro-Linguistic Programming Vol. I (Meta Publications). Tradução: Virgílio Vasconcelos Vilela
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Céu e Inferno
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October 20 2010, 4:41pm | Comments »
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Auto-consciência - O Céu e o Inferno
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Conta um velho conto japonês que, certo dia, um aguerrido samurai desafiou um mestre de zen a explicar-lhe os conceitos de Céu e Inferno. Mas o monge respondeu-lhe, trocista: «Não passas de um estúpido e eu não posso perder tempo com gente da tua laia!»Ofendido na sua honra, o samurai encheu-se de raiva e, puxando da espada, gritou: «Podia matar-te pela tua impertinência!»«Isto», replicou calmamente o monge, «é o Inferno». Sobressaltado ao ver a verdade naquilo que o mestre lhe dizia a respeito da fúria que o dominava, o samurai acalmou-se, devolveu a espada à bainha e fez uma vénia, agradecendo ao monge aquela lição. «E isso», disse o monge, «é o Céu.»O súbito despertar do samurai para o seu próprio estado de agitação ilustra a diferença crucial entre ser-se apanhado por uma vaga de sensações e tomar consciência de que se está a ser arrastado por ela. A injunção de Sócrates «Conhece-te a ti mesmo» refere-se a esta pedra angular da inteligência emocional: a consciência dos nossos próprios sentimentos no instante em que eles ocorrem.Poderia parecer à primeira vista que os nossos sentimentos são óbvios; uma reflexão mais cuidada traz-nos seguramente à memória alturas em que estávamos totalmente alheios ao que sentíamos a respeito de determinada coisa, ou só mais tarde nos apercebemos desses sentimentos. Os psicólogos usam uma «palavrão», metacognição, para significarem a consciência das próprias emoções. Eu prefiro o termo autoconsciência, no sentido de uma atenção continuada dada aos nossos estados íntimos. Nessa consciência auto-reflexiva, a mente observa e investiga ela própria as experiências, incluindo as emoções.Esta qualidade de consciência é semelhante àquilo que Freud descreve como uma «atenção discreta e constante», e que recomenda àqueles que desejam praticar a psicanálise. Uma tal atenção observa com imparcialidade tudo o que passa pela consciência, como uma testemunha interessada mas não-interveniente. Alguns psicanalistas chamam-lhe o «ego observador», a capacidade de autoconsciência que permite ao analista observar as suas reacções àquilo que o paciente lhe diz, e que o processo de livre associação alimenta no paciente.Goleman, Daniel (1996).Inteligência Emocional.Lisboa:Temas e Debates (p.66)
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October 17 2010, 1:13pm | Comments »
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Galinheiros, Produtividade e Racionalidade Económica
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" Era uma vez um granjeiro[1] que criava galinhas. Era um granjeiro incomum, intelectual e progressista. Estudou administração para que sua granja funcionasse cientificamente. Não satisfeito, fez um doutorado em criação de galinhas. No curso de administração aprendeu que, num negócio, o essencial é a produtividade. O improdutivo dá prejuízo; deve, portanto, ser eliminado.Aplicado à criação de galinhas esse princípio se traduz assim: galinha que não bota ovo não vale a ração que come. Não pode ocupar espaço no galinheiro. Deve, portanto, ser transformada em cubinhos de caldo de galinha.Com o propósito de garantir a qualidade total de sua granja o granjeiro estabeleceu um rigoroso sistema de controlo da produtividade das suas galinhas. Produtividade de galinhas é um conceito matemático que se obtém dividindo-se o número de ovos botados pela unidade de tempo escolhida. Galinhas cujo índice de produtividade fossem iguais ou superiores a 250 ovos por ano podiam continuar a viver na granja como galinhas poedeiras. O granjeiro estabeleceu, inclusive, um sistema de "mérito galináceo": as galinhas que botavam mais ovos recebiam mais ração. As galinhas que botavam menos ovos recebiam menos ração. As galinhas cujo índice de produtividade fosse igual ou inferior a 249 ovos por ano não tinham mérito algum e eram transformadas em cubinhos de caldo de galinha.Acontece que conviviam, com as galinhas poedeiras, galináceos peculiares que se caracterizavam por um hábito curioso. A intervalos regulares e sem razão aparente, eles esticavam os pescoços, abriam os bicos e emitiam um ruído estridente e, ato contínuo, subiam nas costas das galinhas, seguravam-nas pelas cristas com o bico, e obrigavam-nas a se agachar. Consultados os relatórios de produtividade, verificou o granjeiro que isso era tudo o que os galos – esse era o nome daquelas aves – faziam. Ovos, mesmo, nunca, jamais, em toda a história da granja, qualquer deles havia botado. Lembrou-se o granjeiro, então, das lições que aprendera na escola, e ordenou que todos os galos fossem transformados em cubos de caldo de galinha.As galinhas continuaram a botar ovos como sempre haviam botado: os números escritos nos relatórios não deixavam margens a dúvidas. Mas uma coisa estranha começou a acontecer. Antes, os ovos eram colocados em chocadeiras e, ao final de vinte e um dias eles se quebravam e de dentro deles saíam pintinhos vivos. Agora, os ovos das mesmas galinhas, depois de vinte e um dias, não quebravam. Ficavam lá, inertes. Deles não saíam pintinhos. E se ali continuassem por muito tempo, estouravam e de dentro deles o que saia era um cheiro de coisa podre. Coisa morta.Aí o granjeiro científico aprendeu duas coisas:Primeiro: o que importa não é a quantidade dos ovos; o que importa é o que vai dentro deles. A forma dos ovos é enganosa. Muitos ovos lisinhos por fora são podres por dentro.Dois: há coisas de valor superior aos ovos, que não podem ser medidas por meio de números. Coisas sem as quais os ovos são coisas mortas."Rubem Alves[1] Rendeiro ou caseiro de uma herdade. (N. do E.)
June 24 2010, 5:45pm | Comments »
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O Professor como Educador
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Numa dada noite, três estudantes universitários beberam até altashoras e não estudaram para o teste do dia seguinte.Na manhã seguinte, desenharam um plano para se safarem. Sujaram-se dapior maneira possível, com cinza, areia e lixo. Então, foram ter com oprofessor da cadeira e disseram que tinham ido a um casamento na noiteanterior e no seu regresso um pneu do carro que conduziam rebentou.Tiveram que empurrar o carro todo o caminho e portanto não estavam emcondições de fazer aquele teste.O professor, que era uma pessoa justa ,disse-lhes que fariam umteste-substituição dentro de três dias, e que para esse não haviadesculpas. Eles afirmaram que isso não seria problema e que estariampreparados.No terceiro dia , apresentaram-se para o teste e o professor disse-lhes com ar compenetrado que, como aquele era um teste sob condiçõesespeciais , os três teriam que o fazer em salas diferentes.Os três, dado que tinham estudado bem e estavam preparados,concordaram de imediato.O teste tinha 5 perguntas e a cotação de 20 valores.Q .1. Escreva o seu nome ----- ( 0.5 valores)Q.2. Escreva o nome da noiva e do noivo do casamento a que foi háquatro dias ---(5 valores )Q.3. Diga o tipo de carro que conduziam e cujo pneu rebentou.--( 5 valores)Q.4 . Indique qual das 4 rodas rebentou ------- ( 5 valores )Q.5. Diga qual era a marca da roda que rebentou ---- (2 valores)Q.6. Indique quem ia a conduzir ------ (2.5 valores)(com agradecimento a APS)
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May 16 2010, 6:44am | Comments »
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Sorriso da manhã
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(já li isto algures, talvez até já tenha aqui inscrito este texto anónimo, mas...)Naquele tempo, Jesus subiu ao monte seguido pela multidão e, sentado sobre uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem. Depois, tomando a palavra, ensinou-os, dizendo: Em verdade vos digo, -Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. -Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. -Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles... Pedro interrompeu: - Temos que aprender isso de cor? André disse: - Temos que copiá-lo para o papiro? Simão perguntou: - Vamos ter teste sobre isso? Tiago, o Menor queixou-se: - O Tiago, o Maior está sentado à minha frente, não vejo nada! Tiago, o Maior gritou: - Cala-te queixinhas! Filipe lamentou-se: - Esqueci-me do papiro-diário. Bartolomeu quis saber: - Temos de tirar apontamentos? João levantou a mão: - Posso ir à casa de banho? Judas Iscariotes exclamou: (Judas Iscariotes era mesmo malvado, com retenção repetida e vindo de outro Mestre) - Para que é que serve isto tudo? Tomé inquietou-se: - Há fórmulas? Vamos resolver problemas? Judas Tadeu reclamou: - Podemos ao menos usar o ábaco ? Mateus queixou-se: - Eu não entendi nada... ninguém entendeu nada! Um dos fariseus presentes, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada, tomou a palavra e dirigiu-se a Ele, dizendo: Onde está a tua planificação? Qual é a nomenclatura do teu plano de aula nesta intervenção didáctica mediatizada? E a avaliação diagnóstica? E a avaliação institucional? Quais são as tuas expectativas de sucesso? Tens a abordagem da área em forma globalizada, de modo a permitir o acesso à significação dos contextos, tendo em conta a bipolaridade da transmissão? Quais são as tuas estratégias conducentes à recuperação dos conhecimentos prévios? Respondem estes aos interesses e necessidades do grupo de modo a assegurar a significatividade do processo de ensino-aprendizagem? Incluíste actividades integradoras com fundamento epistemológico produtivo? E os espaços alternativos das problemáticas curriculares gerais? Propiciaste espaços de encontro para a coordenação de acções transversais e longitudinais que fomentem os vínculos operativos e cooperativos das áreas concomitantes? Quais são os conteúdos conceptuais, processuais e atitudinais que respondem aos fundamentos lógico, praxeológico e metodológico constituídos pelos núcleos generativos disciplinares, transdisciplinares, interdisciplinares e metadisciplinares? Caifás, o pior de todos os fariseus, disse a Jesus: - Quero ver as avaliações do primeiro, segundo e terceiro períodos e reservo-me o direito de, no final, aumentar as notas dos teus discípulos, para que ao Rei não lhe falhem as previsões de um ensino de qualidade e não se lhe estraguem as estatísticas do sucesso. Serás notificado em devido tempo pela via mais adequada. E vê lá se reprovas alguém! Lembra-te que ainda não és titular e não há quadros de nomeação definitiva! ... E Jesus pediu a reforma antecipada aos trinta e três anos...
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February 24 2010, 4:27am | Comments »
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Realidades, percepções, interpretações, parasitas
http://terrear.blogspot.com/2010/02/realidades-percepcoes-interpretacoes.html
As nossas interpretações parasitam a nossa comunicação, transparecem frequentemente. Comprometem a qualidade da nossa escuta, porque temos uma opinião sobre o que é dito, e o que nos dizemos a nós próprios impede-nos de estar atento ao que é dito de novo: a voz do nosso pensamento, embora não utilize os mesmos sinais de comunicação, é mais alta que a voz do nosso interlocutor. Não será para abafar as duas vozes que gritámos?O mediador, em si, deve estar particularmente atento à sua forma de gerir os seus próprios parasitas: às suas interpretações, às suas atribuições de intenção, à sua forma de resolver os problemas. Deve demonstrar prudência em relação à sua receptividade, à sua forma de reflectir e à sua forma de comunicar, e para além disso à forma como os outros as apresentam enquanto observações da sua boa fé.A propósito de interpretações e inferências, será que desconhece a história dos cegos e do elefante do mestre Hakim Sanai (Século XII). Eis então: Era uma vez uma cidade em que todos os habitantes eram cegos. Um rei que viajava acampou nas suas imediações. Possuía um elefante. Ninguém na cidade tinha ouvido falar desse animal.Alguns habitantes apressaram-se, apalpando cada um a parte a que tinham acesso. Ninguém imaginava estar equivocado sobre a sua forma de percepção. Prontamente de regresso, cada um era de imediato solicitado. Toda a gente queria saber o que os seus concidadãos não conseguiriam explicar de forma correcta. Faziam perguntas sobre a aparência do elefante, o seu tamanho, a sua forma, a sua pele, o seu cheiro ...Ouviu-se a resposta do homem que tinha tocado na orelha sobre a pele. Disse que o animal era rugoso, de pelo rijo e que a sua forma era semelhante a um tapete muito largo.Então aquele que tinha tocado na tromba falou com medo de um tubo terrível, movediço como uma serpente.Quem tinha tocado nas patas exclamou que aquilo eram apenas intrujices, o elefante era mais para o redondo, como a coluna de um templo, e sólido, impressionante e com certeza muito pesado ...Cada um tinha tocado o animal, mas apenas uma parte e não o podia ter percepcionado correctamente. Nenhum tinha conhecimento da sua globalidade.A imaginação tinha colmatado as falhas de informação já que a natureza, na verdade, detesta o vácuo, e colhido informações que testemunham de uma certa ignorância. Finalmente, nenhuma representação correspondia à realidade.Com o tempo, os outros habitantes que não tinham tocado o animal, fizeram a sua escolha entre os oradores. Cada um confiou naquele que lhe parecia mais convincente e a sua convicção íntima esvaziava as suas dúvidas. Jean-Louis Lascaux
February 18 2010, 3:21am | Comments »
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Os sons da floresta
http://terrear.blogspot.com/2009/10/os-sons-da-floresta.html
No século III a.C., o rei Ts'ao mandou o seu filho, o príncipe T'ai, estudar para o templo sob a direcção do grande mestre Pan Ku. Como o príncipe T'ai ia suceder a seu pai como rei, Pan Ku devia ensinar-lhe os princípios para se tornar num bom soberano. Quando o príncipe chegou ao templo, o mestre mandou-o ir sozinho para a floresta Mingli. Ao fim de um ano, o príncipe devia voltar ao templo e descrever os sons da floresta.Quando o príncipe T'ai voltou, Pan Ku pediu-lhe para descrever tudo aquilo que tinha ouvido. "Mestre", respondeu o príncipe, "eu ouvi os cucos a cantar, as folhas a sussurrar, os beija-flores a cantar, os grilos a cantar, a erva a ondular, as abelhas a zumbir e o vento a murmurar e a chamar". Quando o príncipe terminou, o mestre disse-lhe para voltar para a floresta para escutar o que mais conseguia ouvir. O príncipe ficou confuso com o pedido do mestre. Será que ele não tinha distinguido já todos os sons?Durante dias e noites sem fim, o príncipe esteve sentado sozinho na floresta, à escuta. Mas não ouviu outros sons para além daqueles que já tinha ouvido. Então, uma manhã, quando o príncipe se encontrava silenciosamente sentado debaixo das árvores, começou a distinguir débeis sons, diferentes de todos aqueles que já tinha ouvido. Quanto mais intensamente escutava, mais perceptíveis os sons se iam tomando. Sentiu-se invadido por um sentimento de clarividência. "Devem ser estes os sons que o mestre queria que eu distinguisse", reflectiu.Quando o príncipe T'ai voltou ao templo, o mestre perguntou-lhe o que é que tinha ouvido de novo. "Mestre", respondeu o príncipe, reverentemente "quando escutei com mais atenção, ouvi o inescutável - o som das flores a abrirem, o som do sol a aquecer a terra e o som da relva a beber o orvalho matinal". O mestre acenou com a cabeça em sinal de aprovação. "Ouvir o inescutável", disse Pan Ku, "é uma disciplina necessária para se ser um bom governante. Porque só quando um governante aprendeu a escutar de perto os corações das pessoas, ouvindo os seus sentimentos não comunicados, os seus desgostos inexpressados e as queixas não feitas, é que pode inspirar confiança no seu povo, aperceber-se de quando é que há algo que corre mal, e ir de encontro às verdadeiras necessidades dos seus subordinados. A dissolução dos Estados vem quando os líderes só ouvem palavras superficiais e não penetram profundamente nas almas das pessoas para ouvir as suas verdadeiras opiniões, sentimentos e desejos". [In Exame, Dezembro 2002](com agradecimento ao B)
October 31 2009, 5:01pm | Comments »
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Ensaio sobre a Verdade, em véspera de eleições
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A parte final da crónica de hoje de Miguel Santos Guerra:
Un león fue capturado y encerrado en un zoológico, se encontró con otros leones que llevaban allí muchos años. El león no tardó en familiarizarse con las actividades sociales de los restantes leones, los cuales estaban asociados en distintos grupos. Un grupo era el de los socializantes; otro el del mundo del espectáculo; incluso había un grupo cultural, cuyo objetivo era preservar las costumbres, la tradición en la que los leones eran libres; había también grupos religiosos, que solían reunirse para entonar canciones acerca de una futura selva en la que no habría vallas. Y había, finalmente, revolucionarios que se dedicaban a conspirar contra sus captores. Mientras lo observaba todo, el recién llegado reparó en la presencia de un león que parecía dormido, un solitario no perteneciente a ningún grupo. Al reparar en la presencia del novato, el veterano león dijo: - Ten cuidado. Esos pobres locos se ocupan de todo menos de lo esencial: estudiar la naturaleza de la cerca.
Hasta aquí la historia. No hacen falta muchas disquisiciones para comprender que todos los grupos distraían al león recién llegado de la tarea fundamental que tenía que realizar en aquel lugar que le privaba de la libertad. Podía estar entretenido en muchas actividades, incluso podría estar ajetreado con muchas ocupaciones. Todas le distraían y alejaban de su quehacer fundamental Creo que hay dos finalidades fundamentales en la educación. Una tiene que ver con el desarrollo de la capacidad de pensar. Se refiere a esa dimensión crítica de la que hablaba Paulo Freire. Con sus palabras: pasar de la dimensión ingenua a la dimensión crítica. Una persona educada no se deja engañar fácilmente. Sabe que hay hilos ocultos que mueven las cosas, sabe que hay personas interesadas que mueven esos hilos, sabe que esos hilos no está fatalmente tendidos por fuerzas divinas, sabe que esos hilos se pueden romper…La persona educada no repite mecánicamente los conocimientos adquiridos como si la ciencia fuese neutra e indiscutible. Sabe que también el conocimiento (su producción, su difusión, su utilización) se puede manipular. La persona educado en la esencial es consciente de que está ahí la cerca, de que hay quien está interesado en recrecerla con nuevas piedras y de fortalecerla con nuevas capas de hormigón. Lo hace a veces el poder que pretende hacernos meros súbditos. Lo hace el comercio que quiere convertirnos en meros clientes. Lo hace el mercado que pretende convertirnos en trabajadores eficaces,. Lo hace la publicidad que quiere persuadirnos de que sus intereses coinciden con los nuestros.
Lo esencial de la educación es que ayude a pensar a las personas, que las abra los ojos, que las libre de la asunción acrítica de estereotipos, creencias, mitos, trucos, trampas, leyendas y otras estrategias de dominación.
Hay otra finalidad esencial. Tiene que ver con la dimensión ética. Se trata de aprender a convivir. De aprender a ser felices juntos. Una persona educada tiene valores. Los conoce y los ejercita. Si los conocimientos que adquirimos son utilizados para engañar, robar, mentir, oprimir y explotar a los demás, ¿merece la pena adquirirlos? Existe una obsesión por ganar puestos en las clasificaciones que establecen las evaluaciones del sistema educativo. Está bien. Pero, ¿a dónde nos llevan los buenos resultados académicos? A que los que más saben se aprovechen de los que menos saben, de los que menos tienen, de los que menos pueden? ¿Es eso una buena educación? La cuestión lógica que sigue es preguntarse por el modo de alcanzar esas finalidades esenciales. Podemos saber hacia dónde queremos ir, pero no cómo se llega hasta allí. Para aprender a pensar es preciso romper la visión academicista de la enseñanza. La concepción meramente transmisiva de conocimientos inertes. Es preciso poner el énfasis en la creación, en la investigación, en el análisis, en la crítica, en la argumentación. Para aprender a convivir hay que proponer, practicar, y desarrollar valores. Hay que cultivar también la esfera de los sentimientos. Y hay que hacerlo de manera intencional, compartida y persistente. La última cuestión es preguntarse si se está avanzando en la buena dirección. Comprobar si aquello que se busca a través de los medios elegidos nos está conduciendo a esa meta. Se trata de una comprobación imprescindible. Por que, como he dicho alguna vez: no hay nada más estúpido que lanzarse con la mayor eficacia en la dirección equivocada.
Fonte
September 26 2009, 9:11am | Comments »
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QUE SENTIDO DAMOS À NOSSA VIDA?
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Um homem de negócios norte-americano passeava no cais de uma pequena aldeia costeira do México, quando vê chegar um barquito com um só tripulante, carregado de grandes e reluzentes atuns.Felicitou o mexicano pela qualidade do peixe apanhado e perguntou-lhe quando tempo havia gasto nessa tarefa.- “Oh! só um pouquito”, respondeu o mexicano.- “E porque é que não ficou mais algum tempo, para apanhar mais peixe?”, perguntou o norte-americano.- “Porque já tinha o suficiente para as necessidades da minha família”, retorquiu.- “Mas, então, o que é que você faz ao resto do seu tempo?”, questionou o norte-americano.- “Bom, durmo até tarde, pesco um pouco, brinco com os meus filhotes, durmo a sesta com a minha mulher, vou todas as tardes à vila beber uns copos e tocar guitarra com os amigos. Tenho uma vida cheia e muito ocupada, senhor”, respondeu.Em tom de gozo, disse o norte-americano:- “Sou graduado em Harvard e posso dar-lhe uma preciosa ajuda:Você deveria dedicar mais tempo à pesca, e, com os ganhos, comprar um barco muito maior. Com os lucros conseguidos com o barco maior, poderia ir comprando novos barcos. Com o tempo, poderia ser dono de uma frota de barcos de pesca. Em vez de vender as suas capturas a um intermediário, poderia vendê-las directamente a um grossista. Poderia mesmo chegar a ter a sua própria fábrica de conservas. Controlaria o produto, o processo industrial e a comercialização. Teria que mudar-se desta aldeia para a cidade do México, daí para Los Angeles, e finalmente para Nova Iorque, de onde dirigiria a sua própria empresa em expansão.”- “Mas, senhor, quanto tempo levaria tudo isso?”, indagou o mexicano.- “De quinze a vinte anos”.- “E depois, o quê?”O norte-americano soltou uma estridente gargalhada e afirmou que essa seria a melhor parte: “Quando chegar o momento oportuno, pode vender a empresa na bolsa e ficar muito rico. Ganharia milhões.”- “Milhões, senhor, e depois o quê?”, insistiu o mexicano.- “Então, poderia reformar-se. Iria viver numa pequena aldeia costeira onde poderia dormir até tarde, pescar um pouco, brincar com os seus netos, dormir uma sesta com a sua mulher, e ir de passeio à vila todas as tardes para beber uns copos e tocar guitarra com os amigos.” Com agradecimento a DR
June 17 2009, 3:35am | Comments »
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Todos Somos Deficientes
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Reler Rubem Alves. Para recordar que todos somos deficientes. E que caminhamos para o ser cada vez mais. Quando aprenderemos?Viviam juntos o pai, a mãe, um filho de 5 anos, e o avô, velhinho, vista curta, mãos trêmulas. Às refeições, por causa de suas mãos fracas e trêmulas, ele começou a deixar cair peças de porcelana em que a comida era servida. A mãe ficou muito aborrecida com isso, porque ela gostava muito do seu jogo de porcelana. Assim, discretamente, disse ao marido: - Seu pai não está mais em condições de usar pratos de porcelana. Veja quantos ele já quebrou! Isso precisa parar... O marido, triste com a condição do seu pai mas, ao mesmo tempo, sem desejar contrariar a mulher, resolveu tomar uma providência que resolveria a situação. Foi a uma feira de artesanato e comprou uma gamela de madeira e talheres de bambu para substituir a porcelana. Na primeira refeição em que o avô comeu na gamela de madeira com garfo e colher da bambu o netinho estranhou. O pai explicou e o menino se calou. A partir desse dia ele começou a manifestar um interesse por artesanato que não tinha antes. Passava o dia tentando fazer um buraco no meio de uma peça de madeira com um martelo e um formão. O pai, entusiasmado com a revelação da vocação artística do filho, lhe perguntou: - O que é que você está fazendo, filhinho? O menino, sem tirar os olhos da madeira, respondeu: - Estou fazendo uma gamela para quando você ficar velho... Pois é isso que pode acontecer: se os seus filhos não aprenderem a conviver numa boa com crianças e adolescentes portadores de deficiências, eles não saberão conviver com vocês quando vocês ficarem deficientes. Para poupar trabalho ao seu filho ou filha sugiro que visitem uma feira de artesanato. Lá encontrarão maravilhosas peças de madeira... Fonte
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June 13 2009, 1:37pm | Comments »



