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Para Além das Regras e dos Incentivos...
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January 2 2011, 12:24pm | Comments »
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Professores que marcam
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Do prefácio ao livro acabado de editarOs Professores e a procura de uma ética profissionalEm boa hora este livro passa a poder circular pelo largo espaço público. Fruto de um trabalho de mestrado na Universidade Católica Portuguesa, esta obra identifica as pedras que podem alicerçar uma profissão socialmente mais reconhecida e traceja os caminhos para se construir uma imagem profissional simultaneamente mais consistente e eficaz.Rastreando as memórias das marcas que fizeram a diferença, consolidamos um saber que não podemos ignorar. Os bons professores têm expectativas elevadas (e ajustadas) em relação às possibilidades de realização dos seus alunos; centram o ensino que ministram na compreensão das realidades, não se perdendo nas minudências teóricas, geralmente estéreis; dominam a matéria que leccionam porque se actualizam constantemente e não estão à espera que alguém providencie o conhecimento de que necessitam; gostam de ensinar, apreciam o contacto com as pessoas, confiam e acreditam na perfectibilidade do ser humano; têm consciência do seu inacabamento profissional e por isso procuram, e por isso fazem auto-crítica, e por isso aceitam as críticas de boa fé enunciadas; sabem que a sua actividade se centra mais no fazer aprender do que no ensinar, pois reconhecem o seu próprio insucesso se os seus alunos nada aprenderem (ainda que também saibam que não é o único responsável pelas aprendizagens e, no limite, pode até nem ter qualquer responsabilidade); são claros no enunciado das regras do jogo didáctico e avaliativo e fazem-nas cumprir com firmeza e justeza.Os bons professores que fazem a diferença não precisam de ser super-homens ou super-mulheres. Basta-lhes possuir o sentido de humanidade e de compaixão. Basta-lhes recusar o estatuto de menoridade intelectual e agir como co-autores do seu próprio destino profissional. Basta-lhes reconhecerem a vantagem de trabalharem numa lógica de colaboração e serem membros de uma comunidade profissional aprendente. Mas este bastar é de uma grande complexidade e exigência ética.Porque ser hoje professor é um grande desafio que implica não apenas o conhecimento, mas também a proximidade, o cuidado, o alento, a compaixão. O bom professor é, então, esse ser frágil que precisa do suporte de uma comunidade profissional que tem de ajudar a construir, esse ser disponível para construir humanidade nas relações pedagógicas e sociais, esse ser atento às vulnerabilidades do outro, esse ser que não desiste de inventar dias mais claros.O livro que agora tem na mão foi escrito por alguém que ama a vida e o próximo. Por alguém que faz da gratidão um sentimento essencial da convivência. Por alguém que sabe por onde se pode começar a transformar a docência. Que seja fonte de inspiração para políticos e, sobretudo, para professores. Estou certo que o será. Para todos os que vêem na educação uma oportunidade de acender cada vez mais luz nas trevas que nos ameaçam.(JMA)
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December 12 2010, 11:11am | Comments »
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Já não se fazem pessoas assim.
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Dignidade. Moral. Seriedade. Dedicação ao país. Sentido de missão. Serviço público. Honra. Respeito. Honestidade. Verticalidade.Já não se fazem pessoas assim.Links:http://diario.iol.pt/economia/portugal-eanes-ramalho-eanes-reforma-reformas/990533-4058.htmlhttp://dn.sapo.pt/inicio/interior.aspx?content_id=998115
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October 29 2010, 12:14pm | Comments »
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Mexia vs Mickey
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Esta notícia sobre a pseudo-empresa EDP (sim porque uma instituição que tem monopólio e não se sujeita à concorrência é empresa só no papel) leva-me a fazer três perguntas simples.Pergunta 1: Quando é que eu, contribuinte e cidadão nacional, posso escolher a empresa que me fornece electricidade?Pergunta 2: Será que esta "perda" da EDP não se vai reflectir nas facturas daqueles que não podem "FUGIR" à EDP, isto é, nas facturas de todos nós?Pergunta 3: Se o Dr. Mexia fosse substituído na administração da EDP pelo Rato Mickey a preto-e-branco, os resultados da EDP seriam diferentes?Alguém me pode responder?
October 25 2010, 4:26am | Comments »
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IMAGINEM
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Por Mário CrespoImaginem que todos os gestores públicos das 77 empresas do Estado decidiam voluntariamente baixar os seus vencimentos e prémios em dez por cento. Imaginem que decidiam fazer isso independentemente dos resultados. Se os resultados fossem bons as reduções contribuíam para a produtividade. Se fossem maus ajudavam em muito na recuperação.Imaginem que os gestores públicos optavam por carros dez por cento mais baratos e que reduziam as suas dotações de combustível em dez por cento.Imaginem que as suas despesas de representação diminuíam dez por cento também. Que retiravam dez por cento ao que debitam regularmente nos cartões de crédito das empresas.Imaginem ainda que os carros pagos pelo Estado para funções do Estado tinham ESTADO escrito na porta. Imaginem que só eram usados em funções do Estado.Imaginem que dispensavam dez por cento dos assessores e consultores e passavam a utilizar a prata da casa para o serviço público.Imaginem que gastavam dez por cento menos em pacotes de rescisão para quem trabalha e não se quer reformar.Imaginem que os gestores públicos do passado, que são os pensionistas milionários do presente, se inspiravam nisto e aceitavam uma redução de dez por cento nas suas pensões. Em todas as suas pensões. Eles acumulam várias. Não era nada de muito dramático. Ainda ficavam, todos, muito acima dos mil contos por mês. Imaginem que o faziam, por ética ou por vergonha. Imaginem que o faziam por consciência.Imaginem o efeito que isto teria no défice das contas públicas.Imaginem os postos de trabalho que se mantinham e os que se criavam.Imaginem os lugares a aumentar nas faculdades, nas escolas, nas creches e nos lares.Imaginem este dinheiro a ser usado em tribunais para reduzir dez por cento o tempo de espera por uma sentença. Ou no posto de saúde para esperarmos menos dez por cento do tempo por uma consulta ou por uma operação às cataratas.Imaginem remédios dez por cento mais baratos. Imaginem dentistas incluídos no serviço nacional de saúde.Imaginem a segurança que os municípios podiam comprar com esses dinheiros.Imaginem uma Polícia dez por cento mais bem paga, dez por cento mais bem equipada e mais motivada.Imaginem as pensões que se podiam actualizar. Imaginem todo esse dinheiro bem gerido.Imaginem IRC, IRS e IVA a descerem dez por cento também e a economia a soltar-se à velocidade de mais dez por cento em fábricas, lojas, ateliers, teatros, cinemas, estúdios, cafés, restaurantes e jardins.Imaginem que o inédito acto de gestão de Fernando Pinto, da TAP, de baixar dez por cento as remunerações do seu Conselho de Administração nesta altura de crise na TAP, no país e no Mundo é seguido pelas outras setenta e sete empresas públicas em Portugal. Imaginem que a histórica decisão de Fernando Pinto de reduzir em dez por cento os prémios de gestão, independentemente dos resultados serem bons ou maus, é seguida pelas outras empresas públicas.Imaginem que é seguida por aquelas que distribuem prémios quando dão prejuízo.Imaginem que país podíamos ser se o fizéssemos.Imaginem que país seremos se não o fizermos.
October 21 2010, 3:20am | Comments »
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A Mente Moral
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Marc Hauser é um cientista da cognição, que se dedica ao estudo da cognição em primatas, procurando uma compreensão da evolução da mente. Foi também, até agora, uma das estrelas mais cintilantes da Universidade de Harvard por se ter dedicado a abordar conceitos como a evolução da moralidade. Publicou mais de 200 artigos em revistas de muito elevado impacto, como a Science e a Nature, e foi Young Investigator Award da National Science Foundation americana. Disse foi, porque Marc Hauser foi há pouco considerado culpado de falta de ética científica pela sua própria universidade. Uma comissão nomeada pelo Reitor da U. Harvard, analisou e passou a pente fino a investigação de Hauser, durante 3 anos, analisando todos os trabalhos desde 2002 e chegou à conclusão de que Hauser violou os princípios da conduta científica em 8 situações. Três correspondem a artigos publicados e as restantes cinco a material em submissão ou de relatórios internos. Um dos artigos publicados, na Cognition, foi retirado, outro foi corrigido e o terceiro, na Science, está em discussão com os editores.Isto foi particularmente perturbador para mim que tinha Hauser em grande consideração. Era um dos grandes cientistas da cognição. Em 2003 mostrou (Proceedins of the Royal Society) que pequenos primatas tamarins, ou Saguis-de-cabeça-branca eram capazes de ter uma atitude diferente para outros animais da mesma espécie consoante eles os tivessem ajudado antes ou não – tendiam a ajudar mais os que lhes tinham prestado ajuda antes –, levantando questões muitíssimo interessantes sobre a evolução de conceitos éticos. Este artigo não foi alvo de críticas.Um breve parêntesis aqui:[A ideia feita mais comum é a de que a ética será exclusivamente humana, porque apenas nós somos seres racionais capazes de ter ética. Além de que a ética seria um produto eminentemente cultural. Passemos de lado o atestado de estupidez a nós próprios ao considerar que somos os únicos animais racionais – como se os outros fossem autómatos sem pensamento (pensem nisso quando observarem o comportamento do vosso cão) (e já agora leiam o excelente ‘Livro da Consciência’ de Damásio). E se não for exclusiva? Se tiver bases mais profundas presentes em culturas de outros animais?]Mas outros trabalhos foram considerados contendo erros intencionais que conduziram a conclusões incorrectas, de forma intencional. O que apurou a investigação de facto? Que Hauser manipulou a informação em várias situações (8), quer na codificação/interpretação dos comportamentos observados, quer no seu tratamento estatístico. O que sucedeu? Numa das experiências para determinar se os Saguis tinham respostas diferentes perante discurso humano normal ou manipulado, com o objectivo de saber se eram capazes de reconhecimento de padrões vocais, Hauser e o aluno que fez as experiências codificaram os comportamentos dos animais, a partir de vídeos gravados das experiências. Esta prática comum visa garantir que não há enviesamentos na observação do comportamento. É comum os investigadores guardarem as cassetes para posterior inspecção por outros, se solicitado. Desta vez os resultados de Hauser indicavam um efeito e os do aluno não. Este propôs que os vídeos fossem visionados por um terceiro observador independente, o que Hauser recusou. O aluno fez isso sem seu conhecimento e os resultados entre os alunos foram idênticos. Quando abordaram o assunto no laboratório, com outros alunos, ficaram a saber que esta não era a primeira vez que isso sucedia, o que os levou a denunciar a situação à Faculdade.Hauser foi considerado o único responsável pelos enviesamentos de interpretação.Hauser tinha a tendência para abordar assuntos difíceis e potencialmente polémicos: evolução da linguagem; evolução da moral. Esta é também uma forma de conseguir muita visibilidade. Mas a pressão para publicar resultados surpreendentes terá sido demasiada. Ou então ele convenceu-se de que estava certo, somente os resultados ainda não concordavam com ele. E ele não tinha tempo a perder. Recentemente Marc Hauser publicou Moral Minds: How Nature Designed Our Universal Sense of Right and Wrong. E eu que adquiri o livro e o comecei a ler, estou agora num dilema moral: confiar ou não no pensamento dele? É caso para dizer que faltou a moral a quem tanto queria dissecá-la.E agora? Bem a dúvida alastra a todo o seu trabalho, apesar de apenas se terem encontrado falhas em alguns dos muitos trabalhos analisados e muitas das suas experiências terem sido replicadas por outros com resultados concordantes.Entre os cientistas da cognição perpassa um arrepio com receio da má fama que Hauser possa trazer a uma área de estudo tão sólida e controlada experimentalmente como outras, mas mais susceptível por envolver comparações connosco.Grandes cientistas da cognição como Gordon Gallup, ou Franz de Waal, estão furiosos com Hauser e não lhe perdoam a sua falha de conduta.Para já a Universidade de Harvard deu-lhe uma licença sabática e estou convencido que irá ser convidado a sair. Uma falha destas é demasiado grave para ser limpa por uma retractação pública.Outros colegas estão a preparar-se para replicar algumas das suas experiências e confirmar ou não os resultados. E acho que é mesmo isso que há a fazer.
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October 17 2010, 2:14pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
O que é que mudou verdadeiramente?
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Este cartaz é de 1976 (tem 34 anos), da campanha eleitoral para as legislativas: removi o símbolo do respectivo partido (isso de nada interessa).Olhando para ele e para o texto, não fica a sensação de "dejá vu" permanente? Mas que raio mudou desde 1976? Que andamos nós a fazer como país e projecto colectivo?Não são os mesmos problemas?Os mesmos abusos e vícios?A mesma incerteza?A mesma falta de confiança?Vão visitar a exposição sobre a 1ª República na Cordoaria Nacional.Link: http://www.centenariorepublica.pt/conteudo/exposicaovivaarepublicainauguradaO que lá se pode ver, em recortes de jornais e panfletos, é um pouco a mesma coisa. Dívida, deficit, responsabilidade, ética, falta de confiança, ...O que é que mudou?A falta de memória histórica faz com que se repitam os mesmos erros.E isso é uma forma de MORTE LENTA.:-(
October 8 2010, 7:02am | Comments »
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A diferença é abismal
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É assim que deve ser gasto o dinheiro que é de todos (público). Um senhor que é deputado em Portugal disse estas coisas: E ainda fez propostas destas. A diferença é abismal e explica bem muita coisa.:-(
October 7 2010, 3:23am | Comments »
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O FIM DA FIESTA
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Minha crónica no "Público" de hoje:A última corrida em Barcelona será neste ano ou no próximo. A partir de Janeiro de 2012, poderá haver sol, mas não haverá mais touros, não só na Monumental de Barcelona como em toda a região catalã, por decisão tomada pelo Parlamento da Catalunha na passada quarta-feira por 68 votos a favor, 55 contra e 9 abstenções. A votação ocorreu na sequência de uma petição dirigida ao Parlamento por 180 000 cidadãos e de um debate público, com posições muito marcadas dos dois lados. O resultado foi visto, politicamente, como uma vingança regional depois de o Tribunal Constitucional em Madrid, no início de Julho, não ter aceite alguns pontos do novo Estatuto da Catalunha. O fim das corridas seria, nessa perspectiva, um pronunciamento anti-espanhol.Eu, que não sou anti-espanhol, sinto-me nesta altura catalão. Sempre admirei Barcelona, em particular o seu ambiente cosmopolita e a sua vontade empreendedora. Estive na festa das ruas, há muitos anos, quando foi anunciada a vitória da candidatura barcelonense à organização dos Jogos Olímpicos. Depois, quando decorriam esse Jogos, estava a dar aulas nos Estados Unidos, e, para explicar aos alunos de onde é que eu era, ajudou dizer que a minha terra era perto de Barcelona, indicação que me pareceu encaixar bem no sentido vago de geografia europeia que tem um jovem estadounidense. Hoje, quando falo com colegas de Barcelona, fico sempre com a ideia que eles nos estão, ainda que subliminarmente, a propor uma aliança contra a Espanha representada por Madrid. De facto, a nossa independência ficou a dever-se precisamente à Catalunha, pois Madrid, perante duas revoltas quase simultâneas, decidiu enfrentar a que lhe parecia mais importante... Em 7 de Junho de 1640 irrompia na Catalunha uma revolta contra o centralismo do Conde-Duque de Olivares, o primeiro-ministro do rei Filipe IV (III de Portugal). O rei ordenou então ao Duque de Bragança que comparecesse em Madrid para ir com ele a Barcelona colaborar no movimento de repressão, mas o duque recusou-se a obedecer. O resto da história é conhecido: a Espanha ficou com a Catalunha, mas sem Portugal.Não tenho ilusões: este movimento catalão contra os touros é um movimento contra o centralismo madrileno. O touro é o símbolo de Espanha, em boa parte devido à marca de brandy de xerez que ergueu touros gigantes ao longo da paisagem espanhola. Pela parte que me toca declaro-me, porém, contra a “festa brava”, sem com isso me sentir inimigo de Madrid. Simplesmente acho que o espectáculo de touros é bárbaro. Revejo-me nos argumentos que Jorge Wagensberg, director do Museu de Ciência de Barcelona, e Jesús Mosterín, professor de Filosofia na Universidade de Barcelona, sustentaram no debate. Wagenberg apareceu no Parlamento de bandarilha na mão, como um físico que faz uma experiência, para mostrar que o touro sofre mesmo. E Mosterín foi ainda mais longe, ao comparar o castigo infligido aos touros com a remoção do clitóris em certas sociedades africanas: ao fim e ao cabo eram ambas práticas tradicionais.José Saramago, apesar de ser ribatejano, também não simpatizava muito com as corridas de touros, nisso contrastando com outro laureado Nobel, Ernest Hemingway, autor de Fiesta. Escreveu Saramago num dos seus Cadernos de Lanzarote: “O touro vai morrer. Dele se espera que tenha força suficiente, brandura, suavidade, para merecer o título de nobre. Que invista com lealdade, que obedeça ao jogo do matador, que renuncie à brutalidade, que saia da vida tão puro como nela entrou, tão puro como viveu, casto de espírito como o está de corpo, pois virgem irá morrer (...) Só mais tarde perceberei que o touro, a partir de um certo momento, embora continue vivo, já não existe, entrou num sonho que é só seu, entre a vida e a morte”.A sua mulher Pilar del Rio, a andaluza que agora quer ser portuguesa, retorquiu: “Tu não podes compreender”. E o escritor não se ficou: “Tens razão, não compreendo, não posso compreender”. Por uma vez estou de acordo com Saramago: eu também não compreendo.
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July 30 2010, 7:13pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
Éticas
http://terrear.blogspot.com/2010/07/eticas.html
Em livro de justificação das suas políticas e do governo, a senhora ex-ministra da educação (que pessoalmente estimo) convoca o seu velho mestre Max Weber para citar a diferença entre a acção orientada pela ética da responsabilidade (que exige a avaliação das finalidades, dos meios e das consequências) e a acção orientada pela ética das convicções (sempre justificada exclusivamente pelos fins últimos).Nesta nota, bem a propósito das convicções irresponsáveis, importa sublinhar que há outras éticas que seria bom não esquecer, neste tempo de crise extensa e intensa: a ética da proximidade (e quem é o meu próximo, poderá perguntar o eco bíblico), a ética do cuidado, a ética da sensibilidade, a ética da humanidade, a ética da compaixão, a ética do conhecimento e do reconhecimento do outro.
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July 10 2010, 7:11am | Comments »





