Francisco José Ayala é o Donald Bren Professor of Biological Sciences, Ecology & Evolutionary Biology e professor de filosofia na UCIrvine. Ayala, que esteve presente no Beyond Belief 2007, é membro do President's Committee of Advisors on Science and Technology e foi presidente da American Association for the Advancement of Science, que tem como missão «desenvolver a ciência e servir a sociedade», tarefa que cumpre, entre muitas outras actividades, publicando a revista Science, a revista de Ciência mais lida no mundo.O biólogo que estuda a evolução foi igualmente padre dominicano e o último número da Scientific American- Brasil tem um perfil do ex- padre que nunca viu conflito entre evolução e fé - mas reconhece que convencer o público americano disso continua um desafio - e que considera que «o raciocínio moral, ou seja, a inclinação para fazer julgamentos éticos ao avaliar as ações em termos de bem e mal, é enraizada em nossa natureza biológica. É um resultado necessário de nossa inteligência elevada. Mas (2) os códigos morais que guiam nossas decisões como sendo boas ou más são produtos da cultura, incluindo as tradições religiosas e sociais.»Gostei de ler o perfil de Ayala, que não consegui encontrar online mas um nosso leitor do outro lado do Atlântico gentilmente nos enviou, do qual transcrevo algumas partes que considerei relevantes:«Após quase 40 anos pregando sobre a evolução para fiéis cristãos, o respeitado biólogo evolucionista da University of California, em Irvine, esmerilhou seus argumentos até ficarem bem afiados. Ele tem várias histórias e exemplos prontos, e algumas táticas de choque ao alcance das mãos. Uma entre cinco gravidezes acaba em aborto espontâneo, ele costuma lembrar nas palestras. Em seguida ele pergunta, de forma incisiva, como em uma entrevista para a revista U.S. Catholic, no ano passado: "Se Deus projetou o sistema reprodutivo humano, seria Deus o maior aborcionista de todos?". Com esses exemplos, ele explica, "eu quero combater os argumentos deles". Ayala, 74 anos, está se preparando para um 2009 excepcionalmente cheio de compromissos. O ano marca o bicentenário do nascimento de Charles Darwin e o sesquicentenário da publicação da Origem das Espécies, e a batalha entre a evolução e o criacionismo certamente recrudescerá. Ayala diz que há uma grande necessidade de que os cientistas envolvam pessoas religiosas nas discussões. Para exemplificar, ele carrega com dificuldade o Atlas of Creation, um calhamaço de 5,5kg e de dimensões de 28 x 43 cm, enviado pelo correio pelo criacionista muçulmano Adnan Oktar, da Turquia, para cientistas e museus por todos os Estados Unidos e França. O livro, ricamente ilustrado, associa a teoria de Darwin a horrores, incluindo o fascismo e o demônio. Nos Estados Unidos, o Discovery Institute, em Seattle, que promove projetos de desenhos inteligentes, publicou livros de biologia questionando a evolução e promove o filme Expelled: no intelligente allowed (2008) para argumentar que cientistas anti-darwinistas são perseguidos. A candidata republicana à vice-presidência dos Estados Unidos, Sarah Palin, defende que o criacionismo deva ser ensinado ao lado da evolução, nas escolas. Segundo uma pesquisa da Pennsylvania State University, um entre oito professores de biologia já trata o criacionismo como alternativa válida. Apesar dos esforços de engajamento por parte de cientistas e decisões constitucionais contra eles, os criacionistas e defensores da teoria do "projeto inteligente" não estão ficando mais fracos, adverte Ayala. "Eles estão se tornando, sim, mais visíveis." (...) Freqüentemente, alunos iniciantes do curso de biologia de Ayala dizem que responderão as perguntas das provas como ele deseja, mas na verdade eles rejeitam a evolução por causa de suas crenças cristãs. Anos mais tarde, depois de aprenderem mais sobre ciência, eles decidem abandonar a religião. Os estudantes parecem chegar à conclusão de que as duas abordagens são incompatíveis. Isso o entristece, diz Ayala. Ele gostaria que os fiéis conciliassem sua fé com a ciência. Extraindo o que pode dos cinco anos preparatórios para ordenação como dominicano, Ayala usa a evolução para ajudar a responder um paradoxo central do cristianismo - como um Deus onisciente, amoroso, pode permitir o mal e o sofrimento? A natureza é mal projetada - com estranhezas como pontos cegos dentro do olho humano e um excesso de dentes espremidos dentro de nossas mandíbulas. Parasitas são sádicos e predadores cruéis. A seleção natural pode explicar a brutalidade da natureza, argumenta Ayala, e remove o "mal" - um ato intencional de livre-arbítrio - do mundo vivo. (...) Ayala se formou em física pela Universidade de Madri, depois trabalhou no laboratório de um geneticista enquanto estudava teologia na Pontifícia Faculdade do Colégio de San Esteban, em Salamanca, Espanha. Quando foi ordenado, em 1960, já havia decidido seguir o caminho da ciência em vez da vida religiosa. No convento o darwinismo nunca foi visto como um inimigo da fé cristã. Assim, um ano depois, quando Ayala se mudou para Nova York para fazer o doutorado em genética, a visão predominante nos Estados Unidos, de uma hostilidade natural entre evolução e religião, foi um choque para ele. Desde então, Ayala tenta tratar do ceticismo religioso em relação à teoria de Darwin. A princípio, ele lembra, seus colegas cientistas eram desconfiados e assumiam a posição que pesquisadores não deveriam entrar em discussões religiosas. Em 1981, quando o legislativo do estado de Arkansas votou por dar ao criacionismo um espaço igual nas escolas, o sentimento começou a mudar. A National Academy of Sciences preparou um dossiê amicus curiae (amigo da corte papal) para um caso na Suprema Corte, envolvendo a "Lei da Criação" do estado da Louisiana, e pediu a Ayala que liderasse a empreitada. O livreto se tornou o Science and creationism: a view from the Natonal Academy of Sciences, de 1984. Para a segunda edição, em 1999, Ayala apresentou a idéia de incorporar as palavras de alguns teólogos, mas lembra: "Quase fui devorado vivo". Na terceira edição, publicada neste ano, uma seção apresenta declarações de quatro denominações religiosas e três cientistas sobre a compatibilidade da evolução com as crenças religiosas.»
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Um padre em defesa da evolução
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December 17 2008, 1:15am | Comments »
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Roménia retirou evolução do curriculo
http://dererummundi.blogspot.com/2008/12/romnia-retirou-evoluo-do-curriculo.html
A menos de um mês do início do ano de Darwin, em que se celebra o bicentenário do nascimento do cientista e os 150 anos da publicação da «Origem das Espécies», descobri via Phil Plait (agora na Discover magazine) que o então ministro da Educação da Roménia, Mihail Hărdău, retirou em 2006 o ensino da evolução dos curricula escolares. À medida, que entrou em vigor no ano lectivo 2007/2008, seguiram-se inúmeros protestos, nomeadamente da sociedade humanista romena:The Solidarity for Freedom of Conscience” has proven that, amazing as it may sound, the Ministry of Education, Research and Youth is trying to misguide the public opinion regarding the elimination from public school curricula of the evolution theory and the philosophical approach to religion. The recent statements made for the Mediafax by Mihaela Suciu, the spokeswoman of the Ministry of Education, jeopardize the credibility of this institution. We request the resignation of the Ministry staff responsible for this institution’s response.As we have already pointed out, the theory of evolution was eliminated from the biology curriculum for the 11th and 12th grade (depending on the type of high school), while the chapter on “God” was also eliminated from the philosophy curriculum for the 12th grade. The chapter offered students religion-inspired philosophical opinions, as well as views coming from the critics of religion. Os dois ministros da Educação que entretanto sucederam a Hărdău mantiveram a decisão de remover não só a teoria da evolução como uma abordagem filosófica da religião dos curricula. De acordo com o comentário de um romeno ao post de Plait, há esperanças de que a decisão seja revogada depois da tomada de posse do novo governo (eleito no final de Novembro).
December 12 2008, 4:23am | Comments »
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Uma história de evolução. O roquinho dos Açores. Parte II
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Há dias publiquei um post sobre a história do Roquinho e das investigações, iniciadas pelo biólogo Luis Monteiro, que conduziram à recente proposta de uma nova espécie, Oceanodroma monteiroi, constituida pela população que nidifica no período quente (Abril-Outubro), em alguns ilhéus junto da Graciosa, no arquipélago dos Açores. Adiantando-me, utilizarei as designações de Roquinho e de Roquinho-de-monteiro, para designar a espécie original e a nova espécie, que são também as populações reprodutoras fria e quente. O processo de especiação, embora extremamente importante, na medida em que constitiui a base da diversidade das formas de vida, já que se não houvesse barreiras reprodutivas seria impossível uma diferenciação tão vasta como a que conhecemos, não é fácil de estudar, por razões óbvias. São necessárias milhares de gerações para que um processo de especiação se complete, pelo que dificilmente podemos observar um inteiro, no curto período de tempo das nossas vidas, ou da nossa ciência. Darwin sugeriu a possibilidade da formação de novas espécies no mesmo local, ou especiação simpátrica. Mas, tal ocorrência foi refutada por Ernst Mayr, um dos maiores evolucionistas do Séc. XX, que sistematizou e teorizou o processo de especiação, a partir da genética de populações. Segundo Mayr, seria sempre necessária alguma forma de isolamento geográfico (alopatria) para que a divergência genética entre duas populações se fosse acumulando até ao ponto em que os genomas se tornassem incompatíveis e deixasse de ser possível o entrecruzamento entre elas. Esta forma de especiação designa-se por especiação alopátrica, literalmente ‘em locais distintos’. Os casos de espécies muito parecidas ocorrendo nos mesmos locais seriam, assim, explicados por uma convergência secundária das duas espécies num mesmo local, depois de se terem especiado em zonas geograficamente isoladas entre si. Um exemplo clássico é o das espécies em anel, como a gaivota-argentea que têm populações espalhadas pelo globo, formando uma banda à mesma latitude, cada uma um pouco diferente da vizinha, até que se encontram, depois de um arco de mais de 30 mil Km. E, nesses locais (Europa ocidental), as populações já são duas espécies bem distintas que não se cruzam. É como se tivéssemos representado no espaço o tempo de especiação. A refutação de Mayr não foi, contudo, convincente na medida em que, embora se aceite que a forma de especiação por ele defendida será a mais fácil e frequente, não deixa de ser admissível a especiação simpátrica. O difícil é encontrar exemplos. Ora o exemplo do Roquinho e do Roquinho-de-monteiro ilustra um verdadeiro caso de especiação simpátrica em vertebrados terrestres. Os dados moleculares revelam que a população fria dos Açores (roquinho) está geneticamente mais próxima das populações da Madeira, das Berlengas ou das Canárias do que da população quente dos Açores, ou Roquinho-de-monteiro. A medição do tempo de divergência evolutiva entre as duas populações é de 75 mil a 180 mil anos. Como a população quente dos Açores só ocorre naquele arquipélago, é pouco provável que a formação da nova espécie se tenha dado em locais separados. Aliás, dada a extrema mobilidade das aves destas espécies – são frequentemente capturados no golfo do México, indivíduos anilhados nos Açores –, não se pode falar de isolamento geográfico nas ilhas atlânticas. Curiosamente, também nas Galápagos e em Cabo Verde ocorrem duas populações nidificantes em período quente e frio. Também aqui parece haver uma certa segregação entre as populações. Mas, ao contrário do que sucede nos Açores, ocorre fluxo genético entre as populações quente e fria. Isto é, podemos estar a assistir a um processo incipiente de especiação, que poderá vir a evoluir no mesmo sentido do que se verificou nos Açores. Mas, como podem evoluir espécies num mesmo local? Um elemento fundamental deste isolamento simpátrico é o das barreiras comportamentais entre populações. Se os membros de uma população só acasalarem entre si e segregarem os da outra, através de formas de reconhecimento intrapopulacional, escolha do par, ou outra forma de segregação entre indivíduos pertencentes às duas populações, cria-se uma barreira ao fluxo genético. Neste contexto, a descoberta de que as vocalizações das duas espécies nos Açores são bem distinguíveis e que os indivíduos de cada população só respondem às vocalizações da sua população e não às da outra é muito elucidativa. A formação da nova espécie de roquinho (Oceanodroma monteiroi) nos Açores é um caso excepcional de história evolutiva, mas também de história humana, pela forma como nasceu e se desenvolveu a investigação sobre estas duas populações. A riqueza da natureza está nos detalhes. É preciso saber olhar para eles, como o Luis Monteiro soube olhar.
December 8 2008, 3:44am | Comments »
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Uma história de evolução. O roquinho dos Açores. Parte I
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O Roquinho (Oceanodroma castro), também conhecido por Angelito ou Painho-da-Madeira, é uma ave marinha, que passa a maior parte da vida no mar. Voa, alimenta-se e descansa nas águas do oceano, vindo a terra para se reproduzir em cavidades e falésias, de ilhas no meio do Atlântico e do Pacífico. É de facto uma espécies com uma distribuição geográfica impressionante: dos Açores e Madeira às Galápagos e ao Japão. Durante a reprodução, as crias, uma por ninho, esperam, num jejum que pode durar dez dias, que um dos progenitores regresse com alimento para elas, revelando uma impressionante resistência física.Há duas décadas, um biólogo português procurava compreender os efeitos da poluição sobre as espécies de aves marinhas, para a realização da sua tese de doutoramento. Mas, ao trabalhar de perto com as populações do roquinho nas várias ilhas e ilhéus dos Açores, Luis Monteiro apercebeu-se de que a espécie tinha duas populações nidificantes: uma iniciando a reprodução em Maio (população quente) e a outra em Outubro (população fria), e que elas se segregavam, revelando importantes diferenças morfológicas e comportamentais. Isso levou-o a sugerir que poderiam tratar-se de duas espécies diferentes.Infelizmente, um fatídico e terrível acidente áereo, ocorrido a 11 de Dezembro de 1999, na crista vulcânica da ilha de S. Jorge, que vitimou todos os ocupantes, impediu Luis Monteiro de continuar o seu estudo sobre as duas populações do roquinho. Mas, a sua grande dedicação à investigação e a forma extremamente empática e generosa com que interagia com todos os que com ele lidavam, deixaram uma marca indelével. A sua perda foi profundamente sentida. O Governo Regional dos Açores instituiu mesmo o Prémio Luis Rocha Monteiro em homenagem à sua memória. Eu tive o privilégio de conhecer o Luis Monteiro e de iniciarmos uma colaboração que não chegou a prosseguir. Mas, vários colegas e colaboradores decidiram dar continuidade às suas investigações sobre as duas populações de Roquinho que nidificam nos ilhéus da praia e da vila (Graciosa).Há poucos meses surgiu um artigo na revista de ornitologia Ibis, assinado por Mark Bolton, Andrea Smith, Elena Gómez-Dias, Vicki Friesen, Renata Medeiros, Joel, Bried, Jose Roscales, e Robert Furness, apresentando argumentos muito sólidos de que a população quente é uma espécie diferente da população fria. E propõem uma nova espécie: Oceanodroma monteiroi (roquinho-de-monteiro), um bonito gesto que é também justa homenagem ao Luis Monteiro.O estudo compara as duas populações em termos de morfologia – a população quente, proposta como nova espécie, é mais leve, tem asas maiores, cauda furcada em ‘v’ e bico mais curto -, época de reprodução – quase não há sobreposição entre as duas populações – e comportamentais – as vocalizações das aves das duas populações são claramente distintas -, concluindo por uma clara diferenciação que justifica considerá-las espécies distintas.Um artigo de 2007, publicado nos Proceedings of the National Academy of Sciences (USA), já havia mostrado, por análise genética, que não há troca de indivíduos entre as duas populações e, que elas terão divergido há mais de 73 000 anos. Ainda um outro estudo de 2007 comparou as vocalizações das populações dos Açores, Cabo Verde e Galápagos, e realizou testes no terreno, mostrado que as aves da população quente só respondiam a vocalizações dessa população e não às das restantes, e vice-versa, mostrando que elas se diferenciam muito claramente. Estes dados indicam existir um isolamento pré-reprodutivo, de natureza comportamental, fundamental para manter as duas populações isoladas reprodutivamente, apesar de ocorrerem no mesmo local.Estou convencido de que o estatuto de espécie virá a ser reconhecido a esta população, recebendo a bonita designação de Oceanodroma moteiroi. Esta espécie parece apenas reproduzir-se nas ilhas do grupo ocidental dos Açores, não tendo mais do que 250-300 pares, o que faz dela também uma das espécies de aves mais raras do mundo.A história do roquinho é muito interessante pelo facto de ser muito difícil encontrar exemplos de especiação simpátrica, isto é, da formação de espécies habitando o mesmo local, sem isolamento geográfico que impeça o fluxo de genes entre as populações. Este será o tema do próximo post.
December 4 2008, 4:27pm | Comments »
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Ant-intelectualismo e política
http://dererummundi.blogspot.com/2008/11/ant-intelectualismo-e-poltica.html
A Newsweek disponibilizou online um resumo do seu Special Election Project e o primeiro capítulo das «batalhas secretas e medos privados» recolhidos por uma equipa de jornalistas embbed nas campanhas dos dois candidatos. Alguns dos pontos abordados não são muito lisonjeiros para a candidata a VP Sarah Palin e confirmam o que desde a sua nomeação temos escrito no De Rerum Natura.Aparentemente a completa ignorância da senhora foi reconhecida desde muito cedo pelos jornalistas que a acompanharam, que por uma razão que não se percebe, apenas após a eleição ter terminado resolveram vir a público com o que lhes foi óbvio desde os primeiros momentos: Sarah Palin é uma ignorante que não está (nem estará) minimamente preparada para as responsabilidades da Casa Branca. Por exemplo, jornalistas tão insuspeitos como Dana Bash da CNN e especialmente Carl Cameron, o Chief Political Correspondent da Fox News - uma estação que tradicionalmente tende (muito) para o lado mais conservador dos republicanos - relatam coisas que nos deixam muitas dúvidas sobre se a imprensa cumpriu o seu papel nestas eleições. De facto, não deveria ter sido sua obrigação cívica transmitir informação como o excerto que se segue ao público em geral? Porque razão concordaram em participar na farsa durante dois meses e só agora trouxeram a verdade a público? According to Fox News Chief Political Correspondent Carl Cameron, there was great concern within the McCain campaign that Palin lacked "a degree of knowledgeability necessary to be a running mate, a vice president, a heartbeat away from the presidency," in part because she didn't know which countries were in NAFTA, and she "didn't understand that Africa was a continent, rather than a country just in itself." Palin was apparently a nightmare for her campaign staff to deal with. She refused preparation help for her interview with Katie Couric and then blamed her staff, specifically Nicole Wallace, when the interview was panned as a disaster. After the Couric interview, Fox News reported, Palin turned nasty with her staff and began to accuse them of mishandling her. Palin would view press clippings of herself in the morning and throw "tantrums" over the negative coverage. There were times when she would be so nasty and angry that her staff was reduced to tears.O problema é que o erro de palmatória de McCain na sua escolha de VP deixou Sarah Palin convencida de que será a candidata republicana à presidência em 2012. Esta perspectiva, que me deixou há dias com pesadelos, parece absolutamente remota especialmente agora que a imprensa norte.americana se recordou de qual é a sua missão. Aliás, podemos pensar no divertimento que seriam umas primárias republicanas com «bons rapazes» como Mitt Romney, Rudy Giuliani (que já tem página e tudo), Bobby Jindal ou Tim Pawlenty a fazerem a Sarah Palin o merecido vetting que McCain se esqueceu de fazer e que os democratas tiveram pudor de desvendar em todo o seu pavor...O assunto foi abordado por um artigo do Público que responde à pergunta: «Agora que a campanha acabou, por que é que a eventual ignorância da candidata ainda é notícia? A questão está na guerra pelo poder que rebentou no seio do Partido Republicano, depois de falhada a candidatura de McCain e Palin à Casa Branca».Eu suponho que a questão é bem respondida pelo excerto da entrevista reproduzida. Isto é, parece que para o GOP dos religious right bem representados por Pat Buchanan, não interessa que a candidata seja uma autêntica anedota em termos de conhecimentos. Aliás, para os fundamentalistas essa parece ser uma condição sine qua non para apoiarem um eventual candidato para 2012. Como escreveu Jerry Coyne no Philadelphia Inquirer num artigo que vale a pena ler na íntegra:This year's Republican campaign has consistently attacked the values of reason and logic that undergird our democracy.A questão a seguir é se o GOP se reinventará apoiado em republicanos racionais como Lawrence Eagleburger, Anne Applebaum e os outros Obamacons que o foram devido ao que Coyne aponta neste artigo ou se será definido por gente como Pat Buchanan que nos últimos segundos da entrevista responde à pergunta sobre evolução de Lawrence O'Donnell com um insulto misturado com a habitual falácia do macaco, dizendo que compreende que O'Donnell acredite que descende um macaco.
November 9 2008, 1:56am | Comments »
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O LIVRO SOBRE O LIVRO DE DARWIN
http://dererummundi.blogspot.com/2008/10/o-livro-sobre-o-livro-de-darwin_15.html
Informação recebida da Gradiva:Lançamento do livro "A Origem das Espécies de Darwin" de Janet Browneseguido da conferência proferida por Carlos Marques da Silva, da Universidade de LisboaCiclo de Conferências da Gulbankian sobre DARWIN: No Caminho da EvoluçãoHOJE, Quarta-feira, 15/10/2008, 18h00Auditório 2 da Fundação Calouste GulbenkianEntrada livre
October 15 2008, 8:16am | Comments »




