Minha crónica no "Sol" de hoje, sobre um assunto que já abodei neste blogue:O Gabinete de Avaliação Educacional do Ministério da Educação, que já tem deixado passar erros em várias provas nacionais, não pára de nos espantar. Agora resolveu, num teste intermédio do 11.º ano da disciplina de Física e Química A, repito do 11.º ano, fazer uma transcrição de um livro meu (“Física Divertida”, Gradiva, 1991), com apenas quatro linhas mas adaptada (adaptada?), e pedir aos alunos para "transcrever" (sic) uma informação trivial que se encontra no texto. Queria tão só que os alunos fizessem uma transcrição a partir da transcrição que o Gabinete tinha feito, como se apenas estivesse interessado saber, num teste de Física do secundário, se os jovens sabiam o que significa aquela palavra. Talvez o Ministério venha um dia a pedir, para poupar esforço e tinta, que os alunos sublinhem uma frase a fim de obterem toda a pontuação. E talvez inclua nos testes de Física um glossário com o significado das palavras usadas nos enunciados.A Divisão Técnica de Educação da Sociedade Portuguesa de Física ficou justamente indignada com aquela prova:"A questão 1 do Grupo I na qual o aluno deve transcrever a parte de um texto, de apenas 4 linhas, que refere o que Oersted observou, não é admissível neste ano de escolaridade. Esta questão pode ser respondida por um aluno do 2º ciclo do ensino básico que nunca tenha estudado o assunto abordado (...) Este teste intermédio dá indicações erradas aos alunos sobre as suas aprendizagens e não os estimula ao esforço que é necessário para que sejam atingidos os objectivos de aprendizagem da disciplina.”Não posso estar mais de acordo. Para que o leitor julgue por si próprio, com este exemplo singelo, o estado do nosso ensino das ciências, deixo o pedaço do meu texto que foi usado pelo Ministério da Educação:"Durante algum tempo o magnetismo e a electricidade ignoraram-se mutuamente. Foi só no início do século XIX que um dinamarquês, Hans Christian Oersted, reparou que uma agulha magnética sofria um desvio quando colocada perto de um circuito eléctrico, à semelhança do que acontecia quando estava perto de um íman. Existia pois uma relação entre electricidade e magnetismo.”E deixo a pergunta que o Ministério colocou aos alunos: “Transcreva a parte do texto que refere o que Oersted observou."Podia ter-lhes, ao menos, pedido para usarem palavras suas. Ou para interpretarem o que Oersted observou, tal como o próprio fez. Mas não. Escolheu o mais fácil. Claramente, está a preparar o alargamento da escolaridade obrigatória para doze anos através do lamentável caminho que vem sendo seguido até aqui: o caminho da facilidade progressiva.
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
O ENSINO DAS CIÊNCIAS: DE MAL A PIOR
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February 25 2011, 2:45am | Comments »
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Melhores resultados?
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"Provas de aferição: Mais alunos com ‘Muito Bom’ a Matemática e Português no 1.º ciclo."A notícia é de Margarida Davim e está publicada no Jornal Sol, que acrescenta "enquanto no 1.º ciclo os alunos conseguiram melhores resultados nas provas de aferição Português e Matemática do que no ano passado, caiu a percentagem de ‘Muito Bons’ a Português no 2.º ciclo". Mais preciamente, nesta área curricular, como agora se designa, "caiu para metade o número de alunos que no 2.º ciclo conseguiu ter ‘A’ (‘Muito Bom’) (...), passando de 8 para 4% aqueles que conseguiram chegar à nota mais alta da escala". Neste ciclo, há também um pequeno aumento de ‘Muito Bons’ a Matemática, com mais 1,5% dos alunos a conseguir essa classificação.Os resultados das Provas de Aferição chegam às escolas anteontem, estão disponíveis no sítio do GAVE e circulam na comunicação social; irão surgir análises e opiniões do mais variado teor, a que o De Rerum Natura dará atenção...Mas nenhuma consulta a esses resultados, análises e opiniões, por mais eruditas que se afigurem, apaga da minha memória o depoimento de uma mãe, que vi passar na televisão: na pauta, constava que o seu filho tinha obtido "A" a Língua Portuguesa e a Matemática, mas ela, calma sorridente, permitia-se duvidar da veracidade daquelas classificações que envaideceriam qualquer mãe digna desse nome.A dúvida acerca do valor dos exames está instalada, não só entre os académicos, mas na opinião pública. E isto ao ponto de os próprios pais terem reservas em ficar felizes perante os (aparentemente bons) resultados escolares dos seus filhos.
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June 19 2010, 3:10am | Comments »
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Ora bolas!
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Novo texto de Filipe Oliveira, Vice-Presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática, onde,e ntre outros aspectos se destaca uma análise da evolução da dificuldade dos exames nacionais de Matemática.Nos últimos anos temos assistido a uma quebra significativa do nível de exigência do Exame Nacional de Matemática 12.º-A. Uma prova equilibrada deve naturalmente conter questões mais fáceis e questões mais difíceis. No entanto, aquilo que se tem verificado é a existência de um número exagerado de questões demasiado elementares, que em muitos casos se resolvem por simples bom senso ou recorrendo a técnicas muito rudimentares para este nível de ensino. Esta situação desautoriza o trabalho dos professores, que, nas escolas, procuram preparar os seus alunos para os desafios que irão encontrar no Ensino Superior. Por outro lado, induz em erro os alunos quanto aos objectivos que devem ser atingidos no final do Ensino Secundário.Contrariamente ao que sucede no caso das Provas de Aferição do 4.º e do 6.º ano, quando analisamos a Matemática do 12.º ano é difícil para o grande público constatar por si próprio este baixo nível de exigência.Deste ponto de vista, as questões relativas à Teoria das Probabilidades são particularmente interessantes: muitas vezes, esses enunciados reflectem situações que podem ser descritas sem recurso a jargão técnico, ficando assim ao alcance de qualquer pessoa - mesmo que apenas possua escassos conhecimentos de Matemática - formar uma opinião quanto ao grau de dificuldade dos problemas propostos. Antes de exibirmos alguns exemplos, gostaríamos de salientar o seguinte:No 12.º ano, existem vários exames nacionais de Matemática. O exame Matemática-A destina-se aos alunos que após 9 anos de estudos no Ensino Básico optaram por um ensino diferenciado e especializado em Ciências. Em particular, terão recebido três anos de formação específica em Matemática com vista a ingressarem no Ensino Superior em cursos de Ciências, Engenharia ou Economia. São estes alunos que dentro de poucos anos terão à sua responsabilidade o desenvolvimento científico, tecnológico e económico do país.2007: Exame Nacional de Matemática A, 1.ª faseNum saco, encontram-se cinco bolas, cada uma com uma letra da palavra TIMOR. Extraem-se as cinco bolas sequencialmente, dispondo-as da esquerda para a direita. À terceira extracção, as três bolas sorteadas formavam a palavra T IM_ _.Sabendo este facto, qual a probabilidade de no fim deste sorteio se vir a obter a palavra TIMOR?Resposta: Nesta situação, a palavra final será TIMOR se se obtiver a letra O na próxima extracção, o que tem probabilidade ½ (ou seja, 50%) de acontecer. Bastava pois perguntar: qual a probabilidade de sair uma determinada bola, havendo duas à escolha?2008: Exame Nacional de Matemática A, 1.ª faseNuma caixa encontram-se 3 bolas verdes e 4 bolas azuis.Introduziu-se uma nova bola, de cor verde ou azul. Após esta operação, sabe-se que a probabilidade de uma bola extraída aleatoriamente da caixa ser azul é de 50%. “Prove” que a bola introduzida na caixa era de cor verde.Resposta: Existem oito bolas na caixa. Como a probabilidade de se extrair uma bola azul é de 50%, metade das bolas são azuis (e a outra metade são verdes). Logo a bola introduzida é de cor verde.2008: Exame Nacional de Matemática A, 2.ª faseA caixa A contém 2 bolas verdes e 1 bola vermelha. A caixa B contém 1 bola verde e 3 bolas vermelhas. Lança-se um dado com seis faces. Se sair “5”, retira-se uma bola aleatoriamente da caixa A. Caso contrário retira-se uma bola aleatoriamente da caixa B.Sabemos que saiu “5” no dado . Qual a probabilidade de a bola retirada ser verde?Resposta: Tendo saído “5” no dado, retira-se aleatoriamente uma bola da caixa A. Como esta caixa contém 3 bolas, duas das quais verdes, a probabilidade é de 2/3.E para este ano? No passado dia 15 de Março, o GAVE emitiu o Teste Intermédio 12.º – Matemática -A. Segundo informação disponibilizada no sítio do G.A.V.E., "... no que se refere à tipologia dos itens e aos respectivos critérios de classificação, os testes intermédios ilustram, com elevado grau de fidelidade, o modelo de prova de exame a apresentar no corrente ano lectivo."Estamos pois perante uma antevisão fidedigna daquilo que será o próximo Exame Nacional do 12.º ano de Matemática A. Nesta prova, podemos encontrar a seguinte questão:2010: Teste intermédio 12.º – Matemática ANuma caixa encontram-se três bolas com o número 0, duas bolas com o número 1 e uma bola com o número 2.Desta caixa extraíram-se duas bolas. Sabendo que a soma dos valores nelas inscritos é 1, qual a probabilidade de se terem extraído bolas com o mesmo número?Resposta: É impossível, pelo que a probabilidade é nula. A pergunta é tão simples, que a única dificuldade está em crer que o examinador seja tão condescendente.Serão estas questões adequadas, ou sequer razoáveis, tendo em conta a idade, o percurso e as aspirações dos alunos a que se destinam?
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June 19 2010, 2:57am | Comments »
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Para evitar tentações...
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Noticia o Jornal i que a Ministra da Educação justificou, perante a Comissão Parlamentar de Educação e Ciência, a polémica medida que permite a alunos com quinze anos passar do 8.º para o 10.º ano com os seguintes argumentos:- a medida tem um carácter transitório, sendo válido apenas para este ano.Legitimamente, podemos perguntar se não será introduzir mais uma injustiça, neste caso em relação ao que alunos que estarão nas mesmas condições nos próximos anos?- a medida destina-se a evitar esses alunos "sejam tentados pelo abandono escolar", quando o que se pretende é que continuem a escolaridade obrigatória, agora até ao 12.º ano.Legitimamente, podemos perguntar se os alunos que não "sofrem dessa tentação", não deveriam beneficiar das mesmas possibilidades?- a medida não é facilitista pois os alunos têm de fazer ONZE exames.Legitimamente, podemos perguntar: não será um pouco irrealista pedir aos alunos, com um percurso académico problemático, para se prepararem para tantos exames, em dois meses, vá lá... três?Mais terá dito, que será "quase impossível", os referidos alunos ultrapassarem esses exames de carácter nacional e de escola...Legitimamente, podemos perguntar: não haverá aqui uma contradição evidente!?
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June 16 2010, 11:48am | Comments »
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Nem é pela idade...
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Imagem chegada ao De Rerum Natura.Quando nem a racionalidade nem o conhecimento estão presentes, o humor ajuda a conviver com a realidade.Para o leitor que não está (ainda) a par da medida do Ministério da Educação a que imagem refere, aqui deixamos a indicação de dois textos que a abordam:- O triunfo do eduquês – 3 - É anticonstitucional em dois aspectos Nota: Lamentamos não identificar o autor da imagem, mas recebemo-la sem essa informação.
June 12 2010, 6:23am | Comments »
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E, se...
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Revendo um certo grupo de pessoas ligadas à educação o processo que constitui as Provas de Aferição e detendo-se nos seus muitos itens de dificuldade mínina, alguém fez a pergunta que incomoda: e se, mesmo assim, os resultados forem baixos?Se isso acontecer, significa tão-somente que não conseguimos melhorar as aprendizagens básicas, mesmo com todas as medidas e planos nacionais a decorrer.Aguardemos...
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May 17 2010, 4:38pm | Comments »
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Para que servem, afinal, as Provas de Aferição – 4
http://dererummundi.blogspot.com/2010/05/para-que-servem-as-provas-de-afericao-4.html
Peço desculpa por voltar às Provas de Aferição, tanto mais que já quase as esquecemos, só voltaremos a falar delas quando forem publicados os seus resultados. Há, porém, mais uma nota que gostava de deixar relativamente à sua validade e que se prende com o facto de elas, pela sua natureza, não terem efeitos na classificação dos alunos nem na sua progressão escolar.A investigação docimológica - docimologia significa estudo dos exames - informa-nos que nas situações de avaliação interferem inúmeros factores, sendo a percepção que se tem delas um dos mais relevantes. Sabendo os alunos e as suas famílias que as Provas de Aferição não têm consequências em termos de percurso na escolaridade, é mais do que compreensível que tanto uns como outros se sintam desobrigados de estudar e de incentivar o estudo, sobretudo em sociedades como a nossa ou a americana pouco preocupadas com a aquisição de conhecimento e em que ter uma negativa a Matemática é uma espécie de medalha, como lembrou, por várias vezes, Kevin Miller quando esteve em Portugal.Assim, os resultados destas Provas não serão exactamente os que seriam se o seu objectivo fosse distindo do que é apresentado no Despacho n.º 5208/2005: “fornecer informação relevante ao professores, às escolas e à administração educativa sobre os níveis de desempenho dos alunos”.Esta circunstância é tanto mais grave se pensarmos que, desde os primeiros níveis de ensino, o desempenho académico dos alunos melhora se tiverem oportunidades frequentes de se prepararem e de realizarem exames, cujos resultados se traduzem em classificações que lhes são efectivamente atribuídas. Pois é, aprendem mais e melhor se lhe for solicitado, com regularidade, um esforço intensivo de preparação para exames, e se estes tiverem consequências em termos da sua distribuição numa escala.Os técnicos do Ministério da Educação provavelmente saberão que assim é, pois em 2005 estabeleceu-se, no Decreto-lei acima citado, que para "promover a participação responsável dos alunos introduz-se (...) a obrigatoriedade de identificação individual das provas". Medida insuficiente, porém, se quisermos o envolvimento empenhado dos alunos.
May 15 2010, 6:03pm | Comments »
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Para que servem, afinal, as Provas de Aferição? - 3
http://dererummundi.blogspot.com/2010/05/para-que-servem-afinal-as-provas-de_378.html
Considerando os gastos de toda a ordem que as Provas de Aferição do Ensino Básico envolvem (ver, por exemplo, aqui e aqui) e os propósitos que lhe são atribuídos pela tutela (ver aqui), seria de esperar que elas permitissem medir o que efectivamente se propõem, ou deveriam propôr, medir: a aquisição de conhecimentos e competências definidas no Currículo Nacional (2001) e nos Programas (de Matemática e de Língua Portuguesa).Ora, fazendo um paralelismo entre a complexidade desses dois documentos e o sobejamente denunciado (por entidades credenciadas) baixo nível de dificuldade das Provas, percebe-se que estas estão longe de traduzir o que está definido naqueles, não permitindo, portanto, informarem, com a clareza que o Ministério da Educação insinua, acerca da qualidade do currículo nacional.Por outro lado, e na sequência do parágrafo anterior, afirma-se na lei que, com as ditas Provas, pretende-se perceber a conformidade das práticas lectivas e pedagógicas de escolas e, obviamente, do desempenho dos professores. Além de se recordar que os resultados escolares não dependem apenas dessas práticas, é de se ficar deveras preocupado se essa “conformidade” se vier a verificar, ou seja se se apurar que as escolas e os professores do nosso país trabalham com os alunos no patamar de dificuldade patente nas Provas.Não se me afigurando, então, que as Provas de Aferição sirvam para aquilo que a tutela afirma que servem, para que servem elas, então?Procurando encontrar uma resposta e não me afastando da lei, devo confessar que há passagens nela que considero verdadeiramente inquietantes. De facto, aí afirma-se que se espera:- que a reflexão “colectiva e individual” a empreender em meio escolar, decorrente do processo de avaliação “contribua para alterar práticas em sala de aula, que assim podem e devem ser ajustadas de modo sustentado". Tendo em conta o acima referido baixo nível de dificuldade em que muitos parecem estar de acordo, incluindo os alunos, devemos, pois, como sociedade, temer que os professores, afiram as suas práticas de sala de aula a partir dos enunciados das Provas e dos seus resultados;- que as Provas permitam “melhorias significativas nos resultados dos alunos”. Curiosamente, não se usa aqui a palavra “aprendizagens”, mas sim “resultados”. Dirão alguns que se trata de um preciosismo, mas, acontece, que em certas matérias, o seu esclarecimento pode fazer toda a diferença. É o caso. Na verdade, o que um sistema educativo se deve propor melhorar são as aprendizagens que se traduzem em resultados e não os resultados em si.Se a estas considerações se acrescentar o enigmático e sempre presente slogan da tutela - "Os alunos têm direito ao sucesso" -, que uma Directora Regional da Educação repetiu a propósito das Provas de Aferição de 2008, a dúvida explorada neste texto não pode deixar de persistir.(Continua)
May 12 2010, 8:24am | Comments »
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Para que servem, afinal, as Provas de Aferição - 2
http://dererummundi.blogspot.com/2010/05/para-que-servem-afinal-as-provas-de_12.html
(Texto na continuação de outro antes publicado aqui)Para que as Provas de Aferição permitam “melhorias significativas nos resultados dos alunos”, a lei - Despacho n.º 2351/2007 - é bem clara:"Torna-se assim indispensável que conselhos executivos, professores e alunos se empenhem neste processo de avaliação e que aos serviços centrais envolvidos seja exigida uma rigorosa análise dos resultados com a consequente produção de indicadores devidamente interpretados - a devolver às escolas". Nesse sentido, determinou, entre outras coisas, Valter Lemos que:- Compete ao Gabinete de Avaliação Educacional a elaboração das ditas Provas;- As Provas, depois de classificadas, são devolvidas às escolas, para que sejam afixados os resultados nelas obtidas dos seus alunos. Também lhes será fornecida informação sobre o resultados obtidos a nível nacional e regional.- Essa devolução implica, a realização, por parte de cada escola de um relatório a enviar "obrigatoriamente" à Direcção Regional de Educação a que está afecta, do qual deve constar:a) a análise do desempenho dos seus alunos;b) um plano de acção que devrá incluir: as medidas a adoptar e respectiva calendarização; os resultados a alcançar por disciplina (Língua Portuguesa e Matemática); a indicação dos alunos que devem ser objecto das medidas especiais; os recursos a mobilizar.- Por seu lado, cada Direcção Regional de Educação terá de elaborar, anualmente, um relatório síntese sobre o cumprimento das escolas que lhe estão adstritas, o qual será enviado para a Direcção Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular, permitindo os vários relatórios elaborar "um documento geral com incidência na avaliação dos currículos"..(Continua)
May 11 2010, 7:19pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Para que servem, afinal, as Provas de Aferição? - 1
http://dererummundi.blogspot.com/2010/05/para-que-servem-afinal-as-provas-de.html
Vários leitores do De Rerum Natura têm perguntado: para que servem, afinal, as Provas de Aferição?É uma pergunta mais do que pertinente, tendo em conta que elas envolvem um enorme dispêndio económico, de recursos, e de energia das escolas e dos professores.Centrando-nos no Ensino Básico – essas Provas também estão previstas para o Ensino Secundário – a resposta que o Ministério da Educação dá é a seguinte:No Despacho Normativo n.º 98-A/92, relativo à Avaliação das aprendizagens dos Alunos do Ensino Básico, além da avaliação diagnóstica, formativa, sumativa e especializada, é contemplada a avaliação aferida. Enquanto aquelas quatro modalidades têm por objectivo a verificação das aprendizagem individuais com vista à tomada de decisões sobre as mesmas, esta última tem como objectivo avaliar o sistema educativo, não tendo efeitos sobre a progressão escolar dos alunos.No Decreto-Lei n.º 6/2001, de 18 de Janeiro (artigo 17.º), que formaliza a Reorganização Curricular no Ensino Básico, além das modalidades diagnostica, formativa e sumativa, sublinha-se a necessidade de verificação do desenvolvimento do Currículo, referindo-se as Provas de Aferição como um dos instrumentos necessários a esse propósito.No Despacho n.º 2351/2007, de de 14 de Fevereiro, assinado pelo ex-Secretário de Estado da Educação Valter Lemos, refere-se que, além de (1) informarem acerca da qualidade do currículo nacional, as Provas de Aferição (2) indicam a conformidade das práticas lectivas e pedagógicas e (3) revelam a prestação das escolas. Nas palavras da lei: “constituem instrumentos de diagnóstico postos à disposição das escolas e dos professores pelo Ministério da Educação, no sentido de possibilitarem uma reflexão colectiva e individual sobre a adequação das práticas lectivas, ajustando-as - se for caso disso - para a obtenção de uma progressiva melhoria dos resultados escolares”. Ou, como se diz mais adiante, para “melhorias significativas nos resultados dos alunos”.Se o leitor ficar com dúvidas, pode ler na página do Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE), que:"As Provas de Aferição de Língua Portuguesa e de Matemática dos 1.º e 2.º Ciclos do Ensino Básico visam avaliar o modo como os objectivos e as competências essenciais de cada ciclo estão a ser alcançados pelo sistema de ensino. A informação que os resultados destas provas fornecem mostra-se relevante para todos os intervenientes no sistema educativo, alunos, pais, encarregados de educação, professores, administração e para os cidadãos em geral. Estes resultados permitem uma monitorização da eficácia do sistema de ensino, devendo ser objecto de uma reflexão ao nível de escola que contribua para alterar práticas em sala de aula, que assim podem e devem ser ajustadas de modo sustentado."(Continua)
May 11 2010, 6:54pm | Comments »
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