Em busca da excelênciaAlgis ValiunasTradução de Desidério MurchoAqui
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João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
Algumas bases para uma revisão da matéria
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December 13 2010, 5:14pm | Comments »
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Performance baseada nos Pontos Fortes
http://terrear.blogspot.com/2010/04/performance-baseada-nos-pontos-fortes.html
Retomo um post de Mário Santos que chegou a estar no ar e que analisa bem um dos problemas que persiste no sistema de avaliação dos docentes e na função pública em geral...Os sistemas de gestão de performance podem apoiar-se em vários referenciais, entre os quais se conta o referencial relativo aos pontos fortes das pessoas. Quando tal acontece, estamos perante um sistema de gestão de performance baseado nos pontos fortes.Este tema é particularmente relevante, sobretudo numa altura em que são ainda bem recentes algumas medidas legislativas relativamente à avaliação dos professores, nomeadamente as que dizem respeito à definição de quotas de "Excelente", explicitando em valores de percentagem que, no universo nacional de professores, apenas X% poderá ter "Excelente" como resultado da sua avaliação.Isto corresponde a legislar sobre o processo de performance, algo que é doutrinariamente incorrecto, para não dizer errado. Um sistema que, por exemplo, define que, no máximo, apenas 3% dos avaliados poderão receber uma classificação de "Excelente" em consequência da sua avaliação, é um sistema limitado, que cultiva a mediocridade e não a "excelência", utilizando falsos pretextos para dar cobertura às verdadeiras razões que determinaram este tipo de medidas.Legislar o processo de performance, tal como acontece no exemplo que referimos, é o mesmo que obrigar todas as pessoas a seguir o mesmo caminho, apesar da sua diversidade como pessoas com diferentes valências, aptidões, competências, motivações, atitudes e comportamentos, para mencionar apenas alguns aspectos.Por outro lado, a limitação imposta leva as pessoas a resignarem-se à partida, por saberem que o reconhecimento da "excelência" estará reservado apenas a alguns, muito poucos e muito provavelmente não pelo seu verdadeiro mérito, mas pelo facto de estarem ou serem próximos de quem tem a última palavra em termos da avaliação (o fenómeno da proximidade das chefias).Haverá ainda outra externalidade negativa: a que resulta do facto de alguns, que na realidade são "excelentes", receberem uma avaliação inferior, com todas as consequências que isso terá ao nível da motivação, do sentimento de revolta e injustiça criado nessas pessoas.O objectivo principal da avaliação não deveria ser o de limitar o número de pessoas que serão promovidas e, que com isso, verão a sua remuneração aumentada. O objectivo principal da avaliação está relacionado com o feedback que permite a cada um melhorar o seu desempenho, a sua performance, nas funções que ocupa e, por isso, a gestão da performance é tão importante, pois é através dela que se pode dar o efectivo desenvolvimento profissional e pessoal das pessoas incluídas no sistema e, consequentemente, o desenvolvimento organizacional tão necessário para o sucesso no progresso.Tal como se disse, limitar a "excelência" a numerus clausus, é promover a mediocridade, ainda que essa pudesse não ser definitivamente a intenção subjacente. Mas apesar de não ser a intenção, o efeito obtido será esse e quem decide tem o dever e a responsabilidade de ponderar devidamente as possíveis consequências de decisões deste tipo.Mais importante e eficaz que limitar a "excelência", seria aconselhável que sistemas de gestão de performance como o referido se apoiassem nos pontos fortes das pessoas, pois isso teria como resultado a promoção do desenvolvimento profissional e pessoal, rumo à "excelência".Limitar a "excelência", em termos de avaliação, é limitar os resultados, algo que é compatível com um sistema de gestão de performance que se baseia nos pontos fortes das pessoas. Qualquer equipa, empresa ou organização que utilize um sistema de gestão de performance baseado nos pontos fortes, interessa-se pela medição dos resultados de cada pessoa em três vertentes de performance principais: o impacto do trabalho dessa pessoa no negócio (equipa, empresa ou organização), o impacto do trabalho dessa pessoa no cliente (quer interna, quer externamente) e o impacto dessa pessoa nas pessoas que com ela se ligam (aspectos de relacionamento pessoal).Sistemas de gestão de performance baseados nos pontos fortes das pessoas são sistemas que gerem e avaliam a performance de cada pessoa, em cada uma das três vertentes de performance indicadas. Esta avaliação reflectirá, em termos de feedback, para cada colaborador a medida do seu sucesso na sua função na equipa, empresa ou organização, reforçando os valores organizacionais em cada uma dessas pessoas.Como é óbvio, o melhor para a equipa, empresa ou organização será ter os melhores resultados possíveis, para cada um dos seus colaboradores, ao nível das três vertentes de performance indicadas. Tê-lo seria a materialização da "excelência". Mas limitar essa "excelência" a quotas e logo utilizando valores percentuais ínfimos, é estar a criar as condições para a mediocridade, ineficiência e ineficácia da organização, podendo, a longo prazo, ditar a própria destruição (vinda de dentro) dessa mesma organização.Insistir neste tipo de medidas, legislando sobre elas, denota uma estratégia completamente errada e corresponde a uma falta de visão. O sucesso e a "excelência" são o que permite o desenvolvimento. Limitar a "excelência" é não só, promover a mediocridade, mas também restringir o sucesso e criar as condições para a entropia. Por isso, a aposta deverá ser nos pontos fortes das pessoas, pois são esses que permitem às equipas, empresas e organizações tornarem-se mais fortes e vencer.Mário SantosEconomista, Consultor de Liderança e Formador
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April 14 2010, 5:23am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
A diversificação das formas de excelência
http://terrear.blogspot.com/2009/12/diversificacao-das-formas-de-excelencia.html
O ensino deveria mobilizar todos os meios de combater a visão monista da "inteligência" que leva a hierarquizar as diferentes formas de realização das capacidades em relação a uma delas, devendo assim multiplicar as formas de excelência cultural socialmente reconhecidas. Se o sistema escolar não detém o perfeito domínio da hierarquia das competências de que é o garante, já que o valor das diferentes formações depende fundamentalmente do valor dos postos a que dão acesso, não é, contudo, desprezávelo efeito de consagração que ele exerce. Esforçar-se por aumentar ou abolir as hierarquias entre as diferentes formas de aptidão, no funcionamento institucional (por exemplo, os coeficientes) como nos espíritos dos professores e dos alunos, seria um dos meios mais eficazes (nos limites do sistema de ensino) de contribuir para a redução das hierarquias puramente sociais. Um dos vícios mais notórios do actual sistema de ensino consiste no facto de este tender, cada vez mais fortemente, a conhecer e a reconhecer uma única forma de excelência intelectual, aquela que a secção C (ou S) dos liceus (1) e o seu prolongamento nas grandes escolas científicas representam. Pelo privilégio cada vez mais absoluto que confere a uma determinada técnica matemática, tomada como instrumento de selecção ou de eliminação, o sistema de ensino tende a apresentar todas as outras formas de competência como inferiores. Os detentores destas competências mutiladas estão, assim, condenados a uma experiência mais ou menos infeliz, não só da cultura que receberam, como da cultura escolarmente dominante (residindo aí, sem dúvida, uma das origens do irracionalismo que actualmente floresce. Quanto aos detentores da cultura socialmente considerada como superior, também eles se acham cada vez mais condenados, excepto no caso de um esforço inaudito e de condições sociais muito favoráveis, à especialização prematura e a todas as mutilações que ela acarreta. Por razões intrinsecamente cientificas e sociais, seria necessário, não apenas combater todas as formas, mesmo as mais subtis, de hierarquização das práticas e dos saberes, nomeadamente as que se estabelecem entre o "puro" e o "aplicado", entre o "teórico" e o "prático" ou o "técnico", particularmente fortes na tradição escolar francesa, mas também impor o reconhecimento social de uma multiplicidade de hierarquias de competência distintas e irredutíveis. Quer o sistema de ensino, quer a investigação, são vítimas, a todos os níveis, dos efeitos desta dívisão hierárquica entre o "puro" e o "aplicado", divisão que se estabelece entre as disciplinas e no seio de cada disciplina e que é, em grande parte, uma forma transformada da hierarquia social entre o "intelectual" e o "manual". Daí resultam duas perversões que importa combater metodicamente por uma acção sobre as instituições e sobre as mentalidades: em primeiro lugar, a tendência para o formalismo que esmaga certos espíritos; em segundo lugar, a desvalorização dos saberes concretos, das manipulações práticas e da inteligência prática que lhes está associada. Um ensino harmonioso deveria realizar um justo equilíbrio entre, por um lado, o exercício da lógica racional, através da aprendizagem dum instrumento de pensamento como a matemática, e, por outro, a prática do método experimental, sem esquecer nenhuma das formas de destreza manual e de habilidade corporal. A tónica poderia ser posta nas formas gerais de pensamento pelas quais, ao longo dos séculos, se foram constituindo as ciências e as técnicas. Se a matemática nasceu na Grécia, a nossa ciência só póde constituir-se verdadeiramente 2000 anos depois num tecido cuja teia seria a teoria, frequentemente de tipo matemático, e a trama a experimentação, graças a um vaivém incessante da hipótese teórica à experiência que a infirma ou a confirma.Pierre Bourdieu, em texto antológico e ainda muito actual (Proposições para o ensino do futuro). A realidade continua a resistir a um horizonte e a uma prática muita mais educativa e emancipadora.
December 4 2009, 12:24pm | Comments »
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