Informação recebida do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa:O Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa tem a satisfação de dar a conhecer a publicação dos n.ºs 2 e 3 do vol.29 da revista Theory in Biosciences (da editora Springer) com o título Darwin evaluated by contemporary evolutionary and philosophical theories que reúne muitos dos textos apresentados num colóquio com o mesmo nome realizado pelo CFCUL em 23 e 24 de Abril de 2009 na FCUL e que tem por editores Nathalie Gontier, Francisco Carrapiço, Marco Pina, André Levy and Helena Abreu Nele se encontram os 17 artigos seguintes (pp.77-245): Darwin’s legacy Nathalie Gontier Playing Darwin. Part A. Experimental Evolution in Drosophila Margarida Matos Playing Darwin. Part B. 20 years of domestication in Drosophila subobscura Punctuated equilibrium in a neontological context Melanie J. Monroe and Folmer Bokma Punctuated equilibrium and species selection: what does it mean for one theory to suggest another? Derek Turner Saltational symbiosis Jan Sapp How symbiogenic is evolution? Francisco Carrapiço What is a species? Essences and generation John S. Wilkins New insights into molecular evolution: prospects from the Barcode of Life Initiative (BOLI) Filipe O. Costa and Gary R. Carvalho Pattern, process and the evolution of meaning: species and units of selection André Levy Evolutionary epistemology as a scientific method: a new look upon the units and levels of evolution debate Nathalie Gontier Computational evolution: taking liberties Luís Correia Human evolution and cognition Ian Tattersall Grammatical equivalents of Palaeolithic tools: a hypothesis Antonio B. Vieira Sensory exploitation and cultural transmission: the late emergence of iconic representations in human evolution Jan Verpooten and Mark Nelissen Language trees ≠ gene trees James Steele and Anne Kandler Taking evolution seriously in political science Orion Lewis and Sven Steinmo Os resumos e os conteúdos podem ser consultados em http://www.springerlink.com/content/h30434147v76/?sortorder=asc&p_o=0
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TEORIA NAS BIOCIÊNCIAS
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July 16 2010, 4:58pm | Comments »
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RESPOSTA COM ESPERANÇA A QUEM COMENTOU A MINHA HISTÓRIA EM VEZ DE ENFRENTAR COM ARGUMENTOS O QUE EU DISSE SOBRE O EDUQUÊS
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Post recebido de Guilherme Valente, editor da Gradiva, na sequência do anterior:Para José da Silva Lopes e Henrique Medina Carreira, com imensa admiração.Como acredito na inteligência, não consigo imaginar que alguém conscientemente se queira enganar a si próprio. Proponho, por isso, ao comentador que leia e considere, sem preconceitos, com espírito aberto, este meu texto.1. O que incomodou no meu texto anterior não foi a história pessoal a que recorri. O que incomodou foi aquilo que a história me ajudou a transmitir com clareza. Vou repetir: o eduquês quer tornar toda a gente igual, mesmo que para isso tenha de reduzir toda a gente à ignorância e à boçalidade.O que terá doído foi a evidência que referi: a realização desse projecto horroroso e inatingível (por isso delirante) conduziu e conduz inevitavelmente ao nivelamento por baixo, ao facilitismo sempre crescente. Diminui todos os alunos, mas prejudica sobretudo os mais desfavorecidos, as crianças pobres, de famílias pouco instruídas, sem meios ou conhecimentos para procurarem outro ensino, no país ou no estrangeiro. O delírio igualitarista agrava as desigualdades.Note-se que esse projecto, para poder ser realizado, como foi sendo realizado, não podia (nem pode) ser assumido. Se o fosse, depararia, naturalmente, com a oposição geral do Pais. Pelo contrário, tinha de ser disfarçado, no discurso e com os recuos tácticos convenientes, usando o apoio dos idiotas úteis, dos ingénuos e dos oportunistas, matéria-prima que, como se sabe, num país com o grau e a qualidade de instrução do nosso, não falta.E foi por isso, e é por isso, por não poderem assumir tal projecto (que não teriam argumentos para justificar, acrescente-se), que nunca responderam à nossa crítica, fazendo passar a ideia de que não somos especialistas, de que não temos credibilidade para falar dos problemas de educação. Na verdade, como se sabe, embora seja muito esquecido e pouco praticado entre nós, o que vale é a qualidade dos argumentos não o estatuto ou a cara de quem os emite. E o que está em causa discutir, aliás, exige apenas inteligência, cultura geral e sensatez. De qualquer modo não trocaria o meu currículo, de formação académica e profissional, por mil currículos dos «especialistas» do Ministério.(Note-se, de passagem, que para quem impõe o regime das «competências», desvaloriza a cultura letrada, para quem quer acabar com as elites, para quem quis impor a participação de miúdos de dez anos na direcção das escolas, e dos alunos do secundário na elaboração do programa dos cursos e na definirem o modelo da sua avaliação, a contradição é gritante. Na verdade, o que querem, afinal, é uma sociedade igualitária em que sejam eles os únicos… desiguais. Também não é novo na História. )Por outro lado, o facto de hoje, num país da União Europeia, depois da experiência do PREC, tal projecto ser inimaginável, fez com que o eduquês contasse com a distracção ou a indiferença de quase todos nós.Mas se não podia ser assumido «oficialmente» pela nomenclatura do Ministério, a verdade é que os teóricos mais puros e duros do eduquês não resistiram a irem revelando nos seus escritos, mais ou menos explicitamente, esse projecto impensável (ver a antologia organizada por Nuno Crato, O Eduquês em Discurso Directo, Gradiva).E, assim, o projecto pode ser realizado com uma continuidade que nunca qualquer outro programa político teve depois do 25 de Abril, sobrevivendo a todas as mudanças de governo, aos vários ministros da educação, à tragédia gritante, sempre a agravar-se, dos resultados e do abandono escolares, do ambiente insuportável em muitas escolas, à frustração e à desistência de inúmeros professores, à evidência crescente dos seus efeitos devastadores na realidade económica e social do Pais.2. Repetido o que quis afirmar no meu texto, pergunto ao Senhor Eduquês que o comentou (trato-o assim por não saber o seu nome): é verdadeiro o que afirmo ou é falso? Se é falso explique então, a todos nós, claramente, qual é o projecto do eduquês do Ministério. E diga-nos de que outro modo poderemos interpretar os escritos dos representantes puros e duros do eduquês coligidos no livro de Nuno Crato.Aliás, como muito pertinentemente foi referido noutro comentário, quem tem de responder a estas questões é a senhora Ministra da Educação. Tem de dizer claramente ao País de que lado está, o que pensa do eduquês e como vai agir relativamente ao seu domínio total do sistema educativo. Dizer muito claramente, qual é, afinal, o seu projecto, que intenções tem.3. Um mundo de clones é o mundo em que o eduquês gostaria de nos pôr a viver. Com essa nomenclatura iluminada a mandar em nós, claro. Como aconteceu sempre nas tragédias históricas em que a experiência foi tentada.Mas é, felizmente, um mundo impossível. Felizmente, porque para mim não é um mundo desejável. Não quero ser igual a ninguém. «Não sei por onde vou, não sei para onde vou, mas sei que não vou por aí» são versos de José Régio.4. Dito isto, vou tentar mostrar (permita-se-me a especulação um pouco naive a que vou recorrer) que o projecto igualitarista é irrealizável. Mas, antes disso, quero lembrar que mesmo quando se apresentou como um projecto generoso acabou sempre, historicamente, quando as circunstâncias o permitiram e não foi travado a tempo, na crueldade mais odiosa. Não podia ser de outro modo, como facilmente se compreende. Um dos exemplos mais recentes é o do Cambodja de Pol Pot: começou na escola e terminou nos campos de extermínio. Não é ficção aquilo de que falo.Assim:a) A primeira condição para realizar a igualdade de todos os seres humanos teria de ser a «construção» de pessoas (pessoas?) geneticamente iguais. O que é uma impossibilidade absoluta. Repare-se, no entanto, que foi esse o projecto do nazismo. Eliminar todos os que não pertencessem a uma suposta raça ariana. Começou pelos judeus e, por meio da esterilização, pelos ciganos e deficientes. E começou sem que quase ninguém imaginasse que poderia tomar conta da Alemanha, sem que fossem levadas a sério as suas primeiras manifestações. Lembram-se do filme Cabaret?b) Mas mesmo que essa impossibilidade fosse realizada, seria necessário muito mais, designadamente: impor a toda a gente a mesma alimentação, obrigar toda a gente a viver no mesmo sítio, a ter os mesmos mesmos vizinhos, os mesmos encontros e desencontros, o mesmo número de irmãos, a mesma longevidade de toda a família (eu perdi o meu pai aos oito anos e sei como isso marcou o meu destino), os mesmos amigos, as mesmas viagens, a mesma namorada, os mesmos livros, os mesmos filmes (é por isso que os regimes totalitários impõem a censura e queimam os livros), o mesmo Benfica, a tropeçar as mesmas vezes, a ter ou a não ter os mesmos acidentes, etc., etc., etc. Percebe-se certamente o que caricaturalmente estou a tentar explicar.Leonardo da Vinci teve onze irmãos. Sabe-se o nome de algum deles? Se conseguíssemos fabricar um Einstein geneticamente igual ao original, não conseguiríamos com isso outro Einstein como o que existiu. Percebe-se porquê, não preciso de pormenorizar mais.Uma loucura, um delírio, portanto. Mas sabemos que foi tentado. E sabe-se a dimensão de sofrimento que causaram as experiências de concretização dessa loucura. E lembramo-nos dos nomes dos «demiurgos» que as impuseram. ***À esquerda ou a à direita - o totalitarismo não é de esquerda nem de direita – a explicação remete sempre para a avidez de poder, o ressentimento, a insegurança pessoal (enfim, não quero, nem seria a pessoa indicada para avançar as explicações do totalitarismo, do delírio ou da simples insensatez), rapidamente transformados em cegueira fanática, inevitável escalada de imparável violência, imposta, porventura, pela lógica de ocultação e justificação. Como é possível que alguém ainda se iluda e isso se possa repetir, se esboce, ou simplesmente se deseje? (Valerá a pena ler, a propósito, o pequeno, mas muito interessante, livro de ensaios de Umberto Eco, Cinco Escritos Morais, Difel.)O problema e o desafio não é tornar todos iguais. O problema e o desafio é o das condições da liberdade para todos.A liberdade não pode existir na imposição de um padrão, numa realidade em que «a obediência a um padrão é a única forma considerada verdadeira de auto-afirmação, onde aquilo a que se dá o nome de liberdade não é a possibilidade de agirmos no interior de um qualquer vazio, por reduzido que seja, reservado à nossa escolha pessoal, sem interferências dos outros». A essência da "liberdade livre" (a expressão feliz é de outro poeta, António Ramos Rosa) está na possibilidade de escolhermos o que queremos ser, porque o desejamos, sem coerção, sem opressão, não absorvidos num grande sistema… inexoravelmente totalitário.O sonho da harmonia universal não será realizável, mas a redução das desigualdades sociais deve ser um objectivo sempre presente, que só pode ser realizado pela educação, oferecida a todos, apoiando mais os mais desfavorecidos, os que tenham maior dificuldade em progredir, uma educação dirigida ao que é distintivo da nossa humanidade: à inteligência, que só pode gerar solidariedade; realizado pela afirmação e a defesa intransigente dos direitos e dos grandes valores humanos; pelo aprofundamento da democracia.Claro que o caminho da liberdade e do progresso não é, como bem sabemos, um caminho sem escolhos. É um caminho de combate, foi para muita gente, um caminho degrandes sofrimentos, de avanços e de recuos, mas chegámos aonde chegámos.Como disse Churchill e vem a propósito lembrar, não se encontrou até hoje melhor solução, apesar das limitações e dos obstáculos que revoltam e é preciso enfrentar e superar. De qualquer modo, o que haverá mais para fazer na vida se não caminhar…Educação, insisto, centrada no que se dirija ao córtice cerebral, o «lugar» onde a matéria se converte em consciência, o reino da intuição e da análise crítica, onde surgem as ideias e a inspiração, a matemática e a música. O córtice que controla a nossa vida consciente. Que distingue a nossa espécie. Cerne da nossa humanidade. Que produziu a civilização. Um ensino centrado no conhecimento, na exigência intelectual e na responsabilidade humana, nas suas várias dimensões.Percebe-se, assim, também, porque são um logro, e humana e socialmente um crime, as «novas» teorias pedagógicas.Sabemos que esta ambição humaníssima tem de ser um combate diário de cidadãos informados e, por isso, com consciência crítica. Construindo a confiança que é condição do progresso pessoal e social. Cidadãos que "aprendam a aprender" (outro slogan mentiroso do eduquês…) da única maneira que há para o conseguir: aprendendo, adquirindo os conhecimentos que contam e lhes permitem pensar criticamente a realidade, conhecimento que transforma, valoriza, a inteligência. Como explicou muito claramente Carl Sagan, parecendo estar a enfrentar o tal slogan absurdo, mas que ouço ser repetido por tanta boa gente que devia compreender o logro: «A informação a que temos acesso é o índice da nossa inteligência». Percebe-se, pois, porque é um crime a desvalorização do conhecimento e dos saberes, a atrofia da memória, estúpida ou perversamente programada, perpretada na escola.É por isso que para mim só há um grande e fundador problema em Portugal: o do baixíssimo nível de instrução dos Portugueses. Resolvido esse, todos os outros se resolverão por acréscimo. É esta a grande dívida pública, monstruosa, endémica, de Portugal. Que em cada dia se está a agravar (ao contrário do que me dizem ter dito no dia 26, na televisão, surpreendentemente para mim, o Professor Marçal Grilo). É este o grande défice cívico de todos nós.E pronto, vou para férias. Felicidades para todos, mesmo para todos.Guilherme Valente
May 28 2010, 5:34am | Comments »
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O BINÓMIO DE NEWTON. VERDADE E SOCIEDADE
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Post convidado de Guilherme Valente, editor da Gradiva:Sou amigo de Guilherme Valente,mas sou mais amigo da verdade. Guilherme ValenteO que Aristóteles disse foi: «Sou amigo de Platão, mas sou mais amigo da verdade.» A variação que introduzi na epígrafe pretende traduzir uma necessidade e uma exigência e suscitar coragem, que me parecem cada vez mais imperativas nestes tempos da moda pós-moderna e relativista que vivemos.E escrevi o que hoje é óbvio. De facto, a exigência de verdade, que devemos cultivar, tem de começar por incidir sobre nós próprios, sobre as nossas próprias convicções. E temos de ter coragem para assumir a verdade a que pensamos ir chegando. Um dos ideais da cultura clássica grega exprimia-se na exortação: «Sê (em cada momento) tu próprio.» Isto é, assume o que és realmente, não traias o que realmente pensas e sentes. Noutros contextos históricos houve gente que para ser igual a si própria precisou de muito mais coragem do que agora precisaríamos. Convém acrescentar ainda, claro, citando Confúcio, que só não mudam os burros ou... a pessoa mais inteligente do mundo.Esta exigência de verdade, que deve começar relativamente às nossas próprias ideias, é o cerne da investigação na física e na matemática, nas ciências dignas desse nome. É a essência da cultura científica (é neste sentido que costuma dizer-se que o cientista procura o erro). Por isso me pareceu tão decisivo promover a cultura científica num país como o nosso, em cuja história o método da ciência, a sua exigência de objectividade, de rigor, de verdade, tão pouco se fizeram sentir.Numa bela fórmula, Carl Sagan definiu o espírito científico como a atitude de máxima abertura perante todas as ideias, velhas ou novas, e de máximo rigor crítico na análise de todas elas. Antes de mais — está implícito, mas sublinho-o — das nossas próprias ideias.É esta a atitude que o cientista a sério pratica e exercita, em primeiro lugar relativamente ao seu próprio trabalho, às suas próprias intuições e teorias. Só com esse espírito, que é um método, fará avançar a ciência, aproximará mais da verdade o património inestimável do conhecimento universal. Pelo menos da verdade no mundo natural, mas recordo que S. Tomás de Aquino considerava o conhecimento da Natureza um contributo para a compreensão da revelação divina. E João Paulo II, na encíclica A Fé e a Razão, escreveu que «quanto mais o homem conhece a realidade e o mundo (…) nele se torna cada vez mais premente a questão do sentido das coisas e da sua própria existência».Esta atitude de abertura e de exigência crítica é também, claro, a atitude que cada cientista tem de exercitar em relação ao trabalho dos outros cientistas. Infelizmente nem sempre assim acontece, como se sabe, porque uma coisa é a ciência e outra os cientistas, do mesmo modo que uma coisa é a religião e outra os religiosos.A resistência aos grandes avanços da ciência não vem dos leigos. Vem sim, como é natural, durante algum tempo (quantos anos esperou Einstein para ver confirmada e aceite a sua teoria?), da surpresa e da dificuldade de entender a ruptura da novidade. Mas vem também, infelizmente, dos pares a quem a novidade ultrapassa, que se sentem diminuídos por ela (injustificadamente, claro, porque não pode ser outro o caminho do progresso científico, em que não deve haver concorrência, mas sim emulação). E vem também, como se sabe, de interesses prejudicados por novas aplicações dos resultados alcançados. Mas a força da verdade e a paixão da descoberta acabam sempre por se impor. O desejo de conhecer está inscrito na natureza do Homem, é o destino dos seres humanos.O abade Pierre, uma das grandes figuras liberais da Revolução Francesa, dizia: «Promovam a ciência e estarão a promover a liberdade.» A ciência, por se alimentar da verdade, precisa de liberdade. E por sua vez alimenta-a.Essa atitude autocrítica e crítica, essa atitude de verdade que é condição da ciência, não deverá ser generalizada, não deverá informar toda a sociedade? Não deve ser esse, por exemplo, o exercício permanente dos políticos, nas suas decisões e na sua relação com os cidadãos? Não deve ser essa a atitude de todos nós?É que, além de uma superior dimensão ética e moral, a verdade tem ainda uma mais que evidente dimensão, um mais que evidente valor e efeito sociais. Ela é também condição da confiança. A ciência, a democracia e o desenvolvimento emergiram e floresceram juntos na história.O amor à verdade, a prática da verdade, não são, assim, apenas indicadores do carácter, da saúde moral, de uma sociedade e de um país. São também um indicador da sua prosperidade.Guilherme Valente
May 11 2010, 5:03pm | Comments »
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AMIGO DA VERDADE
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Post convidado de Guilherme Valente, editor da Gradiva:Sou Amigo de Guilherme Valente,mas sou mais amigo da verdade.Guilherme ValenteNa epígrafe acima escrevi o óbvio. Mas dei um passo de gigante relativamente ao que o grande Aristóteles escreveu. Ele não deu esse passo por lhe faltar inteligência, claro, mas por falta de História e de circunstância (mas, mesmo assim, podia tê-lo dado, como deu tantos outros, ainda hoje inultrapassados). De facto, o que Aristóteles escreveu foi: «Sou amigo de Platão, mas sou mais amigo da verdade».Na bela definição de Carl Sagan, a ciência, o espírito científico, é uma atitude de máxima abertura perante todas as ideias, velhas ou novas, e o máximo de rigor crítico na análise de todas elas. Antes de mais – está implícito na fórmula de Sagan, mas eu explicito - das nossas próprias ideias.É esta é a atitude que o cientista digno desse nome pratica e exercita em primeiro lugar relativamente ao seu próprio trabalho, às suas próprias intuições e teorias. Só com esse espírito, que é um método, pode produzir conhecimento e aproximar-se da verdade.Deve também ser esta, claro, a atitude que o cientista deve exercitar relativamente ao trabalho dos outros cientistas. (Infelizmente nem sempre assim acontece, como se sabe, porque uma coisa é a ciência, outra são os cientistas, do mesmo modo que uma coisa é a religião, outra os religiosos. A resistência a grandes avanços na ciência não vem dos leigos, vem de pares a quem a novidade ultrapassa ou de interesses aos quais novas aplicações prejudicam.)E não deveria ser esta atitude autocrítica generalizada a toda a sociedade? O exercício permanente, por exemplo, dos políticos? Uma atitude de todos nós? Como seria diferente Portugal se fosse essa a cultura dominante na nossa sociedade. E sendo uma condição do progresso pessoal e social não será esta atitude também uma condição da liberdade?O abade Pierre, uma das grandes figuras liberais da Revolução Francesa, dizia: «Promovam a ciência e estarão a promover a liberdade». De facto, ciência, democracia e desenvolvimento emergiram e cresceram juntos na História.Guilherme Valente
May 10 2010, 2:26am | Comments »
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Então e a alma?
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“Conhece alguém as fronteiras da sua alma para que possa dizer – eu sou eu?” (Fernando Pessoa, 1888-1935).“Então e a alma?”- questão levantada por Brigitte, aluna de uma escola primária francesa, ao médico francês Jean Bernard.Esta angustiante pergunta, transcrita numa das páginas de um pequeno mas notável livro do presidente da Academia de Ciências de França, Jean Bernard ("Europa-América, 1988), quando explicava a Brigitte e às suas pequenas colegas o funcionamento do sistema nervoso, serviu de sugestivo título ao seu autor.Perpassa pelas suas 176 páginas, que releio como o mesmo prazer com que o fiz anos atrás, uma extraordinária simplicidade de escrita que só o pensamento linear e bem fundamentado dos cientistas com as ideias bem digeridas na matéria que dominam consegue transmitir.Da sua apaixonante leitura, colhi a informação de um luminar da hematologia mundial (director do Instituto de Investigação sobre as Leucemias e as Doenças do Sangue em que foram feitas as primeiras curas de leucemias agudas) sobre a necessidade de um respaldo abrangente e ecléctico da Filosofia e da própria Religião na abordagem de assuntos de natureza científica.Segundo, I.M. Bochenski (La Philosophie Contemporaine en Europe) “o pensamento do filósofo tem o efeito do dinamite (…) aquilo que os filósofos anunciam hoje será a crença de amanhã”. Visão diferente tem o nosso festejado filósofo Delfim dos Santos (1907-1966): “No pensamento de cada filósofo há algo de vivo e algo de morto e o morto é quase sempre o científico”. Por seu turno, o autor do livro, Jean Bernard, diz-nos que “os filósofos clássicos foram durante muito tempo os únicos a ocupar o terreno: brilhantes, firmes certos da verdade, recusando a crítica, aproximativos, utilizando as palavras essenciais com sentidos diferentes”. E logo acrescenta: “Os filósofos modernos, muito mais abertos, aceitam o diálogo”. Por vezes, em resposta à questão que elaboro sobre o que se entende por pensamento, deparo-me com o silêncio de uns tantos interlocutores ou a facúndia sem nexo de outros tantos. Contemplando e ampliando a tese cefalocentrista, que remonta a tempos de Platão e Hipócrates, segundo a qual “o pensamento tem a sua sede no cérebro do homem”, respondo ser o complexo funcionamento da máquina humana e não só do cérebro, pois, segundo Ernest Kretshemer, “o homem pensa com o corpo todo”.Opinião que deve merecer o descrédito de adeptos do vitalismo (como se o cérebro como qualquer outro órgão do corpo humano não fosse matéria corpórea) que se recusam a ver no homem um animal, a exemplo do literato François- René Chateaubriand (1768-1848), quando escreve com fervor religioso: “Se nos é permitido dizer, é, parece-nos, uma grande pena encontrar o Homem mamífero classificado, depois do sistema de Lineu, com os macacos, os morcegos e os pássaros”. E, logo, para evitar uma possível subordinação a um ateísmo, que não perfilho, digo que a expressão literária de pensamento (tida por Alexandre Herculano de inspiração divina: “Foi depois disto que este nome e esta imagem [de Leonor] me apareceram como um pensamento do céu”), assume, por vezes, o significado de alma, ao invés da significância de processo de raciocínio lógico, através de uma actividade psíquica consciente e organizada.Para consubstanciar o conceito de pensamento, acrescento que o perspectivo em termos de Ciência e não de Teologia, até porque “para aqueles que crêem nenhuma explicação é necessária; para aqueles que não crêem nenhuma explicação é possível”, como nos transmitiu Santo Inácio de Loiola. Já o padre João Resina, sócio efectivo da Academia de Ciências de Lisboa, na sua dupla formação científica (licenciado em Engenharia Química pelo IST em 1953, e professor jubilado de Física dessa mesma escola) e teológica (ordenado padre em 1959 e doutorado em Filosofia pela Universidade Católica de Lovaina), escreve: “A Religião não recebe nada da Ciência, esta é uma compreensão exigente e sóbria do mundo que nada tem a ver com valores que implicam opções ‘ na solidão da liberdade’; a Ciência revela-nos possibilidades insuspeitadas de nós próprios”. Consequentemente, em meu entender, ciência e religião não são susceptíveis de seguirem um caminho interdisciplinar: aquela vive de dogmas; esta de hipóteses.Aliás, no próprio domínio das ciências, em estranho paradoxo, cada vez se fala e defende mais a interdisciplinaridade, mas, na prática do dia-a-dia , ela é entendida como uma espécie de utopia. Para Edgar Morin, esse gigante do pensamento moderno, a interdisciplinaridade não tem o viço das árvores frondosas por ausência de raízes fortes. Escreve ele: “Sabemos cada vez mais que as disciplinas se fecham e não comunicam umas com as outras. Os fenómenos são cada vez mais fragmentados e não se consegue conceber a sua unidade .É por isso que cada vez mais se diz façamos interdisciplinaridade, mas ela controla tanto as disciplinas como a ONU as nações. Cada disciplina pretende primeiro fazer reconhecer a sua soberania territorial e, às custas de algumas magras trocas, as fronteiras confirmam-se em vez de se desmoronarem”.Contra a torre de marfim do conhecimento pronuncia-se, de igual modo, o filósofo Georges Gusdorf (1912-2000), antigo professor da Universidade de Estrasburgo, quando escreve: “A unidade do saber, nunca dada, propõe-se como uma tarefa a empreender. Como uma tarefa impossível, talvez, e desencorajante de qualquer modo. Mas esta tarefa define a mais alta exigência da cultura. Desde então, a atitude do especialista, quer seja matemático ou botânico, filólogo ou historiador, que se debruce ciumentamente sobre o estrito comportamento da sua própria competência, deve ser considerado como uma demissão. Qualquer dissociação do conhecimento é uma negação do conhecimento. O dever presente é trabalhar para reunificar, para dar corpo aquilo que um século de análise desmembrou. O pressuposto da especialização deve dar lugar ao pressuposto da convergência Ciências e Letras, Ciências da Natureza e Ciências do Homem, que pareciam votadas a caminhos distintos, devem tomar consciência, cada uma por seu lado, que são como paralelas que, sem se afastarem da sua própria direcção, se encontram no infinito”. Por consequência, Ciência, Filosofia e Religião não têm sido contempladas por um estudo interdisciplinar: aquelas vivem de incertezas, esta não admite dúvidas. Apesar de tudo, os cientistas ostentam, com toda a propriedade, o brasão prestigioso das grandes conquistas tecnológicas do nosso tempo. Pois não viaja o homem já hoje para fora do planeta Terra? É a altura de dar a palavra a Charles De Gaulle: “É bem possível que um dia se vá à Lua, mas isso não é ir muito longe; a maior distância a percorrer está dentro de nós!” Há muitos anos que o homem chegou à Lua. Próximo passo será pisar o solo marciano. E os caminhos a percorrer dentro dele próprio? Não estará ainda por cumprir a velha máxima socrática “nosce te ipsum” (conhece-te a ti mesmo)? Os dois e únicos transplantes de caras inteiras desfiguradas, um deles realizado na nossa vizinha Espanha, não nos dão, ainda, esperanças sobre a possibilidade de transplantes cerebrais que mudariam a personalidade das pessoas descrita no livro de Jean Bernard, através de uma história de amor. Escreve ele:“Pierre ama Jeanne. Jeanne, após um acidente, fica sem um braço. Um braço estranho é enxertado em substituição do braço amputado. Pierre continua enamorado de Jeanne. Mas Jeanne, um pouco mais tarde, padece de uma grave doença renal. Tenta-se um transplante renal e é bem sucedido. Pierre continua enamorado de Jeanne. Novo acidente. Queimaduras extensas. São necessários grandes enxertos de pele. Mais tarde, ainda, verificam-se sérias alterações no coração de Jeanne. Encara-se um transplante de coração. Pierre continuará enamorado de Jeanne? Esta pobre Jeanne com um braço estranho, uma pele estranha, um coração estranho, será ela ainda a Jeanne que ele amou? Quantos órgãos, quantos tecidos, Jeanne pode trocar continuando a ser amada? Quantos quilos, quantos metros quadrados, poderá ela substituir continuando, no entanto, a ser a mesma?”Para Jean Bernard “só a engenharia genética pode mudar a pessoa, pela transformação do património genético do indivíduo”. Ora, Jeanne não foi transplantada na sua massa encefálica que, a ser possível, lhe mudaria a personalidade e todo um passado de vivências mais ou menos ricas ou pobres, mais ou menos felizes ou traumatizantes.Julgo poder extrair-se daqui a seguinte lição. Na medida do possível, embeleze-se o rosto desfeado, esbelte-se o corpo disforme, recorra-se a todos os meios da moderna e milagrosa cirurgia de transplantes ou apenas reconstrutiva. Mas continue a amar-se a pessoa naquilo que ela é na actualidade, longe mesmo do que ela foi fisicamente no passado. Com ígnea paixão!Se Jeanne pudesse ter sido transplantada com um novo cérebro seria ela a mesma pessoa, continuando a ser amada apaixonadamente por Pierre?
May 7 2010, 3:27am | Comments »
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Os cientistas filósofos e os filósofos cientistas
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Informação recebida da Universidade de Évora:Évora's second international symposium on philosophy of scienceles savants philosophes / les philosophes savantsUNIVERSITY OF ÉVORA, 27 APRIL 2010, ROOM 124 – COLÉGIO DO ESPÍRITO SANTOScientific coordination: Hermínio Martins, João Príncipe, Mariana Valente.Program09h30m – Welcome sessionSession I – chairman: Augusto Fitas (Universidade de Évora/ CEHFCi)10h00m – Mariana Valente (Universidade de Évora/ CEHFCi): “Helmholtz et Mach – desinterprètes de science”10h25m – João Príncipe (Universidade de Évora/ CEHFCi): “Analogie chez Poincaré”10h50m – Ricardo Coelho (FCUL/ CEHFCi): “Hertz’s Mechanics as an Image”11h15m – coffee break11h30m – Ending morning Conference:Olivier Darrigol (CNRS): “Le problème de la sous-détermination des théories chez Henri Poincaré”12h15m – Discussion14h00m – Opening afternoon conferenceHerminio Martins (ST. Anthony College, University of Oxford): “Michael Polanyi and the philosophy of science”Session II – chairman: Fátima Nunes (Universidade de Évora/ CEHFCi)15h00m – Maria do Rosário Branco (PhD): “Para uma leitura kantiana das Regulae philosophandi de Newton”15h25m – Leonel Ribeiro dos Santos (Universidade de Lisboa CFUL): “PressupostosEpistémicos e Metafísico – Teológicos da Cosmologia do jovem Kant”16h00m – Luís Morais (PhD): “O objecto real como campo cognitivo em Whitehead”16h25m – coffee Break16h45m – Ending conference:Isabelle Stengers (Universidade Livre de Bruxelas): “Penser avec Whitehead”17h35m – Discussion and final comments by João Príncipe e Mariana Valente.
March 26 2010, 3:32am | Comments »
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Novos livros da Bizâncio
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Informação meditorial recebida da Bizâncio:Título: Enigmas da ExistênciaSubtítulo: Uma Visita Guiada à MetafísicaAutor: Earl Conee e Theodore SiderColecção: Filosoficamente, 6ISBN: 978-972-53-0450-1Preço: Euros 13,33/ 14,00Págs.: 272Filosofia«Uma introdução à metafísica acessível, competente e apaixonante, escrita por dois filósofos de primeira linha.»The TimesO que é o tempo? Serei realmente livre ao agir? O que faz de mim a mesma pessoa que era em criança? Porque há algo em vez de nada? Será que sou realmente livre, ou tudo está determinado desde antes do meu nascimento? Se alguma vez deu consigo a fazer algumas destas perguntas, este livro é para si. Tratando ainda da existência de Deus e da constituição última da realidade, eis um guia para quem gosta de raciocinar cuidadosamente sobre estes e outros temas — incluindo o problema de saber o que é afinal a própria metafísica. Enigmas da Existência torna a metafísica genuinamente acessível e até divertida. O seu estilo vívido e informal dá fulgor aos enigmas e mostra como pode ser estimulante pensar sobre eles. Não se exige qualquer formação filosófica prévia para desfrutar deste livro: qualquer pessoa que queira pensar sobre as questões mais profundas da vida considerará esta obra um livro provocador e aprazível.Reedição com tradução revista:Título: Mundos ParalelosSubtítulo: Uma Viagem pela Criação, Dimensões Superiores e Futuro do CosmosAutor: Michio KakuColecção: Máquina do MundoISBN: 978-972-53-0285-9Págs.: 432Preço: Euros 19,00Divulgação Científica«Em Mundos Paralelos, Michio Kaku revela o seu notável talento para explicar uma das mais estranhas e mais excitantes possibilidades que emergiram da Física moderna: que o nosso universo pode ser apenas um entre muitos, talvez infinitamente muitos, dispostos numa vasta rede cósmica. Recorrendo habilmente à analogia e ao humor, Kaku apresenta, com paciência, ao leitor, as variações sobre este tema de universos paralelos, desde a mecânica quântica, a cosmologia e, mais recentemente, a teoria M. A leitura deste livro proporciona ao leitor uma viagem maravilhosa, conduzida por um guia experiente, através de um cosmos cuja compreensão nos obriga a alargar os limites da imaginação.»Brian Greene, Professor de Física e de Matemática, Universidade de Columbia, Nova Iorque
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March 17 2010, 5:38pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Heraclito
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A asssociação A Origem da Comédia realiza a terceira sessão do ciclo de Tertúlias Pré-Socráticas dedicada a Heraclito.Será no dia 17 de Março, quarta-feira, às 18:00, no Teatro Académico Gil Vicente, em Coimbra, e contará com a presença de Alexandre Sá, da Universidade de Coimbra, e com a leitura, pelo recém-surgido duo Voz Baixa, de um conto de Gonçalo M. Tavares, inspirado pela figura do filósofo de Éfeso.De Heraclito, dito O Obscuro, chegaram-nos pouco mais que uma centena de fragmentos, mas esses bastaram para que conquistasse a admiração de Hegel, Nietzsche ou Heidegger, entre tantos. Nele encontramos, a título de curiosidade, o primeiro registo da palavra filósofo. A sua doutrina do fluxo eterno — não é possível entrar duas vezes no mesmo rio: quem não ouviu já a frase?— e da unidade dos opostos, bem como o seu estilo muito próprio, quase oracular, a tempos, continuam a fascinar quem se confronta com o que dele nos chegou
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March 15 2010, 6:38am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
A formação da linguagem artística e a filosofia
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Hoje, dia 10 de Março, às 16 horas, no Auditório 1 - Torre B da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, José Gil, professor catedrático do Departamento de Filosofia desse Faculdade dará a sua última aula, intitulada Formação da Linguagem Artística e a Filosofia.Em entrevista, na rádio, ao princípio da manhã, disse que a docência lhe proporcionou múltiplas oportunidades de "pensar com...". São essas oportunidades, essência do ensino e da aprendizagem, que é preciso perguntar se estamos, de facto, a preservar. Sobre o assunto deixamos o extracto de um texto deste filósofo."Qualquer coisa vem imperceptivelmente acontecendo ao ensino da Filosofia no Secundário que é talvez mais preocupante do que se pode crer (...). Assim se apaga lentamente, sem barulho, uma disciplina (...).Porquê este menosprezo pela Filosofia? Uma certa corrente de opinião considera-a inútil, improdutiva, um luxo dispensável. Numa sociedade pragmática (no mau sentido) em que o valor e a pertinência de uma actividade se medem cada vez mais pelo critério exclusivo da produtividade económica, a Filosofia aparece como a disciplina menos necessária, mais vã e mesmo, para alguns, nefasta, porque perturbadora do funcionamento controlado da "sociedade do conhecimento". Pois não é certo que nem conhecimento produz? Não são os filósofos os primeiros a afirmar que a filosofia não tem nem objecto nem finalidade precisas? Abaixo, pois, a Filosofia — a religião substitui-a plenamente e com proveito para a boa ordem social (...).Sobre aqueles que desprezam o ensino da Filosofia por ser inútil, direi que mesmo do seu ponto de vista se enganam redondamente: por exemplo, sabe-se que o ensino da Filosofia para crianças abre extraordinariamente as competências dos alunos na aprendizagem das outras disciplinas. E, porque é inútil, a Filosofia alarga o conhecimento, estabelece pontes novas entre domínios científicos diferentes, proporcionando a criação de novos objectos e novas disciplinas. O trabalho do conceito é um trabalho de criação, e a Filosofia é, antes de mais, criação de pensamento. Daí as suas repercussões, da política ao design — atravessando toda a cultura, a arte e o conhecimento; assim como na ética e prática da democracia. Daí a sua importância (reconhecida em vários dossiês da UNESCO) para a educação da cidadania (...)."Sem a música, a vida seria um erro", escreveu Nietzsche. Extrapolando: "Sem a Filosofia, a vida seria um erro."O texto integral pode se lido aqui.
March 10 2010, 2:52am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Nova História da Filosofia Ocidental
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Informação recebida da Editora Gradiva.NOVA HISTÓRIA DA FILOSOFIA OCIDENTAL de Sir Anthony KennyLançamentos em Abril, Junho, Setembro e Novembro (4 volumes) - Traduzida por especialistas da área sob a direcção do professor Aires Almeida.«A primeira razão pela qual esta impressionante obra é um acontecimento editorial é que os leitores têm agora acesso a uma história da filosofia que apresenta os problemas, teorias e argumentos da área com aquela intensidade própria de quem os conhece por dentro, ao invés de os olhar de longe como artificialismos académicos ou escolares, descritos muitas vezes em linguagem pomposa e vazia. A segunda razão é que o conhecimento que temos hoje da história da filosofia é muito mais rigoroso e vasto do que o que tínhamos há trinta ou quarenta anos, e Sir Anthony está a par desses desenvolvimentos – tendo até sido protagonista de alguns deles. Não se trata por isso de mais uma história da filosofia que repete os lugares-comuns infelizmente endémicos nas zonas mais fracas da cultura escolar e académica.Por estas razões, entre outras – incluindo a iconografia inovadora – esta brilhante história da filosofia é leitura obrigatória e entusiasmante para estudantes e professores de filosofia, assim como para qualquer pessoa que queira conhecer um pouco mais esta imensa tradição intelectual com dois mil e quinhentos anos de existência, e que novos desenvolvimentos continua a trazer-nos hoje. A Gradiva e a «Filosofia Aberta» continuam assim a prestar ao país um serviço cultural e educativo mais importante do que quaisquer míticas avaliações de professores.»Desidério Murcho, Universidade Federal de Ouro Preto «Esta é uma obra que pouquíssimos se atreveriam a escrever. Sir Anthony Kenny, um dos mais reputados filósofos actuais, dedicou alguns anos a ler directamente os grandes filósofos e a acompanhar os debates por eles suscitados, daí resultando uma história da filosofia verdadeiramente filosófica, informativa e refrescante, onde não se encontram os lugares-comuns e as ideias feitas do costume.Aliando o melhor rigor académico à clareza de exposição e à capacidade para envolver o leitor nas discussões filosóficas, esta obra revela-nos uma história de cerca de dois mil e quinhentos anos que, ao contrário do que tantas vezes parece, está longe de ser uma mera colecção de ideias de museu.O autor não se limita a apresentar e explicar as ideias e teorias dos filósofos, inserindo-as de forma esclarecedora no seu contexto histórico e cultural. Isto constitui uma das duas partes em que cada um dos quatro volumes está dividido. A segunda parte é dedicada à elucidação, discussão e avaliação dos argumentos que sustentam essas ideias e teorias, adoptando-se aí um tratamento temático e estritamente filosófico. Assim, esta história da filosofia consegue ser útil tanto para quem está interessado numa abordagem mais histórica das ideias filosóficas como para quem está interessado numa discussão filosófica mais aprofundada.Por isso se trata de uma obra única e imprescindível que, muito justamente, se está a tornar uma verdadeira referência na área.»Aires Almeida, Professor de Filosofia
March 8 2010, 1:02pm | Comments »








