Do livro A obsessão do fogo, de Umberto Eco (UE) e Jean-Claude Carriere (JCC), acabado de sair na Difel, respigo esta parte:"JCC - Se eu desenhar hoje um graffiti sem sentido num muro, amanhã poderá acontecer alguém afirmar tê-lo decifrado. Diverti-me durante um ano a inventar escritas. Estou certo de que outros poderiam amanhã encontrar-lhe um sentido.UE - Naturalmente, porque não há como a insensatez para produzir uma interpretação.JCC - Ou a interpretação para produzir a insensatez. É essa a contribuição dos surrealistas, que procuravam ligar palavras sem qualquer parentesco ou relação para lhes revelar um sentido escondido.UE - Encontramos a mesma coisa na filosofia. A filosofia de Bertrand Russell não gerou tantas interpretações como a de Heidegger. Porque? Porque Russell e particularmente claro e inteligível , enquanto Heidegger e obscuro. Não digo que um tivesse razão e o outro estivesse errado. Quanto a mim, desconfio dos dois. Mas quando Russell diz uma idiotia, di-la de uma forma clara, mas Heidegger, mesmo que diga um truísmo, temos dificuldade em percebê-lo. Assim, para passar a história, para subsistir, é preciso ser-se obscuro. Hercalito já o sabia..."
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DE NOVO ECO E CARRIERE
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August 13 2009, 7:34am | Comments »
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ESPINOSA E URIEL DA COSTA
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O último número especial do "Nouvel Observateur" é inteiramente dedicado a Espinosa. O judeu português Uriel da Costa é referido no artigo "Juifs d' Amsterdam" de Gabriel Albiac, e a sorte trágica de Uriel da Costa, que se suicidou com um tiro em 1640, é relatada em caixa através da tradução em francês do "Espelho da Vida Humana" de Uriel. Eis a tradução portuguesa do excerto escolhido (o original é em latim):"Entrei na Sinagoga, que estava cheia de homens e de mulheres, e quando foi tempo, subi ao taburno de madeira que está no meio da Sinagoga para o serviço dos sermões e demais actos do culto; li em voz alta o escrito, redigido por eles, em que eu confessava que merecia morrer mil vezes pelos pecados por mim cometidos, convém a saber: não ter guardado o sábado, ter violado a fé a ponto de chegar a aconselhar os mais a que não viessem para o judaísmo; e que em satisfação de tais culpas eu queria obedecer ao que me ordenassem e cumprir as penas que me impusessem, prometendo não tornar a cair de futuro em semelhantes iniquidades e malfeitorias. Acabada a leitura, desci do taburno e acercou-se de mim o venerando presidente, dizendo-me ao ouvido que fosse para um outro canto da Sinagoga. Assim fiz; então o porteiro ordenou-me que me despisse. Despi-me até à cintura, atei um lenço à cabeça, descalcei os sapatos e ergui os braços, pondo as mãos em uma espécie de coluna. Chegou-se a mim o porteiro e atou-me as mãos à coluna com uma faxa. Depois vem o precentor e, pegando de um couro, deu-me trinta e nove tagantes conformemente à prática tradicional — a Lei prescreve que não sejam mais de quarenta, e sendo estes varões tão escrupulosos observadores das leis, guardam-se de cair em pecar por excesso Durante a flagelação cantava-se um salmo. No fim assentei-me no chão, e o grão-rabino — que ridículas que são as cousas do género humano! —chegando-se à minha beira, levantou-me a excomunhão; destarte já me estava aberta a porta do Céu, que antes disto, de valentemente trancada, me impedia de entrar. Depois tornei a vestir-me e fui para a entrada da Sinagoga. Prostrei-me no chão, amparando-me o guarda a cabeça. Então todos quantos desciam, passavam por cima de mim, quero dizer, levantando um pé, passavam para além junto da parte inferior das minhas pernas. Isto praticavam todos, moços e velhos — não há bugios que possam apresentar a olhos humanos nem actos mais desentoados, nem gestos mais ridículos. No fim, quando já não restava mais ninguém, ergui-me, e tendo-me limpado do pó, com ajuda daquele que estava ao meu lado — ninguém diga que eles não me honraram, pois, se me atagantavam, em todo o caso, choravam e afagavam-me a cabeça — voltei para casa. Ah gente, a mais desfaçada do mundo! Ah padres execrandos, de quem, dizeis, eu não devia temer que me fosse dado mau trato! «Espancarmos-te? Longe tal pensamento!» Avalie agora quem isto ouvir, que cena era aquela; um velho, nada baixo de condição, por natureza sobremodo envergonhado, em uma assembleia pública, despido na presença de toda a gente, homens, mulheres, crianças, e açoutado de ordem de juízes, e de juízes destes, que são mais escravos abjectos do que juízes; considere que dor não seria cair aos pés de inimigos encarniçadíssimos. de quem lhe tinham vindo tantos males, tantos agravos, e prostrar-se para ser pisado; pense-o que ainda mais é, e pode com razão chamar-se caso fora do natural, monstruosidade horrenda, de cuja vista hedionda a gente foge arrepiada — que meus irmãos, filhos do mesmo pai e da mesma mãe, criados juntos na mesma casa, trabalharam afincadamente para isto, esquecendo o afecto que eu lhes tinha — que tal sentimento era feição distintiva da minha índole e esquecendo os muitos favores que por minha intervenção haviam recebido na sua vida e que me foram pagos com ignomínias, perdas, calamidades, fealdades e abominações, tantas, que uma pessoa se corre de referi-las."
August 11 2009, 3:20am | Comments »
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Nova tradução de Raimundo Lúlio:
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Informação recebida do Instituto Brasileiro de Filosofia e Ciencia Raimundo Lúlio:"Félix, O Livro das Maravilhas" (texto integral), Raimundo Lúlio (Ramon Llull)FÉLIX ou O Livro das Maravilhas é uma das primeiras novelas de cunho filosófico-social escritas na Europa medieval. Novela, em catalão medieval, significa uma boa nova, uma novidade. Foi escrita por Raimundo Lúlio (1232-1316) em Paris em 1288-1289, durante a sua primera visita àquela cidade. Lúlio tinha, então, cerca de 56 anos:já era um homem velho para os padrões medievais. Sua visão sobre a sociedade cristã, sobre a monarquia e sobre os poderes contituídos já estava solidamente arraigada.O Livro das Maravilhas é um grande espetáculo, onde o mundo medieval e especialmente os diálogos medievais são postos em cena. O protagonista - Félix - é, sobretudo, um anfitrião que recebe em seu caminho todo o espectro social do século Xlll. E o mais importante: essa enciclopédia do conhecimento em forma de literatura fantástica que é O Livro das Maravilhas tem como epicentro o homem - quase 60 por cento da sua obra é reservada à Humanidade, pois para Lúlio e para todos os homens do século Xlll somos o ápice da criação divina.Assunto: Deus,os anjos,o céu,os elementos,as plantas, os metais,as bestas.Editora: EscalaPáginas: 235Edição: 2009ISBN: 978-85-389-0000-9Preço R$ 9,90
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August 10 2009, 10:30am | Comments »
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AMESTERDÃO, TERRA DE ESPINOSA
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Do meu livro "Curiosidade Apaixonada" (Gradiva, 2005) recupero este texto sobre Amesterdão e os judeus portugueses (o quadro de 1675, de de Witte, mostra o interior da Sinagoga Portuguesa de Amesterdão):De Lisboa a Amesterdão é um pulo de pouco mais de duas horas. Sai-se do largo Tejo e entra-se nos estreitos canais nórdicos à volta do Amstel. Foi de Lisboa, no século XVI (quando, escusado será dizê-lo, não havia aviões que encurtassem as distâncias), que partiram os primeiros judeus a obter a nacionalidade holandesa. Pertenciam à comunidade sefardita, perseguida à beira do Tejo mas recebida nas margens do Amstel.Hoje a Sinagoga Portuguesa é um dos principais monumentos da cidade: situa-se no Mr. Visserplein (“plein” significa praça) perto do centro. Foi mandada construir precisamente pela comunidade sefardita portuguesa copiando o templo de Salomão. Perto dessa sinagoga, na Sint Antoniesbreesstraat (“straat” significa rua) fica a “Pintohuis”, literalmente “Casa do Pinto”, que deve o seu nome a Isaac de Pinto, um rico judeu português que pagou o projecto de renovação ao mesmo arquitecto que construiu a sinagoga, Elias Bouman. Hoje em dia é uma biblioteca pública, depois de um levantamento popular ter impedido a demolição do prédio.Mais perto da sinagoga portuguesa que a Pintohuis fica o Joods Historisch Museum, o Museum Histórico Judaico, que ocupa quatro sinagogas erguidas nos séculos XVII e XVII pelos judeus askenazi, que, em contraste com os sefarditas, chegaram do leste da Europa e um pouco mais tarde. O mesmo arquitecto Bouman desenhou um dos recantos mais importantes do Museu Judaico: a Grote Synagoge. Aqui, tal como nas outras sinagogas, a galeria superior está reservada às mulheres enquanto os homens, com a cabeça devidamente coberta, ocupam o interior mais baixo do templo. Não há dúvida: Amesterdão foi e é um dos pólos do mundo judaico, um mundo espalhado por todo o mundo.Por falar em mulheres judaicas, o visitante de Amesterdão não pode deixar de ver a Anne Frankhuis, a Casa de Anne Frank, a rapariguinha judaica que permaneceu escondida dos nazis durante cerca de dois anos (dos treze aos quinze anos), ao mesmo tempo que escrevia um diário. Presa pela Gestapo em 1944, acabou por morrer no campo de concentração de Bergen Belsen no ano seguinte. O pai, sobrevivente do holocausto, encontrou o seu diário escondido e revelou-o ao mundo. Hoje a casa da jovem Ana é um lugar de constante peregrinação diária. O clima social de Amesterdão é, como sempre foi (tirando a interrupção da Segunda Guerra Mundial), de enorme tolerância e a Casa de Anne Frank é quanto chega para nos lembrar dos horrores da intolerância.Não se pode falar dos judeus de Amesterdão sem referir o grande filósofo Espinosa, de seu nome completo Bento (em hebreu Baruch) Espinosa (1632-1677), que era filho de um mercador judeu estabelecido em Amesterdão depois da sua família ter fugido de Portugal. Foi, portanto, uma vítima da intolerância religiosa em Portugal. Espinosa, de quem se fala no terceiro livro de António Damásio (“Ao Encontro de Espinosa”, Publicações Europa-América, 2003), viveu grande parte da sua vida em Amesterdão, mas, excomungado pela igreja judaica em 1656, teve de se refugiar primeiro em Rijnsburg e depois em Leiden e em Haia. Foi, de facto, perseguido na Holanda, mas não teve necessidade de fugir de lá. Numa das sinagogas de Amesterdão, Espinosa aprendeu os cânones do hebraísmo, preparando-se até para ser rabi. Contactou ainda adolescente com o judeu português de Amesterdão Uriel da Costa, cujas ideias o terão influenciado. Conheceu também o Padre António Vieira, que por essa altura (tinha Espinosa doze anos) visitou a comunidade portuguesa de Amesterdão. Foi, mais tarde, o Padre António Vieira que haveria de escrever o famoso “Sermão contra as Armas da Holanda”, quando os holandeses atacaram o Brasil.Espinosa abandonou cedo a tradição religiosa da sua família, seduzido pelas ideias racionalistas de Descartes (quando Espinosa nasceu, Descartes, que então tinha 32 anos, vivia em Amesterdão) e outros. No seu livro “Ética” (Relógio d’Água, 1992) publicado postumamente em Amesterdão, a ética é tratada à moda da geometria de Descartes. Tal como os princípios físico-matemáticos regulam as leis da Natureza, também alguns axiomas governariam a lei moral. As paixões humanas poderiam ser tratadas com o mesmo sereno rigor que as figuras geométricas que se encontravam no mundo natural.Além de pensador, Espinosa foi polidor de lentes para microscópios e telescópios (um ofício técnico-científico que terá aprendido quando estudava para rabi). Acabou mesmo por ser uma vítima da sua própria profissão ao morrer de uma doença pulmonar associada à poeira do vidro.Vale a pena referir a relação entre Espinosa e Einstein, esse outro judeu famoso e prosélito do sionismo. Têm em comum o facto de serem judeus de origem, mas de se terem mais tarde distanciado da religião dos seus antepassados. E têm também em comum o facto de defenderem uma visão racional do mundo. Um dia, um rabi enviou, por telegrama, uma questão a Einstein. Continha, em português, apenas três palavras:- “Acredita em Deus?”(No original são cinco palavras: “Do you believe in God?”, o que contraria a ideia que a língua inglesa é mais telegráfica do que a nossa). Respondeu o físico nascido na Alemanha, mas mais tarde naturalizado primeiro suíço e depois norte-americano:- “Acredito no Deus de Espinosa que se revela Ele próprio na harmonia bem estabelecida de todo o mundo, e não num Deus que se preocupa pessoalmente com os destinos e as acções dos seres humanos”.Einstein foi, no plano teológico, um discípulo confesso de Espinosa... Várias vezes ao longo da sua vida mostrou a sua simpatia pela visão panteísta de Espinosa.Espinosa, o filósofo que poderia ter sido português se os seus pais não tivessem fugido de cá, foi contemporâneo de um grande físico holandês Christiaan Huyghens (1629-1695). Huyghens nasceu em Haia, a capital política dos Países Baixos, embora Amesterdão seja a maior cidade e a capital de facto. Para além de ter prestado valiosos contributos para a a mecânica física (na esteira de Galileu, aproveitou, por exemplo, o princípio do pêndulo para construir um relógio mecânico) foi um reputado especialista em óptica, tendo sido um adversário do inglês Isaac Newton precisamente na teoria da óptica. Se para Newton a luz era constituída por partículas, para Huyghens a luz era constituída por ondas (hoje sabe-se que tinham os dois razão: a luz umas vezes comporta-se como partícula e outras vezes como onda). Curioso é um conjunto de cartas trocadas entre Espinosa e Huyghens que se encontram na Internet. Não foi decerto por acaso que os dois grandes espíritos se encontraram. E não foi por acaso que a teoria da óptica floresceu em Amesterdão quando muitos artífices aperfeiçoavam os primeiros instrumentos ópticos que permitiam ampliar enormemente o poder da vista humana. Amesterdão foi, assim, um dos locais do nascimento das ciências físicas. E também, acrescente-se, das ciências biológicas: o primeiro microscopista foi Antonie van Leeuwenhoek (1672-1723), um mercador nascido em Delft, não muito longe de Haia (e portanto de Amesterdão, na Holanda tudo fica perto de Amesterdão), que havia de se interessar pela ciência e ser o primeiro a observar os estranhos seres microscópicos, nomeadamente as bactérias.Mais modernamente, no século XX, a Holanda orgulha-se dos seus 15 prémios Nobel, bastantes dos quais na área da Física (em 1902 Lorentz e Zeeman, em 1910 van der Waals, em 1913 Kamerlingh Onnes, em 1953 Zernike, em 1984 van der Meer e em 1999 ‘t Hooft e Veltman). Alguns dos seus laboratórios científicos, como o FOM (em Utrecht), são conhecidos e reconhecidos internacionalmente.A Holanda, em particular Amesterdão, foi no século XVII um centro de judaísmo e também um pólo de filosofia e ciência. A tradição da ciência chegou até aos nossos dias. De visita a Amesterdão. não podemos deixar de pensar o que nos teria acontecido se não tivéssemos, no tempo de D. Manuel I, expulso os judeus...
July 4 2009, 8:11pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
COSMOGONIAS: MITO, FILOSOFIA, CIÊNCIA
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Informação recebida da Associação de Professores de Filosofia:Conímbriga: 3 de Outubro de 20092ºs Encontros de Filosofia AntigaCOSMOGONIAS: MITO, FILOSOFIA, CIÊNCIAAuditório do Museu Monográfico de ConimbrigaComJosé Ribeiro Ferreira, António Pedro Mesquita, David Santos, Rudolfo Lopes, António Manuel Martins, Gabriela Baião e Carlos FiolhaisOrganização: Associação de Professores de Filosofia
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June 24 2009, 11:05am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Será Que a Minha Mente Está Dentro da Minha Cabeça?
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Informação recebida da editora Campo das Letras sobre a publicação de um novo livro:Será Que a Minha Mente Está Dentro da Minha Cabeça? Da ciência cognitiva à filosofiaSofia MiguensOs ensaios e entrevistas reunidos neste livro procuram compor uma imagem da história da filosofia do século XX. Através de autores como W. V. Quine, J. Fodor, D. Dennett, D. Davidson e J. McDowell, é examinado o tratamento da questão das relações pensamento-mundo, em particular quando tais relações foram pensadas a partir do imperativo quineano de naturalização.Dá-se especial atenção às dificuldades encontradas pelos projectos saídos desse imperativo e às discussões sobre aparência e realidade, realismo e anti-realismo que eles geram ou recalcam.A tentação de olhar para dentro da cabeça de cada um de nós em busca do mental altera-se na distância que separa autores como J. Fodor e D. Dennett de autores como D. Davidson e J. McDowell. A expressão ‘da ciência cognitiva à filosofia’ significa isso mesmo: os escritos aqui reunidos revelam um percurso que começa com autores mais próximos da ciência cognitiva chegando a outros que marcam claramente a fronteira entre filosofia e ciência cognitiva.PARTE II. Introdução – Da ciência cognitiva à filosofia (ou por que é que Frege e Husserl são hoje importantes para a filosofia da mente)II. J. Fodor e os problemas da filosofia da menteIII. D. Dennett: eliminar a consciência ou fazer uma coisa completamente diferente?IV. O problema do autoconhecimento – modelo cartesiano, modelo wittgensteiniano ou outro?V. Por que não pode haver uma ciência da racionalidade – David Davidson e a ciência cognitiva IVI. Conceito de crença, triangulações e atenção conjunta – David Davidson e a ciência cognitiva IIVII. Subjectividade, intersubjectividade e linguagem natural – a partir de David DavidsonVIII. John McDowell e a crítica ao naturalismo rasoIX. Consciência e indistinguibilidade aparência/realidade – filosofia da mente e questões de metafísica e métodoPARTE IIEntrevistas a Charles Travis no âmbito do Projecto RBD2 (Rationality, Belief, Desire II – from cognitive science to philosophy)I. O que tem a filosofia a dizer à psicologia?II. Pensamento, percepção e linguagem: Wittgenstein à luz de Frege.Sobre a autora:Sofia Miguens nasceu em 1969 no Porto, onde se licenciou em Filosofia.É Professora Associada do Departamento de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e Investigadora do Instituto de Filosofia da FLUP, onde dirige o MLAG (Mind, Language and Action Group). Ensina epistemologia, filosofia da linguagem e filosofia da mente e tem dirigido diversos projectos de investigação na sua área de especialidade.Publicou anteriormente «Uma Teoria Fisicalista do Conteúdo e da Consciência – D. Dennett e os debates da filosofia da mente» (2002), «Racionalidade» (2004), "A Dor e o Sofrimento - Abordagens" (co-autoria), "A Dor e Sofrimento - Uma perspectiva interdisciplinar"(co-autoria), todas elas na Campo das Letras, e «Filosofia da Linguagem – Uma introdução» (2007), além de numerosos artigos.
June 9 2009, 11:28am | Comments »
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Do problema, da acção, da investigação
http://terrear.blogspot.com/2009/04/do-problema-da-accao-da-investigacao.html
Note algo muito curioso. O defeito é que faz a gente pensar. Se o carro não tivesse parado, você teria continuado sua viagem calmamente, ouvindo música, sem sequer pensar que automóveis têm motores. O que não é problemático não é pensado. Você nem sabe que tem fígado até o momento em que ele funciona mal. Nem sabe que tem coração, até que ele dá umas batidas diferentes. Você nem toma consciência do sapato, até que uma pedrinha entra lá dentro. Quando está escrevendo, você se esquece da ponta do lápis até que ela quebra. Você não sabe que tem olhos — o que significa que vão muito bem. Você toma consciência deles quando começam a funcionar mal. Da mesma forma que você não toma consciência do ar que respira, até que ele começa a cheirar mal...Fernando Pessoa diz que “pensamento é doença dos olhos”. É verdade, mas nem toda. O mais certo seria “pensamento é doença do corpo”. A gente pensa porque as coisas não vão bem — alguma coisa incómoda. Quando tudo vai bem, a gente não pensa, mas simplesmente goza e usufrui...E.3 Todo pensamento começa com um problema. Quem não é capaz de perceber e formular problemas com clareza não pode fazer ciência. Não é curioso que nossos processos de ensino de ciência se concentrem mais na capacidade do aluno para responder? Você já viu alguma prova ou exame em que o professor pedisse que o aluno formulasse o problema? O que se testa nos vestibulares, e o que os cursinhos ensinam, não é simplesmente a capacidade para dar respostas? Frequentemente, fracassamos no ensino da ciência porque apresentamos soluções perfeitas para problemas que nunca chegaram a ser formulados e compreendidos pelo aluno.E.4 Qual é o problema? O carro parou. Você deve descobrir o que está errado. Mas o que é isso? Você sabe que o automóvel, tal como foi planejado, é uma máquina ideal que funciona perfeitamente. Antes de ser transformada em peças, engrenagens, tubos, parafusos, ela foi construída idealmente, na imaginação, por pessoas que foram capazes de simular o real. Esta é a grande função e o poder mágico do pensamento: ele pode simular o real, antes que as coisas aconteçam. Mas nesse modelo ideal do automóvel não há defeitos. Eles aparecem quando a máquina real se desvia do plano ideal. Ora, seu problema é fazer com que o carro ande novamente, isto é, fazer com que funcione conforme foi idealmente planejado. Isso significa que você só pode resolver seu problema se for capaz de reconstruir, idealmente, o plano da máquina. A partir desse modelo você poderá inspeccionar, mentalmente, os possíveis defeitos no funcionamento do automóvel. Vamos construir um modelo muito simplificado. É sabido que o motor funciona em decorrência de uma explosão numa câmara fechada. Essa explosão depende de pelo menos dois factores: combustível e electricidade. A explosão produz pressão. A pressão faz o carro andar. Você já sabe então: sem gasolina, motor parado; sem electricidade, motor parado. Há aí dois circuitos a ser explorados. No circuito 1, a gasolina deve sair do tanque t e chegar à câmara onde se dá a explosão e, em virtude da faísca eléctrica. No circuito 2, a electricidade deve ir da bateria b à mesma câmara onde se dá a explosão e. O modelo do motor lhe permite elaborar três hipóteses:Hipótese 1: falta gasolina.Hipótese 2: falta electricidade.Hipótese 3: falta gasolina e electricidade. Em qualquer um desses casos o carro pára. Agora você vai fazer aquilo que os cientistas chamam de pesquisa: testar suas hipóteses, isto é, verificar, na prática, qual das suas construções mentais do defeito é a verdadeira.E.5 Como você procedeu?• Em primeiro lugar você tomou consciência do problema. Começou a pensar.• Em segundo lugar construiu um modelo ideal da máquina. Note que os bons mecânicos fazem isso automaticamente, sem pensar. Todos fazemos o mesmo, em áreas que dominamos. Quando alguém diz “nós vai”, sentimos logo um arrepio. Por quê? Porque essa maneira de falar contraria o modelo ideal da linguagem que está presente, de forma inconsciente, em nossas mentes, mesmo que não tenhamos estudado gramática. Esse modelo ideal é o plano geral da coisa.• Em terceiro lugar você elaborou hipóteses sobre o defeito. Hipóteses são simulações ideais das possíveis causas do enguiço do motor.• Finalmente você testou suas hipóteses. Por meio desse procedimento você descobrirá quem é o criminoso, qual a causa do defeito.E.6 Esse é o caminho que normalmente seguimos na ciência. É assim que procede um médico ao tentar fazer um diagnóstico. O sintoma (sentido pelo paciente ou detectado pelo exame) é o enguiço a ser corrigido, o crime a ser desvendado. Mas o médico nada poderá fazer se não tiver na cabeça um plano ideal de como funciona o organismo. Antigamente, quando uma pessoa sentia uma dor de barriga muito forte, a primeira coisa que se fazia era dar a ela um purgante bem forte. Que modelo dos intestinos se encontra por detrás dessa prática? Intestinos = tubulação. Tubulações podem ficar entupidas. Conclusão: antes de mais nada, precisamos nos certificar de que toda a canalização está desobstruída. Daí a aplicação do purgante. Qualquer prática curativa, da “comadre”, curandeiro, ao médico “classe A”, implica o uso de modelos como pré-requisito para o diagnóstico.F.1 Qual seria seu procedimento aqui? Você está certo de que o consumo de água não aumentou. Há, portanto, um equívoco em alguma parte. Da mesma forma como você procedeu com o automóvel, será necessário perguntar: quais os possíveis circuitos onde o problema se deu? Se não tiver um modelo desses circuitos, você não poderá elaborar nenhuma hipótese. Não poderá estabelecer nenhum plano de investigação.(...)Rubem AlvesFilosofia da Ciência - O jogo e as suas regras(enquanto revejo algumas regras do jogo para o "jogo" de amanhã.)
April 20 2009, 11:51am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Viver para quê?
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Está no prelo uma pequena antologia de seis ensaios de filosofia contemporânea sobre o problema do sentido da vida. Intitulada Viver Para Quê? Ensaios sobre o sentido da vida, esta antologia foi organizada e traduzida por mim para a colecção Filosofia Pública, da Dinalivro, dirigida por Pedro Galvão. Gostei muito de fazer este trabalho e espero que quando o livro sair seja estimulante e informativo para os leitores. Para abrir o apetite deixo aqui um pequeno excerto da minha introdução:Quem não conhece a filosofia poderá pensar que procurar o sentido da vida é a tarefa central dos filósofos. Isto é historicamente falso; na sua maior parte, os filósofos não abordaram o problema do sentido da vida, e os que o abordaram não fizeram geralmente disso o tema principal das suas investigações.O leitor comum poderá igualmente esperar que os filósofos se pronunciem um pouco como gurus, declarando do alto da sua inacessível montanha qual é o sentido da vida. E a nós, meros mortais, restar-nos-ia então seguir tais oráculos, ainda que nem os compreendamos muito bem. Esta concepção resulta talvez da dificuldade em compreender a natureza da filosofia. A filosofia não é religião, nem uma prática iniciática de vida; ao invés, é o lugar crítico da razão, como por vezes se diz. Estudar filosofia é aprender a ser crítico, que é precisamente o que os gurus não podem dar-se ao luxo de permitir aos seus acéfalos discípulos. A ideia de que Platão, por exemplo, era discípulo de Sócrates, nessa acepção iniciática, é falsa, tal como é falso que Aristóteles tenha sido discípulo de Platão nessa acepção. Estudaram uns com os outros, sem dúvida, mas porque foram estudantes de filosofia criticaram, divergiram e discutiram argumentos com os seus professores — e fazer filosofia é precisamente isso.A filosofia não é um corpo de conhecimentos que nos baste assimilar acriticamente, mas antes a actividade crítica de estudar ideias e argumentos minuciosamente, para ver se serão plausíveis ou não. Por isso, não se encontra nos melhores filósofos um conjunto de instruções esotéricas para dar sentido às nossas vidas. O que se encontra são estudos cuidadosos de diferentes ideias e argumentos sobre o problema. Isto não significa que não existam conclusões consensuais, entre os filósofos actuais, sobre o sentido da vida. Significa apenas que o trabalho filosófico é fundamentalmente a discussão minuciosa e paciente dessas conclusões e dos argumentos que as sustentam.Os ensaios O estudo contemporâneo do problema filosófico do sentido da vida começa praticamente com o artigo «O Absurdo» (1971) de Thomas Nagel, incluído nesta antologia. Apesar de haver alguns artigos anteriores, Nagel mostrou que um filósofo muitíssimo influente podia tratar este tema sem cair no ridículo e que esse trabalho podia ser publicado numa das mais prestigiadas revistas académicas de filosofia: The Journal of Philosophy.O trabalho mais influente sobre o sentido da vida nas últimas décadas do séc. XX, sobretudo nos EUA, foi o último capítulo do livro Good and Evil (1970), de Richard Taylor, incluído nesta antologia, publicado quase em simultâneo com o artigo de Nagel. O registo escrito da conferência de Kurt Baier proferida em 1957 sobre o tema, também incluída nesta antologia, circulava desde há bastante tempo entre estudantes e professores; este trabalho, contudo, só viria a circular amplamente a partir de 2000, quando foi publicado na antologia de textos sobre o sentido da vida organizada por Klemke para a Oxford University Press. Por esta altura, já o problema do sentido da vida era insistentemente abordado nas revistas académicas, surgindo também cada vez mais livros inteiramente dedicados ao tema.Esta antologia põe o leitor em contacto com esses e outros importantes ensaios filosóficos contemporâneos sobre o sentido da vida. Os ensaios foram dispostos por ordem parcialmente cronológica e parcialmente temática.ÍndiceIntrodução Desidério Murcho1. O Sentido da Vida Richard Taylor2. O Sentido da Vida Kurt Baier3. Poderá o Propósito de Deus ser a Fonte do Sentido da Vida? Thaddeus Metz4. O Absurdo Thomas Nagel5. Felicidade e Sentido: Dois Aspectos da Vida Boa Susan Wolf6. Despromoção e Sentido na Vida Neil LevyLeitura complementar
March 27 2009, 4:39pm | Comments »
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Ante-estreia do Filme "Anthero - O Palácio da Ventura"
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Informação recebida do Museu da Ciência de Coimbra:Filme sobre a vida de Antero de Quental em ante-estreia no Museu de Ciência. A película retrata a vida de um dos maiores poetas portugueses do século XIX.O Museu da Ciência da Universidade de Coimbra apresenta, hoje, pelas 21h 30, em ante-estreia, o filme “Anthero - O Palácio da Ventura”. Trata-se de um tele-filme realizado pela RTP Açores, que narra a história do poeta açoriano, umas das principais figuras portuguesas da filosofia e da literatura.Durante a sua vida, Antero de Quental dedicou-se à poesia, à filosofia e à política. Iniciou seus estudos em Ponta Delgada, sua cidade natal, mudando-se para Coimbra aos 16 anos, para estudar Direito. Em 1861, publicou seus primeiros sonetos e quatro anos depois, publicou as Odes Modernas, influenciadas pelo socialismo de Proudhon, que enaltecia a revolução. Passou também por Lisboa, onde trabalhou como tipógrafo, profissão que exerceu também em Paris, em 1867. Foi um dos fundadores do Partido Socialista Português. Em 1891, regressa a Ponta Delgada, acabando por se suicidar com dois tiros na boca, disparados num banco de jardim.O filme, com a duração de duas horas, foi realizado por José Medeiros. A sessão de apresentação de “Anthero – o Palácio da Aventura”, que decorre no Museu da Ciência hoje à noite, contará com a presença do realizador e de António Pedro Pita, delegado regional da Cultura. A entrada é livre.
March 21 2009, 6:54am | Comments »
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Não me F**** o Juízo
http://dererummundi.blogspot.com/2009/02/nao-me-f-o-juizo.html
Informação recebida da Bizâncio sobre um livro de filosofia acabado de sair:Título: Não me F**** o JuízoSubtítulo: Crítica da Manipulação MentalAutor: Colin McGinnColecção: Filosoficamente, 5ISBN: 978-972-53-0413-6 Código de Barras: 9 789 725 304 136Págs.: 96Preço: Euros 7,14 / 7,50______________________________________________________________Uma coisa é estar rodeado de tretas. Outra completamente diferente é que nos fodam o juízo. A primeira é irritante, mas a segunda é violenta e invasiva (excepto quando consentida). Se alguém lhe manipular os pensamentos e as emoções, lixando-lhe a cabeça, é natural que fique ressentido: o indivíduo em questão distorceu as suas percepções, perturbou os seus sentimentos, talvez até lhe tenha usurpado o Eu. A psicofoda é um aspecto predominante da cultura contemporânea e o agente que a pratica tanto pode ser um indivíduo como todo um Estado, dos jogos de manipulação pessoais até à propaganda em grande escala. Em Não me F**** o Juízo, Colin McGinn investiga e clarifica este fenómeno. Da antiga Grécia a Shakespeare e às técnicas modernas de controlo de pensamento, McGinn reúne os componentes deste complexo conceito — confiança, logro, emoção, manipulação, crença falsa, vulnerabilidade — e explora a sua natureza.
February 12 2009, 9:17am | Comments »








