Como sou um admirador da escrita de Gonçalo M. Tavares ando, depois de ter lido o livro, a ouvir no meu carro a edição audio das "Histórias Falsas" desse autor (locução de David Borges, edição de MHIJ; um bocadinho pode ser ouvido aqui). Não resisto a transcrever um excerto da história de Mercatore, um rico comerciante contemporâneo do filósofo grego Diógenes (Claro que Tavares mistura brealidade e ficção):“Descia Mercatore umas pequenas escadas quando deparou com o filósofo, pobremente vestido, sentado no chão, contra a parede, a comer lentilhas.Arrogante, mais do que era seu costume, cheio de vaidade pela riqueza que ostentava, e pelo estômago farto, disse, para Diógenes:- Se tivesses aprendido a bajular o rei, não precisavas de comer lentilhas.E riu-se depois, troçando da pobreza evidenciada por Diógenes.O filósofo, no entanto, olhou-o ainda com maior arrogância e altivez. Já tivera à sua frente Alexandre, o Grande, quem era este, agora? Um simples homem rico?Diógenes respondeu. À letra:- E tu - disse o filósofo - se tivesses aprendido a comer lentilhas, não precisavas de bajular o rei.”
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As "Histórias Falsas" de Gonçalo M. Tavares
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February 4 2009, 6:30am | Comments »
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Newton e a filosofia
http://dererummundi.blogspot.com/2009/01/newton-e-filosofia.html
A ideia de que é possível evitar a filosofia é uma ilusão comum. A única coisa que se pode fazer é pressupor teses filosóficas sem grande consciência disso. Isto não significa, contudo, que a filosofia tenha qualquer tipo de prioridade sobre a ciência; significa apenas que os pressupostos filosóficos são ubíquos e que cientistas e filósofos devem prestar atenção aos trabalhos que uns e outros desenvolvem, pois os dois domínios não são estanques. Os cientistas desenvolvem competências e conhecimentos próprios, tal como os filósofos, e é tão palerma fazer especulações científicas ingénuas quanto filosóficas (isto é, desconhecendo a bibliografia especializada).Newton foi um dos responsáveis pela ciência tal como hoje a concebemos. Os seus pressupostos filosóficos, contudo, têm sido cuidadosamente estudados pelos especialistas em história da filosofia e da ciência. Andrew Janiak, em Newton as Philosopher (Cambridge University Press, 2008), discute as ideias filosóficas de Newton, e Richard Arthur recenseia o livro na NDPR.
January 27 2009, 6:21am | Comments »
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Haverá filósofos em Portugal?
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January 17 2009, 4:28am | Comments »
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CAFÉ COM FILOSOFIA: DARWIN E A ILUSÃO DO HUMANO
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Informação recebida da Associação de Professores de Filosofia:A Associação de Professores Filosofia (APF) tem realizado nos últimos anos várias séries de Cafés com Filosofia que pretenderam, de modo informal e convivial, debater temas filosóficos sortidos e que, em cada momento e circunstância, considerámos pertinentes.Dando continuidade a esta iniciativa, e associando-nos modestamente às comemorações do bicentenário do nascimento de Charles Darwin e dos 150 anos da publicação da obra A Origem das Espécies, a APF irá promover na livraria Almedina Estádio Cidade de Coimbra, dia 12 de Fevereiro pelas 21.00, um Café com Filosofia intitulado Darwin e a Ilusão do Humano. Serão nossos convidados Ana Leonor Pereira, professora da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Manuela Alvarez, professora do Departamento de Antropologia da Universidade de Coimbra e Pedro Ricardo Fonseca, bolseiro da Fundação para a Ciência e Tecnologia.Texto para motivar a discussão:"No seu livro A Ideia Perigosa de Darwin, o filósofo Daniel Dennett escreveu que «se tivesse de atribuir um prémio à melhor ideia de sempre, o vencedor seria Darwin, à frente de Newton, de Einstein e de todos os demais». Em boa verdade, alguns exaltam os seus valores epistémicos intrínsecos – eficácia preditiva, coerência e consistência, generatividade, poder unificador –, que consagraram o sucesso evolutivo da sua teoria na luta competitiva da «selecção natural das hipóteses» e das teorias (Popper). Outros, porém, fascinados narcisicamente pela singularidade do humano, demasiado humano, ressentiram-se da perda do protagonismo antropoteológico na história da vida contada pela Teoria da Evolução e clamam por justiça – humana, divina, epistemológica. A Ideia Perigosa de Darwin: o que vale? Que futuro?"
January 15 2009, 10:56am | Comments »
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"A VOZ DA NATUREZA": SALDANHA VISTO POR QUENTAL
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O livro recentemente publicado de Antero de Quental (retrato na imagem) "Contracapas" (Tinta da China, 2008), com atribuição, organização e prefácio de Ana Maria Almeida Martins, contém alguns pequenos mas deliciosos inéditos do grande poeta e filósofo português oitocentista. São, na maior parte, recensões não assinadas, elaboradas para a revista "Ocidental" que ele dirigiu com Jaime Batalha Reis.A seguinte extracto refere-se a um livro filosófico-teológico do Marechal Duque de Saldanha, sim esse mesmo que tem um largo com estátua em Lisboa e que foi, além de militar, várias vezes ministro e quatro vezes primeiro-ministro de Portugal. A apreciação de Antero de Quental pode resumir-se no adágio popular: "Quem te manda a ti sapateiro tocar rabecão?". Mas, sendo um pouco mais longa, vale a pena lê-la não só pelo seu conteúdo como pela qualidade da escrita. Não há dúvida sobre a autoria da nota crítica até porque o livro mostra o fac-simile do manuscrito, com a letra de Antero."A Voz da Natureza: ou o poder, sabedoria e bondade de Deus, manifestados na criação, na conexão do mundo inorgânico com o mundo orgânico e na adaptação da natureza externa à estrutura dos vegetais e à constituição moral e física do Homem", pelo Marechal Duque de Saldanha - Londres, W. Knowles, 1874.Este livro é um estudo sobre dos tópicos principais daquela pretendida ciência, que, no século passado, alguns sábios ingleses, mais piedosos dom que consequentes, intentaram fundar com o nome de Teologia-natural, e que ainda hoje é cultivada, posto que sem fruto apreciável, em vários seminários protestantes. O assunto é ingrato e facilmente descamba em tedioso. Querer explicar a natureza pela Teologia é empenho proximamente tão absurdo como querer explicar a Teologia pela natureza. Qualquer das duas coisas redunda em tautologia e frases vagas e declamatórias - e é, com efeito, a que se reduz a pretendida Teologia-natural dos deístas ingleses. Estes inevitáveis defeitos do género, que a ciência e elevação moral e poéticas dos próprios Newton, Humphry Davy e outros altos espíritos não lograram ocultar nas obras que consagraram a estes assuntos, não é muito tornarem-se ainda evidentes no livro do sr. Duque de Saldanha, militar, político e diplomata, que só em horas perdidas e distraidamente empunha a pena, como homem do mundo e não como filósofo. Mas há assuntos em que não é permitido ser medíocre. Sentimos que o sr. Duque de Saldanha não se tivesse lembrado disto antes de mandar imprimir o seu livro. A competência é essencial em todas as coisas, e é grande ilusão supor que a filosofia deva ser excepção a essa regra. Sem pretendermos dar conselhos, mas emitindo simplesmente o nosso voto, entendemos que a experiência colhida pelo sr. Duque de Saldanha no decurso duma longa vida, passada toda num teatro vasto e animadíssimo, podia ser aproveitada em livros mais interessantes e instrutivos, uma vez que esses livros tratassem dos incidentes dessa vida, que em pontos se confunda com a nossa história, e das cenas representadas nesse teatro, onde por vezes coube aio general e ao político o papel de protagonista. Um simples capítulo de memórias militares e políticas do sr. Duque de Saldanha teria incomparavelmente mais interesse e valor do que todos os volumes possíveis que sua excelência consagre a questões filosóficas. Nestas, é muito natural que aos militares e diplomatas prefiramos simplesmente.... os filósofos"."Ocidental", 1º ano, tomo 2, 5º fasc., 15/Julho/1875
December 26 2008, 7:42am | Comments »
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A METAFÍSICA DE VERNEY
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Informação recebida da Imprensa da Universidade de Coimbra:O Reitor da Universidade de Coimbra, o Director da Imprensa da Universidade de Coimbra e o Presidente da Associação Portuguesa de Estudos Neolatinos convidam para o lançamento do livro Metafísica, com introdução e tradução de Amândio Coxito e fixação do texto latino de Sebastião Tavares de Pinho e Ândrea Patrícia Seiça, que terá lugar no dia 9 de Dezembro, pelas 18h00, na Sala do Senado da Universidade de Coimbra. A apresentação da obra será feita pelo Senhor Doutor Amândio Coxito.A Metafísica de Verney propõe-se sobretudo analisar, numa perspectiva empirista, certos conceitos da metafísica tradicional (ente e não-ente, essência, substância, modos, relação, existência, subsistência, finito e infinito, necessário e contingente, causa e efeito, e ainda outros). Aquela perspectiva está presente, por exemplo, na concepção da essência real: esta não é o conjunto de notas fixas manifestadas pela definição (como supunha a concepção aristotélico-escolástica), mas o conjunto de todos os atributos concretos dos entes, pelo que a essência real nos é desconhecida; apenas podemos ter conhecimento da essência nominal ou metafísica, ou da que percebemos pela palavra com que significamos uma coisa. Mas as palavras possuem para nós uma significação que é dependente das nossas possibilidades de conhecer. Deste modo, a essência nominal inclui apenas um conjunto de ideias mais conhecidas que supomos constituírem a essência real, conjunto esse que as palavras nos dão a conhecer em função da nossa experiência; mas, sendo esta experiência variável, o conjunto de ideias que ela nos possibilita pode “diminuir ou aumentar”, podendo, por isso, variar a essência metafísica. Esta doutrina de cariz empirista de Verney aparece associada na sua obra a uma crítica contundente da metafísica escolástica e, por outro lado, a uma exaltação das propostas filosóficas dos “modernos”, em particular no domínio da filosofia natural. E isso é realizado através de uma expressão latina muitas vezes elegante, o que significa que o nosso autor se propôs imitar os bons modelos da Antiguidade.IMPRENSA DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA . Rua da Ilha . 3000-214 Coimbra . Telefone: 239 410 098 . Fax: 239 410 043 . Email: imprensauc@ci.uc.ptLIVRARIA DA IMPRENSA . Rua Oliveira Matos, 29 . 3000-305 Coimbra . Telefone/Fax.: 239 832 982/3 . Email: livrariaiuc@ci.uc.pt
December 7 2008, 7:02pm | Comments »
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Alegrias e alegorias
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Agradeço aos leitores os comentários à minha críptica crónica desta semana do Público. Precisamente por ser uma crónica críptica, vale a pena fazer alguns esclarecimentos e dar alguma informação de fundo.A Alegoria da Caverna é daqueles conteúdos que são usados mais ou menos inconscientemente no ensino para oprimir socialmente. Não se trata de estudar as ideias de Platão cuidadosamente, ver o que é mais ou menos plausível, nem se trata sequer de compreender a sua teoria do conhecimento, a sua metafísica ou a sua filosofia política: trata-se apenas de usar a Alegoria da Caverna para chamar bestas aos escravos todos que estão acorrentados no fundo da caverna. Mas quem são esses escravos? Pessoas como os taxistas, etc., que refiro no texto. Agora pense-se: que efeito terá isto num estudante? Aprende ele alguma filosofia, fica com mais instrumentos críticos, ganha independência mental e cultural? Não. Ou rejeita toda esta conversa por ser mais uma idiotice escolar — é o que faz a maior parte — ou limitam-se a repetir a cantiga porque têm a sensação vaga de que eles, mas não os outros, não são os escravos da Caverna. Ou seja, porque já desconfiam que pertencem aos eleitos que vão oprimir os outros chamando-lhes analfabetos.Isto é o cerne da crónica: a prostituição da cultura, neste caso filosófica, para oprimir socialmente.E de passagem, no início, refiro a estranha doença nacional de considerar que a filosofia é um desporto que só faz quem está morto, e é grego ou alemão, ou diz coisas crípticas. Considero que esta é uma doença aristocrática, pois para o aristocrata a filosofia, como o resto da cultura, serve apenas para duas coisas: amenizar o tédio do fim-de-semana e propiciar novos instrumentos de opressão social, servindo para demarcar cuidadosamente o território dos eleitos.Finalmente, a crónica é propositadamente críptica e chocante na sua linguagem, exibindo assim na sua própria construção o tipo de criptomania que só é apreciada num contexto de opressão social em que o leitor sente que poder parafrasear umas partes dá prestígio social. Mas como a crónica não se insere nesse contexto, não suscita o interesse hermenêutico que suscitaria se o estivesse. Citar Nietzsche ou Sade serve para oprimir socialmente; e por isso o facto de alguns textos desdes autores serem crípticos ou de mau gosto não é depreciado, ao passo que essas mesmas propriedades são depreciadas num texto que não sirva para oprimir socialmente.
December 2 2008, 6:37pm | Comments »
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A Alegria da Caserna
http://dererummundi.blogspot.com/2008/12/alegria-da-caserna.html
Eis a minha habitual crónica das terças-feiras do Público:A Alegoria da Caverna de Platão é o tipo de coisa que faz feliz o aristocrata. Na República, Platão discute vários temas interligados de teoria do conhecimento, metafísica, filosofia política e da educação. O aristocrata, contudo, entende qualquer discussão de ideias como redutora, porque entende a filosofia como um desporto a que se assiste de longe: é algo que os outros fazem e que nós comentamos, mais ou menos como nos filmes do Estado Novo as lavadeiras discutiam os amores alheios. Além disso, a filosofia serve de instrumento de dominação social: demarca-se hierarquias sociais com palavras caras e referências a autores prestigiantes, sobretudo aqueles que toda a gente refere mas ninguém leu seriamente.Por isso, proponho-me alargar a cultura de fachada — e de fachos — do aristocrata, apresentando a Alegria da Caserna. Ei-la: era uma vez uns gajos que estavam numa caserna. Lá, viam filmes porno e ouviam as declarações da Ministra da Educação, com igual estupefacção: haveria realmente pénis assim tão cevados e ministras assim tão competentes? O mundo exterior parecia bom de mais para ser verdade. E foi então que um deles, mais afoito, resolveu sair da caserna para ver a Realidade Exterior. Ao princípio, foi muito custoso, até porque pisou logo uma bosta de cãozinho e o cheiro era nauseabundo. Mas insistiu corajosamente, até porque não tinha nariz, e chegou ao âmago da Realidade Exterior: a Mansão Última da Realidade Primeira. E foi lá que encontrou coisas maravilhosas. Quais? Não me apetece agora dizer. O que realmente importa é isto: o que raio estamos aqui a fazer?Na Alegria da Caserna, estamos apenas a brincar. Mas quando o aristocrata apresenta a Alegoria da Caverna de Platão, não está a brincar: está a oprimir socialmente. A ideia é dizer mal das bestas ignorantes: gente como taxistas, padeiros e raparigas bonitas que nos centros comerciais vendem cuecas a que, com pronúncia francesa, chamam lingerie. Gente como os nossos Alegres da Caserna. Ao mesmo tempo, canta-se hinos a coisas como a Verdade, a Realidade, o Conhecimento e Outras Coisas Importantes Com Letra Grande. O objectivo deste exercício é demarcar um território social: o território do aristocrata, que não se mistura com o povão que comete o descalabro de se passear aos domingos em fato de treino nos centros comerciais. Entretanto, os problemas, teorias e argumentos mais importantes da filosofia, são desprezados — porque têm a desvantagem de ser interessantes para qualquer pessoa, seja ou não um Alegre da Caserna, desde que saibamos apresentá-los de maneira cristalina.Para o aristocrata, a cultura é como o mijo para os cães: serve apenas para demarcar territórios. Até coisas banais como a ortografia, a gramática e a pronúncia são vistas pelo aristocrata como instrumentos de demarcação territorial. Mas há coisas mais importantes na vida do que isto. Nomeadamente, a cultura — que não devia ser vista como instrumento de opressão social, mas como algo que vale por si.
December 2 2008, 6:16am | Comments »
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Certeza e verdade
http://dererummundi.blogspot.com/2008/12/certeza-e-verdade.html
Li uns posts há uns dias no blog do Ludwig sobre certezas absolutas e talvez valha a pena esclarecer algumas coisas. O conceito de certeza diz respeito apenas ao grau de convicção que um agente tem perante uma crença ou proposição qualquer. Na melhor das hipóteses, a certeza que damos a uma dada crença ou proposição estará correlacionada com a verdade se, e só se, o agente for epistemicamente virtuoso. Mas mesmo assim, será apenas uma correlação.Trocando por miúdos: por mais que um agente tenha a certeza em algo, isso na melhor das hipóteses é provavelmente verdade, se ele estudou as coisas cuidadosamente e de modo não tendencioso. Ditto para a certeza absoluta: o “absoluto” nesta expressão marca apenas a casmurrice do agente, nada mais. A certeza, absoluta ou não, nada diz de definido sobre a verdade do que o agente acredita porque infelizmente os agentes podem acreditar nas mais estafadas tolices, e têm até tendência para acreditar nelas com tanta mais força quanto mais tolas são.O que as pessoas intuitivamente querem dizer quando pergunta se há certezas de algo é o seguinte: haverá algumas crenças tão cuidadosamente fundamentadas que a mais casmurra das dúvidas seja incapaz de pôr em causa?E a resposta talvez surpreendente a esta pergunta é que não há tal coisa. É possível duvidar seja do que for porque é possível duvidar até da coerência, da lógica, da matemática, dos dados dos sentidos e da minha própria existência de há cinco minutos (a memória que me diz que eu realmente já existia nessa altura pode ser ilusória). Uma posição mais elaborada sobre este tema encontra-se no livro de Russell, Os Problemas da Filosofia, e na minha introdução, que publiquei há pouco em Portugal.
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November 30 2008, 5:47pm | Comments »
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Esteticamente
http://dererummundi.blogspot.com/2008/11/esteticamente.html
Para assinalar o lançamento em Portugal de Introdução à Estética, de George Dickie, a Bizâncio resolveu oferecer três livros a três leitores, aqui. A Filosoficamente é a nova aposta da Bizâncio na filosofia. A colecção publica obras de carácter introdutório e avançado sobre todas as áreas da filosofia. Inaugurada em 2007, publicou já livros de McGinn, Warburton, Pojman e Dickie.
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November 25 2008, 2:02am | Comments »








