Neste artigo defende-se duas idéias principais. Primeiro, que compreender a natureza aberta e especulativa da filosofia é uma condição necessária para uma compreensão fecunda do seu ensino. E segundo, que para se ter uma compreensão fecunda do ensino da filosofia é necessário distinguir cuidadosamente as competências estritamente filosóficas da informação histórica, e a leitura filosófica ativa dos textos dos filósofos da sua mera compreensão. Ler mais...
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Ensinar a filosofar
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November 20 2008, 12:10pm | Comments »
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Sobre Thomas Nagel
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No Expresso.
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November 12 2008, 7:38am | Comments »
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Os Problemas da Filosofia, de Bertrand Russell
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Está já à venda em Portugal (no Brasil está à venda desde Agosto, se não estou em erro) a minha tradução (com introdução e notas) deste saboroso livrinho de Bertrand Russell, originalmente publicado em 1912.Agradeço ao editor das 70, Pedro Bernardo, o amável convite para fazer esta tradução, que tanto prazer me deu: traduzir um clássico de um dos maiores filósofos de sempre é um privilégio. Traduzi com muito carinho, e procurei explicar alguns aspectos mais profundos, na introdução, que está articulada com várias notas que espero sejam oportunas.O livro de Russell permite duas leituras: como obra introdutória à filosofia e como obra de autor. É sobretudo quanto a este segundo aspecto que procurei apresentar alguns esclarecimentos.O livro é excelente para quem quiser compreender o que é a filosofia, pois ao invés de Russell fazer listas algo anódinas das ideias dos outros, apresenta com vivacidade alguns problemas centrais da filosofia (sobretudo da teoria do conhecimento e da metafísica), explorando de seguida diversas tentativas de resposta, cuidadosamente argumentadas.Russell é um autor muito inteligente e cheio de humor. Há uma passagem em que fala de um triângulo a jogar futebol que é inesquecível.Espero que este trabalho seja útil para professores, estudantes e público em geral interessado em filosofia.E fica aqui um agradecimento à Palmira e ao Carlos, que me ajudaram a escrever melhor uma passagem da minha introdução que refere as relações de Einstein com o éter. Agradeço também ao meu colega e amigo Sérgio Miranda, que prontamente se dispôs a traduzir do alemão o prefácio de Russell à tradução alemã desta obra.Aqui encontra-se uma apresentação do livro e dois excertos.
November 11 2008, 4:08am | Comments »
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Filosofia científica
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Acabei de publicar na Disputatio uma recensão de Eduardo Castro do livro Second Philosophy: A Naturalistic Method, de Penelope Maddy. A ideia da Maddy é muito cara a alguns cientistas: é a ideia é que devemos fazer filosofia em termos naturalistas, como os biólogos fazem biologia, os químicos química, etc. Vale a pena ler.
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November 5 2008, 8:02am | Comments »
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Does science need philosophy?
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Este foi o título de uma comunicação que apresentei no Instituto de Biologia Molecular e Celular da Universidade do Porto em Fevereiro de 2007 (obrigado pelo convite!). Mais tarde, a comunicação foi publicada na Revista Eletrônica Informação e Cognição. Está aqui e poderá ser do interesse dos leitores deste blog.Imagem: Ciência é Medição, de Henry Marks
November 2 2008, 1:00am | Comments »
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O Terramoto e o tsunami de 1755
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O Terramoto de 1 de Novembro de 1755 atingiu violentamente o país, destruiu o centro da cidade de Lisboa e abanou as consciências e o pensamento de inúmeros intelectuais europeus. Figuras com Kant ou Voltaire escreveram importantes reflexões sobre a génese de fenómenos naturais de tão grande escala e sobre as leis que governam a natureza. O que muitos não saberão é que ao terramoto seguiu-se um violento tsunami, ou maremoto, cuja dimensão e impacto é actualmente alvo de estudo por investigadores portugueses. Estes e outros assuntos, em torno do Terramoto de 1755, serão apresentados e debatidos amanhã, dia 31, em um colóquio no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, a partir das 15:30h. Programa: http://www.museudaciencia.pt/index.php?iAction=Actividades&iArea=13&iId=34&iAreaFirstAccess=1#iItem_34
October 30 2008, 2:54am | Comments »
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Filosofemos
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A minha habitual crónica das terças-feiras do Público chama-se significativamente "Filosofemos" e está aqui.
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October 21 2008, 8:27am | Comments »
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Provar uma negativa
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Aparentemente provocou alguma perplexidade a minha afirmação, num comentário, de que é um mito científico a ideia de que não podemos "provar negativas". Aqui está um bom artigo de Steven D. Hales para mostrar que se pode provar negativas. Na verdade, o que ele diz é trivial e qualquer filósofo competente que pense nisto por um momento concordará com ele. Claro que há depois muitas complicações quando começarmos a desenvolver as coisas, mas o importante é que é uma ilusão pensar que não se pode provar negativas. Na verdade, se não se pudesse provar negativas não se podia provar que não se podia provar negativas, porque a própria tese em causa é uma negativa. Mas, claro, isto só é óbvio para quem está habituado a pensar filosoficamente. Quem não está habituado vai dizer que isto é um jogo de palavras.A ideia de que não se pode provar negativas está intimamente relacionada com o verificacionismo, e isto é algo que o Hales não refere. Parece plausível a um cientista que não se pode provar negativas porque não há experiências decisivas que possam provar negativas. Claro que isto é disparatado porque não há experiências decisivas para provar seja o que for: mandamos uma sonda a Marte e ela fotografa água, mas a foto pode ter sido adulterada por qualquer coisa e ser enganadora; a máquina faz uma experiência química e manda o resultado; mas o resultado pode ter sido modificado por qualquer fenómeno físico; etc. Não há experiências cruciais em ciência que possam decidir teorias, e isso qualquer filósofo da ciência sabe, se com experiência crucial se quer dizer uma experiência que elimine a possibilidade lógica de a teoria estar errada. Mas, claro, há experiências cruciais no sentido banal do termo, mais fraco, em que geralmente quando vemos árvores elas existem realmente, apesar de poderem logicamente não existir por estarmos a sonhar ou a alucinar ou etc. Mas se aceitamos provas neste sentido mais fraco -- e devemos aceitá-las porque caso contrário morríamos e não teríamos ciência -- então também temos de aceitar que se pode provar que não há deuses, flogisto ou seja lá o que for. Uma maneira simples de provar uma negativa e mostrar que não temos razão alguma para supor que algo existe. Poderá isso existir? Sim. No mesmíssimo sentido em que quando pensamos que existe uma árvore porque a estamos a ver, podemos estar enganados porque estamos a sonhar ou a alucinar ou etc. O mito científico de que não se pode provar uma negativa é muito comum na Internet. Há muitos mitos na Internet, além deste, científicos e outros, porque a partir do momento em que metemos montes de gente à balda, surgem montes de mitos: afirmações que por uma razão ou outra têm tendência para parecer razoáveis à maior parte das pessoas, mas são falsas e ninguém se dá realmente ao tabalho de procurar a verdade cuidadosamente: os debates na Internet são como os debates na televisão (o objectivo não é chegar à verdade, mas destruir o parceiro) e não como os bons debates académicos são quando são bons e nos quais se procura arduamente e sinceramente descobrir a verdade das coisas e não trapacear o parceiro para ganhar... o quê, exactamente? Tolices. Uma falácia comum é pensar que as opiniões de um biólogo, por exemplo, têm um peso acrescido quando se trata de questões como a lógica, os fundamentos do conhecimento, deuses, ou política. (Veja-se nos EUA a ideia de saber em quem vão votar os Prémio Nobel, como se as ideias políticas de um Prémio Nobel da física fossem necessariamente melhores do que as de um advogado ou taxista que não ganhou qualquer Prémio Nobel. Chama-se a isto falácia da autoridade deslocada ou imprópria.)A filosofia é inevitável. Mas começamos a pensar sobre questões fundamentais (o que é o conhecimento? o que é a realidade? que tipos de realidade há? etc.), desatamos a filosofar sem nos darmos conta disso. Acontece que as opiniões de um poeta com respeito a estes temas têm tanta plausibilidade quanto as de um Prémio Nobel em biologia, porque quem trata destes temas malucos são os filósofos e quem não conhece a bibliografia diz inevitavelmente disparates simplistas. Tal como eu tenho uma ideia disparatada e simplista da química. A diferença é que não finjo que tenho ideias interessantes em química. Deixo isso à Palmira, tal como ela deixa a filosofia para mim.
October 20 2008, 2:54pm | Comments »
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Anátema
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Na "Sunday Book Review" do "New York Times", saído hoje, sob o título "The Planet of the Monks", encontra-se uma recensão da autoria de Dave Itzkoff de "Anathem", o último livro do escritor de ficção científica norte-americano Neal Stephenson, de quem já aqui tenho falado. Em português e publicadas recentemente pela Tinta da China encontram-se nas livrarias duas obras dele que são os três primeiros volumes do chamado "Ciclo Barroco": "Argento Vivo", "O Rei dos Vagabundos" e "Odaliscas".Transcrevo um extracto que nos dá uma ideia da trama da obra, que seria porventura mais de ficção filosófica do que de ficção científica se acaso esse género existisse:"In the acknowledgments of ANATHEM (Morrow/HarperCollins, $29.95), Stephenson, the author of such meticulous historical novels as “Cryptonomicon” and “The Baroque Cycle,” gives inspirational credit for his latest work of fiction to a long line of distinguished thinkers, from Thales and Plato to Husserl and Gödel. But it is the spirits of the Greeks that exert the greatest influence on “Anathem”: at its best, the book is a thought experiment in narrative form, a meditation on how far a society can go on pure reason and arguments from first principles. It is an intricate Socratic puzzle, yet — though you may wish to banish me or pour hemlock down my throat for saying this — I’m not entirely sure it’s a novel. Set in a world that is similar but not identical to our own, “Anathem” imagines a modern-day monastic order whose members have pledged to live their lives without computers or electronic technology. Having long ago set aside such unanswerable questions as “Does God exist?” these alternative Augustines are free to contemplate issues of math, physics and philosophy; depending on the order they belong to, they are allowed to visit the outside world as much as once a year or as little as once a millennium."O resto da recensão pode ser lido aqui.
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October 17 2008, 3:48pm | Comments »
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Especulação
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Eis a minha habitual crónica das terças-feiras do Público:Os progressos da física, da química ou da medicina, a partir do séc. XVIII, deram novos argumentos à ideia de que não vale a pena tentar saber o que não se sabe porque ninguém o soube antes e consequentemente não vamos nós também conseguir saber. Antes do progresso evidente na compreensão da realidade que essas e outras ciências nos deram, o argumento era que a tentativa de conhecer coisas tão abstrusas como a composição química da água ou a constituição íntima da matéria era não apenas impossível como inútil: a vida quotidiana passava bem sem isso. Outro argumento era que tais coisas só podiam ser realmente conhecidas pelos deuses, sendo consequentemente sacrílego procurarmos atingir algo que lhes estava reservado. O livro do Génesis pode evidentemente ser interpretado de outro modo mas apresenta em qualquer caso o desejo humano de conhecer as coisas como um pecado capital e como a razão última da impossibilidade actual de uma vida paradisíaca. E ao contrário do que historiadores mais desatentos podem fazer crer, na Grécia antiga os filósofos e cientistas eram vistos com desconfiança pela população em geral, o que poderá explicar a condenação de Sócrates, um homem de 71 anos que não podia fazer mal a uma mosca mas insistia em especular sobre o que os outros queriam calar.O argumento é hoje forçosamente diferente porque se tornou inegável a contribuição prática e teórica do conhecimento abstruso: microondas e Internet, aviões e medicina. Assim, circunscreveu-se o argumento actual contra a especulação: podemos especular, mas só se for “cientificamente”. E esta palavra quer vagamente dizer qualquer como “pode-se observar ou experimentar no laboratório”. A mentalidade cientificista é tal que praticamente todo o entulho cognitivo contemporâneo — criacionismo, astrologia, ocultismo, numerologia, homeopatia, etc. — é instintivamente justificado recorrendo a uma linguagem pretensamente científica: fala-se das energias quânticas ou dos fluxos energéticos, da comunicação transvectorial ou qualquer coisa assim.A ideia de que só devemos especular ou tentar saber algo se o fizermos cientificamente é insustentável. Na verdade, essa mesma ideia não pode ser sustentada cientificamente, pelo que é auto-refutante. Antes de tentarmos saber algo não podemos muitas vezes saber se podemos sabê-lo. E mesmo depois de termos tentado saber e falhado mil vezes, não podemos muitas vezes saber se à milésima primeira não acabaremos por conseguir. Especular é tentar saber o que não sabemos e o que nem sequer fazemos ideia de como podemos tentar saber, mas é ao tentar que descobrimos isso mesmo. É a especulação que faz surgir o método científico; e apesar de também o método científico fazer surgir outras especulações, não o teríamos se ninguém se tivesse atrevido a especular sem ele. Consequentemente, nenhum método científico pode ser encarado como delimitador de toda a especulação possível, mas antes como um dos resultados felizes da ousadia de especular sem método científico.
October 14 2008, 11:29am | Comments »







