Mensagem recebida da Directora da Gazeta de Física, revista da Sociedade Portuguesa de Física:Vimos convidá-lo a visitar o sítio da Gazeta de Física, que acabou de ser renovado.Nele pode encontrar publicado, por exemplo, e em antecipação à versão impressa, o último número da Gazeta de Física em formato .pdf, bem como um arquivo em construção, com os números anteriores no mesmo formato electrónico.No sítio da Gazeta de Física encontra também artigos para lá dos publicados em papel, bem como extensões de artigos publicados. Poderá ainda, a partir do sítio da Gazeta de Física aceder ao Blogue da Gazeta de Física na página do semanário Expresso (Blogues> Blogues Educação e Ciência > Física).Teresa Peña, Directora da "Gazeta de Física"
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NOVA GAZETA DE FÍSICA
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May 28 2009, 7:14pm | Comments »
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A FÍSICA E AS PESSOAS: UM MUNDO MELHOR
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Em breve se vaio iniciar a campanha do "Pirilampo Mágico", uma grande iniciativa de solidariedade social para a promoção e criação de condições de defesa dos interesses e direitos das pessoas, em especial crianças, com deficiência mental ou multideficiência. A Fenarceci (Federação Nacional das Cooperativas de Educação e Reabilitação de Crianças Inadaptadas) pediu-me um texto para a revista que vai lançar agora no início da campanha e eu, porque a causa é boa, não me fiz rogado e escrevi o seguinte:Em 2009 celebra-se, sob o lema “Imaginar-Criar-Inovar”, o Ano Europeu da Criatividade e da Inovação. Um dos desafios que a União Europeia propôs consiste em “assegurar que as competências em matemática, ciência e estudos de tecnologia promovem e estimulam a inovação”. De facto, a ciência e a tecnologia, que usam a linguagem da matemática, estão na base do mundo moderno e o mundo só será mais moderno se conseguirmos que a ciência e tecnologia, incluindo não só os seus produtos mas também a sua compreensão, cheguem a mais pessoas.Vou falar da Física, a ciência que desde novo abracei e que é um bom exemplo das disciplinas científicas que estão na base da tecnologia e, portanto, das nossas vivas. A Física, tal como a conhecemos hoje, começou quando o italiano Galileu Galilei, há cerca de 400 anos, começou a usar o método experimental para descobrir o mundo à sua volta, isto é, o mundo à volta de todos nós. Na Terra ele observou movimentos de vários objectos, em particular a queda dos corpos, e nos céus ele observou os movimentos dos astros (foi há exactamente 400 anos que ele dirigiu pela primeira vez um telescópio para o céu) . Serviu-se da linguagem matemática pois, segundo ele, o “Livro da Natureza” está escrito em caracteres matemáticos.Os avanços da Física nestes quatro séculos foram impressioantes. E foi com base nesses avanços que conseguimos uma vida melhor, por exemplo, assegurando melhores transportes na Terra e enviando sofisticadas naves para o espaço. O bom funcionamento dos transportes na Terra, sejam por automóvel, comboio, barco ou avião, só são possíveis porque compreendemos bem a mecânica que Galileu fundou. E os satélites artificiais, que permitem previsões meteorológicas, telecomunicações (telefones, rádio e televisão), localização geográfica, etc., também só são possíveis graças a essa mesma compreensão, já que os movimentos no céu obedecem as mesmas leis que os movimentos na terra. Para chegar à situação do mundo de hoje desde o tempo de Galileu foram precisos muitos processos de “imaginação-criatividade-inovação”. E mais vão ser precisos ainda, muitos mais, porque nenhum dos componentes desses processos tem limite...A Física é feita por pessoas, como Galileu e tantos outros depois dele, e é feito para as pessoas. As pessoas, todas as pessoas, de uma maneira ou de outra beneficiam dos progressos da Física e irão beneficiar mais no futuro à medida que esses progressos se forem alargando. Mas, para que tais progressos se concretizem é preciso que haja físicos e engenheiros que saibam inovar, sendo a escola indispensável para a sua formação. Por outro lado, como os cientistas são apenas uma pequena porção da humanidade, interessa que os cidadãos em geral compreendam o que é a ciência em geral e a Física em particular. Além de um óbvio conforto material, o conhecimento da Física e dos seus processos, proporciona um conforto intelectual. Viveremos todos melhor no mundo – e o mundo será melhor – se compreendermos esse mundo e se também compreendermos o modo como ele é compreendido.Quando digo todas as pessoas, quero mesmo dizer todas. Estou a pensar também nas pessoas portadoras de deficiência (seja qual for o tipo de deficiência, física ou mental), a quem devem ser proporcionadas, tanto quanto possível, as mesmas oportunidades que às outras pessoas.Alguns cientistas têm deficiências que não os impedem de produzir ciência. Galileu ficou deficiente no final da sua vida, pois a sua visão se deteriorou de forma irreversível, mas isso não o impediu de ver com os olhos da mente aquilo que os olhos físicos não lhe permitiam ver. O seu último livro “Discursos e Demonstrações Matemáticas Acerca de Duas Novas Ciências”, que criou de facto duas novas ciências, foi escrito em condições de grande deficiência. Um dos grandes descendentes de Galileu, o astrofísico britânico Stephen Hawking, é um deficiente físico profundo, por ser portador de uma grave doença do foro neurológico (a doença de Lou Gehrig ou esclerose lateral amiotrófica). Preso a uma cadeira de rodas, não consegue sequer falar, servindo-se para comunicar de um sistema de voz computadorizada. Mas isso não o impede de ser um dos físicos mais conceituados a nível mundial, por ter imaginado, criado e inovado mais que muitos dos seus colegas de profissão. E não o impede de ter escrito livros científicos notáveis pela sua criatividade e inovação e livros de divulgação científica de grande circulação como “Uma Breve História do Tempo”.Por sua vez, numerosas pessoas com deficiência, jovens ou não, aprendem hoje ciência na escola (ensino formal) ou fora dela (ensino informal), ultrapassando dificuldades, por vezes poderosas, que outros não conhecem. Para eles deve ir toda a ajuda que lhes pudermos dar, toda a integração que lhes conseguirmos proporcionar. O mundo só será melhor se formos solidários uns com os outros..
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April 28 2009, 10:39am | Comments »
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UMA DESGRAÇA DE PROFETA
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Minha crónica no semanário "Sol" de hoje:O físico Niels Bohr disse que era muito difícil fazer previsões. E acrescentava: especialmente do futuro. É por isso que os profetas, sejam da desgraça ou da graça (predominam os primeiros), costumam falhar. Recentemente, falhou mais uma vez um profeta da desgraça, ao contrário do que o próprio e os média quiseram fazer crer.Giampaolo Giuliani, técnico do Instituto Nacional de Astrofísica Italiano (trata-se de um técnico não licenciado e não de um cientista!), previu um sismo na Itália central em Março passado, baseado num aumento que detectou de emanações do gás radão do subsolo. E colocou uma carrinha na rua com um megafone a assustar as pessoas.Face à tragédia que ocorreu em L’Aquila, no dia 6 de Abril de 2009, a imprensa de todo o mundo referiu essa previsão, afirmando ou insinuando que se poderia ter prevenido a catástrofe se o profeta tivesse sido levado a sério. Muita e boa gente acreditou na previsão, interrogando-se por que razão a ciência não tinha sido ouvida.Acontece, porém, que não se trata de ciência. No actual “estado da arte” não podem ser previstos sismos. Esta é a conclusão da comunidade dos especialistas em sismologia. Os sinais de radão não são um bom indicador. Apesar dos numerosos estudos feitos, não há nenhuma maneira fiável de indicar que num dado sítio, num certo dia e a uma certa hora vai ocorrer um sismo. Pode-se, quando muito, indicar probabilidades, bastante incertas. Giuliani falhou redondamente, pois previu um sismo em Sulmona a 30 km a sul de L’Aquila para uma semana antes. Se a protecção civil o tivesse levado a sério, teria evacuado os habitantes de Sulmona para L’Aquila, engrossando assim as vítimas da tragédia. O Laboratório para o qual Giuliani trabalha publicou aliás um comunicado, esclarecendo que o seu objecto é a astrofísica e não a geofísica, não passando as “pesquisas” de Giuliano sobre sismos de um hobby.Eis pois como um lunático em busca de protagonismo teve os seus quinze minutos de glória. Não foi muito, mas podia-se ter poupado esse tempo.
April 23 2009, 6:45pm | Comments »
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O HUMOR DE DAVID MARÇAL: LISANDRO QUÂNTICO
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David Marçal, no "Inimigo Público", analisa cientificamente o penalty incerto no lance entre Lisandro e Yebda no último Porto-Benfica:Yebda é simultaneamente uma onda e uma partícula, braço actuou por efeito de túnel, e o tempo passou mais devagar para o árbitroAs razões para que o braço de Yebda tenha causado a queda de Lisandro não se explicam à luz da física clássica de Newton. É necessário recorrer à teoria da relatividade para explicar como o árbitro viu este lance e à física quântica para perceber a interacção do braço de Yebda com Lisandro.Segundo a física clássica, o braço de Yebda é uma coisa sólida que quando choca com Lisandro pode eventualmente fazê-lo cair. Mas, segundo a física quântica, o braço de Yebda passou Lisandro por efeito de túnelSegundo a física quântica o braço de Yebda pode ser descrito como uma onda e Lisandro como uma barreira de potencial. O braço de Yebda pode passar para o outro lado de Lisandro, mesmo que não tenha energia para o atravessar. Não há propriamente um choque mecânico, que possa provocar a queda de Lisandro.Mais física quântica: há incerteza quanto à posição e velocidade de Lisandro. Ou se sabe onde está ou para onde vai. Nem sequer podemos garantir que tenha passado a uma braçada de Yebda.E agora uma pitada de Teoria da Relatividade: Lisandro descolava-se à velocidade da Luz e o árbitro estava parado. Para o árbitro passaram três anos desde o início da queda de Lisandro e não se lembrava bem do início.David Marçal
April 13 2009, 5:48am | Comments »
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O TABU DO NUCLEAR
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Minha crónica no "Público" de hoje: Quando foram reconhecidas pela primeira vez manifestações do núcleo atómico no final do século XIX e quando esse núcleo foi descoberto no início do século XX não se poderia imaginar que o nuclear viesse a ter um papel tão fundamental nas nossas vidas. Basta dar dois exemplos: nos hospitais, a medicina nuclear oferece eficazes formas de diagnóstico e tratamento e, nas redes eléctricas, as centrais nucleares fornecem uma parte relevante da electricidade que consumimos.E, no entanto, se ninguém contesta as aplicações médicas da física nuclear, já a energia nuclear não tem gozado de boa fama, devido não só à sua utilização militar, nomeadamente a que pôs fim à Segunda Guerra Mundial, mas também a alguns acidentes na sua utilização para fins pacíficos, dos quais Chernobyl foi o mais terrível. A tal ponto que até a designação de um exame médico hoje vulgar, ressonância magnética nuclear, foi nalguns sítios convenientemente abreviada, com a retirada da última palavra. O termo “nuclear” deixou de estar inscrito, como se o seu ocultamento pudesse esconder a realidade central de todos os átomos.Neste quadro, depois de uma forte expansão inicial à escala planetária, a energia nuclear foi, nalguns países, alvo de moratórias ou interdições. Porém, nos tempos mais recentes, regressou à ordem do dia devido ao acelerado crescimento económico mundial, ao progressivo esgotamento das reservas de combustíveis fósseis e à crescente preocupação com o aquecimento global devido a gases de efeito estufa. Facto é que as centrais nucleares não emitem dióxido de carbono e, por isso, não contribuem para o aquecimento global. De certo modo a energia nuclear passou a ser vista como uma solução ecológica. Além disso, a tecnologia evoluiu de tal modo que essas centrais são hoje incluídas entre as alternativas mais seguras.Portugal conta-se entre os poucos países europeus que não construíram nenhuma central nuclear, apesar de importar uma grossa fatia da energia que consome (importa energia elécrica que, em parte, é produzida pelas oito centrais nucleares espanholas e pelas 49 francesas) e apesar de, a espaços, ter discutido a opção nuclear. Vai construir? O governo criou um tabu, ao cortar a discussão pública do tema. Fala em energias alternativas como a solar e a eólica, coisas decerto boas, tal como a poupança de energia, mas claramente insuficientes face às nossas necessidades actuais e futuras. E não quer que se fale de uma das alternativas energéticas...O assunto revela-se extremamente actual e merece ser discutido do modo mais racional possível, nas suas várias componentes: científica, técnica, social, económica e política. É discutido em todo o mundo e deve também sê-lo aqui. Para isso, e procurando contrariar o nosso conhecido défice de cultura científica, foi há pouco constituída a Associação de Divulgação do Nuclear, ADN. Não, o D do meio não significa Defesa, mas sim Divulgação. Pela minha parte, tendo aderido à ADN, gostaria de, tanto quanto possível, elucidar e ser elucidado. Não tenho posição nem a favor nem contra a construção de uma central nuclear, mas tenho posição absolutamente contra o impedimento dessa construção por um tabu irracional. Eliminar à partida uma possibilidade que outros consideram seria condenar-nos ao isolamento e ao défice.É mister ouvir os especialistas. Uma tomada de posição no ano passado da Sociedade Europeia de Física diz, preto no branco, que o nuclear pode e deve dar um contributo relevante para o portfolio de fontes energéticas. E o novo Secretário de Estado da Energia norte-americano, o Prémio Nobel da Física Steven Chu, interrogado sobre o assunto pela National Geographic, respondeu: Penso que o nuclear tem os seus problemas. Não resolvemos ainda a questão do armazenamento [dos resíduos] a longo prazo e temos de estar conscientes da questão da proliferação. Mas a segurança está melhor e vai melhorar mais e as centrais nucleares são muito melhores para o clima do que as centrais a carvão. Os cientistas não gostam de tabus!
April 9 2009, 5:18pm | Comments »
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"NEWTON ÀS VOLTAS NO CAIXÃO"?
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No dia 1 de Abril (não, não é mentira) o Futebol Clube do Porto - Futebol SAD emitiu um comunicado em que comenta uma decisão da Comissão Disciplinar da Liga Portuguesa de Futebol Profissional castigando com um jogo de suspensão e uma multa o jogador Lisandro Lopez por, alegadamente, num jogo contra o Benfica no Estádio do Dragão (1-1, há quase dois meses) ter simulado uma grande penalidade: a referida Comissão fala em "simulação evidente de grande penalidade inexistente". É normal que as decisões futebol sejam contestadas. O que já não é tão normal é o facto de o Porto invocar as leis da física e até o nome de Newton em sua defesa, mostrando um grau de cultura científica que não é vulgar nos clubes portugueses. Apesar de ser físico, não me pronuncio, até porque o lance é difícil de avaliar. Mas, assim como o Jorge Buescu deixou aqui um mapa para colorir com quatro cores, deixo em cima, tirado do "You Tube", o lance do penalty que foi (mal?) assinalado e em baixo o extracto do comunicado do Futebol Clube do Porto. Será que a Comissão Disciplinar conseguiu "reinventar mesmo as leis da Física", como afirma o comunicado?"Ao cabo de 176 jogos do campeonato principal, e após um dos raríssimos processos sumaríssimos desencadeados pela CD da LPFP, foi detectada uma pretensa simulação de falta, porque, «pela forma como o braço de Hassan Yebda estava colocado, não se vislumbra como poderia causar a queda de Lisandro Lopez para a frente e de corpo direito». Ora, para além da estranha decisão, a CD da LPFP consegue reinventar as leis da física, deixando Newton às voltas no caixão."
April 2 2009, 10:03am | Comments »
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EDDINGTON E EINSTEIN
http://dererummundi.blogspot.com/2009/03/eddington-e-einstein.html
Arthur Eddington (à direita) confirmou ou não de um forma que não deixasse margem para dúvidas a teoria da relatividade geral de Albert Einstein (à esquerda) na ilha do Príncipe há quase 90 anos? Leia a resposta aqui, num artigo da "Physics Today", a revista da Sociedade Americana de Física.
March 5 2009, 12:19pm | Comments »
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A VIDA A ANDAR PARA TRÁS?
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Minha crónica no "Sol" de hoje:O filme “O Estranho Caso de Benjamin Button”, baseado num conto de Scott Fitzgerald, que acaba de ganhar três óscares da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (melhor caracterização, melhores efeitos visuais e melhor direcção artística), mostra a vida de Benjamin Button a andar para trás. O personagem, interpretado por Brad Pitt, nasce velho e morre novo. Em vez de lhe aparecerem rugas desaparecem-lhe as rugas. Será isso possível na vida real? Será possível que a vida ande para trás?A resposta a esta pergunta é “não” e é por isso que foram necessárias boas caracterizações, bons efeitos visuais e boa direcção artística. A lei da física que impede o rejuvenescimento natural é a Segunda Lei da Termodinâmica, cujo desconhecimento foi equiparado por Charles P. Snow há cinquenta anos (a sua conferência sobre “as duas culturas” foi proferida em Cambridge a 7 de Maio de 1959) ao desconhecimento da obra de Shakespeare. Essa famosa lei afirma a irreversibilidade dos processos naturais. Quer dizer, em todos os fenómenos reais – e não apenas nos fenómenos da vida – não se pode andar para trás. Tudo acontece do modo a respeitar a seta do tempo, caminhando do passado para o futuro e não no sentido contrário. O filme da vida de uma pessoa, mostrando a evolução dela ao longo do tempo, resultará, de facto, muito estranho se for corrido ao contrário. Mas o filme “O Estranho Caso de Benjamin Button”, se for corrido ao contrário, já mostrará uma evolução plausível de Button, embora implausível dos outros.Os físicos criaram uma grandeza para distinguir o passado do futuro. Essa grandeza, a que chamaram “entropia”, é uma medida da desordem. De acordo com a Segunda Lei, a entropia cresce necessariamente nos sistemas isolados: a desordem é maior no futuro do que no passado. Trata-se, contudo, de uma lei estatística, o que significa que são hipoteticamente possíveis violações pequenas e por pouco tempo dessa lei. A vida de Button a andar para trás não é uma violação admissível, porque é grande e por muito tempo...
February 27 2009, 7:07pm | Comments »
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A Física em Coimbra no século XIX
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Post convidado do historiador de ciência Décio Ruivo Martins (na foto galvanómetro de Thomson, adquirido em 1858):Entre 1808 e 1810 a invasão pelas tropas napoleónicas criou uma grande instabilidade na vida académica coimbrã. Vários estudantes e professores da Universidade de Coimbra ajudaram na defesa da cidade e da região. O Laboratório Químico desempenhou um papel essencial na resistência ao ser transformado numa fábrica munições. O seu director, Thomé Rodrigues Sobral (alcunhado pelos franceses como o "mestre pólvora") distinguiu-se na luta contra os exércitos de Junot e de de Massena. Sob a sua orientação, boa quantidade de pólvora e munições para a artilharia portuguesa foram fabricados no local onde hoje é o Museu da Ciência (um enorme almofariz de pedra usado nessa tarefa encontra-se em exposição no átrio). A casa de Sobral foi incendiada pelos soldados de Massena em retaliação. Vários instrumentos do Observatório Astronómico e do Gabinete de Física foram confiscados por Junot nunca tendo regressado. Após a ocupação francesa, a Guerra Civil (1828-1834) condicionou também o funcionamento da Universidade. Em parte devido a essas guerras, a ciência e o ensino em Portugal atrasaram-se em relação aos outros países europeus.Contudo, na segunda metade do século XIX, foi reconhecida a necessidade de criar condições para que a Universidade pudesse acompanhar a evolução das ciências experimentais observada nos centros mais avançado. Os professores da Faculdade de Filosofia argumentaram que, quando as nações civilizadas davam a maior importância à ciências experimentais e quando se verificava um progresso tecnológico sem precedentes, a Universidade de Coimbra não podia ficar de fora. Assim, no final da década de 1850, começaram a dar-se passos para a criação nessa Faculdade de um centro dedicado ao geomagnetismo. Foram os professores de Física Jacinto António de Sousa e António dos Santos Viegas que mais se empenharam neste projecto. Em 1840, a Royal Society de Londres tinha incentivado a Academia das Ciências de Lisboa para que em Portugal fossem realizadas observações geomagnéticas tal como eram feitas na rede britânica. No Verão de 1857, após uma visita do astrónomo e físico germano-escocês Johann von Lamont, Portugal aderiu à Göttingen Magnetischer Verein, estabelecida em 1834-1836 por Gauss e Weber. A Universidade já tinha tradição de observações geomagnéticas pois que, desde o início do século XIX, eram, no Gabinete de Física, feitos registos de declinação e inclinação do campo magnético terrestre. As medições meteorológicas eram também feitas regularmente três vezes por dia, desde 1845, tendo os resultados sido publicados na revista O Instituto, iniciada em Coimbra desde 1852. Com o objectivo de criar um Observatório Meteorológico e Magnético (hoje o Instituto Geofísico) segundo os padrões internacionais, os professores de Física estabeleceram na década de 1860 contactos no estrangeiro para se familiarizarem com as mais recentes técnicas experimentais nessa área. Alguns professores visitaram os melhores observatórios geomagnéticos da Europa, tendo obtido a colaboração de eminentes cientistas como Jacques Adolphe Quetelet (fundador do Observatório Real da Bélgica), Edward Sabine (um dos promotores da Magnetic Crusade, exortando o governo britânico para criar observatórios magnéticos em todo o seu vasto império), e Balfour Stewart (director do Observatório de Kew). Para equipar o observatório de Coimbra foram seguidas as recomendações de uma das obras de referência da época: Magnetic Instructions for the use of Portable Instruments…; with forms for the registry of magnetic and meteorological observations, de Charles Riddell. Alguns dados do Observatório de Coimbra foram publicados nos Proceedings of the Royal Society em 1867 e em 1870.Ao longo da segunda metade do século XIX, foram estabelecidos vários contactos internacionais por Santos Viegas, que durante mais de 50 anos se dedicou ao Gabinete de Física. Em 1876 participou nas conferências científicas realizadas no South Kensington Museum, em Londres, onde visitou a exposição de instrumentos científicos. Este museu continha muitas das peças que hoje estão no Museu da Ciência de Londres. Viegas foi o representante nacional na Conferência Internacional e Exposição de Electricidade que teve lugar em Paris, em 1881, reunindo cerca de 250 delegados de 28 países. Nesaa época, os cientistas e telegrafistas reconheciam a necessidade de fixar unidades de grandezas eléctricas e definir padrões de medida aceites internacionalmente, a fim de que todas as medidas fossem comparáveis. A Sociedade de Engenheiros Telégrafos tinha sido fundada em Maio de 1871, numa reunião realizada em Londres e Charles William Siemens tinha sido convidado para seu primeiro presidente. De acordo com Alexander Trotter, o termo "engenharia eléctrica" começou a ser usado na exposição de Paris. Em 1887 a Sociedade de Engenheiros Telégrafos passou a chamar-se Instituto de Engenheiros Eléctricos (hoje é conhecida como Instituto de Engenharia e Tecnologia).Durante a sua estada em Paris, Viegas recebeu do governo francês a Legião de Honra. Em 1883 foi um dos fundadores da Sociedade Internacional de Electricistas, sedeada em Paris, que depois passou a designar-se Sociedade Francesa dos Electricistas. No mesmo ano Viegas foi membro da Comissão Científica da Conferência e Feira Internacional de Engenharia Eléctrica, realizada em Viena, cujo conselho foi presidido pelo famoso físico Jožef Stefan, director do Instituto de Física de Viena. Stefan orientou o doutoramento de outro grande físico: Ludwig Boltzmann. Ambos se tornaram célebres pelos seus estudos sobre a radiação do corpo negro e pela lei de Stefan-Boltzmann. Nas suas visitas a França, Bélgica, Inglaterra, Escócia, Alemanha, Áustria, Itália, etc, Santos Viegas conheceu e trabalhou com muitos cientistas de renome, como William Thomson (Lord Kelvin) Helmholtz e Kirchhoff. No Conservatoire des Arts et Métiers, de Paris, conheceu Alexandre Edmond Becquerel, pai de Henri Becquerel, o descobridor da radioactividade. Nos últimos anos da sua vida, Santos Viegas lançou uma nova área de estudos – a sismologia – tendo-se tornado membro da Sociedade Sismológica Italiana. Em Abril de 1903 instalou um pêndulo horizontal Milne no Observatório Meteorológico e Magnético de Coimbra. O seu último projecto científico consistiu na montagem de um sismógrafo Wiechert, que deixou inacabado.O programa de ensino da Física Experimental da Universidade de Coimbra foi evoluindo ao longo do século XIX, revelando semelhanças com os das melhores escolas francesas, principalmente a Escola Politécnica. Sob a supervisão dos Santos Viegas a colecção de instrumentos do Gabinete de Física foi sendo actualizada. Existem hoje muitos instrumentos feitos por Duboscq e Pellín, Breguet, Bianchi, Koenig, Ruhmkorff, Muller-Unkel, Geissler, Siemens & Halske, etc., que muito enriquecem o património do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra.Décio Martins Ruivo
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February 21 2009, 8:45am | Comments »
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O FÍSICO DE OBAMA
http://dererummundi.blogspot.com/2009/01/o-fisico-de-obama.html
Minha crónica no "Sol" de hoje (na imagem Steven Chu):Jorge de Sena, no conto “O Físico Prodigioso”, incluiu os versos: “Dona Urraca tem um físico / que cura toda a maleita”. Pois o novo Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, tem um físico, nomeado Secretário de Estado da Energia, de quem se espera que ajude a curar algumas das maleitas do mundo.Chama-se Steven Chu, é filho de emigrantes chineses e tem no seu currículo o Prémio Nobel da Física em 1987, pelos seus trabalhos sobre o arrefecimento de átomos com a ajuda de luz laser. É a primeira vez que um Prémio Nobel toma posse como membro do governo americano.Antes disso dirigiu um grande laboratório de estado, o Lawrence Berkeley, e era professor na Universidade de Califórnia, Berkeley.As maleitas do mundo que Chu vai tratar têm a ver com as carências de energia e com os efeitos nefastos dos combustíveis fósseis. Espera-se que ele rompa com a excessíva dependência do petróleo dos Estados Unidos (“Estamos viciados em petróleo”, reconheceu um dia, batendo com a mão no peito, George W. Bush). O físico tem defendido o recurso a energias alternativas, como a energia solar e os biocombustíveis, mas, como sabe que estas formas de energia não podem nos tempos mais próximos satisfazer as enormes necessidades mundiais, advoga a continuação do recurso ao carvão e ao nuclear. O nuclear tem, em relação ao carvão, a vantagem de não contribuir para o efeito estufa, um efeito que Chu está empenhado em combater. O próprio Obama já tem feito declarações nesse sentido: os Estados Unidos vão juntar os seus esforços aos dos muitos países que procuram a redução de gases de efeito estufa.Decerto que a presença de um cientista no governo americano não se notará apenas na área da energia. No tempo de Bush, era notória, por exemplo, a influência de grupos de criacionistas, que não aceitam a ideia da evolução. Proliferaram abaixo-assinados contra o ensino da teoria de Darwin. Pois Steven Chu tem o seu nome incluído no Projecto Steven, uma iniciativa de cientistas com o nome de Steven em defesa desse ensino. Já são cerca de mil...
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January 31 2009, 3:58am | Comments »







