Continuação do texto O dever de educar e de ensinar- Na formação de um professor, qual é o papel da vocação?A vocação é uma espécie de chamamento interior que, à semelhança de um chamamento divino, conduz uma pessoa ao ensino e, mesmo sem formação, o torna bom professor. Não negando a importância desse “querer ser professor”, que não sabemos bem de onde vem, eu poria a tónica na sua preparação. Preparação que, reportando-me ao ciclo de conferências da MinervaEditora, Regina Rocha deixou bem claro que tem de ser científica, pedagógico-didáctica e ética. Lembro-me de ter insistido que se falasse na componente didáctica, pelo facto de, nos últimos tempos ter sido muito desvalorizada. Na opinião desta linguista e investigadora, o professor é a pessoa que tem a capacidade de pegar no conhecimento e de o organizar de forma que o aluno vá, a pouco e pouco, adquirindo-o e, assim, formando a sua personalidade. Também Sobral Henriques sublinhou que, neste momento, o professor precisa de ser um quadro muito bem preparado, pois a diversidade de questões que se lhe colocam, quer a nível de acompanhamento dos alunos, tendo em vista o sucesso escolar, quer a nível de comportamentos e de atitudes, tornam a sua acção muito difícil e exigente, que não se pode confiar apenas ao tradicional talento ou do jeito.- Porque é que aprender, só por si, não chega?Sabemos hoje, de modo muito claro, nomeadamente através do estudo de casos de crianças que são privadas de ambiente humano, que o seu estado em pouco ou nada se parece como o estado humano. Se o capital que trazemos à nascença fosse suficiente para nos tornarmos pessoas, dispensaríamos a educação. Ora, muito cedo a Humanidade percebeu que tinha de seleccionar os saberes que melhor poderiam ajudar as novas gerações a sobreviver e a melhorar a própria espécie. E, assim, se criou e expandiu a escola, que é a instituição a que se tem confiado o dever de ensinar e de educar, mas de forma estruturada, para que os sujeitos adquiram esses saberes e desenvolvam a inteligência – sabemos hoje que a inteligência se desenvolve.Isto para que as sociedades se mantenham e, desejavelmente, evoluam, e também para que a própria Humanidade não regrida e, pelo contrário, possa criar mais conhecimento.Se dissermos que o professor deve ser apenas um guia, um orientador da aprendizagem e que devemos deixar, como às vezes se sugere, esta tarefa fundamental ao cuidado das crianças, que se entregam a si próprias ou umas às outras, como referiu Hannah Arendt, acreditando que elas têm dentro de si os interesses, as motivações para procurarem e descobrirem todo o saber que, desde que há memória, conseguimos apurar, em todas as suas áreas, facilmente se percebe que lhe estamos a pedir uma tarefa impossível, na qual não terão a mínima hipótese de se orientarem.Facilmente se percebe também que estamos a contribuir para pôr em causa a própria sociedade e tudo o que a Humanidade construiu, de bom e de mau, e que pode vir a construir. Para lhe responder a esta pergunta, eu poderia ter sido muito mais directa, se tivesse usado as palavras da minha amiga Maria do Carmo Vieira que tem afirmado com toda a segurança que a escola tem a obrigação de acrescentar qualquer coisa à vidas dos alunos, de todos os alunos, independentemente da sua condição social, económica, cultural, ou outra. E o que tem de acrescentar é a arte, a literatura, a ciência, a matemática… enfim, os saberes mais eruditos, mais perfeitos que nos permitem, afinal ser pessoas, no sentido que a palavra “pessoa” tem ser eu, de sermos nós.
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O dever de educar e de ensinar - 2
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November 15 2009, 10:34am | Comments »
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"Ser bom não chega"
http://dererummundi.blogspot.com/2009/07/ser-bom-nao-chega.html
Atul Gawande é médico-cirurgião, um dos melhores à escala mundial. Estudou nas mais prestigiadas universidades europeias, foi bolseiro de elite, venceu prémios que distinguem a excelência, é professor catedrático de Cirurgia em Harvard. E, ainda, redactor e colunista.Não obstante este currículo que fala por si, e talvez por causa dele, interessa-se por esse “esse sub-produto um pouco nauseabundo” (Lentin, 1994, 7), por esse “tema cinzento na cor, sinistro no perfil e amargo no travo” (Lobo Antunes, 1996, 77): o erro de desempenho profissionalDepois de ter publicado A mão que nos opera (2007), publicou, neste ano, Ser bom não chega (2009). A Lua de Papel, editora de ambas as obras, apresenta-o como “um médico, que apesar dos erros luta todos os dias para ser (ainda) melhor”A propósito deste último livro, deu uma entrevista revista Sábado da qual transcrevo a seguinte passagem, pela relevância que me parece ter para todos os profissionais que têm responsabilidades na vida dos outros, grupo onde também os professores e educadores se incluem.Porque é que os médicos continuam a ser, muitas vezes vistos como deuses?Tentamos ignorar o erro porque pensamos que, se o reconhecermos, as pessoas já não acreditam em nós. Mas, hoje, os doentes têm consciência que os médicos erram. Não somos perfeitos, mas procuramos essa perfeição. Daí que o nome do meu livro seja Better e não Best, porque é isso mesmo que podemos ser: melhores.Qual foi o seu pior erro?Foram tantos! Faço 300 a 400 operações por ano e as complicações atingem os 3 ou 4% o que significa que prejudico gravemente 10 a 12 pessoas em vez de as ajudar. Quando olho para trás, vejo que, em pelo menos metade dos casos, podia ter feito algo de diferente. Tento sempre tirar alguma conclusão de forma a que na próxima vez não prejudique ninguém.Os erros deviam ser sempre punidos?Não. Somos responsáveis pelos erros, mas também por remediar a situação. O problema dos erros não é dos maus médicos: o pior é que eles acontecem aos bons.Em que sentido?Qualquer cirurgião de renome falha. Vou dar um exemplo. Há dois meses publiquei um estudo, em conjunto com a Organização Mundial de Saúde, sobre as mais-valias de haver uma lista na sala de operações para evitar infecções e outras complicações. A lista, aparentemente simples, tem pontos como dar sempre um antibiótico ao paciente entes do primeiro corte, certificarmo-nos de que toda a gente dentro da sala de operações sabe o nome da restante equipa para que não haja qualquer complicação na hora de se chamar a pessoa que se precisa, etc. Usámo-la em vários hospitais e reduziram-se as mortes em cerca de um terço. Os cirurgiões têm de assumir que são falíveis e socorrem-se de pequenas técnicas que os ajudam.Interfere no trabalho de outros médicos?A toda a hora! Se vejo um colega a fazer um mau diagnóstico já com uma cirurgia marcada não lhe vou dizer “és um idiota”! Olha o que estás a fazer!”, porque sei que posso ser eu o próximo idiota! O que faço é explicar-lhe que acho que deixámos passar alguma coisa e tentar resolver os problemas.”Entrevista à revista Sábado de 25 de Junho de 2009 “Se os médicos lavarem as mão evitam milhões de mortes”, 36-38.
July 28 2009, 7:08pm | Comments »
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"Não há nada como o saber adquirido pela experiência"
http://dererummundi.blogspot.com/2009/05/nao-ha-nada-como-o-saber-adquirido-pela.html
“Ensinar é, antes de mais, fabricar artesanalmente os saberes, tornando-os ensináveis, exercitáveis e passíveis de avaliação no quadro de (…) um sistema de comunicação e trabalho.”Philippe Perrenoud, 1993, 25..Apesar de ter raízes antigas e de não ser inteiramente original, depois dos anos de 1980, um movimento que é conhecido por movimento da prática reflexiva tem-se afirmado com grande força em diversos sectores profissionais.Este movimento, não sendo uno, no sentido em que defende um corpo bem delimitado de ideias, acentua a capacidade que todas as pessoas terão para observar, investigar, analisar, indagar, questionar, pensar autonomamente a sua acção, que tem lugar num determinado contexto e, em função da reflexão que fazem do mesmo – de modo individual ou colegial –, construírem saberes particulares ou, mais propriamente, “teorias práticas”.Assim, expressões como prática reflexiva, desempenho reflexivo, formação reflexiva, acção reflexiva tornaram-se incontornáveis nos discursos académicos e oficiais sobre o ensino, estando presentes e ocupando um lugar de destaque nas mais diversas reformas educativas e programas de formação de professores.Essa presença encerra, porém, tanto de confusão conceptual como de entusiasmo aguerrido. E é precisamente quando estes dois ingredientes se juntam, que emerge a ideia de que não é possível ensinar nada com carácter teórico a ninguém – no sentido de saber abstracto, fruto do apuramento de princípios, regras, procedimentos, leis, etc. –, e muito menos de modo teórico – ou seja, comunicando saber.Entende-se, ao contrário, que as pessoas só aprende verdadeiramente de forma “artesanal”, ou seja se se confrontarem com a prática, real, concreta, localizada e com os problemas particulares que ela sugere, sendo que neste quadro, ao reflectirem encontrarão as soluções, sempre únicas, específicas, para tais problemas.Nesta lógica, os bons profissionais, que resolvem problemas complexos e singulares, são aqueles que se regem por um conhecimento eminentemente tácito, que conseguem apurá-lo e usá-lo mas não conseguem explicá-lo inteiramente e, muito menos, especificá-lo. Por outro lado, ninguém do exterior ao seu ethos profissional pode ter a pretensão de alcançar o mesmo conhecimento e, nessa medida, de apresentar conhecimento que possa contribuir para a sua resolução de tais problemas.E é aqui que me lembro sempre das “reflexões” da Guidina, de Luís Sttau Monteiro, quando, por volta de 1974, lhe passou pela cabeça ser médica (páginas 116-117):“Como eu gostava de ser médica porque gosto muito daqueles filmes que há na televisão com aqueles médicos bestialmente simpáticos que fazem discursos às pessoas e que as curam com palavrinhas mansas e compreensão ia para um hospital trabalhava talvez na cirurgia é claro que ao princípio matava umas pessoas para descobrir onde é que elas têm o apêndice e o fígado mas isso que importância tem neste mundo em que há gente a mais? com o tempo e com umas buscas bem organizadas acabava por saber onde é que estava o apêndice de cada um e cortava-o tão bem como se tivesse aprendido porque não há nada como o saber adquirido pela experiência eu calculo que me bastariam umas duzentas pessoas para ficar a operar apêndices quatrocentas para operar estômagos e umas quinhentas ou seiscentas para operar cabaças ao todo com umas mil mortesitas ficava a cirurgicar tão bem como qualquer que estivesse estudado e não tinha de perdido o meu tempo em escolas faculdades e outras velharias páginas.”Exagero do humor à parte, esta perspectiva reflexiva, se tem algumas características que jogam a seu favor, também tem muitas que recomendam a maior prudência na sua aplicação, pois, na verdade, se estivermos a falar de áreas como a medicina, o ensino ou outras onde a responsabilidade face a pessoas concretas é acentuada, o desempenho profissional não pode pautar-se apenas e só por uma pouco precisa capacidade de auto-orientação do profissional ou futuro profissional, nem pelos resultados subjectivos e relativos a que conduz.Pelo contrário, o saber que, de modo objectivo, as comunidades científicas vão conseguindo reunir não pode, de forma alguma, ser desprezado ou menorizado na formação e nas práticas profissionais, tem de ser valorizado, comunicado, discutido e, claro, exercitado criticamente.João Lobo Antunes no livro Memória de Nova Iorque e outros ensaios (1996, 36-37), referindo-se à sua formação de médico especialista nos Estados Unidos da América explica esta ideia numa frase: “Recordo-me de, uma vez, ao sugerir uma maneira diferente de fazer uma intervenção, ter sido advertido, de forma bem seca, de que eu não estava ali para cometer erros que outros já tinham feito antes de mim.”
May 24 2009, 9:40am | Comments »
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O dever de formar para educar
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Sexta sessão do ciclo O dever de educar, no próximo dia 13 de Janeiro, pelas 18h15, na Livraria Minerva Coimbra.Prosseguindo o raciocínio da última sessão, dedicada ao dever de educar do professor, mas avançando nele, discute-se, agora, a formação de quem ensina, para poder assumir tal dever com responsabilidade. Questiona-se, em particular, que princípios devem nortear essa formação? Como se deve concretizar? Quem a deve assumir?...É convidado Rui Marques Veloso, professor aposentado da Escola Superior de Educação de Coimbra que colaborou na formação de várias gerações de professores, mantendo o seu interesse e trabalho nesta área.Local: Livraria Minerva (Rua de Macau, n.º 52 - Bairro Norton de Matos), em CoimbraPróxima sessão: 21 de Janeiro.As sessões deste ciclo são quinzenais e estão abertas ao público
January 11 2009, 8:33am | Comments »
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Avaliar a Educação - II
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Transcrevemos o artigo de opinião de Maria Regina Rocha, publicado no sítio do "Sol", e que surge na sequência de outro publicado no De Rerum Natura.A solução: 12 verdades para um ensino de qualidade em PortugalEstamos em 2008, no século XXI, e não nos idos anos 70 do século passado: a experiência de todos estes anos leva-nos a considerar que é preciso ter a coragem de dizer 12 verdades, se queremos realmente que se faça uma reforma na Educação, para que haja um ensino de qualidade.1.ª – O ensino unificado (5.º ao 9.º ano) não serve. Deveriam existir, pelo menos, dois currículos (eventualmente três), um deles com uma maior componente técnica, currículos diferentes não só no que respeita ao número, natureza das disciplinas e carga horária das mesmas como aos respectivos programas.2.ª –A ausência de reprovações não responsabiliza nem alunos, nem pais, nem professores e compromete negativamente toda a aprendizagem dos alunos com dificuldades, mas a reprovação por si só também não tem a desejada eficácia. Por isso, a partir do 4.º ano, as disciplinas deveriam ter os programas organizados por níveis de aprendizagem, progredindo o aluno em cada disciplina de ano para ano por níveis, não podendo aceder ao nível seguinte sem o domínio do que é essencial do nível anterior.3.ª – A abolição dos exames foi um erro. A existência de exames (provas de avaliação externa) com um peso de 50% é essencial para a responsabilização de todos os intervenientes no processo educativo, desde o 4.º ano de escolaridade e a todas as disciplinas (no 4.º, no 6.º, no 9.º no Ensino Básico; em cada disciplina terminal no EnsinoSecundário).4.ª – Os currículos estão desajustados. É necessário que tenham um número equilibrado de disciplinas, devendo desaparecer do mesmo disciplinas instrumentais como, por exemplo, «Área de Projecto» e «Estudo Acompanhado».5.ª – Os programas são responsáveis por muitos dos problemas da falta de competência dos nossos alunos. Deveriam ser claros, com os conteúdos muito bem explicitados (nomeadamente quanto ao grau de aprofundamento) e os objectivos muito bem definidos, sendo referidos os graus mínimos de consecução em cada ano.6.ª – A escala de classificação de níveis de 1 a 5 aplicada do 5.º ao 9.º ano é má, pois propicia o laxismo e não incentiva as realizações dos alunos. Na escala de 0 a 20, um aluno que tenha 10 valores esforça-se e vê o seu esforço recompensado, passando a sua nota, por exemplo, para 12 ou 13, mas, na escala de 1 a 5, o mesmo esforço num aluno que tenha obtido 3 não o faz mudar de nível (continua no 3), o que, naturalmente, o desmotiva.7.ª – O número de alunos por turma é outro dos problemas: turmas de 24 a 28 alunos não são compatíveis com uma aprendizagem de qualidade no tempo presente. As turmas deveriam ter 20 alunos.8.ª – Os tempos lectivos de 90 minutos e de 135 minutos não servem. É mais adequado cada aula de uma disciplina ter apenas 50 minutos, havendo um intervalo de 10 minutos entre a aula de uma disciplina e a de outra, para que os alunos possam vir até ao pátio de recreio, respirar fundo, falar à vontade, correr, brincar, ir à casa de banho, voltando para a aula seguinte com a capacidade de concentração e de trabalho renovada (exceptuam-se, naturalmente, as disciplinas de cariz laboratorial: 50 minutos + 50 minutos).9.ª – O absentismo dos alunos e a indisciplina são factores que comprometem a sua aprendizagem. O recente estatuto do aluno não foi feliz nas soluções propostas. É fundamental a incidência da responsabilização nos alunos e nos pais e encarregados de educação.10.ª – A formação inicial de natureza pedagógica e de natureza didáctica deveria obedecer a directrizes muito claras da responsabilidade do Ministério da Educação, nomeadamente a indicação das disciplinas de pedagogia, das de didáctica e seu conteúdo (por exemplo, em Português, como se ensina o aluno a desenvolver a competência de leitura ou a competência de escrita, entre outras), bem como dos aspectos a ter em conta no estágio, uniformemente em todo o país.11.ª – A formação contínua tem sido muito heterogénea. Também aqui deveria haver uma intervenção directa do Ministério da Educação no que respeita aos objectivos e conteúdos, bem como à organização e à qualidade.12.ª – A avaliação de professores deve ser feita tendo como referente um perfil de bom professor no quadro dos grandes objectivos do Sistema Educativo – definido pelo Ministério da Educação, e não deixado ao arbítrio de cada escola, com o pretexto da autonomia. A Educação é um desígnio nacional: a tutela não pode alhear-se desta responsabilidade.Maria Regina Rocha
December 16 2008, 4:06pm | Comments »
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Um professor que se reforma não é apenas um professor que se reforma
http://dererummundi.blogspot.com/2008/10/um-professor-que-se-reforma-no-apenas.html
"… no fim da sua carreira, um professor é passado à reforma e leva com ele os seus segredos, todos os seus êxitos e ideias. E os jovens têm de recomeçar." Gaston Mialaret (1981)A teoria cognitivista é uma das várias teorias pedagógicas que procuram explicar o ensino e indicar como deve ser desempenhado. As suas preocupações têm-se centrado na análise da relação entre o que o professor pensa - os seus conhecimentos, concepções, crenças - e a sua acção concreta.Nessa análise detêm-se nas decisões que os professores principiantes e experientes tomam em duas situações: quando planificam e quando leccionam as aulas.Os estudos realizados confirmaram, em geral, uma melhoria da destreza pedagógico-didáctica à medida que os docentes se vão familiarizando com os conteúdos, consciencializando o seu estilo de interacção, dominando os métodos e as técnicas de que dispõem. Assim, percebeu-se que os professores experientes, quando comparados com os principiantes, concentram-se mais na compreensão que os alunos adquirem dos conteúdos, captam mais facilmente a especificidade de cada turma, concentram-se mais nos aspectos essenciais para conduzir a aprendizagem, que também processam com maior rapidez e eficácia.Estes dados permitem tirar ilações para a formação, aconselhando-se a observação da planificação e do desempenho de professores experientes por parte dos candidatos a professores e dos jovens professores. Também permitem tirar ilações para o funcionamento das escolas, sublinhando-se que ganham, em termos de resultados nas aprendizagens, se tiverem professores experientes que acompanhem os menos experientes.Esta é uma das razões que nos deve deixar preocupados com a reforma de tantos professores experientes, como está a acontecer no nosso país. Não desvalorizando as competências "dos milhares de jovens diplomados a querer entrar no sistema de ensino" (actual Ministra da Educação) e a capacidade que estes, por princípio, têm de questionar práticas instaladas e de inovar, é preciso reconhecer que essas competências não são iguais às de muitos professores que agora se retiram.
October 24 2008, 4:50pm | Comments »
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