"Eu sei, mas, por favor, não queiram, porque tudo é tão difícil, complexo e aberto, tudo controlar de cima para baixo, porque isso é uma ilusão profunda e um erro que já tem mais de um século. Desresponsabiliza os actores e não ajuda a avançar, só atrasa. Ilumina a norma, o centro e o poder, mas manieta, oprime e deixa às escuras as iinstituições educativas, a humanidade responsável de cada um, a solidariedade que irrompe. A educação não se reforma, melhora-se nas comunidades locais, nas instituições de educação e nas salas de aula, fazendo cada dia, em equipa, um pouco mais e melhor.Nestes tempos, ditos de crise, a alegria parece "andar com sede" de braços caídos e olhar pesaroso. Como diz a poeta alemã (Hilde Domin) "a alegria, quando tem sede, lambe as lágrimas dos sonhos".Joaquim Azevedo (2009). Repensar a dicotomia educação-trabalho na perspectiva antropológica e sociocomunitária do desenvolvimento humano. Conferência ao Congresso Mundial da Educação Profissional e Tecnológica, Brasília, 24 de Novembro de 2009 (texto polic)Sempre actual. Sempre necessário lembrar. Sobretudo nestes tempos de crise financeira e que arrasta outras crises aindas mais profundas. E que deveria ser o momento de não exportar, a partir do centro, as receitas cegas do corte do défice.
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Mudança de Paradigma
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October 18 2010, 10:17am | Comments »
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Governança
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Segundo Thuderoz e outros (2000), dois modelos tomaram a negociação como refém:O primeiro, funcionalista, apregoou as virtudes da cooperação sem explicar a conflituosidade social. Neste modelo, a negociação estava reduzida a uma técnica de comunicação e de problem solving e poderia ser uma alternativa concreta e descentralizada à negociação colectiva - daí o seu impacto no contexto da gestão participativa e a sua focalização privilegiada nos actos de gestão;O segundo, ancorado sobre o conflito de classes, teorizou as virtudes do conflito sem contudo entender as profundidades do acordo social. Neste modelo, a negociação continuava a ser a ilusão da partilha de poderes ou da reciprocidade num mundo sempre desigual.Como pensar a ordem social, num contexto regido por constrangimentos estruturais desiguais, tendo em conta que a negociação tem a capacidade de aumentar a reflexividade social?As experiências da acção colectiva têm em comum alguns procedimentos de negociação que caracterizam o processo: discussão inicial do desenho do projecto, acordo sobre o programa de acção, estabelecimento do calendário de realizações e do co-financiamento pelos destinatários. Geralmente, as políticas contratuais colocam em contacto, sem relações tutelares, o Estado, as colectividades locais, os representantes de vários interesses "civis» e os vários organismos das administrações. Entram em campo uma pluralidade de actores locais, de configurações multipolares e as negociações adquirem nova visibilidade e legitimidade à medida que cresce o colectivo de actores.O interesse renovado por este tipo de governança advém da dupla constatação de que certos sectores sociais, objectos de políticas públicas, podem resistir com sucesso a toda a governação política e de que a dinâmica das sociedades complexas faz emergir colectivos de sectores - e/ou de grupos - capazes de colocarem o desenvolvimento dos seus próprios recursos acima dos interesses individuais. A autoorganização e a capacidade de coordenação horizontal dos diversos sectores tornam-se um imperativo tão importante como a tradicional coordenação vertical.Idem, Ibidem
July 13 2009, 2:56pm | Comments »
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Causas da Decadência
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No princípio do século XVII, quando Portugal deixa de ser contado entre as nações, e se desmorona por todos os lados a monarquia anómala, inconsistente e desnatural de Filipe II; quando a glória passada já não pode encobrir o ruinoso do edifício presente, e se afunda a Península sob o peso dos muitos erros acumulados, então aparece franca e patente por todos os lados a nossa improcrastinável decadência. Aparece em tudo; na política, na influencia, nos trabalhos da inteligência, na economia social e na indústria, e como consequência de tudo isto, nos costumes. A preponderância, que até então exercêramos nos negócios da Europa, desaparece para dar lugar à insignificância e à impotência. Nações novas ou obscuras erguem-se e conquistam no mundo, à nossa custa, a influência de que nos mostrámos indignos. (...) E que tristíssimo quadro o da nossa política interior! As liberdades municipais, à iniciativa local das comunas, aos forais, que davam a cada população uma fisionomia e vida próprias, sucede a centralização, uniforme e esterilizadora. A realeza deixa então de encontrar uma resistência e uma força exterior que a equilibre, e transforma-se no puro absolutismo; esquecendo a sua origem e a sua missão, crê ingenuamente que os povos não são mais do que o património providencial dos reis. O pior é que os povos acostumam-se a crê-lo também! Aquele espírito de independência que inspirava o firme si no, no! da Idade Média adormece e morre no seio popular. O povo emudece; negam-lhe a palavra, fechando-lhe as Cortes; não o consultam, nem se conta já com ele. Com quem se conta é com a aristocracia palaciana, com uma nobreza cortesã, que cada vez se separa mais do povo pelos interesses e pelos sentimentos, e que, de classe, tende a transformar-se em casta. Essa aristocracia, como um embaraço na circulação do corpo social, impede a elevação natural de um elemento novo, elemento essencialmente moderno, a classe média, e contraria assim todos os progressos ligados a essa elevação. Por isso decai também a vida económica: a produção decresce, a agricultura recua, estagna-se o comércio, deperecem uma por uma as indústrias nacionais; a riqueza, uma riqueza faustosa e estéril, concentra-se em alguns pontos excepcionais, enquanto a miséria se alarga pelo resto do país: a população, dizimada pela guerra, pela emigração, pela miséria, diminui de uma maneira assustadora. Nunca povo algum absorveu tantos tesouros, ficando ao mesmo tempo tão pobre! No meio dessa pobreza e dessa atonia, o espírito nacional, desanimado e sem estímulos, devia cair naturalmente num estado de torpor e de indiferença. (...)Dessa educação, que a nós mesmos demos durante três séculos, provêm todos os nossos males presentes. As raízes do passado rebentam por todos os lados no nosso solo: rebentam sob forma de sentimentos, de hábitos, de preconceitos. Gememos sob o peso dos erros históricos. A nossa fatalidade a nossa história,Que é pois necessário para readquirirmos o nosso lugar na civilização? Para entrarmos outra vez na comunhão da Europa culta? É necessário um esforço viril, um esforço supremo: quebrar resolutamente com o passado. Respeitemos a memória dos nossos avós: memoremos piedosamente os actos deles: mas não os imitemos. Não sejamos, à luz do século XIX, espectros a que dá uma vida emprestada o espírito do século XVI. A esse espírito moral oponhamos francamente o espírito moderno. Oponhamos ao catolicismo, não a indiferença ou uma fria negação, mas a ardente afirmação da alma nova, a consciência livre, a contemplação directa do divino pelo humano (isto é, a fusão do divino e do humano), a filosofia, a ciência, e a crença no progresso, na renovação incessante da Humanidade pelos recursos inesgotáveis do seu pensamento, sempre inspirado. Oponhamos à monarquia centralizada, uniforme e impotente, a federação republicana de todos os grupos autonómicos, de todas as vontades soberanas, alargando e renovando a vida municipal, dando-lhe um carácter radicalmente democrático, porque só ela é a base e o instrumento natural de todas as reformas práticas, populares, niveladoras. Finalmente, à inércia industrial oponhamos a iniciativa do trabalho livre, a indústria do povo, pelo povo, e para o povo, não dirigida e protegida pelo Estado, mas espontânea, não entregue à anarquia cega da concorrência, mas organizada duma maneira solidária e equitativa, operando assim gradualmente a transição para o novo mundo industrial do socialismo, a quem pertence o futuro. Esta é a tendência do século: esta deve também ser a nossa. Somos uma raça decaída por ter rejeitado o espírito moderno: regenerar-nos-emos abraçando francamente esse espírito. O seu nome é Revolução: revolução não quer dizer guerra, mas sim paz: não quer dizer licença, mas sim ordem, ordem verdadeira pela verdadeira liberdade. Longe de apelar para a insurreição, pretende preveni-la, torná-la impossível: só os seus inimigos, desesperando-a, a podem obrigar a lançar mãos das armas. Em si, é um verbo de paz, porque é o verbo humano por excelência.(excertos)Antero de Quental. CAUSAS DA DECADÊNCIA DOS POVOS PENINSULARESNOS ÚLTIMOS TRÊS SÉCULOS.Discurso proferido por Antero de Quental, numa sala do Casino Lisbonense, em Lisboa, no dia 27 de Maio de 1871, durante a 1.ª sessão das Conferências Democráticas
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July 11 2009, 6:03pm | Comments »
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COMANDAR E CONTROLAR
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O programa de ensino foi avaliado por uma equipa da Universidade Católica Portuguesa que concluiu que o Novas Oportunidades não tem tido grandes reflexos no mercado de trabalho. Ou seja, as competências adquiridas ainda não abrem portas para empregos melhores e mais bem remunerados. O ex-ministro da Educação Roberto Carneiro, coordenador da equipa que avalia o programa, comenta os dados recolhidos. "As pessoas que estão certificadas sentem que não houve grandes avanços na carreira, na remuneração, nas oportunidades de emprego, como porventura teriam legítima esperança de ter antes de terem feito a certificação.""É preciso pensar que partimos de um mundo económico muito baseado no comando e controlo - empresas muito comandadas do topo que preferem que os trabalhadores baixamente qualificados façam tarefas de rotina e comandados de cima - para um mundo económico completamente diferente, a economia do conhecimento, com trabalhadores já mais qualificados que podem participar, trabalho em equipa, em rede, onde a própria concepção de empresa tem de evoluir", disse, a propósito. (Fonte)O drama é quando este mundo da primeira geração industrial - do comando e controlo - vigora, ao melhor estilo, no mundo da educação. O triste exemplo infra citado do despacho que repristina despacho revogado é apenas um exemplo menor de ofensa e desautorização. Do comando e controlo. Que só pode gerar alheamento e irresponsabilidade. Como formar cidadãos e trabalhadores autónomos, criativos, interpelantes, divergentes e inovadores quando o governo da educação se sustenta de princípios e valores heterónomos e promove o culto da vassalagem acéfala?
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July 11 2009, 7:57am | Comments »
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A Governança no Século XXI
http://terrear.blogspot.com/2009/01/governana-no-sculo-xxi.html
Reler nestes tempos de crise. Aqui.
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January 8 2009, 4:33am | Comments »
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