Informação recebida do Instituto de Investigação Interdisciplinar da Universiodade de Coimbra:O Congresso Luso-Brasileiro da História das Ciências terá lugar em Coimbra de 26 a 29 de Outubro de 2011. Este congresso assinala os 100 anos da criação da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra, que resultou da fusão das Faculdades de Filosofia e Matemática, criadas pela Reforma Pombalina.O encontro visa dar a conhecer melhor a História da Ciência em Coimbra desde a edificação do primeiro colégio jesuíta em 1547, no tempo de D. João III, até 1933, quando começa o Estado Novo. O ensino das matemáticas e das ciências físicas e naturais conheceu um forte impulso com a Reforma Pombalina, em 1772, que rompeu com a neoescolástica e estabeleceu o ensino experimental. Nessa como nas noutras épocas a relação com o Brasil sempre foi forte. Será privilegiada no Congresso a História da Ciência relacionada com a Universidade de Coimbra bem como as relações luso-brasileiras.Submissão de trabalhos:· Os autores devem submeter um resumo da respectiva comunicação, com um máximo de 250 palavras, através do site easychair CLBHC-2011, até ao dia 31 de Março de 2011. A confirmação de aceitação de comunicações será feita até ao dia 30 de Maio de 2011.· A submissão do texto completo para publicação no Livro de Actas do Congresso deve também ser feita através do mesmo site até ao dia 30 de Setembro de 2011.Para mais informações consultar o endereço: http://www.uc.pt/congressos/clbhc
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Chamada para trabalhos de história da ciência luso-brasileira
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February 24 2011, 10:32am | Comments »
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Congresso Luso-Brasileiro de História da Ciência
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Entrevista que dei à jornalista Barbara Lacor sobre o Congresso Luso-Brasileiro de História da Ciência, que se vai realizar em Coimbra em Outubro próximo:P - Que importância teve a criação da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra (UC), em 1911?R- Em 1911, um ano após a implantação da República, houve uma refundação republicana da UC. As Faculdades de Matemática e de Filosofia, criadas com a Reforma Pombalina em 1772, foram fundidas para formar a Faculdade de Ciências, que, embora hoje tenha o nome de Ciências e Tecnologia, vai portanto agora fazer cem anos. Na mesma altura são fundadas as Universidades de Lisboa e Porto, com Faculdade de Ciências novas, que ficaram herdeiras das anteriores escolas politécnicas que existiam nas duas principais cidades do país. O ideal republicano, que tem uma ligação forte às ciências do século XIX, mostrou, com a criação de três Faculdades de Ciências, a sua esperança nas ciências para ajudar a formar um país novo. Essa foi uma das maiores contribuições da República para a nossa modernidade, apesar de todas as vicissitudes e contradições da 1ª República.P - Quais são os momentos mais marcantes da História da Ciência na UC? Porquê?R - Não se pode falar de ciência em Portugal sem falar de ciência na UC. Na época dos Descobrimentos, quando o rei D. João III coloca definitivamente a Universidade em Coimbra, um dos maiores cientistas portugueses, o astrónomo e matemático Pedro Nunes, vem para Coimbra ensinar. Pouco depois estudou em Coimbra o maior astrónomo mundial entre Copérnico e Galileu, o jesuíta alemão Christophorus Clavius, que foi o principal responsável em Roma pela reforma que levou à adopção do calendário gregoriano. No século XVIII é um estudante de Coimbra, o brasileiro Bartolomeu de Gusmão, que efectua a primeira ascensão mundial em balão, embora não tripulado. No mesmo século, o marquês de Pombal executa um verdadeiro "terramoto" intelectual, ao promover em Coimbra o ensino experimental das ciências. Manda construir o Laboratório Chimico e e reúne colecções nos gabinetes de Física Experimental e de História Natural, hoje no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, além de criar um Observatório Astronómico e um Jardim Botânico. Além dos mestres estrangeiros que contratou, chamou grandes cientistas nacionais como, na matemática, Monteiro da Rocha e Anastácio da Cunha. No século XIX, grandes cientistas de Coimbra foram o botânico Avelar Brotero e o metalurgista brasileiro Andrada e Silva. Outro grande cientista português do século XIX, o matemático Gomes Teixeira, ensinou no Porto depois de ter estudado em Coimbra. No início do século XX, o Prémio Nobel da Medicina Egas Moniz começa por estudar e trabalhar em Coimbra antes de se transferir para a nova Universidade de Lisboa. E este é só um brevíssimo resumo, claro.P - Que interesse tem este congresso para o público em geral?R - O congresso dirige-se em primeiro lugar a especialistas portugueses, brasileiros e outros estrangeiros interessados na história da ciência, com particular foco na ciência realizada na Universidade de Coimbra e nas relações científicas luso-brasileiras. Mas está aberto a todos os interessados, em particular às pessoas curiosas pela história da ciência que se desejem inscrever. O interesse para o público será sempre a melhor compreensão que resultar sobre o nosso passado científico. Só conhecendo melhor quem fomos, poderemos saber quem somos e, acima de tudo, quem queremos ser.P - O Congresso contará, para além dos trabalhos apresentados pelos investigadores, com as intervenções de especialistas convidados? Já está confirmada a presença de algum orador?R - Sim, é um congresso aberto à participação, com submissão de trabalhos on-line, de quem trabalhar na área e tem também apresentações de convidados. Estes incluem cientistas portugueses, como o historiador de ciência Henrique Leitão, que falará sobre Pedro Nunes, o historiador Fernando Catroga, que falará sobre as ligações à ciência da ideologia republicana, e o médico João Lobo Antunes, que falará sobre Egas Moniz. E cientistas brasileiros como os historiadores de Ciência Jaime Benchimol que falará sobre a medicina nos trópicos no século XIX, e Augusto Passos Videira, que falará sobre a teoria das cores no século XVIII. E ainda cientistas europeus como o italiano Ugo Baldini, que falará sobre Clavius, a química francesa Bernadeth Bensaúde Vincent, que falará, neste ano internacional da química, sobre a recente e gradual transformação da química em nanotecnologia, e ainda o belga Robert Halleux, que falará sobre a escola dos jesuítas na UC que antecedeu a Reforma Pombalina.
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February 18 2011, 5:10am | Comments »
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Sobre Marck Athias (1875-1946)
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Novo post do historiador António Mota Aguiar:Marck Athias, nasceu no Funchal em 1875, com pai de ascendência judaica, director de um estabelecimento bancário na Madeira. Ainda jovem, foi estudar para Paris, onde, com 22 anos, terminou a licenciatura em Medicina.Após o curso, trabalhou num laboratório de Paris, onde se afirmaria como histologista, tendo sido premiado pela Faculdade de Medicina de Paris pelo trabalho científico produzido. Durante a sua estada em Paris contactou com notáveis especialistas de histologia e química, o que, a par da educação que recebeu na Faculdade, lhe augurou desde logo uma carreira profissional promissora.Mas, na época que Marck Athias viveu em Paris, a sociedade francesa estava profundamente afectada pelo Affaire Dreyfus, e dividida entre os defensores da inocência de Alfred Dreyfus e os que o acusavam de ter vendido à Alemanha documentação secreta. Em 1894 Dreyfus foi condenado a prisão perpétua, para só ser libertado em 1906, após se ter provado a sua inocência. O antisemitismo que lavrava na sociedade francesa desse tempo deve-o ter afectado pelas suas raízes judaicas, mas, mesmo assim, preferia ficar em França, pelo que concorreu a um lugar no laboratório onde trabalhava. Foi, porém, preterido por um colega francês.Voltou para a Madeira e, em 1907, veio para Lisboa, onde Miguel Bombarda lhe ofereceu o lugar de director do laboratório de histologia do Hospital de Rilhafoles. Aí iniciou o ensino de histologia, criando um curso de técnica histológica para médicos. Começaria aqui a carreira científica de Marck Athias no nosso país, iniciando uma nova fase da medicina experimental em Portugal, criando uma escola de investigação associada a uma estratégia de renovação da mentalidade portuguesa defendida pelo ideário positivista, característica do republicanismo, que marcou o Portugal desta época.Escreveu a Professora Isabel Amaral da Universidade Nova de Lisboa:“No período em que a escola de investigação se desenvolveu, foram erguidas as estruturas sociais, logísticas e epistemológicas, basilares da comunidade médica de Lisboa, nas primeiras décadas do século XX: reformou-se o ensino, surgiram as especialidades, criaram-se laboratórios e institutos de investigação, formaram-se investigadores, fundaram-se revistas e sociedades científicas, privilegiando assim um novo modelo de ensino universitário em que os docentes passaram a ser julgados não pela sua erudição livresca, mas pela sua capacidade de produzir saber original com base na experimentação. A escola de investigação de Marck Athias criou assim as condições para a emergência da bioquímica em Portugal”.A escola de Athias criou ramificações profundas na ciência portuguesa e deixou muitos discípulos que se notabilizaram, como os médicos Ferreira de Mira e Celestino da Costa, este último impulsionador da Junta de Educação Nacional, criada em 1929.António Mota de Aguiar
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February 17 2011, 6:59am | Comments »
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Centúrias de Curas Medicinais de Amato Lusitano
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Convite recebido da Ordem dos Médicos (este ano celebram-se os 500 anos do nascimento do grande médico português que ficou conhecido por Amato Lusitano):O CELOM - Centro Editor Livreiro da Ordem dos Médicos tem a honra de convidar V. Ex.ª a assistir à apresentação do livro “Centúrias de Curas Medicinais” da autoria de Amato Lusitano, que terá lugar na Sociedade de Geografia de Lisboa no dia 24 de Fevereiro de 2011, pelas 18h30. O livro será apresentado pela Profª. Doutora Isilda Rodrigues e pelo Prof. Dr. José Luís Dória.Com a reedição desta obra, numa iniciativa da Ordem dos Médicos, o CELOM associa-se às comemorações dos 500 anos do nascimento de Amato Lusitano, que se celebram em 2011.Sociedade de Geografia de LisboaRua das Portas de Santo Antão, 100 1150-269 LisboaTel.: 21 3425401/5068 - Fax 21 3464553
February 17 2011, 6:16am | Comments »
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A FÁBRICA DO CORPO HUMANO ON LINE
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UMA BOA NOTÍCIA:Graças ao patrocínio da Sociedade Portuguesa de Neurociências (bem-hajam!) acaba de ser restaurado, digitalizado e colocado na Web, no sítio Alma Mater, o que deve ser o único exemplar em Portugal do livro do século XVI "Fábrica do Corpo Humano" de André Vesalius, que é propriedade da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra. Os que gostam de livros antigos ou de história da ciência podem deliciar-se a vê-lo aqui.
February 10 2011, 10:51am | Comments »
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Sobre Miguel Bombarda
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Post recebido do historiador António Mota de Aguiar:Miguel Bombarda, médico e político português, homem de vasta cultura e formação científica, nasceu no Rio de Janeiro em 1851. Veio ainda jovem para Portugal, onde começou os seus estudos, tendo em 1877 terminado o curso da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, onde passou a ser Professor. Em 1892 foi nomeado director do Hospital Rilhafoles em Lisboa, mais tarde Hospital Miguel Bombarda, onde exerceu psiquiatria até à sua morte .O fim do século XIX e início do século XX foi marcado por profundas alterações políticas, económicas e sociais em Portugal. No contexto das alterações ocorridas, a contribuição dada por Miguel Bombarda como professor e director do Hospital Rilhafoles foi assaz relevante, não porque tenha sido um diligente investigador (devido às suas múltiplas actividades não lhe ficava muito tempo livre para a investigação), mas sim, graças ao seu empenho, e ao de outro médico, Sousa Martins, na criação de dois laboratórios de histologia no Instituto Bacteriológico Câmara Pestana e no Hospital Rilhafoles, respectivamente em 1882 e 1897.Além da sua actividade como político, foi impulsor de revistas como O Correio Médico e a Medicina Contemporânea e, em 1906, presidiu a um Congresso internacional de medicina em Lisboa, tendo exercido ainda diversas outras actividades.Miguel Bombarda contribuiu significativamente para fixar em Portugal as raízes das disciplinas de fisiologia e histologia, tendo nomeado Marck Athias para dirigir o Instituto de Histologia do Hospital de Rilhafoles. “Foi o empenhamento de Marck Athias na vertente experimental da medicina que permitiu criar as condições propícias ao nascimento da bioquímica em Portugal”, escreve Isabel Amaral, Professora da Universidade Nova de Lisboa. Por isso, quando nos anos 30 do século XX, Kurt Jacobsohn veio para Portugal, criando e desenvolvendo o estudo da bioquímica, encontrou uma base formada nos anos anteriores pelos mencionados médicos portugueses.Miguel Bombarda defendeu o determinismo radical, i.e., a ideia de que tudo no mundo é um produto de condições que podem ser cientificamente estudadas, sendo a vida um fenómeno explicável pela “organização molecular” e pelas “condições do meio”. Materialista convicto, escreveu Consciência e Livre Arbítrio, publicado pela primeira vez em 1898, do qual fazemos aqui uma síntese.Para Bombarda não existiam mistérios inacessíveis à razão humana. Disse ele que: “Os outros, os que da crença vivem e pela fé morrem, procuram a verdade no sentimento. Há no seu espírito presentimentos e intuições. Não há demonstrações, nem mesmo as procuram ou as aceitam. No seu coração está a razão, a natureza e o destino das coisas”. E, como “as propriedades dos corpos são invariáveis em presença das mesmas condições…existe de toda a evidência uma ordenação, uma harmonia, um fatalismo fenomenal…” Mais à frente, Bombarda acrescentou: “A invariabilidade de relacionamento fenomenal, que permite o estabelecimento dessas leis, é o que constitui o determinismo…”… e “a noção dessa lei geral…tem o valor de um axioma geométrico”.Idealista, republicano convicto, Miguel Bombarda não defendia a selecção darwinista. Na Introdução a um livro de um autor da época (Landislau Batalha) escreveu: “(…) Em toda a natureza o factor cooperativo tem sido a fonte ubérrima da adaptação e da evolução. A selecção darwiniana, com a sua desoladora e impotente luta pela existência, já fez o seu tempo. (…)”.Defensor do cooperativismo, pensava que um mundo melhor havia de chegar: “…quando os interesses de classes começarem a embotar-se e o ideal humano tiver infiltrado os espíritos, a fraternidade deixará de ser um mito e a humana felicidade uma utopia”. Morreu assassinado por um doente, a dois dias da implantação da República, para a qual ele tanto tinha contribuído e no seio da qual certamente teria um futuro promissor. “Morrer assim é estúpido”, teve ele a lucidez de dizer na hora da sua morte.António Mota de Aguiar
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February 6 2011, 5:28pm | Comments »
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A QUÍMICA DO ORANGOTANGO
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Crónica publicada no "Diário de Coimbra".O genoma do orangotango foi agora publicado na revista Nature, e apresenta cerca de 3% de diferença com o nosso. Mas a química do Orangotango não é diferente da nossa. Muito pelo contrário, partilhamos com este primata, assim como com todas as espécies vivas, muitas coisas em comum. Quer o comum à vida, quer as diferenças base da biodiversidade, estão inscritas em longas sequências de quatro de moléculas (guanina, adenina, timina e citosina) definidas no biopolímero que vulgarmente designamos por DNA (ácido desoxirribonucleico). É a diferente sequência daquelas moléculas alinhadas na dupla hélice de DNA que funcionaliza a mensagem química dos genes. Em que é que diferem aquelas quatro moléculas? Diferem em arranjos e proporções diferentes de átomos de carbono, oxigénio, nitrogénio e hidrogénio. As diferenças nas vizinhanças químicas locais na dupla hélice de DNA expressam genes diferentes, que por sua vez corporizam instruções para proteínas com funções diferenciadas e específicas. O resultado global é uma espécie de organismo diferente. Um braço peludo mais comprido, uma posição bípede mais vertical, etc.Recorde-se, a propósito do Ano Internacional da Química que se promove este ano, que se deve muito à Química (mas também à Física, à Matemática e à Biologia, entre outras disciplinas), o conhecimento que está na base da genética molecular e que permitem hoje, de forma multidisciplinar, a sequenciação genómica. Vejamos, de forma breve, porquê.Como se disse, o genoma é constituído por longas moléculas de DNA. Este foi descoberto em 1869 pelo químico alemão Johann Friedrich Miescher (1844 – 1895) no núcleo de glóbulos brancos. Miescher escolheu estas células por serem relativamente grandes e também possuírem núcleos grandes. Esta descoberta não permitiu associar de imediato o DNA como a “molécula da hereditariedade”. De facto, foram necessários mais cerca de 80 anos para que se confirmasse que eram os ácidos nucleicos os componentes estruturais e funcionais dos genes. Durante todo este intervalo de tempo muitos cientistas defenderam que eram as proteínas, e não os ácidos nucleicos, as moléculas de que os genes eram feitos. Parecia estranho toda a diversidade da vida poder ser codificada pela monótona constituição molecular do DNA, pelo que a genética deveria ser escrita com a maior diversidade apresentada pelas proteínas. Duas experiências foram determinantes para esclarecer a comunidade científica sobre a "molécula dos genes". Em 1944, o médico e bioquímico Oswald Avery (1877 – 1955) e seus colaboradores, demonstraram que só o DNA (o “princípio transformador” como lhe chamaram), era “capaz” de “transformar” estirpes diferentes da bactéria pneumococo (R e S) umas nas outras. Em 1952, o trabalho do microbiologista Alfred Hershey (1908 -1997) e da geneticista Martha Chase (1927 – 2003) colocou um ponto final e abriu um novo capítulo para a genética molecular com a experiência de transferência de DNA viral (do bacteriófago T2) para bactérias, na qual ficou claramente demonstrada que era o DNA e não as proteínas a argamassa genética da vida. Martha ChaseEm 1953, o biólogo James Watson e os físicos Francis Crick, Maurice Wilkinson e Rosalind Franklin, através dos estudos por difracção de raios X de cristais de sais de DNA, recolhem a informação física e química necessária para propor a estrutura tridimensional em dupla fita helicoidal para o DNA. Note-se que esta descoberta resulta de um trabalho fundamentalmente de física e química. Diríamos hoje de biofísica e bioquímica.Rosalind FranklinNeste ano também dedicado às mulheres na química, é de realçar nesta história que tanto Matha Chase como Rosalind Franklin não foram galardoadas com o prémio Nobel, enquanto os seus colaboradores directos o foram pelas mesmas descobertas.António Piedade
January 31 2011, 9:31am | Comments »
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Descoberta notável de colecção de peixes colectados no Séc. XVIII
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Durante os trabalhos de levantamento sistemático das colecções pertencentes à Universidade de Coimbra, com o objectivo de completar o inventário, deparámo-nos com um achado absolutamente extraordinário entre as colecções zoológicas.Guardados dentro de uma grande caixa de folha de flandres, encontravam-se 68 peixes de diferentes espécies conservados em seco, montados sobre cartão com a designação científica no sistema de Lineu, e alguns com dois nomes vulgares, um em português e o outro numa língua indígena do Brasil. Os cartões são contornados por um filete, nalguns casos preenchido a aguarela azul, com letra a preto numa caligrafia perfeita. O seu excelente modo de conservação através desta técnica descoberta no séc. XVIII, “em herbário”, em que apenas metade do exemplar era preservado prensado sobre uma folha de cartão e, depois de seco, envernizado e com esta qualidade, revelam inequivocamente a sua origem nas colecções do Real Museu da Ajuda com a caligrafia da Aula do Risco. No arquivo do Museu Bocage, existe o registo de uma importante remessa de espécimes do Real Museu para a Universidade de Coimbra datada de 1806, grande parte deles com origem na Viagem Filosófica de Alexandre Rodrigues Ferreira. Este registo, “Relação dos Produtos naturais e industriais que deste Real Museu se remeteram para a Universidade de Coimbra em 1806”, largamente estudado na secção de materiais etnográficos e antropológicos, refere o envio de 60 exemplares de peixes das colecções do Real Museu. Ao compararmos as designações científicas de Lineu nos exemplares, com o documento da remessa, verificamos que cerca de metade dos géneros indicados correspondem aos da colecção encontrada. Trata-se então de uma parte das recolhas que o grande naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira realizou para a coroa portuguesa na bacia do Amazonas, durante uma década, entre 1783 e 1792. Uma das mais notáveis e prolongadas expedições de naturalistas, realizadas durante o Séc. XVIII, procurando o conhecimento científico e sistemático da natureza exótica que então se descobria. As colecções enviadas para Portugal pelo naturalista, foram alvo de muitas vicissitudes, encontram-se dispersas por várias instituições incluindo uma parte levada para Paris durante as invasões francesas. Em particular, das colecções enviadas para Coimbra apenas está bem estudada a excelente colecção etnográfica dos índios da Amazónia. Neste momento, o Museu da Ciência tem em curso um projecto de investigação de história da ciência da Universidade de Coimbra, em que se procede ao estudo destas colecções fundadoras dos primeiros gabinetes universitários portugueses. A descoberta destes exemplares é absolutamente notável por se tratar de uma colecção raríssima, havendo poucos exemplares do Séc. XVIII de peixes do Brasil, montados deste modo, em todo o mundo – conhece-se um conjunto de 18 espécimes, com estas características, na Academia das Ciências de Lisboa -, além de abrir uma nova perspectiva quanto ao estudo e conhecimento das recolhas deste naturalista. É uma importante descoberta para a história natural em Portugal, para a história da ciência e para o estudo da biodiversidade, realizada mesmo no final do Ano Internacional para a Biodiversidade.
January 27 2011, 1:34pm | Comments »
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A primeira administração de Insulina: 11 de Janeiro de 1922
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Publicado em "O Despertar".Antes da descoberta e purificação da molécula Insulina, a doença diabética era, na maior parte dos casos, fatal!A associação de que determinados grupos de células no tecido exócrino pancreático, identificados primeiramente por Paul Langerhans, em 1869, estavam envolvidos no processo digestivo e na regulação dos níveis do açúcar glicose no sangue, foi progressivamente estabelecida por várias gerações de cientistas. Em 1889, o fisiologista Oskar Minkowski e o médico Joseph von Mering, mostraram que se o pâncreas de um cão fosse removido o animal desenvolvia diabetes. Em 1901, Eugene Opie demonstrou a relação causa efeito entre o estado, integridade, dos grupos de células identificados por Langerhans (em sua honra denominados ilhéus de Langerhans) e o desenvolvimento da Diabetes mellitus.Nas duas décadas seguintes foram várias as tentativas em tentar isolar as secreções dos Ilhéus de Langerhans eventualmente responsáveis pela regulação da glicemia no sangue, mas sem sucesso clínico apreciável.A história da descoberta está também condimentada com alguma controvérsia em torno de quem terá sido o primeiro cientista a demonstrar a acção de extractos de Ilhéus de Langerhans na redução da glicemia e glicosúria. Entre eles estão cientistas como Georg Ludwig Zuelzer (1906), E. L. Scott (1911-12), Israel Kleiner (1919) e o romeno Nicolau Paulescu (1921). Este último foi, para muitos, o primeiro cientista a descobrir a Insulina, mas “problemas” no registo e patente da sua descoberta impediram que fosse galardoado com o prémio Nobel pelo seu trabalho.De facto, o comité Nobel atribuiu em 1923 o prémio Nobel da Fisiologia ou Medicina a Frederick Banting e a J. J. R. Macleod pela descoberta da Insulina e sua administração num humano diabético. Estes laureados, descontentes com a decisão do comité Nobel, dividiram o reconhecimento com outros dois cientistas que, segundo eles, tinham sido decisivos no isolamento e purificação da insulina: Charles Best, assistente de Macleod, e o bioquímico Bertram Collip convidado por Banting para o trabalho laboratorial “pesado” de isolamento e purificação. Deve-se a Collip a obtenção do primeiro extracto de insulina purificado a partir de ilhéus de Langerhans de fetos de bezerro. Esta foi a fonte para o extracto a ser utilizado no primeiro ser humano a ser injectado com insulina: Leonard Thompson. Com 14 anos de idade, o adolescente diabético foi injectado pela primeira vez no dia 11 de Janeiro de 1922 (há 89 anos) com um extracto impuro, o que lhe causou uma reacção alérgica severa.As injecções foram suspensas enquanto Collip não conseguiu melhorar o protocolo experimental e conseguir purificar o extracto. Conseguiu-o depois de 12 dias de intenso trabalho laboratorial. No dia 23 de Janeiro de 1922, Leonard recebeu uma injecção do novo extracto purificado o que lhe retirou os sintomas diabéticos sem lhe causar reacções e complicações indesejadas. Foi um sucesso das ferramentas laboratoriais químicas aplicadas à saúde e o início de uma nova era na bioquímica clínica.A Diabetes mellitus deixava de ser uma doença fatal e passava a ser uma doença crónica.O conhecimento bioquímico conquistava qualidade de vida onde antes a esperança morria doce.António Piedade
January 11 2011, 8:45am | Comments »
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O ERRO DE EINSTEIN
http://dererummundi.blogspot.com/2011/01/o-erro-de-einstein.html
Minha crónica no "Público" de hoje (na foto do Congresso Solvay de 1911, Madame Curie, sentada no meio, é a única mulher; Paul Langevin está de pé na extrema direita, ao lado de Albert Einstein):As Nações Unidas decidiram que 2011 seria o Ano Internacional da Química, pretendendo celebrar os extraordinários resultados obtidos por essa ciência e as suas contribuições para o bem estar da Humanidade. Para essa decisão pesou o facto de passar um século desde que foi atribuído o Prémio Nobel da Química a Madame Curie. Foi o segundo Nobel que ela recebeu, desta vez sozinha, depois de oito anos antes ter partilhado o Nobel da Física com o seu marido Pierre Curie e com Antoine Henri Becquerel. Até hoje, a francesa de origem polaca é a única pessoa que recebeu dois prémios Nobel de disciplinas científicas diferentes. Não é, por isso, de estranhar que este ano se celebre também a contribuição das mulheres para a ciência.A ascensão das mulheres na ciência foi prodigiosa no último século. Numa famosa fotografia do Congresso Solvay em 1911, Madame Curie é a única presença feminina em 24 retratados. Hoje, em muitos congressos de física ou de química, há uma representação quase paritária dos dois géneros.Em Portugal, esse progresso foi particularmente nítido. Em 1911 começou a dar aulas na Universidade de Coimbra a primeira professora do ensino superior português: a filóloga de origem alemã Carolina Michaelis de Vasconcelos, que, no ano seguinte, entrou, não sem discussão interna, na Academia de Ciências de Lisboa. No meu livro Breve História da Ciência em Portugal (com Décio Martins, Gradiva e Imprensa da Universidade de Coimbra, 2010), que fala da ciência até 1974, apenas é referida uma mulher, Matilde Bensaúde, pioneira da genética entre nós no início do século passado. Actualmente o país pode orgulhar-se não só da quantidade como da qualidade das nossas mulheres cientistas (parabéns, Maria do Carmo Fonseca, pelo Prémio Pessoa!). Temos uma das percentagens mais elevadas de mulheres na ciência na Europa e até no mundo: Portugal, nas estatísticas europeias de 2008, aparece em quinto lugar na percentagem de investigadoras, com 45 por cento, quando a média da União Europeia não chega a 30 por cento.Apesar de ter sido premonitória da chegada maciça das mulheres à ciência, a notícia da atribuição do Nobel a Marie Curie há cem anos foi ofuscada, na imprensa francesa e internacional, por um escândalo, irrompido pouco antes, sobre uma sua ligação amorosa com o físico Paul Langevin, que era seu colega e tinha sido discípulo de Pierre Curie (Madame Curie era viúva há cinco anos, mas Langevin era casado). Por obra e graça de um wikileaks doméstico, um jornal francês publicou cartas de amor entre os dois, facto que motivou um duelo à pistola entre Langevin e um jornalista (nenhum dos dois chegou a disparar). Não faltou quem denegrisse a ilustre físico-química chamando-lhe uma estrangeira perigosa para os lares franceses. E, por causa desse affaire, alguns membros da academia sueca tentaram que ela não fosse receber o prémio a Estocolmo. Mas Marie Curie não hesitou em ir, alegando que o motivo do prémio - a descoberta de dois novos elementos químicos, o rádio e o polónio - nada tinha que ver com a sua vida privada. Madame Langevin conseguiu logo a seguir o divórcio com a custódia dos seus filhos sem que o tribunal tivesse mencionado o nome da dupla laureada Nobel. Esta e Langevin (os dois a uma distância prudente na fotografia do Congresso Solvay, pois na altura o caso era escaldante) acabaram por se afastar, seguindo destinos diferentes. Mas, por uma daquelas ironias em que o acaso é fértil, os genes de um e de outro viriam a cruzar-se mais tarde, quando uma neta de Curie se casou com um neto de Langevin...E Einstein? Qual foi, afinal, o erro de Einstein? Einstein achava que as mulheres não tinham aptidão para a ciência por não serem criativas. Apesar disso, nutria sincera admiração por Madame Curie, considerando-a uma excepção à regra. Tal não o impediu de comentar a um amigo que ela “não era suficientemente atraente para ser perigosa para quem quer que seja”. Einstein cometeu erros. Mas a depreciação que fez das mulheres foi, decerto, o seu maior erro.
January 7 2011, 1:30am | Comments »








