Do livro "Breve História da Ciência em Portugal", que escrevi em colaboração com Décio R. Martins, e que em breve sairá numa edição da Imprensa da Universidade de Coimbra e da Gradiva, deixo um excerto sobre o a ciência nacional no início do século XIX (na imagem o Abade Correia da Serra):A Academia das Ciências de Lisboa foi criada em 1779 para promover o desenvolvimento científico e cultural do país. A sua primeira sessão teve lugar no ano seguinte com uma Oração na abertura lida pelo oratoriano Almeida. Entre o grupo de fundadores destacaram-se, entre outros, D. João Carlos de Bragança (2º Duque de Lafões) e o Abade Correia da Serra, para além dos já referidos Rocha, Vandelli e Dalla Bella. As Memórias da Academia constituem uma das mais importantes fontes da história da ciência em Portugal. Começou com a publicação das Memórias de Agricultura (1788-1791), seguindo-se as Memórias Económicas (1789-1815), Memórias da Academia Real das Sciencias de Lisboa (1797-1856), e, mais recentemente, as Memórias da Academia, Classe de Ciências (desde 1936). Surgiram também as Ephemerides Nauticas (1788-1824), os Annaes das Sciencias e Lettras da Academia Real das Sciencias (1857) e o Jornal de Sciencias Mathematicas, Physicas e Naturais (1866-1927).Entre os fundadores da Academia, Serra foi quem teve maior protagonismo internacional, com os seus estudos de botânica. É notável a obra que publicou nas mais prestigiadas revistas científicas: Philosophical Transactions, Transactions of Linnean Society, Transactions of the American Philosophical Society, The American Review, etc. Serra foi membro de várias instituições científicas de renome como a Royal Society e a Linnean Society, a Academia das Ciências de Paris, as Academias de Turim, Florença, Siena, Mântua, Bordéus, Lyon, Marselha e Liège, e a American Philosophical Society. Nos Estados Unidos a fama dos seus cursos de botânica nesta última sociedade originou um convite para ensinar na Universidade da Pensilvânia, que recusou. Thomas Jefferson, o terceiro presidente americano, nutria por Serra grande amizade, tendo mesmo na sua mansão na Virgínia um quarto reservado para ele. As relações científicas do naturalista português estabeleceram-se ao mais alto nível, nomeadamente com os franceses Candolle, Lametherie, editor do Journal de Physique, Millin, editor do Magasin Encyclopédique, Jussieu e Cuvier.Em finais do século XVIII Portugal foi bastante marcado pelas grandes transformações sociais e políticas originadas pela Revolução Francesa. As invasões francesas obrigaram a corte do regente D. João, futuro rei D. João VI, a refugiar-se, em 1807, no Rio de Janeiro, iniciando um processo que conduziria à independência do Brasil, declarada em 1822 por seu filho D. Pedro.Na Universidade de Coimbra fizeram-se nessa época sentir algumas das mudanças que ocorreram na Europa no século XIX. A organização universitária europeia reformou-se, sendo um bom exemplo a criação da Universidade de Berlim pelo alemão Wilhelm von Humboldt, em 1810, onde a investigação científica era vista como complementar da docência. Várias viagens de professores de Coimbra a centros universitários europeus reflectiram-se, ao longo do século XIX, na evolução do ensino em Portugal e também na organização, ainda que débil, de algum trabalho de investigação.Assim, na primeira metade do século XIX, ocorreram na Universidade de Coimbra reformas curriculares da iniciativa do claustro académico, procurando um melhor ajustamento ao desenvolvimento científico na Europa (as de 1836 e 1844 já influenciadas pela Revolução Liberal de 1830). A partir de 1836-1837, com a fundação da Escola Politécnica de Lisboa e da Academia Politécnica do Porto, as duas imbuídas do espírito do liberalismo, a Universidade coimbrã passou a ter concorrência, não tendo sido pacífica a sua relação com as novas escolas. Vozes críticas da velha universidade afirmaram que os métodos do ensino coimbrão assentavam na erudição livresca e nas lições magistrais, transmitindo por isso uma ciência desligada das novas realidades. Coimbra era acusada de ser apenas uma "fábrica" de políticos.Mas já em 1791 o plano de estudos na Faculdade de Filosofia estabelecido pela Reforma Pombalina tinha sido alterado. Foi então criada a cadeira de Botânica e Agricultura no 1.º ano do Curso Filosófico. Para a reger foi nomeado Félix de Avelar Brotero. O novo professor havia estudado no Colégio dos Religiosos Arrábicos de Mafra, tendo posteriormente concorrido ao lugar de capelão da Igreja Patriarcal de Lisboa. Emigrou depois para França na companhia do poeta Filinto Elísio. A sua estada na capital francesa permitiu lhe conviver com os mais eminentes naturalistas da época, como o Conde de Buffon, Cuvier e Lamarck. Doutorou se em Medicina em Reims. Foi depois de regressar a Portugal que entrou na Faculdade de Filosofia, tendo desempenhado papel relevante na reforma do plano de estudos. Brotero foi membro de várias academias científicas internacionais, entre as quais a Sociedade de Horticultura e a Linnean Society, ambas de Londres, as Academias das Ciências de Lisboa, de História Natural e Filomática de Paris, Fisiográfica de Lund, de História Natural de Rostock, e Cesareia de Bona. Entre os seus trabalhos contam-se: Compêndio de Botânica (1788), Flora Lusitanica... (1804). Phytographia Lusitaniae selectior... (1816-1827), e Compêndio de botânica... (1837-1839). Publicou vários artigos nas Transactions of the Linnean Society. Brotero foi talvez o mais proeminente cientista português do século XIX.Entre os brasileiros formados em Coimbra após a Reforma Pombalina o mais famoso foi José Bonifácio de Andrada e Silva, um dos maiores protagonistas no processo da independência do Brasil. Andrada e Silva formou-se em Filosofia Natural e Direito Canónico, em 1787 e em 1788, respectivamente. Iniciou em 1790 uma sucessão de estadas em bons centros científicos da Europa, que durou até 1800. Durante este período visitou os melhores institutos da França, Itália, Alemanha, Dinamarca, Holanda, Suécia, Grã-Bretanha, etc. Na capital francesa teve por mestres de Química os continuadores de Lavoisier – Chaptal e Fourcroy. Estudou Botânica com Jussieu. Foi discípulo de Haüy, o fundador da Mineralogia em França. Os seus conhecimentos em Metalurgia foram aprofundados sob a orientação de Sage, director da Escola de Minas de Paris. Na Escola de Minas de Freiburg foi discípulo de Werner. Nessa mesma escola, foi colega do naturalista Alexander von Humboldt, irmão de Wilhelm. Após dez anos de actividade científica por toda a Europa, regressou a Coimbra, dedicando-se ao ensino da Metalurgia. Paralelamente a essa actividade, foi Intendente Geral de Minas e Metais do Reino. Administrou também as minas de carvão de Buarcos e de S. Pedro da Cova e das Reais Ferrarias da Foz de Alge, um afluente do Zêzere. Foi Director do Laboratório de Docimasia da Casa da Moeda em Lisboa, onde se determinava a proporção de metais nos minérios. Foi ainda da sua responsabilidade a criação de um laboratório de apoio de prospectores mineiros em Portugal e no Brasil.O seu nome, juntamente com o dos químicos suecos Berzelius e Arfwedson, e ainda o do francês Berthollet, está associado à descoberta do lítio. Com efeito, foi a partir dos trabalhos publicados por estes autores que, em 1818, um outro grande químico, Davy, em Inglaterra, aplicou a recente técnica da electrólise para isolar o novo elemento, que ocupa a terceira casa da Tabela Periódica, a que deu o nome de lítio, do grego lithos (pedra). Andrada e Silva anunciou a descoberta de doze novos minerais num artigo do Allgemeines Journal der Chemie (1800) de Leipzig. Entre esses minerais estavam a petalita e o espoduménio, que são aluminossilicatos de lítio. O artigo tinha por título (traduzido para português): Exposição sucinta das características e das propriedades de vários minerais novos da Suécia e da Noruega... A importância deste trabalho justificou a sua publicação, em inglês, no Journal of Natural Phylosophy, Chemistry and the Arts (1801) e, em francês, no Journal de Physique, de Chimie, d’Histoire Naturelle et des Arts (1800). Andrada e Silva foi membro das Academias de Estocolmo, Copenhaga, Turim, da Sociedade dos Investigadores da Natureza de Berlim, das Sociedades de História Natural e Filomática de Paris, da Sociedade Geológica de Londres, Werneriana de Edimburgo, Mineralógica e Lineana de Jena, Filosófica de Filadélfia, etc. Foi ainda membro da Academia Imperial de Medicina do Rio de Janeiro.
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Portugal e a ciência europeia no início do século XIX
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April 4 2010, 11:49am | Comments »
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Galileu e o seu tempo
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Novo post sobre história da ciência recebido de António Mota de Aguiar:Galileu é um personagem central na história da cultura europeia: no campo da Religião e da Filosofia teve um papel peculiar. É ele a figura central do século XVII, pela posição que assumiu, pela oposição que manifestou ao iníquo e degradante sistema inquisitorial da Igreja católica do seu tempo. Como tinha um elevado talento literário, difundiu as suas ideias em língua vulgar – em italiano – tendo tocado um amplo público. A sua posição firme no campo da ciência fez dele o símbolo da afirmação da autonomia da Ciência perante a religião totalitária toda poderosa de então. Galileu foi um autêntico humanista; no tempo em que lhe calhou viver, ciência, filosofia, religião, arte e literatura não eram, como hoje, domínios restritos do saber; naquele tempo a concepção do saber humano era global. Foi, sem dúvida, Galileu que, estabelecendo as bases da ciência moderna, iria começar a introduzir a separação das diferentes disciplinas do saber. Com o decorrer dos tempos, acentuar-se-ia assim a complexidade crescente das investigações, impossibilitando a um só individuo dominar o todo. Galileu foi a figura desta transição, do humanista amador polivalente para o profissional monovalente. Foi ele que provocou a ruptura na unidade do saber, foi ele sobretudo que rompeu a unidade da Ciência e da Fé, proclamando desta maneira a autonomia da Ciência.Pela posição que ele assumiu, a Igreja “tinha” que condenar Galileu. Porém, para o fazer, tinha previamente de condenar o mentor principal da agitação, quem tinha motivado toda aquela sublevação. As ideias de Nicolau Copérnico foram por isso postumamente condenadas em 1616, “todos os livros ensinando a mesma doutrina” do heliocentrismo são interditos e inscritos no Índice dos livros proibidos. Galileu ainda tentou em Roma evitar que“a Igreja faça um disparate ao condenar uma verdade científica cuja autenticidade se imporá de qualquer maneira, mais cedo ou mais tarde,(...)”mas não conseguiu. Tratava-se de uma mudança epistemológica e a Igreja não sabia como homologar esta situação.Para o Cristianismo, o copernicanismo vinha sublevar a crença religiosa. Se, por exemplo, a Terra fosse simplesmente um dos seis planetas, como seriam interpretadas as histórias da Queda e da Salvação? Que fazer com a bondade de Deus se houvesse outros planetas habitados? E se houvesse homens noutros planetas, que relação tinham com Adão e Eva e, sobretudo, que relação tinham com o pecado original?Por fim, em 1633, Galileu foi também condenado. Num processo que chamaria burlesco se não fosse trágico, a Igreja, na sua absurda pretensão de única possuidora da verdade, aplicou ao sábio a prisão domiciliária perpétua. Condenado a viver num isolamento absoluto, Galileu viria a cegar em 1637 e a morrer a 8 de Janeiro de 1642.Durante todo o século XVII, a Igreja tentou dirigir todos os domínios através da religião: ciência, moral, política e cultura.Passados mais de trezentos anos o fantasma de Galileu ainda assedia a Igreja. Ainda em 1992, “numa declaração não despida de ambiguidade” segundo nos diz Georges Minois no seu livro “Galileu”, João Paulo II, diante da Academia Pontifical de Ciências, reconhecia que:(...) a representação geocêntrica do mundo era comumente admitida na cultura do tempo, assim como plenamente concordante com o ensinamento da Bíblia, de que determinadas expressões, tomadas à letra, pareciam constituir afirmações de geocentrismo. O problema que então se punha aos teólogos da época era o da compatibilidade do heliocentrismo e das Escrituras. Assim, a nova ciência, com os seus métodos e a liberdade de investigação que desfrutava, obrigava os teólogos a interrogar-se acerca dos seus próprios critérios de interpretação da Escritura. A maior parte não o soube fazer. Paradoxalmente, Galileu, crente sincero, mostrou-se muito mais perspicaz acerca deste ponto do que os seus adversários teólogos”. Quando parecia que este caso estava terminado após o discurso papal de 1992, Roma reabriu-o Agosto de 2003. Escrevia “El País” em Setembro desse ano:“Caso cerrado? Eso parecía tras el discurso papal de 1992, pero Roma acaba de reabrirlo, con ánimo de rectificación y algunas precisiones que parecen desmentir cualquier espíritu de contrición o arrependimento. Lo ha hecho el arzobispo Angelo Amato, secretario de la poderosa Congregación para la Doctrina de la Fe (ex Santo Ofício de la Inquisición) a lo largo del mes de agosto.”No mesmo artigo lemos que o processo contra Galileu é uma “mentirosa imaginación”:“(...) la Iglesia católica nunca tuvo miedo a la ciencia(...) Si el imputado Galileo renegó de sus descubrimientos y pidió desculpas después de un penoso proceso fue por temor a ir al inferno, no por miedo.”António Mota de Aguiar
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April 3 2010, 8:25am | Comments »
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HISTÓRIA DA LUZ E DAS CORES
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Esta semana colaborei no lançamento na Universidade do Porto do terceiro e último volume deste impressionante trabalho de "scholarship" de Luís Miguel Bernardo que é "História da Luz e das Cores". O autor está de parabéns, tal como a editora da sua Universidade e afinal nós todos por podermos dispor destes três volumes que contam a história da luz desde a Antiguidade até aos nossos dias, combinando bem a lenda, superstição, magia com a história, a ciência e a tecnologia. Voltarei a falar deste livro, que conta a evolução da óptica ao longo do século XX e que sai no ano em que comemoramos os 50 anos do primeiro laser. Voltarei a falar deste livro.
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March 26 2010, 12:20pm | Comments »
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Os cientistas filósofos e os filósofos cientistas
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Informação recebida da Universidade de Évora:Évora's second international symposium on philosophy of scienceles savants philosophes / les philosophes savantsUNIVERSITY OF ÉVORA, 27 APRIL 2010, ROOM 124 – COLÉGIO DO ESPÍRITO SANTOScientific coordination: Hermínio Martins, João Príncipe, Mariana Valente.Program09h30m – Welcome sessionSession I – chairman: Augusto Fitas (Universidade de Évora/ CEHFCi)10h00m – Mariana Valente (Universidade de Évora/ CEHFCi): “Helmholtz et Mach – desinterprètes de science”10h25m – João Príncipe (Universidade de Évora/ CEHFCi): “Analogie chez Poincaré”10h50m – Ricardo Coelho (FCUL/ CEHFCi): “Hertz’s Mechanics as an Image”11h15m – coffee break11h30m – Ending morning Conference:Olivier Darrigol (CNRS): “Le problème de la sous-détermination des théories chez Henri Poincaré”12h15m – Discussion14h00m – Opening afternoon conferenceHerminio Martins (ST. Anthony College, University of Oxford): “Michael Polanyi and the philosophy of science”Session II – chairman: Fátima Nunes (Universidade de Évora/ CEHFCi)15h00m – Maria do Rosário Branco (PhD): “Para uma leitura kantiana das Regulae philosophandi de Newton”15h25m – Leonel Ribeiro dos Santos (Universidade de Lisboa CFUL): “PressupostosEpistémicos e Metafísico – Teológicos da Cosmologia do jovem Kant”16h00m – Luís Morais (PhD): “O objecto real como campo cognitivo em Whitehead”16h25m – coffee Break16h45m – Ending conference:Isabelle Stengers (Universidade Livre de Bruxelas): “Penser avec Whitehead”17h35m – Discussion and final comments by João Príncipe e Mariana Valente.
March 26 2010, 3:32am | Comments »
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O CÉREBRO DE VESALIUS
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Prancha 606 do livro abreviadamente conhecido por "Fabrica" (1943) do belga Andreas Vesalius.
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March 20 2010, 8:57am | Comments »
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UNIVERSO FINITO OU INFINITO: O PARADOXO DE BENTLEY
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Do livro "Mundos Paralelos", do físico Machio Kaku, que a Bizâncio vai reeditar em breve, em edição revista, deixamos aqui este pequeno excerto sobre um grande problema da teoria de Newton:Como os Principia eram um trabalho muito ambicioso, surgiram os primeiros paradoxos intrigantes acerca da construção do Universo. Se o mundo é um palco, qual é o seu tamanho? É infinito ou finito? Esta é uma velha questão; até o filósofo romano Lucrécio se deixou fascinar por ela. «O Universo não é limitado em nenhuma direcção», escreveu.«Se o fosse, teria necessariamente um limite algures. Mas é evidente que uma coisa não pode ter um limite, a menos que haja alguma coisa fora dela que a limite... E o mesmo acontece em todas as dimensões, deste ou daquele lado, para cima ou para baixo, no Universo não há fim.»Mas a teoria de Newton também revelou os paradoxos inerentes a qualquer teoria de um Universo finito ou infinito. As questões mais simples levam a um pântano de contradições. Mesmo quando Newton desfrutava de fama devida à publicação dos Principia, descobriu que a sua teoria da gravitação estava irremediavelmente crivada de paradoxos. Em 1692, um clérigo, o Reverendo Richard Bentley escreveu a Newton uma carta muito simples, mas um tanto incómoda. Uma vez que a gravidade era sempre atractiva e nunca repulsiva, escrevia Bentley, isto significava que qualquer conjunto de estrelas entraria naturalmente em colapso sobre si próprio. Se o Universo era finito, então o céu nocturno, em vez de ser eterno e estático, seria cenário de uma incrível mortandade, quando as estrelas colidissem umas com as outras e coalescessem numa superestrela incandescente. Mas Bentley também sublinhou que, se o Universo fosse infinito, então a força exercida em qualquer objecto para o mover para a direita ou para a esquerda, também seria infinita e, por conseguinte, as estrelas seriam feitas em pedaços, em cataclismos de fogo.À primeira vista, parecia que Bentley tinha derrotado Newton. Ou o Universo era finito (e entrava em colapso numa bola de fogo) ou era infinito (e, nesse caso, todas as estrelas seriam apagadas). Ambas as possibilidades eram desastrosas para a nova teoria proposta por Newton.Este problema, pela primeira vez na história, revelava os paradoxos subtis mas inerentes a qualquer teoria da gravidade, quando aplicada a todo o Universo. Depois de muito pensar, Newton respondeu que tinha encontrado uma falha no argumento. Preferia um Universo infinito, mas totalmente uniforme. Assim, se uma estrela é arrastada para a direita por um número infinito de estrelas, este impulso é completamente anulado por um impulso igual de outra sequência infinita de estrelas noutra direcção.Todas as forças se equilibram em todas as direcções, o que cria um Universo estático. Assim, se a gravidade é sempre atractiva, a única solução do paradoxo de Bentley é um Universo uniforme e infinito.Newton tinha, de facto, encontrado uma falha no argumento de Bentley. Mas Newton era suficientemente inteligente para perceber os pontos fracos da sua própria resposta. Admitiu numa carta que a sua solução, embora tecnicamente correcta, era intrinsecamente instável.O Universo uniforme mas infinito de Newton era como um castelo de cartas: aparentemente estável, mas sujeito a desabar à mais leve perturbação. Era possível calcular que o mais pequeno movimento numa única estrela desencadearia uma reacção em cadeia e os aglomerados de estrelas começariam imediatamente a entrar em colapso. A resposta de Newton era frágil porque apelava a um «poder divino» que impedisse que o seu castelo de cartas desabasse. «É preciso um milagre contínuo para impedir que o Sol e as estrelas fixas se precipitem em conjunto por causa da gravidade», escreveu.Para Newton o Universo era como um relógio gigantesco a que Deus deu corda no início do tempo, que tem trabalhado desde sempre, de acordo com as suas três leis do movimento, sem interferência divina. Mas, por vezes, até o próprio Deus tem de intervir e sacudir um pouco o Universo, para que ele não entre em colapso. (Por outras palavras, Deus ocasionalmente tem de intervir para impedir que os cenários do palco da vida colapsem sobre os actores.)Michio Kaku
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March 8 2010, 4:11am | Comments »
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Filipe de Sousa Folque (1800-1874)
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Post do historiador de ciência António Mota de Aguiar sobre o astrónomo e engenheiro Filipe Folque, cuja vida e obra está contemplada numa exposição no Museu da Ciência da Universidade de Lisboa:Nem julgue Vossa Excelencia que por um astronomo contemplar mais o cêo que a terra lhe deixa esta de merecer muitos cuidados e séria attenção… (Filipe Folque)A historiografia da astronomia portuguesa tem como figuras principais para os primeiros 50 anos do século XIX, dois importantes homens, que embora não sendo certamente os únicos, marcam indelevelmente estes anos da astronomia portuguesa. São eles Filipe de Sousa Folque e César Augusto de Campos Rodrigues. A primeira figura que se nos apresenta é Filipe Folque, nascido em Portalegre, em 1801, filho de um homem ilustre do seu tempo, também cientista, Pedro Folque, um espanhol refugiado ainda jovem em Portugal por razões religiosas, astrónomo a bordo da Marinha de Guerra portuguesa e, mais tarde, engenheiro geodésico do reino. Filipe Folque seguiu os passos do pai nos estudos científicos. Fez os seus primeiros estudos na Congregação dos Oratorianos, no Hospício das Necessidades. Cursou os estudos superiores na Academia da Marinha e terminou-os na Universidade de Coimbra, onde se doutorou em Matemática. Durante algum tempo leccionou Matemática na Universidade de Coimbra de onde foi demitido por razões políticas, tendo vivido alguns anos com dificuldades financeiras (tinha mulher e dois filhos), dando classes privadas até 1833, altura em que o regime liberal se implantou em Portugal e Filipe Folque foi nomeado professor de Matemática em 1837 na Real Academia da Marinha.A Escola Politécnica foi criada pelo decreto de 11 de Fevereiro de 1837. No artº 74 deste decreto lia-se: “o Observatório Real da Marinha ficará anexo á Escola Polytechnica (...).” Filipe Folque foi neste estabelecimento de ensino nomeado professor de Astronomia e Geodesia, a 4ª cadeira das onze leccionadas na Escola Politécnica (onze, contando a cadeira não curricular de Navegação). As actas das reuniões do Conselho da Escola descrevem vários problemas na contratação de professores, especialmente nas áreas de Química e Filosofia, por não os haver com as habilitações requeridas para o exercício da actividade docente. Todavia, o provimento do docente da 4ª cadeira não encontrou nenhum obstáculo. Folque foi aceite sem nenhuma oposição, a sua docência já vinha aliás da Academia da Marinha.Folque foi um eminente cientista na área da geodesia, tendo publicado vários trabalhos, com realce para a “Carta Geodésica” do reino, publicada em 1867, a “Carta Corográfica” do país, minucioso trabalho de todos os acidentes geográficos do território nacional, os “Planos Hidrográficos” dos principais portos e barras do reino e a “Carta Geográfica” das costas de Portugal. Homem viajado, fez parte por duas vezes da comitiva que acompanhou os reis D. Pedro V e D. Luís I, nas viagens de instrução pela Europa dos dois, na altura, ainda príncipes, tendo tido a oportunidade de visitar os principais observatórios astronómicos da Europa; além destas viagens como, diríamos hoje, conselheiro científico do Rei, coube-lhe também a tarefa de preceptor dos dois príncipes.Em 12 de Dezembro de 1875, um ano após a sua morte, ocorrida em 24 de Novembro de 1874, o lente de Astronomia da Escola Politécnica, José Maria da Ponte Horta, lia na sessão pública da Real Academia das Ciências o seu elogio histórico, enumerando os “sucessos humanos” que em vida o cientista tinha obtido:“Filipe Folque, general de divisão; doutor em mathematica; gran-cruz da ordem de S.Thiago da Espada; commendador da ordem de Nossa Senhora da Conceição de Villa Viçosa, de Aviz, e de diversas ordens estrangeiras; par do reino; director geral dos trabalhos geodesicos, hydrographicos, chorographicos e geologicos; organisador e chefe do observatorio astronomico da Ajuda; lente jubilado da Escola Polythecnica de Lisboa; socio effectivo d’esta Real Academia (...).” Folque foi também um grande astrónomo; não foi um homem inclinado para a investigação astronómica de ponta, que se fazia na Europa, nem tão pouco um seguidor da astronomia de posição, no sentido que tenha deixado observações dos astros e que as mesmas, como veremos mais adiante, tenham sido transferidas para grandes centros internacionais de observação astronómica. Filipe Folque não foi o observador astronómico atento, como foi Campos Rodrigues, foi sim um eminente professor de Astronomia, na Academia da Marinha e na Escola Politécnica, tendo nesta última elaborado o curso de Astronomia, escrito pela sua própria mão. Segundo Horta:“Se o talento do dr. Filippe Folque não foi inventivo, foi por ventura mais util no sentido social, por que foi pratico e assimilador,” e “cujos attributos principaes são o methodo, a lucidez, o rigor (…)” Folque foi também um importante cientista geodésico do reino, a quem o Portugal de hoje deve as primeiras importantes medições do país: a forma, a natureza, a posição, e as dimensões de Portugal, tendo aplicado em astronomia a mesma lucidez e rigor que utilizou em geodesia. Devemos, por isso, destacar o seu empenho como professor da Academia da Marinha e da Escola Politécnica, a luta travada na dignificação do Observatório da Marinha, do qual se tornou o director por decreto de 24 de Dezembro de 1855 e, anos mais tarde, principal mentor da construção do Observatório da Ajuda.Folque foi um intelectual honesto e competente, zeloso cumpridor das suas tarefas profissionais. Foi também um divulgador da ciência, sobretudo da astronomia, tendo lutado para a criação de um observatório astronómico em Portugal; foi por isso, como dissemos, um mentor importante da criação, na Tapada da Ajuda, do Observatório Astronómico de Lisboa. Foi um atento divulgador e dinamizador da Astronomia em Portugal, e não tem comparação no terceiro quartel do século XIX com nenhum outro astrónomo, exceptuando Campos Rodrigues.Pelo esforço que empenhou na recuperação do Observatório da Marinha e na criação do Observatório da Tapada da Ajuda, pelos conhecimentos que colocou como professor ao serviço da astronomia, vemo-lo como o grande impulsionador da astronomia em Portugal neste quarto de século XIX.Em 1866, escrevia:“Depois de tudo quanto acabâmos de referir, parece impossível que Lisboa, a capital dos descobridores do oriente, continuasse a ter por observatório astronómico em 1856 o mesmo observatorio real da marinha, no estado de abatimento em que ficou no anno de 1809, em que os seus instrumentos e biblioteca, tudo foi conduzido para o Rio de Janeiro.” E, fazendo o ponto da situação dos estudos astronómicos em Portugal, escrevia:“Emquanto que em Portugal, por imperdoavel incuria do governo, o estudo das praticas superiores da astronomia continuava em completo esquecimento, pelo contrario em todos os mais estados da Europa progredia com enthusiasmo o gosto pelo estudo pratico desta sciencia: os instrumentos aperfeiçoavam-se, novas maravilhas se manifestam; a sciencia astronomica sempre exigente, porque mira a perfeição, inspira na alta mecanica (...), a adquirir a quasi ideal exactidão mathematica, medindo a pequenissima grandeza de um segundo, e até das fracções de segundo! (...) os astronomos não contentes de haverem conhecido os fundamentos do systema do mundo, pretendem agora investigar quaes sejam os do universo inteiro; tentam medir a distancia da Terra ás estrellas, precisam conhecer os seus effeitos parallaticos;” Folque encaminha aqui o seu pensamento para a observação do “muito pequeno,” que iria chegar em breve. Ele sabe que se pode estudar o “mundo,” o que aqui só pode significar o sistema solar, por oposição ao “universo inteiro,” o todo. Bateu-se pela “ideia inicial da fundação d’um observatório astronómico em Lisboa, dotado de edificio especial; instrumentos apropriados; de observadores nacionaes, e instruídos, para que também com os seus recursos Portugal podesse concorrer com os institutos, congéneres estrangeiros na resolução dos grandes problemas do estudo do céu.” É por isso a ele que ficámos a dever em grande parte o Observatório da Tapada da Ajuda.No seu curso de Astronomia para a Escola Politécnica, escrito em 1840, Folque chama a atenção do utilizador do mesmo para o seguinte:“Este trabalho que sahe hoje lithographado, não pode ser tido como um Curso d’Astronomia de minha composição: he uma compilação das obras de Herschel, Delambre, Puissant, e mais que tudo de Biot: será talvez um resumo deste ultimo,” (...) “não duvido dos seus deffeitos, porque he emprehendido por um Professor, que tem tido ao mesmo tempo muitos outros deveres a desempenhar; o meu fim porem he principalmente proporcionar os meios de estudo, e diminuir o trabalho a meus descipulos.” De facto, Folque, teve ao longo da sua vida múltiplas actividades profissionais, como a de recuperar o Observatório da Marinha, dar aulas de astronomia e geodesia, levar a cabo o seu trabalho de geodésico em várias partes do país, além de ter escrito nas décadas de 40 e 50 várias Memórias na Academia das Ciências sobre trabalhos geodésicos executados em Portugal, e além ainda de ter sido preceptor dos infantes D. Pedro e D. Luís; todo este trabalho revela os muitos afazeres que tinha, sendo por isso louváveis as preocupações didácticas do divulgador de astronomia, ao compor este curso.António Mota de Aguiar
February 27 2010, 12:33pm | Comments »
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Relógios Públicos em Lisboa
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Informação recebida pelo De Rerum Natura:Palestra de Fernando Correia de OliveiraRelógios Públicos em LisboaData: 25 de Fevereiro de 2010 – 18h00Local: Espaço Sustentabilidade da EDP (Marquês de Pombal)Não perca esta oportunidade, inscreva-se já e traga familiares e/ou amigos.Resumo:O Tempo é uma realidade impalpável mas preciosa e quem detém o poder querapossar-se do Tempo. A relação entre o Tempo e os poderes vários – Religioso, Político, Económico, Científico, Social – é analisada ao longo da História, especialmente quanto ao que setem passado em Lisboa. Desde o primeiro de que há notícia na cidade – o relógio da Sé – passando pelos vários relógios do Paço, ao relógio da Horas Legal, os marcadores de tempo públicos e colectivos, tradutores de centros de poder variados e das várias formas como a cidadefoi vivendo o Tempo.Sobre o autor:Fernando Correia de Oliveira (Lisboa, 1954) é um jornalista e pesquisador do fenómeno doTempo, do fabrico de relógios e da Evolução Mental. Cursou Direito, na Universidade de Lisboa.Jornalista desde 1974, esteve 20 anos com a Agência de Notícias Portuguesa. Fundador da RFM, RGT e depois a TSF. Primeiro português correspondente em Pequim (1988-90). Dez anos com o PÚBLICO, jornal diário de referência português (1993-2002). Especializado em Política Internacional e da Ásia (China, Japão, Coreia). Inúmeras distinções, destancando-se o Prémio Bernard Cabanès e o Prémio NP de Jornalismo. Participações como orador em vários colóquios, como na Academia das Ciências de Lisboa. Tem numerosos livros editados sobre o tempo. Ver mais aqui.
February 15 2010, 4:36am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Filipe Folque: o percurso de um homem de ciência
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Informação recebida do Centro InterUniversitário de História das Ciências e da Tecnologia de Lisboa:No contexto da exposição "Medir os Céus para dominar a Terra: a Astronomia na Escola Politécnica de Lisboa, 1837-1911", realiza-se amanhã, quinta-feira, dia 11 de Fevereiro, no Museu de Ciência da Universidade de Lisboa, a conferência:“Filipe Folque: o percurso de um homem de ciência no Portugal oitocentista”Vanda Leitão, Centro InterUniversitário de História das Ciências e da TecnologiaContamos com a sua presença no auditório Manuel Valadares, pelas 18.00 horas. A entrada é livre.A conferência é antecedida por uma visita guiada à Exposição, que se inicia às 17.00h.
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February 10 2010, 10:03am | Comments »
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OBRA DE GALILEU TRADUZIDA EM PORTUGAL
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Informação recebida da organização do Ano Internacional da Astronomia:Dia 17 de Março às 18 horas, na GulbenkianPRIMEIRA OBRA DE GALILEU TRADUZIDA EM PORTUGAL SERÁ LANÇADA 400 ANOS DEPOIS DA SUA PUBLICAÇÃOÉ uma das obras mais importantes da história do pensamento ocidental: "Sidereus Nuncius. O Mensageiro das Estrelas", publicado em Março de 1610, é o primeiro livro de Galileu Galilei a ser traduzido integralmente em Portugal e vai ser lançado na sessão de encerramento do Ano Internacional da Astronomia. "Galileu escreveu para causar sensação", admite o investigador e tradutor, Henrique Leitão.Quando foi lançada em Março de 1610, "Sidereus Nuncius" mudou a forma de vermos o mundo. Agora, 400 anos depois da sua publicação, "Sidereus Nuncius. O Mensageiro das Estrelas", com tradução e anotações de Henrique Leitão, é a primeira obra de Galileu Galilei a ser traduzida integralmente em Portugal. O lançamento terá lugar no dia 17 de Março às 18 horas, na Fundação Gulbenkian, por ocasião da sessão de encerramento do Ano Internacional da Astronomia."É um livro único na história da ciência e uma das obras mais importantes em toda a história do pensamento ocidental. Nunca na história da ciência uma obra provocou tanta comoção e deu origem a debates tão acesos como este", avança o investigador e tradutor, Henrique Leitão."O título, 'Mensageiro das Estrelas' (ou 'Mensagem das Estrelas', porque o latim permite as duas formas) tem o sentido de "Gazeta das Estrelas" ou "Mercúrio das Estrelas", isto é, tem uma clara conotação jornalística: relatar, em tom vivo e rápido acontecimentos e observações sensacionais", explica Henrique Leitão. Segundo o investigador do Centro de História das Ciências da Universidade de Lisboa, Galileu refere-se muitas vezes ao livro como um 'Aviso Astronómico', exactamente com o mesmo sentido. "Ou seja, Galileu escreveu para causar sensação", reconhece.Para o comissário para o Ano Internacional em Portugal, João Fernandes, "O Mensageiro das Estrelas" é "um marco na astronomia e na ciência". No livro, Galileu revela e discute as primeiras observações astronómicas alguma vez feitas com o auxílio de um telescópio. Entre a Lua, as estrelas e as luas de Júpiter, "O Mensageiro das Estrelas" é "um verdadeiro livro exemplo da Ciência Moderna", sublinha João Fernandes.Por esse motivo, o Ano Internacional da Astronomia em Portugal escolheu despedir-se na Gulbenkian, a 17 de Março, com o lançamento do livro de Galileu Galilei. Mas não só. Para o mesmo dia está ainda prevista, entre outras iniciativas, a abertura da exposição "A Astronomia no Portugal de Hoje".E a quem se dirige este "Mensageiro das Estrelas", publicado pela Fundação Gulbenkian? "É dirigido para um público geral, mas instruído. Isto é, dirige-se exactamente ao mesmo tipo de pessoas a que Galileu tentou chegar quando publicou o seu livro em 1610", refere Henrique Leitão.Com nota de abertura do investigador belga Sven Dupré, um dos maiores especialistas mundiais no telescópio de Galileu, o livro integra um estudo e a tradução de Henrique Leitão, uma cronologia e ainda um facsimile integral da edição original do "Sidereus Nuncius", de 1610."É a primeira vez que se traduz esta obra em Portugal. Mas há uma tradução portuguesa feita há anos no Brasil. Aliás, é a primeira vez que se traduz integralmente uma obra de Galileu no nosso país. Antes desta só se haviam traduzido excertos de algumas obras", nota Henrique Leitão.Investigador e professor na Universidade de Lisboa, Henrique Leitão é coordenador da comissão científica responsável pela publicação das "Obras de Pedro Nunes", pela Academia das Ciências de Lisboa e pela Fundação Calouste Gulbenkian. Colabora regularmente com a Biblioteca Nacional de Portugal, onde já comissariou quatro exposições e onde dirige o projecto de catalogação dos manuscritos científico. Henrique Leitão é membro de várias sociedades científicas portuguesas e estrangeiras, entre as quais a Academia das Ciências de Lisboa, a Academia de Marinha, a Académie Internationale d’Histoire des Sciences, a European Society for the History of Science (membro do «Scientific Board») e a History of Science Society.O Ano Internacional de Astronomia (www.astronomia2009.org) é organizado em Portugal pela Sociedade Portuguesa de Astronomia, com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), da Fundação Calouste Gulbenkian, do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, da Agência Ciência Viva e da European Astronomical Society (EAS).
February 9 2010, 9:30am | Comments »







