Informação recebida do Centro Interuniversitário deHistória das Ciências e da Tecnologia (CIUHCT), Lisboa:29 de Maio de 1919 – Eddington e Einstein em PortugalComemoração dos 90 anos da Expedição de Eddington à Ilha do Príncipe Edifício Central do Observatório Astronómico de Lisboa28 de Maio de 2009 | Quinta-feira | Entrada Livre14h30 – AberturaPaulo Crawford, Coordenador do CAAUL e Subdirector do OAL14h40 – À sombra de um gigante: o Observatório da Tapada nos primeiros anos da RepúblicaPedro Raposo, Universidade de Oxford e CIUHCT15h20 – Eddington e Einstein: uma teoria física com consequências astronómicasPaulo Crawford, Universidade de Lisboa e CAA16h00 – A Recepção da Teoria da Relatividade em PortugalAugusto Fitas, Universidade de Évora e CEHFCi16h40 – Encontro com Einstein: Astrónomos ao serviço do impérioAna Simões, Universidade de Lisboa e CIUHCT17h20 – Visita guiada ao Grande Equatorial – o maior telescópio do OAL17h45 – Mostra de documentos associados à Expedição ao PríncipeHalima Naimova, OAL e CIUHCTOrganização:Centro Interuniversitário de História das Ciências e da Tecnologia (CIUHCT),Centro de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Lisboa (CAAUL) eObservatório Astronómico de Lisboa (OAL)
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EDDINGTON E EINSTEIN EM PORTUGAL
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May 18 2009, 5:27am | Comments »
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A LUA ENTRE A CIÊNCIA E A LITERATURA
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Minha crónica na última "Gazeta de Física" (na imagem a primeira subida tripulada a bordo de um balão, protagonizada em 1783 por Pilâtre de Rozier e pelo Marquês de Deslambres):O que têm em comum Johannes Kepler e Edgar Allan Poe? Pois ambos são motivos de centenários neste ano de 2009: passam 400 anos da publicação da Astronomia Nova, o livro que contém as duas primeiras leis do astrónomo alemão, e passam 200 anos do nascimento do poeta e contista norte-americano. Mas os paralelos não se esgotam aí: Kepler foi o autor da primeira obra de ficção científica, Somnium (Sonho), publicado postumamente em 1634, na qual descreve uma viagem da Terra à Lua, ao passo que Poe retomou o mesmo tema no conto A aventura sem paralelo de um tal Hans Pfaall, saído em 1835, que narra uma subida à Lua a bordo de um balão.Entre as duas efemérides, há precisamente 300 anos, situa-se uma outra: a da primeira ascensão em balão de ar quente, ainda que num protótipo não tripulado. A demonstração feita pelo padre luso-brasileiro Bartolomeu de Gusmão no paço de el-rei D. João V a 8 de Agosto de 1709 é um dos muito raros eventos em que o engenho luso aparece na história da tecnologia. Se Poe relata no século XIX uma arrojada subida em balão foi porque muitos aventureiros tinham antes efectuado demonstrações tripuladas. A primeira ascensão humana em balão, que se deve aos irmãos franceses Montgolfier, só foi efectuada 74 anos após o ensaio de Gusmão e há até quem especule sobre a possibilidade de ter havido transferência tecnológica através de Alexandre de Gusmão, irmão do inventor da Passarola, que andou por Paris. A bordo iam Pilâtre de Rosier, o professor de Física e Química que se haveria de tornar a primeira vítima mortal de um desastre aéreo quando anos depois tentava atravessar o canal da Mancha, e o Marquês de Deslambre.Também em Portugal se realizaram em finais do século XVIII e inícios do século XIX algumas admiráveis proezas de balonismo. O destemido balonista italiano Vincenzo Lunardi, que tinha sido o primeiro a subir aos céus na Inglaterra (levando a bordo um gato, um cão, uma pomba e uma garrafa de vinho!) fez uma exibição no Terreiro do Paço, em Lisboa, que levou o poeta Manuel Maria Bocage a escrever o Elogio poético à admirável intrepidez, com que em domingo 24 de Agosto de 1794 subiu o capitão Lunardi no balão aerostático. Bastam dois versos para se ver o estilo gradiloquente: Guardai da glória no imortal tesouro / O nome de Lunardi em letras de ouro. Lunardi, agradado pela cidade, acabou por se fixar em Lisboa e falecer aí.Em 1819 era a vez do professor de física belga (e lanternista mágico) Étienne-Gaspard Robertson e do seu filho Eugène efectuarem novos espectáculos de subida em balão em Lisboa, que incluiu o primeiro salto de pára-quedas feito em solo português. O pai já tinha realizado vários voos, um dos quais em Copenhaga que muito impressionou o então jovem físico Hans Christian Oersted a ponto de o levar a escrever poemas sobre o voo. Mas, desta vez, o poeta de serviço era um rival de Bocage, José Daniel Rodrigues da Costa, o Josino Leiriense da Arcádia Lusitana, que escreveu no mesmo ano do espectáculo O balão aos habitantes da Lua: uma epopeia portuguesa. Tenho em mãos uma reedição ilustrada, de apenas cem exemplares, datada de 2006 (do prelo da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, com introdução de Maria Luísa Malato Borralho; em 1978, já tinha saído nas Edições 70 uma edição com prefácio do poeta Alberto Pimenta). E leio uma engraçada sátira social, com a forma roubada a Os Lusíadas. O argumento é científico: Matemáticos pontos combinando,/ Tendo por base a grande Astronomia,/ Um Génio, que não tem nada de brando, / Projecta ir ver o Sol, fonte do dia: / Em pejado Balão vai farejando,/ Subindo mais e mais como devia;/ Divisa a Lua, mete-se por ela, / Pasma de imensas cousas que viu nela. Mas, partindo da ciência, a literatura voa livre. A Lua, nesta utopia portuguesa, está povoada pelos Lulanos, nome parecido com Lusitanos. Mas, como numa utopia à la More tudo deve ir ao contrário, eis que nessa Lua habitada, ao contrário de Portugal, a justiça funciona: Aqui não há ladrões! Se um aparece. / É logo e sem demora castigado; /Tenha empenhos ou não, ele padece,/ Sofrendo o que na Lei lhe é destinado.Há que fazer justiça a Bocage e a Rodrigues da Costa, por cruzarem a ciência, ou melhor, a tecnologia, com a arte. Se eles não têm a notoriedade de Kepler e de Poe deviam ter, pelo menos, uma maior notoriedade no vasto espaço de língua portuguesa.
May 16 2009, 6:04am | Comments »
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Poesia nos céus de Lisboa
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Eis os poemas que foram espalhados nos céus de Lisboa quando, em 1819, Robertson filho realizou o seu espectáculo de ascensão aeronáutica. A transcrição é da "Gazeta de Lisboa" (com os renovados agradecimentos a João Boaventura) e conservou-se a grafia original. O autor é anónimo.SonetoVendo que além das Nuvens me remonto,Talvez julgueis que busco o Paraizo.Não; na bella Ulysséa eu o devizo,Pois são quaes d’E’den seus jardins sem conto.Que Formosas Deidades deste pontoVejo soltando pudibundo rizo!Noto Illustres Varões, de grave sizo…Tudo me anima, subo aos ares pronto.Se, a estrada errando, não voltar ao Tejo,Não lamenteis, Senhores, minha sorte;Que ao Brazil no Balão meus voos rejo;E ante o Monarca Luso, e a Regia CorteExpondo o vosso amor, vosso desejo,Ao Novo Mundo causarei transporte.QuartetosNão imagineis, Senhores, Que eu, subindo aos soltos ares, Vá buscar regiões melhoresQue a de Lysia além dos mares Pois alli Elysio vejo,Mais não posso cubicar Só quero imminente ao TejoTão lindo quadro observar.Décimas1.ªParecia que vedaraPara sempre a NaturezaAo home’ a arriscada emprezaDe subir da Terra cara:Té que o talento deparaCom tão pasmosa invenção;Montgolfier forma hum Balão…Sujeita o Ar aos humanos…Ah ! que milhares de ArcanosOs tempos descobriráõ !2.ªQual Lunardi aos Lusos deoEspectaculo brilhanteSubindo aos ares ovante,Igual empenho é o meu.Não vou, não qual Prometheo,Ao So o raio roubar;Sómente quero observarEsta sublime atmosfera,Onde a influencia se geraDe hum Clima tão singular.Versos anacreônticosNas margens do NevaA’s nuvens subi;Mas quadro tão lindoComo este não vi.Voei do Danúbio Aos ares ousado;Mas lá não fiqueiComo hoje encantado. Por vezes do SenaM’ergui á atmosfera;Mas ah ! quanto o ClimaDe Lysia a supera !Do Tejo quem chegaO Clima a gozar,Melhor sobre a TerraNão póde encontrar.Adeus, Povo Illustre;A vós tornarei:Benigno os meus votosFieis acolhei.
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May 16 2009, 5:04am | Comments »
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O VOO DE ROBERTSON FILHO NA GAZETA DE LISBOA
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Com renovados agradecimentos ao nosso leitor João Boaventura publico aqui o relato que a Gazeta de Lisboa fez da subida em balão de Robertson filho nos céus de Lisboa em 14 de Março de 1819. Foi a segunda viagem em balão tripulada em terra portuguesa. O mesmo balonista haveria de realizar pouco depois a primeira descida em paraquedas realizada em Portugal. A grafia foi actualizada, incluindo mudanças de maiúsculas e pontuação, mas conservou-se o "sabor" do texto antigo. Na imagem, o balão "Minerva", concebido por Robertson pai em 1804, mas nunca construído (Robertson, E.G., La Minerve. Paris: S.V. Degen, 1804)."Lisboa, 21.03.1819 - Havia 24 para 25 anos (desde 24 de Agosto de 1794) que esta capital não gozava do magnífico espectáculo de uma viagem aerostática, que é sem dúvida um dos mais maravilhosos efeitos dos progressos das ciências nos últimos tempos, quando no dia 14 do corrente Março se viu renovado este esplêndido divertimento de um modo o mais brilhante que neste género se tem visto.Tendo há tempos Mr. Robertson, bem conhecido na Europa por seus conhecimentos práticos de Física experimental, chegado de França com seu filho, mancebo de coisa de 20 anos, a esta capital, e tendo pedido e alcançado licença para fazer uma ascensão aerostática, aumentando com esta o número de muitas que tem feito em diversos países, designou executá-la a 28 de Fevereiro; mas não o permitindo o tempo chuvoso, ficou transferida para o dia de domingo 14 de Março, o qual amanheceu com todo o brilho que neste delicioso clima se goza em tempo de estio, e particularmente na Primavera.Era o sitio destinado para esta operação a formosa Quinta da Excelentíssima Condessa de Anadia, a S. João dos Bem Casados, que S. Exa. generosamente se dignou prestar a Mr. Robertson para este fim, e cuja situação elevada oferecia um excelente ponto para a partida do aeronauta, desfrutando-se esta ao mesmo tempo de diversos lugares eminentes. Em uma área espaçosa desta Quinta se tinham destinado lugares de primeira e segunda ordem para um avultado número de subscritores que desejavam presencear de perto à operação de encher a máquina, para cujo fim estabeleceu no centro o hábil físico um aparelho pneumato-químico formado de 14 tonéis, de 8 dos quais só precisou extrair o gás, começando a trabalhar das nove e meia para as dez horas da manhã. Por volta da uma hora encheu o dito Professor um globozinho, que tinha as armas reais, e o levou à Excelentíssima Condessa de Anadia para S. Exa. se dignar de o soltar, e elevando-se ao ar, tomou a direcção do Noroeste, o que deu a conhecer aos espectadores qual deveria ser o rumo que seguiria o aeronauta, cujo balão grande, de 21 pés de diâmetro, já então estava cheio e pronto a partir. Para entreter porém mais os espectadores até à partida do seu balão, lançou Mr. Robertson mais alguns pequenos aeróstatos, tendo o último o feitio de um avultado peixe. Tocavam de vez em quando os músicos da Guarda real da Polícia, que se achavam no recinto, lindas sonatas, que animavam mais o vivo interesse que se divisava naquela conspícua assembleia.Esperava o público que seria Mr. Robertson, pai, o que subiria aos ares, e tal fora sempre a geral expectação, quando seu filho, o mancebo Robertson, desejando segui-lo nesta carreira, testemunha da maior parte das ascensões aéreas de seu pai, e tendo já subido com ele aos ares em Viena, instou lhe concedesse datar deste dia, e em tão brilhante ajuntamento a época da sua primeira ascensão aerostática em que fosse ele só. Tendo o pai anuído aos seus rogos, e certo de que se achava capaz de bem desempenhar esta arriscada empresa, entrou na barquinha o mancebo Robertson pelas duas horas e um quarto, e elevando-se um pouco a máquina, ainda preza por algumas guias, girou em torno da assembleia que ocupava o recinto, espalhando por cima dos espectadores vários papéis de versos análogos ao espectáculo. Baixou depois disto, e marcando os grãos do termómetro e do barómetro que levava, e as horas do seu relógio, se elevou pelas duas horas e três quartos, e na altura de coisa de 15 braças, lançando abaixo a bandeira, e descobrindo-se, bradou três vezes Viva El Rei, ao que respondeu o imenso concurso dos circunstantes. Foi-se o globo entre vivas e aplausos elevando majestosamente com grande serenidade, e quase perpendicularmente por grande espaço, indo entretanto o aeronauta deitando, até já ir em grande altura, mãos cheias de papéis de várias poesias impressas para esse fim.Um quarto de hora depois da partida, vendo o aeronauta debaixo de seus pés uma bela povoação (que era Benfica), abriu a válvula do balão para descer, e falando, apartado do chão a altura das casas, com o povo que ali se apinhara, espalhou alguns papéis, e aliviando de algum lastro a barquinha, bradando Viva El Rei, tornou a elevar-se a maior altura, calculada em três quartos de légua nesta segunda subida, na qual, muito mais alta que a primeira, deu o jovem físico grande prova de sua intrepidez e talento.Vendo-se já quase iminente ao mar, abriu de novo o registo do balão para subir o gás, e foi descendo contrariado pelo vento, chegando a terra pelas 4 horas e meia, num campo lavrado perto do sitio de Galamares (meia légua ao poente de Sintra), onde lhe prestou o mais oportuno auxílio para subjugar o balão o R.P. Fr. Carlos da Conceição, dos Capuchinhos da Serra. Os habitantes do campo correram também a qual mais desvelado o havia de ajudar, e foi conduzido o intrépido aeronauta como em triunfo a Sintra entre clamores de júbilo, e não se farta de expressar quanto o seu coração se acha penhorado pelo obséquio que ali de todos recebeu.Se quiséssemos pintar com expressões o lindo quadro do brilhante espectáculo deste dia, ou elas nos faltarão, ou quando pudéssemos vencer esta dificuldade, seria julgada hiperbólica a sua descrição pelos que o não viram, e inútil pelos que o gozaram, pois sempre a sua vista lhes deixara muito mais viva impressão. Figurem-se pois os que não presenciaram este espectáculo, o mais formoso dia, e o mais sereno, uma reunião de não menos de 50% habitantes desta capital em todos os sítios próximos ao do lugar da ascensão, e neste lugar a maior parte da fidalguia, alguns dos Excelentíssimos membros do governo, o excelentíssimo Marechal General, e outros Generais do Exército, enfim, um sem número de pessoas nacionais e estrangeiras de diversas hierarquias, brilhando com o maior gosto, riqueza, e primor os enfeites e adornos da mais luzida assembleia que se hajam talvez jamais visto do belo sexo; e sobre tudo dito, a belíssima ordem e sucesso que houve, as acertadas medidas tomadas pela Polícia, cuja Real Guarda ali se postou, e nos lugares mais convenientes, para a expedição do inumerável concurso das carruagens, que cobriam as estradas daqueles contornos; e assim se terá uma ideia aproximada, mas muito débil, da grata sensação que deixou nos ânimos dos que viram este lindíssimo espectáculo. Só uma circunstância a podia fazer mais completa nos corações portugueses; o leitor a conhecerá no fim do penúltimo verso do seguinte soneto, que, como os outros versos que o aeronauta espalhou, passamos a transcrever por satisfazermos a vontade do público que os deseja ler.(...) [poemas num "post" a publicar].(Em casa de Mr. Robertson se há de achar brevemente impressa a Relação desta Viagem, com os cálculos que por esta ocasião se fizeram)."(Gazeta de Lisboa n.º 69, 22.03.1819).
May 14 2009, 5:49pm | Comments »
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COMO CAMÕES E PEREIRA DA SILVA ESCREVERAM PORTUGAL NAS ESTRELAS
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Informação recebida do Museu de Ciência da Universidade de Coimbra:Canto V, Estância 14 d'Os Lusíadas:Já descuberto tínhamos diante,Lá no novo Hemisperio, nova estrela,Não vista de outra gente, que, ignorante,Alguns tempos esteve incerta dela.Vimos a parte menos rutilanteE, por falta de estrelas, menos bela,Do Pólo fixo, onde inda não se sabeQue outra terra comece ou mar acabe.O poeta d'Os Lusíadas atribuiu aos portugueses a descoberta de uma nova constelação. Historiadores internacionais desmentiram. Mas Luciano Pereira da Silva, um estudioso de Camões, tratou de inscrever o nome dos portugueses nas estrelas. Será que demos novos céus ao mundo?É uma polémica de estrelas: além de novas terras, os portugueses terão também descoberto novos céus, mas o feito continua sem reunir consensos. Camões atribuiu a identificação da constelação Cruzeiro do Sul, que figura em bandeiras de países como o Brasil e a Austrália, aos marinheiros lusos, mas essa descoberta foi desmentida pelos historiadores. A 21 de Maio, os investigadores Carlota Simões e Luís Silva Pereira vão estar no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra (UC) para darem a conhecer a astronomia que está por detrás d'Os Lusíadas.A sessão "Novos Céus" é a segunda de um ciclo de três conferências sobre a Ciência que povoa a obra portuguesa mais famosa de todos os tempos, depois de uma primeira palestra dedicada às "Novas Terras" que Os Lusíadas puseram a descoberto e que perduram no imaginário português, determinando ainda hoje a forma como viajamos. O ciclo "Camões, o Céu e a Terra" é organizado pelo Museu da Ciência da UC em parceria com o Centro Interuniversitário de Estudos Camonianos (CIEC). A entrada é gratuita."O mérito dos navegadores portugueses em relação a esta constelação foi posto em causa por Alexandre de Humboldt e pelos historiadores de Astronomia que o seguiram, ao afirmarem que a mais antiga referência ao Cruzeiro do Sul estaria numa carta de Andrea Corsali ao duque Julião de Medicis, a 6 de Janeiro de 1515", explica a matemática Carlota Simões.Mas será que foram os portugueses os primeiros a identificar a constelação que permitiu aos navegadores orientarem-se no hemisfério sul? "A investigação que Luciano Pereira da Silva desenvolveu em torno da estância 14 do Canto V é decerto o ponto alto da sua obra A Astronomia dos Lusíadas, contestando opiniões que dominavam já a literatura internacional e demonstrando que foram de facto os marinheiros portugueses quem descobriu quer a constelação quer o seu uso náutico", defende a também professora da Universidade de Coimbra.A tese de Luciano Pereira da Silva (1864 - 1926) foi publicada entre 1913 e 1915 na Revista da Universidade de Coimbra e está disponível na íntegra online. Neste trabalho, o matemático, que se notabilizou pelas obras sobre a história da navegação portuguesa, demonstra que "Camões tinha um conhecimento claro e seguro dos princípios da Astronomia, como ela se professava no seu tempo", directamente colhido na obra de outro dos portugueses mais notáveis de todos os tempos: o "Tratado da Sphera", de Pedro Nunes."Luís de Camões podia estar ao corrente das teorias de Copérnico, mas a concepção geocêntrica do universo servia-lhe maravilhosamente para cumprir, por um lado, com as exigências técnicas de um poema épico; e, por outro, como faz no canto X de Os Lusíadas, para formular poeticamente o destino radical do ser humano, uma filosofia do Amor e do Conhecimento, uma visão do destino de Portugal, uma concepção da História do mundo", refere, por outro lado, o investigador Luís Silva Pereira.Professor de Literatura Portuguesa na Faculdade de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa de Braga e especialista na obra camoniana, Luís da Silva Pereira tem-se destacado também como poeta e cronista. No âmbito da sua actividade literária foi já distinguido com os prémios Jornal de Notícias e Adolfo Simões Müller.Licenciada em Matemática Pura pela Universidade de Coimbra, Carlota Simões é doutorada pela Universidade de Twente (Países Baixos). É professora auxiliar no Departamento de Matemática da UC.Depois da sessão sobre os novos céus d'Os Lusíadas, o ciclo "Camões, o Céu e a Terra" prossegue a 24 de Junho às 16 horas com uma conferência dedicada às referências antropológicas da obra de Camões. Os convidados serão o conceituado antropólogo Luís Quintais, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC, e o director do CIEC, José Carlos Seabra Pereira.
May 14 2009, 4:22am | Comments »
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O projecto “Carte du Ciel”, uma oportunidade perdida de modernizar a Astronomia portuguesa
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Como este ano é o Ano Internacional da Astronomia, publicamos novo post sobre história da Astronomia recebido do historiador António Mota de Aguiar (na imagem telescópio do Observatório de Paris no final do século XIX):Na década de 80 do século XIX a França era dos países do mundo mais desenvolvidos na área da astronomia e o Observatório Astronómico de Paris (OAP) era um dos seus centros mais notáveis. O seu director Urbain Le Verrier (1811-1877) tinha calculado a posição do planeta Neptuno, que veio a ser descoberto pelo alemão Johann Gottfried Galle (1812-1910), da Universidade de Berlim. Após o falecimento de Le Verrier foi nomeado director do OAP Amédée Ernest Mouchez (1821-1892).Até ao começo do século XIX, a astronomia só tinha podido estudar o sistema solar e as leis dos movimentos dos seus astros, sobretudo os que estavam mais próximos da Terra. Não obstante a singeleza dos instrumentos de precisão disponíveis, conseguiam-se obter as posições astronómicas com alguma exactidão, e conheciam-se as circunstâncias em que os astros descreviam as suas órbitas em torno do Sol, em obediência à lei da gravitação universal. As observações astronómicas já se faziam com fotografias, mas a tecnologia empregue era ainda absoleta. Tornava-se necessário fotografar grandes extensões do céu por meio de chapas fotográficas, que eram inexistentes na altura.Todavia, no final desse século, a astronomia deu um importante salto qualitativo. Em 1885, os astrónomos franceses irmãos Paul Henry (1848-1905) e Prosper Henry (1849-1903) construíram nas oficinas do OAP diversas objectivas acromáticas e iniciaram com elas uma série de observações fotográficas com grande sucesso. Era o princípio da chapa fotográfica, capaz de fotografar imensas áreas do céu, onde cabiam multidões de estrelas. Essas fotografias foram reunidas em catálogos estelares.Referindo-se a esta nova tecnologia, o britânico H.H. Turner, professor de Astronomia na Universidade de Oxford, disse:“(…), modern improvements in the construction of photographic plates have made them sensitive to yellow light under certain conditions, so that visual telescopes can be used to take photographs if a yellow screen cuts out the unfocussed blue rays, leaving only those for which the telescope has been properly focussed. When a suitable plate is then put behind the screen, pictures of the moon and stars can be and have been obtained quite as good as thoseobtained with a telescope specially made for photography. But in 1882 this had not been realised, and the Brothers Henry saw no way of using the new and promising photographic method but to make a new lens specially adapted for it. This they set about with great skill and determination. After a few trials on small lenses they at last succeeded in producing a photographic lens of 18 inches aperture, a veritable triumph of optical workmanship at this time. (…) It was the work of the lens thus produced by the Henrys that led directly to the inception of the Project we are considering. The specimen maps of small regions of the sky which they soon obtained suggested the possibility of producing such maps for the whole sky. At least 10.000 maps would be required to cover the whole sky; and a labour of this magnitude was beyond the ressources of a single observatory(…)” [1]Amédée Mouchez apresentou na Academia das Ciências de Paris as primeiras fotografias astronómicas realizadas pelos irmãos Henry, enfatizando as enormes vantagens da realização de um atlas da totalidade do céu.“Amédée Mouchez, who realized the potential of the new technology of photography to revolutionize the process of making maps of the stars. He conceived of a project that would take 22.000 photographic plates of the entire sky, each 2 x 2, and enlisted the aid of numerous observations around the world, who were each assigned a separate section of the sky to work on. (…) [2]Motivado pelo acolhimento positivo dado pela comunidade científica francesa e internacional da época, Amédée Mouchez organizou uma conferência internacional realizada no OAP de 16 a 27 de Abril de 1887. O projecto foi posto em marcha, prevendo-se que levaria entre oito e dez anos. De facto, levou muitos mais. Sobre a relevância do projecto, o próprio Mouchez diz-nos:“Cette Carte, qui sera formée des 1800 ou 2000 feuilles necessaires pour représenter, à une échelle suffisament grande, les 42.000 degrés carrés que comprend la surface de la sphère, et séparément, à plus grande échelle, tous les groupes d’étoiles ou tous les objets présentant un intérêt spécial, léguera aux siècles futurs l’état du Ciel à la fin du XIXème siècle avec une authenticité et une exactitude absolues. (…) Cette Carte donnera, en outre, dès qu’elle sera terminée, la possibilite d’étudier la distribution des étoiles dans l’espace, c’est-à-dire la constituition de l’univers visible; les célèbres jauges par lesquelles les deux Herschel avaient tenté de les classer par régions et grandeurs, à l’aide de leur grand télescope, se trouveront du coup bien dépassées et randues inutiles. Les astronomes les plus compétents sont unânimes à reconnaître que c’est une transformation complete qui va s’opérer dans l’Astronomie et une nouvelle ère qui s’ouvre pour cette science.” [3]O que estava em causa nessa conferência era, de facto, essencial para o futuro da astronomia. Vejamos ainda a opinião do representante norte-americano:“Sir: The great progress achieved in celestial photography and the remarkable star-photographs, recently taken at the Paris Observatory by Messrs. Henry, have led a number of astromers to believe that the time has come to undertake the construction of a chart of the heavens by photography. This grand undertaking, which would be of so great an importance to astromers of the future, would be easily accomplished in a few years if ten or twelve observatories, well distributed on the globe, could make a proper division of labor and work with methods identical in character, in order that the various parts of the chart might have all the essential homogeneneity. (…)” . [4]O projecto da Carte du Ciel foi dividido entre os 18 observatórios participantes [5]. A cada observatório era atribuído uma parte do céu, tendo cada um de realizar entre 1000 e 1500 chapas fotográficas. Para registar as chapas fotográficas foi fabricado um aparelho pela firma M. Gauthier que, naturalmente, era necessário comprar, para além da contratação de pessoal habilitado para o seu manuseamento.Entre os 58 membros presentes no congresso, encontrava-se o português Frederico Augusto Oom, uma vez que Portugal era um dos países convidados. Mas, na lista dos observatórios que deveriam proceder à leitura dos céus com a nova tecnologia das chapas fotográficas, não figurava nenhum observatório português.Resumindo: os 18 observatórios que tinham aderido ao projecto, dividiram entre si a totalidade do céu e trocaram entre si os conhecimentos astronómicos mais avançados do tempo. Todos eles passaram a trabalhar com enormes catálogos do céu onde estavam recenseadas milhares de estrelas e, pela via da astrofotografia, avançaram para estudos de astrofísica mais sofisticados.Embora Portugal estivesse representado nessa conferência, o Observatório Astronómico de Lisboa (OAL) não aderiu ao projecto. E a razão deve ter sido que Portugal não tinha dinheiro, em 1887, para modernizar a astronomia, aderindo às novas tecnologias da chapa fotográfica. Perdemos a oportunidade de associar o OAL às observações astronómicas mais desenvolvidas daquele tempo. Se nessa altura tivéssemos dado o salto para a astrofotografia, que exigia a aquisição de novos instrumentos e a formação avançada de astrónomos, teríamos certamente dado o salto adequado para a astrofísica, teríamos obtido os progressos astronómicos que, desde essa altura, de forma continuada, outras nações alcançaram. Em vez disso, fomos mantendo a astronomia de posição, uma ciência aquém daquilo que estava previsto para o OAL. Segundo Oom, o OAL foi concebido para estudar o espaço sideral, mas, estudar o espaço sideral implica necessariamente instrumentos para estudar as estrelas mais onerosos do que os utilizados para estudar o Sol, “que é generoso em luz”, como dirá mais tarde Costa Lobo. Portanto, não foram comprados novos instrumentos para observações siderais, nem foram admitidas pessoas com formação científica avançada. Felizmente que tivemos no OAL Campos Rodrigues, que, até 1919, ano da sua morte, foi executando notáveis trabalhos no domínio da astronomia de posição.António Mota de AguiarNOTAS[1] H.H. Turner, The Great Star Map, Abemarle St. W., London, 1912, pp. 16-18,[2] Wikipédia, em inglês, Carte du Ciel.[3] Amédée Mouchez, La Photogrphie Astronomique à l’Observatoire de Paris et la Carte du Ciel, Gauthier-Villars, Paris, 1887, pp.6-7.[4] Relatório do representante do governo norte americano na conferência, in John G. Wolbach Library, Harvard-Smithsonian Center of Astrophysics – Provided by NASA Astrophysics Data System, p.6.[5] O 19º observatório é o de Nizamia, na Indía, embora este não figure em todas as listas .
May 14 2009, 4:02am | Comments »
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PORTUGUÊS QUE SE CORRESPONDEU COM DARWIN INSPIRA PEÇA DE TEATRO
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Informação recebida do Museu de Ciência da Universidade de Coimbra (na foto Darwin na fachada da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra):Dia 15 de Maio às 16 horas no Museu da CiênciaÉ divulgação científica. É ficção. É realidade. O naturalista português que se correspondeu com Darwin virou protagonista de uma peça de teatro. Paulo Trincão, o ex-director da Fábrica - Centro de Ciência Viva de Aveiro, vai estar no Museu da Ciência da UC para apresentar o seu novo livro. O prefácio é de Carlos Fiolhais.Correspondeu-se com Charles Darwin e muitos outros notáveis do seu tempo, acabando por entrar para a história graças ao seu trabalho inovador na área do evolucionismo aplicado à classificação das espécies: o naturalista português Francisco de Arruda Furtado é agora o protagonista de uma peça de teatro. O livro "O português que se correspondeu com Darwin", do cientista Paulo Trincão, é lançado no dia 15 de Maio às 16 horas no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra (UC). A apresentação estará cargo do director da Biblioteca Geral da UC, Carlos Fiolhais, que é também o autor do prefácio.Francisco de Arruda Furtado tinha uma "enorme energia e capacidade de iniciativa" que o levaram a contactar "com alguns dos mais notáveis investigadores do seu tempo", sublinha Paulo Trincão. A correspondência trocada com Charles Darwin, o pai da teoria da evolução, entre 13 de Junho e 21 de Novembro de 1881 é um dos pontos altos do empreendedorismo científico do naturalista açoriano, o mesmo que agora deu o mote a uma peça de teatro pensada para o público jovem e adulto."A correspondência entre ambos deverá ter terminado devido ao grave estado de saúde de Darwin, que faleceria a 19 de Abril de 1882", explica o também ex-director da Fábrica - Centro de Ciência Viva de Aveiro. "A relação de trabalho gerada teve como base a carta de resposta de Darwin de 3 de Julho, onde apresenta um programa de trabalho que Arruda Furtado segue com entusiasmo durante esse Verão".E são precisamente a troca de impressões com Darwin e o resultado dessa interacção que dão corpo ao livro "O Português que se correspondeu com Darwin". "Este texto tem como objectivo central a divulgação do naturalista português Francisco de Arruda Furtado e dos seus estudos pioneiros na introdução de uma perspectiva evolucionista no trabalho de classificação taxonómica comum à época", explica Paulo Trincão.Pensada para subir ao palco, a obra procura aproximar-se da realidade da época, sem se desviar do seu propósito de divulgar ciência. "O texto foi construído numa base ficcional, embora apresente fragmentos de textos muito próximos das citações originais dos respectivos autores. Nestas situações foi necessário introduzir ou eliminar algumas palavras e construções gramaticais mais arcaicas, para o discurso se tornar mais fluído quando transposto para a oralidade", resume o cientista.Lançado no ano em que se comemora o bicentenário do nascimento do naturalista inglês e os 150 anos da sua obra mais célebre, "A Origem das Espécies", o livro "O Português que se correspondeu com Darwin" é um tributo a um dos nomes maiores do conhecimento científico nacional. "A divulgação e o reconhecimento, fora do meio académico, da importância de Francisco de Arruda Furtado para a História da Ciência em Portugal, aparecem como uma homenagem justa e oportuna", sublinha o autor.Paulo Trincão nasceu em Coimbra em 1958. Licenciado em Geologia pela UC e doutorado em Estratigrafia e Paleobiologia pela Universidade Nova de Lisboa, é professor auxiliar da Universidade de Aveiro, tendo dirigido a Fábrica - Centro de Ciência Viva de Aveiro. Foi director do Instituto de História da Ciência e da Técnica do Museu Nacional da Ciência e da Técnica e comissário de mais de uma dezena de exposições de divulgação científica a nível nacional em instituições como o Museu da Electricidade (Lisboa), o Museu da Ciência e da Técnica e a Universidade de Coimbra.
May 13 2009, 3:13am | Comments »
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SOBRE A PASSAROLA DE GUSMÃO
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Uma vez que estamos no ano Gusmão, pedimos a António Eugénio Maia do Amaral, Director Adjunto da Biblioteca da Universidade de Coimbra, um depoimento sobre as imagens que circulam do invento do luso-brasileiro, que foi estudante da Universidade de Coimbra:A imagem do balão do Padre Bartolomeu de Gusmão que se mostra ao lado e que já foi antes reproduzida neste blogue é uma imagem pouco conhecida que, apesar de publicada pelo menos três vezes e de ter sido mostrada na recente exposição "Cimélios" organizada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, continua praticamente desconhecida de todos os que se interessaram e se interessam pela invenção do brasileiro.Publicada em 1886, em 1917 e de novo em 1935, parece que os especialistas nunca se aperceberam disso e continuaram a ilustrar a "Passarola" com a conhecida gravura tardia, imaginosa e até pouco prestigiante, que se popularizou pela Europa no final do século XVIII.O desenho estava solto (nunca terá sido colado) na folha 247v. do Ms. 342 (cópia, ca. 1709) e terá desaparecido algures entre 1935 e 1997, quando o bibliotecário da secção de manuscritos e reservados deu pela sua falta e mandou executar uma reprodução para a substituir.A sua reprodução é livre de direitos, e o desejo da Biblioteca é que seja reproduzida muitas vezes, até para contrariar a visão padronizada que aindase tem do invento do "Padre voador".A imagem citada foi publicada a primeira vez em:- SIMÕES, Augusto Filipe - A invenção dos aeróstatos reinvindicada... Évora: Typographia da Folha do Sul, 1868. P. 76-77.Depois numa pequena vinheta no fim de:- FARIA, Visconde - Reproduction fac-similé d'un dessin à la plume de sa description et de la pétition adressée au Jean V. (de Portugal) en langue latine et en écriture contemporaine (1709) retrouvés récemment dans les archives du Vatican... - [S.l. : s.n.], 1917 (Lausanne : Impr. Réunies S. A.. - 17 p. : il. ; 29 cme, mais tarde, reproduzida na capa de uma obra editada pela Biblioteca Geral:- DESCRIÇÃO burlesca dum imaginário aeróstato e outras sátiras ao PeBartolomeu Lourenço de Gusmão. Coimbra : Coimbra Editora, 1935.Sobre o manifesto escrito por Gusmão e da petição pedindo o direito para apenas ele fabricar objetos voadores, existem cópias em várias bibliotecas e já foram publicados muitas vezes. A Biblioteca Geral também tem cópias (não se conhecem originais) em manuscritos da época destes dois documentos:- GUSMÃO, Bartolomeu de, S.J., 1685-1724 Manifesto sumario para os q[ue] ignorão poderse navegar pello elemento do Ar [manuscrito]. [ca. 1709]. f. 234-241 : papel ; 215x153 mm.Cópia da época. Encadernado com cartas e papeis vários. Encadernação empele. Ms. 342, f. 234-244- GUSMÃO, Bartolomeu de, S.J., 1685-1724 [Petição de Bartolomeu Lourenço para lhe ser concedido o privilégio de só ele poder fabricar instrumentos para voar] [manuscrito]. [inícios de 1709]. [1] f. (f. 431 r, v) : papel ; 330x220 mm. Cópia da época. F. 431, numeração antiga, a tinta, e f. 410, 410 v., a lápis, num. moderna. Com papeis vários, impressos e manuscritos. Capas em pergaminho. Ms. 677, f. 410-410v.A Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra está a preparar uma exposição virtual sobre Bartolomeu de Gusmão e o seu invento, a divulgar no seu sítio.António Eugénio Maia do Amaral
May 13 2009, 2:43am | Comments »
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História da Astronomia em Portugal
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Informação recebida da Biblioteca Nacional, em Lisboa, onde neste momento está patente a exposição "Estrelas de Papel":Jornadas de História da Astronomia em PortugalAnfiteatro da Biblioteca Nacional de Portugal21 de Maio 2009 | Quinta-feira | Entrada livre10h00 - AberturaJorge Couto, Director-Geral da BNP10h30 - A pré-história da astronomia no ocidente da Península IbéricaLuís Tirapicos, Museu de Ciência da Universidade de Lisboa e CIUHCT11h15 - A Astronomia no colégio de Santo AntãoHenrique Leitão, CIUHCT12h00 - D. João V, patrono do astrónomo BianchiniCândido Marciano da Silva, Universidade Nova de Lisboa e CIUHCT13h00 - Almoço14h30 - Os primeiros 100 anos do Observatório Astronómico de CoimbraJoão Fernandes, V. Bonifácio, F. Figueiredo,Universidade de Coimbra15h15 - Portugal e o desenvolvimento da astronomia estelar: a fundação do Observatório Astronómico de LisboaPedro Raposo, Universidade de Oxford e CIUHCT16h00 - Intervalo16h30 - Gago Coutinho: criador da navegação aérea astronómicaAntónio Costa Canas, Escola Naval e CIUHCT17h15 - Melo e Simas (1870-1934), um astrónomo na senda da relatividadeAna Simões, CIUHCT18h00 Encerramento e visita à ExposiçãoOrganização:Centro Interuniversitário de História das Ciências e da Tecnologia (CIUHCT) e Biblioteca Nacional de Portugal (BNP)
May 12 2009, 5:12am | Comments »
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NOVAS SOBRE O CAPITÃO LUNARDI
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Agradeço a João Boaventura as notícias da "Gazeta de Lisboa" que me fez chegar sobre o Capitão Lunardi, o italiano que foi o primeiro a subir em balão em Portugal (na imagem a primeira ascensão de Lunardi em Inglaterra, realizada em 1784):Lisboa, 23.08.1794 - Avisos. O Capitão Lunardi intenta subir na sua Máquina aerostática amanhã Domingo 24 do corrente mês, das 3 às 5 horas da tarde. (GL n.º XXXIII, 2.º Supl., 23.08.1794).Lisboa, 26.08.1794 - O Capitão Luniardi satisfez anteontem completamente a expectação do Público, e mereceu, pela sua intrepidez, o geral aplauso. A Praça do Comércio se achava guarnecida com dois Regimentos de Infantaria, e alguma tropa de Cavalo, para conter em boa ordem o imenso povo que a ocupava dentro e fora do recinto, em que estava colocada a Máquina aerostática, havendo sobre o rio outro grande número de pessoas em embarcações, e estando coberta de gente todas as alturas sobranceiras à dita Praça. Às quatro horas e meia, se soltou a máquina, que subiu majestosamente, levando pendente um pequeno batel em que ia o dito Capitão, e oferecendo na realidade um espectáculo estupendo. O intrépido Aeronauta, já nos ares, saudou com uma bandeira e com os eu chapéu os espectadores, que acompanhando-o com a vista mostravam interessar-se no seu sucesso. O vento não era forte, e por ser Norte dirigiu a máquina ao princípio para o Sul, mas em maior altura ela tomou logo a direcção de Nordeste, com que continuou até perto das deis horas, e então se perdeu de vista. Ontem até à hora de se imprimir esta folha ainda o Capitão Lunardi não tinha voltado a esta Cidade, e só se dizia que ele descera com bom sucesso no sítio de Pancas, perto das nove horas da noite. (GL n.º 34, 26.08.1794).Lisboa, 29.08.1794 - O Capitão Lunardi não voltou aqui da sua viajem aérea senão pela terça feira de manhã: e por ele se soube que descera pelas nove horas da noite do Domingo no campo da Silveira, entre Montemor, e as Vendas-novas: a Máquina faltando-lhe o peso do navegante se tornou a elevar, sem que ele pudesse impedi-lo, e nãoi se sabe aonde foi parar. (GL n.º XXXIV, Supl., 29.08.1794).Lisboa, 02.09.1794 - Saíu à luz uma Descrição da viajem aérea do Capitão Lunardi, feita a 24 de Agosto de 1794. Vende-se por 60 reis na loja da Gazeta. (GL n.º 35, 02.09.1794).Lisboa, 02.09.1794 - Aviso. Hoje 2 de Setembro em benefício do Capitão Lunardi, Autor da Máquina aerostática, em que proximamente se elevou, há um Concerto de Música vocal e instrumental, composto de excelentes Músicos da Real Câmara de S.M.F., que obsequiosamente se oferecerão para isso, o qual começará às 8 horas em ponto na Casa da Assembleia das Nações estrangeiras, na rua do Alecrim... Os Bilhetes se distribuem por mãos particulares ou se podem haver à entrada da dita Casa pelo preço de 1600 reis cada um. (GL n.º 35, 02.09.1794).Lisboa, 16.09.1794 - Saíram à luz: Elogio Poético ao Capitão Lunardi, por Manuel Maria Barbosa du Bocage. Vende-se por 60 reis na loja da Gazeta. (GL n.º 37, 16.09.1794).Lisboa, 14.10.1794 - A Viajem aérea do Capitão Lunardi, escrita por ele mesmo, novamente estampada, se vende na loja da Gazeta por 120 reis, como também várias Estampas, bem abertas, de 120 a 480 reis. (GL n.º 41, 14.10.1794).Lisboa, 15.08.1806 - O Cavaleiro Lunardi, famigerado pelas suas Viagens aerostáticas, feitas nas suas admiráveis máquinas, faleceu no Hospício dos Capuchinhos Italianos de Lisboa no 1.º do corrente. (GL n.º XXXII, Sup., 15.08.1806).
May 11 2009, 11:29am | Comments »







