Informação recebida da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, em complemento da anterior:A Royal Society tem on-line as fichas dos seus sócios mais antigos. A ficha de João Jacinto Magalhães tem as assinaturas de Joseph Priestley, um dos descobridor do oxigénio e de Benjamin Franklin, o inventor do pára-raios, a quem ele mais tarde doou o dinheiro para o Prémio Magalhães que tem sido atribuído nos Estados Unidos (entre outros foi recebido pelos inventores do GPS):"John Hyacinth de Magalhaens of Fetter Lane London, a Portuguese Gentleman, descended from the eldest brother of the old Navigator who discover'd the Straits of that name, and a Corresponding Member of the Royal Academy of Sciences at Paris, being a person well acquainted with several branches of Philosophical Knowledge, and having resided many years in England, is very desirous of the honour of becoming a Member of the Royal Society: We therefore the under signed members do recommend him, on our personal Knowledge, as well qualified, and likely to prove an usefull member thereof.Joseph Priestley; W Jones; B Franklin; William Hunter; W Watson; Peter Woulfe; Jos Banks; M Maty; John Letch
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ADMISSÃO DE MAGALHÃES NA ROYAL SOCIETY
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November 11 2010, 2:22am | Comments »
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João Jacinto de Magalhães (1722-1790)
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Informação recebida da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra: mais uma ficha biográfica de um dos membros portugueses da Royal Society (na imagem octantes de uma das publicações de Magalhães):João Jacinto de Magalhães (1722-1790)Filósofo e cientista. Foi eleito membro da Royal Society em 21 de Abril de 1774.Nasceu em Aveiro e estudou Humanidades, Grego e Latim em Coimbra, no Colégio da Sapiência e no Mosteiro de Santa Cruz, ambos pertencentes à Congregação dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. Tomou hábito em 1743. Os seus interesses intelectuais iam, porém, muito longe: Interessou-se pelas ciências físicas e pela tecnologia de instrumentos de precisão, ciências químicas e Medicina, Astronomia e Agricultura. No eclipse total do Sol do dia 26 de Outubro de 1753 em Aveiro, colaborou com cientistas franceses na determinação da longitude desta localidade.Em 1756 partiu para França onde conheceu o médico português Ribeiro Sanches (1699-1783) e onde aprofundou os seus conhecimentos sobre os ideais iluministas. Em 1763 viajou para Londres, onde se fixou, não regressando a Portugal. Conheceu alguns dos maiores filósofos e cientistas do seu tempo, como Lavoisier (1743-1794), Euler (1707-1783), Volta (1745-1827) e Franklin (1706-1790) e trocou correspondência com afamados astrónomos como Messier (1730-1817), Lalande (1732-1807) e Hornsby (1733-1810), entre outros. Manteve contactos com a Universidade de Coimbra e com a Academia Real das Ciências de Lisboa, pois, estando ao corrente das inovações científicas e técnicas mais recentes e sendo ele próprio um bom projectista de instrumentos, recebia encomendas de materiais científicos destinados à astronomia e navegação ou para o ensino da Física. Entre os vários instrumentos que projectou e aperfeiçoou contam-se relógios astronómicos de pêndulo, agulhas de marear, quadrantes, sextantes e octantes, barómetros, balanças, etc. No Museu da Ciência da Universidade de Coimbra guarda-se uma máquina de Atwood utilizada para demonstração em laboratório das leis da dinâmica, e uma pêndula com a sua assinatura. Foi membro das mais prestigiadas academias e sociedades científicas da Europa. Como sócio da American Philosophical Society de Filadélfia, fundada em 1743 por Franklin, instituiu, em 1786, o prémio académico mais antigo dos Estados Unidos, conhecido por Magellanic Award, ou Magellanic Gold Medal ou Magellanic Prize, e destinado às melhores descobertas ou contributos no campo da astronomia, da navegação ou da filosofia natural.Apresentou à Royal Society sete comunicações de cientistas estrangeiros e colaborou nas Philosophical Transactions com um artigo publicado em 1779, acerca de um novo modelo de telescópio concebido pelo astrónomo francês Jeaurat (1724-1803).Principais obras publicadas:- Novo epitome da grammatica grega de Porto Real : acomodado na língua portugueza, para uzo das novas escolas… Lisboa : [s.n.], 1760. XVI, 382 p. Há uma reedição moderna em facsimile.- Description des Octants et Sextants Anglois ou Quarts de Cercle a Reflection avec la maniere de se servir de ces instruments, pour prendre toutes sortes de Distances angulares, tant sur Mer que sur Terre... Paris, 1775.- Description d'un appareil en verre pour composer des aux minérales artificialles. Londres, 1777.- Account of an Iconantidiptic Telescope, invented by Mr. Jeaurat, of the Academy of Sciences of Paris. Philosophical Transactions. London. 69 (1779) 130-138.- Description des nouveaux instrumens circulaires à reflection, pour observer avec plus de precision des distances angulaires. Londres, 1779.- Description et usages des instrumens d'astronomie et de physique, faits à Londres, par ordre de la Cour de Portugal en 1778 & 1779. À Londres : Chez B. White : P. Elmesley & W. Brown, 1779. [4], 21-86 p., 1 grav. desd.- Description et usages des nouveaux barometres pour mesurer la hauteur des montagnes, et la profundeur des mines. Londres, 1779.- Collection de différens traités sur des instrumens d'astronomie, physique, & c. À Londres : de l' Imprimérie de W. Richardson, 1780. 258 p., 2 grav. desd.- Description d'une machine nouvelle de dynamique, inventée par Mr. G. Atwood… À Londres : de l' Imprimérie de W. Richardson, 1780. 1 grav. desd.- Essai sur la nouvelle théorie du feu élémentaire, et de la chaleur des corps : avec la description des nouveaux thermometres… À Londres : de l'Imprimerie de W. Richardson, 1780.- Notice des instrumens d'astronomie, de geodesie, de physique.... par ordre de la cour d'Espagne. Londres, 1780.- Description of a glass-apparatus for making in a few minutes, and at a very small expence, the best mineral waters of Pyrmont, Spa, Seltzer... with the description of two new eudiometers... in a letter to the rev. Dr. J. Priestley... The third edition, revised, corrected, and enlarged by the author, with an examination of the strictures of Mr. T. Cavallo, F.R.S. upon these eudiometers. London : Printed for the author, 1783. viii, 80 p.
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November 11 2010, 2:13am | Comments »
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PORTUGAL- GRÃ-BRETANHA (1660-1910): 250 ANOS DE INTERCÂMBIO CIENTÍFICO
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Informação recebida da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra:A 10 de Dezembro vai realizar-se na Biblioteca Joanina um Colóquio Internacional subordinado ao título "Portugal - Grã-Bretanha (1660-1910): 250 anos de intercâmbio científico", associado à exposição "Sócios Portugueses da Sociedade Real de Londres", que assinala em Portugal os 350 anos da Royal Society. O Colóquio é aberto a todos os interessados mediante inscrição prévia limitada ao tamanho da sala. A inscrição pode fazer-se "on-line".Para mais informações ver aqui.
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November 9 2010, 2:40am | Comments »
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João Mendes Sachetti Barbosa (1714-1773/4?)
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Outro memebro português da Royal Sociedade de Londres, em informação recebida da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (na imagem o terramoto de Lisboa de 1755, que Sachetti Barbosa reportou à Royal Society):João Mendes Sachetti Barbosa (1714-1773/4?)Médico. Foi eleito membro da Royal Society em 10 Maio de 1750.Nasceu em Estremoz, estudou Filosofia em Évora e formou-se em Medicina na Universidade de Coimbra. Exerceu no Alentejo e mais tarde tornou-se médico do infante D. Manuel. Foi fidalgo da Casa Real e Cavaleiro da Ordem de Cristo. Ainda cedo estabeleceu relações com sociedades científicas estrangeiras, sendo admitido na Real Academia Médica de Madrid, em 1747. Em Portugal foi o principal teórico da Academia Médica Portopolitana, fundada em 1749. Manteve intensa correspondência com ilustres colegas de profissão exilados em Londres, Castro Sarmento e Ribeiro Sanches (1699-1783), sendo permeável aos mais avançados progressos nas ciências médicas. Apologista das teorias médicas do holandês Herman Boerhaave (1668-1738), baseadas na filosofia newtoniana, advogava o ensino prático e experimental da medicina e colaborou na reforma pombalina dos estudos médicos na Universidade de Coimbra.Para além dos escritos no âmbito da Academia Médica Portopolitana, transmitiu as suas ideias e conhecimentos na sua obra principal, Considerações médicas sobre o método de conhecer, curar e preservar as epidemias, endemias e febres malignas podres, pestilenciais, contagiosas… (Lisboa, 1758). Uma outra obra sua, Cartas, em que se dá notícia da origem, e progresso das sciencias… (Lisboa, 1753), suscitou uma longa polémica acerca da autoria, tendo sido atribuída também a Frei José de S. Miguel (1714-?).Colaborou nas Philosophical Transactions com duas comunicações publicadas em 1755: A primeira, apresentada à Royal Society por Castro Sarmento, acerca da observação de um eclipse da Lua que efectuou em Elvas, nos dias 27 e 28 de Março de 1755, com o auxílio de um tubo óptico muito comprido; e a segunda com base em duas cartas enviadas ao mesmo Castro Sarmento, relativas ao trágico terramoto de Lisboa de 1755.
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November 9 2010, 2:15am | Comments »
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Congresso Luso-Brasileiro de História das Ciências
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Informação recebida do Instituto de Investigação Interdisciplinar da Universidade de Coimbra:Terá lugar em Coimbra de 26 a 29 de Outubro de 2011 um Congresso Luso-Brasileiro da História das Ciências.Este congresso assinala os 100 anos da criação da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra, que resultou da fusão das Faculdades de Filosofia e Matemática, criadas pela Reforma Pombalina. O encontro visa promover o melhor conhecimento da História da Ciência na Universidade de Coimbra desde a edificação do colégio jesuíta em 1547, no tempo de D. João III, até 1933, quando se inicia o Estado Novo, embora esteja completamente aberto à apresentação de outros temas da história da ciência.Mais informações aqui.
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November 8 2010, 11:50am | Comments »
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D. João Carlos de Bragança, 2º Duque de Lafões (1719 - 1806)
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Outra ficha biográfica de um membro português da Royal Society, recebida como as outras da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, que no dia 15 abre na Joanina uma exposição sobre esses ilustres "Fellows of the Royal Society":D. João Carlos de Bragança, 2º Duque de Lafões (1719 - 1806)Estadista. Foi eleito membro da Royal Society em 17 de Novembro de 1757.Neto do rei D. Pedro II e sobrinho de D. João V, estudou Humanidades e Filosofia e cursou Direito Canónico em Coimbra. Com a subida ao trono de D. José entrou em conflito com o Marquês de Pombal, exilando-se em Inglaterra, onde participou na vida erudita da capital inglesa. Seguiu-se um longo período de viagens a inúmeros países, tendo conhecido e privado com importantes figuras da elite política, cultural e científica europeia. Em 1779, após a morte de D. José, regressou à pátria para ocupar altos cargos durante o reinado da rainha D. Maria I, tais como conselheiro de Estado, mordomo-mor, e marechal general do exército.Durante as suas viagens pela Europa conheceu o abade José Correia da Serra, que o acompanhou no seu regresso a Portugal, e juntos fundaram a Academia das Ciências de Lisboa, cujos estatutos foram aprovados em 24 de Dezembro de 1779. Na primeira sessão da Academia foi eleito sócio efectivo e, na segunda, presidente perpétuo da mesma. Criada em pleno Iluminismo, esta Academia visava impulsionar o desenvolvimento científico, técnico e cultural do país, através da divulgação das novas ideias filosóficas, do incentivo para a aplicação de novos conhecimentos técnicos, valorização do experimentalismo, aperfeiçoamento e expansão da educação. Retirou-se da vida pública em 1801, mas continuou, até à sua morte, a animar, no seu palácio do Grilo, em Lisboa, um cenáculo literário e científico que reunia as mais eminentes figuras culturais do país.Bibliografia sobre o 2.º Duque de Lafões:- CARVALHO, Rómulo de - D. João Carlos de Bragança, 2º Duque de Lafões, fundador da Academia das Ciências de Lisboa. Lisboa : Academia das Ciências de Lisboa, 1987.- MONTEIRO, Nuno Gonçalo ; COSTA, Fernando Dores - D. João Carlos de Bragança 2º Duque de Lafões : uma vida singular no século das luzes. Lisboa : INAPA, 2006. 167 p. ISBN 972-797-139-3.
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November 6 2010, 5:53am | Comments »
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OS LIVROS DE RÓMULO DE CARVALHO
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Aproxima-se - é já a 24 de Novembro - outro aniversário de nascimento de Rómulo de Carvalho, o patrono do Dia Nacional da Cultura Científica. Recupero, por isso, um texto meu sobre os seus livros, que tanto admiro, saído no meu livro "Curiosidade Apaixonada" (Gradiva, 2005):Para além da sua obra poética e de ficção (da pena de António Gedeão), Rómulo de Carvalho deixou-nos uma vasta e variada bibliografia ensaística, que inclui livros de divulgação científica, obras de história da ciência e manuais escolares. A primeira categoria engloba os livros da colecção “Ciência para Gente Nova” e os dois tomos de “Física para o Povo”, inicialmente editados pela falecida editora Atlântida, de Coimbra, e alguns dos quais foram reeditados pela editora Relógio d’Água, de Lisboa, na sua colecção “Ciência”. Inclui ainda os finos “Cadernos de Iniciação Científica” da Sá da Costa, que entretanto foram também reeditados pela Relógio d’Água num único volume. A segunda abrange um vasto número de títulos à volta da prática científica no Portugal do século XVIII, de que merecem destaque os três pequenos livros de resenha publicados pelo Instituto de Cultura e Língua Portuguesa “A Física Experimental em Portugal no Século XVIII”, “Astronomia em Portugal no século XVIII” e “A História Natural em Portugal no Século XVIII” (Rómulo escolheu para grande tema de estudo a ciência setecentista já que a ciência dos Descobrimentos tinha sido foco da atenção de outros autores e a ciência em Portugal do século XIX pouco mais foi do que inexistente). Merecem ainda referência especial a “História do Gabinete de Física da Universidade de Coimbra”, publicado pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, e os dois grandes volumes, um publicado nos últimos anos de vida e outro mesmo póstumo, “Actividades Científicas em Portugal no Século XVIII” (colecção de memórias da Academia de Ciências de Lisboa) e “Colectânea de Estudos Históricos” (estudos vários de história da ciência), ambos do prelo da Universidade de Évora. Por último, de entre os manuais escolares, quase todos em co-autoria e de qualidade não uniforme, merecem destaque os volumes “Ciências da Natureza” para o ciclo preparatório do ensino secundário. Como ensaios não classificáveis no esquema apresentado mas de grande fôlego refiram-se dois, relativamente tardios e ambas editados pelo Serviço de Educação da Fundação Calouste Gulbenkian, “História do Ensino em Portugal” e “O Texto Poético como Documento Social”. É obra!Vejamos com mais pormenor cada um desses compartimentos bibliográficos.- Livros de divulgação científicaRómulo de Carvalho fez divulgação científica - e da melhor! - quando entre nós quase não havia divulgação científica. Embora as suas aulas, conta quem foi seu aluno, tenham ficado inolvidáveis, os livros aumentaram de maneira extraordinária o raio de acção do Professor. Houve quem quis ser cientista para saber os mistérios da física moderna que não apareciam nos manuais de física de antanho (ainda hoje quase não aparecem...) Para além de ter examinado alguns instrumentos baseados na ciência clássica, como o balão, Rómulo levantou a ponta do véu do pequeno átomo e do pequeníssimo núcleo no seu seio nos livros “História do Átomo”, “História da Radioactividade”, “História dos Isótopos” e “História da Energia Nuclear” da colecção “Ciência para Gente Nova”. É nítido logo a partir do título o valor pedagógico da história: a ciência é uma construção humana e aprende-se melhor se se conhecer o modo como ela se desenvolve. Nos livros do Mestre é claro ainda o primado da observação e da experiência: as coisas são como são porque alguém viu e experimentou, e nós, se formos suficientemente curiosos e hábeis, também podemos ver e experimentar. A linguagem, apesar de algo clássica, é sugestiva e motivadora, o que só se consegue por uma mistura das artes da retórica e da imaginação que não está ao alcance dos escritores menores. Por isso, esses livros conservam a frescura inicial e, se o leitor os encontrar numa feira do livro de ocasião, considere-se feliz por os poder levar consigo para sua leitura privada.A atitude experimental, que é inimiga da especulação gratuita e do preconceito falacioso, transparece também nos dois tomos de “Física para o Povo” a propósito dos fenómenos da física clássica (os dois tomos foram fundidos num só, na moderna edição da Relógio d’Água, intitulada “A Física no Dia-a-Dia”, com prefácio de José Mariano Gago e patrocínio do Instituto Camões e do Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro). Trata-se de uma prosa didáctica, escrita a pensar directamente no cidadão comum, a quem o autor gentilmente trata por “meu caro amigo”. Elucidativo sobre a omnipresença da ciência nas nossas vidas é o modo como são colocadas questões e dadas respostas sobre os mais fenómenos do nosso quotidiano. A Física não é uma actividade exótica mas tão só a tentativa de descrever e explicar o mundo onde vivemos. A “Física para o Povo” é um conjunto de aulas particulares, explicações, só para o “caro amigo”, o leitor que não quer ficar alheio ao mundo que o rodeia.Finalmente, os “Cadernos de Iniciação Científica”, da Sá da Costa, que se destinam em primeira linha a jovens (a nova edição, da Relógio d’Água, junta todos os cadernos num só, prático, volume), “pretendem ser um meio de informação atraente, pela simplicidade da linguagem e pela apresentação gráfica, de conceitos fundamentais das ciências físicas” (do texto de apresentação da colecção). São, com os manuais escolares, os mais ilustrados dos livros de Rómulo, mas estes livrinhos, ao invés dos manuais, não querem seguir programas mas sim contar histórias, discutir ideias e prazentear leitores.- Livros de história da ciênciaDesde muito cedo Rómulo de Carvalho se interessou pela história da ciência em Portugal, nomeadamente o século XVIII. Os seus três livros da colecção Biblioteca Breve do Instituto de Cultura e Língua Portuguesa são inescapáveis a qualquer estudante que se queira iniciar na época iluminista em Portugal. Em Coimbra, trabalhou na catalogação do Gabinete de Física, hoje Museu de Física, e escreveu várias memórias sobre peças desse rico acervo. E deixou um volume notável “História do Gabinete de Física da Universidade de Coimbra”, onde, em mais de sete centenas de páginas de aspecto austero e salpicadas de gravuras antigas, se descrevem os preciosos instrumentos científicos da colecção do Museu de Física. Essa colecção, que hoje pode ser visitada “in situ” remonta ao Colégio dos Nobres, em Lisboa. Foi Rómulo de Carvalho quem nos contou a “História do Colégio dos Nobres”, num volume da editora Atlântida muito anterior à “História do Gabinete...”. O actual catálogo do Museu (“O Engenho e a Arte”), que no essencial retoma o catálogo (“Les Mécanismes du Génie”) da exposição da Europália na Bélgica, seria impossível sem o trabalho meticuloso e paciente que Rómulo de Carvalho realizou no belo edifício pombalino quando ele ainda estava fechado à curiosidade e à admiração de todos. Também o Museu Maynense da Academia das Ciências deve muito (quase tudo) a Rómulo de Carvalho, que foi seu director. Dedicou a esse Museu e à Academia boa parte dos seus derradeiros anos, como é certificado pelo volume “Actividade Científica em Portugal no Século XVIII”, publicado em Évora por ocasião do doutoramento “honoris causa” concedido justamente pela universidade local. É especialmente útil para os estudiosos a bibliografia muito completa sobre história da ciência em Portugal, que se encontra nesse volume.- Manuais escolaresO lema dos compêndios “Ciências da Natureza”, que têm capas do conhecido “designer” Sebastião Rodrigues, vem logo na Introdução: “Atrás do aprender vem o saber, e o saber é uma riqueza que por mais que se use nunca se gasta”. O melhor elogio que se pode fazer a estes livros é que por vezes não parecem manuais escolares. Com efeito, se noutros manuais de Rómulo de Carvalho a sua prosa mais característica se encontra abafada, aqui ela solta-se, trazendo para o universo da escola a indagação e a curiosidade que muitas vezes estão apartadas dele por motivos inexplicáveis. Há quem testemunhe que Rómulo era um professor austero, difícil, autoritário. Estes compêndios testemunham o contrário. Há um poeta escondido dentro do professor, e, se o rigor era seu apanágio, ele não aparecia dissociado do encantamento e da sedução que é uma marca dos verdadeiros poetas.- Outros livros de ensaio“A História do Ensino em Portugal”, com o subtítulo “Desde a fundação da nacionalidade até ao fim do regime de Salazar-Caetano”, é uma obra verdadeiramente enciclopédica, contendo informação factual cuja “secura” é contrabalançada amiúde pelo comentário e opinião. O livro é obrigatório para todos os que se interessam pelo ensino em Portugal. O ensino de hoje é, afinal, resultado de um passado feito de mil incidentes e circunstâncias que não podem ser ignorados se o queremos compreender e, acima de tudo, modificá-lo. Rómulo de Carvalho não foi apenas um dos nossos maiores pedagogos mas também um dos maiores estudiosos da nossa pedagogia.O “Texto Poético como Documento Social”, ensaio sobre a poesia como arma de documento e crítica, termina, tal como “A História do Ensino em Portugal”, com a revolução de 25 de Abril de 1974. Apesar de lhe ter sobrevivido 23 anos, Rómulo de Carvalho foi, por natural formação, um homem marcado pelo tempo anterior, um homem com uma revolta intelectual algo contida que apenas extravasava em textos poéticos de clara revolta social. Em “O Texto Poético...” procurou dissecar esse poder oculto da poesia que é o poder de transformar o mundo.
November 6 2010, 4:44am | Comments »
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Teodoro de Almeida (1722-1804)
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Nova ficha de um membro português da Royal Society, enviada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, a propósito da exposição que vai inaugurar a 15 de Novembro:Teodoro de Almeida (1722-1804)Físico e pedagogo. Foi eleito membro da Royal Society em 9 de Março de 1758.Nasceu em Lisboa e, em 1735, ingressou na Congregação do Oratório. Tornou-se um grande divulgador de temas científicos através de escritos e de conferências sobre Filosofia Experimental. Vítima da perseguição de Pombal às elites jesuítas e oratorianas, em 1768 exilou-se em França, onde continuou a sua acção pedagógica. Regressou a Portugal em 1778, após o afastamento do Marquês e colaborou com o Duque de Lafões e com o abade Correia da Serra na fundação da Academia das Ciências de Lisboa. Foi o autor da Oração de Abertura proferida a 4 de Julho de 1780.A sua publicação principal Recreação filosófica, ou Dialogo sobre a filosofia natural para instrucção de pessoas curiosas que não frequentarão as aulas (Lisboa, 1753-1800), constituída por dez volumes, é uma notável obra didáctica de carácter enciclopédico. Escrita em estilo dialogante, à maneira da época, nos primeiros seis volumes trata da Filosofia Natural, no sétimo medita sobre a Lógica, e nos últimos três sobre Ética e Moral. Além das Cartas fisico-mathematicas de Theodozio a Eugenio (Lisboa, 1784-1798), obra em três volumes que complementa a Recreação Filosófica, deixou vários outros escritos sobre espiritualidade.Teve uma única contribuição nas Philosophical Transactions publicada em 1757. Trata-se da observação, em conjunto com o astrónomo Baptista Chevalier, do eclipse da Lua do dia 4 de Fevereiro de 1757, feita na Congregação do Oratório, usando o método de Soares de Barros e um tubo óptico de 2,9 metros.Bibliografia:- ALMEIDA, Teodoro de (1722-1804) - Recreação filosófica, ou Dialogo sobre a filosofia natural para instrucção de pessoas curiosas que não frequentarão as aulas. Lisboa : Na Officina de Miguel Rodrigues : Régia Oficina Typographica, 1753-1800. 10 vol. Autor identificado em obra de referência.UCBG S.P.-G-1-25/32- ALMEIDA, Teodoro de (1722-1804) ; CHEVALIER, João Baptista (1722-1801) - Eclipsis Lunae die 4ª Februarii, ann. 1757… Philosophical Transactions. London. 50 (1757) 376-377. UCBG A-48-2- ALMEIDA, Teodoro de (1722-1804) - Cartas fisico-mathematicas de Theodozio a Eugenio : para servir de complemento à Recreação Philosofica... Lisboa : offic. de Antonio Rodrigues Galhardo, 1784-1798. 3 vol. UCBG RB-15-18/19- ALMEIDA, Teodoro de (1722-1804) - O feliz independente do mundo e da fortuna ou Arte de viver contente em quaesquer trabalhos da vida. Lisboa : Na Regia Officina Typografica : Antonio Rodrigues Galhardo, 1786. 3 vol. UCBG 094.5 ALM
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November 4 2010, 2:34pm | Comments »
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ÚLTIMOS DIAS DE BARTOLOMEU DE GUSMÃO
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O fim de Bartolomeu de Gusmão foi, infelizmente, tão trágico como o do seu primeiros primeiro balão, que teve vida breve ao arder em 1709 no Paço Real. A 18 de Novembro de 1724, com apenas 39 anos, o inventor luso-brasileiro morreu, de doença e inanição, na cidade de Toledo, Espanha, numa apressada fuga da Inquisição, que tinha passado pela travessia a pé da fronteira portuguesa sob nome falso.Essa perseguição nada teve a ver com as suas invenções (fez outras além da bomba hidráulica, na sua juventude brasileira, e da "Passarola", na sua juventude portuguesa, como, já na meia idade, um dispositivo para drenar água dos barcos, que registou em 1713 na Holanda, durante uma longa viagem que empreendeu pela Europa Central e do Norte). Nem tinha a ver com uma eventual paixão por uma amante real tal como já foi com fértil imaginação aventado (de facto, D. João V, além de ter sido chamado O Magnânimo, ficou também conhecido por O Freirático por ter mantido relações com várias freiras, entre as quais a Madre Paula, do Mosteiro de Odivelas, a quem terá oferecido uma banheira de ouro).Sabemos hoje por documentos guardados em arquivos de Madrid – designadamente o testemunho dado à Inquisição por Frei João Álvares de Santa Maria, o irmão mais novo de Gusmão que o acompanhou na fuga - que pendia uma acusação de prática de judaísmo, um libelo assaz perigoso numa época em que o rei se comprazia em assistir a autos-de-fé. Essa suspeita era aliás justificada, pois tudo indica que Gusmão, na fase final da sua vida, terá abandonado a religião católica em que tinha sido educado para aderir ao judaísmo. Note-se que, apesar de ter estudado num Colégio dos Jesuítas no Brasil, o "Padre Voador" nunca concluiu os estudos necessários para ingressar na Companhia de Jesus, pelo que não pode ser considerado um padre jesuíta, mas antes um padre secular. Pelo depoimento do irmão carmelita se depreende que as ideias utópicas do Quinto Império português lhe assaltavam a mente nos dias finais da sua vida...
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November 4 2010, 4:46am | Comments »
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João Baptista Chevalier (1722-1801)
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Nova ficha biográfica sobre um membro português da Royal Society de Londres recebido da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra:João Baptista Chevalier (1722-1801)Astrónomo. Foi eleito membro da Royal Society em 23 de Maio de 1754.Padre da Congregação do Oratório de S. Filipe de Nery, nasceu em Lisboa, filho de um francês radicado em Portugal e sobrinho, por parte da mãe, do filósofo e escritor português Luís António Verney (1713-1792), que foi “estrangeirado” em Itália. Dedicou-se ao estudo da Física e da Astronomia mas, como outros oratorianos, também ele foi vítima da política anti-clerical pombalina, vendo-se forçado a deixar o país, em 1761. Depois de uma permanência de dois anos em Paris, estabeleceu-se em Bruxelas, onde foi eleito membro da Academia Imperial e Real das Ciências e Belas Letras e foi bibliotecário da Biblioteca Real de Bruxelas. Chegou a presidir a essa Academia. Nos últimos anos da sua vida esteve em Praga e Viena.Entre 1752 e 1760 desenvolveu em Portugal uma intensa actividade científica no domínio da Astronomia. Efectuou notáveis observações astronómicas no Observatório da Casa das Necessidades e tornou-se correspondente do astrónomo francês Delisle (1688-1768). Este astrónomo fomentava as relações científicas internacionais, promovendo observações astronómicas simultâneas em várias partes do mundo, particularmente dos eclipses da Lua e dos satélites de Júpiter, para determinar as longitudes dos lugares. Na correspondência que enviava para Delisle, Chevalier incluiu também observações realizadas por jesuítas no Colégio de Santo Antão. Pelos seus valiosos contributos, foi admitido sócio correspondente da Academia das Ciências de Paris.Colaborou cientificamente com a Royal Society. Nove das suas observações, uma das quais realizadas em colaboração com Teodoro de Almeida, foram publicadas nas Philosophical Transactions, entre 1754 e 1758.Artigos publicados nas Philosophical Transactions da Royal Society:- Observationes Eclipsium Satellitum Jovis habitae Ulissipone in Regali Collegio Beatissimae Virginis à necessitatibus… anno 1753. Philosophical Transactions. London. 48 (1754) 546.- Observatio Solis defectus Ulissipone habita, in Aede Beatissimae Virginis à necessitatibus… die 26ª Octobris 1753, idem, 546-548.- An account of some astronomical observations taken at Lisbon... in the year 1753, idem, 548-550.- Observationes Eclipsium Satellitum Jovis habitae Ulissipone in Regio Collegio Beatissimae Virginis à Necessitatibus... anno 1754. idem, 49 (1755) 48.- Observatio Eclipsis Lunae die 27 Martii, ann. 1755. habita Ulissipone in Domo Patrum Congregationis Oratorii... idem, 50 (1757) 374-375.- Eclipsis Lunae die 4ª Februarii, ann. 1757 habita Ulissipone... idem, 376-377.- Observationes Eclipsum Satellitum Jovis Ulissipone habitae… idem, 377.- Observationes Eclipisum Satellitum Jovis Ulissipone habitae… anno 1757, idem, 378.- Observatio Eclipsis Lunae Die 30 Julii 1757. habita Olissipone... idem, 50 : 2 (1758) 769-771.
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- história da ciência
November 2 2010, 7:00pm | Comments »






