Informação recebida do Museu de Ciência da Universidade de Coimbra (na imagem, o matemático e astrónomo Clavius, um dos cientistas mais eminentes que esteve em Portugal):Lançamento de livro na quarta-feira, 3 de Novembro, às 18h00, em CoimbraChama-se Breve História da Ciência em Portugal e é a mais recente obra da autoria de Carlos Fiolhais, Professor Catedrático no Departamento de Física da Universidade de Coimbra (UC) e director da Biblioteca Geral da UC, e de Décio Martins, Professor de Física do mesmo departamento e responsável pelas colecções de Física do Museu de Ciência. O livro é uma co-edição da Imprensa da UC e da Gradiva Publicações e tem apresentação marcada para o dia 3 de Novembro, às 18h00, no Gabinete de Física do Museu da Ciência da UC.“Investigar a história da ciência é a única forma de trazer à luz aspectos da História de Portugal que expliquem melhor quem somos e para onde devemos ir”. É com essas palavras que Carlos Fiolhais e Décio Martins justificam a publicação de Breve História da Ciência em Portugal.Os autores explicam que a obra permite ao leitor “fazer uma viagem no tempo, conhecendo episódios que marcaram a actividade científica nacional desde a época dos Descobrimentos Portugueses até aos dias de hoje”. Acrescentam ainda que o livro “destina-se a todo o público interessado na história da ciência em Portugal, um tema que ainda não tinha sido divulgado no nosso país de forma resumida e acessível ao público não especializado”.Em Breve História da Ciência em Portugal, o leitor pode encontrar, entre outras, a história de Cristophorus Clavius, um dos mais notáveis matemáticos e astrónomos do final do século XVI e início do século XVII. “Cristophorus Clavius foi um jesuíta que estudou em Coimbra e um dos principais autores do Calendário Gregoriano, o calendário utilizado nos países ocidentais. Depois de concluir os seus estudos em Coimbra, foi para Roma, tornando-se amigo de Galileu”, explicam os físicos.A apresentação desta Breve História da Ciência estará a cargo de Fernando Catroga, Professor Catedrático da Faculdade de Letras da UC. A sessão incluirá uma visita guiada às colecções expostas no Gabinete de Física da UC, orientada pelos autores do livro. A entrada é livre.
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RESUMO DE HISTÓRIA DA CIÊNCIA PORTUGUESA
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November 2 2010, 5:32pm | Comments »
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José Francisco Correia da Serra (1751-1823)
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Informação recebida da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra relativa à exposição "Membros portugueses da Royal Society" a inaugurar a 15 de Novembro na Biblioteca Joanina:José Francisco Correia da Serra (1751-1823)Naturalista e diplomata. Foi eleito membro da Royal Society em 3 de Março de 1796.Figura de relevo do Iluminismo português, nasceu em Serpa e estudou em Roma onde se tornou presbítero. De volta ao país, fundou, com o Duque de Lafões, a Academia Real das Ciências de Lisboa e desempenhou o cargo de Secretário da instituição nos seus primeiros anos de actividade, prestando um notável contributo para o desenvolvimento e promoção da investigação científica. Com regressos intermitentes a Portugal, entre 1786 e 1821 esteve emigrado em França, Inglaterra e Estados Unidos, onde contactou com alguns dos mais famosos cientistas da sua época, como por exemplo o geógrafo e naturalista alemão von Humboldt (1769-1859), o botânico suíço Candolle (1778-1841) ou o médico e botânico francês Jussieu (1748-1836). Manteve sempre ligações com o seu país natal, correspondendo-se, entre outros, com Avelar Brotero (1744-1828). Nos Estados Unidos da América desempenhou funções diplomáticas em Washington, conviveu com o presidente Thomas Jefferson (1743-1826), de quem se tornou amigo, e cursou na American Philosophical Society em Filadélfia. Embora estivesse também interessado em Zoologia e Geologia, a sua área de investigação mais fecunda foi a Botânica. Membro de várias academias e sociedades científicas, publicou nas mais prestigiadas publicações europeias e americanas do seu tempo, em especial sobre a classificação sistemática das espécies vegetais, em que introduziu o conceito de simetria, e desenvolveu estudos em Carpologia, um dos ramos da botânica então criados.Em 1796 e 1799 contribuiu nas Philosóphical Transactions com duas comunicações, uma sobre os órgãos reprodutores das algas a outra sobre vegetação submarina na Costa Este da Inglaterra, concluindo assim a colaboração dos portugueses do século XVIII nessa publicação da RSL.Principais trabalhos publicados:- On the Fructification of the submersed algae. Philosophical Transactions. London. 86 (1796) 494-505.- On two genera of plants belonging to the natural family of the Aurantia. Transactions of the Linnean Society of London. 5 (1799) 218-226.- On a submarine Forest, on the East Coast of England. Philosophical Transactions. London. 89 (1799) 145-156.- On the Doryanthes, a new Genus of Plants from New Holland next akin to the Agave. Transactions of the Linnean Society of London. 6 (1800) p. 211-213.- De l’état des sciences et des lettres parmi les Portugais pendant la seconde moitié du siècle dernier. Archives Littéraires de l’Europe. Paris. 1 (1804) 63-77, 269-290.- Observations sur la Famille des Oranges et sur les Limites qui la Circonscrivent.. Annales du Muséum d´Histoire Naturelle. Paris. 6 (1805) 376-387.- Observations Carpologiques. Annales du Muséum d´Histoire Naturelle. Paris. 8 (1806) 59-68.e Suite des Observations Carpologiques, id., 389-400.- Vues Carpologiques. Annales du Muséum d´Histoire Naturelle. Paris. 9 (1807) 283-293, e Suite des Observations Carpologiques, id., 283-288.- Vues Carpologiques, Article II. Annales du Muséum d´Histoire Naturelle. Paris. 10 (1807) 151-156 e Suite des Observations Carpologiques, id., 157-162.- Sur la germination du Nélumbo. Annales du Muséum d´Histoire Naturelle. Paris. 14 (1809) 74-81.- Sur la valeur du Périsperme considéré comme caractère d’affinité des plantes. Annales du Muséum d´Histoire Naturelle. Paris. 118 (1811).- General consideration upon the past and future state of Europe. American Review of History and Politics. Philadelphia. 4 (1812) 354-366.- Reduction of all genera of plants contained in the Catalogus plantarum Americae Septentrionalis, of the late Dr. Muhlenberg, to the natural families of Mr. Jussieu´s system : for the use of the gentlemen who attended the course of elementary and philosophical botany in Philadelphia in 1815. Philadelphia : [American Philosophical Society?], 1815.- Observations and Conjectures on the Formation and Nature of the Soil of Kentuky. Philosophical Transactions of the American Philosophical Society. Philadelphia. 1 (1818) 174-180.
November 1 2010, 4:47pm | Comments »
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EL REI VISITA A ESCOLA POLITÉCNICA
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Fernando Correia Cardoso, no seu recente livro "Os Relógios da República" (Âncora) ressuscitou este excerto d' "As Farpas" de Eça de Queiroz de 1878 relativo à visita do rei D. Luís à Escola Politecnica em 1877 para inaugurar uma linha de telefone com o Observatório da Ajuda (vai na grafia da época):"Por occasião da visita de el-rei á Escola Polytechnica funccionou o telephonio entre uma das salas da Escola e o Observatorio da Tapada.Approximando-se do novo apparelho transmissor dos sons, dizem os jornaes que sua magestade ouvira- um solo de cornetim! Houve primeiro duvida sobre se o fio ligava a Escola Polytechnica com o Observatorio Astronomico ou se a ligava com a phylarmonica "União e Capricho". O solo era effectivamente executado pelo Observatorio.Emquanto a astronomia tocava cornetim é natural que, em compensação, a arte musical se occupasse em determinar uma parallaxe.A unica cousa que extranhamos é que o Observatorio não observasse entre as suas peças de musica alguma coisa mais interessante para transmittir a el-rei do que o proprio hymno do mesmo augusto senhor.Que o Observatorio cultive a especialidade do cornetim, perfeitamente de accordo! mas que elle cultive igualmente a especialidade do hymno parece-nos um abuso que o principe não levará a bem.Reflectiu por acaso o Observatorio no que é o hymno para um cerebro coroado? Cremos que o Observatorio não desceu ainda com as suas conjecturas ao fundo d'esse abysmo. É horroroso.Para os cerebros coroados o hymno equivale a uma enfermidade monstruosa.O observatorio faz certamente ideia do que é ter zumbidos, não é verdade? Pois ter hymno é peor. É ter constantemente, durante toda a vida, em casa, na rua, em viagem, nas cidades, nas villas, nas aldeias, sobre as proprias aguas do mar, sempre, por toda a parte como doença chronica, como affecção incuravel do nervo acustico, a audiçao do mesmo trecho de musica!--O que deve levar paulatinamente á loucura.Que o Observatorio se compadeça do infeliz principe condemnado a tão incomportavel flagello! O Observatorio ha de ter conhecimento das contrariedades que amarguram a existencia; o Observatorio ha de ter faltas de dinheiro, ha de ter constipações, ha de ter dores de dentes, ha de ter calos. O principe tem tudo isto, e demais a mais tambem tem hymno. Poupemo-lo ao desgosto de o fazer acompanhar pelo seu triste mal ás regiões da sciencia! Inflijamos-lhe o solo, visto que não ha outro remedio, mas perdoemos-lhe por esta vez o hynmo! Sejamos terriveis, mas sejamos justos! A providencia collocou-nos na mão o cornetim. O monarcha presta-nos submissamente o seu real ouvido. Não abusemos d'esse instrumento poderoso e d'essa orelha innocente! Compenetremo-nos da tremenda responsabilidade que pesa sobre nossas cabeças! Somos cornetistas, mas somos tambem astronomos ... Toquemos o "Pirolito!" E a posteridade nos abençoará."Eça de Queirós
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October 30 2010, 3:58pm | Comments »
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Bento de Moura Portugal (1702 - 1766)
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Informação recebida da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra relativa à exposição sobre Sócios Portugueses da Royal Society que inaugura a 15 de Novembro:Bento de Moura Portugal (1702 - 1766)Físico e engenheiro. Foi eleito membro da Royal Society em 5 de Fevereiro de 1741.Nasceu em Moimenta da Serra, Gouveia, e morreu no forte da Junqueira, em Lisboa, onde se encontrava encarcerado, vítima do regime pombalino, acusado de conspiração contra o governo.Cavaleiro da Casa Real e da Ordem de Cristo, estudou Direito na Universidade de Coimbra. Para desenvolver as suas invulgares competências técnicas em assuntos mecânicos, foi enviado por D. João V para o estrangeiro. Assim, durante alguns anos, viajou pela Europa, demorando-se na Alemanha, e também em Inglaterra, onde aprendeu a filosofia newtoniana. Cientista notável, foi chamado “Newton português”. Foi autor de vários inventos e trabalhos de melhoramento para o reino, nomeadamente na área da hidráulica, para benefício da agricultura. Um dos seus méritos foi o melhoramento do funcionamento da máquina de vapor do inventor inglês Thomas Savery (c.1650-1715). A sua máquina, chamada “de fogo”, era capaz de funcionar por si mesma, um progresso muito apreciado pelo inglês John Smeaton (1724-1792), um dos pioneiros da locomotiva, que a divulgou nas Philosophical Transactions.Alguns dos seus escritos foram redigidos no cárcere, em condições dramáticas e completamente ignorado. Prestou-lhe homenagem e reconhecimento público Teodoro de Almeida quando, juntamente com uma crítica ao comportamento despótico do Marquês de Pombal, incluiu, no terceiro volume da sua obra Cartas físico-mathemáticas (Lisboa, 1799), a carta com o título Sobre huma máquina para provar a causa das marés, segundo a doutrina do grande Bento de Moura Portugal. Os 28 cadernos de manuscritos da prisão, juntamente com outros apontamentos do autor, foram publicados pela primeira vez pela Imprensa da Universidade de Coimbra, em 1821, sob o título Inventos e vários planos de melhoramento para este Reino : escriptos nas prisões da Junqueira por Bento de Moura Portugal.Bibliografia:- PORTUGAL, Bento de Moura, 1702-1766? - Inventos e vários planos de melhoramento para este Reino : escriptos nas prisões da Junqueira. Coimbra : Na Imprensa da Universidade, 1821. LVII, 223 p. UCBG RB-23-23- SMEATON, John, 1724-1792 - An engine for raising water by fire, being an improvement of Savery’s construction, to render it capable of working itself, invented by Mr. de Moura of Portugal, F.R.S. Philosophical Transactions. London : Royal Society of London. 47 (1751/1752) 436-439. Contém gravura em folha desdobrável. UCBG A-48-2
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October 29 2010, 2:56am | Comments »
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II Congresso de Língua Portuguesa
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Informação recebida do Instituto Piaget:II Congresso de Língua Portuguesa, a 26 e 27 de Novembro, em Almada, com sessão sobre "O Português como livro de ciência". Ver aqui.
October 27 2010, 5:49pm | Comments »
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João Baptista Carbone (1694 - 1750)
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Texto recebido da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra relativo a um dos cientistas portugueses que foram membros da Royal Society de Londres (exposição na Biblioteca Joanina a inaugurar a 15 de Novembro):Astrónomo. Foi eleito membro da Royal Society em 6 de Novembro de 1729.Padre jesuíta, natural de Nápoles, Itália, veio para Portugal em 1722, onde permaneceu durante 28 anos, até à sua morte. Foi bastante próximo do rei D. João V, que tinha em alta consideração os seus conhecimentos de astrónomo e que lhe mandou erigir um observatório astronómico em Lisboa, no Terreiro do Paço, apetrechado com os melhores instrumentos comprados no estrangeiro. Recebeu o título de matemático régio e foi reitor do Colégio de Santo Antão, em Lisboa, onde contribuiu para a instalação do observatório astronómico dessa famosa escola da Companhia de Jesus.Efectuou inúmeras observações astronómicas. Dez das mais importantes foram comunicadas à Royal Society por Sequeira Samuda e Castro Sarmento, tendo sido publicadas nas Philosophical Transactions entre 1724 e 1730. A primeira observação publicada foi realizada em colaboração com o padre italiano Domenico Capacci (1694-1736), que esteve em Portugal entre 1722 e 1729, e foi apresentada à Royal Society por António Galvão de Castelo Branco. Fez também chegar à sociedade observações de outros sábios portugueses e estrangeiros.Teve um papel fundamental na entrada de Portugal nos meios científicos internacionais no que respeita à astronomia, estabelecendo relações com algumas das mais altas personalidades dessa área de investigação, tais como Bradley, Cassini e Maraldi, Molineaux, Delisle e Bianchini.Artigos do Padre Carbone publicados nas Philosophical Transactions (e contemporâneos da construção da Biblioteca Joanina):- Observatio Lunaris eclipsis habita Ulyssipone in Palatio Regio Die 1. Novembris 1724. Communicante Excellentissimo Domino, Dno de Galvaon… Philosophical Transactions. London. 33 : 385 (1724) 180-185.- Meridianorum Ulyssiponensis, Parisiensis & Londinensis differentia... ad Isaacum Sequeyra Samuda… Philosophical Transactions. London. 33 : 385 (1724) 186-189.- Observationes astronomicae habitae Ulyssipone, anno 1725, & sub init. 1726… Communicante Isaaco Sequeyra Samuda… Philosophical Transactions. London. 33 : 394 (1726) 90-92.- De poli elevatione Ulyssipone. Philosophical Transactions. London. 33 : 394 (1726) 92-95.- Observationes altitudinum Solis meridianarum ad poli elevationem investigandam Ulyssip. Philosophical Transactions. London. 33 : 394 (1726) 95-100.- Observatio Solaris deliquii celebrati die 25. Septemb. 1726. habita Ulyssipone in Observatorio Regii Palatii. Philosophical Transactions. London. 35 : 400 (1727) 335-338.- Lunaris eclipsis celebrata die 10. Octob. an. 1726. & in Observatorio Collegii D. Antonii Magni observata ab Eodem. Philosophical Transactions. London. 35 : 400 (1727) 338-342.- Observationes astronomicae habitae Ulyssipone, anno 1726… Communicante Isaaco Sequeyra Samuda… Philosophical Transactions. London. 35 : 401 (1728) 408-413.- Observationes astronomicae…communicante Is. de Seguera Samuda… Philosophical Transactions. London. 35 : 403 (1728) 471-479.- Observatio Lunaris eclipseos, Ulissipone habita die 2 Februarii, an. 1730, N. S. in Collegio Divi Antonii Magni... Ex ejusdem Cl. Viri Epistola ad Jacobum de Castro Sarmento… Philosophical Transactions. London, 36 : 414 (1730) 363-365.
October 27 2010, 5:37pm | Comments »
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Lançamento de "Breve História da Ciência em Portugal"
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Informação recebida da Imprensa da Universidade de Coimbra:O Director da Imprensa da Universidade de Coimbra e o Director do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra têm o prazer de convidar V. Ex.ª para o lançamento da obra Breve História da Ciência em Portugal, da autoria de Carlos Fiolhais e de Décio Ruivo Martins, numa co-edição da Imprensa da Universidade de Coimbra e da Gradiva Publicações, Lda.A cerimónia terá lugar no dia 3 de Novembro de 2010, pelas 18h00, no Anfiteatro do Gabinete de Física do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, estando a apresentação a cargo do Prof. Doutor Fernando Catroga.Será realizada uma visita guiada às colecções expostasno Gabinete de Física, orientada pelos autores do livro.
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October 27 2010, 5:19pm | Comments »
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Jacob de Castro Sarmento (1691? - 1762)
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Informação recebida da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra relativa à exposição, a inaugurar a 15 de Novembro na Biblioteca Joanina, sobre membros portugueses da Sociedade Real de Londres (na figura livro recém-publicado sobre esse notável judeu português):Jacob de Castro Sarmento (1691? - 1762)Médico. Foi eleito membro da Royal Society em 5 de Fevereiro de 1730.De origem judaica, nasceu em Bragança. Formou-se em Artes na Universidade de Évora e em Medicina na Universidade de Coimbra. Para fugir à Inquisição estabeleceu-se em Londres, em 1721. Tornou-se membro do Colégio Real dos Médicos de Londres e obteve o grau de Doutor pela Universidade de Aberdeen, na Escócia.Em Londres conviveu com os médicos Sequeira Samuda e Ribeiro Sanches e relacionou-se com altos dirigentes políticos portugueses em missão diplomática na capital britânica, tais como Marco António de Azevedo Coutinho e Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marquês de Pombal. Manteve sempre relações com Portugal, exercendo uma forte influência sobre a cultura e a ciência portuguesa, ao divulgar as ideias mais modernas.Ofereceu à Universidade de Coimbra, para uso nas aulas de medicina, um microscópio datado de 1731 e construído por Edmond Culpeper (1670-1738), que pertence hoje ao Museu da Ciência da UC.Com a sua obra Teórica verdadeira das marés… (Londres, 1737) contribuiu para a difusão da filosofia newtoniana em Portugal. Na primeira parte do seu livro Matéria médica… (Londres, 1735), tratou do estudo químico das águas, usando as técnicas então mais recentes nessa área. Realçou as qualidades terapêuticas das águas minerais e fez uma tentativa de classificação sistemática dos medicamentos de origem mineral. Na segunda parte, publicada em 1758, classificou os medicamentos de origem vegetal e animal. No Apêndice ao que se acha escrito na Matéria Médica… (Londres, 1753) analisou as águas minerais das Caldas da Rainha. Notabilizou-se também na actividade comercial, exportando para Portugal a famosa “Água de Inglaterra”, um remédio à base de quinina utilizado para tratar o paludismo. Anos antes, na sua obra Dissertatio in novam, tutam, ac utilem methodum inoculationis… variolarum… (Londres, 1722) tinha estudado e divulgado os novos métodos de inoculação da varíola. Elaborou um plano pormenorizado para a criação de um horto botânico em Coimbra (1731), com a proposta, feita à Academia Real de História, do envio de sementes do Chelsea Physic Garden para esse horto.Colaborou nas Philosophical Transactions com um artigo original, publicado em 1731, em que relata a descrição das minas de ouro e diamantes da região do “Serro do Frio” no Brasil, com a apresentação de observações astronómicas que recebeu de Portugal, enviadas por Carbone, Sachetti Barbosa e Chevalier, e de várias comunicações recebidas de cientistas estrangeiros.Principais obras publicadas:- Dissertatio in novam, tutam, ac utilem methodum inoculationis, seu transplantationis variolarum, Thessaliae, Constantinopoli, et Venetiis primò inventam, nunc que hac in Civitate… cum criticis notis in varios autores de hoc morbo scribentes. Editio secunda. Londini : [s.n.], 1722. [6], 40 p.- Siderohydrologia, ou discurso pratico das aguas mineraes espadanas, ou chalybeadas, em que se mostra sua natureza, composição... Londres : [s.n.], 1726.- A letter from Jacob de Castro Sarmento, M. D. and F. R. S. to Cromwell Mortimer, M. D. Secr. R. S. concerning diamonds lately found in Brazil. Philosophical Transactions. London. 37 : 421 (1731) 199-201.- [Projecto de] Bibliotheca Botânica [e Jardim Botânico] [Visual gráfico]. E. Oakley, archit. ; B. Cole, sculp. [S.l : s.n.], 1731. 73,8x54 cm. Projecto, não executado, de Jardim Botânico e Biblioteca Botânica para a Universidade de Coimbra, dedicado a Francisco Carneiro de Figueiroa, Reitor da Universidade. Com a legenda: "... Ichonographiam hanc ad Hortum Botanicum erigendum in Scientiae Naturalis et Medicinae Facultatis augmentum...". No canto superior direito, fig. alegórica "In Horto Proficiam".- Specimen da primeira parte da Materia-medica historico-physico-mechanica, em que se tracta dos fossiles, e de todos os metaes, saes, pedras, terras, enxofres… e se mostram as propriedades e usos humanos dos ditos corpos, d'onde se acham, de que modo se alcançam ou purificam… Londres : [s.n.], 1731.- Materia medica physico-historico-mechanica : Reyno mineral, Parte I, a que se ajuntam, os principaes remedios do prezente estado da Materia Medica; como sangria, sanguesugas, ventosas sarjadas, emeticos, purgantes, vesicatorios, diureticos, sudoriforos, ptyalismicos, opiados, quina quina [sic], e, em especial, as minhas Agoas de Inglaterra como tambem, huma Dissertaçam latina sobre a Inoculaçam das Bexigas. Londres : [s.n.], 1735. [2], 16, liii, 538 [i.e. 529], [22]; [2], IV, 43 p.- Theorica verdadeira das marés, conforme a philosophia do incomparavel cavalhero Isaac Newton. Londres : [s.n.], 1737. XV, [8], 136 p.- Relação de alguns experimentos e observações feitas sobre as medicinas de mad. Stephens, para dissolver a pedra… Ajunta-se um compendio historico de todos os factos desde a origem d’este descobrimento… Londres : [s.n.], 1742.- Tratado das operações de cirurgia, com as figuras e descripção dos instrumentos de que n'ella se faz uso, e uma introducção sobre a natureza e methodo de tractar as feridas, abcessos e chagas composto por Mr. Sharp, traduzido em português, e seguido da Materia-cirurgica. Londres : [s.n.], 1746.- Appendix ao que se acha escrito na Materia Medica, do Dr. J. de Castro Sarmento, sobre a natureza, contentos, effeytos, e uso pratico, em forma de bebida, e banhos, das agoas das Caldas da Rainha… A que se ajunta o novo Methodo de fazer uso da agoa do mar, na cura de muitas enfermidades chronicas, em especial nos achaques das glandulas. Londres : [s.n.], 1753. 179 p.- Do uso, e abuso das minhas Agoas de Inglaterra, ou Directorio, e instruccam, para se saber seguramente, quando se deve, ou não, usar dellas, assim nas enfermedidades agudas como em algumas chronicas e em casos propriamente de cirurgia. Londres : em caza de Guilherme Strahan, 1756. 288 p.- Materia medica physico-historico-mechanica : Reyno mineral, Parte I, a que se ajuntam, os principaes remedios do prezente estado da materia medica… Ediçam nova, corrigida, e repurgada, a que se accrescentam por continuaçam desta obra, para fazela completa, os reynos vegetal, e animal, Parte II. Londres : em caza de Guilherme Strahan, 1758. 14, LI, [1], 580, [22], 6 p.
October 26 2010, 8:11am | Comments »
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Biblioteca Joanina mostra microscópio mais antigo de Portugal
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Transcrevemos notícia do jornal "As Beiras" (ligeiramente editada):O microscópio mais antigo do país, oferecido pelo médico Jacob de Castro Sarmento à Universidade de Coimbra (UC), vai estar patente numa exposição na Biblioteca Joanina, no âmbito da abertura do piso intermédio deste monumento emblemático.O instrumento foi doado no início do século XVIII pelo médico (formado pela UC), que era membro da Royal Society of London, e será exibido no âmbito de uma exposição, a inaugurar a 15 de novembro, sobre os sócios portugueses dessa academia científica.O diretor da Biblioteca Geral da UC (BGUC), Carlos Fiolhais, disse hoje à agência Lusa que com a abertura, a 1 de novembro, do piso intermédio da Joanina, os turistas passam a ter acesso por inteiro a este “ex-libris” do Paço das Escolas.Atualmente os turistas podem visitar o piso nobre da Biblioteca Joanina, “um dos sítios mais procurados da UC pelos turistas e talvez mesmo do país”, segundo o catedrático, estando também acessível o piso inferior, a antiga Prisão Académica, que tem acolhido várias exposições.A exposição sobre os sócios portugueses da Sociedade Real de Londres, a academia cientifica mais antiga do mundo ainda em funcionamento, vai permitir conhecer melhor 25 membros nacionais desta instituição, à qual pertenceram por mérito próprio, e que são na sua maioria do tempo da construção e abertura da Biblioteca Joanina – explicou Carlos Fiolhais.O original dos Estatutos da UC devidos ao Marquês de Pombal vai estar também exposto na mostra, em que vão igualmente ser focados aspetos da vida de João Jacinto de Magalhães, outro português membro da Royal Society of London, cientista que patrocinou um prémio científico ainda atribuído atualmente por uma sociedade americana.“É um encontro com a história, a Biblioteca Joanina é um sítio emblemático da nossa história”, vincou o diretor da BGUC.Esta exposição vai estar patente até Fevereiro e compreende, no dia 10 de dezembro, um colóquio com convidados da Sociedade Real de Londres.Preenchido com livros antigos, o piso intermédio dos três da Joanina que, a partir do próximo dia 1 também poderá ser apreciado pelos turistas, vai ser animado com exposições periódicas mostrando, por exemplo, edições do rico espólio da UC – segundo Isabel Gomes, responsável pela gestão do circuito turístico do Paço das Escolas.Além dos vários espaços da Universidade já disponíveis para os turistas, esta responsável adiantou à Lusa que a Torre da UC deverá também abrir ainda este ano ao público para visitas regulares.Para “mostrar toda a beleza e potencial histórico” do espaço, estão também previstos para 2011 um plano de concertos e uma exposição de fotografia, na Prisão Académica, sobre a Biblioteca e o Paço das Escolas, entre outros eventos destinados a dinamizar o circuito turístico da UC.“A Universidade de Coimbra é, provavelmente, o espaço mais visitado em Coimbra e um dos mais visitados na região Centro. Convém que a satisfação de quem nos visita seja aumentada”, disse esta responsável, que estima que cerca de meio milhão de pessoas aceda anualmente ao Paço das Escolas.
October 25 2010, 6:12pm | Comments »
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IMAGENS EM CIÊNCIA
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A propósito do recente falecimento do matemático Benoît Mandelbrot, craidor de imagens como a de cima (conjunto de Mandelbrot) recupero um texto meu do livro "A Coisa Mais Preciosa que Temos" (Gradiva):Algumas imagens ficaram lendárias na ciência. A física atómica começou em 1896 quando o alemão Wilhelm Roentgen, o primeiro prémio Nobel da Física, descobriu inadvertidamente os raios X, ao reparar que uma placa fotográfica ficava impressionada mesmo que não tivesse sido exposta a radiação visível. Uma imagem que ficou famosa foi a da própria mão de Roentgen vista aos raios X (que, em alemão, são conhecidos por “Roentgenstrahlung”, raios de Roentgen). A própria física nuclear começou mais ou menos na mesma altura também com uma imagem casual: o francês Henri Becquerel deixou embrulhado numa película fotográfica um pedaço de minério de urânio e a película, quando revelada, mostrou evidência da radioactividade natural do urânio. O núcleo atómico surgiu desta maneira inusitada.Lembremos ainda, do outro lado da escala do mundo, as primeiras imagens de astronomia recolhidas pela luneta do italiano Galileo Galileo e desenhadas pela mão deste no século XVI: as crateras da Lua, a face manchada do Sol, as luas de Júpiter. Quão longe se estava mas quão perto se ficou das imagens recolhidas hoje pelo telescópio Hubble, que olha, por cima da atmosfera, para tudo quanto é sítio! A astronomia já existia antes do telescópio, mas a astronomia moderna é inimaginável sem o telescópio e as imagens que este prodigiosa e prodigamente fornece.Nas ciências da vida, ocorreu uma revolução profunda quando apareceram imagens de pequenos e estranhos microorganismos no primeiro microscópio manejado no século XVIII pelo holandês Anton van Leeuwenhoek. Onde não havia nada passou a haver um jardim zoológico de criaturas nunca antes imaginadas. A realidade microscópica era mais estranha do que a mais delirante ficção.As novas imagens criadoras de ciências novas foram possibilitadas por instrumentos como os telescópios e microscópios, que trouxeram realidades distantes para o alcance da nossa vista e da nossa compreensão. Ao mostrarem a realidade reduzida ou ampliada criaram uma nova realidade. Questões científicas novas surgiram em catadupa, entroncando nas que já existiam e sendo resolvidas de modo semelhante. E também surgiram questões filosóficas inéditas, como a de saber se as luas de Júpiter ou os micróbios numa gotícula estavam lá antes de terem sido vistos...Se é certo que outrora e hoje não há imagens sem ciência (basta pensar na fotografia, no telescópio ou no microscópio), não é menos certo que não há ciência sem imagens. Com efeito, as concepções do mundo que os cientistas desenvolvem baseiam-se, mais do que em palavras, equações e outras cifras mais ou menos abstractas, em imagens bem concretas. Um praticante das ciências exactas e naturais necessitará do rigor do formalismo matemático para fixar melhor o seu pensamento e demonstrar as suas intuições imediatas, mas as suas ideias desenvolvem-se por via de regra com base em imagens bem nítidas. As previsões dos cientistas exigem previamente visões.Estas imagens ou visões prévias são obviamente de dois tipos – imagens exteriores e imagens interiores – conforme se formem num suporte material, como uma película fotográfica, ou forem simplesmente projectadas na mente. Podemos falar de imagens reais, no primeiro caso, ou de imagens virtuais, no segundo.As imagens exteriores necessitam de instrumentos adequados, por exemplo as imagens fotográficas exigem câmaras para serem captadas. Os físicos, por exemplo, recolhem imagens desse tipo na exploração que empreendem do mundo. O mesmo se passa com os médicos, para quem a imagiologia é hoje uma arma indispensável ao diagnóstico mais elementar. Em qualquer desses casos e em muitos outros, é preciso ver para crer, é necessário ver para saber.Mas os matemáticos e os físicos vivem profissionalmente das suas imagens interiores, das imagens que formam nos seus cérebros. O mais famoso dos físicos teóricos, Albert Einstein, disse um dia que chegou à sua teoria da relatividade restrita imaginando como seria o mundo visto a partir de um raio de luz, isto é, se ele próprio fosse “a cavalo” num fotão ou grão de luz. Imagens mentais estão presentes mesmo nos raciocínios mais abstractos, por exemplo quando os físicos pensam em partículas como “cordas num espaço-tempo a 11 dimensões” ou “quarks coloridos e com charme”. Imagens deste tipo ganham realidade no mundo material quando são rabiscadas nas costas de um envelope para o próprio as ver melhor ou riscadas num quadro negro para transmitir um argumento a um colega.Hoje em dia existem, porém, outras imagens para além das exteriores e interiores. São obtidas por uma terceira via, que surgiu entre a ciência experimental e a ciência teórica tradicionais. São as imagens produzidas pelo computador. São, por um lado, imagens exteriores: têm um suporte físico que é o ecrã do monitor ou o papel da impressora. Mas, por outro lado, reproduzem uma realidade imaginada, mental, seguramente do domínio do imaterial. De resto, os computadores criaram também, tal como o telescópio e o microscópio, uma ciência nova: as ciências da complexidade. Poder-se-ia chamar ao computador o “complexoscópio”... Ficaram ao alcance da ciência, ao nosso alcance, realidades que pareciam antes demasiado complicadas para nós e, por isso, demasiado afastadas de nós. Por exemplo, as belas imagens fractais criadas pelo matemático francês de origem polaca Benoît Mandelbrot baseiam-se no computador e seriam inviáveis sem esse instrumento. Ao apareceram, deram origem a uma matemática e a uma física novas ou, melhor, renovadas.O computador permite definir melhor imagens interiores e projectá-las para o exterior (a arte de programação confere vida a modelos do mundo real ou de mundos fictícios). A simulação permite compreender o mundo na medida em que ele é imitado por uma máquina que controlamos. Por outro lado, permite tratar imagens exteriores e, com isso, proporcionar ou refazer imagens interiores. O real e o virtual aparecem inextrincavelmente ligados.As imagens artificiais do computador podem ser mais ou menos realistas. Porém, o computador moderno permite um tipo de imagens radicalmente realistas, no sentido em que podem enganar os nossos sentidos. Na realidade virtual, que é disso que estamos a falar, mundos de imaginação são transmitidos ao cérebro como coisas concretas, por intermédio do capacete e luva de dados. O imaginador “entra” na coisa imaginada. O virtual torna-se real porque é percebido e vivido como tal (questões filosóficas muito interessantes brotam deste paradoxo...) Se olharmos para a história, vemos, em momentos cruciais, a ciência renovar-se a partir de imagens surpreendentes. Com as novas imagens da realidade virtual, a ciência estará a renovar-se mais uma vez. Sempre baseada em imagens, a nova ciência é a continuação da velha por outros meios.
October 23 2010, 3:10am | Comments »






