Durante os trabalhos de levantamento sistemático das colecções pertencentes à Universidade de Coimbra, com o objectivo de completar o inventário, deparámo-nos com um achado absolutamente extraordinário entre as colecções zoológicas.Guardados dentro de uma grande caixa de folha de flandres, encontravam-se 68 peixes de diferentes espécies conservados em seco, montados sobre cartão com a designação científica no sistema de Lineu, e alguns com dois nomes vulgares, um em português e o outro numa língua indígena do Brasil. Os cartões são contornados por um filete, nalguns casos preenchido a aguarela azul, com letra a preto numa caligrafia perfeita. O seu excelente modo de conservação através desta técnica descoberta no séc. XVIII, “em herbário”, em que apenas metade do exemplar era preservado prensado sobre uma folha de cartão e, depois de seco, envernizado e com esta qualidade, revelam inequivocamente a sua origem nas colecções do Real Museu da Ajuda com a caligrafia da Aula do Risco. No arquivo do Museu Bocage, existe o registo de uma importante remessa de espécimes do Real Museu para a Universidade de Coimbra datada de 1806, grande parte deles com origem na Viagem Filosófica de Alexandre Rodrigues Ferreira. Este registo, “Relação dos Produtos naturais e industriais que deste Real Museu se remeteram para a Universidade de Coimbra em 1806”, largamente estudado na secção de materiais etnográficos e antropológicos, refere o envio de 60 exemplares de peixes das colecções do Real Museu. Ao compararmos as designações científicas de Lineu nos exemplares, com o documento da remessa, verificamos que cerca de metade dos géneros indicados correspondem aos da colecção encontrada. Trata-se então de uma parte das recolhas que o grande naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira realizou para a coroa portuguesa na bacia do Amazonas, durante uma década, entre 1783 e 1792. Uma das mais notáveis e prolongadas expedições de naturalistas, realizadas durante o Séc. XVIII, procurando o conhecimento científico e sistemático da natureza exótica que então se descobria. As colecções enviadas para Portugal pelo naturalista, foram alvo de muitas vicissitudes, encontram-se dispersas por várias instituições incluindo uma parte levada para Paris durante as invasões francesas. Em particular, das colecções enviadas para Coimbra apenas está bem estudada a excelente colecção etnográfica dos índios da Amazónia. Neste momento, o Museu da Ciência tem em curso um projecto de investigação de história da ciência da Universidade de Coimbra, em que se procede ao estudo destas colecções fundadoras dos primeiros gabinetes universitários portugueses. A descoberta destes exemplares é absolutamente notável por se tratar de uma colecção raríssima, havendo poucos exemplares do Séc. XVIII de peixes do Brasil, montados deste modo, em todo o mundo – conhece-se um conjunto de 18 espécimes, com estas características, na Academia das Ciências de Lisboa -, além de abrir uma nova perspectiva quanto ao estudo e conhecimento das recolhas deste naturalista. É uma importante descoberta para a história natural em Portugal, para a história da ciência e para o estudo da biodiversidade, realizada mesmo no final do Ano Internacional para a Biodiversidade.
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Descoberta notável de colecção de peixes colectados no Séc. XVIII
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January 27 2011, 1:34pm | Comments »
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A apreensão de Dwight Eisenhower
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“Filmem e fotografem o máximo possível, pois pode ser que um dia digam que nada disso aconteceu.” Dwight EisenhowerOs campos de concentração de Auschwitz foram fechados há sessenta e seis anos. Foi no dia 27 de Janeiro de 1945. A cada ano que passa a memória desse dia e de muitos outros de que não nos devíamos jamais esquecer, torna-se mais ténue.A apreensão de Dwight Eisenhower, general do exército americano, comandante das Forças Aliadas na Segunda Grande Guerra, ganha sentido.Nem outra coisa seria de esperar, pois quem deve manter a memória histórica, a memória da humanidade viva, de modo que todos a partilhem, falha redondamente a tarefa. Refiro-me à escola, em primeiro lugar.Mas não se aponte o dedo apenas à escola, que é a instituição a quem sociedade há muito delegou a tarefa de ensinar. Paradoxalmente, é essa mesma sociedade que nega à escola o dever de ensinar... o drama é que a escola consente...NOTA: Sobre o assunto, leiam-se os textos que Palmira Silva aqui e aqui disponibilizou.
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January 27 2011, 5:43am | Comments »
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O MESSIAS
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Informação recebida da Bizâncio sobre uma história de um judeu famoso do século XVI que passou por Portugal:Título: O Messias, 3.ª ediçãoAutor: Marek HalterColecção: Ilhas Encantadas, 1Romance Histórico______________________________________________________________«A passagem de Reubeni por Portugal (…) provocou ao que parece conversões ao judaísmo, como a de Diogo Pires que tomaria o nome de Salomão Molco.»Maria José Pimenta Ferro TavaresDavid Reubeni diz-se general de um exército vindo do deserto, enviado por seu irmão José, o soberano do misterioso reino de Chabor. O seu projecto é arrojado: reunir na Europa um exército judeu que deverá tomar aos turcos a terra de Israel e constituir aí um reino judeu, devolvendo ao ocidente cristão o controlo dos lugares santos de Jerusalém. De olhar sombrio e aparente indiferença perante os clamores que suscita, este homem leva o seu projecto a Veneza; a Roma, à corte do papa Clemente VII; ao rei de Portugal D. João III; a Francisco I de França e até ao imperador Carlos V. Para os milhões de judeus europeus, perseguidos ou dificilmente tolerados, expulsos de Espanha, convertidos à força em Portugal, David Reubeni torna-se o Messias e por todo o lado a exaltação mística alimenta a lenda. Levará a bom termo o seu arrojado projecto? Escapará às apertadas malhas da Inquisição?
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January 18 2011, 10:31am | Comments »
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PÁTRIA
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Um dos nossos leitores enviou-nos este texto de Guerra Junqueira, in "Pátria", 1896, que não estará inteiramente desactualizado:"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."Guerra Junqueiro, 1896
January 17 2011, 2:17am | Comments »
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Crónicas do Condestável de Portugal
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D. NUNO ÁLVARES PEREIRA Crónicas do Condestável de Portugal de Academia Portuguesa da História Edição Fac-similada do texto preparado em 1972 por António Machado de Faria É uma das novidades que a editora QuidNovi apresenta este mês (disponível a partir do dia 20), novamente a aposta na História de Portugal e, sobretudo, numa publicação esgotada há já demasiado tempo.Fica, aqui, um pequeno excerto do prefácio assinado pela Prof.ª Manuela Mendonça, Presidente da Academia Portuguesa da História:No ano de 1972 a Academia Portuguesa da História publicava, em edição preparada pelo Académico de Número, António Machado de Faria, a Crónica do Condestável de Portugal D. Nuno Álvares Pereira. Tratava-se da sexta publicação de um texto que se vira impresso, pela primeira vez, em 1526. Seguira-se nova impressão em 1554, depois em 1623 e em 1644. No século XX, em 1911, apareceria uma única publicação do texto quatrocentista, se exceptuarmos a de 1937 que António Machado de Faria não considerou “visto ela não ser integral, mas adaptação de texto antigo feita pelo Dr. Jaime Cortesão, com intuitos de a expandir, talvez entre a juventude”.De há muito esgotadas todas as edições, o seu difícil acesso quase fez cair no esquecimento o texto que, na primeira metade do século XV, autor para nós anónimo dedicou à vida e feitos de Nuno Álvares Pereira.A consagração do guerreiro português, que a Igreja Católica reconheceu como santo, canonizando-o em 26 de Abril de 2009, fez voltar à memória, para uns de modo negativo, para outros positivo, o labor de um herói que ficou para sempre associado à crise da independência portuguesa, entre 1383 e 1385, e à vitória da dinastia de Avis, iniciada por D. João I. Essa circunstância levou a Academia Portuguesa da História, em colaboração com a editora QuidNovi, a decidir oferecer ao grande público, em edição fac-similada, o texto preparado em 1972 por António Machado de Faria.É, pois, nosso objectivo divulgar a obra que registou, pouco depois da sua morte, a vida de Nuno Álvares Pereira, escrita por alguém que de muito perto o conheceu e, porventura admirador e devoto do seu personagem, lhe enalteceu feitos e virtudes. Para que só esse aspecto se conheça da vida deste nobre? Não! Para que possamos perceber como o Homem se assumiu em integridade na sociedade em que estava inserido, fruto e agente de uma mentalidade, na sua relação social económica e política com os outros e com o poder. Porque é preciso não esquecer que Nuno Álvares Pereira foi, antes de tudo, um homem do seu tempo. E é à luz desse tempo que o devemos conhecer.
January 13 2011, 5:18am | Comments »
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Sobre as contas do Reino
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Um dos nossos habituais leitores fez-nos chegar este extracto do Discurso de Afonso Costa na Câmara dos Deputados em 20 de Novembro de 1906:"(...) Quando o Sr. Ministro da Fazenda mandou para a mesa o seu projecto de contabilidade pública, e depois o quis fortalecer com a afirmação de que, sem a votação dele, não poderia pôr-se cobro nem aos esbanjamentos, nem aos desperdícios, nem à ruína de que enfermava a administração anterior, o que supus e todos supusemos, antes da leitura da proposta e principalmente do projecto da comissão, foi que se encontrava nele a defesa completa e sistemática contra todo e qualquer pedido que pudesse representar qualquer espécie de tentativa sequer de defraudar o País. Mas, depois que vi e examinei essa proposta, reconheci com pasmo que ela de nada serviria a bem da Nação, nem contra os tais famosos costumes de administração. As consequências desses costumes, que o Sr. Ministro não quis denunciar-nos como devia, são no entanto bem frisantes e dolorosas, e definem-se em duas palavras: uma dívida pública de perto de 800.000.000$000 réis; uma dívida flutuante que vai até 72.000.000$000 réis; impostos que têm sempre aumentado, até quase quintuplicarem, de 1852 para cá; e, por outro lado, o País sem instrução, nem exército, nem defesa das costas, e fronteiras, nem marinha, nem, auxílio aos operários, nem nada do que se pede e precisa, porque nem sequer temos estradas, já que as existentes, que nos custaram dezenas de milhares de contos de réis, destruiu-as a triste iniciativa e casmurrice do Sr. João Franco num dos seus Ministérios anteriores, não consentindo nas reparações necessárias, e inutilizando assim um importante capital nacional que, pelo contrário, era mister valorizar e aumentar. Nós não temos absolutamente nada. Os costumes de administração foi o que deram: o País à beira da ruína; o desgraçado consumidor a braços com o imposto de consumo, que o leva à tuberculose e à miséria; o contribuinte cada dia mais incapacitado de panar as contribuições sempre crescentes; o proprietário disposto a abandonar as suas terras; o viticultor impossibilitado cie colocar os seis vinhos. Sr. Presidente: é a situação mais ruinosa e mais miseranda que se pode encontrar percorrendo a história, ainda mesmo dos povos que mais têm descido na sua economia e nas suas finanças. Pois, a par disto, e que encontramos efectivamente neste projecto não é uma tentativa séria de evitar a repetição desses tremendos abusos, mas sim, somente, uma nova poeirada sobre a ingenuidade do público, ao lado do propósito, explicitamente confessado pelo chefe do Governo, de dar uma espécie - como direi, Sr. Presidente -, uma espécie de refresco ao crédito da monarquia e ao crédito dos seus serviçais, exibido pelo Sr. Ministro da Fazenda em nome da suposta moralidade do Governo. V. Ex.ª vai ver. O que o projecto encerra pode dividir-se em duas partes distintas: 1.ª Fogo-de-vistas; 2.ª O fim confessado e declarado de tentar reabilitar a monarquia, continuando aliás com os mesmos processos de administração."Afonso Costain Portal da história,http://www.arqnet.pt/portal/discursos/novembro04.html
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December 31 2010, 4:32am | Comments »
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Recensão de "O Relógio da República"
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Minha apreciação em vídeo, gravado no Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho, em Coimbra, do livro "O Relógio da República" de Fernando C orreia de Oliveira, saído na Âncora Editora: aqui.
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December 1 2010, 3:51pm | Comments »
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CARTA DE D. CATARINA DE BRAGANÇA AO SEU MARIDO
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Na exposição sobre os portugueses na Royal Society (fundada em 1660 e com carta régia desde 1662), que está patente na Biblioteca Joanina em Coimbra é exibido o original de uma carta da rainha Catarina de Bragança ao seu esposo, Carlos II de Inglaterra, datado de 1661, quando a rainha, casada à distância, ainda não tinha ido para Inglaterra.Curiosamente, a jornalista e escritora Isabel Stilwell, incorpora parte do texto dessa carta na sua biografia romanceada "Catarina de Bragança. A coragem de uma infanta portuguesa que se tornou rainha de Inglaterra", Esfera dos Livros, 1ª edição, 2008. Lê-se na p. 257:"Meu caro marido e senhor meu,Se o contentamento de me ver com carta de Vossa Magestade pudesse ser satisfação igual da pena que me havia custado a falta dela, não seria necessário dizer-lhe a estimação que dela fiz,bem a alegria com que festejei a chegada de quem ma trouxe.(...) Mas quererá Deus trazer a armada breve e levar-me à vossa presença, pois só ver-vos apaziguará as minhas saudades. Entretanto, rogo que Ele vos dê prosperidade, como aquela de que depende toda a minha felicidade.De Vossa MagestadeSua mulher que mais o ama e sua mãos beijaCatarina R."A carta foi escrita pela mão da rainha em português porque ela não sabia inglês assim como o marido não sabia português. A armada inglesa veio buscá-la a Lisboa (uma magnífica gravura mostra, na exposição, a exuberância do cortejo), mas o marido não foi recebê-la a Portsmouth, mandando antes o irmão. O casamento, como é sabido, correu mal...
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November 29 2010, 10:41am | Comments »
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Sócios Portugueses da Royal Society
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Abriu hoje a exposição "Sócios Portugueses da Royal Society" na Biblioteca Joanina em Coimbra. O sítio da exposição é este.
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November 25 2010, 8:34am | Comments »
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LISBOA ANTES DO TERRAMOTO
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City and Spectacle: A Vision of Pre-Earthquake Lisbon from Lisbon Pre 1755 Earthquake on Vimeo.
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November 25 2010, 7:30am | Comments »








