Décima quinta sessão do ciclo O dever de educar, no próximo dia 23 de Junho, pelas 18h15, na Livraria Minerva Coimbra.Dedicamos esta sessão ao dever de educar para a História, que muitos dizem negligenciado, aligeirado ou, mesmo, afastado do ensino actual. Terá razão quem assim opina? Se sim, que razões justificarão este estado? Que consequências advirão para as novas gerações do desconhecimento histórico? E, qual a função social da História no Mundo de hoje?É convidado João Gouveia Monteiro, professor de História da Universidade de Coimbra, Director do Instituto de História e Teoria das Ideias e Director da Imprensa da Universidade de CoimbraLocal: Livraria Minerva (Rua de Macau, n.º 52 - Bairro Norton de Matos), em Coimbra.
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O dever de educar para a História
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June 22 2009, 5:59am | Comments »
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A arte militar romana
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Informação recebida da Imprensa da Universidade de Coimbra:Foi apresentada no dia 16 de Junho no Museu Nacional Machado de Castro, estando agora disponível, a obra “Vegécio. Compêndio da Arte Militar” (edição bilingue latim-português, comentada), da autoria de João Gouveia Monteiro e José Eduardo Braga, com prefácio de Maria Helena da Rocha Pereira.Trata-se da edição bilingue da Epitoma Rei Militaris, um tratado de arte militar elaborado entre finais do séc. IV e meados do séc. V d.C. por Flávio Vegécio Renato, um alto funcionário do Império Romano. Este tratado, que compendia os escritos dos principais estrategos militares romanos do passado, foi uma das obras clássicas mais copiadas e mais traduzidas em todo o Ocidente europeu até 1300, tornando-se num verdadeiro best-seller, tanto nos meios laicos como eclesiásticos. Esta tradução é precedida de um Estudo de 170 páginas sobre o exército romano e completada por 300 Comentários e Notas sobre a guerra na Roma antiga.
June 18 2009, 6:24pm | Comments »
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Os “anjos cantores”
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Comemora-se neste ano o meio século da publicação da Declaração dos Direitos da Criança (assinada em 20 de Novembro de 1959). Recordar acontecimentos e práticas que conduziram à sua redacção é uma forma de continuar a atribuir-lhe significado.Sabe-se que vários povos antigos recorriam à castração para terem cantores capazes de interpretar músicas religiosas e de entretenimento. Sabe-se também que no século XII esta prática era bem conhecida em Florença, mas foi a partir do século XVI que se ampliou.Acontece que, por finais desse século, a alta sociedade europeia descobriu e deslumbrou-se com os madrigais entoados por vozes agudas femininas, o mesmo acontecendo à hierarquia da Igreja Católica de Roma. Porém, esta instituição, confrontava-se com um problema: as mulheres, pelo facto de serem mulheres, deviam manter silêncio na igreja. Num primeiro momento, o problema foi resolvido, com o recrutamento de falsetistas mas, por serem vozes raras, não se conseguiam em número suficiente para preencher os muitos coros que os exigiam. A solução foi recorrer a rapazes castrados que, uma vez legitimada por Bula Papal de 1589, permitiu que, no ano seguinte, dessem entrada na Basílica de São Pedro os primeiros cantores de tal condição. Sabe-se, no entanto, que antes, pela década de 1550, havia coros de castrati em igrejas e em capelas particulares.Por estes tempos, também na Ópera, onde o gosto pelo virtuosismo se aprimorava, despontou um particular fascínio por estes cantores, porquanto o seu timbre vocal, nem masculino nem feminino, permitia interpretar personagens de deuses e heróis fantásticos. Esta extraordinária capacidade levou compositores, como Händel (1685-1759), a comporem especialmente para eles, atribuindo-lhes papéis de grande nobreza.As vozes “angelicais”, como foram designadas, atraíam, pois, multidões para a Igreja e para a Ópera, que concorreriam para acolher os melhores dos melhores deles e nas maiores quantidades possíveis.E, assim, à volta destas duas veneráveis instituições, e no momento em que o Iluminismo despontava, organizou-se um circuito comercial, cujo centro era a Itália, destinado a encontrar rapazinhos promissores, castrá-los e educá-los. Tal circuito, que cedo adquiriu um nível de organização exemplar, além de garantir o “abastecimento” do mercado nacional, fazia "exportações" para outros países europeus, incluindo Portugal.Este empreendimento era composto essencialmente por angariadores – das cortes, de mosteiros, mestres de música ou de capela –, famílias, “cirurgiões” e conservatórios de música.Os angariadores procuravam avidamente crianças do sexo masculino, cuja sorte ao nascimento havia sido parca, órfãs ou abandonadas, mas também recolhiam todas aquelas que os pais ou outros adultos entregavam ou vendiam. Por outro lado, as pessoas que tinham crianças a seu cargo, percebendo que se tratava dum negócio rentável e dum investimento de futuro, passaram também a agir por conta própria. Movidos pela promessa de as suas crianças poderem vir a ser famosas, ricas ou, pelo menos, protegidas, e, nessa medida tornarem-se o sustento familiar, enviavam cartas suplicantes aos governadores dos conservatórios, propondo a entrega directa de filhos, sobrinhos, netos, por castrar ou já castrados.Para que as cordas vocais não crescessem e a voz se mantivesse doce e no timbre certo, a “cirurgia” devia fazer-se entre os sete e doze anos. Os procedimentos, cujo desfecho imediato para muitos rapazinhos eram sequelas corporais sérias ou, mesmo, a morte, são, aos nossos olhos, inqualificáveis. Numa altura em que a infância tinha um valor reduzido, a “cirurgia” era praticados aos milhares (estima-se que se fizessem cerca de 4.000 castrações por ano só em Itália) e à luz do dia (diz-se que muitas barbearias de Nápoles tinham no seu letreiro Qui si castrano ragazzi).Após o restabelecimento físico, as crianças sobreviventes eram levadas para os conservatórios, onde aprendiam, ao longo de vários anos, as técnicas do canto e aumentavam a capacidade pulmonar, de modo a adquirirem desenvoltura e agilidade vocal que se esperava delas. Estas escolas, frequentes em Itália – Nápoles dispunha de quatro, que foram durante séculos as maiores e as mais prestigiadas da Europa –, funcionavam normalmente como internatos religiosos, pautados por um regime disciplinar severo, um ensino rigoroso e um treino intensivo.Juízos de valor à parte, a maior parte dos conservatórios, que também recebia jovens não castrados, proporcionava um ensino de elite. Ali leccionavam músicos conceituados e os melhores alunos conseguiam cantar composições tão complexas e difíceis que, dizem os entendidos, hoje se afiguram impossíveis de executar. Assim sendo, eram requisitados para cantar em festas nas cortes e no teatro, ou para, vestidos de anjo, velar o corpo de crianças mortas.Este seria o melhor cenário e também o menos comum, pois a maior parte dos pequenos cantores ficava pelo caminho, dado que a voz pressagiada acabava por não se confirmar. No que à Ópera diz respeito, conjectura-se que, daqueles que entravam nos conservatórios, apenas 10 a 15% subsistam como cantores, e que apenas 1% chegava a conhecer a verdadeira glória, uma minoria considerada excêntrica e de feitio difícil, que teve o seu apogeu no período barroco. Assim, muitos jovens e adultos, com menor capacidade vocal acabavam como coristas em igrejas menores e os que a perdiam desapareciam do mundo da música, sendo habitual entrarem na vida monástica. São frequentes os casos daqueles que, não conseguindo resistir ao fracasso e à insatisfação social e pessoal, entravam numa vida marginal e se suicidavam.Para o leitor que queira ficar com uma ideia mais precisa acerca da origem, apogeu e queda dos "anjos cantores", poderá ler o livro de Patrick Barbier abaixo referido.Livro: Barbier, P. (1989/1991). História dos castrados. Lisboa: Livros de Brasil.Imagem: Grupo de jovens cantores castrati. In http://mol-tagge.blogspot.com/2009/05/historia-dos-castrati.html
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June 17 2009, 5:14pm | Comments »
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BEATUS DE SAINT SEVER 3
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Ainda o "Beatus" francês. Desta vez cai uma tempestade sobre a Terra quando o anjo toca a trombeta.
June 17 2009, 2:35am | Comments »
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BEATUS DE SAINT SEVER 2
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Outra visão do Apocalipse do "Beatus de San Sever". A trompeta soa e há uma catástrofe nos céus.
June 17 2009, 2:34am | Comments »
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BEATUS DE SAINT SEVER 1
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Quando fazia uma pesquisa sobre a inspiração de alguma arte moderna, encontrei este manuscrito da Biblioteca Nacional de França, remontando ao século XI, que é uma obra-prima da arte românica. Trata-se do único "Beatus" - comentários ao "Apocalipse" escritos pelo Beato de Liébana, Astúrias - em França já que os outros (cerca de 20) estão em Espanha. A abadia de Saint Sever, na Aquilândia (Sudoeste de França), fundada por beneditinos cerca do ano 1000, é hoje Património da Humanidade, na classificação da UNESCO.O livro espanta pela qualidade das coloridas iluminuras. Na figura, um anjo toca a trombeta causando uma catástrofe no mar: repare-se na ordem cristalina das estrelas...
June 17 2009, 2:26am | Comments »
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ITALIANOS EM PORTUGAL
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Informação recebida da Cátedra de Estudos Sefarditas «Alberto Benveniste» da Universidade de Lisboa: Edição on-line do «Dicionário dos Italianos Estantes em Portugal»: aqui. A Cátedra de Estudos Sefarditas «Alberto Benveniste» é uma instituição de investigação científica que, ao longo dos seus onze anos de existência, tem desenvolvido projectos de investigação avaliados internacionalmente. Neste momento, temos o prazer de colocar à disposição do público o resultado final de um dos projectos avaliados, aprovados e fnanciados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Este projecto, «Dicionário dos Italianos Estantes em Portugal», abrange o largo período que vai de final do século XV ao final do século XVII. O conjunto de cerca de 400 biografias, que já estão em parte significativa disponibilizadas no nosso website, em constante actualização e desenvolvimento, remetem-nos para universos profissionais tão variados como as Artes e a Música, o Direito e Literatura, a Astronomia e a Navegação, o Comércio e a Religião. A proximidade, na época em causa, entre esta elite de italianos que circulava entre Portugal e a Península Itálica e os judeus de origem portuguesa, é essencial para se perceber o meio onde os sefarditas se moviam, os seus interesses e as suas redes.
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June 16 2009, 2:02am | Comments »
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Ceu de Salamanca
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Anteontem, aproveitando o feriado nacional, e porque e o Ano Internacional da Astronomia, fui ver o ceu de Salamanca. A imagem esta acima e a explicacao aqui.Nota: peco desculpa, mas nao ha acentos portugueses no teclado espanhol, ponho-os quando regressar.
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June 12 2009, 3:40am | Comments »
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MEMÓRIA DE ÁFRICA
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Da responsabilidade da Fundação Portugal - África, e com a colaboração da Universidade de Aveiro, vale a pena consultar a "Memória de África", que é "uma biblioteca virtual que reúne as referências da memória dos conhecimentos em arquivos, centros de documentação, bibliotecas e ficheiros de instituições, individuais e organizações relacionadas com a temática do desenvolvimento e cooperação com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), bem como a colocação on-line de obras raras ou únicas de difícil acesso com software que possibilite a pesquisa dentro dos textos".
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June 3 2009, 8:12pm | Comments »
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O 17 DE ABRIL, 40 ANOS DEPOIS
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Hoje passam 40 anos sobre o 17 de Abril de 1969 , data que marca o início da Crise Académica de 1969 em Coimbra. O jornal coimbrão "Campeão das Províncias" pediu-me um depoimento pessoal que transcrevo aqui (na foto Osvaldo de Castro a falar aos estudantes na Via Latina em 1969) :Onde eu estava no dia 17 de Abril de 1969? Pois estava, em plena adolescência, no quarto ano do Liceu Normal de D. João III, que hoje se chama Escola Secundária de José Falcão, em Coimbra. Não tinha, como é óbvio, nessa época qualquer tipo de consciência política.E, no entanto, dei-me conta que me encontrava, passados alguns dias, numa cidade em guerra. De um lado os polícias e os guarda-republicanos (lembro-me que havia uns jipes com arame farpado à frente) e do outro os estudantes, senão todos os estudantes decerto a esmagadora maioria deles. O ambiente era mesmo marcial, embora não tivesse presenciado nenhum dos incidentes durante a greve aos exames de que mais tarde vim a tomar conhecimento. Dei-me conta que deixou de haver Queima das Fitas, uma festa onde me tinha habituado a ir como mirone (“ó senhor doutor dê-me uma plaquete!”).O chamado “luto académico” haveria de perdurar por longos anos, tendo eu participado dele. Sou tão participante do luto académico que não tive nem Queima das Fitas nem Latada nem sequer nenhum dos outros actos da praxe. Entrado em 1973 no curso de Física da Universidade de Coimbra, e tendo sido surpreendido pela Revolução de 25 de Abril de 1974, numa bela manhã, com a notícia a interromper uma aula de Análise Matemática, acabei por viver na Universidade de Coimbra os tempos agitados do PREC. Nessa época não havia praxes. Portanto, se os protestos estudantis de 17 de Abril tiveram uma influência directa na minha vida estudantil foi a de não praxar nem ser praxado. Devo confessar que a praxe nunca me fez qualquer falta.Mas tive, decerto, influências indirectas do Abril de 1969. Ainda em adolescente, pelo jornal “O Século” e pela revista “Século Ilustrado” (os dois publicações do século passado), percebi que um ano antes de Coimbra ter estado em guerra, Paris também o tinha estado, tendo aí as hostilidades sido bem mais violentas. Achei curiosíssimas as frases da Sorbonne: o meu francês, ainda que incipiente, dava para perceber “au dessou du pavé, il y a la plage” ou “soyons réalistes, demandons l'impossible”. Em 1979, quando, jovem licenciado, fui fazer o doutoramento em Frankfurt, na Alemanha, ainda encontrei, apesar de meio apagados, “grafitti” dessse mesmo tipo nos muros de uma universidade que também tinha estado revolta no final dos anos 60. Numa altura em que a minha mente estava em formação, as revoltas estudantis na Europa tinham necessariamente de me deixar marcas. Tentei perceber o que se tinha passado e porquê...Claro que em Portugal, ao contrário do que se passava na França e na Alemanha, havia em 1969 uma guerra nas colónias (nos "campus" dos Estados Unidos havia também lutas estudantis que tinham, pelo menos em parte, a ver com a guerra do Vietnam) e havia oposição ao regime (no curto semestre e meio universitário que vivi no tempo da “outra senhora”, lembro-me de encontrar panfletos oposicionistas nas casas de banho da Faculdade e de ter aulas interrompidas com protestos estudantis). Foi, por isso, com alívio que recebi a notícia do fim da guerra na altura dita do Ultramar. Quando, quase despido, me apresentei às inspecções militares em Junho de 1974, tinha acabado, felizmente, de se tornar inútil o meu recrutamento. Um coronel-médico a quem me queixei de miopia e daltonismo (se acaso a guerra voltasse eu não via bem o inimigo ao longe, nem sequer a cor dele se fosse vermelho) me perguntou se me queixava de mais alguma coisa, pensei, embora, por elementar prudência, não o tenha dito: “Senhor doutor, ainda aqui só estou há meia hora, mas, se permanecer mais meia hora, receio que vai haver mais queixas”.Hoje eu sei que não só não fui à guerra colonial como vivo em liberdade graças, entre outros movimentos sociais e políticos, ao movimento a que parcialmente assisti em Coimbra em 1969, sem dele na altura perceber grande coisa. O Abril, mais geral e decisivo, de 1974 é devedor do Abril estudantil de 1969. Embora indirecta, essa é, decerto, uma influência bastante forte que o 17 de Abril teve em mim e, felizmente, em muito mais gente da minha geração. Passados 40 anos essa bem pode ser a principal razão para que comemoremos o 17 de Abril.
April 17 2009, 5:03am | Comments »




