Informação recebida da Câmara Municipal de Oeiras:A República, Lugar da Utopia. A República é cidadania[debate ]Carlos Fiolhais e Teresa VilaverdeCarlos Pinto Coelho [ moderador ]20 Outubro 2010, 21h30Biblioteca Municipal de Oeiras20.Outubro - 21h30Biblioteca Municipal de OeirasCom Carlos Fiolhais e Teresa VilaverdeModeração: Carlos Pinto CoelhoEm 20 de Outubro terá lugar a quarta e última sessão do projecto “República, lugar da utopia”. Desta feita sob a égide “A República é cidadania. Participa. Constrói a tua República”. O mote em questão centra-se na ideia de participação subentendendo que podemos através deste conceito pensar em aspectos relacionados com a República, como Res Publica, ou seja, responsabilidade pública, ética e cidadania, associando a leitura pública como um dos vectores da construção da participação activa, factor crucial que gera leituras críticas e dinâmicas a partir do material do passado. Deste modo, o que pretendemos é a criação de um ambiente inclusivo que tenha como propósito as seguintes questões: Como gerar participação no espaço social e político? Como contribuir para a construção de comunidades de “vizinhos” que partilham interesses culturais e sociais? Como construir espaços de leitura e de reflexão participativos a partir das diversas ferramentas e suportes de informação? Qual o papel das Universidades na construção do espaço público de acesso ao saber, na aprendizagem e na fixação da memória? Qual o papel da Ciência e das Artes enquanto ferramentas de intervenção, de reflexão e construção de novos paradigmas?Para abordar esta temática convidamos duas personalidades, no caso da área das ciências e da arte cinematográfica, tentando recriar e transpor para o espaço da Biblioteca o registo de questionamento e discussão que permitirá alargar a reflexão e promover o debate, ou não estivéssemos a falar de República…Na verdade, e tendo em atenção esta ideia de construção activa e participada, a obra cinematográfica da Teresa VillaVerde ilustra, na perfeição, esta ideia já que as temáticas dos seus filmes gravitam ao redor de preocupações sociais e culturais (como a questão da marginalidade, da precariedade laboral, do Europeísmo, entre outros) e cujo discurso convoca a um olhar crítico e inclusivo, combatendo a indiferença e promovendo a cidadania.O professor, cientista, comentador Carlos Fiolhais, pelo percurso pessoal e profissional, um percurso que é caracterizado por uma forte intervenção pública. Principalmente, pelo facto de se tratar de uma voz crítica em relação ao ensino em Portugal, às sucessivas reformas de que têm sido objecto, incluindo, naturalmente, nesta reflexão o estatuto das Universidades Públicas. Por outro lado, é sobejamente conhecida o seu contributo no que diz respeito ao incentivo e ensino e divulgação da ciência junto das populações, desconstruído a ideia de que se trata de uma linguagem a que poucos têm acesso.A não perder!Contactos:Tel. 21.440.63.36Biblioteca Municipal de OeirasAv. Doutor Francisco de Sá Carneiro, 172780 Oeirast. 21 440 63 34/35f. 21 440 82 85geral.bmo@cm-oeiras.pt
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A República é cidadania
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October 20 2010, 1:51am | Comments »
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EXPOSIÇÃO: VER A REPÚBLICA
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Informação recebida da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (clicar para ver melhor):
October 19 2010, 9:42am | Comments »
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Diário da República: um século de legislação on-line
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A partir de hoje encontra-se disponível on-line toda a legislação publicada no Diário da República desde 1910 até ao presente. Se o conteúdo desse diário já estava disponível em suporte digital desde 1960, o mesmo não se verificava da que foi publicada entre 1910 e essa data. .........................................................Fica a promessa de, num futuro próximo, se introduzir um motor de pesquisa mais potente que, com facilidade, permita a consulta dessa imensa documentação.
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October 5 2010, 9:34am | Comments »
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Educação Patriótica, Educação Republicana
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Pela mão de Alberto Filipe Araújo e Joaquim Machado de Araújo evoca-se João de Barros (1881-1960) um dos mais importantes nomes da educação republicana.Estudante de Direito em Coimbra, onde conheceu e se tornou amigo do futuro pedagogo de João de Deus Ramos, exerceu primeiramente as funções de professor, mas, interessado que estava nos desígnios da educação nacional, passados dois anos, respondeu ao desafio lançado pela Presidência do Conselho de Ministros de viajar para o estrangeiro, a fim de conhecer experiências de ensino que pudessem servir da base à reforma na instrução pública.O conhecimento de escolas de Espanha, França, Bélgica, Inglaterra, etc., (publicadas no livro A Escola e o Futuro), permitiu-lhe apresentar um projecto de reforma, que não teve, no seu entender, o acolhimento esperado, o que viria a criar alguma crispação política, mas não ao ponto de ser ter afastado do pensamento educativo e da própria política.Aqui reproduzimos algumas páginas do livro de João de Barros Educação Republicana seleccionadas pelos autores acima referidos (páginas 68-70)."Antes de mais nada, o meu desejo seria criar um entusiasmo por essa tarefa, ainda tão abandonada ou tão mal compreendida entre nós, que consiste em dar à criança todas as possibilidades, todas as capacidades, todas as energias necessárias para a tornar num ser consciente e forte, apto a contribuir para o progresso do seu país, e para a beleza, «harmonia e utilidade do momento em que vive e trabalha. Tarefa complexa e grave, e que a todos pertence: às famílias, aos professores, ao Estado. Tarefa sobretudo difícil – nesta hora em que assistimos à elaboração de uma nova fórmula de disciplina social: de que a República foi a encarnação política, mas que precisa ser aperfeiçoada, intensificada, completada nas suas outras modalidades e realizações, entre as quais, sem dúvida, avulta a efectivação dum plano educativo geral. Sem ela, com efeito, poderemos dar à República, no momento que passa, todo o esplendor, toda a sabedoria, toda a ordem e toda a paz: - não lhe daremos, porém os defensores futuros do ideal que representa, não a consolidaremos na consciência da mocidade, deixando, portanto, de criar essa coesão entre o Presente e o Porvir dum povo, que é a garantia mais sólida do prestígio e da força do regime que ele escolheu.Todos sabemos, com efeito, que há em Portugal um analfabetismo assustador. Que há uma necessidade absoluta de escolas primárias e superiores. Que há urgência em criar óptimas escolas profissionais. Que não pode demorar muito mais tempo a instalação dum bom ensino técnico. Que é necessário instalar as escolas normais – primárias e secundárias – com laboratórios e gabinetes completos. Que não temos um bom ensino artístico. Que o estado só agora começa a ocupar-se a sério do ensino da Ginástica. E sabemos também que estas legítimas aspirações do público que por tais assuntos se interessa – têm de ser satisfeitas para se estabelecer um ensino verdadeiramente republicano. E porquê, afinal? Porque o analfabetismo não permite fazer cidadãos, porque a ausência do ensino profissional não nos deixa criar homens (úteis a si e à sociedade; porque) a classe burguesa estiola-se no bacharelismo agudo, em vez de ser um elemento produtivo de riqueza, como seus filhos seriam se estivessem praticamente preparados para a vida; porque sem haver professores não há obra nenhuma que vingue em matéria pedagógica; porque, sem ensino artístico, não há educação –, da sensibilidade e não há cultura geral que valha; e, ainda, porque – sem boa cultura física – não há raça que saiba vingar as suas aspirações mais íntimas e mais profundas de espírito e de coração (…).No entanto, a República fez da educação e da instrução duas bandeiras de batalha, e com elas se tem preocupado e ocupado a cada instante. Instruir! Educar! A todo o momento os propagandistas laçam estas palavras mágicas para o meio do público. A todo o momento evocam, por meio delas, um esplendor de civismo e de progresso intelectual que não existe. A todo o momento, ligam a sorte das novas instituições à vitória das ideias que estas palavras significam. E porque o farão? Porque sentem que, sem educar e sem instruir as novas gerações, dentro de um critério republicano, que seja ao mesmo tempo um critério pedagógico ninguém poderá garantir o futuro da República e da Pária (…).Com efeito, a educação é um produto directo das nossas convicções sociais. A cada novo ideal da humanidade corresponde um novo ponto de vista pedagógico. A Revolução Francesa, de cujo impulso formidável ainda hoje vivemos, trouxe consigo Rousseau; e, pedagogicamente, é de Rousseau que ainda hoje vive também o nosso pensamento, a nossa sensibilidade. Da renovação vital e da quimera humanista que foi a Renascença nasceu Montaigne: – a sua pedagogia é a pedagogia duma época forte, vibrante de alegria de viver, e absolutamente cônscia do poder do homem e do valor do seu esforço… Não vale a pena continuar a lista destes exemplos, claros e concludentes. Basta fixar apenas que a educação das crianças, sendo, como é, uma das faces da nossa actividade colectiva, deriva sempre da ambição ou do sonho que determinou essa actividade.”Referência bibliográfica:Barros, João de (1916). Educação Republicana. Paris-Lisboa: Livrarias Aillaud & Bertrand, páginas 11-13, 23-24, 62-63, 175-176. Citado por Araújo, A.F. & Araújo. J. M. (2004). João de Barros: vida obra e pensamento. Braga: António Marcelino Valente
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October 5 2010, 7:16am | Comments »
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O Zé Povinho nos cem anos da República
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O Zé Povinho, a imortal criação de Rafael Bordalo Pinheiro.
October 4 2010, 7:02pm | Comments »
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Nos cem anos da República
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Hoje, no dia em que passam cem anos da implantação da República, recordamos alguns artigos da autoria do historiador António Mota de Aguiar sobrea República que aqui saíram:Positivismo e 1ª RepúblicaPorque Caiu a Monarquia?Reflexões para o Centenário da 1ª RepúblicaReflexões para o Centenário da 1ª República: Porque Caiu a República?A 1ª Grande Guerra e a Ditadura de SidónioRecordar os portugueses mortos na 1ª Grande Guerra
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October 4 2010, 6:35pm | Comments »
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WELLINGTON E MASSENA - DEUX BONS COPAINS
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O livro"Wellington contra Massena. A Terceira Invasão de Portugal 1810-1811", de David Buttery (Gradiva, 2008) conta o encontro em Paris, passada a guerra em Portugal, dos dois grandes "cabos de guerra":"Sob os Bourbon, enquanto o país se ajustava a um breve período de paz após mais de vionte anos de guerra quase contínua, Massena manteve a sua posição como governador militar. Após a queda de Toulouse, Wellington tinha sido chamado de regresso a Londres, onde recebeu as congratulações do regente e do governo. Na Câmara dos Lordes teve a honra de receber cinco títulos de nobreza num o dia, de barão a duque. Seguidamente foi enviado para Paris, como embaixador britânico à corte das Tulherias. Após o turbilhão político que se seguira às guerras napoleónicas, o Congresso de Viena deveria reunir-se com vista ao planeamento do futuro da Europa e Wellington teria também um papel a desempenhar. Em Paris encontrou um velho adversário:"Mais tarde em Paris, vim a conhecer Massena bastante bem; encontrámo-nos pela primeira vez num jantar em casa do marechal Soult, que era então ministro da Guerra [...] Massena mostrou-se muito excitado quando me viu, fez um grande alarido e saudou-me com muita cordialidade. "Ah, Monsier le Maréchal, que vousavez fait paser des mauvais moments!" E afiançou-me que eu não lhe deixara um ú8nico cabelo negro no corpo; tinha ficado grisalho, declarou, em toda a parte: Respondi-lhe que tínhamos ficado mais ou menos quites - que tinha havido um empate entre os dois. "Não", replicou ele"!, "o senhor esteve muito perto de me derrotar em duas ou três ocasiões!" - o que é verdade. " (Stanhope Philip Henry, Notes of Conversations with the Duke of Wellington, 1831-1851, London, John Murray, 1889)É curioso que os dois antigos adversários se tenham dado tão bem, tanto mais que muitos dos marechais de Napoleão evitavam Wellington, ainda ressentidos pela s derrotas que tinham sentido às suas mãos. talvez o facto testemunhe a dedicação dos dois homens ao seu ofício, bem como um respeito profissional mútuo, ao passo que a maioria dos outros marechais viam a carreira militar meramente como um meio para alcançarem determinados fins. Massena não tinha vaidade que caracterizava muitos dos seus pares, mostrando-se encantado por conhecer um homem, cujos talentos tinham superado os seus e ao qual não parecia guardar qualquer rancor. Regra geral muito parco em elogios, Wellington tinha um enorme respeito por Massena, e não deixou de o louvar durante a conversa que tiveram sobre as Linhas de Torres Vedras. Massena disse-lhe: "Caro Lorde, está a dever-me um jantar - pois quase me matou à fome." Wellington riu: "Devia ser o senhor a dar-mo, marechal, pois impediu-me de dormir"".Esta foi a primeira de diversas conversas nos quais discutiram as estratégias um do outro e trocaram reminiscências sobre os tempos em que tinham sido adversários. Criticado, talvez injustamente, pela sua sobranceria para com os soldados e as "ordens inferiores", eis ali o duque de Wellington debatendo prazenteiramente conceitos estatégicos com um antigo sargento que tinha subido a pulso na hierarquia militar. A similitude das suas experiências parecia ter derrubado as barreiras sociais e nacionais que os separavam. Quem os viu conversar julgaria talvez que eram velhos camaradas de armas e não antigos inimigos".
October 2 2010, 4:24am | Comments »
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A INVASÃO FRANCESA DA UNIVERSIDADE
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A 1 de Outubro de 2010 perfazem-se 200 anos que o exército de Massena invadiu Coimbar e a Universidade. Para saber sobre os estragos causados a essa escola, pode ler-se no Google Books esta obra de Mário Brandão: "Estudos vários", vol. 2, Universidade de Coimbra, vol. 2: aqui.
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September 30 2010, 12:58pm | Comments »
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O MASSACRE DE COIMBRA
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Outro extracto das "Campanhas do Exército de Portugal. 181o" (do francês M. Gingret, Livros Horizonte), que conta como os feridos franceses da batalha do Buçaco foram deixados na cidade de Coimbra, que tinha sido saqueada, para pouco depois serem massacrados pela milícia portuguesa que recuperou a cidade:"O número de desgraçados que se teve a crueldade de abandonar em Coimbra elevara-se a cerca de três mil: havia poucos doentes, a maior parte eram os bravos, feridos no Buçaco... Mais de um milhar destas vítimas teriam podido seguir-nos e combater ainda mais nas nossas fileiras, decorridos dois meses, se se tivesse metido todos os chefes de corpo dentro da confidência. Sim, os comandantes dos regimentos teriam podido levar e salvar metade dos soldados que deixaram em Coimbra, se tivessem sido prevenidos que não deviam abandoná-los sem piedade. Todavia deixou-se ficar uma pequena companhia para fornecer sentinelas aos hospitais: era sacrificar mais alguns soldados. (...)Nestas circunstâncias, soubemos que os três mil infelizes que abandonáramos em Coimbra tinham sido levadois e conduzidos para o Porto, por um corpo de três mil portugueses que os tinham maltratado muito, sobretudo no momento em que estes entraram nos hospitais. Todos os objectos que os nossos desafortunados companheiros tinham podido conservar, todas as suas roupas lhes foram confiscadas desumanamente; as ligaduras que comprimiam as suas feridas foram-lhes arrancadas, apesar dos seus gritos de dor, pois alguns soldados portugueses movidos por uma avareza sórdida contavam ainda descobrir dinheiro escondido junto às chagas vivas e sangrentas. Este acontecimento tão desencorajador para o exército, e que os historiadores qualificarão com um epíteto mais enérgico, teve a lugar a 7 de Outubro.Os nosso soldados, tendo adquirido a certeza de que não fora deixada nenhuma guarnição em Coimbra para zelar pela segurança dos seus camaradas, feridos num combate em que tomaram parte com tanto valor, manifestaram-se abertamente contra Massena. Desde então, o exército passou a valer muito menos; o general já não gozava de toda a sua confiança".
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September 28 2010, 7:36pm | Comments »
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A DERROTA DO BUÇACO
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Ontem assinalaram-se os 300 anos da batalha do Buçaco, que marcou o início do fim das invasões francesas. Eis o relato da coluna dos vencidos, feito pelo militar francês M. Guingret (in "Campanhas do Exército de Portugal. 1810", Livros Horizonte, 2010, introdução de António Ventura, p. 48):"Durante o Inverno, suportei noites bem terríveis na Alemanha e na Polónia, mas a noite em que deixámos a posição do Buçaco é uma das épocas da minha vida em que me senti mais duramente afectado. A marcha lenta e grave do nosso exército, ocupado com o transporte dos seus numerosos feridos em macas, oferecia o aspecto de uma longa fila de carros fúnebres. O silêncio sombrio e triste da obscuridade era perturbado pelo barulho surdo e lúgubre das rodas da artilharia. Soldados maltratados esforçavam-se em vão por conter a expressão dos seus sofrimento; os gritos dilacerantes de dor, meio comprimidos pelos esforços de coragem, escapavam-se, em intervalos, do fundo das suas entranhas e faziam estremecer de compaixão até o coração menos sensível. Os cadáveres daqueles a quem a morte pusera termo ao sofrimento no meio desta marcha aflitiva, depostos na borda das valetas, serviam para fazer o reconhecimento da estrada, através da escuridão, às tropas que nos seguiam. os gritos agudos das aves de rapina que fugiam do meu refúgio e abandonavam os ninhos à medida que avançávamos, e de algumas que acompanhavam audaciosamente o exército, cobiçando a sua presa, acrescentavam algo ainda de mais sinistro a este cenário"
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September 28 2010, 2:51am | Comments »







