Novo texto do historiador João Gouveia Monteiro sobre uma outra grande derrota militar (saiu no dia 19 de Fevereiro no "Diário de Coimbra"):A história passa-se no Egipto e na Tunísia, no séc. XIII. O protagonista é o rei de França, Luís IX, conhecido por São Luís, monarca emblemático da história francesa (na fachada principal da basílica do Sacré Coeur, em Paris, é ele quem aparece representado em estátua equestre, ao lado de Joana d’Arc).Nos finais do séc. XI, a Igreja, saturada da indisciplina dos senhores feudais, tinha lançado o projecto das Cruzadas. A ideia era canalizar para a Síria-Palestina a energia destruidora dos cavaleiros, propondo-lhes um ideal muito mais nobre: a conquista dos Lugares Santos, então nas mãos de Árabes e de Turcos. A Primeira Cruzada (1097-1099) foi um sucesso e permitiu recuperar Jerusalém. Mas as seguintes foram um fiasco e uma delas redundou mesmo na pilhagem da maior cidade cristã do Mundo (Constantinopla, em 1204)!São Luís (rei entre 1226 e 1270) era um bom diplomata, um excelente administrador mas também um monarca bastante piedoso. Em 1248, resolveu encabeçar a Sétima Cruzada, que dirigiu contra o Egipto por considerar que era no Cairo que residia o verdadeiro poder do Islão. Reuniu 25.000 homens que embarcaram em Aigues-Mortes (pequena cidade do sul da França onde o rei criou um sistema de canais ligando o rio Ródano ao Mediterrâneo). Em meados de Setembro, a hoste, transportada em navios genoveses, aportou no Chipre e passou aí o Inverno. Em inícios de Junho de 1249, os Cruzados atacaram finalmente Damieta, no Norte do Egipto. Animados com o sucesso, recusaram as ofertas generosas do sultão egípcio, que prometia devolver Jerusalém, Ascalon (a norte da faixa de Gaza) e o território a leste da Galileia aos cristãos, caso estes retirassem. Em Novembro, os Cruzados avançam e, em Fevereiro de 1250, faz agora precisamente 760 anos, cruzam o rio Nilo num vau. Mas, logo a seguir, um irmão de São Luís desobedece à ordem de espera para reagrupar e conduz a vanguarda francesa por um combate desastroso nas ruelas da fortaleza de Mansurá. O destroço é grande e a Cruzada sobrevive a custo. O novo sultão acorre e os muçulmanos fazem tudo para debilitar o exército cristão. Carente de alimentos e munições, enfraquecido pela doença, o exército cruzado acantona-se entre Damieta e o Cairo. Em Abril, junto a Sharamsah, São Luís é encurralado pelos Egípcios e rende-se. Um mês depois, seria libertado contra a entrega de Damieta e o pagamento de um avultado resgate. Uma trégua de 10 anos seria também concluída com os temíveis Mamelucos, que então tomaram o poder no Egipto. Derrotado, São Luís não quis todavia regressar a França sem fazer nada de útil à causa dos Cruzados. Passaria os quatro anos seguintes na Síria-Palestina, reorganizando o governo dos territórios latinos que subsistiam e restaurando as fortalezas francas da região (Acre, Jafa, Cesareia e Sídon).Depois sim, regressou a França, mas em 1270 voltou a tomar a cruz e conduziu a Oitava Cruzada, que se desmembrou logo na Tunísia, vítima de uma epidemia de disenteria ou de tifo que roubou a vida ao próprio rei. Segundo as crónicas, São Luís teria murmurado, na noite que precedeu a sua morte, estendido num leito de cinzas espalhadas em forma de cruz: “Nós iremos a Jerusalém”… João Gouveia Monteiro
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NÓS IREMOS A JERUSALÉM
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February 27 2010, 5:31am | Comments »
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“VARO: DEVOLVE AS MINHAS LEGIÕES!”
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Texto o historiador João de Gouveia Monteiro, especialista em história militar, saído antes no "Diário de Coimbra" (em cima início de um documentário do "Learning Channel" sobre o mesmo tema):O acontecimento histórico que evoco hoje teve lugar há dois mil anos. Corria o ano 9 da era de Cristo quando o fabuloso exército romano (que consumia cerca de 90% dos recursos do orçamento do Estado romano!) sofreu uma das maiores humilhações da sua história. Aconteceu em Teutoburgwald (ou floresta de Teutoberg), na parte noroeste da Alemanha, perto de Osnabrück e da fronteira com a actual Holanda. Nada mais, nada menos do que três legiões romanas (cerca de 15.000 homens, quase todos peões), acompanhadas por seis coortes de infantaria auxiliar e por três alas de cavalaria auxiliar (tropas de origem bárbara recrutadas nas fronteiras do Império) foram surpreendidas e aniquiladas por uma força de Germanos chefiada pelo líder rebelde Armínio, príncipe dos Queruscos. A operação, além de brutal (nela pereceram uns 20.000 soldados), teve algo de insólito. O exército romano era chefiado por Públio Quintílio Varo, legado provincial da Germânia, antigo governador da Síria e parente de Octávio Augusto, o primeiro imperador romano (27 a.C.–14 d.C.). A marcha florestal que Varo levava a cabo na Germânia inseria-se no projecto de Augusto para fazer chegar as fronteiras do colossal Império até às margens do rio Elba. Os riscos eram conhecidos, mas havia um pelo qual Varo decerto não esperava: ser surpreendido e dizimado durante a marcha por uma emboscada planeada e liderada pelo seu amigo pessoal Armínio, um antigo servidor do exército romano e um homem que chegara a receber a cidadania romana e o estatuto de cavaleiro de Roma… Não se conhecem demasiados detalhes da operação, mas os arqueólogos identificaram o local da emboscada e têm revelado elementos impressionantes para o conhecimento da verdadeira dimensão da chacina. Sabe-se também que Varo, desesperado com a surpresa do ataque germânico, se suicidou antes de consumado o massacre (algo bastante contrário ao procedimento habitual dos generais romanos). Nos dias seguintes, muitos pequenos destacamentos de tropas romanas espalhados pela região sofreram ataques violentos dos bárbaros, entusiasmados com o sucesso da operação de Teutoburgwald, sendo poucos os legionários e auxiliares que conseguiram alcançar em segurança a região do rio Reno, para aí ficarem ao abrigo de outras legiões do Império. O desastre configurou um dos poucos fracassos do projecto militar de Augusto, cujo exército (contando perto de 300.000 efectivos, distribuídos por 25 legiões, tropas auxiliares, guarnição de Roma e marinha) conquistara o Noroeste da Península Ibérica, os Alpes e os seus grandes vales, que submetera a Judeia e o Egipto e que ousara até promover expedições militares na Arábia (actual Jordânia) e na Etiópia. Compreende-se, por isso, o que as fontes literárias nos relatam acerca da reacção de Augusto, quando informado do desastre na floresta alemã: já bastante idoso, conta-se que deixou crescer o cabelo e a barba durante um mês, em sinal de luto, e que passou a vaguear pelo seu palácio, em Roma, batendo com a cabeça nas paredes e gritando: “Quintílio Varo, devolve as minhas legiões!”. João Gouveia Monteiro
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February 25 2010, 12:38pm | Comments »
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A JUSTIÇA EM PORTUGAL VISTA POR UM FRANCÊS EM 1766
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Do livro "O Reino de Portugal em 1766", de Charles Dumouriez (introdução de António Ventura), Caleidoscópio, 2007: "A polícia de Lisboa e de todo o Portugal, tão mal exercida quanto as infelicidades da vida que lá se sofrem o provam, está entre as mãos dos juízes, chamados Juízes de Fora, os quais estão subordinados corregedor e ao ouvidor; todo o Portugal está dividido em correições e ouvidorias. Nada é mais insolente e ávido do que esta quantidade de diferentes juízes.
"A justiça é administrada com as mesmas extorsões, o mesmo amontoado de leis e a mesma quantidade de advocacia e de obstáculos que em Espanha, ou seja, pior ainda que no resto da Europa.
"As prisões são o alojamento da barbárie e do desespero; é-se muito arruinado se se é inocente; arruinado e absolvido se se é culpado. A impunidade do crime alenta. Vi, em Lisboa, um empregado assassinar o seu camarada em pleno dia, no meio da rua, retirar-se friamente com a sua faca na mão, ser conduzido para a prisão rindo e sair alguns meses depois para exercer o ofício de carrasco."A justiça melhorou muito desde 1766. Mas terá melhorado o suficiente?
February 23 2010, 3:35am | Comments »
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A ESTREIA DO CINEMA ENTRE NÓS
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A. J. Ferreira, num muito interessante livrinho acabado de publicar (Novembro de 2009) pelos Bonecos Rebeldes, intitulado "O Cinema chegou a Portugal" (2ª edição revista; a 1ª saiu policopiada em 1986) conta assim a chegada do cinema a Portuga (na foto, o pioneiro inglês do cinema Robert W. Paul, 1869-1943)l:"E seria um desses projectores de Robert Paul, que chamaremos Animatógrafo Rousby, que iria revelar a fotografia animada projectada ao público português - a começar pelo Real Coliseu de Lisboa, que ocupava, na Rua da Palma, o lugar da actual Garagem Liz.O empresário dessa casa de espectáculos, António dos Santos Júnior, era um espírito activo e empreendedor, que não esperava que a Fortuna lhe viesse bater à porta. Ia com frequência ao estrangeiro, ver o que havia no mercado do espectáculo, e contratava o melhor para o seu Coliseu. Depois, fronteiras adentro, negociava os "seus" artistas com outras casas do país, nomeadamente o Teatro-Circo do Príncipe Real, do Porto.Em Maio de 1986, exibia-se no Circo Parish de Madrid (uma das melhores casas de onde os "números" passavam frequentemente para Lisboa) um aparelho de grande novidade, a fotografia com vida, apresentado por Edwin Rousby.Santos Júnior contratou-o, e telegrafou a notícia, como era seu costume, para que a publicidade tivesse início desde logo.O "número" de Rousby era anunciado como "Animatógrapho e Cinematógrapho" (abrangendo assim os dois rivais da especialidade) - e logo os jornalistas lhe adicionaram os nomes de Edison e de Lumière, e terminologia correlativa, para ornamentar os seus parágrafos.Quem fosse Edwin Rousby, não conseguimos ainda descobrir. Dizia-se "electricista de Budapesth", alinhando assim ao lado de Edison, electricista americano. Era um profissional de espectáculos, e casado com uma artista do mesmo ramo, Maud Rousby. Estava por certo em Inglaterra nos princípios de 1896, já que pôde adquirir um Theatrographo de Robert Paul; e para Inglaterra se dirigiu, quando terminou o seu contrato (e o de sua esposa) no Real Coliseu. Mas as entidades cinematográficas inglesas que contactámos desconhecem-no inteiramente.(...) A apresentação à Imprensa, da praxe, redundou num fiasco. O Real Coliseu não tinha luz eléctrica; um gerador alugado às Companhias Reunidas de Gás e Electricidade revelou-se ineficaz; e os 200 convidados tiveram de aceitar as desculpas do Sr. Rousby.A temperatura desse princípio de noite andava pelos 20 graus, e o passeio até ao fim da Rua da Palma não lhes terá sido desagradável, mas o desapontamento deve ter embotado a habitual benevolência das suas linhas noticiosas - o que lhes aumenta a credibilidade.(...) No dia seguinte - 18 de Junho de 1896 - tudo correu satisfatoriamente. Apresentação à Imprensa durante a tarde e espectáculo para o público na soirée.O Real Coliseu tinha em cena uma opereta, O Comendador Ventoinha, em 3 actos; e a novidade foi apresentada num dos intervalos, sem alteração do habitual preço de 100 réis pela Geral.À boca de cena foi colocado o écran de tela branca, com 7 metros quadrados (mais ou menos 3 m por 2,5), numa moldura de pelúcia vermelha. A projecção era feita nas costas do écran, que era humedecido para lhe aumentar a transparência.Este procedimento tinha as suas vantagens: não se via um feixe luminoso por cima dos espectadores, e não se ouvia tanto o ruído da máquina, que era considerável.Na completa escuridão da sala, não faltaram as exclamações impertinentes e obscenas, a ponto de um jornal do dia seguinte pedir a intervenção da Autoridade e a expulsão dos espirituosos.Rousby dava um programa de 8 filmes, que duravam entre 20 segundos e 1 minuto, cada um. Afora programa, exibiu mais 3. Pelos títulos e por algumas descrições do conteúdo reconhecem-se filmes de Edison, de Lumière e de Paul".
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February 17 2010, 10:58am | Comments »
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Vasco Pulido Valente e a nossa "má sina"
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Texto recebido de Augusto Küttner de Magalhães:Vasco Pulido Valente (VPV) tem dias, no que escreve no Público. Como já todos sabemos, nunca diz bem, diz sempre mal, mas por azar nosso, quase sempre está repleto de razão. E hoje uma vez mais está, ma sua crónica "Má sina", quando, depois de ler a História de Portugal cooordenada por Rui Ramos (RR) e escrita pela próprio RR e por Bernardo Vasconcelos e Sousa e Nuno Monteiro, onde há uma descrição minuciosa do Portugal Moderno, concluiu “e sempre foi assim”. Sublinha que não se trata de um simples desabafo, mas realmente de reconhecer que “sempre foi assim”. Diz VPV: "Desde o "liberalismo" que o país viveu precariamente e, quando se "modernizou" um pouco, só se "modernizou" com a ajuda da Europa e nem por isso se conseguiu livrar de um "atraso" atávico". No final escreve VPV que continuaremos sempre assim: "não parece provável que uma “classe média do Estado”, que ainda por cima monopoliza o poder, faça uma revolução contra si própria."Tudo isto é mais do que uma evidência, e nem é indispensável ler esta História de Portugal para chegar a esta mesma conclusão. Como é evidente, se tudo continuar ao ritmo das últimas décadas, incluindo o tempo de Salazar, vai e irá continuar a ser mais do mesmo. Não sendo necessária uma revolução com consequências desastrosas, é sem dúvida necessário revolucionar a maneira de “se estar” no país, de “se encarar a governação” no país, de se estar “no poder“ no país. Tal não tem acontecido uma vez que, quer se queira quer não, tem havido sempre uma continuidade – com alguns pequenos sobressaltos mais de forma do mque de conteúdo -, tem havido sempre uma paz podre. Com isto de modo algum se deseja uma qualquer guerra. Não, de forma alguma, mas torna-se imprescindível revolucionar os pensamentos, a forma de estar e actuar. É claro que a José Sócrates, que agora quase foi trucidado na praça publica, alguém se seguirá, do mesmo ou de outro partido que irá proceder de forma igual ou parecida. Haveria necessidade de um corte com o que tem fluído sempre da mesma maneira e encarar a governação não como um local onde se chega e está, onde se tem sempre o mesmo, onde se faz sempre o mesmo, onde se entra para logo a seguir se sair. É necessário cortar esta continuidade, para sermos positivamente diferentes, não tanto na forma, mas principalmente no conteúdo. Para deixarmos de nos vitimizar, haja quem o consiga fazer, sem ser o D. Sebastião!Augusto Küttner de Magalhães
February 12 2010, 9:41am | Comments »
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Campos de Concentração em Cabo Verde
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Informação recebida da Imprensa da Universidade de Coimbra.Apresentação da obra Campos de Concentração em Cabo Verde. As ilhas como espaços de deportação e de prisão no Estado Novo, no próximo dia 24 de Fevereiro (4.ª feira), pelas 18h, na Livraria Bertrand Dolce Vita, em Coimbra. A apresentação estará a cargo do Prof. Doutor José Carlos Venâncio, Professor Catedrático da Universidade da Beira Interior.O presente trabalho, o terceiro título da colecção História Contemporânea da Imprensa da Universidade de Coimbra e da responsabilidade do CEIS20, traz-nos um mapeamento dos diferentes destinos de deportação e prisão política eleitos pelo Estado Novo, centrados fundamentalmente nas ilhas onde ficaram celebrizadas a encenação e a materialização desta prática, desde as referências sobre a prisão para deportados políticos na ilha de São Nicolau (1931) até à imposição repressiva do Campo de Trabalho de Chão Bom (1961-1974), na ilha de Santiago, na sequência da contestação anticolonial.
February 11 2010, 10:01am | Comments »
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A DÍVIDA PÚBLICA - ONTEM COMO HOJE
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Em cima O Século Cómico n.º 1131, 18.08.1919 e em baixo Ilustração Portuguesa n.º 703, 11.08.1919.
February 2 2010, 8:48am | Comments »
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Manhosos, manhosos, manhosos, e mais manhosos
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Este ano passam 40 anos sobre a morte de Almada Negreiros (ainda me lembro de o ver numa entrevista no programa "Zip-Zip" da RTP). Ora leia-se esta sua intervenção de 1933 e veja-se se o pintor, poeta e publicista perdeu a actualidade:"Há, sim senhor!Há um Portugal sério, um Portugal que trabalha, que estuda; curioso, atento e honrado! Há um Portugal verdadeiro que não perde o seu tempo com inimigos fantásticos e cujo único desejo é apenas e grandemente ser Ele próprio! Há um Portugal, o único que deve haver e que afinal é o único que não anda por causa dos vários Portugais inventados de todos os lados de Portugal! Há um Portugal profissionalista, civil e insubornável! Há, sim senhores! Mas entretanto...Entretanto, a nossa querida terra está cheia de manhosos, de manhosos e de manhosos, e de mais manhosos. E numa terra de manhosos não se pode chegar senão a falsos prestígios. É o que há mais agora por aí em Portugal: os falsos prestígios. E vai-se dizer de quem é a culpa de haver manhosos e falsos prestígios: a culpa é nossa, e só nossa!"José de Almada Negreiros, In Diário de Lisboa de 3 de Novembro de 1933
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January 28 2010, 2:24am | Comments »
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REDESCOBRIR A CORTIÇA
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Unformação recebida da ONG Euronatura:O que foi a Junta Nacional da Cortiça? Quais foram os temas que estavam mais presentes nas suas funções e objectivos? Quais as dificuldades atravessadas pela fileira da cortiça na crise de 1929 e durante a ditadura de Salazar? O que levou ao desaparecimento da Junta ou do Instituto dos Produtos Florestais? Em que medida conhecer o percurso da Junta pode ser útil para as novas instituições corticeiras que estão a aparecer actualmente?Para responder a essas questões, a ONG Euronatura lança o livro Junta Nacional da Cortiça (1936-1972), no próximo dia 28 de Janeiro, pelas 19h, na livraria Aletheia (Rua do Século, nº 13, Lisboa), com a presença do autor, o investigador Ignacio Garcia Pereda e a intervenção do Dr. Dionísio Mendes (presidente da Câmara Municipal de Coruche) e da Dra. Graça Filipe (subdirectora do Instituto dos Museus e da Conservação).A obra é o resultado do projecto de investigação homónimo, realizado pelo programa Promocork.com, cujo objectivo é conhecer e divulgar esta emblemática Instituição, tendo, neste sentido, digitalizado mais de 10 anos dos boletins da Junta Nacional da Cortiça, publicações mensais que apareceram pela primeira vez em 1938 (disponíveis aqui).Num momento em que a fileira da cortiça assiste ao nascimento de novas instituições como o Observatório da Cortiça de Coruche ou o Centro Nacional de Valorização do Montado, de Portel, esta Instituição, da metade do século XX, deve ser justamente reconhecida. Até agora não se tem prestado a devida atenção ao teor e ao impacto das suas funções, nem às vertentes de investigação e divulgação desenvolvidas pelo seu laboratório. É esta falha que este projecto pretende colmatar, contribuindo simultaneamente para um melhor conhecimento da realidade do Estado Novo português.Com esta publicação a Euronatura lança o segundo volume da sua colecção “História e Política Florestal” que pretende contribuir para melhorar o conhecimento nesta área da história contemporânea portuguesa.
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January 27 2010, 11:53am | Comments »
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DEUS E O TERRAMOTO
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James Wood escreve sobre Deus e o terramoto no "New York Times" de hoje:Começa assim:"In the 18th century, the genre of “earthquake sermon” was good business. Two small shocks in London, in 1750, sent the preachers to their pulpits and pamphlets. The bishop of London blamed Londoners’ lewd behavior; the bishop of Oxford argued that God had woven into his grand design certain incidents to alarm us and shake us out of our sin. In Bloomsbury, the Rev. Dr. William Stukeley preached that earthquakes are favored by God as the ultimate sign of his wrathful intervention.Five years later, when Lisbon was all but demolished by an enormous earthquake, the unholy refrain was heard again — one preacher even argued that the people of Lisbon had been relatively fortunate, for God had spared more people than he had killed. It was the Lisbon earthquake that prompted Voltaire to attack Leibniz’s metaphysical optimism, in which all is for the best in the best of all possible worlds. Theodicy, which is the justification of God’s good government of the world in the face of evil and pain, was suddenly harder to practice. But the preachers kept at it. “There is no divine visitation which is likely to have so general an influence upon sinners as an earthquake,” wrote the founder of Methodism, John Wesley, in 1777. "Ver o resto aqui.
January 24 2010, 7:39am | Comments »






