Rui Baptista recorda o seu professor de História no Liceu Passos Manuel, José Hermano Saraiva: “Recordar é viver duas vezes”(provérbio)Em vésperas de cumprir 90 anos de idade com invejável lucidez, em entrevista ao seu sobrinho José António Saraiva, director do semanário Sol, José Hermano Saraiva à pergunta “que memória tem das aulas de História que dava no Liceu Passos Manuel?” respondeu:“Foi um período muito interessante, de tentativa de contar uma História diferente.(…) Era um curso em que eles é que faziam a História, eles é que descobriam os acontecimentos.(…) Levavam objectos no bolso (…) Cada aluno levava um caderno e depois todos os colegas classificavam”. (Sol, revista Tabu, n.º 161, 9/ 10/2009, p.41).Tive na minha vida liceal dois professores de História. Um deles dissertava sobre a duvidosa heterossexualidade de uns tantos monarcas de Portugal e a má fama moral de algumas das rainhas. Quando o aluno tinha a desdita de ser chamado mandava-o ler umas tantas páginas do “Compêndio de História” de António Mattoso (que ia passando de irmão para irmão e até de pais para filhos), avaliando-o desta forma: “Leste bem, tens positiva; leste mal, tens negativa”. Um outro, o Prof. José Hermano Saraiva, que foi vítima, numa “Carta ao Director” (Público, 26/07/2005), de um ataque político e profissional descabido. Por imperativo de justiça, respondi com um artigo de desafronta de que ora cito excertos que confirmam as suas recordações de uma docência liceal que os ventos da mudança passaram a adjectivar de secundária: “Num momento pouco agradável de uma vida vítima de torpeza, seja-me concedida a oportunidade de dizer que tive a honra de ser aluno do Prof. José Hermano Saraiva, no Liceu Passos Manuel. E dele me recordo a dar as aulas da disciplina de História com o mesmo entusiasmo e aplauso que desperta, ainda hoje, na legião de pessoas que o escutam e vêem os seus programas televisivos por se tratar de um pedagogo que em nada se assemelha aos ‘pedabobos’ a quem os ventos da revolução de Abril trouxeram uma mudança radical nas suas convicções políticas (?), e que pululam por esse Portugal fora arrastando-o para o lugar os últimos lugares em estudos comparativos sobre Educação relativamente a outros países europeus. E que bem ele utilizava a metodologia de fazer para aprender: aquando da matéria referente aos Descobrimentos, passava como trabalho de casa a feitura de mapas a eles referentes bem como a construção, em madeira de balsa talhadas a canivete e as velas de pano com a Cruz de Cristo pintadas, das caravelas de antanho, sendo atribuídas classificações desses trabalhos que contavam para a nota final de período” (Diário de Coimbra, 4/8/2005).Abre aquela entrevista com uma pergunta sobre a relação do entrevistado com o respectivo pai. Não fugindo à resposta (apenas adiando-a) deixa-se enlear por recordações da infância: “A presença que domina completamente a minha infância, e mesmo juventude, não é o meu pai, é o António [António José Saraiva], meu irmão e teu pai. A minha ligação com o António era uma coisa quase visceral” (id.,ibid., p. 37).Com o intuito facilmente identificável de colocar, por motivos políticos, em causa essa fraternal e “visceral” amizade, recorre o autor da carta atrás citada ao nome do Prof. José António Saraiva, segundo ele, “um dos portugueses mais perseguidos por questões políticas durante o regime do Estado Novo”. Assim sucedeu, na verdade! Mas vejamos o que escreveu Maria Ana Sequeiro de Medeiros, na respectiva biografia, sobre algumas das perseguições de que foi vítima: “Expulso do ensino superior em 1943, na sequência de um processo disciplinar motivado por um desentendimento com Vitorino Nemésio, António José Saraiva ingressou no ensino liceal” (“António José Saraiva e Óscar Lopes. Correspondência”, Gradiva, 2005).Ou seja, a deturpação, que, por vezes, é feita dos motivos desta expulsão da docência universitária, logo é aproveitada por uma certa esquerda a seu bel-prazer e em benefício das suas conveniências ao referenciar, apenas, parte da vida de uma personagem notável do mundo cultural português. E a outra? Quando, por exemplo, ele denuncia os crimes cometidos na ex-União Soviética ou se manifesta abertamente contra a “exemplaridade” da descolonização?Terminei o artigo transcrito parcialmente atrás da forma seguinte: “Por último, esta é uma sentida e singela homenagem (que muito peca por tardia!) de um antigo aluno que lamenta que a condição de octogenário do seu antigo Mestre, que dedicou grande parte da vida ao estudo da divulgação científica e popular da historiografia – não só pelo achado de documentos novos, mas também pelo surto de ideias fecundas, como preconizou e defendeu António Sérgio -, lhe não permita a destreza física para dar uma boas bengaladas nos costados de quem bem as merece por ter posto em causa o notável estatuto profissional e humano do historiador José Hermano Saraiva”.Preso que me sinto às recordações da juventude, hoje, num sistema educativo ensombrado pelo facilitismo, melhor me encontro preparado para compreender o alcance do pensamento do filósofo francês Roger Garaudy: “Mas é tão belo o mundo da cultura; à falta de futuro, deu-me um passado”.
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Memórias das minhas aulas de História
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October 11 2009, 7:10pm | Comments »
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UM JAMES BOND E INDIANA JONES DO SÉCULO XV
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Informação recebida da Ésquilo (na imagem o lendário Preste João, cujo reino foi demandado por Pero da Covilhã):A Ésquilo, Edições e Multimédia e o El Corte Inglés têm o prazer de o convidar para assistir ao lançamento da obra «O Espião de D. João II – Na Demanda dos Segredos do Oriente e do Misterioso Reino do Preste João» da autoria de Deana Barroqueiro, que terá lugar no próximo dia 15 de Outubro, quinta-feira, às 19h30, no Restaurante, Piso 7, do El Corte Inglés de Lisboa.A apresentação estará a cargo do Dr. Guilherme d’Oliveira Martins, presidente do Centro Nacional de Cultura e do Tribunal de Contas.Neste livro, esta autora de referência na área do romance histórico leva o leitor a «viajar» pelo fascinante périplo de Pêro da Covilhã, um James Bond e Indiana Jones reunidos num só homem do século XV.Sobre a autora:Deana Barroqueiro nasceu em New Haven, Connecticut, nos EUA, em 1945. Atribui à sua ascendência murtoseira e lisboeta, assim como à longa viagem de transatlântico, de New York para Lisboa, que fez aos dois anos de idade, a génese da sua paixão pela grande aventura dos Descobrimentos Portugueses e seus protagonistas.Licenciou-se em Filologia Românica, na Faculdade de Letras de Lisboa e fez-se Professora de Francês e Português, efectivando-se na Escola Secundária Passos Manuel, em Lisboa.Publicou nove romances históricos e dois livros de contos, um dos quais traduzido e editado em Espanha, Itália e Brasil. O seu romance D. Sebastião e o Vidente, que a Porto Editora escolheu para se lançar na área da ficção, foi agraciado com o Prémio Máxima de Literatura 2007 - Prémio Especial do Júri.Com quase duas dezenas de obras publicadas, O Espião de D. João II segue a recente edição de O Navegador da Passagem, romance histórico dedicado à grande figura dos Descobrimentos, Bartolomeu Dias.
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October 2 2009, 8:15am | Comments »
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"ILUSTRAÇÃO PORTUGUESA" ON LINE
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Informação recebida da Hemeroteca Municipal de Lisboa:ILUSTRAÇÃO PORTUGUESA. II SÉRIE (1906-1914)Em Janeiro do corrente ano colocámos em linha a I série da Ilustração Portuguesa, correspondente aos anos de 1903 e 1906. A escolha revelou-se acertada pois esta tem sido uma das publicações mais consultadas na Hemeroteca Digital. Cumprindo o que prometemos na altura, disponibilizamos parte da II série da revista, publicada entre 1906 e 1914. Damos, portanto, mais um passo na digitalização integral e disponibilização on-line desta publicação, que constitui, sem dúvida, um dos mais importantes repositórios de informação sobre a sociedade portuguesa. A partir de agora poderá continuar a folhear electronicamente às páginas da Ilustração Portuguesa, revisitando, através dos seus textos e imagens, alguns dos principais acontecimentos históricos ocorridos em Portugal no primeiro quartel do século XX: o Regicídio de 1908, a revolução do 5 de Outubro de 1910, o início da Grande Guerra, entre outros. Tudo isto à distância de um simples clique, aqui.
October 2 2009, 7:36am | Comments »
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A Maçonaria e a Implantação da República”
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Informação recebida da Fundação Mário Soares:Lançamento de livro a 5 de Outubro, com documentação inéditaO livro “A Maçonaria e a Implantação da República” vai ser lançado no próximo dia 5 de Outubro, em sessão pública que decorrerá no Auditório da Fundação Mário Soares, em Lisboa, com início às 18 horas. João Alves Dias apresentará a obra. Mário Soares, Presidente da Fundação, e António Reis, Grão Mestre do Grande Oriente Lusitano-Maçonaria Portuguesa, estarão presentes.“A Maçonaria e a Implantação da República”, que conta com um posfácio do Prof. Doutor A. H. de Oliveira Marques, reúne um conjunto de documentos inéditos referentes à Comissão de Resistência da Maçonaria e à participação desta nos preparativos do 5 de Outubro de 1910, bem como alguns textos de enquadramento geral da situação que então se vivia no nosso país, uma cronologia dos principais acontecimentos, fotografias e notas biográficas sobre os intervenientes.A Fundação Mário Soares e o Grémio Lusitano entenderam publicar, nas vésperas do Centenário da República, este espólio documental inédito que ilustra a intervenção da Maçonaria na impantação da República.Reunidos e anotados por Simões Raposo Júnior, destacado elemento da Maçonaria, os documentos agora reunidos em livro e reproduzidos em facsimile constituem um retrato insubstituível dos preparativos do movimento republicano e das movimentações que o precederam.A documentação publicada foi depositada na Fundação Mário Soares por Sérgio Carvalhão Duarte. Este acervo documental havia sido entregue, em vida, a seu pai, Jaime Carvalhão Duarte, por José António Simões Raposo Júnior, tendo permanecido durante muitos anos devidamente resguardado fora de Lisboa.No dia 5 de Outubro será também inaugurada nas instalações da Fundação Mário Soares uma exposição intitulada “Quem Fez a República”.Local: Auditório da Fundação Mário Soares, Lisboa
September 30 2009, 3:58am | Comments »
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Recordar os Portugueses mortos na Primeira Grande Guerra
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Novo post numa série sobre a 1ª República de António Mota de Aguiar:Vai fazer no próximo dia 5 de Outubro 99 anos que foi implantada a 1ª República Portuguesa. Cerca de cinco anos depois deste acontecimento, Portugal entrava na 1ª Grande Guerra Mundial e, durante o ano de 1917, chegavam a França os primeiros contingentes portugueses, na sua maioria pessoas pobres, na flor da vida, arrancados da vida rural das suas terras natais.Como testemunha esta carta:“Mãe. Afinal fez bem vendendo a nossa cabrinha, se precisava de comer. Eu bem sei o que lhe devo como filho e não me zango. Mas tenho muita pena, isso tenho. E às vezes ponho-me a lembrar que quando aí for já ela não vem da horta, entrando em casa, para me comer à mão. A gente também ganha amizade aos animais. Mas não me zango, pois se era precisão…” [1]Foi com muitos destes homens como soldados que foi organizado um exército ad hoc, feito num espaço de tempo de cerca de dez meses, para defrontar a maior potência militar europeia destes tempos, a Alemanha.O texto a seguir informa-nos sobre a Batalha de La Lys de 9 de Abril de 1918, onde os portugueses enfrentaram os alemães:“À l’Ouest, en mars de 1918, c’est-à-dire au moment où les conditions atmosphériques permettent d’engager de grandes opérations, le commandement allemand, grâce à l’armistice russe, dispose de cent quatre-ving-douze divisions d’infanterie – vingt de plus que les Franco-Anglais. Ludendorff (…) sait que «la lutte sera formidable» (…). À trois reprises, le 21 mars sur le front de Saint-Quentin, le 9 avril sur le front de la Lys, le 27 mai sur le front du chemin des Dames, les troupes allemandes, bien qu’elles ne possèdent pas de chars d’assaut, réussissent ces opérations de rupture du front que, depuis la fin de 1914, les belligérants, en France, avaient vainement cherché à réaliser. Elles obtiennent de grands succès …”.[2]Tinha razão o general Erich Ludendorff, chefe do Estado Maior do exército alemão, quando dizia que a luta ia ser formidável: os soldados portugueses sentiram-na bem na Batalha de La Lys.De toda a parte chegam sinais de que a luta se intensifica:“… Ao atravessar os campos as granadas caíam aos milhares! Alevantavam o chão todo! A terra fervia em cachão! (…) As aldeias ardiam como archotes alumiando a noite! (…) Lembrava o Inferno, a terra toda a arder!” [3]O texto do historiador francês acima referido dá-nos conta da fortaleza do exército alemão. Ainda por cima, no momento da batalha do 9 de Abril de 1918, as tropas portuguesas estavam enfraquecidas, resultante dos acontecimentos políticos ocorridos em Portugal em Dezembro de 1917:“Mas, - coisa inevitável, - os nossos soldados, começam a revoltar-se. Sim, inevitável. Pois se de Portugal não mandam reforços e nos esquecem, e os altos comandos, sem a coragem de protestar por todas as formas contra esse desprezo, fazem todos os dias aos soldados promessas de descansos e licenças que nunca chegam, e exigem dalguns milhares de homens o doloroso esforço, que nos outros exércitos se distribui por centenas de milhares, que menos se poderá esperar? O desfalecimento, a exaustão, o desespero atingiram o auge nas nossas fileiras.” (…) “Às dez da manhã sabe-se já que os alemães, numa ofensiva de grande estilo, (…) romperam as nossas linhas e avançam. (…) Lançados ao acaso sobre as macas, os feridos de mais gravidade esperam a sua vez. Um cheiro pesado e morno a éter, sangue e entranhas violadas entontece e engulha. À beira deste ou daquele pingam nascentes de sangue. O chão é todo manchado pelo rio vermelho da vida que extravasa.” [4]Em poucas horas cerca de 7500 homens perderam a vida nesta batalha.No próximo dia 5 de Outubro colocar-se-ão flores nas estátuas nacionais “aos mortos da Grande Guerra”, são as flores oficiais de homenagem do regime republicano a esses homens. Porém, em muitos países da Europa, o reconhecimento aos soldados mortos na grande guerra também vem das pequenas comunidades (embora o nosso caso não tenha comparação com o ocorrido nesses países). Por exemplo, em França, encontramos por toda a parte obeliscos, padrões e monumentos, [5] como, por exemplo, este pequeno padrão, algures numa minúscula aldeia francesa, à memória deste soldado:“Souvenez-vous dans vos prières de // Bussat Eugène // mort pour la France // à vingt ans // 1916”.Valeu a pena a vida dos 10.000 soldados da República mortos na Primeira Guerra Mundial? Já sabemos o que o poeta diz. O homem está vivo enquanto perdura na memória de alguém. Por isso trazemos aqui estes homens de volta, nem que seja por um dia, para que a nossa memória colectiva não os esqueça.António Mota de AguiarREFERÊNCIAS:[1] Jaime Cortesão, Memórias da Grande Guerra, Vol. I, p. 81, Portugália Editora, Lisboa, 1969[2] Pierre Renouvin, L’Armistice de Rethondes, pp. 18-19, Gallimard, Paris, 1968[3] Jaime Cortesão, Memórias da Grande Guerra, Vol. I, p. 225, Portugália Editora, Lisboa, 1969[4 ] Jaime Cortesão, Memórias da Grande Guerra, Vol. I, pp. 218-221, Portugália Editora, Lisboa, 1969[5] Sobre este assunto, ver: Sílvia Correia, A Memória da Guerra, pp.349-370, in Fernando Rosas e Maria Fernanda Rollo, História da Primeira República Portuguesa, Tinta da China, Lisboa, 2009.
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September 30 2009, 3:21am | Comments »
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Espelho do mundo
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Informação recebidaTítulo: Espelho do mundo - Uma nova história da arteAutor: Julian BellEditora: Orfeu NegroTradução: Luís Leitão e Cláudia BritoNúmero de páginas: 496Formato; 20 x 26,5 cmEspelho do Mundo é uma história da arte para os leitores do século XXI. Numa visão transversal, que interliga culturas e continentes, Julian Bell apresenta uma nova concepção da história da arte dirigida a um mundo globalizado, uma análise da diversidade das obras de arte e do modo como estas podem relacionar-se entre si ou mesmo enraizar-se umas nas outras e nos respectivos contextos sociais e políticos.Ele próprio pintor, Julian Bell interpreta a arte do ponto de vista do criador, procurando estabelecer uma afinidade entre o espectador e o artista. O seu propósito é o de incentivar o espectador a, antes de mais, observar a obra de arte e, só depois, equacionar a sua essência e significado. Desafia-nos aqui a olhar a arte enquanto espelho da condição humana.Julian Bell é pintor, professor de história e teoria da arte e crítico de arte. Colabora regularmente com o New York Review of Books e o The Guardian. É também autor de What is Painting? (Thames and Hudson, 1999).À venda nas livrarias a partir de 1 de Outubro.
September 28 2009, 12:50pm | Comments »
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Na Cova dos Leões
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Informação recebida da editora AntígonaTítulo: Na Cova dos Leões - Fátima Cartas ao Cardeal CerejeiraAutor: Tomás da Fonseca Prefácio: Reis Torgal"Este livro é porventura um dos mais emblemáticos textos «subversivos» impressos em Portugal durante o salazarismo. Foi escrito por um republicano racionalista e livre-pensador abjurado pela Igreja Católica e pelo regime autoritário e «catolaico» do Estado Novo. Depois, a democracia nascida da revolução de 25 de Abril de 1974 acabou também por o ostracizar. Estas serão, de resto, razões suficientes para que alguns títulos da sua prolífica obra logrem ser redescobertos e reeditados pela Antígona numa altura em que se aproxima o centenário da proclamação da Primeira República em Portugal (1910-2010).À venda nas livrarias a partir de 9 de Outubro
September 28 2009, 12:44pm | Comments »
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O Espião de D. João II
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Informação recebida da editora Ésquilo:A Ésquilo, Edições e Multimédia acaba de publicar «O Espião de D. João II», o mais recente romance histórico de Deana Barroqueiro, referência na área do romance histórico e autora do best-seller «D. Sebastião e o Vidente», cujo Lançamento decorrerá, em parceria com o El Corte Inglês, no próximo dia 15 de Outubro, pelas 19h30. Contará com a apresentação pelo Dr. Guilherme d’Oliveira Martins, actual Presidente do Tribunal de Contas.O formidável Espião de D. João II possuía qualidades e talentos comparáveis aos de um James Bond e Indiana Jones, reunidos num só homem. A memória fotográfica, uma capacidade espantosa para aprender línguas, a arte do disfarce para assumir as mais diversas identidades, a mestria no manejo de todas as armas do seu tempo e, sobretudo, uma imensa coragem e espírito de sacrifício, aliados ao culto cavaleiresco da mulher e do amor que o fascinavam, fazem dele uma personagem histórica única e inspiradora. El-rei D. João II escolhia-o para as missões mais secretas, certo que qualquer outro falharia. Talvez esse secretismo seja a razão do seu nome de família e do seu rosto terem ficado, para sempre, na penumbra.Em 1487, Pêro da Covilhã foi enviado de Portugal, ao mesmo tempo que Bartolomeu Dias, a descobrir por terra, aquilo que o navegador ia demandar por mar: uma rota para as especiarias da Índia e notícias do encoberto Preste João. Ao espião esperava-o uma longa peregrinação de cerca de seis anos pelas regiões do Mar Vermelho e costas do Índico até Calecut e, também, pela Pérsia, África Oriental, Arábia e Etiópia, descobrindo povos e culturas em lugares hostis, cujos costumes lhe eram completamente estranhos. Na pele de um enigmático mercador do Al-Andalus, o Escudeiro-guerreiro do Príncipe Perfeito realizou proezas admiráveis que causaram espanto no mundo do seu tempo.Neste romance fascinante, Deana Barroqueiro convida-nos a seguir o trilho de Pêro da Covilhã na sua fabulosa odisseia recheada de aventuras, amores, conquistas e descobertas inolvidáveis… Deana Barroqueiro (Prémio Máxima de Literatura – Prémio Especial do Júri com o romance D. Sebastião e o Vidente) é, sem dúvida, uma referência da ficção histórica, em Língua Portuguesa. Este livro, fruto de um rigoroso trabalho de investigação, unindo marcos de grande relevo histórico e uma descrição muito rica dos espaços e personagens, lê-se com fascínio da primeira à última página.
September 22 2009, 3:01am | Comments »
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O FIM DOS ZEPPELINS
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Gravação original do incêndio do dirigível Hindenburg em Lakehurst, New Jersey. EUA, no dia 6 de Maio de 1937.
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September 20 2009, 6:13am | Comments »
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REFLEXÕES PARA O CENTENÁRIO DA 1ª REPÚBLICA - PORQUE CAIU A REPÚBLICA
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Novo post do historiador António Mota de Aguiar, desta vez não sobre a queda da monarquia mas sobre a queda da 1.ª República (na imagem Afonso Costa em caricatura de 1910):“…é preciso escolher, pôr o acento, interpretar”(…) “…a historiografia não é unicamente uma descrição, é também um julgamento”. Hooykaas [1]Muitas foram as reformas introduzidas em 1911 pelo Governo Provisório. Mencionamos as mais relevantes: restabelecimento da ordem liberal posta em causa pela ditadura franquista, e com ela a amnistia de crimes políticos; reorganização do Exército; criação das Universidades de Lisboa e do Porto, do Instituto Superior Técnico de Lisboa, e da Faculdade de Letras de Coimbra. Foram também introduzidas reformas no ensino infantil, primário e normal. O sistema de inquilinato recebeu nova legislação. Foi igualmente criada legislação laboral, onde eram acautelados os direitos dos trabalhadores, como o direito à greve, apesar de os trabalhadores a terem recebido como estando aquém daquilo que tinham reivindicado, e os patrões também não ficarem satisfeitos, pois viam nessas leis uma ameaça aos seus direitos e interesses.A separação do Estado e da Igreja foi um dos pontos quentes da vida da República. A laicização levada a cabo pelos republicanos trouxe-lhes enormes sobressaltos, nomeadamente devido à política anti-clero que levaram a cabo: os jesuítas foram expulsos e muitos conventos encerrados. Para retirar o peso do clero na vida portuguesa foi anulado o juramento religioso nos tribunais e noutros actos oficiais. Os registos, como os actos relativos à família: o nascimento, o casamento, o divórcio e o óbito, até aqui efectuados na paróquia, passaram para o Registo Civil. Muitos padres, desobedientes a estas prerrogativas republicanas, foram presos, o que resultou na deterioração das relações entre o Vaticano e o Estado português, e entre o clero português e o governo republicano. Legislou-se sobre o divórcio e a família e o regime de protecção aos filhos “ilegítimos” e respectivas mães; foram criados serviços de assistência pública além da Tutoria da Infância.Alguns historiadores, consideram a obra legislativa da 1ª República monumental, outros dizem que ficou aquém das expectativas, ao passo que há historiadores que a criticam pelos excessos cometidos. Pensamos que, tivesse a República nos seus primeiros três anos tido uma vida “normal”, ter-se-ia porventura, no decorrer desse tempo, limado as arestas do que foi excessivo e acrescentado o que faltava, mas o regime teve uma vida atribulada e curta [2].O governo republicano foi logo no início da sua existência contrariado por graves acontecimentos: manifestações de fome, assalto a armazéns de bens alimentares e revoltas; as greves constituíram também um dos pontos do enfraquecimento e queda da 1ª República (“Nos dois últimos meses desse ano [1910], e em 1911, foram 247 as greves registadas no País".[3])A agitação social continuou com violência no ano seguinte: em Janeiro de 1912 eclodiu a primeira greve geral. O movimento operário, no qual o anarquismo e o anarco-sindicalismo tiveram grande relevância, fizeram sentir a sua presença através de lutas contra o governo e atentados à bomba. O 1º ministério de Afonso Costa reprimiu a agitação, perseguiu os seus chefes prendendo muitos. Nasceu aqui a primeira grande fenda do regime: o sucesso da revolução republicana ficou a dever-se ao apoio recebido no dia 5 de Outubro pelas massas operárias e urbanas, pois o golpe teria falhado se os operários da capital e da periferia industrial de Lisboa não tivessem descido à rua para apoiar “a sua República”. Os republicanos falharam aqui, ao reprimir as massas laborais e os seus chefes perderam a confiança do operariado e das massas urbanas socialmente desfavorecidas. Continuou a haver mais greves e intentonas sempre reprimidas pelos governos republicanos:“Certos radicais que não haviam ingressado no partido democrático, como o grupo de Machado Santos, [que dirigia um jornal seu, O Intransigente], aliados com elementos sindicalistas, (…) fizeram estalar um movimento a 27 de Abril (1913), que foi prontamente sufocado. Aumentou o número de presos políticos…”[4]Machado Santos foi um conspirador inveterado, com um papel importante no enfraquecimento da 1ª República. A sua acção conspirativa já vinha da monarquia, sobretudo da revolta de 28 de Janeiro de 1908. Na República participou nas seguintes intentonas e revoltas: Abril de 1913, Janeiro 1914, Movimento das Espadas de 1915, revolta-se contra a Ditadura de Pimenta de Castro em 1915, revolta de Tomar de 1916, e ainda em 1917 no golpe sidonista.Em Outubro de 1910 é o herói da Rotunda, sendo considerado o fundador da 1ª República. Mais tarde, em 1919, volta a salvar a República, contribuindo para a derrota dos revoltosos monárquicos acampados na Serra de Monsanto. Mas Machado Santos tinha a sua própria visão do mundo. Em 1910, ficou fora do governo provisório, dentro, talvez tivesse sido uma força integradora do regime republicano. Numa crítica ao governo provisório, Machado Santos deixou-nos este texto que nos dá uma ideia da sua personalidade:“Não era a LIBERDADE o que o povo reclama em 1910, porque ela ia até ás raias da licença nos paços régios, nos salões da aristocracia, nas casas da plebe, na igreja, na rua, na imprensa e no comício. Não era a EGUALDADE, também, o que exigia, porque tirando o privilegio d’uma família que era obrigada a ter uma existência áparte, pelas necessidades do Estado, a egualdade perante a Lei já a tinha consignada nos seus códigos. Não era a FRATERNIDADE, tão pouco, o que pedia, porque essa até do púlpito lh’a pregavam os seus padres, como a haviam pregado os seus avós muitos séculos antes de se dar o 89 em França. O que o povo queria era justiça” [5].Se por um lado este homem é o herói da República em 1910 e a salvou em 1919, ele foi, por outro lado e infelizmente, um factor de instabilidade até à sua trágica e aviltante morte em 1921.Uma outra importante ameaça durante a República foram as numerosas insurreições monárquicas. Elas desviaram enormes quantidades de recursos, necessários noutras áreas sociais.Outra figura relevante da agitação política destes tempos foi Brito Camacho (ver: “A 1ª Guerra e a ditadura de Sidónio Pais”).O tempo que mediou entre Agosto 1911 e o golpe sidonista de Dezembro de 1917 foram os anos decisivos que determinaram a morte da 1ª República. A meu ver, todos os sujeitos foram responsáveis. Afonso Costa foi certamente um deles: muito auto-convencido, não esteve à altura do momento histórico. Podia ter feito alianças no governo com outras forças políticas (ver “Reflexões para o 1º Centenário da 1ª República”) e, a meu ver, poderia ter entrado de outra forma na 1ª Guerra, uma forma mais consentânea com as nossas possibilidades, além de ter mantido com os movimentos operário e sindical uma outra relação, de forma a não os ter como inimigos, como de facto aconteceu. É fácil, a 100 anos de distância dizer isto, mas é também verdade que a sua chefia falhou. Quando Afonso Costa saiu da prisão de Elvas, em 1918, João Chagas diz sobre ele o seguinte:“(…) A verdade é que este Affonso Costa nada diz porque nada sabe dizer. Este homem é um instrumento sem cordas e portanto sem sonoridade. É de pau. Nada nelle vibra, ou tem vibração. Falta-lhe a eloquência. Em toda a sua vida política não encontrou quer falando, quer escrevendo, uma expressão feliz e que ficasse. Fora do domínio da sua estreita educação jurídica, estes fructos seccos da nossa cultura não dão nada” [6].No desfecho trágico da 1ª República, tenho para mim esta citação de Raul Brandão:“Quem fez mal à República? Foram os actos do governo Provisório? Nem esses, nem mesmo os do Afonso Costa, que o País tinha acabado de aceitar se o país se mantém integro. Foram os de alguns políticos que, acima da República, puseram os seus interesses e as suas ambições”[7].Talvez esta mensagem permaneça actual...NOTAS:[1] Citado na tese doutoral de Isabel Maria Malaquias: “A obra de João Jacinto de Magalhães no contexto da ciência do séc. XVIII”, p. 5, Departamento de Física da Universidade de Aveiro, 1994.[2] Para compreender a História da 1ª República, aconselhamos a leitura de: “A Primeira República Portuguesa – Entre o Liberalismo e o Autoritarismo”. Coordenação de Nuno Severiano Teixeira e António Costa Pinto, Edições Colibri. Instituto de História Contemporânea da FCSH da Universidade Nova de Lisboa. Outra obra importante é a de Vasco Pulido Valente, “O Poder e o Povo: A Revolução de 1910”, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1976. Discordamos, contudo, do autor, quando considera a 1ª República uma feroz ditadura.[3] H. H. de Oliveira Marques, História de Portugal, vol. II, p.211[4] Ângelo Ribeiro, História de Portugal, vol. VII, coordenação de Damião Peres, pp. 489-490, Portucalense Editora, Barcelos, 1935.[5] Machado Santos, A Ordem Publica e O 14 de Maio, p. 11, Tip. Liberty, Lisboa, 1916[6] João Chagas, Diário de João Chagas, vol. IV, p. 66, Livraria Editora, Lisboa, 1930[7] Citado in Joel Serrão, História de Portugal, vol. XI, pp. 23-24, Ed. Verbo, Lisboa, 1989.António Mota de Aguiar
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September 12 2009, 3:02am | Comments »








