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Investigar para conhecer. Conhecer para intervir.
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December 21 2010, 6:54am | Comments »
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"Nunca é tarde"
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José Morais, professor jubilado de Psicologia da Universidade Livre de Bruxelas (na imagem ao lado)e Paulo Ventura, professor da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa e outros investigadores, integram uma equipa internacional, liderada por Stanislas Dehaene do Instituto Nacional da Saúde e da Investigação Médica francês, que desenvolveu o primeiro estudo cujo objectivo era comparar o funcionamento cerebral de analfabetos, ex-analfabetos e letrados. Isto ao abrigo da teoria da reciclagem neuronal, defendida por Stanislas Dehaene.O artigo - How Learning to Read Changes the Cortical Networks for Vision and Language - em que se dá conta desse estudo foi publicado na versão online da revista Science há dois dias e dá conta do impacto da aprendizagem da leitura no córtex cerebral.Ao jornal Público José Morais explicou que "o cérebro dos ex-analfabetos só em poucas coisas difere do dos alfabetizados, está muito mais próximo destes (...). Ensinar alguém a ler na idade adulta tem os mesmos efeitos do que ensinar uma criança. É uma boa notícia, não há razão para desistir dos iletrados". As diferenças entre o cérebro leitor e aquele dos que nunca aprenderam a ler é que são todo um rol.
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November 13 2010, 3:33am | Comments »
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Ligar para incluir e aprofundar
http://terrear.blogspot.com/2010/09/ligar-para-incluir-e-aprofundar.html
Sobre os "custos dos chumbos" em peça repescada pelo "Vox Nostra" e sobre a "Investigação que não usamos" no mesmo sítio, com dois comentários breves.
September 2 2010, 9:21am | Comments »
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Da informação ao conhecimento e do conhecimento à sabedoria
http://dererummundi.blogspot.com/2010/08/da-informacao-ao-conhecimento-e-do.html
No ano passado, teve lugar em Estocolmo um congresso organizado pela Academia Europea e pela Fundação Wenner-Gren intitulado "From Information to Knowledge and from Knowledge to Wisdom" no qual fiz uma intervenção convidada sobre as bibliotecas da Universidade de Coimbra. O livro com as várias contribuições acaba de ser publicado pela Portland Press: aqui. A minha contribuição, "Conserving ancient knowledge for the modern world", está aqui.
August 12 2010, 6:04am | Comments »
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Nos Meandros da Política, da Decisão, da Acção e da Investigação
http://terrear.blogspot.com/2010/04/nos-meandros-da-politica-da-decisao-da.html
Tudo um número da Revista Educação & Sociedade que expõe vários anos de investigação, coordenada pelo professor João Barroso. Um excerto da apresentação:(...)De registar, finalmente, que a argumentação em favor da "evidence-based policy" se enquadra numa concepção de "engenharia política" em que "os factos falam por si e a transição entre os resultados da investigação e a política se faz através de um processo linear" (Rogers, 2003, p. 70).As críticas a esta visão positivista e funcionalista da relação entre conhecimento e política levam alguns autores a substituírem a terminologia "evidence-based policy" (política baseada na evidência), por "evidence-informed policy and practice" (política e prática informada pela evidência). Como afirmam Leväcic e Glatter, a razão para esta mudança deve-se, sobretudo, ao facto de a relação entre a produção e o uso do conhecimento ser problemática: "seria simplista assumir que a principal contribuição da investigação para a política é a resolução de problemas, através da transmissão de 'dados para a decisão' ou de evidência clara sobre 'o que funciona'. As funções mais significativas são, antes, 'esclarecer e formular problemas e definir alternativas'" (Leväcic & Glatter, 2001, p. 6).O modelo de "evidence-informed policy and practice", proposto por estes autores ingleses (que trabalham no domínio da liderança e da gestão educacional), contesta a existência de uma influência directa entre conhecimento e política e propõe um processo mais complexo, com as seguintes características: os resultados da investigação são seleccionados; a evidência é coligida; procede-se à sua validação e comunicação; sendo em seguida usada ou ignorada no processo de decisão (quer pelos políticos, quer pelos práticos). Neste processo, o contributo da investigação é sempre contextualizado no campo político e afecta sobretudo o "clima de opinião" (Smith, 1999, citada por Leväcic & Glatter, 2001, p. 9).Ao contrário do que as teses racionalistas defendem, o processo de decisão política é mais da ordem da "bricolage" (ver Freeman, 2007; Ball, 1998).Nesse sentido, a política baseada no conhecimento (ou informada pela evidência), mais do que capitalizar o contributo dos resultados da investigação no processo de decisão, constitui, muitas vezes, um modo de influenciar politicamente a investigação produzida (do conhecimento na política, à política do conhecimento). Esta influência não se faz só através do controlo governamental da investigação (pelos critérios de financiamento, pelas encomendas, pelo reconhecimento "oficial" do "mérito", etc.), mas também pela validação dos temas e dos métodos de investigação.Texto integral
April 15 2010, 6:08am | Comments »
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O sucesso da Critical Software
http://dererummundi.blogspot.com/2010/02/o-sucesso-da-critical-software.html
A Critical Software (http://www.criticalsoftware.com) obteve a mais prestigiada e reconhecida certificação de qualidade no domínio da Engenharia de Software – o CMMI Nível 5. Esta certificação é concedida pelo Software Engineering Institute (SEI), uma autoridade no que toca às melhores práticas em engenharia de software....Estudos recentes indicam que as empresas, em média, gastam 65% do tempo das equipas responsáveis pelas suas aplicações informáticas a resolver problemas, corrigir bugs, ou re-desenhar funcionalidades mal concebidas; na prática, isso significa que apenas cerca de um terço do tempo de tais equipas é dedicado à definição e construção das soluções que os seus negócios exigem.Com o modelo CMMI5, e aplicando técnicas de six-sigma, a Critical Software está a trabalhar para entregar software 99,9997% livre de erros e encurtar o seu ciclo de desenvolvimento; o mesmo modelo e técnicas são utilizados para melhorar a precisão e consistência das suas estimativas para o desenvolvimento de soluções. Tal significa maior eficácia, maior eficiência, e maior previsibilidade – ou capacidade de planear, antecipar, dimensionar. Em resumo, maior valor para o investimento dos nossos clientes.Continuando a política de rigor e exigência que a guia desde o início, a Critical Software junta-se agora a um grupo de empresas altamente respeitado, detentoras do mais relevante certificado de qualidade na área de engenharia de software. Um grupo que na Europa contará apenas com cerca de 20 empresas.É um orgulho, como Português e como cidadão de Coimbra, ver a Critical Software colocar o seu nome na base de dados do SEI (http://sas.sei.cmu.edu/pars/pars.aspx) – e de ser a primeira empresa portuguesa a conseguir fazê-lo.5 estrelas!!!Parabéns ao Gonçalo Quadros e a toda a equipa da Critical Software.Sobre a Critical Software (Radar de Negócios, RTP2, 2009):Aqui há emprego, Grande Reportagem RTP1 (2009):
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February 7 2010, 10:04am | Comments »
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PROJECTO DEGÓIS DE CURRÍCULA
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Informação recebida do projecto DeGóis - Fundação de Ciência e Tecnologia (na figura Damião de Góis):A plataforma DeGóis de curricula científicos http://www.degois.pt/ deu mais um passo na sua consolidação como plataforma de suporte à informação curricular da comunidade científica nacional com a possibilidade de utilização do CV DeGóis nos concursos da FCT iniciada em 2009.No ano de 2009 a Plataforma DeGóis teve um grande desenvolvimento junta das instituições, algumas das quais tem promovido estratégias internas de adesão conseguindo grande mobilização dos seus investigadores. Outras instituições irão promover iniciativas nesse sentido proximamente. Contamos, como complemento das iniciativas das instituições, com a participação activa das faculdades/escolas, dos departamento e dos centro de investigação na mobilização dos seus investigadores e caso necessário poderão contar com a nossa ajuda para o desenvolvimento de estratégias locais.Actualmente já há:- 7800 investigadores registados cujos CV já ultrapassam as 20.000 visualizações mensais;- 47 instituições aderentes (universidades, institutos politécnicos e institutos de investigação) mais 4 em fase de adesão;- mais de 120.000 referências científicas registadas;- mais de 51.000 referências técnicas registadas;- mais de 800 referências artísticas/culturais registadas;- mais de 85 patentes registadas.Já disponibilizámos nas últimas semanas, às instituições que o solicitaram, uma ferramenta que permitirá a todas instituições e respectivas unidades orgânicas (universidades, politécnicos, faculdades, escolas, departamentos e centros de investigação) ter acesso à informação dos seus investigadores para efeitos de gestão e acompanhamento da produção científica e técnica dos seus membros e para produção automática de relatórios de produção científica.Também já está disponível a integração do DeGóis com o RCAAP http://www.rcaap.pt/ e respectivos repositórios institucionais, num trabalho conjunto entre as equipas das duas plataformas. Esta integração permite que depósitos efectuados nos repositórios institucionais enviem automaticamente a informação para os CV dos investigadores e vice-versa.Mas a aposta mais importante de 2010 será na qualidade da informação registada nos CV e a adesão generalizada dos investigadores, para isso gostaríamos de poder contar com a colaboração de todos os investigadores na actualização permanente do seu CV e na mobilização dos investigadores ainda não aderentes.A criação e actualização do CV é feita em http://curriculum.degois.pt/, caso não se recorde dos dados de autenticação poderá usar a respectiva opção para os recuperar, o sistema envia-os automaticamente para o e-mail registado no CV. Para pesquisar CV use a opção “Visualizar curriculum” em http://www.degois.pt.Caso seja responsável por uma unidade orgânica de uma instituição aderente (universidade, instituto, centro, faculdade, escola, departamento, etc) pode solicitar-nos uma conta para acesso à área institucional onde poderá ter acesso à produção dos investigadores dessa unidade em forma de relatório.Documentos de apoio: Manual de básico de utilização: https://curriculum.degois.pt/Downloader?tp=UERG&fn=SGVscC9HdWlhUHJlZW5jaGltZW50b0NWLnBkZg==&title=Guia de Preenchimento do CVÁreas de conhecimento (FOS 2007) http://www.degois.pt/FOS2007PlatDegois.pdfLeonel Santos(Projecto DeGóis – Fundação para a Ciência e a Tecnologia)
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February 3 2010, 7:08pm | Comments »
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HUMOR: INVESTIGAÇÃO 2
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January 29 2010, 3:07am | Comments »
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INVESTIGAÇÃO: A CONSTRUÇÃO DO SABER
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Agora que se está a tratar da avaliação dos professores do ensino superior é oportuno voltar ao tema da missão da universidade. Recupero, para isso, um texto, que publiquei em "A Coisa Mais Preciosa que temos" (Gradiva, 2002), um volume quase esgotado:O sociólogo António Barreto elencou numa página do jornal “Público”, para melhor as sujeitar a exame, algumas ideias feitas sobre o ensino em Portugal. Uma delas é que “a universidade existe para ensinar”. Logo um professor do ensino secundário lhe saiu ao caminho, admiradíssimo, interrogando-se e interrogando-nos: “Mas para que mais é que pode servir?”A culpa da ignorância do professor poderá não ser só dele. Será obviamente também da universidade onde deve ter andado pelo menos quatro anos, tempo esse que, pelos vistos, não foi suficiente para ter reparado na primeira função dessa escola superior. Podia ao menos ter lido os livros do autor que pretendia contradizer, para melhor preparar a sua crítica. Se o tivesse feito, teria reparado que António Barreto, no seu livro “Os Silêncios do Regime”, saído em 1992 na Editorial Estampa, fazia a necessária pedagogia:“As Universidades portuguesas sempre fizeram sobressair, entre todas, a função primordial do ensino. Isto, em detrimento do que deveria ser o seu principal objectivo: o conhecimento. Ou, noutras palavras, a aquisição, o desenvolvimento, a crítica e a renovação do conhecimento. (...) Consagrado o primado do ensino, termos como ‘cientista’ ou ‘investigador’ têm pouco uso nas nossas escola, ao contrário de ‘docente’ na sua mais redutora visão.”Um outro autor, o matemático João Queiró (in “A Universidade Portuguesa – Uma Reflexão”, Gradiva, 1995) disse o mesmo por outras palavras:“A universidade é um sítio onde se estuda. Não é um sítio onde se ensina, muito menos um sítio onde se avalia, muito menos ainda um sítio onde se passam diplomas.”Essa função primordial da universidade não é nova. Foi enunciada pelo alemão Alexander von Humboldt no século XIX: a universidade serve, em primeiro lugar, para investigar, serve para disseminar cultura e serve, ainda, para ensinar. Esta missão plural da universidade contrasta com a função exclusiva de formação profissional, que prevaleceu na Idade Média quando as faculdades principais eram Teologia, Cânones (Direito Canónico), Leis e Medicina. Modernamente acrescenta-se à trilogia de Humboldt a prestação de serviços à comunidade, a qual nem sempre se faz sem prejuízo da criação de saber ou da difusão de cultura.Numa universidade que se preze, em primeiro lugar cria-se, constrói-se saber. Se assim não fosse, o ensino aí professado depressa se tornaria anquilosado. Ensinar-se-iam repetida e acriticamente as mesmas matérias... Uma universidade em que só se ensine devia antes ser chamada liceu superior. O crítico de Barreto deve ter andado num liceu superior, mero retransmissor de conhecimentos, formador (formador? talvez melhor informador) de pessoas que poucas possibilidades terão de criar conhecimento novo e original.A investigação consiste precisamente na construção de novo saber. Poder-se-ia fazer um inquérito sociológico e perguntar à população nacional o que é investigar. Para alguns, as que só andaram num liceu ou num liceu superior, investigar talvez seja sinónimo de ler. De facto, quem investiga lê muito. Mas ler não é sinónimo de investigar (está equivocado aquele professor universitário que afirmou que investigava, sim senhor, pois até preparava as suas aulas). Talvez outros associem a investigação à pesquisa criminal. Com efeito, um agente da Polícia Judiciária é vulgarmente conhecido por investigador. Talvez esta acepção esteja mais próxima da verdadeira do que a anterior. Sherlock Holmes, ao descobrir o autor de um crime, está afinal a fazer algo parecido com o que faz um investigador científico.Qual é então uma boa definição de investigação? Investigar é realizar uma “pesquisa crítica e sistemática, com base por exemplo na experimentação, que se destina a rever conclusões aceites à luz de factos novos.” Repita-se para esclarecimento dos que pensam que investigar é simplesmente ler o que alguém escreveu: “Rever conclusões aceites à luz de factos novos”.É evidente que investigar não é tarefa fácil. Se o fosse, o número de investigadores seria muito maior. Conforme notou Henry Rosovsky, professor de economia que foi “dean” da Faculdade de Artes e Ciências da Universidade de Harvard, em Boston, e escreveu o interessante livro sobre a missão das universidades “University: An Owner’s Manual” (vem lá a definição anterior de investigação), mesmo nos Estados Unidos, que tem as melhores universidades do mundo (como precisamente a de Harvard), poucos professores universitários são investigadores. Nas chamadas “research universities”, todos os professores são investigadores, sendo escolhidos justamente pelo seu currículo de investigação. Mas, em muitos “community colleges”, que são a maior parte das escolas superiores, os docentes são pessoas que pouca ou nenhuma ideia terão sobre o que é a investigação. Em Portugal não há ainda bons “rankings” de universidades, mas, quando os houver, semelhante destrinça será decerto feita.Há quem diga que não se pode fazer tudo bem ao mesmo tempo. Um bom investigador não pode ser um bom professor. E um bom professor não pode ser um bom investigador. Se há tempo para uma coisa não haverá para a outra. Rosovsky pergunta então quais poderão ser as motivações para um aluno ingressar numa “research university”, isto é uma verdadeira universidade, em vez de ir para um “university college”. E dá a resposta, enumerando três ordens de razões.1) Um professor que também constrói o conhecimento é um optimista. Ele acredita que é possível saber e faz por isso. É uma pessoa curiosa a respeito do mundo e, portanto, necessariamente mais interessante aos olhos dos seus alunos. Na peça “Jacques Le Fataliste”, que Dennis Diderot escreveu e que Milan Kundera reescreveu, um pessimista afirma repetidamente que “está tudo escrito lá em cima”. Ora bem, para um investigador, não está tudo escrito lá em cima: pelo contrário, pode escrever-se cá em baixo e ele escreve...2) Um professor em exclusivo, uma vez atingido o topo da carreira, tende a “enferrujar” se for repetindo as mesmas matérias. Mas o mesmo não se passa com um investigador activo, que tem sempre problemas novos em que pensar, locais novos onde ir e pessoas interessantes para conhecer. Escreve artigos e frequenta congressos, evitando o tédio. O romancista inglês David Lodge diz justamente que as três tecnologias que mudaram a universidade foram a fotocopiadora, o telefone e... o avião a jacto.3) Embora seja difícil medir a produtividade pedagógica (pode tentar medir-se a qualidade da docência analisando inquéritos dos alunos, mas este processo não deixa de ser falível), é relativamente fácil medir a produtividade científica: basta atentar no número de “papers” aceites, no número de citações que tiveram, no impacto das revistas que os publicaram, etc. É menos provável cometer um erro ao contratar um professor universitário atendendo apenas ao seu currículo científico do que atendendo apenas ao seu currículo pedagógico. Claro que a investigação é hoje uma actividade onde nem sempre se respeitam regras (o pacato Dr. Arrowsmith, do livro de Sinclair Lewis, não se compara aos cientistas em tremenda competição de “A Dupla Hélice”, o livro auto-biográfico de James Watson), mas, apesar de tudo, uma avaliação científica é bem mais justa do que uma avaliação pedagógica.Em resumo: conhecer é uma obrigação essencial da universidade moderna.
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January 29 2010, 2:38am | Comments »
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SOLUÇÕES À PROCURA DE PROBLEMAS
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Post convidado de José Luis Pinto de Sá:Numa crónica de Julho passado num jornal diário, Pacheco Pereira recordava como, nos seus tempos de estudante universitário de Filosofia há 40 anos, era regra os Professores ensinarem o que lhes interessava pessoalmente e até, em particular, o que tinham investigado longamente nos seus doutoramentos, com pouca ligação com o que faria sentido do ponto de vista de uma licenciatura coerente.Não pude deixar de sorrir ao ler isso porque essa situação é também uma tendência nas tecnologias. Não é assim em todas as escolas, não era assim no tempo de estudante de Pacheco Pereira, e mesmo ultimamente a coisa melhorou com a maturação do corpo docente, mas há uns anos nas engenharias também era vulgar um recém-doutorado criar pelo menos uma disciplina de opção sobre o tema que investigara e, em alguns casos, criar até especialidades inteiras de Mestrado e mesmo licenciaturas. A multiplicação de cursos basicamente similares resultou dessa proliferação de doutorados, todos à procura do seu "espaço" próprio, assumida pelas estratégias de algumas escolas.Como disse, nos últimos anos a coisa melhorou, mas há um domínio em que esse subjectivismo persiste e tem cura difícil: o dos temas de investigação. É frequente o recém-doutorado, sobretudo se o seu doutoramento foi um desses tradicionais "à francesa" que o ocupou 6 anos a investigar um assunto muito especializado, quase tudo sobre quase nada, como ironizam alguns, enquanto ia esquecendo o resto que aprendera, é frequente, dizia, continuar a investigar o mesmo tema depois do doutoramento, concorrendo a subsídios e fundos públicos ou europeus por muitos anos.E, quando confrontado com o reparo de que deve procurar ligações à sociedade, aí vai ele à procura de problemas a que possa aplicar os temas que conhece e em que deseja continuar a publicar, dada a importação do lema americano do publish or perish. E muitas vezes conclui que a tal sociedade é atrasada e não o merece, visto não apresentar nenhum problema para a solução que ele domina e que lhe parece evidente ser o centro do mundo. E, se quando fez o doutoramento não era já docente universitário, vira-se para o Estado e exige-lhe emprego.Claro que é possível inverter os termos deste binómio solução-problemas. Mas para isso é preciso que o Estado que financia os doutoramentos incorpore as entidades empregadoras na própria definição dos seus temas. Há muitos países avançados onde o Estado só financia investigações universitárias em tecnologia se houver comparticipação empresarial nesses financiamentos. Claro que para tal é preciso que as empresas (privadas e públicas) tenham estratégias tecnológicas, e para ter estratégia tecnológica é precisa segurança financeira, sem o que uma empresa vive obcecada pelas vendas e compromissos de pagamentos, a prazo não superior a um ou dois anos; e é preciso que, se for pública, não viva apenas para fazer boa figura perante a tutela governativa, que tem um ciclo de vida não superior ao ciclo eleitoral.Ora nenhum desenvolvimento tecnológico leva tão pouco tempo a criar e a chegar a frutos, a não ser que consista na simples compra "chaves na mão" de algo feito lá fora, para eleitor ver...Mas, também nas áreas não-tecnológicas o Estado pode promover uma maior ligação entre os temas de Investigação e as necessidades sociais. Porque há-de o Estado português financiar bolsas de doutoramento em História sobre a representação material da realeza assíria, por exemplo, quando não temos nenhuma base de conhecimento particular nem interesses estratégicos no Iraque, e deixar a outros a investigação histórica sobre a formação das cidades angolanas, coisa que devia interessar ao nosso Ministério de Negócios Estrangeiros (nos EUA é a CIA que muitas vezes apoia essas investigações)? Ou porque não se relacionam os doutoramentos em Sociologia às necessidades de integração das minorias étnicas imigrantes, com o apoio das Câmaras Municipais, como nos EUA?Tenho um colega mais novo que se doutorou nos EUA há uns anos sobre a aplicação da teoria dos jogos e em particular dos conceitos de Nash à formação de preços em mercados competitivos de energia. O projecto era financiado por uma entidade interessada, e provavelmente a primeira em que pensarão será numa qualquer petrolífera. Mas não. Quem financiava esse projecto era o equivalente ao nosso Ministério Público, que queria ter meios para a detecção de fenómenos de cartelização na referida formação de preços. Imaginem termos também um Ministério Público assim...
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January 19 2010, 5:56pm | Comments »





